A história da Educação Tecnológica em Belo Horizonte no contexto da criação da capital mineira

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1 A história da Educação Tecnológica em Belo Horizonte no contexto da criação da capital mineira Márcia da Mota Jardim Martini Paulo Cezar Santos Ventura Bernadetth Maria Pereira Introdução Esse trabalho tem por objetivo mostrar um pouco da evolução do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), instituição de ensino técnico e tecnológico em nível médio e superior, como parte da história da educação tecnológica e da história de Belo Horizonte e sua contribuição para a formação de uma enorme mão de obra para a cidade, fundada em 1897, e que crescia no início do século passado. O CEFET-MG, criado em 1909 como Escola de Aprendizes Artífices, tem quase cem anos de serviços prestados à sociedade em diversos aspectos, seja na formação de técnicos, seja no desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias, seja na discussão de políticas educacionais visando o desenvolvimento técnico e tecnológico de Belo Horizonte e Minas Gerais. O CEFET-MG faz parte também da recente história da cidade de Belo Horizonte como formador de técnicos para a indústria e para o setor de serviços. Apesar da inserção na história da cidade de Belo Horizonte, não possui espaços museográficos que organizem os registros e acervos. Mesmo os lugares de memória passíveis de serem constituídos, encontram-se esquecidos e com o acervo acumulado nesses anos de história totalmente descaracterizados e espalhados em locais não apropriados. 1 Professores do CEFET-MG

2 A partir das operações de busca e valorização do rico acervo histórico e museográfico da instituição, poderíamos iniciar a reconstrução da memória do CEFET-MG e de uma cultura tecnológica, contextualizando-os num processo de evolução da tecnologia, da cultura, da formação profissional e das profissões. Restam ainda os problemas relativos à conservação, restauração e exposição deste acervo em locais adequados, e com profissionais treinados para as funções específicas, além do atendimento ao público latente. Trata-se, portanto, de um projeto amplo que visa a instalação dos espaços: um espaço de pesquisa da memória, dos objetos e do acervo; outro espaço para exposição e atendimento ao público. Esse trabalho está nos permitindo a consolidação de dados e referências para a criação do Museu Virtual e de Espaços Museográficos, dentro de uma concepção inovadora em que a própria instituição se transforma, pouco a pouco, nesse espaço, repensando a sua identidade na discussão desse processo de busca e transformando o próprio ambiente na medida em que reconstrói sua identidade. 2 - O CEFET-MG na história de Belo Horizonte: e criou-se o trem Desde 1833, a capital mineira, instalada em Ouro Preto, necessitava de mudança para um local mais apropriado, que permitisse sua expansão topográfica e geográfica, colocando-a em condições de representar política, administrativa e financeiramente o estado de Minas Gerais, na época o mais populoso do Brasil. Com a Proclamação da República no dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca, não querendo mais fazer nenhuma referência à monarquia, registrada na expressão Curral del Rey, incentivou a mudança do nome da freguesia. Então, no dia 12 de abril de 1890, o Presidente de Minas Gerais lavrou o Decreto n 36, determinando que a freguesia do Curral del Rey, município de Sabará, passaria a denominar-se Belo Horizonte, conforme foi requerido pelos

3 seus próprios habitantes. Com isso a freguesia de Belo Horizonte começa sua expansão, inaugurando, em 7 de setembro de 1895, a Linha Férrea ligando a futura capital a Sabará, com uma extensão de 15 quilômetros. No mesmo dia, lançaram a Pedra Fundamental de diversos edifícios públicos, como o Palácio Presidencial, as Secretarias da Praça da Liberdade e outros. Para facilitar as obras foram feitos ramais férreos que cortavam toda a cidade para que os trens pudessem levar o material próximo a elas. Para incrementar ainda mais o volume das obras, o governador de Minas Gerais (na época o cargo era denominado presidente) Francisco Bicalho solicitou ao Governo Federal a liberação de imigrantes, que vieram dar uma contribuição significativa, principalmente com a mão-de-obra especializada. Chegaram pessoas de vários países, destacando-se os italianos. Logo foi definido o Bairro dos Imigrantes (hoje Bairro Santa Tereza), com um grande barracão para 200 pessoas e o Bairro dos Funcionários, que recebiam suas casas de acordo com suas funções. No dia 12 de dezembro de 1897, às 7 horas da manhã, a população foi acordada com uma salva de 21 tiros de canhão. Era a inauguração da nova capital mineira. No Jornal Capital destaca-se esta nota: Belo Horizonte surge no colo do quase deslumbramento de magia. É a chama que, enfim, se nos oferece. É a capital digna de Minas Republicana, escrevendo no seu escudo a palavra progredir (SILVA, 1998). Em 1900, só existia uma escola de nível superior, a Faculdade de Direito localizada na Avenida Álvares Cabral, que foi transferida de Ouro Preto para a nova capital. Em 19 de março de 1901, inaugurava-se a primeira linha de bondes em Belo Horizonte. Em 1902, foram inauguradas a Usina Itacolomi usina de óleo de mamona recolhida nos arredores da cidade; e uma grande fábrica de sabonetes. Neste mesmo ano foi construída a estrada de Ferro Oeste de Minas rumo a Betim,

4 cortando o Bairro Calafate, com estação próxima à Rua Santa Quitéria. Em 1904 foi fundada a primeira fábrica de cerveja da cidade, que mais tarde foi comprada pela Antártica Paulista passando a ser chamada Antártica Mineira. Em 1906, a estrada de ferro que passava pelos bairros Prado e Calafate foi estendida até a cidade de Itaúna e passou a ser a maior do Brasil. Em 1909, a política agitava-se com a sucessão presidencial. Os militares lançaram uma chapa encabeçada pelo Marechal Hermes da Fonseca, tendo como vice o Presidente de Minas Gerais, Wenceslau Brás. Em 23 de setembro de 1909, foi promulgado o Decreto n. 7566, pelo então Presidente da República Marechal Hermes da Fonseca, criando nas capitais dos estados da república, Escolas de Aprendizes Artífices, para ensino profissional (primário e gratuito), atitude tomada devido ao aumento constante da população nas cidades, exigindo facilidade às classes proletárias para vencer dificuldades sempre presentes da luta pela existência. O Decreto n 7566 criou 19 Escolas de Aprendizes Artífices, que foram distribuídas por vários pontos do país. Nilo Peçanha assume a presidência em 1909 já com o espírito preparado para a solução do problema do ensino próprio à formação do operariado nacional. Essas Escolas de Aprendizes Artífices começaram a funcionar em 1910, e foram instaladas nos seguintes Estados da União: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Em 25 de outubro de 1911, o Presidente Hermes da Fonseca assinou o Decreto n 9070, contendo o Regulamento das Escolas Aprendizes Artífices, e autorizando a criação do Museu Escolar. A primeira Guerra Mundial, iniciada em agosto de 1914 e concluída em novembro de 1918, gerou uma crise econômica no país, diminuindo o entusiasmo pelos projetos de formação profissional e tornando-os inviáveis pela carência de recursos financeiros. Com isso diminui a vinda de imigrantes para o país, aumentando a carência de mão de obra especializada, o que viabilizou mais facilmente a

5 formação profissional, para a expansão da indústria no mesmo ritmo dos primeiros anos da capital mineira. 3 - O CEFET-MG na história do ensino técnico Afonso Augusto Moreira Pena, ao assumir a Presidência da República em 15 de novembro de 1906, incluiu a questão da formação profissional nos planos do Governo Federal: A criação e a multiplicação de institutos de ensino técnico e profissional, muito podem contribuir também para o progresso das indústrias, proporcionando-lhes mestres e operários instruídos e hábeis. (MAGELA NETO, 1993). Em 17 de dezembro de 1906, foi encaminhado ao Senado Federal, um ofício que propunha a aplicação do ensino prático industrial, agrícola e comercial, nos Estados e nas capitais do País, com dois terços dos gastos feitos pela União. Em 29 de dezembro de 1906, o Presidente da República Afonso Pena criou o Ministério dos Negócios da Agricultura, Indústria e Comércio que cuidaria dos assuntos ligados ao ensino profissional. Então, em 1906 cria-se a Escola Prática de Aprendizes das Oficinas de Engenho de Dentro pela Estrada de Ferro Central do Brasil. Todo esse movimento político em prol da formação profissional culminou com a promulgação do Decreto n. 7566, de 23/09/1909, que criou as Escolas de Aprendizes Artífices, para ensino profissional primário e gratuito, com cursos especializados, principalmente nos setores de madeira, metal e artes decorativas, com um currículo de seis anos. O Decreto traz em seu texto a seguinte citação:

6 ... facilitam às classes proletárias os meios de vencer as dificuldades sempre crescentes na luta pela existência; que para isso se torna necessário não só habilitar os filhos dos desfavorecidos da fortuna com indispensável preparo técnico e intelectual, que os afastará da ociosidade ignorante, escola do vício e do crime (grifo nosso). Em 1930 criou-se o Ministério da Educação e Saúde Pública e em 5 de janeiro de 1931, por meio do Decreto n , criou-se a Inspetoria do Ensino Profissional Técnico, na verdade existente desde Em 1932 foi divulgado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova que propunha a reconstrução educacional do país, trazendo uma preocupação com a formação de professores. A preparação dos professores, como se vê, é tratada entre nós, de maneira diferente, quando não é inteiramente descuidada, como se a função educacional de todas as funções públicas a mais importante, fosse a única para cujo exercício não fosse necessidade de qualquer preparação profissional. Todos os professores, de todos os graus, cuja preparação geral se adquirirá nos estabelecimentos de ensino secundário, devem, no entanto, formar o seu espírito pedagógico, conjuntamente, nos cursos universitários, em faculdades ou escolas normais elevadas ao nível superior e incorporadas às universidades. Em 30 de janeiro de 1942, foi promulgado o Decreto-lei n 4.073, conhecido como Lei Orgânica do Ensino Industrial, decreto esse que cria o SENAI. Pelo artigo 18, alínea III, o ensino industrial começou a vincular-se ao conjunto da organização escolar do país, pois permitia o ingresso dos egressos dos cursos técnicos em escolas superiores diretamente relacionadas à sua formação profissional. O ensino industrial seria ministrado em dois ciclos: no primeiro, incluía-se o industrial básico, o de mestria, o artesanal e a aprendizagem; no segundo, o técnico e o

7 pedagógico. Estabeleceram-se quatro tipos de escolas: as técnicas, as industriais, as artesanais e as de aprendizagem. A conjuntura econômica da Segunda Guerra Mundial foi o primeiro fator propulsor do ensino técnico no país, seja pela expansão da produção industrial que resultou dela, seja pela necessidade de substituição das importações de técnicos, prática freqüente até então. Em 31 de março de 1950, foi promulgada a Lei nº , que assegurava aos estudantes do primeiro Ciclo Industrial, Comercial ou Agrícola, o direito à matrícula nos cursos clássicos ou científicos, desde que completassem o estudo daquelas disciplinas que não constavam dos currículos por eles estudados. Em 12 de março de 1953, foi promulgada a Lei nº 1.821, regulamentada pelo Decreto nº , de 21 de outubro de 1953, estabelecendo a equivalência entre os cursos de grau médio. Em 16 de fevereiro de 1959, foi promulgada Lei nº 3.552, regulamentada pelo Decreto nº , que reforma o ensino industrial em todo o país, e cria as Escolas Técnicas Federais, que em Minas Gerais substitui a estrutura da antiga Escola de Aprendizes e Artífices de Minas Gerais, depois transformada em Liceu Industrial de Minas Gerais, e logo depois Escola Técnica de Belo Horizonte. As primeiras inovações do decreto referem-se à maior autonomia e descentralização da organização administrativa e ao alargamento do conteúdo de cultura geral dos cursos técnicos. No entanto essa lei teve curta duração, porque dois anos mais tarde entra em vigor a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Com essa lei não houve mudanças profundas na organização do ensino técnico, contribuindo principalmente para consolidar mudanças sugeridas por leis anteriores. Em 13 de fevereiro de 1969 foi publicado o Parecer nº 103, autorizando a organização e o funcionamento de cursos profissionais superiores de curta duração nos estabelecimentos de ensino industrial mantidos pelo MEC, correspondentes às necessidades e características dos mercados de trabalho

8 regional e nacional. Isso permitiu à Escola Técnica Federal de Minas Gerais criar a primeira turma de Engenharia de Operação. Em 30 de junho de 1978, com a promulgação da Lei nº 6.545, as Escolas Técnicas Federais de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro são transformadas em Centros Federais de Educação Tecnológica, incluindo o objetivo de ministrar ensino em grau superior de licenciatura plena e curta, com vistas à formação de professores e especialistas para as disciplinas especializadas do ensino do segundo grau e dos cursos de formação de técnicos e tecnólogos. Em 1985, foi anunciada a criação das Unidades de Ensino Descentralizadas (UNED s), quando o Presidente da República José Sarney divulgou o seu propósito de criar 200 novas escolas técnicas, para ampliar o número de vagas para o ensino técnico no país. Então, em 6 de fevereiro de 1987, a Portaria nº 67 cria as Unidades Descentralizadas das Escolas Técnicas e dos Centros Federais de Educação Tecnológica, em conformidade com o Decreto nº , de 5 de setembro de Em 5 de outubro de 1988, foi promulgada a Constituição Brasileira que definiu os novos rumos da educação brasileira. Em 20 de dezembro de 1996, foi promulgada a Lei nº 9.394, que fixou as Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB, também conhecida como Lei Darci Ribeiro. E, finalmente, em 1º de outubro de 2004, o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva assina o decreto Nº 5.224, que dispõe sobre a organização dos Centros Federais de Educação Tecnológica, oficializando-os como instituições especializadas na oferta de educação tecnológica, nos diferentes níveis e modalidades de ensino, com atuação prioritária na área tecnológica.

9 4 - O esquecimento é uma forma de sobrevivência O esquecimento é uma forma de sobrevivência. (Cristina Bruno, museóloga do Museu de Arqueologia da USP, palestrante do I Seminário de Capacitação Museológica/2002, Museu Abílio Barreto, B.H.) Esta frase nos leva a várias reflexões possíveis, inclusive a de imaginar que as mutações sofridas por uma sociedade, como a comunidade Cefetiana, durante todo o século XX, conduz ao esquecimento de antigas formas de comportamento em função das novas exigências da própria sociedade ou do mercado em mutação. Entre os comportamentos esquecidos encontram-se as técnicas empregadas nas manufaturas e o desenvolvimento de objetos e produtos, sejam materiais ou imateriais, e mesmo ofícios ensinados e aprendidos no passado e caídos em desuso (POLLAK, 1989). No entanto, novos comportamentos, técnicas, ofícios e produtos não são saídos do vazio, são resultados de transformações ocorridas no interior da sociedade, trazendo em sua história e trajetória toda a produção do passado, às vezes de forma camuflada, ou esquecida. Tirar o esquecimento do processo histórico das transformações é não somente compreendê-lo em si mesmo, como dar um passo ao futuro no enfrentamento dos novos problemas e de situações conflitantes surgidas no seio da sociedade (VON SIMSON, 2000). É nesse sentido, de compreender o passado para enfrentar o novo, que nos propomos a desenvolver o projeto Concepção de Espaços Museográficos e Reconstrução da Memória dos 100 Anos do CEFET-MG. Os lugares de memória nascem e vivem do sentimento de que não há memória espontânea, é preciso criar arquivos, é preciso manter aniversários, organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notoriar atas, porque essas operações não são naturais. E por isso a defesa, pelas minorias, de uma memória refugiada sobre focos privilegiados e enciumadamente guardados nada mais faz do que levar à

10 incandescência a verdade de todos os lugares de memória. Sem a vigilância comemorativa, a memória depressa os varreria (NORA, 1984). Na reconstrução da memória de cada um surgem marcas profundas, recuadas a um passado mais próximo ou mais distante, que não se apagaram ou não se apagam, porque são envoltas em sentimentos que os estimulam a prosseguir na luta pelo enraizamento e pela terra, para que o futuro não seja perdido. Ao seu modo, cada um sugere que essas marcas sejam impressões, isto é, reflexos de objetos exteriores. Resultam de encontros, de representações elaboradas individualmente, com as que vêm do social, ou de outras pessoas com as quais convivem ou conviveram, ou ainda, com quem se sentem próximos, por identificarem fundamentos de experiências comuns (MAGALHÃES, 2002). A memória é a vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento, inconsciente de suas deformações sucessivas; vulnerável a todos os usos e manipulações, susceptível de longas latências e de repentinas revitalizações. A memória é um fenômeno sempre atual, um elo vivido no eterno presente; a história, uma representação do passado. Porque é afetiva e mágica, a memória não se acomoda a detalhes que a confortam; ela se alimenta de lembranças vagas (NORA, 1984). No contexto da República Brasileira, a construção e ocupação de Belo Horizonte produziu significativas mudanças inscritas no espaço urbano e no cotidiano dos mineiros. Um outro modo de vida baliza novas fronteiras entre o público e o privado, e promove novas formas de ser, sentir e relacionar-se em uma cidade jovem que se quer moderna. Do habitante da cidade espera-se a conquista dos espaços públicos e o exercício de sociabilidades desejáveis. O espetáculo da modernidade ganha as ruas, experimentando e imprimindo novas formas de ser e estar no mundo. Entretanto, no limiar da modernidade convivem e confrontam duas temporalidades: a tradição e o moderno. É dentro destas duas realidades que

11 o presente trabalho pretende se localizar. A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais (NORA, 1986). 5 Alguns resultados: o Museu Virtual e os Espaços Museográficos O projeto em execução no CEFET-MG tenta consolidar uma linha de pesquisa emergente na instituição ligada a estudos sobre a memória e espaços museográficos, centralizada em torno de três eixos principais: Memória - pesquisa da memória da instituição em seus quase cem anos de história de formação profissional de técnicos e engenheiros; Acervo - pesquisa do acervo de documentos, objetos e imagens; Espaços - pesquisa de espaços museográficos tecnicamente adequados à busca, contextualização, restauração, exposição do acervo e atendimento ao público. I Memória Com relação à pesquisa da memória da Instituição, pretendemos retratar a inserção do CEFET-MG na evolução das técnicas, tecnologias e profissões desde a sua fundação em 1910, confundindo-a com a história da cidade de Belo Horizonte, através do estudo dos objetos técnicos enquanto elementos de comunicação de uma cultura material; da reconstrução da memória institucional através da caracterização dos lugares de memória, e do estudo da influência do CEFET-MG na vida social, familiar e profissional dos mineiros, etc. Utilizando-se de procedimentos metodológicos adequados, pretende-se, no processo registrado acima; verificar o envolvimento dos servidores, valendo-se de sua história de vida; historiar a construção da instituição; prestar um tributo aos incentivadores que contribuíram para a construção do espaço físico; identificar a instituição no

12 imaginário dos atuais profissionais a serviço do CEFET-MG; contextualizar acervo, história e espaço como lugares de memória. II Acervo Com relação à pesquisa do acervo existente na Instituição (objetos, documentos e imagens) pretende-se: buscar, identificar, documentar e preservar os bens materiais e culturais de natureza diversificada, que constituem o patrimônio do CEFET-MG; restaurar, conservar, arquivar em espaços tecnicamente adequados, e prepará-los para eventuais exposições ao público em geral, nos espaços museográficos construídos para esta finalidade. III Espaços Com relação à pesquisa dos espaços museográficos, pretende-se trabalhar no planejamento e construção de espaços com três finalidades distintas: Espaços de pesquisa da memória e do acervo; Espaços de exposição do acervo histórico pesquisado; Espaços de exposição do acervo técnico desenvolvido na Instituição através de projetos de inovação tecnológica. Para a execução de parte desse projeto empregamos a metodologia da história oral (COHEN, 1993) privilegiando entrevistas semidirigidas, documentadas em áudio e vídeo e levantamento de imagens e documentos nos próprios setores de patrimônio, áudio visual e registro escolar da instituição. Utilizamos alguns elementos do pensamento de Walter Benjamin (1987), que nos permitem compreender as questões de tempo, história, memória, identidade, linguagem

13 narrativa e a relação sujeito-objeto no contexto das práticas sociais e culturais dos diversos grupos que formam a instituição. Identificamos personagens que vivenciaram e vivenciam o cotidiano da instituição para a produção de depoimentos orais. A história oral reforça a idéia de que por meio da escuta das pessoas e dos registros de suas lembranças e experiências, poderemos interpretar a história, as sociedades e a cultura. A história oral abrange tanto a análise das sociedades mais amplas como das vidas individuais. Ela une ao mesmo tempo a análise de ambas. No mais, dividimos a abordagem metodológica em estudos sobre a memória, o acervo e os espaços de memória e museográficos. Todo esse trabalho nos conduz à criação de um Museu Virtual, e à concepção dos Espaços Museográficos do CEFET-MG Criação do Museu Virtual do CEFET-MG Atualmente há um despertar maior da nossa sociedade pela busca de soluções e medidas simples para salvaguardar adequadamente os nossos bens culturais. A era da informação valorizou ainda mais os dados vitais e estratégicos que precisam ser preservados, divulgados e acessados rapidamente para uso presente e futuro. É provável que essa valorização seja um dos atuais motivos pelo qual a sociedade busca resgatar o original, o mais antigo, a primeira versão. (SICHMANN, 2003). Partindo desse entendimento, o primeiro passo dado em direção à criação do Museu Virtual do CEFET-MG foi o levantamento de parte dos bens patrimoniais da instituição. Localizamos, identificamos, quantificamos e selecionamos os objetos e artefatos que compõem o acervo e a memória histórico-institucional, numa proposta de reconhecimento, recuperação e exposição dos mesmos dentro de um contexto museográfico e museológico, referendando a importância da evolução das profissões no desenvolvimento de Belo Horizonte.

14 Fotografamos um exemplar de cada categoria dos bens patrimoniais para a criação do Museu Virtual do CEFET-MG. As imagens estão sendo digitalizadas, catalogadas e indexadas. O próximo passo será a criação do sítio do museu virtual Exposições Os objetos do acervo da instituição possuem bastante significado e são carregados de lembranças de vida, de histórias, de escutas, de estudo, trabalho e lazer. Eles integram os lugares de memória construídos entre o passado e o presente, entre o comportamento de antes e o de depois, de ontem e de hoje. As tecnologias mudam, a eletrônica muda da válvula ao transistor e aos microprocessadores, mas a escuta, o ouvido ao pé do rádio, permanece, os lugares de memória permanecem. É dentro dessa compreensão que participamos, em Julho de 2004, de uma exposição na UFMG apresentando uma trajetória fragmentária a ser construída pelo visitante em função de seu imaginário, de sua memória, de sua história afetiva com relação aos objetos expostos: 25 rádios de idades diferentes e outros objetos da mesma época, fazendo uma conjunção com a história do rádio (MARTINS, 1999). Em setembro do mesmo ano, dentro das atividades de comemoração dos 94 anos do CEFET-MG, participamos da Mostra de Trabalhos do LACTEA Laboratório Aberto de Ciência, Tecnologia, Educação e Arte expondo alguns objetos selecionados do acervo e também fichas técnicas de objetos em estudo que farão parte do museu virtual. 6 Referências Bibliográficas BENJAMIN, W. Infância em Berlim por Volta de In: Obras Escolhidas II. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1987.

15 COHEN, Y. História Oral: uma metodologia, um modo de pensar, um modo de transformar as Ciências Sociais? Ciências Sociais Hoje. São Paulo: Hucitec, MAGELA NETO, O, Quinhentos anos de História do ensino técnico no Brasil, de 1500 ao ano Belo Horizonte, M.G, MARTINS, F. Senhores Ouvintes, no ar... a cidade e o rádio. Belo Horizonte, M.G, C/Arte,1999. NORA, P., Les Lieux de Mémoire. La Republique, Paris, Gallimard, POLLAK, M. Memória, esquecimento e Silêncio, Estudos Históricos, Rio de Janeiro, 1989, vol.2, n. 3, p SICHMANN, M. O Reconhecimento da Importância de preservação de acervos da Região. Revista Sarao. http//bibmemoria.cmu.unicamp.br/sarao/revista15/sarao_o1_texto2.htm SILVA, L R., Doce dossiê de BH. Escriba Editora, Belo horizonte,1998. VON SIMSON, O. Memória, cultura e poder na sociedade do esquecimento, coletânea de arquivos, fonte e novas tecnologias: questões para a História da Educação, organizada por Luciano Mendes de Faria Filho, Campinas, Autores Associados, 2000.

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