INSTITUTO CIENTÍFICO DE ENSINO SUPERIOR E PESQUISA CURSO DE MBA EXECUTIVO DE GESTÃO DE PESSOAS DIEL GOMES DA SILVA JUNIOR

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1 INSTITUTO CIENTÍFICO DE ENSINO SUPERIOR E PESQUISA CURSO DE MBA EXECUTIVO DE GESTÃO DE PESSOAS DIEL GOMES DA SILVA JUNIOR ANÁLISE DOS ELEMENTOS DE GESTÃO DO CONHECIMENTO ENCONTRADOS NA FUNDAÇÃO DE ENSINO E PESQUISA EM CIÊNCIAS DA SAÚDE - FEPECS Brasília DF 2008

2 DIEL GOMES DA SILVA JUNIOR ANÁLISE DOS ELEMENTOS DE GESTÃO DO CONHECIMENTO ENCONTRADOS NA FUNDAÇÃO DE ENSINO E PESQUISA EM CIÊNCIAS DA SAÚDE - FEPECS Monografia apresentada ao Curso de MBA Executivo de Gestão de Pessoas do Instituto Científico de Ensino Superior e Pesquisa UNICESP como parte dos requisitos para obtenção do título de Especialista em Gestão de Pessoas. Orientadora: Profª. M.Sc.Margarida Flora Silva Gonçalves Brasília DF 2008

3 PROPRIEDADE INTELECTUAL CESSÃO DE DIREITOS DIEL GOMES DA SILVA JUNIOR ANÁLISE DOS ELEMENTOS DE GESTÃO DO CONHECIMENTO ENCONTRADOS NA FUNDAÇÃO DE ENSINO E PESQUISA EM CIÊNCIAS DA SAÚDE - FEPECS 2008: É concedida ao Instituto Científico de Ensino Superior e Pesquisa UNICESP, permissão para reproduzir cópias deste trabalho ou emprestar tais cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva-se outros direitos de publicação. Diel Gomes da Silva Junior EPTG QE 3 bloco B2 aptº 106 Lucio Costa, Guará - DF DIEL GOMES DA SILVA JUNIOR

4 ANÁLISE DOS ELEMENTOS DE GESTÃO DO CONHECIMENTO ENCONTRADOS NA FUNDAÇÃO DE ENSINO E PESQUISA EM CIÊNCIAS DA SAÚDE - FEPECS Banca Examinadora: Orientador: Profª. MSc. Margarida Flora Silva Gonçalves Unicesp Instituto Científico de Ensino Superior e Pesquisa Avaliador: Profª Dra. Anelise Pereira Sihler Unicesp Instituto Científico de Ensino Superior e Pesquisa BRASILIA, DF 2008

5 Dedico este trabalho à minha amada esposa e aos meus pais e irmãos igualmente queridos.

6 AGRADECIMENTOS Deus, que me deu forças extras imprescindíveis para a conclusão desta realização. A minha estimável orientadora, Margarida, que me deu parte daquilo que muito ama, seu conhecimento, e que passarei igualmente adiante durante a minha vida com o mesmo carinho recebido.

7 A mais rica biblioteca, quando desorganizada, não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada. Da mesma maneira, uma grande quantidade de conhecimentos, quando não foi elaborada por um pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada. Pois é apenas por meio da combinação ampla do que se sabe, por meio da comparação de cada verdade com todas as outras, que uma pessoa se apropria de seu próprio saber e o domina. Arthur Schopenhauer

8 RESUMO Junior, Diel Gomes da Silva. Análise dos elementos de gestão do conhecimento encontrados na Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde - FEPECS. Artigo (MBA Executivo em Gestão de Pessoas). Instituto Científico de Ensino Superior e Pesquisa - UNICESP. Professora Orientadora: Margarida Flora Silva Gonçalves. Setembro, O presente trabalho teve como objetivo verificar como a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal poderia se beneficiar de ações na área de Gestão do Conhecimento (GC). Para tanto, foram levantadas as características do ambiente da SES/DF e da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (FEPECS), mais especificamente; os elementos de gestão do conhecimento; os entraves para implantação da GC no âmbito administrativo. Tais itens foram analisados à luz dos pensamentos de autores especialistas em GC, de acordo com o processo de criação, armazenamento, transferência e utilização do conhecimento. O método de abordagem escolhido foi o dialético, que permitiu a realização da pesquisa, pois sua orientação está para a análise de elementos escritos e não-escritos, assim como possibilitou ao pesquisador lançar seu olhar para o fenômeno e estudá-lo como um processo dentro de um contexto. Na análise do processo, verificou-se que os elementos concernentes à GC encontrados na FEPECS não possuem uma estrutura completa e que faltam ferramentas para uma gestão ideal. O conhecimento tácito é o que prevalece, pois não há repositório desenhado para captar tal conhecimento e transformá-lo em conhecimento explícito. A falta do repositório também dificulta a reutilização do conhecimento existente na SES/DF. A metodologia de transmissão do conhecimento carece de um modelo completo de avaliação. A contratação de uma consultoria para orientar o planejamento estratégico caracteriza uma forma de geração de conhecimento, o aluguel. Conclui-se que a aplicação de ações planejadas para a GC se faz ímpar para aproveitar o capital intelectual em todo o seu potencial, transformando o conhecimento tácito em ação e fonte de reutilização. Sugere-se a implantação da GC como modelo de melhoria contínua e permanente, com um corpo funcional próprio; a melhoria na comunicação interna; e o investimento na capacitação das chefias. PALAVRAS-CHAVE: gestão do conhecimento, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, FEPECS.

9 RESUMEN Junior, Diel Gomes da Silva. El análisis de los elementos de gestión del conocimiento encontrados em la Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde - FEPECS. Artículo (MBA Ejecutivo en Gestión de Personas). Instituto Científico de Ensino Superior e Pesquisa - UNICESP. Orientación de La Profesora: Margarida Flora Silva Gonçalves. Septiembre, El actual trabajo tuvo como objetivo verificar como la Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal podría beneficiarse de acciones en el área de la Gestión del Conocimiento GC. Por eso, hubieron sido presentadas las características del ambiente de la SES/DF e de la Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde FEPECS, en especial; los elementos de gestión del conocimiento; las dificultades para implantación de la GC en el ámbito administrativo. Tales fueron analizados de acuerdo con los pensamientos de los autores especialistas en GC, conforme el proceso de creación, almacenamiento, transferencia e utilización de conocimiento. El método de abordaje elegido ha sido el dialéctico, lo cual permitió la realización de la pesquisa, pues orientación está para la analice de elementos escritos e no escritos, bien como posibilitó al investigador echar su mirada hacia el fenómeno e estudiadlo como un proceso dentro de un contexto. En el analice del proceso, ha sido verificado que los elementos de GC vistos en la FEPECS no tienen una estructura completa i que quedan herramientas para una gestión ideal. El conocimiento tácito es lo que prevalece, pues no hay repositorio hecho para captar tal conocimiento e transformadlo en conocimiento explicito. La carencia del repositorio también dificulta la reutilización del conocimiento existente en la SES/DF. La mitología de transmisión del conocimiento hace falta de un modelo de evaluación. La contratación de una empresa de consultaría para orientar el planeamiento estratégico caracteriza una forma de generar el conocimiento, el alquiler. En conclusión, la aplicación de acciones planeadas para la GC se hace sin impar para mejor aprovechar el capital intelectual en todo su potencial, transformando el conocimiento tácito en acción y fuente de reutilización. Sugerid se la implantación de la GC como modelo de mejora continua y permanente, con un cuerpo funcional propio; la mejora en la comunicación interna; y la inversión en capacitación de los jefes. PALABRAS-CLAVE: gestión del conocimiento, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, FEPECS.

10 LISTA DE TABELAS TABELA 01 - Causas de atritos na transferência do conhecimento e suas possíveis soluções TABELA 02 - Comparação das duas abordagens para a administração do conhecimento 20

11 LISTA DE FIGURAS Figura 01 Modelo de gestão para resultados Figura 02 Mapa genérico de scorecard Figura 03 Modelo de painel de sala de situação: execução de projetos... 35

12 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS FHDF - Fundação Hospitalar do Distrito Federal. GDF - Governo do Distrito Federal. ISDF - Instituto de Saúde do Distrito Federal. CSDF Conselho de Saúde do Distrito Federal. FSDF Fundo de Saúde do Distrito Federal. FEPECS Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde. FHB Fundação Hemocentro de Brasília. SUPRAC Subsecretaria de Programação, Regulação, Avaliação e Controle. SAS Subsecretaria de Atenção à Saúde. SVS - Subsecretaria de Vigilância Sanitária. SUS Sistema Único de Saúde. NEPS - Núcleo de Educação Permanente em Saúde. CODEP Coordenação de Desenvolvimento de Pessoas. GC Gestão do Conhecimento. ESCS - Escola Superior de Ciências da Saúde. ETESB - Escola Técnica de Saúde de Brasília. CAO - Coordenação de Apoio Operacional. GM/MS Gabinete do Ministro do Ministério da Saúde.

13 GTIPE - Grupo de Trabalho de Implementação do Planejamento Estratégico. EUA Estados Unidos da América. OMC - Organização Mundial do Comércio. FMI - Fundo Monetário Internacional. EAD Ensino à Distância. ECT - Empresa de Correios e Telégrafos. DETRAN/AL Departamento de Trânsito de Alagoas. P&D Pesquisa e Desenvolvimento. Fedex Federal Express. IA Inteligência Artificial. MIT - Instituto Tecnológico de Massachusetts. CSIRO - Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation. CBR - Case-Based Reasoning. HP Hewlett-Packard. GE General Eletric. CV Comunidade Virtual. PNH Política Nacional de Humanização. MS Microsoft. DIVAL Diretoria de Vigilância Ambiental LACEN Laboratório Central. HBB Hospital de Base de Brasília.

14 HRS Hospital Regional de Sobradinho. HRAS Hospital Regional da Asa Sul. HRAN Hospital Regional da Asa Norte. HRT Hospital Regional de Taguatinga. HRC Hospital Regional da Ceilândia. CD-ROM Compact Disc of Read Only Memory. DVD Digital Versatile Disc. VHS Video Home System. SEPLAG Secretaria de Planejamento e Gestão. EGov Escola de Governo. PMTUAS - Programa de Modernização Tecnológica das Unidades Assistenciais de Saúde.

15 SUMÁRIO 2 INTRODUÇÃO Apresentação do trabalho Cenário Atual Situação problema Dados da situação Problema de Pesquisa Delimitação da Pesquisa Objetivos Geral Justificativa REFERENCIAL TEORICO Dados sobre a FEPECS Marco teórico Origens e Instrumentos do Conhecimento Tipologia do Conhecimento Gestão do Conhecimento: breve histórico Criação de conhecimento Armazenamento Transferência Conhecimento tácito e conhecimento explícito Conhecimento Tácito Caso de Sucesso na Administração Pública... 38

16 4 DESENVOLVIMENTO Metodologia Tipos de pesquisa Método de análise Análise dos dados coletados Dos elementos de criação do conhecimento Elementos de armazenamento Transferência de conhecimento A utilização do conhecimento Gestão do conhecimento na função administrativa Caso: planejamento estratégico e o conhecimento alugado Curso de agente de planejamento na modalidade Ensino à Distância EAD GTIPE e Publix CONCLUSÃO Quanto aos elementos ou fases da gestão do conhecimento aplicados pela FEPECS: Sobre os entraves que dificultam a implementação da gestão do conhecimento no âmbito administrativo REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 56

17 1 INFORMAÇÕES SOBRE O AUTOR Diel Gomes da Silva Junior Bacharel em Administração (UNEB/Distrito Federal); Especialista em Gestão e Consultoria de Conflitos nas Organizações de Saúde (Universitat de Barcelona/Espanha). Atuou como Gerente de telemarketing, de recuperação de crédito, de negócios pessoa física (UNIBANCO SA), ; Iniciou a carreira docente em 2004 ministrando bioestatística e informática aplicada a metodologia científica (UNIP/Distrito Federal), Atualmente, é servidor público da carreira de técnico de saúde, coordenando equipe administrativa e participa, como agente de planejamento estratégico (Secretaria de Estado de Saúde/DF), desde 2001; Ministra disciplinas da área da Administração para cursos de graduação e pós-graduação (UNICESP/Distrito Federal) CV Lattes:

18

19 19 2 INTRODUÇÃO 2.1 Apresentação do trabalho Em 17 de junho de foi criada por meio do Decreto , a Fundação Hospitalar do Distrito Federal FHDF e pelo Decreto Nº , de 31 de agosto de foi extinta, dando lugar à Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal SES/DF, que é o órgão do Governo do Distrito Federal (GDF) responsável pela gestão pública dos serviços sanitários e atuando de forma preventiva e resolutiva e, quando couber, em projetos de parceria com os outros órgãos do Governo. A SES/DF também incorporou as funções e o quadro de servidores do Instituto de Saúde do Distrito Federal (ISDF) extinto pelo Decreto Nº de 31 de agosto de Atualmente, a SES/DF se apresenta com o seguinte perfil estrutural: Órgãos vinculados: a) CSDF Conselho de Saúde do DF: atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente. b) FSDF Fundo de Saúde do DF: é um instrumento de administração e suporte financeiro para as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) do DF. c) FEPECS Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde: formular e implantar a formação e desenvolvimento de pessoas, a gestão do conhecimento, pesquisa e inovação tecnológica, conforme as políticas públicas de saúde, segundo sua missão. d) FHB Fundação Hemocentro de Brasília: responsável pela captação de doações de sangue, assim como da análise e sua distribuição. Órgãos subordinados: a) SUPRAC Subsecretaria de Programação, Regulação, Avaliação e Controle: administra as solicitações e marcações de consultas e exames feitas no DF; b) SAS Subsecretaria de Atenção à Saúde: desenvolve programas gerais ou específicos de saúde à população como: saúde do trabalhador, da infância do adulto, da mulher; de caráter permanente, temporário ou sazonal;

20 20 c) SVS - Subsecretaria de Vigilância Sanitária: focada na prevenção de doenças, epidemias e imunização da população, assim como de animais domésticos Cenário Atual A SES/DF vive a implementação do novo planejamento estratégico modelado pelo Governo do DF e sob a consultoria da Publix Instituto. Com uma missão e uma visão de futuro claras, traça objetivos e ações focados em resultados e busca o envolvimento de servidores concursados, da saúde e da administração: perfil de uma nova instituição em busca de novas soluções em gestão. Em 29 de janeiro de 2008, a SES/DF expôs a sua missão e visão de futuro, que contou, em cerimônia oficial, com a presença do Governador do Distrito Federal. Ficaram assim firmadas: a) Missão da Secretaria de Saúde Formular e adequar políticas de saúde, bem como planejar, coordenar e executar ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, inclusive os processos de formação de profissionais de saúde, segundo os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população do Distrito Federal. b) Visão da Secretaria de Saúde Ser excelência e referência na atenção integral à saúde, apresentando os melhores indicadores de saúde do país. 2.2 Situação problema Dados da situação Na SES/DF existem focos desencontrados de tratamento do conhecimento. Oficialmente, a SES/DF mantém um Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), em cada uma de suas unidades e, informalmente, existem alguns grupos de servidores que se organizam para tentar processar o conhecimento. Quanto aos NEPS, estes oferecem: a) Apoio para levantamento de necessidade de cursos específicos; b) Apoio na formalização do projeto do curso pretendido; c) Acompanhamento dos cursos autorizados e avaliação dos participantes ao final de cada curso;

21 21 d) Acompanhamento dos estagiários oriundos de instituições de nível técnico e superior; e) Acompanhamento dos treinandos em Serviços de Saúde. Os NEPS são subordinados à Coordenação de Desenvolvimento de Pessoas (CODEP) da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (FEPECS). Segundo a Coordenação da CODEP, não existe uma concentração de esforços voltados para a gestão do conhecimento além do foco no treinamento, nem há um banco de talentos. Existe na SES/DF um quadro de servidores da carreira administrativa de nível médio, que parece não receber a devida importância da Secretaria, quiçá por que não seja uma categoria que faça parte do principal negócio desse órgão de Governo e por isso não é fator estratégico de relevância. Seja como for, ficam à margem da oferta de cursos de treinamento e capacitação. Outrossim, por não haver, no Plano de Cargos e Salários, o cargo administrativo de nível superior, comumente conhecido por Analista Administrativo, a SES/DF poderia ficar descoberta de pessoal capacitado para executar atividades que exijam conhecimentos específicos de administração. Essa lacuna de conhecimento pode impedir que a SES/DF seja mais eficiente, por exemplo, na otimização de processos, na padronização de rotinas, no melhor atendimento ao público, na melhora dos sistemas de informações, na qualidade do serviço prestado etc. No entanto, mesmo não havendo o cargo de Analista Administrativo, existem técnicos administrativos com graduação em Administração: pessoas capacitadas para desempenhar atividades mais complexas na área administrativa. Em que pese existirem pessoas capacitadas, o surpreendente é o fato da SES/DF não utilizar seu capital intelectual administrativo de forma eficiente. Talvez por ser um órgão político, os movimentos das peças podem sofrer influências inapropriadas e comprometer o fluxo e o tratamento das informações, elemento-base para a construção do conhecimento organizacional. A SES/DF poderia se beneficiar se tivesse um plano para a gestão do conhecimento. Segundo Davenport e Prusak (1998), a gestão do conhecimento ocorre por meio de processos de criação, armazenamento, transferência e uso de conhecimentos na organização. Para Angeloni (2008, p. XVI-XVII), gestão do conhecimento é um conjunto de processos que acontecem por meio de aquisição, criação, armazenamento, compartilhamento, uso e

22 22 mensuração do conhecimento na organização. Stewart (1998, p. 98), ao citar um caso ocorrido com Edvinsson sobre a gestão do conhecimento relata que o capital humano é a fonte da inovação de uma empresa. Reconhecido o capital intelectual, as pessoas, como a base para a construção do conhecimento, basta encontrar a melhor forma de se aproveitar dessa vantagem competitiva. Por ser fonte recente de discussão entre os autores da administração, a gestão do conhecimento se vê aberta a várias teorias sobre o seu processo e confusões de significado, como vem acontecendo entre informação e conhecimento Problema de Pesquisa Considerado o exposto, questiona-se: como a SES/DF poderia se beneficiar de ações na área da Gestão do Conhecimento? Delimitação da Pesquisa Considerando as limitações de tempo e de outros recursos, a pesquisa se limitará à tratar o assunto no âmbito da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde, que é o órgão da SES/DF responsável pela formação e desenvolvimento de pessoas, da gestão do conhecimento e de pesquisa e inovação. 2.3 Objetivos Geral Verificar como a SES/DF poderia se beneficiar de ações na área de Gestão do Conhecimento Específicos a) expor o que os autores dizem sobre gestão do conhecimento; b) descrever qual(is) o(s) elemento(s) ou fase(s) da gestão do conhecimento que são aplicados pela FEPECS; c) verificar quais entraves dificultam a implementação da gestão do conhecimento no âmbito administrativo;

23 23 d) apresentar sugestões para que a SES/DF possa se beneficiar do uso da gestão do conhecimento. 2.4 Justificativa É notória a busca da excelência na gestão do fator humano nas empresas privadas e a dificuldade apresentada pelos órgãos públicos neste sentido. O presente trabalho apresenta uma contribuição para a área da Gestão do Conhecimento no tocante a sistematização de um processo eficiente, especificamente quanto ao uso do conhecimento existente nas organizações públicas. Quanto à SES/DF, o trabalho representa uma contribuição ao enfocar os servidores e seu papel como capital estratégico, revelando como esse corpo de profissionais pode representar um valor maior do que o esperado. Como exemplo pode-se citar a melhoria: nos processos, no estudo de layout, na tecnologia da informação, no atendimento ao público, no desenvolvimento de projetos, na capacitação, na alocação e otimização de recursos, na comunicação institucional, no compartilhamento do conhecimento explicito e estruturação do conhecimento implícito, na gestão integral de pessoas e em todos os serviços prestados etc.

24 24 3 REFERENCIAL TEORICO 3.1 Dados sobre a FEPECS A Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde é órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal e foi criada pela Lei Nº 2.676, de 12 de janeiro de De acordo com o Artigo 3º da mesma Lei, a Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde manterá: I - cursos regulares formadores para a educação técnica e profissional graduado e pósgraduado das ciências de saúde; II - programas de formação pedagógica, para profissionais de nível superior e técnicos dedicados à educação de profissionais de saúde; III - programas de educação permanente para os profissionais de saúde em todos os níveis do sistema de saúde; IV - programas de pesquisa nas unidades prestadoras de serviços de saúde e de base populacional. Pelo Artigo 2º do Decreto N , de 06 de fevereiro de 2.001, que aprova o seu estatuto, a Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde tem caráter científico, tecnológico e educacional, de formação profissional de nível básico, técnico, de graduação, pós-graduação e de pesquisa. Subordinadas à FEPECS estão a Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), responsável pelos cursos de graduação em medicina, pós-graduação em residência médica, residência não-médica e gestão de instituições de saúde e pela pesquisa e comunicação científica. A Escola Técnica de Saúde de Brasília (ETESB) oferece cursos de nível técnico aos profissionais de todos os níveis de escolaridade. A Coordenação de Desenvolvimento de Pessoas coordena os estágios, assim como projetos de educação permanente para os servidores da SES/DF. A Coordenação de Apoio Operacional (CAO) disponibiliza o suporte necessário para o melhor funcionamento da FEPECS. Devido ao planejamento estratégico, por qual passa a SES/DF, a missão, a visão de futuro e o negócio da FEPECS foram declarados da seguinte forma:

25 25 a) missão: formular e implantar a formação e desenvolvimento de pessoas, a gestão do conhecimento, pesquisa e inovação tecnológica, conforme as políticas públicas de saúde ; b) visão de futuro: ser, até 2010, uma instituição de reconhecido grau de excelência em pesquisa, em gestão de conhecimento e educação permanente em saúde ; c) negócio: desenvolvimento de recursos humanos, pesquisa e tecnologia em saúde e suas políticas públicas em saúde. Pela Portaria nº 18, de 28 de junho de 2007, a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal SES/DF implantou o Modelo de Gestão para Resultados do Governo do Distrito, instituído por meio do Decreto nº , de 06 de fevereiro de Também segue orientações das diretrizes do Pacto pela Saúde, instituído pela Portaria nº 399 GM/MS, de 22 de fevereiro de 2006 e das diretrizes do Sistema de Planejamento do Sistema Único de Saúde SUS, instituído pela Portaria GM/MS nº 3.085, de 1º de dezembro de Tal dispositivo cria o Grupo de Trabalho de Implementação do Planejamento Estratégico GTIPE e determina que cada Diretoria Regional de Saúde DRS forme seus GTIPE s para funcionar nos Hospitais Regionais e Unidades de Saúde do DF. 3.2 Marco teórico Origens e Instrumentos do Conhecimento O conhecimento tem origem a partir das sensações e estas, para Descartes, são geradas por fatores externos ao observador, que por sua vez as percebe pelo uso dos sentidos. Já Aristóteles acredita que o homem nasce vazio intelectualmente e só passa a obter conhecimento pelo uso dos sentidos. Platão partilhava das idéias de seu tutor, Sócrates, que acreditava que todos nasciam com um saber, mas que esse conhecimento permanecia no esquecimento até ser revelado mediante a interação com o mundo (VIEGAS, 2007, p ). Quanto aos instrumentos ou ferramentas do conhecimento, o autor explica que são o sentimento e a razão os responsáveis pela geração dos conceitos ou resultados das sensações percebidas pelo intelecto ou ainda, que as idéias são o resultado das sensações. Esses instrumentos foram fisiologicamente identificados e demarcados, sendo o lado direito do cérebro responsável pelas emoções, pela criatividade e o lado esquerdo pela razão, pela lógica (p ).

26 Tipologia do Conhecimento São cinco os tipos de conhecimentos: o ideológico, o religioso, o filosófico o científico e a percepção extra-sensorial (VIEGAS, 2007, p. 23). Esse autor informa que o conhecimento ideológico é não racional e assistemático, pois não surge de uma construção refletida da mente e lhe falta um padrão de relacionamento entre os elementos que o compõem. O conhecimento religioso nasce do lado direito do cérebro, é o sentimento em estado puro, pois a fé tem sua base nas emoções. Sua maior característica é a inexistência da dúvida, mesmo que suas afirmações não possam ser verificáveis. Já o conhecimento filosófico, busca uma resposta sobre a realidade refletida pelo sujeito que especula sobre ela, isto é, especula sobre a razão última, a razão do ser. No conhecimento científico a orientação está no ver para crê, nas demonstrações que saciam as dúvidas e o continuo duvidar, mas não a dúvida do cético, que considera que a verdade é intangível e incomunicável. Por fim, um tipo que se encontra fora do eixo razão e sentimento: a percepção extra-sensorial. Esta é reconhecida através de eventos paranormais, de insights, nos pressentimentos (p ) Gestão do Conhecimento: breve histórico Como visto anteriormente, o estudo do conhecimento não é novo, mas seu estudo dentro das organizações sim. Para melhor compreender a atualidade das empresas é necessário repassar brevemente um pedaço da História ocidental, mas exatamente a partir da Revolução Industrial. Na segunda metade do séc. XVIII, James Watt deu o ponta-pé para o que seria a transição da Idade Média para a Idade Moderna: a invenção da máquina à vapor e a então Revolução Industrial. Esta por sua vez, marca a produção em massa, os primeiros estudos em Administração, os estudos de Sociologia e Psicologia aplicados às relações humanas nas empresas etc (CHIAVENATO, 2000). As guerras mundiais também contribuíram fortemente na evolução tecnológica, principalmente na aviação e no controle da energia nuclear. Aliás, nunca se reuniu, até então, tantos cientistas para se trabalhar em um único projeto, o Projeto Manhattan. Projeto tal que

27 27 realizou uma seleção de pessoas para a criação, o armazenamento do conhecimento e sua trágica aplicação (ROBERTS, 2002). Após a última grande guerra, os EUA se levantaram como a nação líder, e capitalista. Surge a Guerra Fria. O combate de nervos, as ameaças nucleares e as guerras transnacionais marcaram 30 anos ( ) na Historia. Segundo Roberts (2002, p. 640), a ajuda americana viabilizou a recuperação da Europa como grande centro mundial de produção industrial e ainda as nações desejavam como nunca estabelecer instituições de cooperação para regularem a economia internacional. Tais organismos mundiais como a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), liderados pelo sonho americano, faziam bloqueios aos países declarados comunistas. Enquanto o bloco capitalista se desenvolvia a passos largos, acreditando no fim próximo dos comunistas logo após a Queda do Muro de Berlim, a China surpreendeu a todos, mostrando o seu poderio bélico e despontando como futuro império mundial (ROBERTS, 2002, p ). A Revolução Industrial mostrava-se cada vez mais forte. O homem do campo do inicio do século migrava continuamente para as cidades, em busca de trabalho nos centros industriais. De acordo com o mesmo autor (p. 641), nos EUA e na Europa a força de trabalho agrícola continuou a encolher, enquanto a produtividade por área aumentou, pois o trator havia chegado às fazendas. Ainda em Roberts (2002), ao mencionar a importância das comunicações afirma que a tecnologia da informação foi o carro-chefe na aceleração da indústria desde A velocidade com que o processo de produção vinha para satisfazer um mercado que crescia em tamanho e exigência qualitativa pediu das pessoas mais do que elas podiam produzir. O avanço intelectual nunca foi tão subitamente acelerado (p. 641). Inicialmente parecia que a informática seria o grande diferencial competitivo, mas aos poucos as empresas enxergaram, como será visto mais a frente, que são as pessoas o diferencial definitivo como construtores do conhecimento. Para Stewart (1998, p. 6), a Era do Conhecimento, do Capital intelectual, do Intangível Humano nas empresas como fator capaz de gerar diferença competitiva é recente e isso se deve ao roteiro histórico apresentado anteriormente e mais especialmente: a) à massificação dos instrumentos informatizados; b) à globalização;

28 28 c) ao aumento da concorrência; d) ao enxugamento da estrutura empresarial. Esses elementos se desenvolveram de forma interdependente, revelando o que também se pode chamar de Era da Informação. Isso altera a indústria tradicional baseada no trabalho físico para a economia do conhecimento e da comunicação (STEWART, 1998, p. 6) Elementos de Gestão do Conhecimento Atualmente, entre autores como Davenport e Prusak, Stewart, Carbone, Angeloni e Terra, encontram-se vários elementos comuns quanto ao entendimento da gestão do conhecimento nas organizações. Do mais amplo ao mais estrito, podem ser citados: as competências humanas; os conhecimentos, as atitudes e as habilidades pessoais; a criação, o registro, a transferência, a aplicação e a avaliação do conhecimento; a aprendizagem; o sistema de informação; a inovação e a vantagem competitiva. Corroborando a afirmação acima, Carbone (2006, p ) considera que a sustentação da vantagem competitiva depende de uma capacidade superior para identificar, construir e alavancar novas competências e que a vantagem competitiva é obtida, fundamentalmente, pela inovação. O autor relaciona os três insumos da competência: a) a habilidade, como capacidade da pessoa de instaurar conhecimento armazenado em sua memória e utilizá-los em uma ação ; b) a atitude do trabalhador, que determina a sua conduta em relação aos outros, ao trabalho ou a situações ; c) o conhecimento, que corresponde a informações que, ao serem reconhecidas e integradas pelo individuo em sua memória, causam impacto sobre seu julgamento ou comportamento. Quanto à criação do conhecimento nas empresas: Criar novos conhecimentos não é apenas uma questão de aprender com outros ou adquirir conhecimentos externos. Além disso, o conhecimento deve ser construído internamente na empresa, passando pela conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito, sobretudo pelo processo de compartilhamento de experiência que a levem a rever ou a recriar modelos mentais ou habilidades técnicas, com o uso de comunicações escritas ou orais (NONAKA e TAKEUCHI, apud Angeloni (Org), 2008, p. 52).

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