A Pesquisa Crítica de Colaboração- aspectos teóricos-metodológicos da pesquisa

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1 O BRINCAR NO PROCESSO DE REFLEXÃO CRÍTICA ENTRE PESQUISADORAS E COORDENADORAS DE CRECHES Resumo ABREU, Maritza Dessupoio de 1 - UFJF GOMES, Lilian Marta Dalamura 2 - UFJF SCHAPPER, Ilka 3 - UFJF Grupo de Trabalho: Formação de Professores e Profissionalização Docente Agência Financiadora: BIC/UFJF Este trabalho tem por objetivo tratar sobre a investigação que o Grupo de Pesquisa Linguagem, Educação, Formação de Professores e Infância- LEFoPI desenvolve desde o ano de 2008, enfocando as ações realizadas no ano de 2011 que trataram sobre o brincar. Também, traz alguns desdobramentos desta pesquisa na prática da creche. O grupo adota por metodologia a Pesquisa Crítica de Colaboração PCCol (MAGALHÃES, 2004) e busca possibilitar momentos de reflexão crítica (SMITH, 1992) entre as 23 coordenadoras de creches públicas do município de Juiz de Fora e as pesquisadoras da universidade (UFJF), narramos sobre concepções e ações que dizem respeito à educação das crianças de zero a três anos de idade. Trabalhamos com os pressupostos teóricos as teorias de Vigotski e Bakhtin. Relatamos, neste trabalho, sobre as contribuições da reflexão crítica sobre o brincar, trabalhadas tanto pelas coordenadoras de creche quanto pelas pesquisadoras do grupo de pesquisa LEFoPI. Assim, foram realizados alguns encontros abordando esse tema o brincar, no qual pudemos constatar que a perspectiva de pesquisa do grupo LEFoPI neste período buscou a superação da dissociação entre teoria e prática procurando ir além do que já estava rotinizado, tanto no espaço das creches quanto no campo da investigação científica. Finalizando o trabalho teceremos considerações a respeito de pesquisas futuras que se configuram como desdobramentos da pesquisa que tratamos neste trabalho a ainda abordarmos o tema brincar que emerge bastante em nossos encontros com as coordenadoras das creches e as pesquisadoras do GP LEFoPI, as Sessões Reflexivas que realizamos na 1 Mestranda em Educação pela UFJF. Especialista em Alfabetização e Linguagem e graduada em Pedagogia pela mesma instituição. Supervisora Pedagógica do Estado de Minas Gerais - SREJF. Pesquisadora do grupo LEFoPI (Linguagem, Educação, Formação de Professores e Infância). 2 Graduanda do curso de Pedagogia 7º Período, da Universidade Federal de Juiz de Fora, bolsista de Iniciação Científica BIC/UFJF, pesquisadora do grupo de pesquisa Linguagem, Educação, Formação de Professores e Infância- LEFoPI. 3 Doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUCSP. Mestre em Educação pela PUCRJ. Graduada em Pedagogia e Letras pela UFJF. Professora Adjunta II da UFJF. Coordenadora do Grupo de Pesquisa LEFoPI.

2 13536 Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) um espaço de reflexo crítico de colaboração mútua entre as participantes nesses encontros realizado nesta instituição acadêmica. Palavras-chave: Brincar. Reflexão crítica. Creche. Iniciando o diálogo... O presente trabalho busca apresentar a pesquisa intitulada Espaço de reflexão crítica em contexto de colaboração: reconstruindo os sentidos e os significados da prática educativa na creche, realizada no interior do grupo de pesquisa Linguagem, Educação, Formação de professores e Infância- LEFoPI, da Faculdade de Educação, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) A pesquisa citada visa possibilitar momentos de reflexão crítica entre os envolvidos na investigação. Acreditamos que a reflexão sobre a brincadeira é de suma relevância para educadores de crianças de 0 a 3 anos, estudantes e interessados na educação de crianças pequenas, concebendo a temática como eixo central do processo educativo. No decorrer das reflexões foram emergindo sentidos sobre os brincar nas enunciações tecidas pelas envolvidas, e ao final, foram construídos significados mais estáveis para todo o grupo. Neste trabalho, apresentaremos algumas considerações sobre o desenvolvimento da temática na pesquisa e a relevância desse estudo para a formação de professores, e, por conseguinte, para a prática dos profissionais da educação. Dessa forma, temos por objetivo apresentar um recorte da pesquisa realizada em 2011, relacionado à temática do brincar, bem como expor algumas considerações sobre o processo da pesquisa e os significados que foram sendo construídos no decorrer da investigação. A Pesquisa Crítica de Colaboração- aspectos teóricos-metodológicos da pesquisa A metodologia utilizada no desenvolvimento do trabalho entre pesquisadoras e coordenadoras de creche é a Pesquisa Crítica de Colaboração (PCCoL), desenvolvida por Magalhães (2004). Temos por objetivo possibilitar ações colaborativas e momentos de reflexão crítica entre as pesquisadoras do grupo LEFoPI e as coordenadoras das 23 creches públicas do município de Juiz de Fora- MG. A PCCol está baseada nos princípios do paradigma crítico de investigação. Segundo Magalhães (2009), a PCCol deve criar espaços de ação e de transformação proporcionando que todos os participantes aprendam uns com os outros. Essa pesquisa realiza-se como um

3 13537 processo de levantamento de questionamentos que possibilitam aos participantes repensarem os sentidos-significados rotinizados, bem como de construírem/produzirem um novo campo de significação. Entendemos os conceitos de sentido e significado de acordo com Vygotsky e Bakhtin. Utilizamos como instrumento de pesquisa as sessões reflexivas, com o objetivo de promover uma reflexão crítica entre os participantes. As sessões reflexivas são orientadas pelos pesquisadores do LEFoPI que, em diálogo com os coordenadores das creches, compartilham sentidos e possibilitam a produção de novos significados acerca de temas relacionados à prática educativa na creche. Como técnicas de coleta/produção de dados são feitas notas de campo, filmagens e transcrições dessas sessões, de forma a constituir um banco de dados para análise e construção de um histórico do processo da pesquisa, bem como uma base para as análises tecidas e fiadas no interior da produção do grupo. Com a emersão constante do tema brincar em nossos encontros reflexivos e, com vistas a ser aprofundado e problematizado, o grupo de pesquisa LEFoPI buscou discutir e trabalhar essa temática juntamente com as coordenadoras das creches. A prática da reflexão e a reflexão sobre a prática - resultados e discussão No interior da PCCol, trabalhamos com a reflexão crítica proposta por Smith (1992) e retomada por Liberali (2008), na qual buscamos desencadear nas sessões reflexivas entre pesquisadores e coordenadores de creche. É importante considerar as características do processo reflexivo crítico para desenvolver ações que auxiliem na reflexão crítica. Para isso, nos instrumentalizamos no processo de descrever, informar, confrontar e reconstruir. O descrever, segundo Liberali (2008, p. 47), é compreendido como a voz do autor sobre a própria prática, no qual ele toma consciência do que foi feito para depois chegar a novas conclusões sobre o trabalho. Já o informar, envolve buscar os princípios que envolvem uma ação. Procura-se assim, compreender as teorias que o praticante construiu no decorrer de sua trajetória profissional e que embasam suas ações. O confrontar está ligado aos questionamentos às teorias que embasam as ações dos participantes. No reconstruir os educadores planejam a mudança e se empenham na busca de alternativas para melhorar uma determinada ação. Em 2011 o GP LEFoPI desenvolveu com os participantes quatro sessões reflexivas, nas quais o brincar permeou vários momentos das discussões. Buscamos assim, nessas

4 13538 sessões, levar os participantes a descreverem, informarem, confrontarem e reconstruírem suas práticas relativas ao brincar da criança na creche. Percebemos assim, que a partir das reflexões ocorreram mudanças qualitativas nas concepções e práticas das coordenadoras, criando assim um campo de significação comum para o grupo de pesquisadores e coordenadores, como é apontado na fala de uma coordenadora: Coordenadora 1: É importante essa questão do brincar natural da criança que eu coloquei inicialmente e também, acho que você coloca desse jeito, essa intervenção nossa de estar brincando, olhando essa criança, trabalhando com essa criança, no sentido de brincar com ela, de olhar esse brincar mais atentamente, valorizar cada momento da brincadeira da criança. Quadro 1- Excerto da transcrição da sessão reflexiva do dia 28 de setembro de Pág Fonte: Dados da pesquisa realizada, organizados pelos autores, com base nas orientações para a formatação do texto. Com essa fala podemos inferir que a partir da ação colaborativa entre os participantes da pesquisa, é possível construir um ambiente rico em trocas e aprendizados, proporcionando, assim, mudanças nas concepções e práticas educativas de todos os envolvidos nesse processo. Algumas considerações No decorrer da pesquisa e análise dos dados percebemos que alguns sentidos sobre o brincar foram sendo reconstruídos, criando assim, significados mais estáveis. Os envolvidos na investigação vão transformando suas concepções sobre o brincar, e consequentemente, modificando suas práticas como coordenadoras e pesquisadoras. Com isso, percebemos o relevante papel de se refletir criticamente sobre as ações e práticas que foram sendo naturalizadas com o tempo. Temos como argumento que as construções teóricas construídas nas sessões reflexivas reverberam na prática da creche, o trabalho de mestrado em andamento de Nascimento (2013), que investiga como os significados compartilhados nas sessões reflexivas que discutiram o brincar, realizadas entre pesquisadores e coordenadores de creche, se materializam na prática educativa dos coordenadores e educadores de uma das creches que trabalhamos. Por meio de resultados parciais desta pesquisa de mestrado, observamos que há impactos do trabalho realizado nas sessões reflexivas desenvolvidas pelo LEFoPI na prática educativa das coordenadoras e educadoras da creche. Constatamos isso num dado levantado

5 13539 por Nascimento (2013) quando traz que o trabalho do GP LEFoPI, realizado nas sessões, está documentado no Projeto Político Pedagógico da instituição como espaço de formação continuada dos profissionais. Com isto posto, ressaltamos que a pretensão do grupo, que está sob a perspectiva sóciohistórica-cultural, é a de auxiliar para que mudanças aconteçam na prática educativa dos profissionais da creche, de maneira a contribuir para a qualidade da educação das crianças pequenas. Assim, nosso trabalho com essas instituições toma continuidade neste ano de 2013 através de temas que surgiram como desdobramentos da pesquisa inicial, tais como: sexualidade, surgiu nas transcrições do ano de 2012, que interressou bastante as coordenadoras, o brincar que apareceu novamente nas falas das mesmas. Ainda uma das pesquisadoras pretende fazer o TCC com o tema sobre o brinar, intitulado: A brincadeira infantil na perspectiva histórico cultural nas creches do município de Juiz de Fora que tem o objetivo de refletir sobre: Quais os significados construídos pelas crianças de 2 a 3 anos nas brincadeiras nos cantinhos?. O brincar na Zona Proximal de Desenvolvimento (ZPD) Para Schapper (2010), a zona de desenvolvimento proximal (ZDP) é uma zona de conflito de tensão, um espaço de produção de conhecimento (p. 42), em que as coordenadoras e as pesquisas do GP LEFoPI, não discutem teoria e prática de maneira isolada, mas há um movimento dialética que possibilitam questionamentos, e, por conseguinte, a ressignificação dos sentidos-significados sobre o brincar na creche. Assim, o desenvolvimento e a aprendizagem na ZDP se consolidam no coletivo no processo críticoreflexivo. Segundo Schapper (2010), a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), cria um espaço de reflexão entre as participantes em discutir, opinar, argumentar, se colocar no lugar de outra na situação em que presenciou ou vivenciou na creche. As pesquisadoras e as coordenadoras tecem nos encontros uma reflexão crítica e colaboração mútua. Havendo uma interação umas com as outras no fluxo da interação verbal linguagem verbal. Newman e Holzman (1993/2002) explicam que o brincar é algo que interessa à atividade revolucionária (p. 112). Tal atividade é fundamental a teoria do desenvolvimento humano.

6 13540 Ainda conforme Newman e Holzman (1993/2002) o brincar é uma ZDP para a unidade (criação de significado/criação de linguagem) (p. 125). No brincar que a criança irá interpretar diversos papeis reais, através da imitação, faz de conta, agir para além de si mesma como aprendizes, brincadoras. De acordo com Schapper (2010), o objetivo de sua tese é [...] buscar apreender os sentidos e compreender criticamente como os significados foram se estabilizando nos espaços discursivos travados entre professores e pesquisadores. (p. 39). Estes espaços há uma interlocução e interação entre as participantes na prática da pesquisa, como acontece a produção de conhecimento que o tema brincar emerge neste campo de investigação nas creches de Juiz de Fora. Compreendemos os significados compartilhados nas sessões reflexivos entre as pesquisadoras do grupo de pesquisa e as coordenadoras das creches se materializam no campo de pesquisa sobre o brincar. Ressaltamos que a brincadeira de faz de conta é presente em nosso banco de dados do grupo de pesquisa LEFoPI, sobretudo nas falas, relatos feitos pelas educadoras o brincar nas instituições um espaço privilegiado para o desenvolvimento infantil. Conclusões abertas Portanto, percebemos que nossa pesquisa com as coordenadoras colaborou bastante para a formação de profissionais da creche do município de Juiz de Fora-MG. O interessante que o tema brincar surgiu nas falas da coordenadoras: É. Importante essa questão do brincar natural da criança que eu coloquei inicialmente e também, acho que você coloca desse jeito, essa intervenção nossa de estar brincando, olhando essa criança, trabalhando com essa criança, no sentindo de brincar com ela, de olhar esse brincar mais atentamente, valorizar cada momento da brincadeira da criança. (Transcrição da sessão reflexiva do dia 28/09/11. p. 125). Com essa fala podemos inferir que a partir da ação colaborativa entre os participantes da pesquisa é possível construir um ambiente rico em trocas e aprendizados, proporcionando assim, mudanças e transformações nas concepções e práticas educativas de todos os envolvidos nesse processo. Assim, pretendemos continuar o trabalho com essas instituições através de temas que surgiram como desdobramentos dessa pesquisa que aqui tratamos. São eles: O nascimento da linguagem na criança: com a palavra os bebês; A inserção (acolhimento/ adaptação) das crianças nas creches; As políticas para as creches de Juiz de Fora; e A organização dos

7 13541 tempos e dos espaços da/na creche; pretendemos dar continuidade no tema o brincar na creche. REFERÊNCIAS BAKHTIN, Mikhail (Volochinov). Marxismo e a filosofia da linguagem. 4ª ed. São Paulo: Hucitec, LIBERALI, F. C. Formação crítica de educadores: questões fundamentais. São Paulo: Cabral Editora e Livraria Universitária, MAGALHÃES, M. C. C. A formação do professor como um profissional crítico. São Paulo: Mercado das Letras, O método para Vygotsky: a Zona Proximal de Desenvolvimento como zona de colaboração e criticidade criativas. In: SCHETTINI, R. H. et al. Vygotsky: uma revisita no início do século XXI. São Paulo: Andross, NASCIMENTO, M. C. A prática educativa de coordenadores e educadores de creche e o movimento da cadeia criativa. Universidade Federal de Juiz de Fora. Qualificação de Mestrado NEWMAN, F.; HOLZMAN, L. (1993) Lev Vygotsky - cientista revolucionário. Trad.: Marcos Bagno. São Paulo: Loyola, SCHAPPER, I. O fluxo do significado do brincar na Cadeia Criativa: Argumentação e formação de pesquisadores e educadores. Tese de doutorado em Linguística Aplicada e estudos da Linguagem, PUC- São Paulo, SCHAPPER, I. NASCIMENTO, M. C. et al. Sentidos e significados compartilhados sobre o brincar no grupo de pesquisa EFoPI: Um encontro entre educadoras de creche e pesquisadoras. In: SILVA, L. S. P. e LOPES, J. J. M. Diálogos de Pesquisas sobre crianças e infâncias. Niterói: Editora da UFF, SMITH, J. Teacher s work and the politcs of reflection. American Educational Research Journal, 1992, v.29, n.2, p VYGOTSKY, L. S. (1934) Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

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