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1 Julho 2008 PR Setembro 2008

2 SUMÁRIO EXECUTIVO O sector dos moldes, que tem já uma existência de mais de 50 anos em Portugal, é de extrema importância para a economia nacional, assumindo um peso particularmente relevante nas regiões do Centro e do Norte do País. De acordo com os Quadros do Pessoal do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, em 2005, existiam 536 empresas no sector dos moldes empregando um total de 8369 trabalhadores. De acordo com a CEFAMOL 1, a produção total do sector em 2006 totalizou 373 milhões de Euros, dos quais 90% corresponderam à exportação. Este peso das exportações em torno dos 90% tem vindo a apresentar-se como uma característica marcante do sector desde meados dos anos 90. O sector dos moldes apresenta-se, assim, como um importante motor das exportações portuguesas de base tecnológica. Dentro dos mercados alvo para a exportação, destaca-se a União Europeia, em termos globais, seguida dos EUA e Canadá, embora a uma grande distância e com um peso decrescente nos últimos anos, em resultado da deslocalização de indústrias destes países para outros com custos mais baixos e da desvalorização do dólar. Analisando, em particular, os principais países alvo do sector dos moldes em Portugal, destacam-se a França, Alemanha, Espanha, EUA e Reino Unido que, em conjunto, representam 64% do total das exportações do sector. No que diz respeito às indústrias alvo das exportações, tendo em conta valores de 2006 levantados num questionário realizado no âmbito deste Plano Estratégico, destaca-se o sector automóvel, com 72% do total, seguido pelos outros sectores de actividade com percentagens sempre abaixo dos 8%. Os moldes são ferramentas complexas que estão na base de produtos e componentes em diversos materiais como o plástico, os compósitos ou o vidro. O impacto do sector fazse sentir a diversos níveis, servindo de elemento de suporte a indústrias estratégicas em Portugal como a do automóvel, a da embalagem ou a dos materiais eléctricos. A evolução histórica do sector dos moldes e ferramentas especiais desde os anos 50 demonstra a capacidade das empresas captarem novos mercados, se modernizarem e integrarem novas tecnologias e conhecimento. Em termos de domínio tecnológico, são várias as áreas em que as empresas do sector se destacam, permitindo-lhes actuar em diversas 1 Fonte: Situação actual da indústria portuguesa de moldes, CEFAMOL, ii

3 áreas para além da concepção, produção e comercialização de moldes, como por exemplo nos componentes plásticos, nas máquinas de moldagem ou nas peças maquinadas de alta precisão. Com efeito, muitas empresas têm vindo a integrar diferentes elementos da cadeia de valor de produção de produtos e componentes, com enfoque nos plásticos. No entanto, apesar da sua evidente importância estratégica e reconhecida adaptabilidade a novos desafios, o sector apresenta alguns sinais de estagnação decorrentes, por um lado, da crescente pressão dos clientes (geralmente grandes grupos económicos), que determinam os preços e condições de fornecimento de forma concertada e, por outro, da deslocalização de diversas indústrias para outras regiões do globo (e.g. para a Ásia), que colocam ameaças crescentes ao sector em Portugal. De facto, estes sinais de estagnação têm vindo a evidenciar-se em Portugal uma vez que após o crescimento acentuado verificado para o sector, na década de 90, se assiste a uma tendência para a estabilização desde Por forma a alterar este panorama e colocar o sector dos moldes em Portugal numa nova senda de crescimento com vista a torná-lo num líder mundial, tornou-se urgente desenvolver um projecto estruturante a médio e longo prazo, envolvendo todas as partes interessadas (empresas, associações, centros tecnológicos, universidades e decisores políticos). Este projecto abrangente, assente na mobilização das empresas para a mudança, é composto por um conjunto alargado de actividades em torno de diferentes áreas como o planeamento estratégico, a imagem e branding do sector, a promoção do sector a nível nacional e internacional, a formação e qualificação de recursos humanos, a optimização de processos, o empreendedorismo, a investigação e desenvolvimento, a cooperação e o desenvolvimento sustentável. A concretização deste projecto estruturante começou pelo planeamento estratégico do qual resultou este documento. O Plano Estratégico define as linhas de actuação que permitem reforçar a posição do sector nos mercados actuais e captar mercados emergentes de elevado crescimento, com base em produtos e serviços de alto valor acrescentado. Este Plano serve ainda de guia condutor para o restante conjunto de actividades do projecto estruturante do sector dos moldes em Portugal, definindo e organizando as acções associadas. A preparação do Plano Estratégico, com um horizonte temporal de médio prazo (10 iii

4 anos), foi assim desenvolvido de forma a: Tornar Portugal o país de referência a nível mundial no sector dos moldes; Reforçar a competitividade das empresas Portuguesas do sector no contexto global; Reforçar a proposta de valor dos produtos e serviços das empresas Portuguesas do sector; Dotar o sector dos moldes de uma identificação e um posicionamento de mercado claros. Os objectivos específicos a atingir com o desenvolvimento do Plano Estratégico foram os seguintes: (i) Realizar um diagnóstico detalhado do sector dos moldes em Portugal; (ii) Realizar uma análise comparativa com outras regiões do mundo e outros sectores; (iii) Estabelecer cenários possíveis para a evolução do sector; (iv) Definir linhas de orientação estratégica para o sector; (v) Definir de forma detalhada um plano de acções a 5 anos para as restantes actividades do projecto estruturante para o sector dos moldes, nas áreas de: Imagem e branding do sector dos moldes; Promoção do sector dos moldes a nível nacional e internacional; Formação e qualificação de recursos humanos; Optimização de processos; Empreendedorismo; Investigação e Desenvolvimento; Cooperação, redes e parcerias; Desenvolvimento sustentável. (vi) Definir um plano de financiamento para as actividades do projecto. Tendo em linha de conta os objectivos definidos, a preparação do Plano Estratégico foi realizada em 7 fases distintas que decorreram entre Julho de 2007 e Fevereiro de 2008, nomeadamente: Fase 1: Diagnóstico de Situação; iv

5 Fase 2: Análise comparativa internacional; Fase 3: Cenários de evolução; Fase 4: Linhas de orientação estratégica; Fase 5: Plano de implementação da estratégia; Fase 6: Elaboração de um plano de financiamento; Fase 7: Produção do Relatório de apresentação do Plano Estratégico para o sector dos moldes em Portugal. A preparação do Plano Estratégico envolveu um trabalho alargado de recolha de informação, incluindo também a realização de um conjunto de sessões de trabalho e a participação em diversos eventos, destacando-se: Levantamento de informação e dados estatísticos em diversos estudos e artigos; Realização de um conjunto alargado de entrevistas, para o diagnóstico de situação, onde participaram 20 empresas de moldes, 6 entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN), 7 entidades públicas, 3 fornecedores, 3 clientes e 3 associações empresariais; Envio de questionário às empresas de moldes, tendo sido obtidas 31 respostas que representam 66 empresas e 78 % da produção total de 2006; Participação no European Tooling Fórum, iniciativa organizada pela International Special Tooling and Machining Association (ISTMA) Europe; 5 sessões de trabalho com a participação activa de empresários do sector, da CEFAMOL e do CENTIMFE nas seguintes datas: 24/7/2007 = Apresentação inicial do projecto e do trabalho de planeamento estratégico; 6/9/2007 = Apresentação e discussão dos resultados de recolha de informação junto dos empresários; 9/11/2007 = Apresentação dos resultados do questionário realizado às empresas do sector; 14/12/2007 = Primeira apresentação e discussão das linhas de orientação estratégica para o sector; 15/2/2008 = Segunda apresentação e discussão das linhas de orientação v

6 estratégica para o sector. Realização de entrevistas adicionais para a análise comparativa internacional a 8 empresas de moldes, 1 empresa financeira e 7 especialistas internacionais dos seguintes países: Austrália, Canadá, Espanha, EUA, Reino Unido e Suécia; Participação na feira EuroMold em Frankfurt em Outubro de A definição de sector dos moldes usada na preparação deste Plano Estratégico assumiu desde o início uma perspectiva alargada e abrangente, incluindo também as ferramentas especiais, as peças maquinadas e todo o conjunto de actividades associadas à engenharia de produto. Nesse sentido, os temos sector dos moldes, sector dos moldes e ferramentas especiais e sector Engineering & Tooling, usados neste documento, devem ser entendidos como sinónimos. O Plano Estratégico para o sector dos moldes está estruturado em seis capítulos. Seguidamente apresenta-se um breve resumo do conteúdo de cada um desses capítulos e dos anexos de suporte ao documento: Capítulo 1 - Diagnóstico do Sector: Este capítulo apresenta o diagnóstico de situação realizado, fornecendo a necessária contextualização da situação do sector e dos seus principais desafios, por forma a enquadrar devidamente as recomendações estratégicas apresentadas no documento. Desde já se pode concluir que, apesar do panorama competitivo global extremamente agressivo, o sector se encontra dotado de um conjunto de valências, competências e conhecimento que permite afirmar que as empresas do sector em Portugal estão numa posição privilegiada para reformularem e/ou reforçarem o seu posicionamento no sentido de poderem captar novas oportunidades de negócio em diversos sectores e mercados; Capítulo 2 - Análise comparativa internacional: Neste capítulo é apresentada a análise comparativa internacional realizada. Desta análise foi possível concluir que é possível desenvolver estratégias empresariais de sucesso no sector dos moldes, mesmo em países com estruturas de custo elevado, num contexto de grande competição a nível global. Estas estratégias são diversas, passando pela especialização ou pela capacidade de integração de diferentes partes da cadeia de valor. Por outro lado, os fenómenos de globalização, apesar de criarem um vi

7 conjunto de ameaças e induzirem uma maior competitividade, oferecem também um conjunto de oportunidades às empresas, que podem assim desenvolver estratégias globais, tanto ao nível da capacidade de detectar novas oportunidades de mercado como da capacidade de oferecer soluções totais através da gestão integrada da cadeia de valor. Neste âmbito, importa ainda destacar que existem casos de sucesso de viragem e reposicionamento estratégico de todo um sector nacional de moldes, tendo por base as vastas competências em engenharia e maquinação das suas empresas. Capítulo 3 - Um cenário consolidado de evolução do sector: Neste capítulo é apresentado um cenário consolidado de evolução futura do sector dos moldes tendo em conta três cenários hipotéticos que permitiram desenvolver uma síntese de possíveis caminhos a seguir pelas empresas de moldes num contexto global. Os cenários desenvolvidos foram propositadamente distintos por forma a abranger um leque alargado de opções estratégicas, que estimulasse a discussão e a geração de uma visão comum para o sector. A reflexão realizada permitiu desenvolver um cenário de evolução consolidado em torno de três áreas: (i) moldes de elevada complexidade para plásticos e materiais compósitos, (ii) ferramentas especiais e peças maquinadas de alta precisão e (iii) integração, por parte de algumas empresas de maior dimensão, de actividades de fabricação de produtos e componente plásticos e com base em materiais compósitos. Esta última área, mais complementar, reforçará o posicionamento do sector a nível global, permitindo a incorporação de valor através das competências na engenharia de produto e na concepção e desenvolvimento de moldes, ferramentas especiais e peças maquinadas de alta precisão. O cenário desenvolvido ajusta-se à nomenclatura e imagem já definidas pela CEFAMOL e pelo CENTIMFE em torno do Engineering & Tooling, pelo que se recomenda a sua continuação e reforço enquanto termo definidor do sector. Capítulo 4 - Linhas de orientação estratégica: Neste capítulo são apresentadas as principais linhas de orientação estratégica para o sector nos próximos 10 anos em torno do seguinte conjunto de elementos: (i) visão, missão e objectivos genéricos, (ii) posicionamento estratégico genérico, (iii) mercados alvo de actuação e (iv) linhas de orientação estratégica nas principais áreas de intervenção. Ainda no domínio dos elementos constituintes da definição estratégica para o sector, vii

8 definiram-se os elementos organizacionais e as estruturas de gestão a criar para sustentar a implementação da estratégia, assim como o conjunto de indicadores necessários ao seu controlo. Capítulo 5 - Plano de implementação da estratégia: Este capítulo apresenta o plano de implementação da estratégia em torno dos objectivos específicos e metas a atingir, bem como da tipologia de parcerias a estabelecer e da organização do projecto estruturante a 5 anos para o sector, em torno de 7 sub-projectos associados às diferentes áreas de actuação. A execução do projecto ficará ao encargo de quatro agentes fundamentais do sector, nomeadamente da CEFAMOL, CENTIMFE, OPEN e de um conjunto representativo de empresas, organizando-se de acordo com 3 fases distintas: arranque (com uma duração prevista de 1 ano), desenvolvimento e sustentação (ambas com uma duração estimada de 2 anos). Capítulo 6 - Plano de financiamento da estratégia: Neste capítulo é apresentado o plano de financiamento para a execução do projecto, tendo sido identificadas diversas fontes de financiamento nacionais e europeias, assim como uma metodologia para a captação de financiamento através dessas mesmas fontes. Capítulo 7 Recomendações: Neste capítulo é apresentado um conjunto de recomendações às empresas, ao CENTIMFE, à CEFAMOL, à OPEN e a instituições públicas. Estas recomendações surgem no seguimento das linhas de orientação estratégica definidas no capítulo 4, e pretendem estruturar de forma mais evidente o papel que cada stakeholder do sector deverá ter na execução da estratégia. Anexos: Na última parte do documento é apresentado um conjunto de dados de suporte ao Plano Estratégico, incluindo a lista de entrevistas realizadas, a análise de segmentação do mercado, o resumo dos indicadores de desempenho e a respectiva metodologia de recolha de informação, o método de construção do índex de competitividade do sector proposto e, finalmente, alguns detalhes dos programas de financiamento identificados. O sector Engineering & Tooling português tem condições únicas para se afirmar como um viii

9 exemplo de reposicionamento estratégico em face dos novos paradigmas de competição global. O Plano Estratégico constitui assim um importante elemento aglutinador de vontades, que deverá servir de guia condutor para a reformulação estratégica das empresas, para o reforço da participação de todos os stakeholders e para a concretização do projecto estruturante do sector, de modo a criar um novo ciclo de crescimento e a colocar o sector como um líder mundial num prazo de 10 anos. Porto, Julho de 2008 A, S.A. AGRADECIMENTOS Gostaríamos de agradecer a todas pessoas e entidades, que generosamente se disponibilizaram para a discussão de temas relevantes para a Preparação de um Plano Estratégico para o sector dos moldes em Portugal, contribuindo com a sua visão para uma análise multifacetada da realidade e facilitando significativamente a reflexão apresentada no presente documento. A, S.A ix

10 ÍNDICE 1. DIAGNÓSTICO DE SITUAÇÃO Evolução histórica do sector dos moldes em Portugal Trajectória tecnológica e de projecto Identificação de oportunidades de mercado Importância dos recursos humanos e gestão do conhecimento Diversificação dos sectores: a dimensão vertical do Engineering & Tooling A cadeia de valor e as áreas de competência do sector dos moldes Caracterização do sector tendo por base as entrevistas realizadas Posicionamento do sector no panorama internacional, as suas vantagens comparativas, dificuldades e restrições Segmentação e caracterização genérica das empresas a actuar no sector dos moldes em Portugal Caracterização do sector tendo por base os resultados do questionário Análise da envolvente política, económica, social e tecnológica ANÁLISE COMPARATIVA INTERNACIONAL Breve descrição da procura e produção de moldes a nível mundial Estudos de caso Novos modelos de negócio relevantes para o sector dos moldes em Portugal UM CENÁRIO CONSOLIDADO DE EVOLUÇÃO DO SECTOR Descrição do Cenário 1 Especialização em moldes de elevada complexidade para plásticos e materiais compósitos Descrição do Cenário 2 - Especialização em ferramentas especiais e peças maquinadas de alta precisão Descrição do cenário 3 Especialização em produtos e componentes plásticos e com base em materiais compósitos Consolidação de cenários x

11 4. LINHAS DE ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA Visão Missão Objectivos genéricos Posicionamento estratégico genérico para as empresas do sector Mercados alvo de actuação Linhas de orientação estratégica nas principais áreas de intervenção Instrumentos de gestão e controlo da estratégia PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA Introdução ao projecto estruturante para o sector Contributo da sessão de trabalho de apresentação da estratégia aos empresários Objectivos específicos e metas a atingir Parcerias PLANO DE FINANCIAMENTO PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA Identificação e mapeamento das fontes de financiamento Plano de acção para a obtenção de fundos Descrição das fontes de financiamento RECOMENDAÇÕES Recomendações às empresas Recomendações ao CENTIMFE Recomendações à CEFAMOL Recomendações à OPEN Recomendações a entidades públicas REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS Anexo A. Lista de entrevistas realizadas no âmbito do diagnóstico de situação xi

12 (Capítulo 1) Anexo B. Lista de entrevistas realizadas no âmbito da análise comparativa internacional (Capítulo 2) Anexo C. Análise de segmentação do mercado realizada no âmbito das linhas de orientação estratégica (Capítulo 4) Anexo D. Resumo dos indicadores de desempenho e metodologia de recolha de informação Anexo E. Construção do índex de competitividade do sector Anexo F. Eixos e Tipologias de Projectos do QREN Anexo G. Eixos do Programa FINICIA xii

13 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1-1: Áreas fundamentais de evolução tecnológica do sector dos moldes e ferramentas especiais Figura 1-2: Tecnologias que foram incorporadas no sector dos moldes e ferramentas especiais Figura 1-3: Destino das exportações do sector Figura 1-4: Evolução nos materiais e produtos produzidos Figura 1-5: Empresas criadas nos anos 60 e Figura 1-6: Sectores de efeito directo e indirecto e serviços associados ao sector dos moldes e ferramentas especiais Figura 1-7: Cadeia de valor do sector dos moldes Figura 1-8: Áreas de competência do sector dos moldes em Portugal Figura 1-9: O modelo de análise sectorial usado no Plano Estratégico para o sector dos moldes Figura 1-10: Ranking dos maiores exportadores do sector na UE Figura 1-11: Panorama mundial da evolução da produção e transacções comerciais de moldes Figura 1-12: Fluxos das transacções comerciais a escala mundial Figura 1-13: Evolução do VAB/hora nos EUA nas últimas décadas Figura 1-14: Dimensão das empresas portuguesas de moldes, de acordo com o número de trabalhadores. 32 Figura 1-15: Distribuição do número de empresas de moldes por concelho, em Figura 1-16: Distribuição dos trabalhadores das empresas de moldes por concelhos, em Figura 1-17: Posicionamento típico da pequena empresa de moldes em Portugal Figura 1-18: Posicionamento típico das grandes empresas de moldes em Portugal Figura 1-19: Evolução do mercado de exportação em Portugal Figura 1-20: Destino das exportações de moldes portuguesas, em Figura Evolução do volume de negócios entre 2004 e Figura Evolução dos resultados líquidos entre 2004 e Figura Evolução do volume de exportações directas entre 2004 e Figura Evolução do montante dos investimentos entre 2004 e Figura Dispersão de empresas por número de colaboradores entre 2004 e Figura Evolução do salário médio entre 2004 e Figura Nível de qualificações dos quadros das empresas, Figura Percentagem de colaboradores por função em Figura Evolução da percentagem do volume de negócios dispendida em actividades de inovação e I&D entre 2004 e Figura Empresas que colaboram com entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional Figura Empresas que beneficiaram de Programas de apoio à Inovação, Figura Média do número de colaboradores afectos a actividades de Inovação entre 2004 e xiii

14 Figura Média do número de projectos de inovação realizados nos últimos 3 anos e em curso Figura Grau de importância do desenvolvimento de actividades de Inovação e I&D Figura Áreas de actuação das empresas de moldes Figura Principais mercados geográficos por volume de negócios em Figura Principais sectores por volume de negócios em Figura Nível de competitividade das empresas Figura Áreas de actuação nos próximos 3 anos Figura 1-40: Evolução da cotação da bobina de aço laminada a quente no mercado internacional Figura 1-41: Evolução do Euro face ao Dólar Americano Figura 1-42: Evolução do Euro face à Libra Esterlina Figura 2-1: Distribuição da procura de moldes mundial Figura 2-2: A evolução do sector dos moldes e de manufactura nos EUA Figura 2-3: Evolução da produção, importação e exportação de moldes na China Figura 2-4: Evolução da produção de moldes na UE Figura 2-5: Estimativas da Visteon para a distribuição geográfica dos fornecedores de moldes a longo prazo Figura 2-6: Análise comparativa da estrutura de custos da concepção e produção de moldes (Alemanha vs China) Figura 2-7: Aspectos que os clientes de moldes valorizam para além do preço Figura 2-8: Percepção do rácio preço/valor pelos utilizadores de moldes chineses Figura 2-9: Apostas estratégicas para as empresas de moldes Figura 2-10: Evolução do volume de negócios do Tekniker Figura 2-11: Segmentação de receitas do Tekniker para o ano Figura 2-12: Membros da IK4 e áreas de especialização Figura 2-13: Breve descrição do CICMicroGUNE Figura 2-14: Breve descrição do CICNanoGUNE Figura 2-15: Sociedades de Garantia Mútua em Portugal e áreas de actuação Figura 2-16: Evolução do número de garantias prestadas pelas SGM, entre 2003 e Figura 2-17: Percentagem de empresas que tem recorrido a financiamento e percentagem de empresas que considera que esse financiamento tem limitado a sua capacidade de investimento e crescimento Figura 2-18: Esquema de funcionamento do factoring Figura 2-19: Grau de pressão ao nível dos clientes e dos fornecedores (1 Baixo; 4 Elevado) Figura 2-20: Investimentos e custos marginais de processos de produção de componentes de plástico Figura 2-21: Volume e complexidade para processos de produção de componentes plásticos Figura 2-22: Tempos dos processos de produção de componentes plásticos Figura 2-23: Localização das unidades da Rosti e respectivas competências Figura 2-24: Comparação dos sectores de moldes alemão e português xiv

15 Figura 3-1: A cadeia de valor no cenário Figura 3-2: Cadeia de valor no cenário Figura 3-3: Cadeia de valor no cenário Figura 3-4: Cenário consolidado para o sector Figura 3-5: Logótipo do sector Engineering & Tooling Figura 3-6: Evolução hipotética da produção do sector Engineering & Tooling Figura 4-1: Mapa estratégico para as empresas do sector Figura 5-1: Ecossistema do sector Engineering & Tooling Figura 5-2. Número de votos de cada uma das actividades Figura 5-3. Entidades relevantes para o desenvolvimento de parcerias estratégicas Figura 6-1. Tipos de intervenção possíveis dentro do Programa FINCRESCE Figura 6-2. Distribuição orçamental do Programa Cooperação Figura A-1: Metodologia de recolha de informação para os indicadores Figura A-2: Exemplo de indicação gráfica para a monitorização da implementação da estratégia do sector xv

16 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1-1: Peso no orçamento anual das actividades de marketing e desenvolvimento de novos produtos e processos Tabela 1-2: Evolução da distribuição do número de empresas de moldes por concelho entre 2000 e Tabela 1-3: Evolução da distribuição do número de trabalhadores de moldes por concelho entre 2000 e Tabela 1-4: Especialização por família de moldes em % da quantidade média nacional produzida para exportação, em 2000 e Tabela 1-5: Evolução dos principais mercados alvo entre 2000 e Tabela 1-6: Evolução das principais indústrias cliente entre 1984 e Tabela 2-1: Estudo comparativo da estrutura de custo de moldes, software e serviços (EUA vs China) Tabela 2-2: Garantias concedidas pelas SGM e suas principais características Tabela 2-3: Distribuição do nº e valor das garantias prestadas, e do financiamento associado pelas SGM, entre 2003 e Tabela 2-4: Salários brutos por hora em Tabela 2-5: Principais dados económicos do sector Advanced Manufacturing em Tabela 3-1: Especialização produtiva do sector Tabela 5-1. Calendarização dos sub-projectos de acordo as fases de arranque, desenvolvimento e sustentação Tabela 5-2. Modo de apresentação do orçamento dos sub-projectos Tabela 5-3. Hierarquização das actividades Tabela 5-4. Sugestões de actividades efectuadas pelos empresários Tabela 6-1: Matriz de fontes de financiamento e áreas de desenvolvimento estratégico Tabela 6-2: Concelhos cobertos por Fundos locais FINICIA xvi

17 1. DIAGNÓSTICO DE SITUAÇÃO A criação de uma estratégia adequada e com real aplicabilidade implica um conhecimento profundo do sector dos moldes. Assim, importa começar por caracterizar o sector, de forma a compreender de que modo evoluiu até à situação actual e que caminhos futuros se lhe prevêem Evolução histórica do sector dos moldes em Portugal A evolução do sector dos moldes e ferramentas especiais revela o caso exemplar de uma indústria que soube, em momentos cruciais, antecipar as oportunidades de mercado e, sobretudo, potenciar o conhecimento acumulado, traduzindo-o em verdadeiro valor acrescentado e vantagem competitiva para a afirmação da liderança de Portugal no panorama internacional. Num momento em que se colocam novos desafios decorrentes do processo de globalização e exposição do sector a uma forte concorrência internacional, interessa reflectir sobre o trajecto realizado pela indústria e, essencialmente, os marcos fundamentais que ditaram a sua evolução. Esta reflexão permitirá, por um lado, perceber a capacidade de adaptação do sector à sua envolvente e, por outro lado, sendo talvez ainda mais relevante, perceber como o caminho percorrido até aos dias de hoje pode condicionar a evolução futura do sector. Este conceito de path dependency, como é frequentemente referido, é fundamental para o desenvolvimento estratégico. Assim, reconhece-se que as empresas devem tentar reposicionar-se por forma a encontrar novos mercados e fontes de vantagem competitiva sem, contudo, ignorarem as suas competências, conhecimento e recursos, fruto da sua longa existência e experiência no mercado. O percurso de sucesso do sector dos moldes tem sido caracterizado por um profundo dinamismo e por transições de grande importância em diversas vertentes, desde a trajectória tecnológica, à evolução nas oportunidades de mercado e consequente diversificação de sectores (progredindo na cadeia de valor), alicerçadas na grande importância conferida aos recursos humanos e numa capacidade empreendedora responsável pela proliferação horizontal das empresas. 1

18 1.2. Trajectória tecnológica e de projecto Do ponto de vista tecnológico, assistiu-se nas últimas duas décadas a um forte desenvolvimento das tecnologias tradicionais e ao aparecimento de novas tecnologias para o processamento dos diferentes materiais metálicos. Paralelamente, assistiu-se ainda à introdução de novos materiais que, com maior eficiência térmica e melhores características mecânicas, são mais aptos à obtenção de determinados atributos exigíveis às partes activas dos moldes. Ao mesmo tempo, tem-se constatado também um grande desenvolvimento nas tecnologias que manipulam as superfícies, nomeadamente, os tratamentos térmicos e termo-químicos de superfície (por exemplo, a indução laser) e os revestimentos nano-estruturados (vulgo PVD). Como resultado, melhoraram a resistência ao desgaste, a estabilidade química e as propriedades tribológicas das superfícies (expressas em menores coeficientes de atrito). Por outro lado, ao nível dos materiais poliméricos, registou-se a introdução de novos polímeros de engenharia para aplicações específicas, com impactos determinantes no valor da oferta do sector. Nas últimas décadas verificou-se ainda uma crescente afirmação do sector nas áreas da concepção, desenvolvimento e engenharia de produto, bem como na oferta de novos serviços, que ampliaram a sua cadeia de valor. Assistiu-se, assim, a uma evolução que ditou a transição de uma indústria que, tendo a sua génese na produção de moldes para vidro (desenvolvida por artesãos), incorporou progressivamente métodos e conceitos de Engenharia, assumindo actualmente um papel de destaque a nível internacional pela especialização em moldes de alta precisão e complexidade. Concepção e Projecto de Moldes Fabrico de Moldes Injecção de peças e componentes Produto Concepção, Desenvolvimento e Engenharia do Produto / Design Serviços no Produto Montagem Produção de Préséries Figura 1-1: Áreas fundamentais de evolução tecnológica do sector dos moldes e ferramentas especiais. Fonte: elaboração própria a partir de informação recolhida em: Beira, E., Menezes, J., Confrontação e Acção. Nova Agenda para a Indústria Portuguesa de Moldes, Working papers Mercados e Negócios TSI, Escola de Engenharia da Universidade do Minho (Julho 2005) 2

19 Os avanços tecnológicos ocorridos são hoje um factor de inquestionável valorização do sector, podendo ser enumeradas as várias tecnologias que actualmente são dominadas pela indústria, das quais se destacam: Tecnologias Tratamentos térmico Tratamentos de superfície TIC s Robótica Injecção de plásticos Injecção de ligas metálicas Materiais Laser Polimento Corte por Arranque de Apara Rectificação Electroerosão CNC Controlo numérico computorizado Computação gráfica (CAD / CAM / CAE) Engenharia de Produto Rapid prototyping (LOM, SLA, SLSp, SLSm) Maquinação alta velocidade Figura 1-2: Tecnologias que foram incorporadas no sector dos moldes e ferramentas especiais. Fonte: Elaboração própria a partir de informação cedida por Henrique Neto, Do ponto de vista do projecto, houve igualmente uma evolução profunda. Nos seus tempos primordiais, o sector era muito centrado no trabalho de bancada, apesar da utilização de tornos, limadores e engenhos de furar. No final dos anos 50, com o aparecimento do desenho e da possibilidade de o copiar em processo heliográfico, foram dados os primeiros passos para a assunção da importância das tarefas de projecto e planificação de trabalho. A partir dos anos 60 e sobretudo nos anos 70, o desenho de Engenharia tornou-se não só um instrumento de organização de trabalho, mas uma forma de comunicação com o cliente e de garantia de cumprimento de especificações técnicas. Com o advento da era informática, a modelação digital começou a tomar forma sendo, já nos anos 90, plenamente assimilado o recurso à internet, como forma de partilha de informação com o cliente em fase de projecto, bem como a utilização de CAD/CAM. Com uma estratégia pioneira e integradora das melhores e mais recentes tecnologias, nos anos 90 há uma aproximação clara ao desenvolvimento de produto com o cliente, sendo a prototipagem rápida uma das principais tecnologias assimiladas. A incursão por este desenvolvimento partilhado do produto veio reforçar o poder competitivo do sector, abrindo portas para 3

20 uma nova era de diversificação de serviços Identificação de oportunidades de mercado O evento impulsionador que ditou a génese do sector, terá ocorrido, nos anos 40, quando a maior empresa produtora de moldes para vidro (Aires Roque & Irmão) identificou a oportunidade de produzir moldes para plásticos, dando início a um processo que teria enormes repercussões nas décadas subsequentes até aos dias de hoje. Um dos seus sócios Aníbal Henriques Abrantes, apostou claramente nesta nova actividade, começando por trazer para Portugal as novidades do estrangeiro, disponibilizando depois o conjunto produto mais molde ao mercado nacional. A partir do momento em que se abriram as portas do mercado internacional (nesta altura com particular enfoque nos EUA), fruto de uma parceria entre Aníbal Henriques Abrantes e Tony Jongenelen, assistiu-se a uma evolução sem retorno, que conduziu a que as exportações atingissem 90% da produção nos dias de hoje. O destino destas exportações começou por ser os EUA, que actualmente ocupam menos de 10% das exportações devido a uma clara subida da influência do mercado europeu (ver Figura 1-3). Destino das Exportações França Espanha Alemanha Reino Unido EUA México Polónia Suécia Roménia Argentina Outros 22,93% 13,58% 15,88% 5,58% 6,75% 2,68% 2,26% 3,89% 0,31% 1,18% 24,95% 18,88% 14,83% 14,41% 8,35% 8,14% 2,79% 2,56% 2,55% 2,49% 2,47% 22,51% Fonte: ICEP, 2007 Figura 1-3: Destino das exportações do sector. Fonte: ICEP,

Nota: texto da autoria do IAPMEI - UR PME, publicado na revista Ideias & Mercados, da NERSANT edição Setembro/Outubro 2005.

Nota: texto da autoria do IAPMEI - UR PME, publicado na revista Ideias & Mercados, da NERSANT edição Setembro/Outubro 2005. Cooperação empresarial, uma estratégia para o sucesso Nota: texto da autoria do IAPMEI - UR PME, publicado na revista Ideias & Mercados, da NERSANT edição Setembro/Outubro 2005. É reconhecida a fraca predisposição

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