Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Escola Nacional de Botânica Tropical Programa de Pós-graduação Stricto Sensu

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1 Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Escola Nacional de Botânica Tropical Programa de Pós-graduação Stricto Sensu Dissertação de Mestrado Senegalia Raf. (Leguminosae, Mimosoideae) do Domínio Atlântico, Brasil Michel João Ferreira Barros Rio de Janeiro 2011

2 Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Escola Nacional de Botânica Tropical Programa de Pós-graduação Stricto Sensu Senegalia Raf. (Leguminosae, Mimosoideae) do Domínio Atlântico, Brasil Michel João Ferreira Barros Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Botânica, Escola Nacional de Botânica Tropical, do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Mestre em Botânica. Orientadora: Drª Marli Pires Morim Rio de Janeiro 2011 ii

3 Senegalia Raf. (Leguminosae, Mimosoideae) do Domínio Atlântico, Brasil Michel João Ferreira Barros Dissertação submetida ao corpo docente da Escola Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro - JBRJ, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre. Aprovada por: Profª. Drª. Marli Pires Morim (Orientadora) Prof. Dr. Haroldo Cavalcante de Lima Profª. Drª. Flávia Cristina Pinto Garcia Em 28/02/2011 Rio de Janeiro 2011 iii

4 B277s Barros, Michel João Ferreira. Senegalia Raf. (Leguminosae, Mimosoideae) do Domínio Atlântico, Brasil / Michel João Ferreira Barros. Rio de Janeiro, xvii, 120 f. : il. Dissertação (Mestrado) Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro / Escola Nacional de Botânica Tropical, Orientadora: Marli Pires Morim. Bibliografia. 1. Leguminosae. 2. Mimosoideae. 3. Senegalia. 4. Morfologia. 5. Distribuição geográfica. 6. Mata Atlântica. I. Título. II. Escola Nacional de Botânica Tropical. CDD iv

5 Deuteronômio Se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar ao Senhor, vosso Deus, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, 14. darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal, e o vosso vinho, e o vosso azeite. 15. Darei erva no vosso campo aos vossos gados, e comereis e vos fartareis. 16. Guardai-vos não suceda que vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prostreis perante eles v

6 Agradecimentos À Escola Nacional de Botânica Tropical e ao Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, por minha formação e disponibilização de toda a infra-estrutura utilizada. Ao CNPq pela bolsa de estudos concedida e a ENBT pela possibilidade de estadia no alojamento, fundamental para o trabalho constante no herbário RB. Ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) pela autorização de coleta para as unidades de conservação pesquisadas. À Profª Marli P. Morim pela orientação, pelas correções detalhistas na redação do trabalho, pelo apoio nas coletas, pelas aulas nas disciplinas que ministra na ENBT e pelo carinho e apoio. Ao Prof. Vidal de F. Mansano, pelos aconselhamentos na estruturação do projeto de dissertação, pela possibilidade de participação em excursão ao estado da Bahia, pelas sugestões durante a disciplina Seminários II, pela prestatividade e bom humor. À Profª Rafaela C. Forzza, curadora do herbário RB, pelo auxílio durante o estudo da coleção de Senegalia e pelas sugestões para este trabalho durante a disciplina Seminários II. Aos curadores dos vinte herbários visitados, pela plena disponibilização das coleções e auxílio durante os estudos realizados. À pesquisadora Maria de L. Rico-Arce pela doação de suas publicações e pela sempre grande prestatividade e disponibilidade em ajudar. Ao pesquisador David S. Seigler pelas sugestões, envio de publicações e pela confiança no envio de trabalhos sobre Senegalia ainda não publicados. Ao Prof. Fábio R. Scarano e Dorothy S. D. de Araujo pelo relevante apoio durante a disciplina Seminários I, fundamental para a definição inicial do projeto. Ao pesquisador Marcus Nadruz pela possibilidade de participação e ensinamentos nas duas excursões realizadas ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos, onde devo ressaltar o apoio da administração do parque no trabalho de campo, assim como do Luis Fernando pelo apoio nas trilhas e trabalho de coleta e César Pardo pela troca de informações. Ao João R. V. Iganci pelo grande apoio nas coletas realizadas no Rio Grande do Sul e durante a consulta ao herbário ICN. Ao Arno F. N. Brandes pela troca de informações sobre morfologia do caule de vi

7 Senegalia e pelo apoio na excursão de coleta realizada em São Luiz do Purunã, no Paraná. Ao pesquisador Marccus Alves e seus alunos Bruno S. Amorim, Juan D. García- González, Jéferson S. Maciel e Jussara A. N. Souza pelo auxílio nas coletas e permanência em Recife. À pesquisadora Maria Regina Barbosa e ao biólogo Itamar Lima pelo apoio e estadia em João Pessoa durante as coletas realizadas na Paraíba. Ao pesquisador Haroldo C. Lima pelas fotografias de tipos de Senegalia obtidas nos herbários B, M e W e pelas importantes sugestões como membro da banca avaliadora. Ao pesquisador José Fernando Baumgratz pelo auxílio na redação do projeto quando era apenas uma idéia. À pesquisadora Flávia C.P. Garcia pela participação na banca avaliadora e pelas valiosas sugestões e críticas. À bibliotecária Rosana S. Medeiros, da Biblioteca Barbosa Rodrigues, pelo constante apoio na busca de artigos em periódicos impressos e on-line. Aos amigos Eduardo Leal, Marcelo Souza, João Iganci, Robson Ribeiro (in memoriam), Arno Brandes, Rafael B. Pinto, Ana Luiza Moura, Jordana Néri, Karina Hmeljevski, Luciano Pereira, Nina Lyz, Fabiana Filardi, Aliny Peçanha, Leonor Ribas e Alexandre Christo pelo companheirismo, apoio e troca de informações durante a realização deste trabalho. À Vanessa T. Santos pelo envio de uma cópia de sua dissertação, útil ao estudo da distribuição geográfica das espécies ocorrentes em Minas Gerais. Ao amigo e biólogo Gabriel Malaquias pelo apoio com a formatação das imagens. Aos meus pais, demais familiares e amigos pelo apoio e compreensão durante a realização deste trabalho. vii

8 Resumo O gênero Senegalia Raf. abrange cerca de 210 espécies, distribuídas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo, consistindo de espécies anteriormente reunidas em Acacia subg. Aculeiferum sect. Aculeiferum, com base nos estames livres e numerosos. A aceitação e circunscrição de Senegalia baseiam-se em estudos de caracteres morfológicos, anatômicos, polínicos, químicos e de filogenias moleculares. Para o Brasil são citadas 54 espécies, presentes em todos os domínios fitogeográficos. Considerando-se que as descrições das obras originais são muitas vezes superficiais, que é grande a similaridade morfológica entre a maioria das espécies e a ausência de uma revisão para as espécies do Domínio Atlântico, torna-se necessário um estudo sobre sua taxonomia. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo principal contribuir na taxonomia de Senegalia através de descrições morfológicas, chave dicotômica, dados sobre o habitat, ilustrações e mapas de distribuição geográfica. Foram realizadas coletas nas distintas fitofisionomias do Domínio Atlântico e consultados vinte herbários. Foram registradas 30 espécies, que ocorrem principalmente em Floresta Ombrófila Densa (24 spp.), Restinga (15 spp.) e Floresta Estacional Semidecidual (12 spp.). Ressalta-se que cerca de 60% têm ocorrência registrada apenas para o Domínio Atlântico. Os principais caracteres diagnósticos consistem de: nectários extraflorais, número de pares de pinas por folha e o tipo de inflorescência. A maioria das espécies estudadas possui ampla distribuição (15 spp.), entretanto, um número significativo apresenta distribuição restrita (11 spp.). São descritas duas prováveis novas espécies: Senegalia sp.1 e Senegalia sp.2. Foram assinalados também novos registros para o Domínio Atlântico: S. kallunkiae, S. limae e S. santosii e para floras regionais: S. pteridifolia, para Pernambuco e Bahia, S. recurva, para o Espírito Santo e S. magnibracteosa, para Santa Catarina. Palavras-chave: Taxonomia, Acacia, Mata Atlântica, Morfologia, Distribuição Geográfica viii

9 Abstract The genus Senegalia Raf. comprises about 210 species, mainly distributed in tropical and subtropical regions of the world, consisting of species previously placed in Acacia subg. Aculeiferum sect. Aculeiferum, on the basis of free and numerous stamens. The acceptance and circumscription of the genus is based on studies which took into consideration morphological, anatomical, pollen and chemical characteristics, plus molecular phylogeny. For Brazil, 54 species are recorded, present in all phytogeographic regions. Considering that original descriptions are often superficial and ambiguous, that morphological similarity among most species is high and that there is no comprehensive review for the species of the Atlantic Domain, a taxonomic study is in order. Therefore, in this paper we aim to contribute to the taxonomy of Senegalia through morphological descriptions, dichotomous key, habitat, illustrations and maps of geographic distribution. Collections were made in various vegetation types in the Atlantic Domain and the material from twenty herbaria was examined. A total of 30 species where recorded, which occur mainly in Rain Forest (24 spp.), Restinga (15 spp.) and Semideciduous Forest (12 spp.). It is noteworthy that about 60% are only recorded for the Atlantic Domain. The main diagnostic characters consists of extrafloral nectaries, number of pairs of pinnae per leaf and inflorescence type. Most species have a wide distribution (15 spp.), however, a considerable number of the taxa have restricted distribution (11 spp.). Two probably new species are described: Senegalia sp.1 e Senegalia sp.2. New records were also recorded for the Atlantic Domain: S. kallunkiae, S. limae and S. santosii and for regional floras: S. pteridifolia, for Pernambuco and Bahia, S. recurva, for Espírito Santo and S. magnibracteosa for Santa Catarina. Keywords: Taxonomy, Acacia, Atlantic Forest, Morphology, Geographic Distribution ix

10 Sumário Agradecimentos.....vi Resumo viii Abstract ix Lista de figuras xiii Lista de mapas xvi Tabela de espécies e distribuição geográfica xvii 1. Introdução Material e métodos Caracterização e definição da área de estudo Trabalho de campo Tratamento taxonômico Resultados Aspectos morfológicos de Senegalia Raf. do Domínio Atlântico Tratamento taxonômico Descrição do gênero Chave para identificação das espécies de Senegalia Raf. do Domínio Atlântico Descrição das espécies de Senegalia do Domínio Atlântico Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia bonariensis (Gillies ex Hook. & Arn.) Seigler & Ebinger Senegalia giganticarpa (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger Senegalia grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger...34 x

11 5. Senegalia kallunkiae (Grimes & Barneby) Seigler & Ebinger Senegalia lacerans (Benth.), Seigler & Ebinger Senegalia langsdorffii (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia limae (A. Bocage & Miotto) L. P. Queiroz Senegalia lowei (L. Rico) Seigler & Ebinger Senegalia magnibracteosa (Burkart) Seigler & Ebinger Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger Senegalia miersii (Benth.), Seigler & Ebinger Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia nitidifolia (Speg.) Seigler & Ebinger Senegalia olivensana (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger Senegalia parviceps (Speg.) Seigler & Ebinger Senegalia pedicellata (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia piptadenioides (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia recurva (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia riparia (Kunth) Britton & Rose ex Britton & Killip Senegalia santosii (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger Senegalia serra (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose Senegalia tucumanensis (Griseb.) Seigler & Ebinger Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger...95 xi

12 28. Senegalia sp Senegalia sp Espécie não tratada no presente trabalho Conclusões Referências bibliográficas Apêndice: Índice de coletores xii

13 Lista de Figuras Figura 1. Caules: a. 4-5 cristado, com acúleos confluentes em Senegalia serra (Benh.) Seigler & Ebinger; b. em árvore adulta, lenticelado e sem acúleos em S. polyphylla (DC.) Britton & Rose; c. jovem com estrias sutis em S. tenuifolia (L.) Britton & Rose; d. tetralobado em S. martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger; e. com suber esfoliante em S. tenuifolia (L.) Britton & Rose; f. jovem em S. limae (Bocage & Miotto) L. P. Queiroz. (a. observado sem voucher ; b. Barros 88; c. Barros 87; d. observado sem voucher; e. Barros 90; f. Barros 89). Fotos: M. Barros...14 Figura 2. Acúleos: a. recurvos em Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger; b. retos a incurvos em S. polyphylla (DC.) Britton & Rose; c. em trios próximos aos nós em S. tenuifolia (L.) Britton & Rose; Estípulas: d. cordiforme-lanceolada em S. bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger; e. reniforme-cordada em S. grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger; Nectários peciolares: f. elevado-côncavo em S. polyphylla (DC.) Britton & Rose (k. vista frontal, l. vista lateral); g. oblongo em S. velutina (DC.) Seigler & Ebinger; h. elevadocalicióides, estipitados em S. martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger; i. globoso em S. lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger; j. fusiforme em S. pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger. (a. Pereira 02/141; b, f, k, l. Ferreira 3209; c. Sucre 3743; d. Sucre 3770; e. Sucre 6320; g. Barros 03; h. Kuhlmann 408; i. Góes 549; j. Farág 255)...15 Figura 3. Posições dos nectários extraflorais peciolares: a. no terço médio em Senegalia langsdorffii (Benth.) Seigler & Ebinger; b. no terço médio e superior em S. limae (Bocage & Miotto) L. P. Queiroz; c. no terço superior, logo abaixo do primeiro par de pinas em S. mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger; d. no terço inferior em Senegalia sp.1. (a. Lima 2881; b. Silva & Nascimento 290; c. Ribeiro & Dantas 122; d. Demuner et al. 4829)...16 Figura 4. Foliólulos: a. elíptico-lanceolados em Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose; b. elíptico-falcados em S. miersii (Benth.) Seigler & Ebinger; c. lineares em S. martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger; d. ovados a obovados em S. pedicellata (Benth.) Seigler & Ebinger; e. linear-oblongos em S. bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger. Inflorescências: f. espigadas em S. velutina (DC.) Seigler & Ebinger; g. espigadas curtas em pré-floração em S. pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger. Flor: h. aspecto geral, i. bractéola e j. ovário em S. pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger; k. gineceu e disco nectarífero em secção xiii

14 longitudinal em S. miersii (Benth.) Seigler & Ebinger. (a: Ferreira 3209; b: Farág 149; c: Kuhlmann 408; d: Ducke s.n. (RB 802); e: Duarte 5764; f: Barros 03; g-j: Farág 255; k: Porte s.n. (RB 24940)...18 Figura 5. Frutos: a. folículo em Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger. b. legume em S. grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger; Semente (S. grandistipula): c. funículo alongado e contorcido próximo ao hilo, d-e. embrião com um cotilédone destacado; f. eixo hipocótilo-radícula; g. plúmula com eófilos desenvolvidos (a. Lima & Lewis 5417; b-g. Lima 3001)...21 Figura 6. Senegalia grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger: a. detalhe das estípulas foliáceas e reniforme-cordadas (SC); b. ramo com fruto (Barros et al. 82). Fotos: M. Barros...38 Figura 7. Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger: a. ramos pendentes de um indivíduo; b. ramo isolado com frutos (Barros et al. 65). Fotos: M. Barros...42 Figura 8. Senegalia limae (A. Bocage & Miotto) L. P. Queiroz: a. caule e ramos emaranhados; b. ramos com frutos pendentes (Barros et al. 89). Fotos: M. Barros...46 Figura 9. Senegalia lowei (L. Rico) Seigler & Ebinger: a. hábito arbustivo escandente; b. fruto isolado (Barros et al. 02). Fotos: M. Barros...49 Figura 10. Senegalia lowei (L. Rico) Seigler & Ebinger: a. ramo florífero; b. acúleos recurvos; c. nectário extrafloral elevado-côncavo no terço médio do pecíolo; d. foliólulo linear; e. inflorescência espigada; f. bractéola; g. flor subséssil; h. gineceu com ovário viloso; i. legume. (a-h. Lima 4274; i. Braga 360)...50 Figura 11. Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger: a. liana caule sobre àrvore; b. detalhe do ramo florido (Barros et al. 69); c. nectários extraflorais peciolares (no Caminho da Mata Atlântica, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro). Fotos: M. Barros...56 Figura 12. Senegalia parviceps (Speg.) Seigler & Ebinger: a. ramo florífero; b. acúleos recurvos; c. nectário extrafloral elevado-calicióide no terço médio a superior do pecíolo; d. foliólulo linear, séssil, venação hifódroma, faces glabras, margens ciliadas e tricomas alongados na curvatura da base; e. inflorescência capitada; f. bractéola; g. flor séssil; h. ovário viloso; i. legume reto (a-h. J.C. Lindemann 13247; i. M.R.B Carmo 894)...65 Figura 13. Senegalia pedicellata (Benth.) Seigler & Ebinger: a. caule tetralobado; b. folhas com foliólulos obovados (mata do Horto Florestal, Rio de Janeiro RJ). Fotos: M. xiv

15 Barros...68 Figura 14. Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose: a. caules jovens evidenciando estrias aculeares; b. aspecto geral de galhos em floração; c. ramo florífero (Barros & Inacio 59). Fotos: M. Barros...75 Figura 15. Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger: variação no número de pares de pinas: a. folha com 5-6 pares de pinas; b. folha com apenas 2 pares, (trilha do Morro da Urca, Rio de Janeiro RJ). Fotos: M. Barros...78 Figura 16. Senegalia recurva (Benth.) Seigler & Ebinger: a. ramo florífero; b. acúleo recurvo; c. nectário extrafloral elevado-côncavo; d. foliólulo falcado-linear; e. inflorescência capitada; f. bractéola linear; g. flor isolada; h. gineceu com ovário glabro; i. legume; j. semente com funículo contorcido próximo ao hilo (a-h. Coqueiro 39; i-j. Sucre 3581)...81 Figura 17. Senegalia serra (Benth.) Seigler & Ebinger: a. hábito de liana; b. caule pentangular e cristas com acúleos confluentes; c. ramo pendente; d. nectários extraflorais oblongo-verrucosos no pecíolo e formigas forrageando sua secreção; ramo com frutos; f. detalhe do fruto (fotografados em Carmo - RJ). Fotos: M. Barros...86 Figura 18. Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose: a. ramos pendentes com frutos; b. detalhe de sementes, ainda imaturas, evidenciando o pleurograma (Barros et al. 90). Fotos: M. Barros...91 Figura 19. Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger: a. ramo florífero (Barros et al. 03); b. formiga próxima ao nectário extrafloral peciolar (Macaé - RJ). Fotos: M. Barros...99 Figura 20. Senegalia sp.1: a. ramo florífero; b. detalhe do ramo; c. estípulas filiformes; d. nectário extrafloral elevado-côncavo no terço nferior do pecíolo; e. foliólulo com venação broquidódroma; f. inflorescência capitada; g. bractéola; h. flor séssil; i. ovário glabro (Demuner et al. 4783) Figura 21. Senegalia sp.2: a. ramo florífero; b. nectário extrafloral elevado-côncavo, séssil, no terço médio-inferior do pecíolo; c. foliólulo linear, falcado, com venação hifódroma; d. inflorescência capitada; e. bractéola; f. flor séssil; g. ovário viloso (Carvalho 4499) xv

16 Lista de Mapas Mapa 1. Domínio Atlântico brasileiro: em cor parda, as áreas de abrangência original do domínio e em verde as áreas atualmente remanescentes. Fonte: SOS Mata Atlântica (2010)...5 Mapa 2. Distribuição geográfica de Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. bonariensis (Gillies ex Hook & Arn.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...32 Mapa 3. Distribuição geográfica de Senegalia grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. kallunkiae (Grimes & Barneby) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...37 Mapa 4. Distribuição geográfica de Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...42 Mapa 5. Distribuição geográfica de Senegalia giganticarpa (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger ( ), S. langsdorfii (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. limae (A. Bocage & Miotto) L. P. Queiroz ( ) no Domínio Atlântico...44 Mapa 6. Distribuição geográfica de Senegalia lowei (L. Rico) Seigler & Ebinger ( ) e S. magnibracteosa (Burkart) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...49 Mapa 7. Distribuição geográfica de Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...55 Mapa 8. Distribuição geográfica de Senegalia miersii (Benth.) Seigler & Ebinger ( ), S. nitidifolia (Speg.) Seigler & Ebinger ( ) e S. olivensana (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...61 Mapa 9. Distribuição geográfica de Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. pedicellata (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...68 Mapa 10. Distribuição geográfica de Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose ( ) no Domínio Atlântico...74 Mapa 11. Distribuição geográfica de Senegalia parviceps (Speg.) Seigler & Ebinger ( ), S. piptadenioides (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger ( ) e S. pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...78 Mapa 12. Distribuição geográfica de Senegalia recurva (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. riparia (Kunth) Britton & Rose ex Britton & Killip ( ) no Domínio Atlântico...80 Mapa 13. Distribuição geográfica de Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose ( ) no xvi

17 Domínio Atlântico...91 Mapa 14. Distribuição geográfica de Senegalia santosii (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger ( ) e S. serra (Benth.) Seigler & Ebinger ( ), e S. tucumanensis (Griseb) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...94 Mapa 15. Distribuição geográfica de Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico...99 Mapa 16. Distribuição geográfica de Senegalia sp.1 ( ) e Senegalia sp.2 ( ) no Domínio Atlântico Tabela de espécies e distribuição geográfica: Tabela 1. Espécies de Senegalia Raf. do Domínio Atlântico, distribuição geográfica no Brasil, fitofisionomias de ocorrência e presença em outros domínios fitogeográficos. A ocorrência no Domínio Atlântico para os estados é indicada através das siglas em negrito...09 xvii

18 1. Introdução Leguminosae abrange cerca de 727 gêneros e espécies (Lewis et al. 2005). O nome Leguminosae é preferencialmente adotado, considerando-se que Fabaceae é utilizado tanto para a definição de toda a família como somente para a subfamília Papilionoideae (Lewis & Schire 2003). Inúmeras são as potencialidades econômicas da família, entretanto vale destacar sua utilização na produção agrícola. Diversas dentre estas espécies são de fácil adaptação ao cultivo devido à simbioses com bactérias fixadoras de nitrogênio e fungos micorrízicos (VandenBosch & Stacey 2003). Muitas possuem ainda um potencial promissor na produção de proteínas (Rachie 1979). A família é considerada monofilética (Doyle et al. 2000) e tradicionalmente a classificação sistemática aceita três subfamílias: Caesalpinoideae, Mimosoideae e Papilionoideae (Lewis et al. 2005). Entretanto, estudos moleculares já demonstraram a necessidade de novos arranjos, principalmente, devido ao parafiletismo de Caesalpinoideae (Wojciechowski et al. 2004). No Brasil, Leguminosae é a família com o maior número de espécies (Forzza et al. 2010), com 210 gêneros, dos quais 15 são endêmicos, e 2694 espécies, dentre as quais 1457 são restritas à flora brasileira (Lima et al. 2010). Dentre este elevado número de espécies, cerca de 945 ocorrem no Domínio Atlântico (Lima et al. 2009). Mimosoideae teve sua principal classificação tribal proposta por Bentham (1875), abrangendo um total de seis tribos, e desde então várias outras organizações foram propostas para a subfam(elias 1981). Atualmente são reconhecidas quatro tribos: Acacieae Dumort., Ingeae Benth., Mimoseae Bronn e Mimozygantheae Burkart. Avanços na sistemática molecular da subfamília têm demonstrado a necessidade de uma nova organização intra e intertribos, devido às evidências de grupos polifiléticos e parafiléticos (Miller & Bayer 2001; Luckow et al. 2003; Miller & Bayer 2003; Brown et al. 2008). A tribo Acacieae foi criada em 1829 por Dumortier e segundo o conceito de Vassal (1981) a tribo abrangia os gêneros Acacia Mill. (Acacia s.lato) e Faidherbia A. Chev., este último atualmente posicionado na tribo Ingeae (Lewis & Rico-Arce 2005). A fusão ou não dos numerosos estames era o único caráter que mantinha Acacieae e Ingeae como tribos distintas (Elias 1981). 1

19 Na circunscrição de Acacia proposta por Vassal (1972) o gênero Acacia foi subdividido em três subgêneros: subg. Acacia, subg. Aculeiferum e subg. Phyllodineae. Pedley (1986) com base em uma extensa análise de caracteres morfológicos, polínicos, e químicos reforçou o posicionamento dos gêneros Senegalia Raf. e Racosperma C. Mart., anteriormente descritos, mas não adotados. Quando aceito sob sua circunscrição ampla, ou seja, Acacia s. lato, o gênero abrange cerca de espécies (Rico-Arce 2007). Análises cladísticas fundamentadas principalmente em caracteres morfológicos, químicos (Chappill & Maslin 1995) e moleculares (Miller & Bayer 2001; Luckow et al. 2003; Miller & Bayer 2003; Seigler et al. 2006; Brown et al. 2008) têm demonstrado que Acacia Mill. é um gênero polifilético e atualmente são reconhecidas cinco linhagens distintas (Brown et al. 2008), tratadas como gêneros. Dentre estes, encontram-se Senegalia e Vachellia Wight & Arn., os únicos gêneros com ocorrência registrada no Brasil. As espécies atualmente circunscritas em Senegalia pertenciam, no conceito de Vassal (1972), à Acacia subg. Aculeiferum s.str. e nas análises cladísticas, Senegalia e Vachellia apresentam-se consideravelmente distantes (Brown et al. 2008). O gênero Senegalia foi originalmente circunscrito por Rafinesque (1838) na obra Sylva Teluriana, com base na espécie Senegalia triacantha Raf., um nome ilegítimo (Seigler et al. 2006), baseado em Mimosa senegal L., atualmente combinado para Senegalia senegal (L.) Britton (Britton & Wilson 1930). O gênero foi descrito com base na breve diagnose: diff. Acakia, leg. stipit. brevis ellipt. membr. compr. 2-3sperm. Desde sua descrição, Senegalia não foi amplamente aceito e somente Britton & Rose (1928) reconheceram o gênero e apresentaram 66 novas combinações de espécies que estavam subordinadas a Acacia s.lato. Pedley (1986) realizou uma nova combinação para Senegalia seç. Filicinae (Benth.) Pedley e apenas três novas combinações de espécies de Acacia para Senegalia por considerar imprudente a transferência de espécies, sobre as quais não possuía o conhececimento suficiente, especialmente em relação aos táxons americanos e de Madagascar (Pedley 1986). Seigler et al. (2006) propuseram 51 novas combinações para espécies do Novo Mundo. Além disto, foram realizadas outras 16 novas combinações em Seigler & Ebinger (2009) e Seigler & Ebinger (2010) que abrangem espécies americanas e também africanas. Em seu trabalho sobre as espécies americanas, Rico-Arce (2007) considerou todas as novas combinações para Senegalia como sinônimos de Acacia s. lato. 2

20 Orchard & Maslin (2003) propuseram a restrição do nome Acacia ao subgênero Phylodineae através da mudança do tipo, antes pertencente a Acacia subg. Acacia. A proposta foi aceita pelo Permanent Commitee for Spermatophyta (Smith et al. 2006), e o tipo de Acacia subg. Acacia foi transferido para Acacia subg. Phyllodineae, ao qual a maioria das espécies australianas está subordinada (Orchard & Maslin 2003). Tal alteração nomenclatural não foi aceita por vários especialistas, por se compreendida como uma violação do princípio de prioridade nomenclatural (Luckow et al. 2005). Senegalia, porém, não se inclui nesta problemática nomenclatural, por ter sido desmembrado de Acacia subg. Aculeiferum, distintamente de Vachellia que consistia de Acacia subg. Acacia. Seigler et al. (2006) apresentaram uma síntese da trajetória taxonômica de Senegalia e aceitaram a circunscrição do gênero com base em caracteres morfológicos diagnósticos e nos resultados dos trabalhos de filogenia molecular. Além das novas combinações, Seigler et al. (2006) realizaram alterações de status taxonômico, indicaram a localização para muitos dos tipos das espécies tratadas e propuseram novas sinonímias. Considerando-se as novas combinações já propostas para o gênero (Britton & Rose 1928; Pedley 1986; Seigler et al. 2006; Seigler & Ebinger 2009; Seigler & Ebinger 2010) estima-se atualmente que cerca de 100 espécies estão presentes na Região Neotropical. Para a flora brasileira foram registradas até o momento 52 espécies de Senegalia, presentes em todos os domínios (Morim & Barros 2010). Tratamentos taxonômicos para Acacia subg. Aculeiferum foram desenvolvidos no Brasil para a Amazônia, onde foram estudadas 11 espécies e uma variedade (Silva 1990), para o semi-árido, com 15 espécies (Bocage 2005) e para o estado de Minas Gerais, o qual abrangeu 16 espécies (Santos 2010). Bocage & Queiroz (2006), considerando as espécies de Acacia subg. Aculeiferum da Caatinga realizaram oito novas combinações para Senegalia, entretanto, todas as espécies transferidas por estes autores para Senegalia já haviam sido posicionadas neste gênero no trabalho de Seigler et al. (2006). É importante ressaltar que trabalhos taxonômicos recentes (Bocage & Miotto 2005; Bocage & Miotto 2006; Lewis et al. 2005; Rico-Arce 2007), adotam a circunscrição de Acacia s. lato, não questionando, entretanto, a condição polifilética do grupo (Rico-Arce 2007; Santos 2010). No presente trabalho, no entanto, o gênero Senegalia é aceito e morfologicamente caracterizado pelas folhas bipinadas nunca formando filódios, nectários no 3

21 pecíolo, acúleos nos ramos e ocasionalmente nos pecíolos e raques, disco nectarífero na base do ovário e grãos de pólen columelados, porados, dispostos em políades com 16 grãos (Guinet 1981). Dentre as principais áreas de ocorrência de Senegalia no país destaca-se o Domínio Atlântico com o maior número de táxons para o Brasil, 27 spp. (Lima et al. 2009; Morim e Barros 2010). Grande parte destas espécies são lianas que se apoiam em árvores de grande porte, o que pode contribuir para a baixa representatividade de espécimes nas coleções dos herbários. Além disto, não existia uma revisão para Senegalia do Domínio Atlântico, o que dificultava o conhecimento sobre a circunscrição dos táxons e sua distribuição geográfica. Portanto, o presente estudo tem por objetivos, reavaliar a circunscrição morfológica, caracteres diagnósticos e distribuição geográfica e o hábitat preferencial de ocorrência das espécies de Senegalia no Domínio Atlântico. 2. Material e métodos 2.1. Caracterização e definição da área de estudo Foram adotados o conceito e extensão do Domínio Atlântico explicitados por Joly et al. (1999), que corresponde à Floresta Atlântica s. lato conforme definida por Oliveira-Filho & Fontes 2000), o qual abrange uma área de ca km 2 do território brasileiro (Mapa 1), sobre litologias do embasamento Pré-Cambriano, sedimentos da Bacia do Paraná e sedimentos Cenozóicos (IBGE 2010) e consiste de um complexo de vegetações (Scarano 2002). Seus remanescentes somam cerca de km 2 de extensão, ou seja, 7,8 % da cobertura originalmente existente (Campanili & Prochnow 2006), abrangem ao menos seis áreas de endemismos (Sigrist & Carvalho 2008) e se estende desde o Cabo de São Roque (5ºS) no estado do Rio Grande do Norte, ao rio Taquari (30ºS) no Rio Grande do Sul. A inclusão de municípios e vilas integrantes do Domínio Atlântico se deu através do banco de dados que serviu como base para a publicação de Plantas da Floresta Atlântica (Stehmann et al. 2009), acrescida de infomações obtidas nas etiquetas das coleções consultadas. As fitofisionomias do Domínio Atlântico com ocorrência de Senegalia foram: Brejos Nordestinos (Rodal & Sales 2008), Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa (Oliveira- Filho & Fontes 2000), Floresta Ombrófila Mista (Longhi et al. 2006) e Restinga, nas 4

22 Formações Florestais (Menezes & Araujo 2005). A ocorrência das espécies nas fitofisionomias foi verificada através do estudo das coleções de herbário, das coletas realizadas e de dados bibliográficos. Mapa 1. Domínio Atlântico brasileiro: em cor parda, áreas de abrangência original e em verde as áreas atualmente remanescentes. Adaptado de: SOS Mata Atlântica (2008) Trabalho de campo A seleção das áreas para a coleta dos exemplares baseou-se no levantamento bibliográgico sobre as espécies tratadas, associada ao levantamento realizado nos herbários mencionados no item sobre tratamento taxonômico. Foram priorizadas as espécies com pouca representatividade nos herbários consultados, assim como áreas ainda pouco coletadas para o gênero. As coletas foram realizadas considerando-se, principalmente, a época de floração/frutificação das espécies e abrangeram os períodos de julho a dezembro de 2009 e 5

23 julho a dezembro de Os procedimentos de herborização basearam-se em Guedes-Bruni et al. (2002) e todo material coletado foi depositado no herbário RB do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Além dos ramos, os respectivos caules foram também amostrados e depositados em RBw, assim como material para extração de DNA, depositado em RBdna. Áreas prioritárias visitadas no trabalho de coleta: REGIÃO NORDESTE: Bahia: *Costa do Sauípe, Itacaré, Maraú, Teixeira de Freitas /11/2009; *Ilhéus, Olivença, Vila Brasil, Uruçuca, Ubaitaba /12/2010. Paraíba: *Mata do Pau Ferro, sítio chã-de-jardim 21/09/2010. Pernambuco: *Recife, Mata do Jardim Botânico de Recife 27/09/2010. REGIÃO SUDESTE: Minas Gerais: Estrela D Alva 30/07/2010. Rio de Janeiro: remanescentes florestais no município de Carmo 18/07/2009; *Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Teresópolis e Magé) /03/2010; Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Teresópolis, Petrópolis e Guapimirim) 28/06-01/07/2010; *remanescentes florestais no município de Carmo 27-29/07/2010; Parque Nacional Restinga de Jurubatiba 31/07/2010; Restinga da Marambaia - 27/08/2010. REGIÃO SUL: Paraná: São Luiz do Purunã 17/09/2010. Rio Grande do Sul: *Parque Nacional de Aparados da Serra e arredores 1-2/12/2010. Obs.: áreas onde foram obtidas amostragens de Senegalia são iniciadas com um asterisco (*) Tratamento taxonômico: As descrições foram baseadas em exsicatas e nas observações realizadas in vivo, por ocasião do trabalho de campo. Foram analisados materiais pertencentes aos herbários ALCB, BHCB, CEPEC, GUA, HB, HUEFS, ICN, IPA, JPB, MBM, MBML, PACA, PEUFR, R, RB, RFA, RFFP, SP, SPF, UFP, UPCB, VIC e VIES e imagens de B, K, M, MO, P e SI (siglas de acordo com Holmgren & Holmgren 1998). Todo o material adicional citado abrange exemplares não oriundos de áreas do Domínio Atlântico e foi utilizado para a complementação de descrições de flores e/ou frutos de espécies sem material suficiente para a 6

24 descrição destas estruturas. Para a citação dos tipos e suas respectivas localizações adotou-se o levantamento realizado por Seigler et al. (2006) e Seigler & Ebinger (2009). A circunscrição de Senegalia no presente trabalho seguiu o conceito de Seigler et al. (2006). As espécies foram delimitadas com base em suas distinções morfológicas, sejam estes caracteres exclusivos ou, para a maioria das espécies, uma combinação fixa de caracteres. Devido à grande plasticidade fenotípica presente, as variedades não foram incluídas neste trabalho por se considerar que necessitam de investigações mais apuradas sobre sua circunscrição e validade. As estruturas morfológicas foram descritas adotando-se a terminologia: Harrington & Durrel (1957) e Hickey & King (2000), para tipos de indumento; Rizzini (1977) para a forma, ápice e base dos foliólulos; Hickey (1973) para a venação dos foliólulos; Bentham (1876) para os tipos de nectários extraflorais, exceto para os tipos elevado-côncavo e elevadocalicióide, baseados em Melo (2010); Werberling (1992) e Grimes (1999), para inflorescências; Radford et al. (1979), para estruturas florais; Barroso et al. (1999), para frutos e sementes. As informações sobre os dados fenológicos, distribuição geográfica e ocorrência nas formações vegetacionais foram extraídas das etiquetas dos herbários consultados, associados à dados de literatura especializada. Foram indicados também os nomes populares, quando estes foram encontrados nas fontes anteriormente mencionadas. Os mapas foram confeccionados sobre bases cartográficas de Unidades da Federação obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A distribuição geográfica plotada nos mapas está restrita às áreas de ocorrência das espécies no Domínio Atlântico. A plotagem foi realizada na região central de cada município ou localidade de ocorrência das espécies e os pontos posicionados conforme as localizaçãoes indicadas no software Google Earth. 3. Resultados Para o Domínio Atlântico foram registradas 30 espécies, ocorrentes em cinco distintas fitofisionomias, dentre as quais 17 são aparentemente endêmicas do Domínio Atlântico. Os maiores valores foram registrados para as fitofisionomias: Floresta Ombrófila Densa, com 24 7

25 espécies, Restinga, com 15 espécies e Floresta Estacional Semidecidual, com 12 espécies. As espécies que apresentam-se presentes no maior número de tipos de vegetações do Domínio Atlântico são Senegalia grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger, Senegalia polyphylla (DC.) Seigler & Ebinger, Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose e Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger, cada qual presente em quatro distintas fitofisionomias. Os estados da Bahia e do Rio de Janeiro apresentaram o maior número de espécies, com 17 presentes em cada um destes. Na Tabela 1 (pg. 9) é apresentada uma síntese dos táxons registrados e de sua ocorrência. 8

26 Tabela 1. Espécies de Senegalia Raf. do Domínio Atlântico, distribuição geográfica no Brasil, fitofisionomias de ocorrência e presença em outros domínios fitogeográficos. A ocorrência no Domínio Atlântico é indicada através das siglas dos estados em negrito. Siglas: DA=Domínio Atlântico; BN=Brejos Nordestinos; FOD=Floresta Ombrófila Densa, FOM=Floresta Ombrófila Mista, FES=Floresta Estacional Semidecidual, RST=Restinga; a citação de ocorrência para outros domínios baseou-se na análise de exsicatas ou na bibliografia citada. Espécies estudadas no DA Distribuição Geográfica Ocorrência nas Fitofisionomias do DA Outros Domínios Fitogeográficos 1. Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger AL, BA, MG, PB, PE, PI, RJ, RN, SE FOD, RST Caatinga 2. Senegalia bonariensis (Gillies ex Hook. & Arn.) Seigler & Ebinger 3. Senegalia giganticarpa (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger RS FOD, RST - BA, ES, MG FES, FOD - 4. Senegalia grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger BA, ES, MG, PE, PR, RJ, SC, SP FES, FOD, FOM e RST - 5. Senegalia kallunkiae (Grimes & Barneby) Seigler & Ebinger 6. Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger BA, ES FES Caatinga ES, MG, RJ, SP FOD, RST - 7. Senegalia langsdorffii (Benth.) Seigler & Ebinger BA, CE, GO, MG, MS, PE, PI, RJ FES, FOD, RST Caatinga, Cerrado 8. Senegalia limae (A. Bocage & Miotto) L. P. Queiroz 9. Senegalia lowei (L. Rico) Seigler & Ebinger 10. Senegalia magnibracteosa (Burkart) Seigler & Ebinger 11. Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger 12. Senegalia miersii (Benth.) Seigler & Ebinger BA, MG, PE, RJ, SP BN, FES, FOD Caatinga ES, PR, RJ, SP RST, FOD - RS, SC FOM - BA, ES, GO, MG, PE, PR, RJ, SP FES, FOD, RST Caatinga, Cerrado RJ FOD - 9

27 13. Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger 14. Senegalia nitidifolia (Speg.) Seigler & Ebinger 15. Senegalia olivensana (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger 16. Senegalia parviceps (Speg.) Seigler & Ebinger 17. Senegalia pedicellata (Benth.) Seigler & Ebinger 18. Senegalia pitptadenioides (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger 19. Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose 20. Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger 21. Senegalia recurva (Benth.) Seigler & Ebinger RJ FOD, RST - PR, RS, SC FOD, FOM - BA RST - MG, PR, SP FES, FOD, FOM? RJ FOD - BA FOD - AL, AM, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, SE, SP BN, FES, FOD, RST Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal MG, PE, RJ FOD, RST - ES, RJ FOD, RST Senegalia riparia (Kunth) Britton & Rose in Britton & Killip AM, BA, CE, MG, PI, RJ FOD Amazonia, Caatinga, Cerrado 23. Senegalia santosii (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger 24. Senegalia serra (Benth.) Seigler & Ebinger BA RST Caatinga GO, MG, RJ FES Cerrado? 25. Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose AC, AL, AM, BA, CE, ES, GO, MG, MT, PA, PB, PE, PR, RJ, RS, SC, SP BN, FES, FOD, RST Amazônia, Caatinga, Cerrado 26. Senegalia tucumanensis (Griseb.) Seigler & Ebinger MS, PR, RS, SC FES Pantanal (Silva et al. 2007) 10

28 27. Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger BA, ES, MG, PE, PR, RJ, RS, SC, SP FES, FOD, FOM, RST Caatinga, Cerrado 28. Senegalia sp.1 ES FOD Senegalia sp.2 BA FOD Aspectos morfológicos de Senegalia Raf. do Domínio Atlântico Hábito, caule e ramos Os indivíduos ocorrentes no Domínio Atlântico podem ser arbustos eretos ou escandentes, árvores ou lianas. O hábito pode variar de arbustivo a arbóreo em determinadas espécies (S. bahiensis). É comum que em algumas espécies os indivíduos se desenvolvam em sua fase inicial de vida como arbustos escandentes e na maturidade tornem-se lianas. Dentre as espécies tratadas como Acacia subg. Aculeiferum para a Amazônia, muitas são descritas como cipós (Silva 1990), entretanto, para o semi-árido (Bocage 2005) e no estudo de Senegalia da flora da Caatinga (Queiroz 2009) apenas são descritos os hábitos arbóreo, arbustivo ereto ou escandente. Os caules apresentam formas variadas (Fig. 1a-f), de cilíndricos até lobados, ocasionalmente desenvolvem variações cambiais (Brandes & Barros 2008) e apresentam lobos com ângulos rotundos ou agudos. Frequentemente apresentam disposição emaranhada que resulta de numerosas ramificações secundárias (Fig. 1c, f). Muitos indivíduos se dispõem por sobre as copas das árvores e são frequentemente classificados de forma equivocada como arbóreos ou arbustivos. Os ramos podem ser inermes ou aculeados e geralmente possuem estrias longitudinais. A presença de acúleos pode variar em indivíduos de uma mesma espécie (S. polyphylla). O súber pode ser liso (S. grandistipula), lenticelado (S. polyphylla, Fig. 1b), com estrias longitudinais aculeadas bem definidas (Senegalia serra (Benth.) Seigler & Ebinger, Fig. 1a), 11

29 sutis (S. tenuifolia, Fig. 1c) ou ocasionalmente com súber esfoliante na maturidade (S. tenuifolia, Fig. 1e). As estrias onde se localizam os acúleos, em geral, possuem maior concentração de tricomas do que aquelas inermes e que, neste caso, torna-se comum a presença de lenticelas. Os ramos podem raramente apresentar-se modificados sob a forma de gavinhas, as quais são dotadas de acúleos frequentes (Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger, Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger). Os acúleos, quando presentes nos ramos, se localizam sobre as estrias, porém diferenciando-se na disposição: (a). acúleos individualizados, dispostos em espaços geralmente regulares (Senegalia recurva (Benth.) Seigler & Ebinger), (b). acúleos confluentes e congestos, que conferem aos ramos um aspecto de uma crista serrilhada (S. serra, Fig. 1a), (c). acúleos nodais em número de três, um deles logo abaixo do pecíolo e os dois outros lateralmente dispostos (S. tenuifolia, Fig. 2c); Quanto a forma podem ser: recurvos, quando seu ápice volta-se para a região basal do ramo (Fig. 2a), retos ou incurvos quando o ápice volta-se para a região apical dos ramos (Fig. 2b) Estípulas e folhas As estípulas podem ser foliáceas ou não-foliáceas e variam de lineares (S. lacerans) a ovadas e, mais raramente, são amplamente cordiforme-lanceoladas (Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger) ou reniforme-cordadas (S. grandistipula). As folhas são bipinadas, com pinas que variam de 1-30 pares. Em todas as espécies estudadas é constante a presença de nectários extraflorais, localizados em distintas regiões do pecíolo e também encontrados na raque das folhas e das pinas (Fig. 2f-l; Fig. 3a-d). Os nectários extraflorais peciolares apresentam grande valor na identificação das espécies estudadas. Estes são predominantemente elevado-côncavo (S. polyphylla, Fig. 2f, k- l), mas podem ainda ser verrucosos (S. lacerans), elevado-calicióides (Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger, Fig. 2h), oblongos (S. velutina), globosos (nas raques em S. lacerans), variando de orbiculares, fusiformes a ovados, com ápice côncavo ou convexo, sésseis, subestipitados a estipitados. Sua posição nos pecíolos pode variar do terço inferior, médio, superior ou em posições intermediárias (Fig. 3a-d). 12

30 A raque, geralmente, termina em um apêndice setáceo, ocasionalmente caduco. Os foliólulos são em sua maioria assimétricos e apresentam variações em forma, número e tamanho. Quanto à forma estes podem ser lineares (Fig. 4c; Fig. 10d), linear-oblongos (Fig. 4e), falcado-lineares, lanceolados, elípticos, elíptico-lanceolados (Fig. 4a), elíptico-falcados (Fig. 2b), oblongos, ovado-lanceolados, obovados (Fig. 4d), obovado-lanceolados, obovadolineares a rômbico-ovados. 13

31 Figura 1. Caules: a. 4-5 cristado, com acúleos confluentes em Senegalia serra (Benh.) Seigler & Ebinger; b. em árvore adulta, lenticelado e sem acúleos em S. polyphylla (DC.) Britton & Rose; c. jovem com estrias sutis em S. tenuifolia (L.) Britton & Rose; d. tetralobado em S. martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger; e. com suber esfoliante em S. tenuifolia (L.) Britton & Rose; f. jovem emaranhado em S. limae (Bocage & Miotto) L. P. Queiroz. (a. observado sem voucher ; b. Barros 88; c. Barros 87; d. observado sem voucher; e. Barros 90; f. Barros 89). Fotos: M. Barros. 14

32 Figura 2. Acúleos: a. recurvos em Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger; b. retos a incurvos em S. polyphylla (DC.) Britton & Rose; c. em trios próximos aos nós em S. tenuifolia (L.) Britton & Rose; Estípulas: d. cordiforme-lanceolada em S. bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger; e. reniforme-cordada em S. grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger; Nectários peciolares: f. elevado-côncavo em S. polyphylla (DC.) Britton & Rose (k. vista frontal, l. vista lateral); g. oblongo em S. velutina (DC.) Seigler & Ebinger; h. elevado-calicióides, estipitados em S. martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger; i. globoso em S. lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger; j. fusiforme em S. pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger. (a. Pereira 02/141; b, f, k, l. Ferreira 3209; c. Sucre 3743; d. Sucre 3770; e. Sucre 6320; g. Barros 03; h. Kuhlmann 408; i. Góes 549; j. Farág 255). 15

33 Figura 3. Posições dos nectários extraflorais peciolares: a. no terço médio em Senegalia langsdorffii (Benth.) Seigler & Ebinger; b. no terço médio e superior em S. limae (Bocage & Miotto) L. P. Queiroz; c. no terço superior, logo abaixo do primeiro par de pinas em S. mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger; d. no terço inferior em Senegalia sp.1. (a. Lima 2881; b. Silva & Nascimento 290; c. Ribeiro & Dantas 122; d. Demuner et al. 4829). O número de pares de foliólulos por pina varia de 1 a 70 e o tamanho 0,2-10,5 x 0,05-4,4 cm. Nos indivíduos que ocorrem nas formações florestais os foliólulos, em geral, são maiores do que aqueles das formações de Restingas, onde tendem a formas mais curtas e com ápice obtuso. A venação apresenta-se hifódroma (Fig. 3d), broquidódroma, laxo, reticulódroma ou derivações de broquidódroma, promínula ou impressa, perceptível principalmente na porção distal do limbo. A nervura principal dos foliólulos é, em geral, excêntrica (Fig. 10d), raramente central, e em consequência o limbo é assimétrico. O lado maior e distal do limbo tem tendência a venação broquidódroma e no lado proximal, a rede é mais compacta tendendo ao reticulado (Fig. 4b). Na porção basal e maior do limbo são freqüentemente encontradas nervuras secundárias, fasciculadas, aos pares, trios ou ternos, partindo da axila da nervura principal (Fig. 4a). 16

34 Inflorescências e bractéolas As inflorescências podem ser capitadas ou espigadas e dispostas em fascículos, em unidades compostas denominadas sinflorescências. Segundo Weberling (1992), a forma capitada de inflorescências racemosas presentes em Acacia s.lato teria se originado por uma compressão do tipo espigado. Cialdella (1984) classifica as inflorescências das espécies argentinas em três tipos: espigas típicas, capituliformes ou mais raramente racemos espiciformes muito contraídos. Ambas as inflorescências capitada e espigada dispõe-se sob a forma de fascículos nas sinflorescências, com disposição terminal ou axilar. Estudos filogenéticos demonstraram que os tipos morfológicos das sinflorescências encontrados em Senegalia são considerados variações de uma série de metâmeros, cada qual com uma ou várias unidades de inflorescência (Grimes 1999). Alterações heterocrônicas teriam causado a modificação dos ramos para sinflorescências, através da redução ou perda do desenvolvimento das folhas, um processo denominado histerantia (Grimes 1999). As brácteas apresentam morfologia idêntica à das estípulas, o que pode ser explicado pela origem ontogenética dos eixos das inflorescências acima explicitada. Bractéolas diminutas são ainda encontradas logo abaixo das flores e variam de espatuladas, subespatuladas (Fig. 10f), lineares (Fig. 16f), linear-espatuladas, cuneiformes a cuneiforme-espatuladas, muitas vezes persistentes nas inflorescências após a antese Flores As flores são actinomorfas, bisexuais, raramente apenas masculinas, sésseis, subsésseis ou pediceladas. O cálice é gamossépalo e sempre menor que a corola, entretanto, em diferentes proporções. Apresenta-se de campanulado a infundibuliforme, branco, esverdeado ou amarelado e a corola, gamopétala, também varia de campanulada a infundibuliforme, com coloração esbranquiçada ou amarelada. O androceu apresenta estames livres entre si, numerosos e longos, geralmente uma vez e meia ou o dobro do tamanho da corola, com coloração de branca a amarela. 17

35 Figura 4. Foliólulos: a. elíptico-lanceolados em Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose; b. elípticofalcados em S. miersii (Benth.) Seigler & Ebinger; c. lineares em S. martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger; d. ovados a obovados em S. pedicellata (Benth.) Seigler & Ebinger; e. linear-oblongos em S. bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger. Inflorescências: f. espigadas em S. velutina (DC.) Seigler & Ebinger; g. espigadas curtas em pré-floração em S. pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger. Flor: h. aspecto geral, i. bractéola e j. ovário em S. pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger; k. gineceu e disco nectarífero em secção longitudinal em S. miersii (Benth.) Seigler & Ebinger. (a: Ferreira 3209; b: Farág 149; c: Kuhlmann 408; d: Ducke s.n. (RB 802); e: Duarte 5764; f: Barros 03; g-j: Farág 255; k: Porte s.n. (RB 24940). 18

36 As anteras são coroadas por glândulas caducas com a provável função de produção de essências como recursos para polinizadores, para repelir formigas ou ambos (Stone et al. 2003), grãos de pólen columelados, porados, dispostos em políades com 16 grãos (Guinet 1981). O gineceu, como nas demais Leguminosae, é súpero, monocarpelar e o ovário é sustentado por um estípite que o eleva, geralmente, até a região médio-interior da corola. O ovário, unilocular, é oblongo-fusiforme, glabro ou com indumento viloso ou lanoso, que recobre toda a superfície externa do ovário ou apenas sua porção apical. O estilete é longo e o estigma inconspícuo. Ao redor do estípite é encontrado um espessamento, chamado de disco nectarífero (Fig. 4k), que varia sutilmente de tamanho entre as espécies. Ao descrever esta estrutura, Burkart (1979) utilizou o nome andropódio, pouco freqüente na literatura terminológica. Stone et al. (2003) citam que a secreção de néctar floral não é comum, entretanto há relatos de que esta estrutura pode apresentar função nectarífera (Pedley 1986) Frutos O tipo predominante é o legume (Fig. 16i) e em Senegalia miersii (Benth.) Seigler & Ebinger e Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger ocorre o tipo folículo. Os legumes são bastante semelhantes aos de algumas espécies do gênero Piptadenia, enquanto que os folículos demonstram maior similaridade aos frutos de Pseudopiptadenia Rauschert. As espécies estudadas apresentaram grande variação interespecífica no tamanho do fruto, porém com grupos de espécies apresentando tamanhos similares, em geral com 5,5-36 x 1,2-7 cm. Em relação à consistência estes podem ser cartáceos ou coriáceos. A base dos frutos geralmente possui um estípite de tamanho variável (Fig. 10i, Fig. 16i), enquanto o ápice pode ser obtuso, acuminado ou apiculado; as margens são pronunciadas, retas ou sinuosas; as valvas podem ser glabras ou com numerosos tricomas e lisas ou apresentando rugosidades no epicarpo. Quanto à coloração, em geral possuem variações de castanho (S. lacerans), marrom a negro (S. polyphylla) ou raramente com tons de purpura (Senegalia limae (A. Bocage & Mioto) Seigler & Ebinger, Senegalia riparia (Kunth) Britton & Rose ex Britton & Killip). 19

37 Sementes As sementes apresentam funículos longos, relativamente espessos quando comparados a funículos de outros gêneros de Mimosoideae, e em geral contorcidos na região próxima ao hilo (Fig. 16j), raramente inconspícuos (S. miersii e S. mikanii). As sementes são orbiculares, elítpicas, oblongas ou variações destas. A testa é rígida, negra ou castanho-escura, freqüentemente apresentando hilo bem definido, com pleurograma mediano (S. recurva, Fig. 16j) ou apical-basal (S. tenuifolia), raramente é ausente. Ocasionalmente, as sementes podem apresentam-se marginadas e planas (S. miersii e S. mikanii). O embrião não é envolvido por endosperma e os cotilédones são plano-convexos, membrano-carnosos, parcial ou totalmente criptoradiculares. Nas espécies examinadas, a plúmula é desenvolvida e diferenciada em eófilos segmentados, conspícuos. Algumas vezes já são visíveis os primórdios de estípulas (S. grandistipula). 20

38 Figura 5. Frutos: a. folículo em Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger. b. legume em S. grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger; Semente (S. grandistipula): c. funículo alongado e contorcido próximo ao hilo; d-e. embrião com um cotilédone destacado; f. eixo hipocótiloradícula; g. plúmula com eófilos desenvolvidos (a. Lima & Lewis 5417; b-g. Lima 3001). 21

39 3.2. Tratamento taxonômico Descrição do gênero Senegalia Raf., Sylva telluriana Espécie-tipo: Senegalia triacantha Raf., nome ilegítimo baseado em Mimosa senegal L. [Senegalia senegal (L.) Britton & P. Wilson (1930)]. Arbustos eretos a escandentes, lianas ou árvores, com caules cilíndricos a lobados. Ramos estriados, glabros ou com indumentos variados, inermes ou aculeados. Estípulas foliáceas ou não-foliáceas, persistentes ou caducas. Folhas bipinadas com nectários extraflorais sésseis ou estipitados, presentes no pecíolo e ocasionalmente na raque da folha e das pinas; pecíolos e raques canaliculados, glabros ou com indumento variável; foliólulos lineares, linear-oblongos, falcado-lineares, lanceolados, elípticos, elíptico-lanceolados, elíptico-falcados, oblongos, obovados, obovado-lineares a rômbico-ovados. Inflorescências capitadas ou espigadas, em sinflorescências axilares ou terminais. Flores de alvo-amareladas a amarelas, geralmente pentâmeras, raro tetrâmeras e hexâmeras, bissexuais; cálice gamossépalo, sempre menor que a corola; corola gamopétala; disco nectarífero presente; androceu com cerca de estames, filetes livres; anteras rimosas com glândula apical, em geral, caduca após a antese; gineceu com ovário estipitado, glabro ou com indumento. Fruto legume, raro folículo, plano, reto ou falcado, de cartáceo a coriáceo. Semente de elíptica a circular, funículo longo, em geral contorcido na região hilar; testa marrom ou negra, pleurograma apical-basal ou mediano, raro ausente; cotilédones plano-convexos, membranocarnosos, parcial ou totalmente criptoradiculares, plúmula desenvolvida, diferenciada em eófilos segmentados. As espécies de Senegalia apresentam ampla distribuição, ocorrendo nas Américas, África, Ásia, Austrália e têm como centro de diversidade a região neotropical (Seigler et al. 2006). As espécies americanas estão presentes tanto em florestas úmidas como em áreas de formações vegetacionais secas (Queiroz 2009). As 52 espécies reconhecidas para a flora brasileira ocorrem em todos os domínios fitogrográficos (Morim & Barros 2010). Para o Domínio Atlântico foram registradas 29 espécies (Tab. 1), as quais são encontradas na maioria das distintas fitofisionomias, exceto em áreas alagaveis, Campos de Altitude e Manguezais. 22

40 Chave para identificação das espécies de Senegalia Raf. do Domínio Atlântico 1. Estípulas foliáceas, amplas, maiores que 1,2 cm de compr., cordiforme-lanceoladas a reniforme-cordadas, em geral persistentes Arbustos ou árvores; caule cilíndrico; estípulas cordiforme-lanceoladas; 1 nectário extrafloral peciolar; inflorescências capitadas S. bahiensis 2. Lianas; caule quadrangular; estípulas reniformes a reniforme-cordadas; 2-3 nectários extraflorais peciolares; inflorescências espigadas S. grandistipula 1. Estípulas não-foliáceas, pequenas, com até 0,9 cm de compr., setáceas, filiformes, lanceoladas, escamiformes, lineares ou linear-lanceoladas, em geral caducas Inflorescência espigada Folhas com apenas 1 par de pinas S. piptadenioides 4. Folhas com mais de 1 par de pinas Nectários extraflorais peciolares de elevado-côncavos ou fusiformes Folhas com 4-[7-10] pares de pinas; nectário extrafloral peciolar fusiforme, nectários ausentes entre os pares de pinas terminais; foliólulos com ápice oblíquoacuminado S. pteridifolia 6. Folhas com 6 a 18 pares de pinas; nectário extrafloral peciolar elevado-côncavo, circular, elíptico, nectários presentes entre os pares de pinas terminais; foliólulos com ápice agudo Folhas 6 a 10-[11] pares de pinas; cálice canescente, corola velutina; legumes cartáceos; sementes circulares S. bonariensis 7. Folhas 11 a 18 pares de pinas; cálice puberulento, corola glabra, legumes coriáceos, sementes oblongas S. lowei 5. Nectários extraflorais peciolares verrucosos ou oblongos Folhas 11 a 24 pares de pinas; foliólulos lineares, 0,5-1 mm de largura; cálice campanulado S. lacerans 8. Folhas 6 a 12 pares de pinas; foliólulos oblongo-lanceolados, 1-2,5 mm de largura; cálice urceolado S. velutina 3. Inflorescência capitada Foliólulos elíptico-falcados, elíptico-obovados ou rômbico-obovados

41 10. Foliólulos 6-9 pares por pina, 8-18 mm de comprimento por 4-10 mm de largura, estípulas filiformes, 4-8 mm de comprimento por 0,5-1 mm de largura Senegalia sp Foliólulos 1-5-[6-10] pares por pina, mm de comprimento por 8-44 mm de largura, estípulas filiformes ou setáceas, com 1,5-4,5 mm de comprimento por 0,5 mm de largura Folhas 3-5 pares de pinas, foliólulos com ápice agudo, bractéolas linear-espatuladas, ovário, viloso S. kallunkiae 11. Folhas 1-2 pares de pinas, foliólulos com ápice acuminado a obtuso, bractéolas cuneiformes ou espatuladas, ovário glabro Estípulas filiformes, nectário extrafloral no terço médio do pecíolo, folhas com um par de pinas S. miersii 12. Estípulas setáceas, nectário extrafloral no terço superior do pecíolo, folhas com dois pares de pinas S. mikanii 9. Foliólulos lanceolados, lineares, falcado-lineares, falcado-lanceolados, elípticos, oblongos, oblongo-lineares, ovado-lanceolados, obovados ou obovado-lanceolados Nectário (ou nectários) extrafloral peciolar séssil, raro subséssil Ramos com acúleos de retos a incurvos Folhas com 4 a 6 pares de pinas, foliólulos ovado-lanceolados a obovado-lanceolados, com mm de comprimento por 4-15 mm de largura, legumes com mm de comprimento por 6-7 cm de largura S. giganticarpa 15. Folhas com 7 a 19 pares de pinas, foliólulos lanceolados a elípticos, com 3-12 x 1-5 mm, legumes cartáceos, com 11,5-24 cm de comprimento por 2,5-4,5 cm de largura S. polyphylla 14. Ramos com acúleos recurvos ou inermes Folhas com 20 a 30 pares de pinas, acúleos confluentes, justapostos S. serra 16. Folhas com 4 a 20 pares de pinas, acúleos não confluentes, dispostos em trios quando na região nodal ou separados e dispersos pelos ramos ou ausentes Folhas com 10 a 20 pares de pinas, ramos com acúleos em trios quando na região nodal S. tenuifolia 17. Folhas com 2 a 10 pares de pinas, acúleos dispostos de outras formas ou ramos inermes

42 18. Foliólulos oblongos, ovados ou obovados com ápice rotundo-apiculado a retuso Foliólulos de 4 a 6 pares por pina, ovário glabro, legumes retos S. pedicellata 19. Foliólulos de 7 a 10 pares por pina, ovário viloso, legumes falcados S. olivensana 18. Foliólulos lineares, elípticos, falcado-lineares ou falcado-lanceolados, com ápice obtuso, obtuso-apiculado, agudo, acuminado ou apiculado Ramos inermes Folhas com 9 a 10 pares de pinas, nectário extrafloral no terço médio-inferior do pecíolo, 9-28 pares de foliólulos por pina, venação hifódroma, ovário viloso Senegalia sp Folhas com 4 a 6 pares de pinas, nectário extrafloral no terço superior do pecíolo, abaixo do primeiro par de pinas, pares de foliólulos por pina, venação broquidódromoreticulada laxa, ovário glabro S. santosii 20. Ramos aculeados Foliólulos em 32 a 45 pares por pina, venação broquidódroma laxa S. magnibracteosa 22. Foliólulos em 6 a 30 pares por pina, venação hifódroma Cálice glabro, ou com tricomas esparsos sobre os dentes, corola tubular, sementes com pleurograma mediano S. riparia 23. Cálice canescente, puberulento ou glabrescente, corola infundibuliforme ou campanulada, sementes com pleurograma apical-basal Dois nectários extraflorais peciolares, raro um, foliólulos com faces glabras, flores curtamente pediceladas, corola infundibuliforme, ovário glabro S. recurva 24. Um nectário extrafloral peciolar, foliólulos com faces canescente-puberulentos a canescentes, flores sésseis, corola campanulada, ovário lanoso S. langsdorffii 13. Nectário (ou nectários) extrafloral peciolar estipitado Foliólulos com venação hifódroma ou aparentemente eucamptódroma laxa Corola tubular, foliólulos com 1,3-2,5 mm de comprimento S. parviceps 26. Corola campanulado-infundibuliforme ou infundibuliforme, foliólulos com 2-7 mm de comprimento Ramos tomentosos sobre as estrais, com tricomas pálido-dourados, raro glabros, cálice viloso, corola glabra ou papilosa nos lacínios, ovário totalmente glabro S. martiusiana 25

43 27. Ramos glabros ou puberulentos, tricomas pálido-dourados ausentes, cálice pubescente, corola puberulenta nos lacínios, ovário totalmente viloso ou apenas na porção superior S. tucumanensis 25. Foliólulos com venação broquidódroma laxa Ramos cilíndricos, nectários extraflorais peciolares com ápice truncado, foliólulos com 3-5 mm de comprimento por 1-2,2 mm de largura, flores sésseis S. limae 28. Ramos quadrangulares, nectários extraflorais peciolares com ápice clavado, foliólulos com 4-13 mm de comprimento por 2-4 mm de largura, flores pediceladas S. nitidifolia 26

44 Descrição das espécies de Senegalia do Domínio Atlântico 1. Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia bahiensis Benth. Trans. Linn. Soc. London 30 (3): Tipo: Brasil, Bahia: Habitat In Silvis Catingas provinciae Bahiensis: C. F. P. von Martius 6171 [holótipo: M (fotos do holótipo G, M!, MO!); isótipos: F, NY]. Acacia tavaresorum Rizzini, Leandra 4: Tipo: Habitat in provincial Bahiensi, D. P. Lima (holótipo: RB!). Mapa 2; Fig. 2d; Fig. 4e; ilustração adicional: Bocage (2005). Arbustos ou árvores, 2,5-11 m alt., caule cilíndrico. Ramos cilíndricos a subquadrangulares, pubérulos, inermes ou com acúleos retos, subincurvos a recurvos, separados entre si, em geral enegrecidos no ápice. Estípulas foliáceas, cordiformelanceoladas, ocasionalmente caducas, 1,2-2 X 0,5-2 cm. Folhas 8-10 pares de pinas, pecíolo 2,0-2,5 cm, esparso-pubescente, 2-2,5 cm compr.; 1 nectário extrafloral peciolar elevado, subgloboso, próximo a porção mediana ou entre o par basal de pinas; raque 4,5-16 cm, um nectário extrafloral subestipitado entre o par de pinas terminal, esparsamente aculeada; raques das pinas com nectários elevado-côncavos, um entre cada um dos 2-3 pares de foliólulos terminais; foliólulos subsésseis, peciólulos 0,5 mm, linear-oblongos, base truncada e ápice acuminado, 7-20 pares por pina, venação broquidódroma laxa, glabros ou esparsamente pilosos, 5-20 x 2-7 mm, levemente discolores. Brácteas idênticas às estípulas. Inflorescências capitadas, 2-4-fasciculadas, dispostas em sinflorescências axilares ou terminais. Bractéolas espatuladas. Flores subsésseis, pedicelo ca. 0,5 mm a pediceladas, pentâmeras; cálice campanulado, pubescente, 3,8-4,1 mm; corola infundibuliforme, 4-6 mm, glabra, papilas nos bordos; ovário viloso. Legume levemente falcado, cartáceo, velutino a glabrescente, x 2-2,3 cm, castanho-claro. Semente elípsóide, 6-11 por fruto, 1-1,1 x 0,8-0,9 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Santa Cruz da Vitória, 18 km da estrada a Itajú do Colônia, 23.X.1969, fl., T. S. Santos 436 (RB). Santa Cruz da Vitória / Itajú do Colônia, 19.XII.1967, A. Castellanos (HB, MBM). Poções, km 2 a 4 da estrada que liga Poções (BR-116) ao povoado de Bom Jesus da Serra (ao W de Poções), 5.III.1978, fl., S. A. Mori et 27

45 al (RB). Valente, Santa Bárbara, 11º56 S, 38º57 W, 29.XII.1992, fl., L. P. Queiroz 3016 (CEPEC, MBM). MINAS GERAIS: Itaobim - Vitória da Conquista, BR 116, 27.IX.1999, fr., S. M. de Faria et al (RB). Jequitinhonha, arredores, 15.VI.1986, fr., G. Hatschbach & J. M. Silva (MBM). Medina, 3.IV.1979, fl., C. T. Rizzini & A. Mattos 1136 (RB); PERNAMBUCO: Floresta, Reserva Biológica de Serra Negra, 80º37 30 S, 37º09 15 W, m elev., 25.X.1996, M. J. N. Rodal et al. 686 (PEUFR); RIO DE JANEIRO: Arraial Do Cabo/ Cabo Frio, 5.X.1968, fl., D. Sucre 3770 (IPA, RB). Niterói, Parque Estadual da Serra da Tiririca, Pedra de Itacoatiara, 29.X.1998, fl., F. C. Pinheiro 188 (RB). Nova Iguaçu, Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu, 19.III.2003, fr., M. C. F. Santos & A. A. Valente 1283 (RB). Rio de Janeiro, Barra da Tijuca, margem da lagoa, 30.IX.1987, fl., A. P. Duarte 5040 (HB, IPA, RB). Rio de Janeiro, Gamboa, 20.I.1967, fr., D. Sucre 1414 (RB). Rio de Janeiro, Gávea, Morro do Sacopan, 20.II.1941, fr., J. G. Kuhlmann s.n. (RB 57492). Rio de Janeiro, Grumari, 19.I.2005, fr., R. D. Ribeiro et al. 353 (RB). Rio de Janeiro, Jacarepaguá, Sítio Santa Maria, 22º55 22 S, 43º26 63 W, 260 m Elev., 23.I.2002, fr., A. Quinet 43/144 (RB). Rio de Janeiro, Margem da estrada na Barra da Tijuca em rochedo, 19.XII.1928, fl., A. Ducke s.n. (RB 21048). Rio de Janeiro, Morro da Babilônia, X.1914, fl., F. C. Hoehne s.n. (SP 24835). Rio de Janeiro, Morro de São João, encosta de Botafogo, 1.XI.1970, fl., J. P. P. Carauta 1249 (GUA). Rio de Janeiro, Morro Cara de Cão, 25.X.1970, fr., J. P. P. Carauta 1228 (GUA). Rio de Janeiro, Parque Estadual da Pedra Branca, Floresta do Camorim, Laje do Ravi, 28.VIII.1982, fr., E. L. Costa & R. Ribeiro 218 (RB). Rio de Janeiro, Sacopan, 6.IX.1960, fl., A. P. Duarte 5277 (HB, RB). São Pedro D Aldeia, 14.X.1987, fl., D. Araujo & L. Fischer 8316 (GUA). Saquarema, Rod. Amaral Peixoto, 22º51 07 S, 42º35 38 W, 13.I.2005, H. C. Lima et al (RB); RIO GRANDE DO NORTE: Pureza, 17.VII.2006, fl., J. E. Araujo et al. 102 (UFP). Distribuição geográfica: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Hábitat: nas formações florestais do Domínio Atlântico está presente em Floresta Ombrófila Densa e Restinga. É encontrada em matas de cipó, sopé de serras e encostas, sendo mais freqüente em vegetações secundárias e abertas. Ocorre também na Caatinga. 28

46 Épocas de floração e frutificação: floresce de setembro a julho e frutifica de setembro a agosto. A espécie, mesmo em fase estéril, é facilmente reconhecida pelas estípulas cordiforme-lanceoladas, contudo, estas podem ser caducas em exemplares com frutos. Apresenta similaridades com S. grandistipula, principalmente pelas estípulas amplas. Diferencia-se pelo formato das estípulas, cordiforme-lanceoladas (vs reniforme-cordadas em S. gandistipula), do hábito arbustivo ou arbóreo (vs liana), nectários extraflorais estipitados (vs sésseis a subestipitados), entre o par basal de pinas (vs no terço inferior, médio e superior) e pelas inflorescências capitadas (vs espigadas). Na Caatinga pode tornar-se escandente em vegetações mais adensadas (Queiroz 2009). A espécie Senegalia tamarindifolia (L.) Britton & Rose, que ocorre em regiões caribenhas, na Colômbia e Venezuela foi assinalada para o Rio de Janeiro por Rico-Arce (2007). Segundo os caracteres observados na prancha tipo de S. tamarindifolia: t. 7 de Plumier (1755) e em sua descrição original, a espécie possui similaridades com S. bahiensis, principalmente em relação às estípulas amplas e aos acúleos ocasionalmente retos. É possível que Rico-Arce (2007) tenha considerado a ocorrência desta espécie para o Rio de Janeiro com base no material Duarte 5277 (RB), identificado pela especialista como S. tamarindifolia. Considerando-se, entretanto, que não foram examinados espécimes de S. tamarindifolia e também a observação de Bentham (1875) que a espécie é distinta de S. bahiensis, adotou-se no presente trabalho para S. tamarindifolia a área de ocorrência circunscrita por Bentham (1875), com limite na Venezuela. O exemplar Duarte 5277 (RB) foi aqui considerado como pertencente à S. bahiensis. 2. Senegalia bonariensis (Gillies ex Hook. & Arn.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia bonariensis Gillies ex Hook. & Arn., Bot. Misc. 3: Tipo: Argentina. Buenos Aires, Dr. Gillies s.n. [lectótipo designado por Seigler et al. (2006): K (foto K!)]. Mapa 2; Ilustração: Spegazzini (1924); Rico-Arce (2007). Arbustos, 1-4 m. alt. Ramos cilíndricos, nitidamente estriados, incano-pubescentes a glabrescentes, acúleos esparsos, recurvos, separados entre si, geralmente nodais, às vezes ausentes. Estípulas setáceas. Folhas 6-10-[11] pares de pinas; pecíolo 1,3-2 cm compr., um nectário extrafloral elevado-côncavo, elíptico, no terço inferior a médio do pecíolo; raque 5-29

47 7,5 cm compr., inerme ou acúleos diminutos e esparsos na porção inferior, nectários elevadocôncavos, circulares, um entre cada 1-3 pares de pinas terminais; raque das pinas sem nectários; foliólulos lineares, base truncada, ápice agudo, sésseis a subsésseis, peciólulo ca. 0,5 mm compr., venação hifódroma, faces glabras, margens ciliadas, pares por pina, 2-5 x 0,5-1 mm, discolores. Brácteas setáceas, 2,5-3 x 0,5-1 mm. Inflorescências espigadas, 1,8-4,6 cm, 1-3-fasciculadas, em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis ou com pedicelo de 0,4 mm, pentâmeras, incano-tomentoso, cálice urceolado, canescente, 2,1-2,2 mm compr., corola campanulada, velutina, 2,3-3 mm compr.; ovário viloso. Legume reto, estípite com 1,2-1,5 cm, pubescente a glabrecente, cartáceo, castanho-claro, 8,5-9 x 2-2,5 cm. Sementes circulares a elipticas, 0,4-0,6 x 0,4-0,5 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. RIO GRANDE DO SUL: Capão do Leão, 11.VII.1987, fl., J. A. Jarenkow 622 (MBM). Estação, Rio Grande, s.data, fl. e fr., J. Berlandes 52 (SP). General Câmara, Santo Amaro, 10.XII.1996, fl., A. M. Carneiro 314 (ICN). Gravataí, estrada Porto Alegre Gravataí, 26.I.1960, fl., Schultz 2187 (ICN). Osório, Palmital, 30.XII.1996, fl., J. A. Jarenkow 3473 (MBM). Porto Alegre, 1.II.1960, fl. e fr., L. R. M. Baptista s.n. (ICN 2193). Porto Alegre, Ilha da Conga, 5.V.1977, fl. e fr., S. T. S. Miotto 487 (ICN). Porto Alegre, Serraria, 12.I.1975, fl., L. Arzivenco s.n. (ICN 45294). Rio Grande, s. data, fl., s. col. (R 6901). Triunfo, XII.1986, fl., M. Sobral et al (SP, SPF). S. local, 1941, fr., E. Vianna 172 (RB). SÃO PAULO. São Paulo, Cantareira, Cult. no Horto, fl., I.1902, A. Hammar s.n. (SP 18967). Material adicional examinado: ARGENTINA. Corrientes, Mercedes, Estância Yacare, 28º45 S, 58º03 W, 2.XII.1998, fl., A. M. M. Schinini et al (ALCB). Elizalde, 12.II.1952, fl., A. L. Cabrera 2049 (SP). Elizalde, circa de La Plata, 15.I.1929, fl., A. L. Cabrera 602 (SP). Entre Rios, Camino entre Concepción Del Uruguay e Colón, fl., 20.XII.1941, fl., E. Nicora 3166 (SP). Distribuição geográfica: no Brasil ocorre como nativa apenas no estado do Rio Grande do Sul, cultivada em São Paulo. Ocorre também na Argentina, Paraguai, Uruguai (Cialdella 1984), e é ainda citada para a Bolívia (Rico-Arce 2007). 30

48 Hábitat: no Domínio Atlântico é encontrada em áreas de Floresta Ombrófila Densa e Restingas, sendo também citada para as florestas estacionais de terras baixas, floresta de chaco e margens de rios (Rico-Arce 2007). Épocas de floração e frutificação: floresce de dezembro a julho e frutifica principalmente de abril a maio. Nomes populares: angico-vermelho, unha-de-gato ou quebra-foice (RS). A espécie é afim de S. lowei pelas inflorescências espigadas e foliólulos lineares com venação hifódroma. Entretanto difere principalmente pelo número de pares de pinas de 6 a 10, raramente 11 (vs 11 a 18 em S. lowei). Segundo a descrição de Cialdella (1984), os espécimes ocorrentes na Argentina podem apresentar foliólulos alcançando até 9 x 2 mm (vs máximo de 5 x 1 mm nos espécimes brasileiros). Na obra original de S. bonariensis é feita referência à espécie A. incana DC. (not Spreng.), como sendo uma espécie relacionada. Entretanto, o binômio A. incana DC. não é mencionado nos recentes trabalhos com atualizações nomenclaturais para Senegalia e Acacia (Seigler et al. 2006; Rico-Arce 2007). O binômio também não foi localizado em De Candolle (1825) e em consuta feita ao IPNI (2010). O material Hatschbach (CEPEC), identificado como S. bonariensis, é indicado na exsicata como uma coleta realizada em Cândido Sales (BA), em região de Caatinga. No entanto, não há outros registros de coleta ou em bibliografia que atestem ocorrência da espécie para este domínio (Bocage 2005; Rico-Arce 2007; Queiroz 2009). 31

49 Mapa 2. Distribuição geográfica de Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. bonariensis (Gillies ex Hook & Arn.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. 3. Senegalia giganticarpa (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia polyphylla var. giganticarpa G. P. Lewis, Kew Bull. 51: Tipo: Brazil. Bahia: munícipio de Itabuna, c. 3 km NW of Juçari, 8.III.1978, S. A. Mori et al [holótipo: CEPEC!; isótipos: F, K, NY, RB!, US (foto do isótipo NY!)]. Mapa 5; Ilustração: Lewis (1996b). Árvores 8-20 m alt., caule cilíndrico, aculeado. Ramos cilíndricos, esparsos pubescentes, acúleos esparsos, de retos a incurvos, separados entre si. Estípulas lineares, 2-7 mm compr., caducas. Folhas 4-6 pares de pinas; pecíolo 2,5-6 cm compr., pubescente, com um nectário extrafloral elevado-côncavo no terço inferior, séssil; raque cm, um nectário extrafloral entre o par de pinas terminal, outro ocasional entre o par de pinas anterior, inermes, raro com acúleos diminutos; foliólulos ovado-lanceolados a obovado-lanceolados, base assimétrica, obtusa e ápice acuminado-apiculado, raro retuso-apiculado, subsésseis, peciólulo até 1 mm, de 9-20 pares por pina, venação broquidódroma, esparso seríceos na face 32

50 abaxial ou em ambas as faces, x 4-15 mm, fortemente discolores. Brácteas escamiformes, dispostas em conjuntos. Inflorescências capitadas, paucifloras, 2-4- fasciculadas, fascículos dispostos em sinflorescências terminais; 1 mm, estriadas; bractéolas cuneiformes. Flores sésseis, incano-pubescentes a tomentosas, pentâmeras, cálice 2-3,5 mm compr., corola 3-4,5 mm compr., ambos campanulados; ovário viloso. Legume reto, oblongo, glabro, coriáceo, x 6-7 cm. Semente circular, 1,3-1,7 cm, sem pleurograma. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Buerarema, Rodovia BR 101, trecho São José/Pratas, 5 km ao Sul de São José, 7.II.1986, fr., T. S. Santos 3983 (CEPEC, RB). Ilhéus, área do CEPEC, 11.XI.1994, fl., J. G. Jardim et al. 590 (MBM). Itabuna, saída de Camacan a Itaimbé, 28.XI.1968, fl., J. Almeida & T. S. Santos 251 (CEPEC). Itapebi, Local conhecido como Ventania, BR-101, km 656, 23.VII.2008, fr., R. D. Ribeiro et al (RB). Jussari, Rod. Jussari/Palmira, RPPN Serra do Teimoso, 15º10 S, 39º35 W, m Elev., 17.II.1998, fr., J. G. Jardim et al (CEPEC). Santa Cruz de Cabrália, Área da estação ecológica do Pau-brasil (ESPAB), ca. 16 km a W de Porto Seguro, 10.XII.1987, F. S. Santos 767 (CEPEC, RB); ESPÍRITO SANTO: Afonso Cláudio, de Laranja da Terra para Afonso Cláudio, 12.IX.1992, fr., V. de Souza 377 (RB). Colatina, Patrimônio, Rio Doce, 30.XI.1943, fl., J. G. Kuhlmann 6566 (RB). Colatina, de Colatina a São Gabriel, 11.XII.1991, fl., D. A. Folli 1514 (RB). Laranja da Terra, 8.VII.1996, fr., G. Hatschbach et al (CEPEC, MBM). Pancas, Fazenda Gambá de Agustinho Coelho, 16.VIII.1990, fl., E. N. Moraes 12 (RB). Santa Teresa, beira da estrada para o 25 de Julho, 3.XII.1998, fl., L. Kollmann et al (RB). Santa Teresa, São João de Petrópolis, 1.XII.1987, fl., A. Dalcomo s.n. (CEPEC 67176, MBML 4320). MINAS GERAIS: Nanuque a Teófilo Otoni, 14.VIII.1965, fr., J. P. Lanna Sobrº 1097 (IPA). Teófilo Otoni, Margem da Rodovia Nanuque, 14.VIII.1965, fr., R. P. Belém 1593 (CEPEC). Distribuição geográfica: Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. Hábitat: Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Densa, em áreas abertas. Épocas de floração e frutificação: floresce de agosto a novembro e frutifica de agosto a fevereiro. Nomes populares: mucitaíba-mongo ou braúna-mongo (BA) e angicão (ES). 33

51 Originalmente descrita por Lewis (1996b) como uma variedade de S. polyphylla, este táxon foi posteriormente elevado à categoria de espécie por Seigler et al. (2006). Apresenta grandes similaridades com S. polyphylla, principalmente em relação ao formato dos ramos flores e frutos, diferenciando-se desta pelo menor número de pares de pinas que vai de 4 a 6 (vs 7 a 19 em S. polyphylla), maior tamanho dos foliólulos, de x 4-15 mm (vs 3-12 x 1-5 mm) e maior dimensão dos frutos, com 21,0-36,0 x 6,0-7,0 cm (vs 11,5-24 x 2,5-4,5 cm). Além disto, em S. giganticarpa as sementes não apresentam pleurograma, ao contrário de S. polyphylla, onde este é sempre encontrado, ainda que de forma sutil. É citada para o estado do Rio de Janeiro (Rico-Arce 2007), contudo, no material examinado no presente trabalho, não foram encontrados exemplares que atestem a ocorrência da espécie para este estado. 4. Senegalia grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia grandistipula Benth., Lond. J. Bot. 1: Tipo: Brasil, Rio de Janeiro, habitat in Serra dos Órgãos, G. Gardner 361 [lectótipo designado por Seigler et al. (2006): K (fotos K!, NY)]. Mapa 3; Fig. 2e; Fig. 5b-g; Fig. 6a-b; Ilustração adicional: Rico-Arce (2007). Lianas, 4-10 m alt., caule quadrangular. Ramos quadrangulares, pubérulos a glabrescentes, acúleos de esparsos a densamente dispostos, recurvos, separados entre si. Estípulas foliáceas, reniformes a reniforme-cordadas, x 8-25 mm. Folhas 4-8 pares de pinas; pecíolos 2,5-4,5 cm compr., glabrescentes; 2-3 nectários extraflorais peciolares sésseis a subestipítados, elevado-globosos a elevado-côncavos, de posição no terço inferior, médio e superior, o basal geralmente maior; raque 9,0-14,5 cm., aculeada, um nectário extrafloral elevado-côncavo, subséssil, próximo ao par de pinas terminal; raque das pinas com 9-13 nectários extraflorais elevado-côncavos, subsésseis, próximos aos pares de foliólulos superiores; foliólulos oblongos, base truncada, ápice acuminado, agudo ou obtuso, subsésseis, pecíolulo 1 mm, 6-17-[20] pares por pina, venação broquidódroma, esparsamente seríceos, x 3-13 mm, levemente discolores. Brácteas similares às estípulas. Inflorescências espigadas, 2-4-fasciculadas, dispostas em sinflorescências axilares ou terminais. Bractéolas espatuladas. Flores pediceladas, pedicelos 1-2 mm, pentâmeras, cálice de campanulado a infundibuliforme, esparsamente viloso, 2,5-3,5 mm compr.; corola infundibuliforme, 3,5-5 34

52 mm compr., glabra, papilas nos bordos dos lacínios; ovário viloso. Legume reto, glabro, cartáceo, castanho-claro, margens levemente onduladas, valvas abauladas, com manchas enegrecidas sobre as sementes, x 3-3,5 cm. Semente de circular a obovada, 0,8-1,1 x 0,6-0,9 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Jussarí, RPPN Serra do Teimoso, 15º9 43 S, 39º32 20 W, 641 m Elev., 17.VII.2003, fr., A. M. Amorim 3784 (CEPEC). Maraú, estrada para Maraú, vegetação de borda em barranco na beira da estrada, 14º12 90 S, 39º03 56 W, 36 m elev., 25.XI.2009, M. J. F. Barros et al. 53 (RB). Olivença, Parque dos Orixás, 17.X.1998, fl., G. Hatschbach et al (MBM); ESPÍRITO SANTO: Domingos Martins, BR 262, ca. de 2 km após Santa Isabel, 20º23 3 S, 40º38 10 W, 14.XI.2008, fl., H. C. Lima 7012 (RB). S.local: norte, Córrego da preguiça, 7.XI.1953, fl., A. P. Duarte & J. C. Gomes 3682 (RB). Santa Leopoldina, Distrito de Chaves, 17.I.2008, fr., F. L. R. Filardi et al. 784 (RB). Santa Leopoldina, Colina Verde, Morro do Agudo, 20º5 53 S, 40º26 24 W, m elev., 30.V.2007, fr., V. Demuner et al (RB). Santa Leopoldina, Serra do Ramalhete, 20º03 30 S, 40º28 14,3 W, m elev., 14.II.2006, fr., V. Demuner et al (MBML, RB). Santa Teresa, Vale do Canaã, 4.XII.1985, fl., W. Boone 942 (CEPEC). MINAS GERAIS: Viçosa, on the road to Ubá, 26.XI.1958, fl., H. S. Irwin 2154 (VIC); PARANÁ: Antonina, Morro Grande, 13.XII.1967, fl., G. Hatschbach (RB). Antonina, Rio do Nunes, 14.XI.1994, fl., G. Hatschbach & J. M. Cruz (CEPEC, MBM). Antonina, Usina Hidrelétrica Parigot de Souza, 6.XI.1992, fl. e fr., G. Hatschbach & Barbosa (CEPEC, MBM). Bocaiúva do Sul, Parque Estadual das Lauráceas, 28.XII.1994, fl., G. Hatschbach & J. M. Silva (CEPEC, MBM). Campina Grande do Sul, 20.I.1962, fl., G. Hatschbach 9861 (MBM). Cerro Azul a Adrianópolis, 17.XII.1992, fl., G. Hatschbach & O. S. Ribas (MBM). Guaraqueçaba, Reserva Natural Salto Morato, 21.I.1999, fl., A. L. S. Gatti & G. Gatti 128 (UPCB). Guaratuba, Serra de Araçatuba, 21.XII.1967, fl., G. Hatschbach (MBM). Morretes, Rio Bromado, 28.XII.1977, fl., G. Hatschbach (MBM). Rio Branco do Sul, Serra do Brumado, 25.III.1986, fr., A. M. Carvalho & J. M. Silva 2357 (CEPEC, MBM, RB); PERNAMBUCO: Quipapá, Eng. Brejinho, 22.III.1967, fl., A. Lima (IPA); RIO DE JANEIRO: Carmo, Córrego do Bambuzinho, 21º57 59 S, 42º36 26 W, 330 msm elev., 27.VII.2010, fr., M. J. F. Barros et al. 82 (RB). Itatiaia, Parque 35

53 Nacional do Itatiaia, 10.XII.2005, fl., A. F. Brandes & J. P A. Pires 71 (RB). Miguel Pereira, Estrada do Comércio, 22.V.2007, fr., H. C. Lima et al (RB). Nova Iguaçu, Serra de Tinguá, 5.XII.1987, fl., M. Gomes & Z. Faria 280 (RB). Rio de Janeiro, Maciço da Tijuca, Serra dos Pretos Forros, vertente para a estr. Grajaú-Jacarepaguá, próximo à Garganta do Matheus, 2.V.2004, fr., C. A. L. Oliveira (GUA). Santa Maria Madalena, Parque Estadual do Desengano, 24.VI.1987, fr., H. C. Lima et al (IPA, MBM, RB). São Sebastião do Alto - Santa Maria Madalena, margem do Rio Grande, 17.III.1981, fr., M. G. A. Lobo 238 (RB). Volta Redonda, 13.VIII.1987, fr., M. P. M. Lima et al. 153 (RB); SÃO PAULO: Cananéia, Ilha do Cardoso, 9.V.1986, fr., F. Barros & P. Martuscelli 1269 (RB). Pariquerá-açu, 24º40 33 S, 47º52 37 W, 13.III.1996, N. M Ivanauskas 720 (MBM). Pariquerá-Açú, 24º36 30 S, 47º53 06 W, 16.II.1995, fr., H. F. Leitão Filho et al (SPF). São Paulo, Araçá, XII.1919, fl., F. C. Hoehne s.n. (SP 3590). São Paulo, Bosque da Saúde, 5.I.1922, fl., F. C. Hoehne s.n. (SP 7365). São Paulo, nativa no Jardim Botânico, 15.XII.1958, fl., O. Handro 840 (CEPEC, SP). São Paulo, Reserva da Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, 23º33 S, 46º43 W, 21.XII.1999, M. Groppo Jr. 354 (SP, SPF). São Paulo, Reserva do Instituto de Botânica de São Paulo, 17.XI.1980, fl., N. A. Rosa e J. M. Pires 3799 (SP). São Paulo, Serra da Cantareira, 20.I.1984, fl., O. T. Aguiar et al (RB). São Paulo, Vila Leopoldina, s.data, A. Usteri s.n. (SP 13084). São Paulo, Ypiranga, Cultivada no Horto Bot., I.1917, fl., Luederwaldt s.n. (SP 18946). Sete Barras, Fazenda Intervales, 10.V.1993, fr., S. Aragaki et al. 40 (SP). Tapiraí, rodovia SP 79, na direção à Juquiá, 11.V.1994, fr., R. Mello-Silva et al. 904 (SPF). Ubatuba, Picinguaba, 3.XII.1988, fl., F. C. P. Garcia et al. 232 (RB). Distribuição geográfica: Pernambuco, Bahia e do Espírito Santo até Santa Catarina. Hábitat: ocorre em Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombófila Densa, Floresta Ombrófila Mista e Restinga, freqüentemente em matas ciliares, borda de matas, capoeiras ou barrancos com vegetação em estado de regeneração. Épocas de floração e frutificação: floresce de outubro a março e frutifica de novembro a agosto. Nomes populares: arranha-gato, espinheiro e cipó-rabo-de-camaleão (SP). 36

54 A espécie apresenta similaridades com S. bahiensis, principalmente em relação às estípulas foliáceas. Entretanto em S. grandistipula as estípulas são reniformes a reniformecordadas (vs cordiforme-lanceoladas em S. bahiensis), o hábito é de liana (vs arbustivo ou arbóreo), caule quadrangular (vs cilíndrico), além das inflorescências espigadas (vs capitadas). Embora o hábito seja freqüentemente citado nas etiquetas de herbários e na literatura (Santos 2010) como arbustivo a arbóreo, durante as observações in vivo constatou-se que os indivíduos desta espécie são lianas, conforme já verificado em estudo de anatomia do caule por Brandes & Barros (2008). O registro de ocorrência do táxon para Santa Catarina é baseado em observação em campo de indivíduo estéril. Mapa 3. Distribuição geográfica de Senegalia grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. kallunkiae (Grimes & Barneby) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. 37

55 a b Figura 6. Senegalia grandistipula (Benth.) Seigler & Ebinger: a. detalhe das estípulas foliáceas e reniforme-cordadas (SC); b. ramo com fruto (Barros et al. 82). Fotos: M. Barros. 5. Senegalia kallunkiae (Grimes & Barneby) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia kallunkiae Grimes & Barneby, Brittonia 37: Tipo: Brazil. Bahia: Rd trecho que liga a BR 415 com Caatiba, 3 km da BR 415, 3.III.1978, S. A. Mori et al [holótipo: CEPEC!; isótipos: K (foto K!), NY, RB!]. Mapa 3; Ilustração: Grimes & Barneby (1985). Árvores 4-7 m alt., tronco ramificado desde a base. Ramos cilíndricos, lisos ou com estrias sutis, glabros, com pequenas pontuações negras; acúleos raros, incurvos, separados entre si, dispersos. Estípulas caducas, não vistas. Folhas 3-5 pares de pinas; pecíolos 2,0-3,5 cm compr., cilíndricos; com um nectário extrafloral elevado-côncavo, no terço inferior do pecíolo; raque 6,0-6,5 cm, acúleos esparsos, nectário elevado-côncavo entre o par de pinas terminal; raque das pinas com nectários extraflorais rudimentares na base do par de foliólulos terminal; foliólulos rômbico-obovados, base lobada e ápice agudo, sésseis, em 3-5-[6-10] pares por pina, venação broquidódromo-reticulada, faces glabras e margens ciliadas, lustrosos, levemente discolores, x 8-23 mm. Inflorescências capitadas, paucifloras, 2-6- fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais laxas; bractéolas linear-espatuladas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, piloso, 1-1,3 mm compr.; corola infundibuliforme-campanulada, pilosa no tubo e com lacínios tomentosos; ovário viloso. Fruto não visto. 38

56 Material examinado: BRASIL. ESPÍRITO SANTO: Cachoeiro de Itapemirim, Flona de Pacotuba, 5.I.2009, fl., J. M. L. Gomes & R. T. Valadares 3227 (VIES). Itarana/Afonso Cláudio, 26.II.1965, fl., E. Pereira 9854 (HB). Nova Venécia, Serra de Baixo, 19.II.2008, fl., A. M. A. Amorim 7188 (RB). Material adicional examinado: BRASIL. BAHIA: Lajedinho, 12º26 S, 40º42 W, s.data, A. P. de Araújo 314 (ALCB, CEPEC). Distribuição geográfica: Bahia e Espírito Santo. Hábitat: ocorre em Floresta Estacional Semidecidual. Na Bahia é principalmente encontrada em localidades limítrofes com a Caatinga (Queiroz 2009). Épocas de floração e frutificação: floresce de janeiro a fevereiro e seu período de frutificação é ainda desconhecido. Nomes populares: angico-preto (ES). Senegalia kallunkiae assemelha-se vegetativamente a S. miersii e S. mikanii pelo tamanho amplo dos foliólulos, mas pode ser prontamente diferenciada pelo número de 3 a 5 pares de pinas (vs 1 a 2 em S. miersii e S. mikanii) e pela presença de acúleos no ramos (vs ramos inermes). Não foram localizados espécimes em fruto dentre o material estudado e estes ainda são desconhecidos para a espécie. O exemplar proveniente da Flona de Pacotuba, Cachoeiro de Itapemirim (Gomes & Valadares 3227), possui um maior número de pares de foliólulos por pina (6 a 10), o que foi considerado uma variação local. A espécie é pouco documentada nas coleções de herbários e são necessários mais esforços de coleta e observações em campo. 6. Senegalia lacerans (Benth.), Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia lacerans Benth., Lond. J. Bot. 1: Tipo: Brasil, Rio de Janeiro: F. Sello 353 [holótipo: K (foto K!)]. Mapa 4; Fig. 2a; Fig. 2i; Fig. 7a-b; Ilustração adicional: Rico-Arce (2007). Lianas, ca. 7 m alt., caule cilíndrico. Ramos cilíndricos, pilosos ou glabrescentes, com diminutos tricomas de ápice dilatado, enegrecido, acúleos frequentes, recurvos, separados entre si; ocasionalmente estão presentes gavinhas. Estípulas lineares, 0,7-0,8 mm, caducas. Folhas pares de pinas; pecíolo cilíndrico, 2-3 cm compr., puberulentos a vilosos; 39

57 nectário extrafloral inserido no terço médio ou inferior do pecíolo, verrucoso, alongado; raque foliar aculeada, 5-15 cm, canaliculada, pequenos nectários extraflorais globosos e circulares logo abaixo dos pares de pinas terminais; raque das pinas 2-6 nectários extraflorais globosos alongados, na base de cada par de foliólulos; foliólulos lineares, sésseis, base truncada, ápice agudo, pares por pina, venação hifódroma, 0,9-5 x 0,5-1 mm, faces glabras, margens ciliadas. Brácteas lineares. Inflorescências espigadas, 3,0-6,5 cm, 1-2-fasciculadas, em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas, caducas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, puberulento, 2-3 mm compr.; corola de campanulada a infundibuliforme, 3-4,5 cm compr., glabra, com papilas nos bordos; ovário viloso. Legume reto ou levemente falcado, papiráceo, castanho, de glabro a esparsamente pubérulo ou com tricomas diminutos com ápice dilatado, enegrecido, 8-14 x 1,7-2,5 cm. Semente de orbicular a elíptica, 0,6-1,1 x 0,5-0,8 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa, Reserva Biológica de Nova Lombardia, 6.VIII.1985, fr., W. Boone 620 (RB); RIO DE JANEIRO: Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia, Estrada para o Lago Azul, 22º27 2 S, 44º36 44 W, 7.V.2009, fr., M. J. F. Barros et al. 25 (RB). Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia, 10.XI.2005, fl., A. F. Brandes & I. A. Aximoff 61 (RB). Macaé, Pico do Frade de Macaé, 7.VIII.1985, fr., H. C. Lima et al (MBM, RB). Miguel Pereira, Estrada do Comércio, 22.V.2007, fr., H. C. Lima et al (MBM, RB). Nova Friburgo, estrada para Macaé de Cima, 22º S, 42º W, 1019 msm elev., 16.I.2008, fl., H. C. de Lima et al (RB). Nova Friburgo, Reserva Ecológica Municipal de Macaé de Cima, estrada p/ sítio Sophronites, 22º33 /22º28 S, 42º30 /42º34 W, 3.VI.1990, fr., H. C. de Lima et al (SP). Nova Friburgo, Rio Bonito de Cima, Sitio São Jerônymo, 860m.s.m., 8.I.1995, fl., C. E. B. Pereira 61 (GUA). Paraty, Parati-Mirim, 8.XII.1976, fl., M. C. Vianna et al. 957 (GUA). Petrópolis, Duques, BR-040, km 88, 22º31 1 S, 43º13 42 W, Elev.: 700 m, 22.XI.2008, H. C. Lima 7017 (RB). Petrópolis, estrada velha Estrela Petrópolis, 1.I.1964, fl., L. F. Pabst s.n. (HB 28912). Rio de Janeiro, Barra da Tijuca, 21.X.1964, fl., W. Hoehne 5832 (SP). Rio de Janeiro, Barra da Tijuca, área próxima ao RioCentro e Autódromo, 11.XII.1982, fl., L. S. Sarahyba et al. 257 (GUA). Rio de Janeiro, Corcovado, 6.II.1964, fl., W. Hoehne 5574 (SP). Rio de Janeiro, Estrada da Vista Chineza, pr. Estação Biológica, 18.I.1971, fl., J. P. Lanna Sobrº s.n. (GUA 7964). Rio de 40

58 Janeiro, Matas da Tijuca, Vista Chineza, 8.I.1960, fl., C. Angeli 42 (GUA). Silva Jardim, Reserva Biológica de Poço das Antas, 12.I.1993, fl., H. C. Lima et al (RB). Teresópolis, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, BR 116, km 91, 30.III.2010, fr., Barros M. J. F. et al. 65 (RB); SÃO PAULO: Cunha, Reserva do Florestal, 14.II.1981, fl., M. G. L. Wanderley 274 (SP). Ubatuba, Estação Experimental, 1.XI.1939, fl., C. Smith 5340 (SP). Distribuição geográfica: ocorre desde o estado do Espírito Santo até São Paulo. Hábitat: a espécie é registrada para áreas de Floresta Ombrófila Densa e mais raramente em Restingas, muitas vezes em borda de matas e vegetações abertas, principalmente em formações secundárias (Lima et al. 1994). Épocas de floração e frutificação: floresce de outubro a março e frutifica de março a agosto. Nomes populares: arranha-gato (RJ) e unha-de-gato (SP). Apresenta grande similaridade com Senegalia velutina, diferindo pela maior constância de acúleos em todas as estrias dos ramos, foliólulos de menor largura, com 0,5-1 mm (vs, 1-2,5 mm em S. velutina), inflorescências mais curtas, com 2,7-3,2 cm (vs 5-7,5 cm), nectário peciolar verrucoso (vs globoso a elevado-côncavo). Assemelha-se ainda a S. serra em relação aos caracteres foliares, distinguindo-se pelo menor número muitas vezes inferior de pares de pinas, 11 a 24 pares (vs 20 a 30 em S. serra), caule cilíndrico (vs lobado), não cristado (vs cristado), acúleos isolados, distantes entre si (vs acúleos confluentes) e pelas inflorescências espigadas (vs capitadas). Apesar não terem sido examinadas coletas provenientes do estado de Minas Gerais, é bem provável que a espécie esteja presente neste estado. Segundo Santos (2010) a espécie ocorre no município de Ouro Preto. Embora citada para os estados da Bahia, Paraná e Santa Catarina Rico-Arce (2007), não foram encontrados exemplares que atestem esta ocorrência nestas regiões, assim como para áreas de savana (Rico-Arce 2007). 41

59 Mapa 4. Distribuição geográfica de Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. a b Figura 7. Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger: a. ramos pendentes de um indivíduo; b. ramo isolado com frutos (Barros et al. 65). Fotos: M. Barros. 42

60 7. Senegalia langsdorffii (Benth.) Seigler & Ebinger, como langsdorfii, Phytologia 88(1): Acacia langsdorffii Benth., London J. Bot. 1: Tipo: Brasil, Minas Gerais: Serra da Lapa, Langsdorff 6 [holótipo: K (foto NY); isótipos: F, fragmento SI]. Acacia trijuga Rizz., Rodriguésia 28 (41): 166 (1976). Tipo: Brasil, Piauí, São Raimundo Nonato [9º01 S, 42º42 W, 387 m], D. P. Lima (RB!). Mapa 5; Fig. 3a; Ilustração adicional: Queiroz (2009). Arbustos escandentes ou lianas altas, 2,5-5 m. Ramos cilíndricos, levemente estriados, canescentes a glabrescentes, acúleos frequentes, recurvos, separados entre si, esparsos, raro inermes. Estípulas caducas. Folhas 4-8 pares de pinas, pecíolo 1,2-2 cm compr., um nectário extrafloral séssil, escuteliforme a elevado-côncavo, no terço médio ou inferior; raques 2,5-8,3 cm, inermes ou acúleos esparsos, um nectário extrafloral semelhante ao peciolar entre os dois ou três pares terminais de foliólulos; raque das pinas sem nectários; foliólulos de oblongos a oblongo-lineares, falcados, base truncada, ápice agudo a acuminado, os terminais ápice obtuso, sésseis, 6-29 pares por pina, venação hifódroma, adaxialmente canescentepuberulentos, abaxialmente canescentes, 3-8 x 2-3 mm, opacos, discolores. Brácteas oblongolanceoladas, caducas. Inflorescências capitadas, 2-3-fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, canescente, 1,8-2 mm compr.; corola campanulada, canescente apenas nos lacínios, 2,8-3,1 mm compr.; ovário lanoso. Legume reto, rugoso, cartáceo, hirsutoferrugíneo, 8-10,5 x 1,5-2,6 cm. Semente oblongo-circular, 0,7-1 x 0,6-0,8 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Cabo Frio, estrada nova p/ Búzios, Baia Formosa, 6.V.1987, fr., H. C. Lima 2881 (RB). Rio de Janeiro, Mata do Horto Florestal, 16.V.1930, fr., Victorio 1715 (RB). Rio de Janeiro, mata próxima ao Horto Florestal, 3.IX.1921, fr., A. Ducke & J. G. Kuhlmann s.n. (RB 683). Rio de Janeiro, mata próxima ao Horto Florestal, 17.III.1922, fl., A. Ducke & J. G. Kuhlmann s.n. (RB ). São João da Barra, Mata do Carvão, 17.V.1989, fr., D. S. D. Araújo 8890 (RB). Saquarema, Res. Ecológica de Jacarepiá, Praia de Ipitangas, 24.VI.1990, fr., H. C. Lima et al (RB). Saquarema, Restinga de Maçambaba, 18.VI.1987, fr., M. Gomes et al. 203 (RB). 43

61 Distribuição geográfica: Ceará, Piauí, Pernambuco, Bahia, Goiás, Minas Gerais (Queiroz 2009), Mato Grosso do Sul (Silva et al. 2007) e Rio de Janeiro. É citada também para a Amazônia brasileira e para a Bolívia: Santa Cruz, Provincia de Iquitos (Rico-Arce 2007). Hábitat: no Domínio Atlântico está presente em Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa e Restinga. Habita também áreas limítrofes entre a Caatinga e Cerrado (Queiroz 2009). Épocas de floração e frutificação: floresce a partir de março e frutifica de maio a setembro Seu porte em Floresta Ombrófila Densa vai de arbustivo-escandente a liana, enquanto que em Restingas é arbustivo, variação que também é encontrada na Caatinga para este táxon (Queiroz 2009). Distingue-se das demais espécies pelos foliólulos falcado-lineares, com base truncada e ápice agudo a acuminado, obtuso nos terminais, nectários peciolares sésseis, frequentemente escuteliformes, além do indumento canescente por toda a extensão dos ramos, pinas e frutos. Mapa 5. Distribuição geográfica de Senegalia giganticarpa (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger ( ), S. langsdorfii (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. limae (A. Bocage & Miotto) L. P. Queiroz ( ) no Domínio Atlântico. 44

62 8. Senegalia limae (A. Bocage & Miotto) L. P. Queiroz, Legum. Caatinga 1: Acacia limae Bocage & Miotto, Rodriguésia 57: Tipo: Brasil, Bahia: Abaíra, após Brejo de Cima, 5.X.2003, fl., A. Bocage et al. 895 (holótipo ICN!; Isótipo ICN!). Mapa 5; Fig. 1f; Fig. 3b; Fig. 8a-b.; Ilustração adicional: Bocage & Miotto (2006). Arbustos escandentes a lianas, 12 m alt. Ramos cilíndricos, com estrias castanhas, freqüentemente lenticeladas, pubescentes a glabrescentes; acúleos esparsos ou frequentes, recurvos, separados entre si. Estípulas caducas. Folhas 6-10 pares de pinas; pecíolo 1,5-2,7 cm compr.; nectário extrafloral peciolar estipitado, ápice truncado, quando apenas um, no terço médio do pecíolo, ou se dois nectários, o segundo no terço superior; raque inerme ou aculeada, com cm, nectários extraflorais estipitados, entre os dois ou quatro pares de pinas terminais; raque das pinas sem nectários; foliólulos lineares, base truncada e ápice de acuminado a apiculado, sésseis a subsésseis, peciólulos 0,4 mm, pares por pina, venação broquidódroma laxa, faces glabras e margens ciliadas, 3-5 x 1-2,2 mm. Brácteas ausentes. Inflorescências capitadas, 1-3-fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas, vilosas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice de campanulado a infundibuliforme, pubescente, 1,7-3 mm compr.; corola infundibuliforme, glabra ou com lacínios pubescentes, 4-5 mm compr.; ovário glabro. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Ibirapitanga, 18.II.1998, fl., A. S. Conceição 243 (RB). Jequié, 22.I.1965, fl., R. P. Belém & J. M. Mendes 197 (IPA, RB); PERNAMBUCO: Brejo da Madre de Deus, Mata do Malhada, 80º11 14 S, 36º24 73 W, m elev., 16.I.2001, A. G. Silva & L. M. Nascimento 366 (PEUFR). Brejo da Madre de Deus, 80º S, 36º W 36º W, 28.IV.2000, fl., A. G. da Silva & L. M. Nascimento 290 (CEPEC, RB). Pesqueira, Serra do Ororobá, s.data, fl., M. Correira 231 (UFP). RIO DE JANEIRO: Carmo, estrada para o Quilombo, 21º57 25 S, 42º33 36 W, 676 m elev., 28.VII.2010, fr., M. J. F. Barros et al. 89 (RB). SÃO PAULO: Limeira, 2.II.1949, fl., J. J. de Lima s.n. (RB 69949). Serra da Bocaina, 14.I.1955, fl., W. Egler 103 (RB). Distribuição geográfica: Bahia, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e, segundo Bocage & Miotto (2006) e Santos (2010) está presente também em Minas Gerais. 45

63 Hábitat: ocorre em Brejos Nordestinos, Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Densa. Está presente em matas de encosta, bordas de mata, vegetações secundárias e abertas, ou em processo de regeneração. É encontrada também na Caatinga. Épocas de floração e frutificação: floresce de janeiro a abril e frutificação apenas verificada para julho. Nomes populares: calobi (BA). A espécie possui similaridade principalmente à S. tucumanensis, de ocorrência no sul do país, diferindo pelo maior tamanho da corola, com 4-5 mm (vs 2,8-3 em S. tucumanensis) e ovário glabro (vs totalmente viloso ou apenas na porção superior). Assemelha-se também a S. riparia, mas pode ser diferenciada pelos nectários estipitados (vs sésseis). A distribuição da espécie está sendo ampliada, considerando-se que até então seus registros eram verificados principalmente para áreas de Caatinga. Na obra original de S. limae é citado um isótipo para o herbário IPA, o qual não foi localizado. Durante o estudo das coleções realizado neste trabalho, verificou-se que este material encontra-se na realidade presente no herbário ICN. a b Figura 8. Senegalia limae (A. Bocage & Miotto) L. P. Queiroz: a. caule e ramos emaranhados; b. ramos com frutos pendentes (Barros et al. 89). Fotos: M. Barros. 9. Senegalia lowei (L. Rico) Seigler & Ebinger, Phytologia 91(1): Acacia plumosa Lowe, Bot. Mag. (t. 3366). Nov nom. illeg. non Martius in Colla (Jul 1834). Acacia lowei L. Rico, Amer. Sp. Acacia Tipo: cultivado em Madeira [lectótipo designado por Rico-Arce (2007): Bot. Mag. t (novembro 1834)! M. Young, K-library]. 46

64 Mapa 6; Fig. 9a-b; Fig. 10a-i. Arbustos escandentes, 3,5-7 m alt., caule cilíndrico. Ramos cilíndricos de pubescentes a hirsutos, acúleos recurvos, separados entre si, constantes ao longo do ramo. Estípulas setáceas, 1,2 x 2 mm. Folhas pares de pinas; pecíolos 1,2-1,8 cm compr., um nectário extrafloral elevado-côncavo, no terço médio do pecíolo; raque das pinas 4-8,3 cm, aculeadas, com pequenos nectários extraflorais elevado-côncavos, um entre cada 7-8 pares de pinas terminais, raro entre todas; nectários extraflorais elevado-côncavos, entre os 7-9 pares de foliólulos terminais, raro ausentes. Foliólulos lineares, base truncada, assimétrica e ápice agudo, sésseis, venação hifódroma, faces glabras, margens ciliadas, pares por pina, 2-3 x 0,5-0,7 mm. Brácteas deltóides, 1 x 2 mm. Inflorescências espigadas, 1,8-2,3 cm, 3-4- fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas. Flores subsésseis a pediceladas, pedicelos 0,3-0,4 mm, pentâmeras; cálice campanulado a levemente urceolado, puberulento a glabrescente, 1,5-2 mm compr.; corola campanulada, superfície glabra, papilas nos bordos, 2-3 mm compr.; ovário viloso. Legume reto, coriáceo, superfície rugosa, puberulenta, castanho-acinzentado ou ferrugíneo, 5,5-15 x 3-6,5 cm. Semente oblonga, 5-8 por fruto, 1,6 x 0,8-1 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. ESPÍRITO SANTO: Presidente Kennedy, Praia de Marobá, 11.X.1979, fl. e fr., D. Araujo & N. C. Maciel 3332 (GUA). Santa Teresa, Mata do Boeirão, 13.VI.1984, fr., J. M. Vimercart 189 (RB); PARANÁ: Guaraqueçaba, 8.XI.1994, fr., S. R. Ziller & A. Soares 589 (MBM); RIO DE JANEIRO: Araruama, Massambaba, 11.X.1991, fl., H. C. Lima & P. Schuback 4274 (RB, GUA). Armação dos Búzios, Rasa, Brejo da Fazendinha, 5.VII.2008, fr., R. D. Ribeiro et al. 984 (RB). Cabo Frio, Unamar, 21.II.2006, fr., Barros et al. 02 (RB). Niterói, Parque Estadual da Serra da Tiririca, Morro das Andorinhas, 22.XI.2004, fl., N. Coqueiro et al. 26 (RB, RFFP). Paraíba do Sul, 22º10 01,6 S, 43º33 59,1, 2.VIII.2006, fr., J. Iganci et al. 173 (RB). Paraty, APA Cairuçu, Ponta Negra, 08.VI.1994, fr., R. Reis 158 (RB, SP). Rio das Ostras, Restinga da Praia Virgem, 25.IX.1999, fl., H. N. Braga 576 (RB). Rio de Janeiro, Barra da Tijuca, na Restinga, 13.II.1982, fr., Hoehne 5807 (SP). Rio de Janeiro, Gávea, s.data, fr., D. Constantino s.n. (RB 2544). Rio de Janeiro, Restinga de Jacarepaguá, lado Sul da Pedra de Itaúna, 2.IX.1969, fr., D. Sucre et al (RB). Santa Maria Madalena, Parque Estadual do Desengano, Sossego, 41º50 W, 47

65 21º53 S, msm elev., 29.VI.1987, fr., H. C. Lima et al (IPA, RB). São Pedro da Aldeia, 28.IX.1960, fl., Gomes & Burle Marx 1189 (RB). Saquarema, Reserva Ecológica de Jacarepiá, Praia de Ipitangas, 24.VI.1990, H. C. Lima et al (RB). Saquarema, Restinga de Ipitangas, 20.X.1988, fr., C. Farney 2174 (RB). Teresópolis, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, trilha para a Pedra do Sino, 29.III.2010, fr., M. J. F. Barros et al. 63 (RB); SÃO PAULO: Cananéia, Ilha do Cardoso, 8.IX.1988, fr., F. Barros et al (RB). Iguape, Morro das Pedras, s.data, fr., A. C. Brade 7896 (RB). Lorena, Margem do Ribeirão, Horto Florestal, 29.V.1942, fr., H. M. Bastos s.n. (RB 785). Distribuição geográfica: ocorre desde o estado do Espírito Santo até o Paraná. Hábitat: Restinga e mais raramente em Floresta Ombrófila Densa. Pode ser encontrada em borda de matas e capoeiras em regeneração. Épocas de floração e frutificação: floresce de setembro a novembro e os frutos podem persistir por todo o ano. Nomes populares: arranha-gato (SP) e nhapindá (PR). A espécie tem como basiônimo Acacia lowei, binômio atribuído por Rico-Arce (2007) em substituição a Acacia plumosa Lowei, homônimo de Acacia plumosa Martius ex Colla. O lectótipo designado foi um exemplar cultivado em Madeira, deixando dúvidas sobre sua exata origem (Ilha da Madeira, por exemplo?). A espécie é registrada para o Brasil (Rico-Arce 2007) e os espécimes identificados no presente trabalho estão sendo também considerados como pertencentes ao táxon em questão. Contudo, algumas diferenças foram evidenciadas no material examinado em relação à descrição original de S. lowei, principalmente quanto aos nectários peciolares elevadocôncavos (vs orbiculares na descrição original), aos foliólulos com faces completamente glabras (vs pubérulos) e aos legumes mais largos. Os espécimes examinados apresentam certa similaridade à S. tenuifolia, contudo destaca-se que a inflorescência em S. lowei é do tipo espigada, porém com raque muito curta. Tal característica pode ser equivocadamente interpretada como inflorescência do tipo capitada. Em áreas de Restinga, os legumes de S. lowei podem ser facilmente diferenciados daqueles de S. tenuifolia por apresentarem-se fortemente coriáceos, rígidos e largos, de coloração enegrecida, nunca castanhos e com venação que geralmente desaparece na região central do fruto (Fig. 10i). 48

66 Mapa 6. Distribuição geográfica de Senegalia lowei (L. Rico) Seigler & Ebinger ( ) e S. magnibracteosa (Burkart) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. a b Figura 9. Senegalia lowei (L. Rico) Seigler & Ebinger: a. hábito arbustivo escandente; b. fruto isolado (Barros et al. 02). Fotos: M. Barros. 49

67 Figura 10. Senegalia lowei (L. Rico) Seigler & Ebinger: a. ramo florífero; b. acúleos recurvos; c. nectário extrafloral elevado-côncavo no terço médio do pecíolo; d. foliólulo linear; e. inflorescência espigada; f. bractéola; g. flor subséssil; h. gineceu com ovário viloso; i. legume. (a-h. Lima 4274; i. Braga 360). 50

68 10. Senegalia magnibracteosa (Burkart) Seigler & Ebinger. Phytologia 88(1): Acacia magnibracteosa Burkart, Fl. Ilustr. Catarinense (Leguminosas Mimosoideas) 30: Tipo: Brasil. Rio Grande do Sul: São Francisco de Paula, Vila Oliva, in araucarieto, 7.I.1946, B. Rambo (holótipo: SI; isótipo: PACA!). Mapa 6; Ilustração: Burkart (1979). Arbustos escandentes. Ramos cilíndricos, puberulentos com tricomas esparsos a glabrescentes; acúleos levemente recurvos, separados entre si, frequentes, ponta enegrecida. Etípulas lanceoladas, 8-9 x 3-4 mm, caducas. Folhas 9-10 pares de pinas, pecíolos cilíndricos, 2,5-2,7 cm compr.; 2-3 nectários extraflorais peciolares ovados ou circulares, nos terços médio ou superior do pecíolo, ou raramente logo abaixo do primeiro par de pinas, sésseis; raque 6,5-8,5 cm, com acúleos esparsos ou inermes; raque das pinas, vilosas; foliólulos lineares, subsésseis, peciólulo 0,3 mm, pares por pina, base truncada, ápice agudo, membranáceos, venação broquidódroma laxa, faces glabras a glabrescentes, margens ciliadas, 5-7 x 1-1,5 mm, discolores. Brácteas lanceoladas, multiestriadas, 6-7 mm. Inflorescências capitadas, 1-2-fasciculadas, dispostas em sinflorescências axilares ou terminais. Bractéolas subespatuladas, vilosas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice infundibuliforme, glabro, com papilas nos bordos, 4-5 mm compr.; corola infundibuliforme, glabra, com papilas nos bordos dos lacínios, 4,5-5,5 mm compr.; ovário glabro. Legume reto, de margens retas, glabro, castanho-claro, 7-12 x 2-2,2 cm, apiculado no ápice. Material examinado: BRASIL. RIO GRANDE DO SUL: Bom Jesus, Fazenda Caraúna, III.1936, fl., Dutra 1317 (ICN). São Francisco de Paula, Linha São Paulo, 19.III.2000, fr., R. Wasum 564 (MBM). SANTA CATARINA: Campo Belo do Sul, Fazenda Gateados, 27º59 24 S, 50º53 42, 875 m elev., 13.XII.2008, fl., M. Verdi et al (RB). Distribuição geográfica: Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Hábitat: é encontrada em Floresta Ombrófila Mista. Trata-se aparentemente de uma espécie endêmica do Domínio Atlântico. Épocas de floração e frutificação: floresce de dezembro a março e sua frutificação foi apenas verificada para março. Nomes populares: vamos-junto, unha-de-gato e grapiá (RS, segundo Burkart 1979). 51

69 A espécie é facilmente reconhecida pelas estípulas e brácteas lanceoladas, multivenadas, ocasionalmente caducas e dois nectários extraflorais peciolares sésseis, ovados ou circulares. Burkart (1979) já havia sugerido sua ocorrência para a flora de Santa Catarina. O autor cita que S. magnibracteosa é característica e exclusiva da parte oriental do planalto riograndense, onde é bastante rara e se desenvolve sob bosques de Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze. Apresenta similaridade com S. recurva, sobretudo em relação ao formato dos ramos e folhas, distinguindo-se pela persistência das estípulas e brácteas, hábito arbustivo escandente (vs liana em S. recurva) e folhas com 9 a 10 pares de pinas (vs 4 a 7). 11. Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Mimosa martiusiana Steud., Nomencl. Bot. 2: Mimosa adhaerens Mart., Herb. fl. bras. Flora. 20(2): , nom. illeg., non M. adhaerens Kunth (1823). Acacia adhaerens (Mart.) Benth., London J. Bot. 1: Acacia martiusiana (Steud.) Burkart, Fl. Ilustr. Catarinense (Leguminosas Mimosoideas) 30: Tipo: in monte Serra d Estrela, prov. Sebastiano-politanae, locis apricis C. F. P. von Martius 174 [holótipo: M (foto MO); isótipos: F, K, MO]. Acacia spegazziniana Kuhlm., Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: Mapa 7; Fig. 1d; Fig. 2h; Fig. 4c; Fig. 11a-c. Arbustos escandentes a lianas, caule tetralobado. Ramos cilíndricos a angulares, estrias tomentosas, com tricomas pálido-dourados, raro glabros; acúleos recurvos, separados entre si, frequentes, justapostos. Estípulas lineares. Folhas 7-23 pares de pinas; pecíolo 1-3 cm compr., com 2-3 nectários extraflorais elevado-calicióides, estipitados, dispostos no terço inferior, médio ou superior do pecíolo, ocasionalmente um entre o par de pinas basal; raque 7-13 cm, inerme ou aculeada, nectários extraflorais elevado-calicióides, um entre cada um dos 7-11 pares de pinas terminais; raque das pinas sem nectários; foliólulos lineares, base truncada, ápice agudo, faces glabras, margens ciliadas, sésseis, pares por pina, venação hifódroma, 3-7 x 0,5-1,3 mm. Brácteas lineares, 3 mm. Inflorescências capitadas, 2-4- fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais muito ramificadas. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis a subsésseis, pedicelo 2 mm, pentâmeras, raro hexâmeras; cálice campanulado a urceolado, viloso, 1,6-2 mm compr.; corola campanulado-infundibuliforme, 52

70 glabra ou com papilas nos bordos, 2-3 mm compr.; ovário glabro. Legume reto, com margens retas ou irregularmente constritas, pubescente a glabrescente, papiráceo, 6,5-16 x 2-2,7 cm. Semente orbicular a elíptica, 0,7-1 x 0,5-0,8 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Barra do Choça, 30.III.1977, fl., R. M. Harley (IPA). Camacan, RPPN Serra Bonita, 15º23º35 S, 39º33 53 W, 850 m elev., 16.III.2007, A. M. Amorim et al (RB). Itajuípe/Ipiaú, 24.IV.1965, fl., M. Magalhães (HB). Itajuípe, rodovia Itajuípe Ubaitaba, 24.IV.1965, R. P. Belém & M. Magalhães 875 (CEPEC); ESPÍRITO SANTO: Conceição da Barra, 5.VII.2007, fr., R. D. Ribeiro et al. 864 (RB). Domingos Martins, estrada para a pedra azul, m.s.m. elev., 19.I.1975, fl., A. L. Peixoto et al. 482 (RB). Domingos Martins, mata do Dr. Kautsky, m/s.m., 7.V.1985, fr., G. Martinelli et al (RB). Governador Lindenberg, Morelo, 19º8 54 S, 40º27 27 W, m/ s.m. Elev., 31.VII.2007, fr., R. R. Vervrolet et al (RB). Governador Lindenberg, Pedra de Santa Luzia, 19º17 17 S, 40º27 56, 7.XI.2007, fl., V. Demuner 4512 (RB). Ibiraçu, Estação Ecológica Morro da Vargem, 31.V.1990, J. M. L. Gomes et al (CEPEC, VIES). Santa Tereza, Nova Lombardia, 7.V.2003, fr., R. R. Vervrolet & W. Pizziolo 2382 (RB). Santa Tereza, Valsugana Velha, 13.III.1986, fl., W. Piziolo 311 (RB); MINAS GERAIS: Carandaí, Pedra do Sino Hotel Fazenda, 20º52 40 S, 43º48 51 W, m Elev., 25.III.2006, fl., N. F. Mota & P. L. Viana 600 (VIC). Caratinga, Est. Biol., 1.XII.1987, fl., L. V. Costa et al. 195 (MBM). Juiz de Fora, Morro do Imperador, 21.XI.2002, D. S. Pífano 435 (MBM). Juiz de Fora, VII.1949, fl., Pe. Krieger & P. Roth 1967 (RB). São Thomé das Letras, 11.II.1986, fl., C. Farney & S. A. Geromel 1097 (RB); PARANÁ: Campina Grande do Sul, Ribeirão do Cedro, 18.II.1962, fl., G. Hatschbach s.n. (HB 8940, UPCB 4184). Paranaguá, Picadão Cambará, 14.II.1968, fl., G. Hatschbach (HB). Piraquara, Mananciais da Serra, 25º29 S, 48º59 W, 1100 m Elev., 9.I.2006, fl., M. Reginato 655 (UPCB); PERNAMBUCO: Taquaritinga do Norte, 11.XI.1983, fl., R. Barreto et al. 796 (PEUFR); RIO DE JANEIRO: Cabo Frio, Tamoios, Reserva Biológica do Mico Leão Dourado, 28.IX.2003, R. D. Ribeiro et al. 22 (RB). Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia, Início da trilha Barbosa Rodrigues, 17.XII.2005, fl., A. F. Brandes & J. P. A. Pires 85 (RB). Magé, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Santo Aleixo, Alta Ventania, 31.III.2010, fl., M. J. F. Barros et al. 69 (RB). Nova Friburgo, Reserva Ecológica Municipal de Macaé de 53

71 Cima, 6.III.1989, fl., H. C. Lima 3499 (CEPEC). Nova Iguaçu, Reserva Biológica do Tinguá, 23.VIII.1993, fr., M. V. L. Pereira et al. 632 (RB). Petrópolis, Carangola, 27.VII.1943, O. C. Góes & D. Constantino 365 (RB). Rio das Ostras, Reserva Biológica União, 14.VI.2001, fr., J. M. A. Braga 6667 (RB). Rio de Janeiro, Av. Edson Passos, 3.V.2005, fl. e fr., N. Crud et al. 215 (GUA). Rio de Janeiro, Botafogo, Mundo Novo, 11.X.1960, fl., A. P. Duarte 5409 (HB). Rio de Janeiro, entre Paineiras e Silvestre, 15.III.1922, fr e fl., A. Ducke & J. G. Kuhlmann s.n. (RB 1912). Rio de Janeiro, Floresta da Tijuca, III.2010, fl., M. J. F. Barros & L. Jordão 62 (RB). Rio de Janeiro, Horto Florestal, s.data, fl., J. G. Kuhlmann 2370 (RB). Rio de Janeiro, Jacarepaguá, Floresta da Covanca, 26.V.1959, fr., A. P. Duarte & E. Pereira 4796 (HB). Rio de Janeiro, Maciço da Tijuca, estr. da Vista Chineza, 8.IV.1997, fl., D. Araujo (GUA). Rio de Janeiro, Maciço da Tijuca, Serra dos Pretos Forros, 28.IX.2004, fl., C. A. L. de Oliveira & M. de L. Figueira 2416 (GUA). Rio de Janeiro, Serra do Mendanha, 19.IV.1972, fr., D. Sucre et al (RB). Sapucaia, 22º04 85 S, 42º50 67 W, 770m Elev., 26.I.2001, fl., F. B. Pereira 09/68 (RB). Saquarema, Itaúna, APA da Massambaba, 24.II.2006, fl., Barros et al. 12 (RB). Saquarema, Reserva Ecológica Estadual de Jacarepiá, 5.V.1992, fl. e fr., D. Araujo 9617 (GUA). Silva Jardim, Poço d Anta, 14.IX.1977, fr., G. Martinelli et al (RB); SÃO PAULO: Pariquera-Açu, 24º37 22 S, 47º53 15 W, 5.IX.1994, E. B. Bastos et al. 02 (SPF). Queluz, Fazenda Itaporan, ca m elev., fr., 3.VI.1995, P. T. Sano 123 (SPF). São Miguel Arcanjo, Parque Estadual Carlos Botelho, 23.IV.1994, fr., P. L. R. Morais et al. 927 (RB). São Paulo, Cemucam, 30.X.1984, fr., L. Rossi et al. 362 (SPF). São Paulo, terreno do Instituto de Botânica, 7.II.1961, fl., C. Fonseca 16 (SP). Distribuição geográfica: Goiás e de Pernambuco até o Paraná. Hábitat: Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa e Restinga. Está presente ainda na Caatinga e no Cerrado. Épocas de floração e frutificação: floresce de outubro a julho e frutifica de abril a setembro. Nomes populares: arranha-gato (SP), paricá (RJ) e unha-de-gato (SP). Os ramos com estrias tomentosas, de tricomas pálido-dourados, os nectários peciolares estipitados e, quando possível a observação, o aspecto tetralobado do caule auxiliam prontamente em sua diferenciação em relação às demais espécies estudadas. 54

72 De acordo com Burkart (1979), o nome Mimosa martiusiana Steud. (1840) foi proposto em substituição à Mimosa adhaerens Mart. (1837), devido à anterior existência de Mimosa adhaerens Kunth (1823), atualmente considerada sinônimo de Mimosa albida Humb. & Bonpl. ex Willd. (Seigler et al. 2006). A espécie possui similaridades com Senegalia recurva (Benth.) Seigler & Ebinger, distinguindo-se facilmente pelas folhas com 7 a 23 (vs 4 a 7 pares em S. recurva), nectários peciolares estipitados (vs sésseis), os quais apresentam número e posição variável nos espécimes do Domínio Atlântico, além do tamanho menor dos foliólulos, com 3-7 x 0,5-1,3 mm (vs 5-9 x 1-2 mm). Os caules tetralobados (Fig. 5d) são também úteis à sua identificação em relação às espécies similares, entretanto, é pouco freqüente a anotação desta característica nas etiquetas das exsicatas. A forma tetralobada dos caules é apenas conhecida para S. martiusiana, S. nitidifolia e S. pedicellata no Domínio Atlântico, o que pode facilitar sua identificação em campo, enquanto que na Caatinga esta característica está presente também em S. lewisii (Queiroz 2009). Mapa 7. Distribuição geográfica de Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. 55

73 b a c Figura 11. Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger: a. liana caule sobre àrvore; b. detalhe do ramo florido (Barros et al. 69); c. nectários extraflorais peciolares (no Caminho da Mata Atlântica, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro). Fotos: M. Barros. 12. Senegalia miersii (Benth.), Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia miersii Benth., Lond. J. Bot. 1: Tipo: Brasil, Rio de Janeiro: Aqueduct of Rio de Janeiro, J. Miers 3864 (holótipo: K). Mapa 8; Fig. 4b; Fig. 4k; Ilustração adicional: Bentham (1876). Arbustos escandentes ou lianas. Ramos cilíndricos, estrias inconspícuas, glabros, inermes. Estípulas filiformes, 4,5 x 0,5 mm. Folhas 1 par de pinas, pecíolo 2-5 cm compr., com um nectário extrafloral, elevado-côncavo, séssil, no terço médio; raque das pinas com um nectário extrafloral elevado-côncavo, séssil, logo abaixo do par de pinas. Foliólulos elípticofalcados, base assimétrica, ápice acuminado, sésseis a subsésseis, peciólulos com 1 mm, um par por pina, venação broquidódromo-reticulada, glabros ou puberulentos na nervura central da face abaxial, x mm. Brácteas lineares, 3 x 0,5 mm. Inflorescências 56

74 capitadas, 1-4-fasciculadas, dispostas em sinflorescências axilares ou terminais. Bractéolas cuneiformes. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, canescente, 1-1,4 mm compr; corola canescente, 2-2,5 mm compr.; ovário glabro. Folículo falcado, glabro, coriáceo, marrom-enegrecido, 6-13 x 1,5-2,5 cm. Semente plana, 1,2-1,5 x 1,5-1,6 cm, pleurograma ausente, margem apresentando fina ala circundante, embrião criptoradicular. Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Magé, Paraíso, área do Centro de Primatologia, 22.X.1989, H. C. Lima & Bromley 2276 (GUA, MBM, RB). Nova Iguaçú, Rebio do Tinguá, 14.XI.1995, P. R. C. Farag et al. 149 (RB). Rio de Janeiro, Horto Florestal, 25.V.1928, fr., Antenor s.n. (RB 410). Rio de Janeiro, Mundo Novo, Botafogo, 6.IX.1921, fl., Kuhlmann s.n. (RB 15289). Rio de Janeiro, Estrada do Redentor, 20.IX.1960, fl., A. P. Duarte 5292 (HB). Rio de Janeiro, Mata Atrás do Jardim Botânico, X.1934, P. C. Porto s.n. (RB 24940). Rio de Janeiro, Matas do Horto Florestal da Gávea, 13.X.1934, fl., C. A. Lage 215 (RB). Silva Jardim, Poço d Anta, 14.IX.1977, fr., G. Martinelli et al (RB). Distribuição geográfica: Rio de Janeiro. Hábitat: Floresta Ombrófila Densa, em encostas e margens de córregos. Épocas de floração e frutificação: floresce de setembro a outubro e frutifica de setembro a maio. Senegalia miersii é semelhante à S. mikanii principalmente pela forma dos folióluos, pelo fruto do tipo folículo e sementes marginadas e planas. A posição do nectário extrafloral no terço médio do pecíolo em S. miersii (vs no terço superior, logo abaixo do par de pinas basal em S. mikanii) e folhas com apenas um par de pinas (vs 2 pares de pinas) são os principais caracteres para sua diferenciação. Ambas as espécies ocorrem no Rio de Janeiro, contudo S. miersii é típica da formação Floresta Ombrófila Densa, enquanto S. mikanii ocorre principalmente em florestas de Restinga. Esta espécie, juntamente com S. mikanii, são os únicos táxons conhecidos dentre os estudados que apresentaram frutos do tipo folículo e as sementes marginadas e planas, com possíveis tendências à anemocoria. 57

75 13. Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia mikanii Benth., Trans. L. Soc. Lond. 30(3): Tipo: Brasil, Rio de Janeiro: Habitat ad Christoforo, J.C Mikan s.n. [holótipo: W (fotos G, MO)]. Mapa 9; Fig. 3c; Fig. 5a; Ilustração adicional: Rico-Arce (2007). Arbustos escandentes, caule cilíndrico. Ramos cilíndricos, estrias inconspícuas, glabros, inermes. Estípulas setáceas, 1,5 x 0,5 mm. Folhas 2 pares de pinas, pecíolos 1,5-4,5 cm compr., cilíndricos, 1 nectário extrafloral elevado-côncavo no terço superior, logo abaixo do par de pinas basal; raque 1,5-3,5 cm, inermes; nectário extrafloral elevado-côncavo, logo abaixo ou entre o par de pinas apical; raque das pinas com 1 nectário extrafloral elevadocôncavo, logo abaixo do par de foliólulos; foliólulos elíptico-falcados, base assimétrica, ápice de acuminado a obtuso, subsésseis, peciólulo com 1 mm, um par por pina, venação broquidódromo-reticulada, glabros, x mm. Brácteas lineares, 1,2-0,25 mm. Inflorescências capitadas, 1-3-fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, seríceo sobre os dentes, 1,5-1,7 mm compr.; corola campanulada, serícea sobre os lacínios, 1,8-2 mm compr.; ovário glabro. Folículo falcado, glabro, cartáceo, castanho, 7,5-18 x 1,2-2 cm. Semente plana, suborbicular, marginada, 1,1-1,5 x 1,2-1,6 cm, pleurograma ausente. Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Armação dos Búzios, Estr. Cabo Frio- Búzios, Praia de Caravelas, 28.VI.1997, fr., H. C. Lima & G. P. Lewis 5417 (RB). Armação dos Búzios, Estr. próxima do Lago do Bauen Club, 25.XI.1996, fl., P. R. Farág & A. L. M. Araújo 269 (RB). Arraial do Cabo, Morro do Miranda, 31.V.1989, D. Araujo & H. C. Lima 8954 (GUA, RB). Maricá, Itaipuaçu, Pico Alto Moirão, 16.XI.1983, fl., R. H. P. Andreata et al. 616 (RB, RUSU). Rio de Janeiro, Recreio dos Bandeirantes, 5.XI.1958, fl., E. Pereira et al (HB). Distribuição geográfica: Rio de Janeiro. Hábitat: Floresta Ombrófila Densa e Restinga. Épocas de floração e frutificação: floresce a partir de novembro e frutifica até junho. A espécie apresenta grande similaridade com S. miersii, conforme relatado nos comentários daquela espécie. 58

76 14. Senegalia nitidifolia (Speg.) Seigler & Ebinger. Phytologia 88(1): Acacia nitidifolia Speg., Bol. Acad. Nac. Ci. (Córdoba) 26: Tipo: Argentina. Corrientes: Colección de Maderas Argentinas, Exp Corrientes, 66, C. Spegazzini s.n. (LPS 11915) [lectótipo (Burkart 1979): LP]. Mapa 8; Ilustração: Spegazzini (1924). Arbustos escandentes ou lianas altas, robustas, caule tetralobado. Ramos quadrangulares, estrias pubescentes, acúleos recurvos, raro retos, separados entre si, espaçados. Estípulas ovadas, 2,2-2,5, x 2-2,2 mm. Folhas 5-9 pares de pinas, pecíolo 1,5-3 cm, 1-2 nectários extraflorais peciolares estipitados, longos, ápice clavado, no terço médio ou superior do pecíolo; raque 3,7-13 cm, inerme a aculeada, nectários extraflorais um abaixo de cada par de pinas, ocasionalmente ausentes, estipitados, elevado-calicióides, ápice ocasionalmente convexo; raque das pinas sem nectários; foliólulos oblongos, falcados, base truncada, ápice apiculado, sésseis, pares por pina, venação broquidódroma laxa, faces glabras, margens ciliadas, 4-13 x 2-4 mm. Brácteas caducas. Inflorescências capitadas, 1-4- fasciculadas, dispostas em sinflorescências axilares ou terminais. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis ou com pedicelo de 0,7-0,8 mm, seríceo-puberulento, pentâmeras; cálice campanulado, 2-2,2 mm, pubescente; corola infundibuliforme, com tricomas esparsos sobre os lacinios, margens papilosas, 3,5-4 mm compr.; ovário glabro. Legume reto, cartáceo, glabro, com tons cinza-púrpura, 12-16,5 x 2,5-3 cm. Semente subcircular a elíptica, 7-9 x 6-7 mm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. PARANÁ: Castro, Estrada do Cerne Km 104, 20.XII.1952, fl., G. Hatschbach 5449 (HB). Clevelândia, Rincão Torcido, 15.XII.1966, fl., G. Hatscbach (MBM). Curitiba, Parque Birigui, 21.XI.1995, fr., V. A. O. Dittrich et al. 22 (UPCB). Foz do Iguaçu, Parque Nacional do Iguaçu, 21.XI.1989, fl., A. C. Cervi et al (UPCB). Fóz do Iguaçú, 9.XI.1963, fl., E. Pereira & G. Hatschbach 7779 (RB). Pinhão, Rio Verde, 15.I.1992, fr., H. R. S. Abrão & A. J. Kostin 235 (MBM). Pitanga, Borboleta, 13.XII.1973, fl., G. Hatscbach (HB). São Pedro do Ivaí, Fazenda Barbacena, 13.XI.2003, fl., O. S. Ribas et al (RB). Tibagi, Faz. Monte Alegre, 21.II.1942, fl., G. Ceccatto & J. G. K. Barbosa 41 (RB); RIO GRANDE DO SUL: Canela, Caracol, 8 Km N. de Canela, 28.XII.1972, fl., J. C. Lindeman s.n. (ICN 21815). Erechim, Reserva Municipal, 26.IV.1990, 59

77 fr., G. C. Coelho s.n. (ICN 90426). Giruá, Granja Sodol, , fl., K. Hagelund 2943 (ICN). Santa Rosa, 13.V.1965, fr., K. Hagelund 3638 (ICN). São Leopoldo, Quilombo, 5.XII.1933, fl., J. Dutra s.n. (ICN 14758); SANTA CATARINA: Florianópolis, Tapera, Ribeirão, 19.XI.1968, fl., Klein et al (ICN). Novo Horizonte, Lauro Muller, 16.XII.1958, fl., R. Reitz & Klein 8069 (ICN). Ipira, Linhas dos Pintos, 27º21 35 S, 51º47 45 W, 653 m elev., 1.XII.2008, S. Dreveck & F. E. Carneiro 448 (RB). Ipumirim, 26º59 05 S, 52º11 35 W, 13.II.2009, fr., A. L. de Gasper et al (RB). Itapiranga, Popi, 27º05 16 S, 53º40 54 W, 742 m elev., 30.I.2009, fr., M. Verdi et al (RB). Passo do Socorro, 10.XI.1961, fl., E. Pereira & Pabst 6881 (RB). Passo do Socorro, Lages, 23.XII.1962, fl., R. Reitz & Klein (RB). Lages, Fazenda Pai Querê, coord.: , , 780 Elev., 26.VI.2009, fr., M. Grings et al. s.n. (ICN ). Monte Castelo, Serra do Espigão, 13.XII.1962, fl., Klein 3973 (HB). Seara, Nova Teutonia, 2.XII.1943, fl., F. Plaumann 234 (RB). Tunápolis, Raigão, 26º57 23 S, 53º41 08 W, 604 m elev., 27.II.2009, fr., M. Verdi et al (FURB, RB). Distribuição geográfica: no Brasil desde o estado do Paraná até o Rio Grande do Sul. Ocorre também na Argentina (Cialdella 1984) e no Paraguai (Rico-Arce 2007). Hábitat: Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Mista, em mata pluvial e mata latifoliada, mata de Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze (Burkart 1979). Épocas de floração e frutificação: floresce de novembro a fevereiro e frutifica de novembro a junho. Nomes populares: vamos-junto, unha-de-gato e garapiá (RS, segundo Burkart 1979). Apresenta grande similaridade com S. tucumanensis, distinguindo-se pelos ramos quadrangulares (vs cilíndricos), nectários extraflorais da raque um entre cada um de todos os pares de pinas (vs entre 1 a 2 pares de pinas basais e entre 2 a 4 terminais), foliólulos maiores, com 4-13 x 2-4 mm (vs 2-7 x 0,8-2 mm) e ovário glabro (vs viloso). Apresenta variação quanto ao hábito, de arbustivo-lianóide a liana, ocasionalmente formando populações densas e impenetráveis (Burkart 1979). 60

78 Mapa 8. Distribuição geográfica de Senegalia miersii (Benth.) Seigler & Ebinger ( ), S. nitidifolia (Speg.) Seigler & Ebinger ( ) e S. olivensana (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. 15. Senegalia olivensana (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger. Phytologia 88(1): Acacia olivensana G. P. Lewis, Kew Bull. 51: Tipo: Brasil. Bahia: Municipio de Ilhéus, ca. 9 km along road from Olivença to Maruim, 9.X.1989, A. M. Carvalho & S. Faria 2554 [holótipo: CEPEC; isótipos: K (foto K!), NY]. Mapa 8; Ilustração: Lewis (1996a). Arbustos escandentes. Ramos sutilmente pentagonais, acúleos recurvos, separados entre si, frequentes em todos os ramos. Estípulas ovado-triangulares, 3,5-2,5 mm, estriadas. Folhas 4-5 pares de pinas, pecíolos 3-3,7 cm compr., com 2-4 nectários extraflorais sésseis, fusiformes a oblongos, nos terço inferior, médio e superior do pecíolo; raque foliar 5,1-7,3 cm, aculeadas, sem nectários; raques das pinas sem nectários; foliólulos oblongos, apicais obovados, base truncada, ápice obtuso, rotundo ou rotundo-mucronulado, sésseis, 7-10 pares por pina, venação broquidódroma, adaxialmente glabros, abaxialmente pubescentes, x 4-9 mm. Brácteas ovado-triangulares, estriadas. Inflorescências capitadas, 3-4-fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas. Flores subsésseis, pedicelo 61

79 ca. 0,5 mm, pentâmeras, cálice campanulado, viloso, 2-2,5 mm compr.; corola campanuladoinfundibuliforme, glabra, lacínios papilosos nos bordos, 3,2-3,4 mm compr.; ovário viloso. Legume falcado, margens levemente sinuosas, com valvas elevadas sobre as sementes, glabros, cartáceos, castanho-escuros, 17,5-22,5 x 3-4,4 cm. Semente circular a levemente oblonga, 0,95-1 x 0,7-0,8 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Ituberá, Fazenda Jubiabá, Reserva Legal, 13º43 S, 39º08 W, fl., 3.IX.2001, D. L. Loureiro 526 (ALCB, CEPEC). Ilhéus, Olivença, Estrada de Olivença para Vila Brasil, 31.I.2006, fr., J. E. Meireles et al. 424 (RB). Distribuição geográfica: Bahia. Hábitat: Restinga. Épocas de floração e frutificação: floresce em setembro e frutifica em janeiro. A espécie é prontamente reconhecida pelos nectários peciolares fusiformes a oblongos e pelos foliólulos oblongos. Apresenta relativa similaridade com S. langsdorffii, diferindo principalmente pelos ramos fortemente angulosos (vs cilíndricos), 2-4 nectários peciolares (vs um nectário), foliólulos com venação broquidódroma (vs hifódroma) e pelo tamanho consideravelmente maior dos frutos, com 17,5-22,5 x 3-4,4 cm (vs 8-10,5 x 1,5-2,6 cm), os quais são falcados (vs retos). 16. Senegalia parviceps (Speg.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia adhaerens var. parviceps Speg., Bol. Acad. Nac. Ci. (Córdoba). 26: Acacia parviceps (Speg.) Burkart, Legum. Argent. 2ª ed Tipo: Argentina. Jujuy: Sierra Santa Bárbara, XI.1911, C. Spegazzini s.n. (LPS 14309) [lectótipo (Cialdella 1984): LP]. Mapa 11; Fig. 12a-i. Lianas com ramos cilíndricos multiestriados, estrias delgadas, esparsamente puberulentas a glabrescentes, plúmbeos, acúleos recurvos, separados entre si, esparsamente dispostos. Estípulas caducas. Folhas pares de pinas, pecíolos 1-1,6 cm, um nectário extrafloral elevado-calicióide, estipitado, no terço médio a superior do pecíolo; raque foliar com 9-13,7 cm, esparsamente aculeada, tomentosa, com nectários elevado-côncavos a elevado-calicióides entre os 4-6 pares de pinas terminais; raques das pinas sem nectários; 62

80 foliólulos lineares, base truncada e ápice agudo, sésseis, por pina, venação hifódroma, faces glabras e margens ciliadas com tricomas alongados na curvatura da base, 1,3-2,5 x 0,3-0,8 mm. Brácteas precocemente caducas. Inflorescências capitadas, 2-3-fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis, cálice pentâmero, campanulado, esparsamente puberulento, 1-1,2 mm compr.; corola pentâmera, tubular, glabra, 1,9-2,1 mm compr.; ovário viloso. Legumes retos, margens raramente constritas, esparçamente puberulentos, com alguns tricomas capitados de ápice enegrecido, cartáceos, castanho-claros, 7,5-11 cm. Sementes não vistas. Material examinado: BRASIL. MINAS GERAIS: Manhumirim, 9.II.1973, fl., G. Hatschbach & Z Ahumada (MBM). PARANÁ: Bandeirantes, Mata São Francisco, 13.VIII.1994, M. V. Ferrari Tome 52 (MBM). Campo Mourão, Parque Estadual do Lago Azul, 24.III.2007, fr., A. R. Silva 285 (RB). Londrina, Mata da Confepar, 24.III.2000, fr., J. A. Ferreira et al. s.n. (MBM ). Maringá, Horto Florestal, 7.XII.1965, fl., G. Hatschbach et al (RB, UPCB). Ortigueira, Bazilio, km 367, 6.XI.1998, O. C. Pavão et al. s.n. (UPCB 44130). Tibagi, Parque Estadual do Guartelá, 5.V.2004, fr., M. R. B. do Carmo 894 (RB). SÃO PAULO: Gália, Estação Ecológica de Caetetus, 7.VII.1994, fr., J. R. Pirani et al (SPF). Tarumã, Fazenda Betânia, 20.XII.1995, fl., V. C. Souza & J. P. Souza 9708 (SPF). Distribuição geográfica: Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Hábitat: Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Mista, geralmente em borda de florestas e beira de estradas. Épocas de floração e frutificação: floresce de dezembro a fevereiro e frutifica de março a julho. Os exemplares examinados foram aceitos como S. parviceps, entretanto, durante a consulta a obra original (Spegazzini 1924) e a análise da foto do tipo (Spegazzini s.n. (LPS 14309) [lectótipo (Cialdella 1984): LP, foto LP!] foram encontradas algumas distinções. Foram observadas diferenças principalmente em relação ao número de 16 a 27 pares de pinas nos espécimes estudados (vs 6 a 10 pares na descrição original de S. parviceps) e o nectário peciolar elevado-calicióide, estipitado (vs elíptico, ou orbicular-escuteliforme, séssil). Em 63

81 relação à análise da foto do tipo, notou-se sobretudo a distinção em relação ao formato dos ramos, que não são plúmbeos mas pardacentos, com acúleos robustos e os foliólulos aparentemente maiores. Entretanto, a maioria dos espécimes estudados no Brasil são identificados como S. parviceps nos herbários consultados. Preferiu-se manter esta espécie sob a determinação de S. parviceps enquanto não há a confirmação plena de tratar-se de um táxon distinto. 64

82 Figura 12. Senegalia parviceps (Speg.) Seigler & Ebinger: a. ramo florífero; b. acúleos recurvos; c. nectário extrafloral elevado-calicióide no terço médio a superior do pecíolo; d. foliólulo linear, séssil, venação hifódroma, faces glabras, margens ciliadas e tricomas alongados na curvatura da base; e. inflorescência capitada; f. bractéola; g. flor séssil; h. ovário viloso; i. legume reto (a-h. J.C. Lindemann 13247; i. M.R.B Carmo 894). 65

83 17. Senegalia pedicellata (Benth.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia pedicellata Benth., London J. Bot. 1: Tipo: Brasil, J. E. Pohl 1440 [holótipo: K (foto NY); isótipo: K]. Mapa 9; Fig. 4d; Fig. 13a-b. Arbustos escandentes ou lianas, caule tetralobado, lobos achatados. Ramos cilíndricos, estrias conspícuas, diminutas pontoções negras, acúleos recurvos, separados entre si, esparsos. Estípulas caducas, não vistas. Folhas 2-4 pares de pinas, pecíolos 2-6 cm compr., 2-4 com nectários extraflorais elevado-côncavos, orbiculares a elípticos, sésseis, no terço inferior ou médio; raque 3,3-8 cm, inermes a esparsamente aculeadas, 1 nectário extrafloral entre cada par de pinas ou restrito ao par terminal, elevado-côncavos, orbicular, séssil a subséssil; raque das pinas com nectários extraflorais elevado-côncavos, sésseis a subsésseis, orbiculares ou elípticos; foliólulos ovados a obovados, base assimétrica e ápice rotundo-apiculado a levemente retuso, subsésseis, peciólulo 1,1-1,3 mm, 8-26 x 6-17 mm, 4-6 pares por pina, venação broquidódromo-reticulada, esparsamente pubescentes a glabrescentes, 1-4 cm. Brácteas ovado-cordadas. Inflorescências capitadas, 1-4-fasciculadas, em sinflorescências terminais. Bractéolas não vistas. Flores com pedicelos 2-3 mm, pubérulos, tetra ou pentâmeras; cálice campanulado-infundibuliforme, pubérulo, 2,6-3 mm compr.; corola infundibuliforme, glabra, 3-3,5 mm compr., com papilas nos bordos dos lacínios; ovário glabro. Legume reto, glabro, cartáceo, castanho, x 4,2-5,3 cm. Semente orbicular, 1,2-1,4 x 1-1,2 cm, pleurograma e embrião não vistos. Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Magé, Distrito de Santo Aleixo, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, 22º31 44 S, 43º02 53 W, 26.IX.2007, fl., M. Nadruz et al (RB). Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia, antes da ponte do Maromba, 22º25 49 S, 44º37 4 W, 1099 m elev., 18.XII.2005, A. F. Brandes & J. P. Pires 95 (RB). Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia, antes da ponte do Maromba, 22º25 49 S, 44º37 4 W, Elev. 1099, 24.II.2006, A. F. Brandes & J. P. Pires 96 (RB). Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia, estrada para cachoeira do Maromba, 22º26 07 S, 44º36 47 W, 1050 m elev., 8.XI.2005, A. F. Brandes & I. Aximoff 45 (RB). Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia, próximo ao Hotel Simond, 22º26 09 S, 44º36 35 W, 1100m elev., 20.VIII.2005, A. F. Brandes & I. Aximoff 37 (RB). Rio de Janeiro, Jardim Botânico do Rio de Janeiro, atrás da casa dos pilões, 66

84 12.IX.1991, A. M. S. F. Vaz & Ricardo 939 (RB). Rio de Janeiro, Estrada da Vista Chineza, 20.IX.1960, fl., A. P. Duarte 5301 (HB, RB). Rio de Janeiro, P. N. da Tijuca, Estrada Dona Castorina km 2, 23.VIII.1990, fl., D. S. Pedrosa 1316 (GUA). Rio de Janeiro, Horto Florestal, 7.VI.1927, fr., Pessoal do Horto Florestal s.n. (RB 2724). Rio de Janeiro, Horto Florestal, Jardim Botânico, 3.IX.1921, fl. e fr., A. Ducke & J. G. Kuhlmann s.n. (RB 802). Rio de Janeiro, Gávea, Chácara do Fonseca, 8.VIII.1920, fl., Constantino s.n. (RB 11818). Distribuição geográfica: Rio de Janeiro. Hábitat: Floresta Ombrófila Densa, em bordas de florestas e vegetações secundárias. Épocas de floração e frutificação: floresce de junho a setembro e frutifica de junho a outubro. Distingue-se pelos foliólulos obovados e flores com longos pedicelos (2-3 mm). Os foliólulos demonstram-se maiores do que aqueles descritos na obra original, contudo Bentham (1842) ressaltou que o tipo possuía folhas imaturas. O espécime de Serra dos Órgãos (Nadruz 2042, RB), possui um número maior de nectários extraflorais peciolares (4), além do caráter subséssil dos nectários das raques secundárias, os quais geralmente são sésseis. Foi observada tetrameria floral em espécimes do município do Rio de Janeiro. Quando estéril pode ser confundida com Piptadenia adiantoides (Spreng.) J. F. Macbr., diferindo-se pelo caule lobado (Brandes & Barros 2008) e tetagonal (vs cilíndrico) e nectários extraflorais peciolares sésseis (vs elevados em P. adiantoides), orbiculares. É citada para os estados da Bahia e Minas Gerais (Bentham 1842; Rico-Arce 2007). Bentham (1876) especifica uma das localidades de ocorrência como Minas Geraes ad viam publicam prope Tejuco, referindo-se possivelmente ao rio Tejuco, que atravessa diversos municípios do estado de Minas Gerais, o segundo maior afluente do rio Paranaíba. Entretanto, não foram reconhecidos materiais dentre as coleções analisadas que comprovem a presença da espécie nestas regiões. Santos (2010) comenta que a espécie não foi encontrada para Minas Gerais e que o registro deste táxon para o estado poderia se tratar de um equívoco. 67

85 Mapa 9. Distribuição geográfica de Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. pedicellata (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. a b Figura 13. Senegalia pedicellata (Benth.) Seigler & Ebinger: a. caule tetralobado; b. folhas com foliólulos obovados (mata do Horto Florestal, Rio de Janeiro RJ). Fotos: M. Barros. 68

86 18. Senegalia piptadenioides (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger. Acacia piptadenioides G. P. Lewis, Kew Bull. 44: 171. (fig. 1) Tipo: Brazil. Bahia: Uruçuca to Ubaitaba, roadside, 20.IV.1970, T. S. dos Santos 746 [holótipo: CEPEC! (foto K)]. Mapa 11; Ilustração: Lewis (1989). Liana. Ramos cilíndricos, glabros, esparsamente aculeados, acúleos recurvos, separados entre si, em geral enegrecidos no ápice. Estípulas não vistas. Folhas com um par de pinas; pecíolo glabro, 2,5-4,3 cm, com um nectário extrafloral elíptico, séssil, no terço inferior do pecíolo e outro entre o par de pinas terminal; raques das pinas com um nectário circular, levemente elevado, globoso, logo abaixo do par terminal de foliólulos; foliólulos subsésseis, peciólulos com ca. 0,9-1,1 mm, rombóide-elípticos, levemente falcados, base assimétrica, obtusa, ápice obtuso-mucronulado, 2-3 por pina, com um par terminal, venação broquidódroma, gradualmente tornando-se reticulada em direção às margens, glabros, x 9-34 mm. Brácteas não vistas. Inflorescências espigadas, 1-2-fasciculadas, com, 6,8-7 cm, dispostas em sinflorescências terminais. Flores curtamente pediceladas, pedicelos ca. 0,7 mm, pentâmeras, cálice campanulado, canescente, 1,4-1,6 mm; corola campanulada, canescente, 2,5-3,0 mm; ovário viloso. Fruto desconhecido. Material examinado: Brazil. Bahia: Uruçuca to Ubaitaba, roadside, 20.IV.1970, T. S. dos Santos 746 (CEPEC). Distribuição geográfica: Bahia. Hábitat: Floresta Ombrófila Densa. Épocas de floração e frutificação: floração conhecida apenas para abril; frutificação desconhecida. A espécie é conhecida apenas do exemplar tipo e, de acordo com Lewis (1989), tratase provavelmente de uma espécie extinta, uma vez que era endêmica restrita e sua área de ocorrência encontra-se hoje antropizada devido às lavouras cacaueiras. Em 1986 foi realizada uma tentativa de localização da espécie (Lewis 1989), entretanto sem êxito. Durante o desenvolvimento do presente trabalho visitou-se a localidade típica, porém também não foram encontrados indivíduos de S. piptadenioides nesta localidade e em áreas próximas e com vegetação similar. O fruto da espécie é desconhecido, entretanto, Lewis (1989), ressalta que 69

87 não há dúvidas de que o exemplar Santos 746 pertentence à Acacia subg. Aculeiferum (seções Monacanthea e Aculeiferum) de Vassal (1972), o que representa, atualmente, uma espécie pertencente ao gênero Senegalia (Seigler et al. 2006). A espécie se assemelha a S. kallunkiae, S. miersii e S.mikanii principalmente pelo tamanho e formato dos foliólulos. 19. Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose, Ann. New York Acad. Sci. 35: Acacia polyphylla DC., Cat. Pl. horti monsp Tipo: Colômbia: Santa Marta, Balb Herb. Bertero (holótipo DC-G). Acacia glomerosa Benth., London J. Bot.: Tipo: Ceará, Crato, Gardner 1940 [lectótipo designado por Rico-Arce (2001): K (fotos F, K!, MEXU, NY!); isolectótipo: BM, F, G, OXF]. Mapa 10; Fig. 1b; Fig. 2b,f,k,l; Fig. 4a; Fig. 14a-c; Ilustração adicional: Bocage (2005). Arbustos eretos ou árvores, 3-30 m alt., caule cilíndrico, estrias longitudinais aculeadas, raro inermes. Ramos cilíndricos, pubescentes a glabrescentes; acúleos retos a incurvos, separados entre si, raramente ausentes. Estípulas lanceoladas, estriadas, 7 x 1,2 mm, caducas. Folhas 7-19 pares de pinas, pecíolo 2,8-4 cm compr., com um nectário extrafloral elevado-côncavo, séssil, no terço médio ou inferior; raque 6-15 cm, inerme ou esparsamente aculeada, nectários extraflorais elevado-côncavos, sésseis, entre 1-4 pares de pinas terminais; raque das pinas sem nectários; foliólulos lanceolados a elípticos, falcados, base obtusa, ápice agudo-acuminado a obtuso-acuminado, sésseis a sub-sésseis, peciólulo 0,5 mm, pares, faces pubescentes, venação reticulódroma laxa, margens densamente pubérulas, 3-12 x 1-5 mm, discolores. Brácteas linear-lanceoladas. Inflorescências capitadas, paucifloras, 3-5- fasciculadas, em sinflorescências terminais. Bractéolas cuneiforme-espatuladas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, canescente, 1,5-2,2 mm compr.; corola campanulado-infundibuliforme, canescente, 3-4 mm compr.; ovário viloso. Legume reto ou levemente falcado, grabro, cartáceo, castanho-alaranjado, margens sinuosas, 11,5-24 x 2,5-4,5 cm, com venação reticulada conspícua, partindo das margens. Semente 1-1,2 x 0,6-0,8 cm, pleurograma mediano ou apical-basal. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Itabuna/Jaquaquara, 22.I.1965, fl., Lanna & Castellanos 684 (GUA). Jussari, RPPN Serra do Teimoso, Sede da Reserva, 15º9 16 S, 70

88 39º31 52 W, 12.IX.2001, fr., J. G. Jardim et al (RB). Utinga, próximo à Riachão do Utinga, 12º03 S, 41º09 W, 3.IV.1986, fl., A. C. Sarmento e H. P. Batista 857 (ALCB); CEARÁ: Crato, Sítio Fundão, 10.VIII.1993, fl., sem coletor (RB ). Guaramiranga, Sítio Salva Vidas, Floresta Ombrófila Densa Montana, 23.I.2009, fl., J. R. Lima 712 (RB). Pacatuba, 28.VII.1979, fr., J. E. Paula & R. C. Mendonça 1284 (VIC). Pacoti, Sítio São Paulo, estrada para cachoeira, 4º S, 38º W, 600m elev., 10.X.2007, fr., J. R. Lima 272 (RB). Serra de Baturité, Sítio Caridade, 30.XII.1937, fl. e fr., J. Eugenio S. J. 576 (RB); ESPÍRITO SANTO: Cachoeiro de Itapemirim, RPPN Cafundó, 15.II.2009, fl., J. M. L. Gomes 3201 (VIES). Conceição do Castelo, 20.III.1993, fl., P. C. Vinha & J. M. L. Gomes 1418 (VIES). Fundão, Três Barras, 22.V.1984, fr., R. M. Pizziolo 121 (RB). Governador Lindenberg, propr. José Antônio, 19º13 58 S, 40º28 51,7 W, 250 m/s.m. elev., 22.VIII.2006, fr., V. Demuner et al (MBML, RB). Santa Teresa, Rio Saltinho, 29.V.1984, fr., W. Boone 188 (MBML, RB). Sooretama, Reserva Biológica de Sooretama, 5.VI.2007, fr., Iganci et al. 250 (RB); MATO GROSSO DO SUL: Amambai, 8.II.1993, fl., G. Hatschbach et al (UPCB). Ivinhema, 22º22 S, 53º47 W, 7.XI.1981, P. P. Furtado 103 (RB). Rio Brilhante, Fazenda Bela Vista, 25.I.1971, fl., G. H. Hatschbach (RB); MINAS GERAIS: Caratinga, Estação Biológica de Caratinga, 24.III.1986, fr., L. M. Andrade & M. A. Lopes 745 (RB). Itaobim - Vitória da Conquista, BR 116, 14º45 2,4 S, 40º40 35 W, 26.IX.1999, fr., S. M. Faria et al (RB). Lima Duarte, São José dos Lopes, V.1995, V. C. Almeida 305 (GUA). Leopoldina-Além Paraíba road, 21º25 S, 42º30 W, 18.I.1985, fl., A. Gentry et al (RB). Malacacheta, próximo à Vila de Setubinha, 17º34 19 S, 42º08 03 W, ca. 700 m elev., 27.VI.1989, Pedralli & Oliveira 27 (RB). Monte Belo, Fazenda Lagoa, 29.VII.1986, fr., M. C. W. Viera 971 (RB). Uberlândia, Margem do Rio Tijuco, 23.I.1996, fl., M. R. P. Silva 2564 (HB); PARAÍBA: Areia, Mata do Pau-ferro, 5.X.1999, fr., M. R. Barbosa 1830 (JPB). Itapororoca, 15.XII.1971, fl., R. P. C. Carvalheira s.n. (JPB 3050). Monteiro, Serra do Peru, 7º50 31 S, 37º7 29 W, 21.V.2008, fl., P. C. Gadelha Neto & M. C. Pessoa 2264 (JPB). Teixeira, Serra de Teixeira, Pico do Jabre, 7º11 10 S, 37º08 22 e 37º25 23 W, m elev., 25.II.1994, fl., M. F. Agra 2741 (JPB); PARANÁ: Arboreto Dr. Kissin, Fazenda Monte Alegre, 9.X.1991, S. M. Faria 378 (RB). Cascavel, Santa Tereza, 8.II.1969, fl., G. Hatschbach (UPCB). Cerro Azul, Turvo, 11.II.1960, fl., G. Hatschbach 6732 (R). Fênix, Parque Estadual de Vila Rica do Espírito Santo, 18.II.1998, fl., 71

89 S. M. Silva s.n. (UPCB 33177). Floresta, 25.I.1962, fl., Reitz & Klein (HB). Londrina, Parque Estadual Mata dos Godoy, ca. 23º27 S, 53º15 W, 550 m elev., 5.I.1992, fl., M. Silveira 403 (UPCB); PERNAMBUCO: Brejo da Madre de Deus, Mata do Malhada, 80º11 14 S, 36º W, m elev., 10.V.1999, fl., A. G. Silva 1 & L. M. Nascimento (PEUFR). Jataúba, Mata do Balame, 3.IV.1995, fl., F. Moura 133 (UFP). Pesqueira, Serra do Ororobá, 15.V.1996, fl., M. Correia 451 (UFP). Pombos, 6.III.2002, fl., A. Bocage 828 (IPA); RIO DE JANEIRO: Armação dos Búzios, Rasa Brejo da Fazendinha, 22.II.2006, fr., R. D. Ribeiro et al. 603 (RB). Carmo, estrada para o Quilombo, 21º57 6 S, 42º33 52 W, 28.VII.2010, fr., M. J. F. Barros et al. 88 (RB). Maricá, Restinga de Maricá, Estrada Praia-asfalto, 29.IV.1985, fr., S. M. Faria & H. C. Lima 231 (RB). Petrópolis, E. do Rio, III.1944, fl., O. C. Góes & Dionísio 225 (RB). Rio das Flores, altitude 510 m, 4.III.1980, fl., M. B. Casari et al. 179 (GUA). Rio de Janeiro, Casa do Bispo, Centro de Estudo do Sumaré, 9.VIII.1985, fr., J. Cominote 107 (GUA). Rio de Janeiro, entre Silvestre e Santa Alexandrina, 15.III.1922, fr., A. Ducke & J. G. Kuhlmann s.n. (RB 1923). Rio de Janeiro, Guadalupe, Estrada do Camboatá, 22.VII.1985, fr., C. Farney et al. 787 (RB). Rio de Janeiro, Ilha do Governador, 9.I.1979, fl., M. Barth s.n. (RB ; CEPEC 94898). Rio de Janeiro, Jardim Botânico do Rio de Janeiro, borda de mata próxima ao orquidário, 15.III.1010, fl, M. J. F. Barros & L. G. B. Inácio 59 (RB). São Francisco de Itabapoana, Guaxindiba, Mata do Carvão, 24.IV.1997, fr., H. C. Lima & S. M. de Faria 5336 (RB). Teresópolis, Sebastiana, 3.VIII.2005, O. Thier & Stuber 132 (RB); SÃO PAULO: Andradina, Estação Experimental de Zootecnia, 7.VIII.1995, fr., M. R. Pereira-Noronha et al (SPF). Bauru, Reserva Estadual de Bauru, 26.V.1994, fr., J. Y. Tamashiro et al. 171 (SPF). Campinas, Faz. Santa Genebra, 20.III.1977, fl., H. F. Leitão Filho & G. S. Shepherd 4644 (RB). Jales, Pastos do Retiro, 20.I.1950, W. Hoehne s.n. (RB , SPF 12686). José Bonifácio, estrada José Bonifácio-Nova Aliança, 15.II.1993, fl., M. R. Silva 689-B (SPF). Limeira, s.data, fl., A. V. Emelen 129 (SP). Pereira Barreto, 3.VIII.1995, fr., M. R. Pereira-Noronha et al (SPF). Mogi-Guaçu, Estação Experimental de Mogi-Guaçu, 18.I.1977, fl., P. Gibbs & H. Leitão Filho 4288 (MBM). Rosana, arredores, IX.II.2008, fl., O. S. Ribas et al (MBM). 72

90 Distribuição geográfica: no Brasil está presente na maioria dos estados (Tabela 1). Amplamente distribuida pelas Américas, estendendo-se desde o México à Argentina (Rico- Arce 2007). Hábitat: no Domínio Atlântico é mais freqüente em áreas de Floresta Estacional Semidecidual, Brejos Nordestinos, Floresta Ombrófila Densa e Restinga. Ocorre também nos domínios fitogeográficos Amazônia, Caatinga, Cerrado e Pantanal. Épocas de floração e frutificação: floresce de dezembro a agosto e frutifica de fevereiro a dezembro. Nomes populares: anjico-branco (MG, PR), anjiquinho (MG), espinheiro (MT), espinheirobranco (PB, SE), gorocaia (PR), guarucaia (SP), manjoleiro (SP), monjoleiro (MG, PR, SP), paricá branco de espinho (PA), paricá-rana (PA). No Domínio Atlântico a espécie apresenta grande plasticidade morfológica, principalmente em relação ao tamanho dos foliólulos. No entanto, o táxon é de fácil distinção pelos ramos com estrias conspícuas, acinzentadas, acúleos retos a incurvos, nectários peciolares elevado-côncavos, presentes sempre no terço inferior do pecíolo, flores com cálice e corola canescentes, facilmente visível ao olho nu em material herborizado e frutos com venação reticulada conspícua. Em coleções de herbários é bastante freqüente a presença de exemplares identificados como A. glomerosa, que foi sinonimizada em A. polyhylla (Rico-Arce 2001). Cialdella (1984), ao tratar A. glomerosa e A. polyphylla mencionou a grande similaridade entre ambas e destacou que o número de jugas e o tamanho e formato do ápice dos foliólulos eram os únicos caracteres que as mantinham como táxons independentes. De Candolle (1813), na obra original de A. polyphylla, não fez a citação de exemplar tipo, mas apenas referiu-se à similaridade entre esta espécie e A. lophanthae, citada por ele sem autor. Atualmente, A. lophantha Willd. é sinônimo de Paraserianthes lophantha (Willd.) I.C. Nielsen. De Candolle (1825) ao tratar novamente A. polyphylla citou, após o protólogo, a localidade de Sanctam-Martham como local onde crescia a espécie, e fez menção a Acacia riparia Bertero, descrita por Sprengel (1826) como A. riparia Bertero ex Spreng. Na obra de Sprengel (1826) foi citada como localidade, provavelmente típica de A. riparia: Ad fl. Magdalen. Britton & Rose (1936) na combinação para Senegalia polyphylla citam apenas como localidade típica Santa Marta, Colômbia. Cialdella (1984), após análise de uma foto 73

91 do tipo, o citou como: A. polyphylla: S. Martha, Herb. Bertero. Mr. Balb Rico-Arce (2001) citou como obra original de A. polyphylla De Candolle (1825) e como exemplar tipo Sto Domingo, Acacia riparia Bertero (IDC, Vol.2: II.8 K!) ; em trabalho mais recente (Rico-Arce 2007) referiu-se ao material tipo Colômbia; Sta. Marta, Balb Herb. Bertero (holotype DC-G). Seigler et al. (2006), ao tratarem de Senegalia polyphylla citaram Acacia fluviatilis Spreng, como um nome criado para A. riparia Bertero ex Spreng., em virtude da existência de A. riparia Kunth e, também, como um sinônimo de Senegalia polyphylla. Como material tipo Seigler et al. (2006) citaram: Colômbia. Magdalena: Santa Marta, Rio Madalena, 1822, Balbis s.n. (in herbarium Bertero) [neotype Pedley, 1986): G-DC.... Na obra de Pedley 1986, citada na bibliografia do trabalho de Seigler et al. (2006) não foi encontrada nenhuma referência da neotipificação. No presente trabalho não se teve acesso a fotos do exemplar Balbis s.n. Segundo Dr. Seigler (com. pess.) a coleta de Balbis 1822 foi do mesmo exemplar vivo citado por De Candolle (1825) e neotipificado por Pedley (1986); a data do artigo de Pedley onde teria sido feita a neotipificação está sendo revista por Dr. Seigler. Mapa 10. Distribuição geográfica de Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose ( ) no Domínio Atlântico. 74

92 b a c Figura 14. Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose: a. caules jovens evidenciando estrias aculeares; b. aspecto geral de galhos em floração; c. ramo florífero (Barros & Inacio 59). Fotos: M. Barros. 20. Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia pteridifolia Benth., Lond. J. Bot. 1: Tipo: Brasil, Rio de Janeiro: F. Sello 349 [lectótipo designado por Seigler et al. (2006): NY (fragmento F). Mapa 11; Fig. 2j; Fig. 4g,h,i,j; Fig. 15a-b. Arbustos escandentes ou lianas, caule, aculeado. Ramos cilíndricos, estrias inconspícuas, glabros ou raramente pubérulos, acúleos pequenos, recurvos, separados entre si; ocasionalmente ocorrem gavinhas aculeadas. Estípulas caducas, não vistas. Folhas 4-[7-10] pares de pinas, pecíolos 2,5-6 cm compr., um nectário extrafloral séssil, fusiforme, no terço inferior do pecíolo; raque 1,5-5,5 cm, aculeada ou inerme, sem nectários; foliólulos falcadolineares, base truncada e ápice oblíquo-acuminado, sésseis, [39] por pina, venação hifódroma, com poucos feixes secundários, faces glabras, margens ciliadas, 3-12 x mm. Brácteas caducas. Inflorescências espigadas, 2,3-2,8 cm, 2-3-fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas. Flores pediceladas, pedicelo 0,7-1 mm, puberulentos, pentâmeras; cálice campanulado-infundibuliforme, puberulento a glabrescente, 75

93 1,4-2 mm compr.; corola campanulado-tubular a infundibuliforme, lacínios pilosos, 2,9-3,0 mm compr.; ovário totalmente viloso ou apenas na porção superior. Legume reto a levemente falcado, glabro, cartáceo, castanho-claro, margens sinuosas, 7,5-10,5-[23] x 1,7-2,6-[3] cm. Semente elíptica, 1,2-1,5 x 0,7-1 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. MINAS GERAIS: Caratinga, Estação Biológica, 19.IX.1992, S. M. Faria & C. V. Mendonça 496 (RB). Caratinga, Fazenda Montes Claros, 20.II.1992, fr., C. V. Mendonça et al. 224 (MBM). Caratinga, Faz. Montes Claros, 20.IV.1992, fr., C. V. Mendonça 218 (MBM, VIC); PERNAMBUCO: Igarassu, Mata de Piedade, 7º S, 34º W, 118 m elev., 1.II.2010, fl., J. D. Garcia 1417 (UFP). Igarassu, Usina São José, Mata do Pesinho, 9.V.2007, fr., J. S. Marques 64 & N. A. Albuquerque (IPA, UFP). Igarassu, Pesinho, Usina São José, 7º S, 35º W, 14.II.2008, fl., L. M. Nascimento 705 & G. Batista (UFP). Recife, Jardim Botânico do Recife, 27.IX.2010, M. J. F. Barros et al. 111 (RB). Recife, 22.VI.1961, fr., S. Tavares 603 (IPA). Tapera (S. Bento), 4.I.1934, fl., B. Pickel 3478 (IPA, PEUFR); RIO DE JANEIRO: Armação dos Búzios, 19.XI.1996, fl., P. R. do C. Farág et al. 255 (RB). Armação dos Búzios, estrada para o Mirante da Brava, 18.II.2004, fr., R. D. Ribeiro & H. M. G. R. Dantas 119 (RB). Cabo Frio, 15.XII.1996, fl., P. R. C. Farág et al. 301 (RB). Niterói, Parque Estadual da Serra da Tiririca, Morro do Cordovil, 22º55 23 S, 42º59 59 W, 166 msm elev., 21.IV.2007, A. A. M. de Barros & L. J. S. Pinto 3043 (RB). Nova Iguaçu, Parque Municipal de Nova Iguaçu, Estrada da Cachoeira, 08.I.2003, fl., A. Valente & M. C. F. Santos 272 (RB). Rio de Janeiro, Laranjeiras, 29.XI.1927, fl., J. G. Kuhlmann 406 (RB). Rio de Janeiro, Morro Cara de Cão, cerca de 50 m./s. m., 23.IX.1979, fl., J. P. P. Carauta et al (GUA). Rio de Janeiro, Morro de S. João, XII, fl., s.col. (SP 24836). Rio de Janeiro, Sumaré, 2.XI.1938, fl., Markgraf 3131a (RB). São Pedro da Aldeia, Serra Sepeatiba, 22º49 S, 42º09 W, 17.II.1995, fl., J. A. Kallunki & J. R. Pirani 639 (SPF). Distribuição geográfica: Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Hábitat: Floresta Ombrófila Densa e Restinga. Épocas de floração e frutificação: floresce de setembro a fevereiro e frutifica de fevereiro a agosto. 76

94 Senegalia pteridifolia distingue-se facilmente das demais espécies pelo seguinte conjunto de caracteres: 4-[7] pares de pinas e nectário extrafloral séssil e fusiforme na base do pecíolo e inflorescência curtamente espigada, assemelhando-se ao padrão capitado quando jovem. O espécime Belém 1473 (CEPEC) apresenta maior número de pinas (9-10) e pubescência mais facilmente perceptível. Há um comentário de Lewis na referida exsicata, ressaltando que o exemplar talvez seja o único registro de S. pteridifolia para a Bahia. Entretanto, a localidade de coleta datada de 1965 ( BR-5 (BR 101), 5 Km Sul de Morro- Danta ) não pertence ao estado da Bahia. O único registro de uma antiga localidade, com a denominação de Morro Danta foi verificado para o norte do estado do Espírito Santo, pertencendo ao município de Pedro Canário. Também a coleta de Pickel 3478 (IPA, PEUFR) é citada como proveniente de uma localidade não encontrada: Tapera (S. Bento). De forma similar à anterior, esta é uma coleta consideravelmente antiga, de 1934, e a localidade pode ter mudado de nome. Em Pernambuco há um município denominado São Bento do Una, e é possível que seja o mesmo ao qual Pickel 3478 relatou na exsicata:...s. Bento. A espécie é conhecida de poucos locais de coleta, entretanto, é bastante freqüente na floresta do Jardim Botânico do Recife (PE), e na Floresta da Tijuca (RJ). Os exemplares do herbário RB são em grande parte oriundos de Floresta Ombrófila Densa do estado do Rio de Janeiro e poucos são provenientes de Restinga. 77

95 Mapa 11. Distribuição geográfica de Senegalia parviceps (Speg.) Seigler & Ebinger ( ), S. piptadenioides (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger ( ) e S. pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. b a Figura 15. Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger: variação no número de pares de pinas: a. folha com 5-6 pares de pinas; b. folha com apenas 2 pares (trilha do Morro da Urca, Rio de Janeiro RJ). Fotos: M. Barros. 21. Senegalia recurva (Benth.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia recurva Benth., Lond. J. Bot. 1: Tipo: Brasil, Rio de Janeiro: Organ Mountains, G. Gardner 359 [holótipo: K (fotos F, G, K!); isótipos: G, P, SI]. 78

96 Mapa 12; Fig. 16a-h. Lianas ca. 10 m alt., caule achatado, bilobado, com quatro séries de acúleos evidentes. Ramos cilíndricos quando jovens, tornando-se quadrangulares e achatados na maturidade; acúleos recurvos, separados entre si, constantes. Estípulas caducas, não vistas. Folhas 4-7 pares de pinas, pecíolos 1,3-3,5 cm compr., 2 nectários extraflorais peciolares, raramente 1, elevado-côncavos, circulares, de sésseis a subsésseis, um no terço médio-inferior e outro no médio-superior do pecíolo ou mediano quando solitário; raque 3,5-5 cm, inerme ou com acúleos inconspícuos, nectários extraflorais elevado-côncavos entre 1-2 pares de pinas terminais; raque das pinas sem nectários; foliólulos falcado-lineares, base truncada, assimétrica, ápice agudo a obtuso, subsésseis, peciólulo 0,4 mm, 16 a 30 por pina, venação hifódroma, com poucos feixes secundários, faces glabras, margens ciliadas, 5-9 x 1-2 mm. Brácteas lanceoladas. Inflorescências capitadas, paucifloras, 2-4-fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Bractéolas lineares. Flores curtamente pediceladas, pedicelos 1 mm, pentâmeras, cálice campanulado-infundibuliforme, puberulento a glabrescente, 2-3 mm compr.; corola infundibuliforme, glabra, com papilas nos lacínios, 3,5-4,5 mm compr.; ovário glabro. Legume reto ou levemente falcado, glabro, cartáceo, castanho com tons de cinzaescuro, 12,5 x 6 cm. Semente, orbicular, 0,6-0,9 x 0,6-0,65 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. ESPÍRITO SANTO: Pinheiros, Reserva Natural Victório Orletti, 18º22 48 S, 40º12 20 W, 130 m elev., 15.XII.2007, fl., V. F. Mansano et al. 492 (RB); RIO DE JANEIRO: Araruama/Iguaba Grande, Estr. BR 5, 30.XII.1962, fl., E. Fromm 1326 (HB). Armação dos Búzios, Brejo da Fazendinha, 21.II.2006, fr., Barros et al. 01 (RB). Arraial do Cabo, Morro do Miranda, 13.I.1988, fl. e fr., D. Araujo 8418 (RB, GUA). Cabo Frio, Morro à direita da Praia da Ferradura, 22.XII.1882, fl., I. H. de Alcantara et al. 121 (GUA). Niterói, Parque Estadual da Serra da Tiririca, 20.XII.2004, fl., N. Coqueiro et al. 39 (RFFP). Rio de Janeiro (Guanabara), matas da Lagoinha, 21.VIII.1968, fr., D. Sucre 3581 (RB). Rio de Janeiro, Horto Florestal, 16.VI.1989, fr., V. Fernandez et al. 01 (RB). Rio de Janeiro, mata próxima ao Horto Florestal, 3.X.1921, fl., A. Ducke & J. G. Kuhlmann s.n. (RB 765). São Pedro da Aldeia, Serra de Sapiatiba, 6.VII.2000, fr., C. Farney & J. C. Gomes 4097 (RB). Saquarema, Praia de Itaúnas, 5.V.1987, fr., H. C. Lima 2854 (RB). 79

97 Distribuição geográfica: Espírito Santo e Rio de Janeiro. Hábitat: Floresta Ombrófila Densa e Restingas, em bordas de matas, áreas úmidas freqüentemente próximas ao mar e margens de rios. É possivelmente endêmica do Domínio Atlântico. Épocas de floração e frutificação: floresce de outubro a janeiro e frutifica de janeiro a agosto. Os espécimes analisados no presente trabalho diferem da descrição original por apresentarem um número menor de pinas do que aquele descrito por Bentham (1842), com 15 a 20 e pelas flores mencionadas como sésseis e glabras. Apesar destas diferenças os exemplares foram tratados como S. recurva, considerando-se que as demais características estão de acordo com a descrição original, assim como a comparação com a foto do tipo. Espécie afim à S. martiusiana e S. riparia, diferindo pelo número de 4 a 7 (vs 7 a 23 pares em S. martiusiana e 6 a 10 pares em S. riparia). No estado do Espírito Santo é apenas conhecida através do espécime aqui examinado, proveniente da Reserva Natural Victorio Orletti, do município de Pinheiro (Mansano et al. 492, RB). Mapa 12. Distribuição geográfica de Senegalia recurva (Benth.) Seigler & Ebinger ( ) e S. riparia (Kunth) Britton & Rose ex Britton & Killip ( ) no Domínio Atlântico. 80

98 Figura 16. Senegalia recurva (Benth.) Seigler & Ebinger: a. ramo florífero; b. acúleo recurvo; c. nectário extrafloral elevado-côncavo; d. foliólulo falcado-linear; e. inflorescência capitada; f. bractéola linear; g. flor isolada; h. gineceu com ovário glabro; i. legume; j. semente com funículo contorcido próximo ao hilo (a-h. Coqueiro 39; i-j. Sucre 3581). 81

99 22. Senegalia riparia (Kunth) Britton & Rose ex Britton & Killip, Ann. New York Acad. Sci. 35: Acacia riparia Kunth., in Humb. Bonpl. & Kunth, Nov. gen. sp. 6: 276. (218, in 4ª ed.) Tipo: Peru. ad confluentem fluminis Amazonum et Chamayae (Provincia Jaen de Bracamores), alt. 225 hex., Humboldt & Bonpland s.n. [holótipo: P ou B-Willd.]. Mapa 12.; Ilustração: Bocage (2005). Liana. Ramos cilíndricos, esbranquiçados, estrias pouco aparentes, acinzentados, glabros, com acúleos esparsos, medianos a robustos, recurvos, ponta enegrecida. Estípulas caducas. Folhas 6-10 pares de pinas, pecíolo 1,3-1,8 cm compr., 1-2 nectários extraflorais peciolares, o basal maior, elevado-côncavos, sésseis, de posição variável, geralmente um próximo ao par de pinas basal; raque 2,2-6 cm, canaliculada, inerme, nectários extraflorais globosos ou elevado-côncavos, 1 entre cada dos três pares de pinas terminais; raque das pinas sem nectários; foliólulos elípticos, levemente falcados, base truncada, assimétrica, ápice acuminado, sésseis, pares por pina, 3-5 x 1-1,3 mm, venação hifódroma, com poucos feixes secundários, faces glabras e margens ciliadas. Brácteas caducas. Inflorescências capitadas, 2-5-fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Flores sésseis, cálice tubular, glabro ou com tricomas esparsos sobre os dentes, 3,3-3,5 mm; corola tubular, glabra, 5-6 mm; ovário não visto. Legumes retos, margens sinuosas, glabros, cartáceos, castanhos e com tons de cinza-púrpura, x 2,3-4,3 cm. Sementes elíptico-circulares, 0,9-1,1 x 0,7-0,9 cm, pleurograma mediano. Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Maricá (Itaipuaçú), Pico Alto Moirão, 17.VI.1985, fr., H. C. Lima et al (RB). Rio de Janeiro, Sacopã, 6.VIII.1946, fr., A.P. Duarte 201 (RB). Material adicional examinado: BRAZIL. BAHIA: Iaçu, BA. 046, 28.II.1980, fl., S. A. Mori (RB). PIAUÍ: Caracol, Serra das Confusões, 8.XII.1980, fl., A. Fernandes s.n. et al. (RB). Distribuição geográfica: No Brasil está presente nos estados: Amazonas, Piauí, Ceará, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro e São Paulo, contudo, apresenta ampla distribuição no Neotrópico, ocorrendo desde o México à Argentina (Rico-Arce 2007). 82

100 Hábitat: Floresta Ombrófila Densa, em áreas de encostas. A espécie ocorre também na Amazônia (Silva 1990), Caatinga (Bocage 2005; Queiroz 2009) e Cerrado (Santos 2010). Épocas de floração e frutificação: floração desconhecida no Domínio Atlântico; frutifica de junho a agosto. A espécie foi citada para o estado do Rio de Janeiro por Bentham (1876) e Barroso (1965), entretanto até hoje é pouco documentada nas coleções de herbários para este estado e não foi recoletada durante o presente trabalho. O material aqui estudado difere em relação aos espécimes de Caatinga pelo hábito de liana (vs arbustivo), variação comum em outras espécies, contudo, outras distinções foram constatadas, principalmente em relação os nectários peciolares elevado-côncavos (vs crateriformes a elevados em espécimes da Caatinga) e foliólulos glabros (vs seríceos a glabrescentes). As flores utilizadas para a descrição pertencem ao material adicional examinado. 23. Senegalia santosii (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia santosii G. P. Lewis, Kew Bull. 51: Tipo: Brazil. Bahia: km along road Conquista to Anagé Catinga, 22 Nov 1972, dos Santos 2488 [holótipo: CEPEC!; isótipo: K (foto K!)]. Mapa 14; Ilustração: Lewis (1996a). Árvores 5m alt. Ramos cilíndricos, multiestriados, puberulentos a glabrescentes, inermes. Estípulas filiformes, 2-6 x 0,4-0,5 mm. Folhas 4-6 pares de pinas, pecíolo 1,1-3,5 cm compr., levemente canaliculado, um nectário extrafloral circular, séssil, elevado-côncavo, no terço superior do pecíolo, logo abaixo do primeiro par de pinas; raque 3-7,1 cm; nectários extraflorais elevado-côncavos, em geral entre cada um dos 2-3 pares de pinas terminais; 1 nectário extrafloral, séssil, elevado-côncavo, nas raques das pinas, logo abaixo do par de foliólulos terminal; foliólulos falcado-lanceolados, base truncada, ápice obtuso-apiculado, sésseis, pares por pina, venação broquidódromo-reticulada laxa, faces glabras, margens esparsamente ciliadas, 4-14 x 2-5 mm, discolores. Brácteas linear-lanceoladas. Inflorescências capitadas, 2-4-fasciculadas, dispostas em sinflorescências axilares. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, pubescente, 1,5-2 mm; corola campanuladoinfundibuliforme, canescente, 3-3,2 mm; ovário glabro. Fruto desconhecido. 83

101 Material examinado: BRASIL. BAHIA: Guaratinga, 8.X.1966, fl., R. P. Belém & R. S. Pinheiro 2748 (CEPEC, IPA). Prado, Estrada do Camping, 2 km ao N de Prado, 17º19 S, 39º14 W, 31.X.1979, fl., L. A. Mattos Silva & H. S. Brito 703 (CEPEC, RB, VIES). Distribuição geográfica: Bahia. Hábitat: Restinga. É também conhecida para a Caatinga. Épocas de floração e frutificação: floresce em outubro; frutificação desconhecida no Domínio Atlântico. Segundo Lewis (1996a), a espécie é afim de Acacia ambigua Vogel, de Hispaniola, atualmente sinônimo de Senegalia vogeliana (Steud.) Britton & Rose (Seigler et al. 2006). O material tipo é oriundo de área de Caatinga e os demais espécimes examinados são de locais de Restinga, bem próximos à localidade típica. Estes são bastante semelhantes ao exemplar tipo, apresentando pouca variação na forma dos foliólulos, os quais são falcado-lanceolados (vs obovado-elípticos no material tipo). Observou-se que alguns dos exemplares dentre o material examinado são identificados como S. langsdorfii, com a qual S. santosii apresenta certa similaridade, diferenciado-se, porém, pelo nectário extrafloral peciolar entre o par basal de pinas (vs mediano em S. langsdorffii) e pelas faces glabras (vs com indumento canescente a canescente-puberulento). Quanto aos caracteres florais S. santosii diferencia-se principalmente pelo ovário glabro (vs lanoso). 24. Senegalia serra (Benth.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia serra Benth., London J. Bot. 1: Tipo: Barra do Bacalhao, IV.1822, F. Sello 890 [holótipo: B presumivelmente destruído (foto G, F!); isótipos: F, K, MO, NY]. Mapa 14; Fig. 1a; Fig. 17a-f. Lianas, 4-5,5 m alt., caule cristado, 4-5 cristas aculeadas, com acúleos recurvos, confluentes, justapostos. Ramos portando acúleos em fileiras conspícuas, glabros, acúleos confluentes ou isolados, incurvos quando na base do pecíolo; gavinhas aculeadas nas axilas foliares. Estípulas linear-lanceoladas. Folhas pares de pinas; pecíolos 5-6 cm compr., glabrescentes, um nectário extrafloral séssil, oblongo-verrucoso, no terço inferior do pecíolo; raque 16,5-24 cm, aculeada, com nectários globosos entre os pares de pinas terminais; 84

102 foliólulos falcado-lineares, base truncada ou atenuada, ápice agudo a acuminado, subsésseis, com peciólulo 0,4 mm, pares por pina, 2-6 x 1-2 mm, venação hifódroma, face adaxial glabra e abaxial esparsamente puberulenta, margens esparsamente ciliadas. Inflorescências capitadas, 2-3-fasciculadas, dispostas em sinflorescências axilares ou terminais. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, 2-2,8 mm compr., puberulento sobre os dentes; corola tubular, 4-5 mm compr., vilosa na face externa dos lacínios; ovário totalmente viloso, ou apenas na porção apical. Legume imaturo com 20 x 3 cm, reto, levemente marginado, cartáceo, superfície levemente rugosa. Sementes não desenvolvidas. Material examinado: BRASIL. MINAS GERAIS: Marliéria, Parque Estadual do Rio Doce, 30.III.1996, fl., J. A. Lombardi et al (BHCB). São Miguel (do Anta), 7.IX.1957, E. C. Rente 438 (R). Viçosa, Agricultural College lands, 12.III.1930, fl., Y. Mexia 4455 (VIC); RIO DE JANEIRO: Carmo, mata da torre de televisão, 26.II.2007, M. J. F. Barros 22 (RB). Material adicional examinado: GOIÁS: Cocalzinho, Fazenda Rio dos Bois, 15º32 12 S & 48º45 58 W, 24.III.2002, fl., M. A. Silva et al (RB). Distribuição geográfica: Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Hábitat: Floresta Estacional Semidecidual. Épocas de floração e frutificação: floresce em março e frutifica em julho. Nomes populares: unha de gato branco (MG). Distingue-se mesmo estéril das demais espécies pelo caule 4-5-cristado e acúleos robustos e confluentes, em forma de serra. Embora Bentham (1876) tenha citado a ocorrência da espécie para o Rio de Janeiro, espécimes representativos para esta ocorrência da espécie não eram encontrados nas coleções de herbários. Indivíduos de S. serra foram localizados em três áreas com vegetação alterada na cidade de Carmo - RJ, entretanto, em fase estéril. A descrição do fruto foi feita em campo e o testemunho, até o presente momento, é apenas fotográfico, necessitando-se de novas visitas ao local para a obtenção de exemplares férteis. Por ocasião de uma das observações de campo constatou-se o forrageamento da secreção extrafloral por diversas formigas (Fig. 6d). 85

103 Figura 17. Senegalia serra (Benth.) Seigler & Ebinger: a. hábito de liana; b. caule pentangular e cristas com acúleos confluentes; c. ramo pendente; d. nectários extraflorais oblongo-verrucosos no pecíolo e formigas forrageando sua secreção; ramo com frutos; f. detalhe do fruto (fotografados em Carmo - RJ). Fotos: M. Barros. 86

104 25. Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose, N. Amer. Fl. 23: Mimosa tenuifolia L., Sp. Pl. 1: Acacia tenuifolia (L.) Willd., Sp. Pl. 4: Tipo: Habitat in America calidiori [lectótipo designado por Seigler et al. (2006): tab 17 de Plumier (1755)]. Acacia paniculata Willd., Sp. Pl. 4 (2): Tipo: Brasil. Pará. Hoffmannsegg s/n. (foto F). Mapa 13; Fig. 1c,e; Fig. 2c; Fig. 18a-b.; Ilustração adicional: Bocage (2005). Arbustos escandentes a lianas, ca. 7-9 m alt., caule cilíndrico, súber esfoliante. Ramos cilíndricos, fortemente estriados, pubescentes, tomentosos a glabrescentes; acúleos recurvos, separados entre si, esparsos ou densamente dispostos, 1,5-5 mm de largura, em trios quando na região nodal. Estípulas lineares, caducas. Folhas pares de pinas, pecíolos 1-4 cm, com 1-[2] nectários extraflorais elevado-côncavos, sésseis, de posição variável do terço médio ao superior; raque 3,2-20 cm, aculeada, nectários extraflorais elevado-côncavos, um entre cada dos 2-5 pares de pinas terminais; raque das pinas sem nectários; foliólulos falcadolineares, base truncada a obtusa, ápice agudo a acuminado, sésseis a subsésseis, peciólulo 0,5 mm, 9-68 pares por pina, venação hifódroma, faces glabras, margens ciliadas, 2-7 x 0,8-2 mm. Brácteas lineares ou escamiformes, persistentes ou caducas. Inflorescências capitadas, 1-5-fasciculadas, em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, raro campanulado-urceolado, pubescente a glabrescente, 1,5-1,8 mm compr.; corola campanulada a infundibuliforme, 2,0-2,5 mm compr.; ovário totalmente viloso ou apenas na metade superior. Legume reto, margens sinuosas, pubescentepulverulento a glabrescente, cartáceo, castanho-claro a escuro, cm. Semente 0,7-0,9 X 0,6-0,7 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. ALAGOAS: São José da Laje, 26.II.2002, fl., M. Oliveira 786 A. A. Grillo (IPA, UFP). União dos Palmares, próximo à Serra do Frio, 12.VI.1980, fr., G. L. Esteves et al. 401 (SP); BAHIA: Itapetinga, km 13 da rodovia Itapetinga/Maiquinique, 3.VIII.1978, fr., L. A. Mattos Silva et al. 199 (RB); CEARÁ: Serra de Baturité, Sítio B. Inácio de Azevedo, II.1938, fl., J. Eugenio S. J. 575 (RB); ESPÍRITO SANTO: Marilândia, Liberdade, 19º21 15,4 S e 40º30 57,6 W, m/s.m. elev., 11.XII.2007, fl., V. Demuner et al (RB); MINAS GERAIS: Caratinga, Estação Biológica de Caratinga, 23.V.1984, fr., P. M. Andrade & M. A. Lopes 193 (SPF). Descoberto, Reserva Biológica da Represa do 87

105 Grama, 27.V.2001, fl., R. M. Castro et al. 417 (UPCB). Monte Belo, Estrada da usina para a Fazenda Lagoa, 21º23 37 S, 46º14 53 W, Elev. 847 m, 29.XI.2007, fl., M. M. Saavedra et al. 601 (RB). São João del Rei, Rio das Mortes, 19.X.2006, fr., G. Del-Vechio 97 (RB). Teixeiras, estrada de Viçosa para Teixeira, 12.XII.1961, fl., M. Magalhães s.n. (HB 33869). Viçosa, Reserva Florestal da Mata do Paraíso, 12.IX.2001, fr., F. C. P. Garcia & I. M. Corrêa 865 (VIC); PARAÍBA: Areia, Mata do Pau Ferro, 6º S, 35º W, 591 m elev., 21.IX.2010, M. J. F. Barros & I. B. Lima 100 (RB). Areia, Mata do Pau-ferro, 8.II.2001, fl., I. S. Nascimento 59 (JPB). Sapé, RPPN Fazenda Pacatuba, 23.III.2001, fl., G. O. Dionísio 104 (JPB). Solânea, 24.V.2001, fr., T. Grisi 203 (IPA, JPB); PARANÁ: Canta Galo, 20.XII.1992, fl., A. C. Cervi et al (UPCB). Cruz Machado, Santana, 8.I.1996, fl., C. Kozera et al. 35 (UPCB). Curitiba, Barigui, 1.II.1971, fl., G. Hatschbach (RB). Curitiba, Capão do Jardim Botânico, 21.I.1992, fl., D. Galli 21 (UPCB). São João, 5.I.1945, fl., G. R. Prata 31 (RB). Faxinal, I.1949, fl., W. Hanke s.n. (UPCB 25838). Lapa, 14.XII.1959, fl., R. Braga & R. Lange 274 (UPCB). Manoel Ribas, 23.XI.1985, fl., s. coletor (UPCB 62027). Foz do Iguaçu, Parque Nacional do Iguaçu, 19.II.1960, fl., E. Pereira 5365 (HB). Porto Amazonas, 28.XII.1997, M. Borgo 180 (UPCB). Telêmaco Borba, Fazenda Monte Alegre, 8.X.1991, S. M. de Faria & J. M. Santos 366 (RB). Três Barras do Paraná, 25.II.1993, fr., R. X. Lima et al. s.n. (UPCB 23995); PERNAMBUCO: Bonito, 8.XI.2003, fl. e fr., O. Cano et al. 65 (IPA). Brejo da Madre de Deus, 1995, fl., E. B. Ferraz & C. Ferreira 339 (IPA). Brejo da Madre de Deus, Estrada do Bituri Grande, 8º12 5 S, 36º23 21 W, 18.X.1999, fr., A. M. Silva et al. 37 (CEPEC). São Lourenço da Mata, 28.III.1996, fl., L. C. de O. Melo s.n. (PEUFR 39613). Timbaúba, em direção a Itambé, 10.VIII.1992, fr., R. Pereira et al. 808 (IPA). Triunfo, 25.III.1993, fr., E. B. Ferraz 235 (IPA); RIO JANEIRO: Armação dos Búzios, Mirante P/ Lagos, entre as Praias Brava e Olho de Boi, 23.V.2010, fl., R. D. Ribeiro et al (RB). Carmo, estrada para Quilombo, 21º57 22 S, 42º33 36 W, 640 msm elev., 27.VII.2010, fr., M. J. F. Barros et al. 83 (RB). Itatiaia, Parque Nacional do Itatiaia, 9.XI.2005, fl., A. F. N. Brandes & I. Aximoff 58 (RB). Nova Friburgo, V Distrito, Rio Bonito de Cima, Estr. Lumiar- Rio Bonito, 830 m elev., 5.III.1995, fl., C. E. B. Pereira 130 (GUA). Nova Iguaçu, Rebio Tinguá, 26.V.1993, fl., M. M. T. da Rosa 382 (RB). Petrópolis, Vale do Sossego, 24.XII.2005, fl., H. C. Lima 6394 (RB). Rio das Ostras, Enseada Morada das Garças, 30.V.2004, fr., R. D. Ribeiro 246 (RB). Rio das Ostras, Mar do Norte, 27.IV.2010, fr., R. D. Ribeiro et al

106 (RB). Rio de Janeiro, Barra da Tijuca, s. data, fr., Kuhlmann s. n. (RB 2676). Sumidouro, Mata da Rancharia, 22º00 06 S, 42º40 30 W, 274 m elev., 29.VII.2010, fr., M. J. F. Barros et al. 90 (RB). Valença, Barão de Juparanã, 17.XI.2000, fl., H. C. Lima et al (RB); RIO GRANDE DO SUL: Sarandi, 26 km NW of Sarandi along the road to Seberi, Elev. 410m, 12.III.1976, fr., G. Davidse & W. G. D Arcy (SP); SANTA CATARINA: Anita Garibaldi, Santa Rosa, 27º37 41 S, 51º07 14 W, 471 m elev., 11.XII.2008, fl., M. Verdi et al (RB). Canoinhas, 49 km west of Canoinhas on the road to Porto União, 750 m elev., 17.XII.1956, fl., L. B. Smith & P. R. Reitz 8599 (R). Itapiranga, Santo Antônio, 27º07 S, 53º47 W, XII.1964, fl., L. B. Smith & R. M. Klein (R). Orleans, 23.XII.1946, fl., R. Reitz 2223 (UPCB). Palmeira, VI.1938, fl., O. Freitas 139 (UPCB). Riqueza, 27º04 S, 53º20 W, 250 m elev., 17.XII.1964, fl., L. B. Smith & R. M. Klein (R). Seara, Sagrado Coração, 27º08 02 S, 52º22 51 W, 471 m elev., 11.XII.2008, fl., S. Dreveck & F. E. Carneiro 468 (RB). Xanxerê, near Antas, 3 km west of Abelardo Luz, m elev., 25.XII.1956, fl., L. B. Smith & Pe. R. Reitz 9255 (R); SÃO PAULO: Cardoso, próximo à rodovia vicinal p/ Vila Alves, 1.XII.1994, fl., L. C. Bernacci et al. 912 (SPF). Coronel Macedo, 23º39 48 S, 49º20 32 W, 540 msm elev., 24.I.1996, fl., V. C. Souza et al (SPF). Ibitinga, 7.VI.1996, fr., V. C. Souza & J. P. Souza (SPF). Itanhaém, Ilha da Queimada Grande, IV.1996, fr., V. C. Souza et al (SPF). Limeira, Fazenda Morro Azul, 12.V.1943, fr., M. Kuhlmann 714 (SP). Piracicaba, 11.II.1993, fl., K. D. Barretto et al. 43 (MBM). Rio Claro, Fazenda São José, 1.XII.1978, fl., Pagano 82 (SPF). Rio Claro, usina Corumbataí, 29.XI.2007, fl., S. A. Nicolau et al (SP). Riolândia, 19º59 17 S, 49º46 14 W, 10.X.1994, fl., A. L. Maestro & A. M. Silveira 19 (SPF). Santa Rita do Passa Quatro, Usina São Valentim, 5.XII.2007, fl. e fr., S. A. Nicolau et al (SP). Sales, 24.VIII.1995, fr., M. D. N. Grecco et al. 144 (SPF). São Paulo, Luiz Antônio, Várzea do Jenipapo, 23.II.1998, fl., S. A. Nicolau 2441 (CEPEC). Ubatuba, Picinguaba, estrada da casa da farinha, 3.V.1989, fl., F. C. P. Garcia et al. 344 (RB). Distribuição geográfica: Está presente na maioria dos estados brasileiros (Tabela 1), apresentando ampla distribuição nas Américas (Rico-Arce 2007). A espécie parece não alcançar a Argentina, estando ausente na revisão de Cialdella (1984). 89

107 Habitat: freqüente em Brejos Nordestinos, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa e Restinga, em áreas baixas, matas ciliares, bordas ou vegetações em regeneração. É também eccontrada nos demais domínios fitogeográficos brasileiros. Épocas de floração e frutificação: floresce de outubro a agosto e frutifica de março a dezembro. Nomes populares: calumbi (PB), calumbi-vermelho (BA), espinho-de-maricá (PR), inhampeba (PR) ou unha-de-gato (MG, PR). A descrição do basiônimo de S. tenuifolia na obra original é bastante breve: "Mimosa aculeata, foliis bipinnatis: partialibus viginti-jugatis: propriis multijugatis. Acacia repens aculeata, flore albo, foliis omnium minimis. Plum. spec. 17. Seigler et al. (2006), realizaram a lectotipificação de S. tenuifolia citando como tipo tab. 17 of Plumier (1755). Entretanto, esta prancha não foi localizada e possivelmente encontra-se no Codex Boerhavianus, Rijksuniversiteit Groeningen (Grimes 1992). A espécie Acacia paniculata, apesar de frequentemente referida em diversos trabalhos, foi sinonimizada a A. tenuifolia por Grimes (1992). A identificação dos exemplares de S. tenuifolia, no presente trabalho, seguiu a descrição de Bentham (1876) para A. paniculata. Grimes (1992), ao publicar uma nova variedade (var. producta), provê uma descrição detalhada para os espécimes provenientes das Guianas. Trata-se de um táxon com considerável variação morfológica nos diferentes locais em que ocorre nas Américas. De acordo com Queiroz (2009), na Caatinga S. tenuifolia apresenta uma grande variação em relação ao porte e à densidade dos acúleos, documentada também para os indivíduos estudados no Domínio Atlântico. Pode ser confundida com S. polyphylla, principalmente em relação ao formato elevado-côncavo dos nectários peciolares e ao número de pares de pinas. Distingue-se principalmente pelo hábito escandente a liana (vs arbustivo ereto a arbóreo em S. polyphylla), caule com súber esfoliante (vs não esfoliante) e acúleos recurvos (vs retos a incurvos). A espécie também possui similaridade com S. lowei, conforme mencionado nos comentários daquela espécie. Os exemplares Reitz & Klein 8027 ICN e Batista s.n. (ICN 2236), apresentam inflorescências que demonstram-se curtamente espigadas. Estes espécimes não foram reconhecidos no presente trabalho como S. tenuifolia e carecem de análises adicionais. 90

108 Mapa 13. Distribuição geográfica de Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose ( ) no Domínio Atlântico. a b Figura 18. Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose: a. ramos pendentes com frutos; b. detalhe de sementes, ainda imaturas, evidenciando o pleurograma (Barros et al. 90). Fotos: M. Barros. 91

109 26. Senegalia tucumanensis (Griseb.) Seigler & Ebinger. Phytologia 88(1): Acacia tucumanensis Griseb., Pl. Lorentz. 19: Acacia riparia var. tucumanensis (Griseb.) Griseb., Abh. Königl. Ges. Wiss. Göttingen 19: Tipo: Argentina. Tucumán: Siambón, Sierra de Tucumán, III.1872, P. G. Lorentz 737 [lectótipo (Burkart 1979): GOET; isolectótipos: CORD, SI]. Acacia riparia var. argentinensis Speg., Bol. Acad. Nac. Cs. Córdoba 26(2): Mapa 14; Ilustração: Spegazzini (1924), como Acacia adhaerens var. argentinensis Speg. Arbustos escandentes a lianas. Ramos cilíndricos, lenticelas esbranquiçadas, glabros ou puberulentos, acúleos recurvos, separados entre si, espaçados, ápice em geral enegrecido, raro inermes. Estípulas caducas. Folhas 5-13 pares de pinas, pecíolo 2-3 cm compr., com 1 nectário extrafloral peciolar estipitado, clavado, ápice de convexo a elevado-côncavo, no terço superior do pecíolo; raque 5-13 cm, inerme ou aculeada, nectários extraflorais estipitados entre 1-2 pares de pinas basais e entre os 2-4 terminais; raque da pina sem nectários; foliólulos lineares a oblongo-lineares, base truncada, ápice acuminado, sésseis, pares por pina, venação aparentemente eucamptódroma laxa, com poucos feixes secundários, faces glabras, margens ciliadas, 2-7 x 0,8-2 mm. Brácteas ausentes. Inflorescências capitadas, 2-4- fasciculadas, dispostas em sinflorescências terminais. Bractéolas espatuladas. Flores sésseis, pentâmeras, cálice campanulado, pubescente, 1,3-2 mm compr.; corola infundibuliforme, puberulenta nos lacínios, 2,8-3 mm compr.; ovário totalmente viloso ou apenas na porção superior. Legume reto, margens retas a sinuosas, glabro, cartáceo, acinzentado quando maturo, 7,5-12 x 1,3-1,8 cm, ápice com apículo de 4 mm. Semente circular a oblonga, 0,7-0,85 x 0,55-0,6 cm, pleurograma entre apical-basal e mediano. Material examinado: BRASIL. PARANÁ: Capão Grande, em capão, 19.III.1904, fr., P. Dusén 4249 (R). Clevelândia, 3.V.1966, J. C. Lindeman & J. H. Haas 1177 (MBM). Fóz do Iguaçu, Ocui, 7.XII.1969, fl., G. Hatschbach (MBM). Fóz do Iguaçu, Parque Nacional do Iguaçu, 2 ½ km W of road to Capanema, 6.XII.1966, fl., J. C. Lindeman & J. H. Hass 3459 (RB). Londrina, Floresta dos Godoy, 9.I.1989, fl., L. H. Soares et al. 165 (RB, SP). Londrina, Parque Estadual Mata dos Godoy, 9.I.1989, fl., L. H. Soares & Silva 165 (UPCB). Maringá, Reserva Florestal Parque do Ingá, 10.XII.1977, fl., L. A. Souza 17 (RB). Matelândia, 6.XII.1966, fl., J. C. Lindeman & J. H. Haas 3459 (MBM). Ponta Grossa, na mata, 92

110 28.XII.1903, fl., P. Dusén 3030 (R). Sengés (4-5 km S), Rod. PR 11, 27.I.1989, fl., G. Hatschbach & A. Manosso (MBM); RIO GRANDE DO SUL: Guaíba, 12.XII.1959, fl., Schultz 2169 (ICN). Ibirubá, XII.1986, fl., M. Sobral 5267 (ICN). Planalto / Iraí, 3.XI.1960, fl., Schultz 2517 (ICN). Santa Maria, Santo Antão, 10.I.1953, fl., Schultz 1048 (ICN). Santa Rosa, 2.I.1971, fl. e fr., J. C. Lindeman et al. s.n. (ICN 8972). Santo Ângelo, São João Velho, 25.XII.1973, fl., K. Hagelund 7298 (ICN). São Pedro do Sul / Santa Maria, 20.XII.1972, fl., J. C. Lindeman & A. Pott s.n. (ICN 21176). Vicente Dutra, 23.V.2001, fr., R. L. C. Bortoluzzi et al. 981 (MBM); SANTA CATARINA: Morro Grande - Viamão, 22.VIII.1998, fr., S. Venturi 46 (ICN). São Carlos, Alto São Pedro, 26º54 34 S, 53º38 29 W, 373 m elev., 19.II.2009, fr., A. Stival-Santos & S. Silveira 406 (RB). Material adicional examinado: PARAGUAI. CAAGUAZU: Colônia Dr. Juan Ramon Chavez (Sta. Rosa), 100 m elev., s.data, fr., J. E. Simonis et al. 50 (RB). Distribuição: Mato Grosso do Sul (Silva et al. 2007) e do Paraná até Rio Grande do Sul. Hábitat: Floresta Estacional Semidecidual, em bordas de florestas, beira de estradas, capoeirões e vegetações abertas, raramente no interior de florestas (Burkart 1979). Ocorre também no Pantanal (Silva et al. 2007). Épocas de floração e frutificação: floresce de dezembro a janeiro e frutifica de janeiro a agosto. Nomes populares: vamos-junto, unha-de-gato e garapiá (RS) (Burkart 1979). É também chamada de arranha-gato (PR). Segundo Cialdella (1984), Acacia tucumanensis foi originalmente descrita com status de espécie e posteriormente considerada uma variedade de A. riparia pelo mesmo autor. Entretanto, Burkart (1979) e Cialdella (1984) reconheceram este táxon na categoria de espécie, posição adotada para o presente trabalho. Burkart (1979) ressatou que apesar de na descrição original da espécie não ter sido descrito o nectário, o autor verificou a presença de tais estruturas, assim como o fez Cialdella (1984) para o exemplar Lorentz 737. Senegalia tucumanensis é afim ao grupo de: S. limae, S. martiusiana, S.nitidifolia e S. riparia. De S. limae difere pelo menor tamanho da corola, com 2,9-3 mm (vs 4 a 5 mm) e ovário viloso (vs glabro); de S. martiusiana se distingue pelo nectário peciolar solitário, sempre disposto no terço superior do pecíolo (vs 2 a 3 nectários extraflorais dispostos no terço 93

111 inferior, médio ou superior do pecíolo, ocasionalmente um entre o par de pinas basal) e pela largura dos foliólulos que pode alcançar maiores dimensões, com 0,8 a 2 mm (vs 0,5 a 1,3 mm); de S. nitidifolia se diferencia pelos ramos cilíndricos (vs quadrangulares), nectários extraflorais da raque entre os 1 a 2 pares de pinas basais e entre os 2 a 4 terminais (vs um entre cada um dos pares de pinas), foliólulos menores, com 2-7 x 0,8-2 mm (vs 4-13 x 2-4 mm) e ovário viloso (vs glabro) e de S. riparia pode ser diferenciada pelo maior tamanho dos pecíolos, com 2 a 3 cm (vs 1,3 a 1,8 cm), raques maiores, com 5 a 13 cm (vs 2,2 a 6 cm), nectários peciolares estipitados (vs sésseis) e maior número de pares de foliólulos por pina, de 42 a 51 pares (vs 20-30). De acordo com Cialdella (1984) os indivíduos de S. tucumanensis ocorrentes na Argentina apresentam foliólulos com 5 a 9 mm de comprimento (vs 2 a 7 mm nas espécies brasileiras), em número de 12 a 40 pares por pina (vs 42-51) e ovário de glabro a raramene piloso (vs totalmente viloso ou apenas na porção superior). Burkart (1979) e Cialdella (1984) registram a ocorrência da espécie para o sul do Brasil, Bolívia, Argentina e Paraguai. Mapa 14. Distribuição geográfica de Senegalia santosii (G. P. Lewis) Seigler & Ebinger ( ) e S. serra (Benth.) Seigler & Ebinger ( ), e S. tucumanensis (Griseb) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. 94

112 27. Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger, Phytologia 88(1): Acacia velutina DC., Prod. 2: Tipo: Brasil, Rio de Janeiro: [holótipo: G (fotos F, MO, SI); isótipo: G]. Mapa 15; Fig. 2g; Fig. 4f; Fig. 19a-b.; Ilustração adicional: Bocage (2005). Lianas, 2-4 m alt., caule cilíndrico. Ramos cilíndricos, nitidamente estriados, pubescente-velutinos a tomentoso-velutinos, ferrugíneos, acúleos recurvos, raro ausentes, separados entre si, numerosos, dispostos irregularmente. Estípulas caducas, não vistas. Folhas 6-12 pares de pinas; pecíolo 2-4 cm compr., 1 nectário extrafloral séssil, convexo, oblongo, no terço inferior do pecíolo; raque foliar 3,5-13 cm, aculeada a inerme, nectários extraflorais globosos a elevado-côncavos, circulares, entre os 1-3 pares de pinas terminais; raque da pina com nectários extraflorais sésseis, convexos, oblongos, entre os 1-5 pares de foliólulos terminais; foliólulos oblongo-lanceolados, base truncada, assimétrica, ápice agudo a acuminado, subsésseis, pecíolulo ca. 0,5 mm, indumento esparso seríceo a glabrecente em ambas as faces, margens ciliadas, pares por pina, venação reticulódroma laxa, 3,7-11 x 1-2,5 mm. Brácteas caducas. Inflorescência espigada, 5-7,5 cm, 1-3-fasciculada, em sinflorescências terminais. Bractéolas linear-espatuladas, caducas. Flores subsésseis, pedicelo ca. 0,3mm, pentâmeras, pubescentes, cálice urceolado, 1,5-2,2 mm compr., puberulento; corola campanulado-infundibuliforme, 3,3-4 mm, pubescente; ovário viloso. Legume reto, venação proeminente nas margens, puberulento a glabrecente, de cartáceo a coriáceo, castanho-alaranjado, 10,5-13,5 x 2-3,7 cm. Semente elíptica, 1,3-1,4 x 0,85-0,9 cm, pleurograma apical-basal. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Argôlo, 10.IV.1984, fl., G. Hatschbach (CEPEC, MBM). Itapetinga, Rod. BR 415, 3 Km Oeste de Itapetinga, 3.III.1978, fl., S. A. Mori et al (CEPEC). Macarani, km 18 da Rod. Maiquinique/Itapetinga, Faz. Lagoa, 2.VIII.1978, fr., L. A. Mattos Silva et al 190 (RB). Ubatã, Rodovia Ubatã Ibirapitanga, 17.V.1966, fl., R. P. Belém & R. S. Pinheiro 2233 (CEPEC); ESPÍRITO SANTO: Águia Branca, São Pedro, Pedra do CEIER, 19º01 22,2 S, 40º38 52,8 W, m elev., 26.IV.2006, V. Demuner et al (RB). Governador Lindenberg, Morelo, 19º8 54 S, 40º27 27 W, m/s.m. elev., 31.VII.2007, fr., R. R. Vervrolet et al (RB). Guarapari, Rodovia do Sol, 20º31, 40º27 W, 23.II.1988, fl., J. R. Pirani et al (SPF). 95

113 Mimoso do Sul, Fazenda Gabiroba, 21º12 43 S, 41º21 02 W, 40 m elev., 2.IV.2001, fl., F. B. Pereira 39/84 (RB). Vitória, morro de granito perto da Praia do Fundo, 30.I.1969, fl., D. Sucre & P. J. J. Braga 4535 (RB); MINAS GERAIS: Mar de Espanha, Área do UHE Simplício, 22º00 03 S, 42º58 13 W, 240 m Elev., 3.VII.2006, fr., G. Pereira-Silva et al (VIC). Ouro Preto, Subida do Falcão, 27.I.1972, fl., A. Macedo 5291 (HB); PARANÁ: Alvorada do Sul, arredores, 14.XI.2001, fl., J. Carneiro 1240 (MBM). Bandeirantes, s.data, fl., M. V. Ferrari Tome 171 (MBM). Clevelândia, Rincão Torcido, 15.XII.1966, fl., G. Hatschbach (MBM). Cornélio Procópio, Beira do Rio Congonhas, 25.X.2000, fl., J. A. Ferreira et al. s.n. (R s.n., VIC 30797). Dois Vizinhos, proximidades do rio Chopim, 8.XII.2001, fl., P. H. Labiak & M. Kachler 2037 (CEPEC, MBM). Foz do Iguaçu, 7.XII.1969, fl., G. Hatschbach (MBM). Guaíra, Rio Piquiri, 16.XI.1967, fl., J. C. Lindeman & J. H. Haas 3263 (MBM). Guaíra, Sete Quedas, 7.XI.1979, fl., E. Buttura 300 (MBM). Iporã (próximo de Iporã), 23º58 S, 53º47 W, 231.II.1982, fr., P. P. Furtado 151 (RB). Jundiaí do Sul, 10.XII.2000, fl., J. Carneiro 841 (MBM). Londrina, Parque Estadual Mata dos Godoy, 21.X.1988, fl., L. H. S. & Silva 195 (SP, UPCB). Lupionópolis, 21.XII.2005, fl., J. S. Carneiro et al. 575 (MBM). Maringá, Reserva Florestal nº 2, junto à Av. Itororó, 23.XI.1977, fl., L. A. Souza 16 (SP). Maringá, Parque Florestal dos Pioneiros, 9.XI.2003, fl., H. M. Taura et al. 87 (MBM). Matelândia, Rio Iguaçu, 8.XII.1966, fl., J. C. Lindeman & J. H. Haas 3474 (MBM). Morretes, arredores, 3.II.1983, fl., Y. S. Kuniyoshi & C. V. Rodenjan 4614 (MBM). Nossa Senhora das Graças, arredores, 7.XI.1987, fl., G. Hatschbach & J. M. Silva (MBM). Paranavaí, parque municipal, 12.XI.2004, fl., V. B. Coelho 3 (MBM). Quedas do Iguaçu, Barra do Perdido, 14.X.1997, fl., J. M Silva et al (CEPEC, MBM). Rolândia, 31.X.1997, fl., J. C. Giroto et al. s.n. (MBM ). São Pedro do Ivaí, 13.XI.2003, O. S. Ribas et al (MBM). São Pedro do Ivaí, 21.XII.2003, fl., O. S. Ribas et al (CEPEC). Ubiratã, Roadside Ubiratã-Corbélia, 31.V.1967, fr., J. C. Lindeman & J. H. de Haas 5391 (RB); RIO DE JANEIRO: Armação dos Buzios, Ilha Rasa, 6.VI.2008, fr., R. D. Ribeiro et al (RB). Armação dos Búzios, Reserva Tauá, 22.II.2006, fl., M. J. F. Barros et al. 03 (RB). Campos dos Goytacazes, Ibitioca, Morro do Itaoca, 21º47 18 S, 41º27 26 W, Elev. 54 m, 27.V.2008, fr., R. C. Forzza et al (RB). Campos dos Goytacazes, Morro do Rato, 31.V.2000, fr., J. M. A. Braga 5969 (RB). Macaé, Forte Marechal Hermes, 15.V.1993, fr., J. R. Pirani & R. Mello Silva 2862 (SPF). Macaé, Pico do Frade, entre 850 e 1150 msm, 96

114 7.II.1985, fl., C. Farney et al. 581 (RB). Nilópolis, 25.III.1946, fl., Guerra s.n. (RB 55473). Niterói, Engenho do Mato, Morro do Cordovil, 6.VIII.2003, fr., L. F. dos Santos et al. 29 (RB). Niterói, Parque Estadual da Serra da Tiririca, Pedra de Itacoatiara, 2.VII.1999, fr., A. A. M. de Barros & L. J. S. Pinto 770 (RB, RFFP). Rio das Ostras, ARIE Itapebussus, III.2006, fr., A. Oliveira 943 & D. Oliveira (RB). Rio de Janeiro, Copacabana, Morro São João, vertente Sul, Parque Estadual da Chacrinha, 22º57 46 S, 43º10 46 W, 12.VIII.2007, fr., L. J. T. Cardoso 421 (RB). Rio de Janeiro, Horto Florestal, Pedra do Loureiro, 24.II.1932, fl. e fr., J. G. Kuhllmann s. n. (RB 2698). Rio de Janeiro, Lagoinha, 20.IV.1922, fr., A. Ducke & J. G. Kuhlmann s. n. (RB 2372). Rio de Janeiro, Mundo Novo, Campos da Universidade Santa Úrsula, ca. 90 m.s.m. elev., 7.II.2000, fl., J. M. A. Braga 5829 (RB). Rio de Janeiro, Parque Ecológico da Prainha, 10.VI.2004, fr., R. D. Ribeiro et al. 282 (RB). Rio de Janeiro, Recreio dos Bandeirantes, APA da Prainha, topo do Morro da Boa Vista, 10.IV.1996, fr., J. M. A. Braga & M. G. Bovini 3321 (RB). Rio de Janeiro, Restinga de Jacarepaguá, Pedra Itaúna, 16.II.1960, fl., C. Angeli 35 (GUA). Saquarema, Reserva Ecológica Estadual de Jacarepiá, 15.II.1993, fl., D. S. D. Araujo & C. F. C. Sá 9740 (GUA). Silva Jardim, pr. Lagoa de Juturnaíba, 2.IV.1976, fl., M. C. Vianna 664 (GUA); RIO GRANDE DO SUL: Caxias do Sul, 15.XII.1974, fl., K. Hagelund 8771 (ICN). Caxias do Sul, São Braz, 7.IV.2002, fr., A. Kegler 1358 (MBM). Cerro Largo, 20.XI.1952, fl., B. Rambo (MBM). Gaurama, 26.XII.1996, fl. e fr., J. A. Jarenkow 3359 (MBM). Giruá, Granja Sodol, 25.XI.1964, fl., K. Hagelund 2859 (ICN). Ibirubá, 23.I.1964, fl., E. Pereira 8581 & G. Pabst 7856 (IPA). Montenegro, S. Salvador, in silva, 27.XII.1935, fl., B. Rambo & J. Dutra 2189 (SP). Nova Petrópolis, Pinhal Alto, 25.XII.2005, M. Grings 155 (ICN). Rolante, 28.XI.1991, fl., R. A. Záchia & F. Mohr 527 (ICN). Taquara, 20.XII.1969, fl., B. Irgang & A. Ferreira s.n. (ICN 7309). Tenente Portela, Reserva do Turvo, XII.1973, fl., L. M. L. Baptista et al. s.n. (ICN 27618); SANTA CATARINA: Concórdia, 27º13 26 S, 52º03 53 W, 741 m elev., III.2009, fl., A. Stival-Santos et al. 210 (RB). Florianópolis, Saco Grande, 18.I.1967, fl., R. M. Klein 7134 (ICN, MBM). Gaspar, 17.XI.2002, fl., M. Sobral 3195 (MBM). Itapiranga, Conceição, 27º05 S, 53º47 W, m elev., 12.XI.1964, fl., L. B. Smith & R. M. Klein (R). Laguna, Cabo Santa Marta, 12.XII.2000, fl., G. Hatschbach et al (MBM, UPCB). Nova Teutônia, 24.XII.1944, F. Plaumann 272 (RB). Orleans, 9.XII.1946, fl., R. Reitz 2270 (R, UPCB). SÃO PAULO: Florínea, 10 km da cidade em direção à Frutal do 97

115 Campo, 20.XII.1995, fr., V. C. Souza & J. P. Souza 9709 (SPF). Iguape, Estação Ecológica Juréia Itatins, 25.IV.1991, fr., M. A. Carvalhaes & M. R. F. Melo 35 (SP). Santos, Morro de São Bento, 15.III.1951, fr., D. B. Pickel s.n. (MBM ). Teodoro Sampaio, 27.XI.1984, fl., J. A. Pastore & O. T. Aguiar s.n. (MBM ). Ubatuba, Praia de Itamambuca, 5.II.1996, fl., H. F. Leitão Filho et al (SPF). Distribuição geográfica: no Brasil está presente em Pernambuco e desde a Bahia até o Rio Grande do Sul. É encontrada ainda na Argentina (Cialdella 1984), Bolívia, e Paraguai (Rico- Arce 2007). Habitat: Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombófila Densa, em geral em borda de matas e vegetações alteradas ou em processo de regeneração, e em Restinga. Presente também na Caatinga (Bocage 2005; Queiroz 2009) e no Cerrado em Minas Gerais (Santos 2010). Épocas de floração e frutificação: foresce de outubro a abril e frutifica de dezembro a agosto. A espécie é afim de S. lacerans e é comum que ambas sejam freqüentemente confundidas nas identificações. Difere, principalmente, pelos nectários oblongos (vs verrucosos em S. lacerans), número inferior de pares de pinas, com 6 a 12 (vs 11 a 24), foliólulos oblongo-lanceolados (vs lineares), e pelo indumento pubescente nas flores (vs cálice puberulento e corola glabra). De acordo com Cialdella (1984), as distinções existentes entre as variedades são principalmente presença e ausência de nectários nas raques e pubescência em todo o vegetal. A autora fundamenta a aceitação das variedades com base principalmente nestas caraterísticas. 98

116 Mapa 15. Distribuição geográfica de Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger ( ) no Domínio Atlântico. a b Figura 19. Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger: a. ramo florífero (Barros et al. 03); b. formiga próxima ao nectário extrafloral peciolar (Macaé - RJ). Fotos: M. Barros. 99

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