1. Acompanhamento dos principais sistemas meteorológicos que atuaram. na América do Sul a norte do paralelo 40S no mês de julho de 2013

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1 1. Acompanhamento dos principais sistemas meteorológicos que atuaram na América do Sul a norte do paralelo 40S no mês de julho de 2013 O mês de julho foi caracterizado pela presença de sete sistemas frontais, sendo que apenas uma avançou para o litoral do ES e outro adentrou o continente até o sul do AM. Este último esteve acompanhado de uma forte massa de ar frio de origem polar, que trouxe neve para a Região Sul e friagem para o MT, AC, RO e parte do AM. O final do mês teve a presença de umidade relativa do ar baixa entre o Sudeste e o Centro-Oeste. Os primeiros dias do mês foi marcado pela presença de uma frente fria do mês anterior entre SP e o Atlântico, que trouxe uma massa de ar frio que provocou temperaturas baixas no RS entre os dias 01 e 02. No RJ provocou chuva forte no dia 02. Entre os dias 02 e 03 um DOL (Distúrbio Ondulatório de Leste) provocou acumulados de chuva significativos de mais de 100 mm em municípios do RN e de AL. A primeira onda frontal se formou no dia 06 entre o Uruguai e Córdoba na Argentina e no dia 08 já atingia o litoral de SC, e ondulando como estacionária para o oeste de SC, Paraguai e sul da Bolívia sem provocar chuva forte. No dia 09 avançou de forma litorânea para o RJ no fim do dia. No dia 12 a segunda frente fria atuou entre o Uruguai e a Província de Santiago Del Estero. No dia seguinte (13) atingiu o litoral sul do RS e ondulou como estacionária pelo oeste do RS e nordeste da Argentina. A terceira frente fria passou pela Província de Buenos Aires no dia 14 e no dia 16 atuou de forma litorânea no litoral do RJ. A quarta frente fria chegou na Província de Buenos Aires no dia 17 à noite e se propagou no dia seguinte (18) para o litoral de SC e Paraguai. No dia 20 atuou como estacionária entre o leste de SP e o Atlântico. Entretanto a massa de ar frio deixou as temperaturas baixas entre o norte da Argentina, Região Sul e Uruguai. No dia 19/07 uma massa de ar frio se estabeleceu entre o norte da Argentina e o Sul do Brasil, provocando temperaturas baixas no RS, em SC e no PR. No dia 20 a quinta frente fria passou na Província de Buenos Aires, mas com um ciclone dominando o escoamento no mar da Argentina. Simultaneamente a alta pressão no Atlântico de 1040 hpa envia um pulso para o Estreito de Drake. A noite atingiu o leste do Uruguai e prosseguiu para o Atlântico. Ao mesmo tempo, uma onda frontal se formava no Atlântico entre área a leste do RS, adentrando por SC, sul do PR, sudoeste de MS e norte do Paraguai. No decorrer do dia 21/07 houve a formação de uma onda frontal a leste da Região Sul, que se estendeu para o PR, oeste de MS e sul da Bolívia, e contribuiu para chuva forte em SC, com acumulados significativos. Nesse dia uma ampla circulação ciclônica domina o Atlântico

2 sudoeste. Entretanto, no Pacífico a alta pressão atingiu 1042 hpa e emitiu um pulso de 1039 hpa para a Patagônia Argentina e uma crista avançava para o norte da Argentina, circundando a região ciclônica mais a leste. No dia 22 a entrada de ar frio polar foi mais significativa, ainda pela presença do ciclone a sudeste do Uruguai e da alta pressão continental se estabelecendo entre o centro e norte da Argentina Paraguai e RS e Uruguai. Também houve queda de neve na Argentina e temperaturas negativas no Sul do Brasil. A frente fria avançou lentamente mais para norte atingindo o litoral do PR, norte de MS e sudoeste de MT (Pantanal). Em mais de 100 cidades de SC, no RS e PR houve queda de neve, inclusive na Serra do Tabuleiro em SC (litoral), e com acumulado significativo em Guarapuava-PR. O ar frio continuou provocando temperaturas negativas em SC durante sete dias. Além disso, houve geada ampla e forte em várias cidades do PR, de SC e do RS, e em MS. No fim do dia a frente fria atingiu o RJ, sul de MG, centro de GO e de MT, leste e oeste de RO, sendo que começou a provocar friagem entre MT e RO. No dia 23 a frente fria atingiu o sul do AM e o AC e parte do nordeste de MT causando forte queda das temperaturas mínimas e máximas e ampliando a área de friagem. Na madrugada e manhã desse dia foi mais evidenciada a queda de neve na serra do sudeste do RS, além dos lugares elevados do RS, SC e PR, inclusive em Curitiba-PR. A frente atuou como estacionária até o dia 25 entre o sudoeste do AM e sul do ES. Para maiores detalhes sobre a causa da ocorrência desta onda de frio acompanha de episódios atípicos de neve, pode-se consultar o caso significativo elaborado pelo Grupo de Previsão de Tempo e divulgado no site do tempo (http://tempo.cptec.inpe.br/). Entre os dias 23 e 25 houve chuva entre SP e RJ causada pela entrada de ar úmido do oceano para o continente, a presença de um cavado em 500 hpa, o qual estava embebido em uma ampla área ciclônica. Esse cavado também trouxe forte queda na altura geopotencial vindo a formar um Vórtice Ciclônico no RS, com temperatura de -30C. Todo esse ar frio avançou para SP-RJ deixando as tardes dias 23, 24 e 25 muito frias e com chuva, culminando no dia 24 com temperatura máxima de 8,5C e a mínima de 5,5C. Ainda no dia 25 o cavado contribuiu para formação da sexta onda frontal no Atlântico nas proximidades do litoral do RJ e de SP, que atuou entre GO, MG e o ES no dia 26 e, no dia seguinte o ramo frontal atuou no oceano. A sétima frente fria atuou no dia 27 na Província de Buenos Aires e no dia seguinte já estava no Atlântico, mas sem provocar tempo severo nessa área. Nos últimos seis dias do mês (26 a 31/07) a presença de uma forte circulação anticiclônica em 500 hpa dominou a região central do continente e provocou valores de umidade relativa do ar abaixo de 15% em algumas cidades do Sudeste e do Centro-Oeste.

3 Figura 1: Acompanhamento das frentes frias ao longo do mês de julho de Litoral. Figura 2: Acompanhamento das frentes frias ao longo do mês de julho de Interior.

4 Figura 3: Acompanhamento das frentes frias ao longo do mês de julho de Central 1. Figura 4: Acompanhamento das frentes frias ao longo do mês de julho de Central Acompanhamento dos Ciclones Subtropicais e Extratropicais As Figuras 5a e 5b mostram a distribuição espacial dos principais ciclones observados sobre o oceano Atlântico, ao sul de 20 S, durante o mês de julho de Durante este mês foi observado um total de 15 ciclones sobre a área de domínio, sendo 9 na primeira (Figura 5a) e 6 na segunda quinzena (Figura 5b). Nota-se que na primeira quinzena os ciclones atuaram sobre um setor mais abrangente no ceano, predominando a trajetória típica para sudeste e/ou leste. Na segunda quinzena a frequência de ciclones foi menor e estes apresentaram um ciclo de vida mais curto, com duração média de 24 horas. Chama a atenção o ciclone de número 6, que se formou próximo da costa entre as Regiões Sul e Sudeste do Brasil, comportamento mais comum entre o período da primavera e verão.

5 Figura 5a: Acompanhamento dos ciclones ocorridos durante a primeira quinzena do mês de julho de Em cada ponto está plotado o valor mínimo de pressão do ciclone (00 e 12 UTC). Figura 5b: Acompanhamento dos ciclones ocorridos durante a segunda quinzena do mês de julho de Em cada ponto está plotado o valor mínimo de pressão do ciclone (00 e 12 UTC).

6 3. Análise das Anomalias de Precipitação e Temperatura 3.1 Precipitação A Figura 6 mostra a distribuição espacial das anomalias mensal e quinzenal de precipitação para o mês de julho de O destaque do mês (Fig 6A) foram as anomalias positivas de precipitação observadas na faixa que se estende entre o nordeste de SC, leste do PR e de SP, sul de MG e RJ. Em algumas áreas do RJ, a precipitação ficou até 100 mm acima da climatologia. Por outro lado, observa-se anomalias negativas bastante marcantes sobre as demais áreas da Região Sul e no sul de MS, com valores até 100 mm inferior a climatologia. Na Região Norte a precipitação apresentou uma distribuição bastante irregular, com predomínio das anomalias positivas. No Nordeste, as chuvas ocorreram principalmente na primeira quinzena (Fig 6B) e ficaram abaixo da média no segundo período (Fig 6C) no sul da BA e na maior parte de AL, PE, PB e RN. A) B) C) Figura 6: Anomalia de precipitação do mês de julho de 2013 (A) e anomalias de precipitação quinzenal no período de 1 a 15/07 (B) e de 16 a 31/07 (C).

7 3.2 Temperatura A Figura 7 mostra a distribuição espacial da anomalia de temperatura máxima para o mês de julho de Nota-se que as anomalias foram mais marcantes na segunda quinzena do mês (Fig 7C), decorrente da atuação de uma intensa onda de frio. Com isso, as anomalias de temperatura ficaram negativas sobre todo o Sul e parte do Centro-Oeste e tiveram valores positivos sobre a faixa norte do Sudeste e no Nordeste. A) B) C) Figura 7: Anomalia de temperatura máxima do mês de julho 2013 (A) e anomalias de temperatura máxima quinzenal no período de 1 a 15/07 (B) e de 16 a 31/07 (C). Em relação às temperaturas mínimas, nota-se um comportamento semelhante, com as anomalias negativas predominando sobre o centro-sul do país na segunda quinzena do mês (Fig 8C). Nota-se que os valores negativos abrangem também boa parte da Região Centro- Oeste e o sul da Região Norte, característica da presença da Friagem na Região Amazônica. Por

8 outro lado, a primeira quinzena (Fig 8B) foi marcada pela presença de anomalias positivas de temperatura mínima em praticamente todo o país, suavizando as anomalias do mês (Fig 8A). A) B) C) Figura 8: Anomalia de temperatura máxima do mês de julho 2013 (A) e anomalias de temperatura máxima quinzenal no período de 1 a 15/07 (B) e de 16 a 31/07 (C). 4. Análise da Circulação Atmosférica hpa A Figura 9 mostra a anomalia do vento zonal e as linhas de corrente em 250 hpa para o mês de julho de A circulação média mensal (Fig. 9A) mostra um padrão de bloqueio no Pacífico Leste, associado a presença de uma crista anômala, aproximadamente entre 40S e 65S, e de um cavado anômalo mais ao norte. Este padrão fica mais evidente na segunda quinzena do mês (Fig. 9C), quando o bloqueio atmosférico se fortalece e a circulação associada à crista se estende até o interior do continente sul-americano, permitindo a entrada de massas de ar frio sobre o continente. Nota-se que entre o Sul do Brasil e o Atlântico os jatos em altitude estiveram mais intensos na segunda quinzena. No norte do continente, o anticiclone

9 predominou ao longo do mês, que pode ter sido resposta à precipitação convectiva anômala ocorrida neste setor. A) B) C) Figura 9: Linhas de corrente e anomalia da componente zonal do vento em 250 hpa para o mês de julho de 2013 (A) e, Linhas de corrente e anomalia da componente zonal do vento em 250 hpa quinzenal no período de 1 a 15/07 (B) e de 16 a 31/07 (C) hpa O campo de geopotencial em 500 hpa do mês de julho (Figura 10A) mostra o padrão de bloqueio, estabelecido no segundo período do mês (Figura 10C). Na primeira quinzena (Figura 10B), destaca-se o predomínio de uma crista anômala sobre o centro-norte da Argentina e Sul do Brasil, que contribui para a redução das chuvas e o aumento das temperaturas neste setor. Por outro lado, a segunda quinzena (Figura 10C) caracterizou-se pela presença de um cavado anômalo sobre o Atlântico, responsável pela ocorrência de episódios de neve na Argentina e Sul do Brasil. Neste período o valor médio da altura geopotencial chegou a 5650 mgp no sul do RS. Nota-se que a entrada de massas de ar frio de origem polar foi impulsionada pelo escoamento de sudoeste sobre o sul do continente, associada à configuração de bloqueio no Pacífico.

10 A) B) C) Figura 10: Altura geopotencial e anomalia de geopotencial em 500 hpa para o mês de julho de 2013 (A) e, Altura geopotencial e anomalia de geopotencial em 500 hpa quinzenal no período de 1 a 15/07 (B) e de 16 a 31/07 (C) hpa O campo de linhas de corrente em 850 hpa e anomalia do vento meridional em 850 hpa para o mês de julho (Fig 11A) mostram os Anticiclones Subtropicais do Pacífico e do Atlântico Sul posicionados aproximadamente sobre suas posições climatológicas. O Anticiclone Subtropical do Pacífico Sul aparece deslocado para oeste na primeira quinzena (Fig 11B) e mais intenso e próximo do continente na segunda quinzena do mês (Fig 11A), associado a uma ampla crista que se estende do Pacífico ao centro-sul da Argentina. Uma área com significativa anomalia positiva do vento meridional aparece em praticamente todo o centro-sul do continente, ou seja, configuração típica de incursões de ar frio na América do Sul. Na primeira quinzena (Fig 11B), o escoamento médio esteve bastante zonal ao sul de 35S e uma área com anomalia negativa do vento meridional aparece entre o Paraguai e o norte da Argentina.

11 A) B) C) Figura 11: Linhas de corrente e anomalia da componente meridional do vento em 850 hpa para o mês de julho de 2013 e, linhas de corrente e anomalia da componente meridional do vento em 850 hpa quinzenal no período de 1 a 15/07 (B) e de 16 a 31/07 (C). Com intuito de evidenciar ainda mais o caráter barotrópico e dinâmico do bloqueio atmosférico observado no Oceano Pacífico Sul, foi plotada de forma simultânea a anomalia das linhas de corrente em 250 hpa e anomalia de geopotencial em 850 hpa (Figura 12). Nota-se claramente que o centro anticiclônico do Pacífico Sul encontra-se em fase em ambos os níveis analisados.

12 Figura 12: Anomalia de geopotencial em 850 hpa e anomalia de linhas de corrente em 250 hpa para o mês de julho de Superfície: A análise do campo médio da pressão ao nível do mar (Fig 12A) mostra uma área com anomalia positiva no Oceano Pacífico, reflexo do padrão de bloqueio estabelecido na segunda quinzena (Fig. 12C). Neste período, observa-se que o Anticiclone Subtropical do Pacífico Sul (ASPS) esteve muito intenso, apresentando valor médio de 1029 hpa no seu centro e anomalia positiva superior a 12 hpa. Nota-se um pulso da ASPS sobre a Patagônia chilena e argentina. No Oceano Atlântico houve o predomínio de anomalias negativas de pressão ao longo do mês, principalmente no segundo período, provavelmente resposta da passagem de sistemas transientes. Este comportamento pode ter sido responsável por deslocar para o leste o Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul A)

13 B) C) Figura 12: Pressão ao nível médio do mar (PNMM) e anomalia de pressão para o mês de julho de 2013 e, Pressão ao nível médio do mar (PNMM) e anomalia de pressão no período de 1 a 15/07 (B) e de 16 a 31/07 (C). Elaborado pelo Meteorologista Henri Rossi Pinheiro Colaboradores: Luiz Kondraski de Souza, Kelen Martins Andrade e Camilla Correia

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