LUCAS SANTOS CERQUEIRA

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1 LUCAS SANTOS CERQUEIRA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NA INDÚSTRIA BAIANA DE SOFTWARE Salvador, 2014 LUCAS PRONTO.indd 1 09/07/ :52:45

2 Todos os direitos autorais deste material são de propriedade dos autores. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada à fonte. O conteúdo de cada artigo é de inteira responsabilidade do(s) autor (es). Livro aprovado pelo Conselho Editorial da Revista Acadêmico Mundo (ISSN ). Revisão de Provas Leandro Carvalho de Almeida Gouveia Capa Josevaldo da Silva do Lago (www.academicomundo.com.br) Projeto Gráfico Josevaldo da Silva do Lago (www.academicomundo.com.br) Editoração Eletrônica Josevaldo da Silva do Lago (www.academicomundo.com.br) Impressão e Acabamentos (www.academicomundo.com.br) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP). Catalogação na Fonte. CERQUEIRA, Lucas Santos. C416 Comercialização de produtos e serviços na indústria baiana de software. Salvador: Acadêmico Mundo, p. 1. Software 2. Comercialização 3. Competitividade 4.Produto I. Lucas Santos Cerqueira II. Título CDD: ACADÊMICO MUNDO Digitado no Brasil em junho de 2014 pela Revista Acadêmico Mundo Tiragem: exemplares LUCAS PRONTO.indd 2 09/07/ :52:45

3 Dedico este estudo a minha mãe, meu pai, meus dois irmãos, meus colegas e a todos que contribuíram diretamente e indiretamente para a conclusão do meu Mestrado. LUCAS PRONTO.indd 3 09/07/ :52:45

4 AGRADECIMENTOS Agradecer aos meus pais, primeiramente minha Mãe, Eliane Moreira Santos (In Memorian), pela formação humana, caráter, influência na formação da minha personalidade, que me ensinou as virtudes e valores que possuo e por ser a principal incentivadora dos meus estudos em administração. Ao meu Pai, Valdemiro Cerqueira, pela presença e apoio durante toda a jornada e nos momentos que mais precisei e que ainda vou precisar. Aos meus irmãos Tiago Cerqueira e Wagner Moreira, que me incentivam a continuar na minha jornada pela construção da minha carreira. Agradecer ao meu orientador de monografia na graduação em administração da Unime, onde começou nascer à ideia para esta dissertação, tendo em vista que a partir das considerações, críticas e orientações feitas pelo Prof. Silvio Vanderley Araújo Souza, pude iniciar o processo de encaminhar o projeto para o programa de mestrado da Unifacs. Agradecer a minha orientadora Profa. Élvia Fadul, que aceitou a ideia e, durante esses dois anos, contribuiu com inteligência, serenidade e disposição para que a conclusão do trabalho estivesse dentro das expectativas que um trabalho científico exige. Agradecer a CAPES pelo financiamento desse estudo através da concessão da bolsa, e aproveitar para agradecer a comissão de professores do mestrado que escolheram meu nome para uma das duas vagas. Agradecer as pessoas que intermediaram junto às empresas de software pesquisadas nesse estudo a possibilidade da aplicação dos questionários e da entrevista: Prof. Jorge Santos, Prof. José Mário, Prof. Roberto Brazileiro, Prof. Silvio Araújo, Profa. Tânia Benevides e ao aluno Estânio Rômulo. Agradecer as empresas que participaram desta pesquisa, ao disponibilizar os dados que contribuíram para o alcance do objetivo deste trabalho. Agradecer a Márcia Carneiro pela correção ortográfica e das normas de ABNT do texto da dissertação. LUCAS PRONTO.indd 4 09/07/ :52:45

5 Agradecer as secretárias e amigas da Unifacs Iracema, Luciana, Lucineida e Regina, que sempre com muita paciência, amizade e carinho e diversão transformaram a minha permanência no núcleo de pesquisa fossem sempre construtivo e harmonioso. Agradecer a todos os amigos que contribuíram direta ou indiretamente para o término deste trabalho. LUCAS PRONTO.indd 5 09/07/ :52:45

6 Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar. Anatole France LUCAS PRONTO.indd 6 09/07/ :52:45

7 RESUMO Este trabalho procurou verificar quais as principais potencialidades e dificuldades as empresas da indústria baiana de software possuem na comercialização de produtos e serviços, verificando se o modelo de negócios utilizado permite alcançar as estratégias de expansão e posicionamento no mercado local e internacional. A indústria de software é um dos segmentos que está em maior crescimento na economia mundial, tendo em vista a revolução tecnológica em curso e as novas formas de fazer negócios e a dependência de soluções em tecnologia da informação que emergem dessa revolução, configurando a indústria de software como o principal ator econômico, sendo necessários investimentos capazes de desenvolver e fortalecer esse segmento em qualquer localidade. Ainda pode-se verificar que a globalização dos mercados acirrou a competição e permitiu que as empresas nacionais possam ter acesso as novas tecnologias produzidas nos países centrais e explorar esses países como mercadoalvo. Com o objetivo de verificar quais as dificuldades e potencialidades no processo de comercialização nos segmentos de software produto e software sob encomenda, foram realizadas pesquisas bibliográficas a cerca de construir um referencial teórico capaz possibilitar a análise dos indicadores do modelo de negócios utilizados pelas empresas. Foram aplicados seis questionários com empresas que realizam comercialização no mercado interno e realizada uma entrevista semi-estruturada com uma empresa exportadora, o quantitativo dessa pesquisa foi feito a partir da acessibilidade na empresas, já que muitos ainda resistem em disponibilizar dados para pesquisa. As empresas de software precisam de uma política industrial integrada e articulada no sentido de fortalecer os agentes que a compõem, no intuito de posicionar o estado como um dos principais polos de software do Brasil e contribuir para que a indústria brasileira de software seja uma das principais indústrias do mundo. Palavras-chaves: Comercialização; competitividade; indústria de software brasileira; indústria de software baiana; modelo de negócios; software produto, software sob encomenda LUCAS PRONTO.indd 7 09/07/ :52:45

8 ABSTRACT This paper examined what the main possibilities and difficulties of the industry of the state companies have software in marketing products and services, making sure the business model used will achieve the expansion strategies and positioning in local and international markets. The software industry is one of the segments that are in higher growth in the global economy, in view of ongoing technological revolution and new ways of doing business and dependence on information technology solutions that emerge from this revolution, configuring the software industry as the main economic actor, investments are needed capable of developing and strengthening this segment at any location. Can still be seen that the globalization of markets and intensified competition has allowed domestic firms can access the new technologies produced in the core countries and exploit these countries as target markets. With the purpose to identify the difficulties and potentialities in the commercialization process in the sectors of software product and custom software, literature searches were conducted around a theoretical construct can enable the analysis of the indicators of the business model used by enterprises. Six questionnaires were applied to companies that perform marketing domestically and performed a semi-structured interview with an exporter, the amount of this research was done from the accessibility of businesses, since many are still reluctant to provide data for research. Software companies need an integrated and coordinated industrial policy to strengthen the agents that compose it, in order to position the state as a major pole of software in Brazil and to help the Brazilian software industry is a major industries in the world. Keywords: Marketing; competitiveness; Brazilian software industry, software industry in Bahia, business model, software product, custom software LUCAS PRONTO.indd 8 09/07/ :52:46

9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO CONTEXTUALIZAÇÃO, PROBLEMÁTICA E JUSTIFICATIVA OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO INDÚSTRIA DE SOFWARE MUDANÇA DO PARADIGMA TECNOLÓGICO SOFTWARE INDÚSTRIA DE SOFTWARE MERCADO MUNDIAL DE SOFTWARE INDÚSTRIA DE SOFTWARE NO BRASIL MERCADO DE SOFTWARE BRASILEIRO INDÚSTRIA BAIANA DE SOFTWARE INSERÇÃO NO MERCADO MUNDIAL DE SOFTWARE MODELO DE UPPSALA E FORMAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO ESTRATÉGIA DOS EMERGENTES MODELOS DE NEGÓCIOS E FATORES DE COMPETITIVIDADE: EMPRESARIAL, ESTRUTURAL E SISTÊMICO MODELO DE NEGÓCIOS CONTEXTUALIZAÇÃO CONCEITO E IMPORTÂNCIA PRINCIPAIS COMPONENTES DO MODELO DE NEGÓCIOS ESTRATÉGIA COMPETITIVA LUCAS PRONTO.indd 9 09/07/ :52:46

10 3.2.1 COMPETITIVIDADE FATORES DE COMPETITIVIDADE METODOLOGIA DA PESQUISA METODOLIGIA DA PESQUISA ETAPAS DA PESQUISA MODELO DE ANÁLISE ANÁLISE DOS RESULTADOS ANÁLISE DO MODELO DE ANÁLISE NO MERCADO INTERNO ANÁLISE DO MODELO DE ANÁLISE NO MERCADO EXTERNO CONSIDERAÇÕES FINAIS CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICE A: QUESTIONÁRIO APÊNDICE B: ROTEIRO DE ENTREVISTA LUCAS PRONTO.indd 10 09/07/ :52:46

11 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 OS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS DA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA...33 QUADRO 2 CARACTERÍSTICAS DAS REVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS...38 QUADRO 3 CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE PRODUTOS E SERVIÇOS DE SOFTWARE...46 QUADRO 4 DIFERENÇAS DE PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO ENTRE SOFTWARE SOB ENCOMENDA E SOFTWARE PRODUTO...52 QUADRO 5 PRINCIPAIS EMPRESAS DE SOFTWARE NO MUNDO EM QUADRO 6 CARACTERÍSTICAS DAS INTERVENÇÕES REALIZADAS PELO GOVERNO BRASIEIRO NA INDÚSTRIA DE TI...69 QUADRO 7 EVENTOS INSTITUCIONAIS EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO...88 QUADRO 8 POTENCIALIDADES DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE SOFTWARE...93 QUADRO 9 OPORTUNIDADES E OBSTÁCULOS PARA A EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA DE SOFTWARE BRASILEIRA...94 QUADRO 10 PRINCIPAIS CONCEITOS DA DISTÂNCIA PSÍQUICA... QUADRO 11 DIFERENÇAS NAS ESTRATÉGIAS DE INSERÇÃO NO MERCADO EXTERO POR EMPRESAS DE SOFTWARE EM RELAÇÃO AO CAPITAL CONTROLADOR DAS EMPRESAS QUADRO 12 EXEMPLOS DA EVOLUÇÃO DAS FORMAS DE COMÉRCIO NA ECONOMIA TRADICIONAL E DIGITAL QUADRO 13 DIVERSOS CONCEITOS DE MODELOS DE NEGÓCIOS QUADRO 14 FATORES DETERMINANTES PARA A COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE SOFTWARE...8 LUCAS PRONTO.indd 11 09/07/ :52:46

12 QUADRO 15 MODELO DE ANÁLISE PARA O MERCADO INTERNO QUADRO 16 MODELO DE ANÁLISE PARA O MERCADO EXTERNO QUADRO 17 - PANORAMA DAS EMPRESAS PESQUISADAS QUADRO 18 DIVISÃO DE PESSOAL POR ÁREA QUADRO 19 DIVISÃO DE PESSOAL POR QUALIFICAÇÃO QUADRO 20 NOVOS PRODUTOS EM 2007/ QUADRO 21 RESUMO DA SITUAÇÃO DOS FATORES EMPRESARIAIS PARA COMERCIALIZAÇÃO INTERNA QUADRO 22 BARREIRAS DE ENTRADA NO SEGMENTO SOFTWARE PRODUTO 171 QUADRO 23 BARREIRAS DE ENTRADA NO SEGMENTO SOFTWARE SOB ENCOMENDA QUADRO 24 - RESUMO DA SITUAÇÃO DOS FATORES ESTRUTURAIS PARA COMERCIALIZAÇÃO INTERNA QUADRO 25 - AVALIAÇÃO DOS AGENTES QUE COMPÕEM A INDÚSTRIA DE SOFTWARE BAIANA QUADRO 26 - NÍVEL DE IMPORTÂNCIA DE FATORES PARA O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DE SOFTWARE POR SEGMENTO QUADRO 27 - RESUMO DA SITUAÇÃO DOS FATORES SISTÊMICOS PARA COMERCIALIZAÇÃO INTERNA QUADRO 28 RESUMO DA SITUAÇÃO DOS FATORES EMPRESARIAIS NA EMPRESA EXPORTADORA QUADRO 29 - RESUMO DA SITUAÇÃO DOS FATORES ESTRUTURAIS NA EMPRESA EXPORTADORA QUADRO 30 - RESUMO DA SITUAÇÃO DOS FATORES SISTÊMICOS NA EMPRESA EXPORTADOR LUCAS PRONTO.indd 12 09/07/ :52:46

13 QUADRO 31 - FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO OBSERVADOS DA EMPRESA DE EXPORTAÇÃO DE SOFTWARE QUADRO 32 - PRINCIPAIS OPORTUNIDADES E ENTRAVES NA EMPRESA DE EXPORTAÇÃO DE SOFTWARE LUCAS PRONTO.indd 13 09/07/ :52:46

14 LISTA DE TABELAS TABELA 1 CLASSIFICAÇÃO DOS PAÍSES DE ACORDO O MONTANTE MOVIMENTADO EM SOFTWARE NO ANO DE TABELA 2 CLASSIFICAÇÃO DOS PAÍSES DE ACORDO O MONTANTE MOVIMENTADO EM SOFTWARE NO ANO DE TABELA 3 CLASSIFICAÇÃO DOS PAÍSES DE ACORDO O MONTANTE MOVIMENTADO EM SOFTWARE NO ANO DE TABELA 4 CLASSIFICAÇÃO DOS PAÍSES DE ACORDO O MONTANTE MOVIMENTADO EM SOFTWARE NO ANO DE TABELA 5 RECEITA DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE E SERVIÇOS DE TI ENTRE LUCAS PRONTO.indd 14 09/07/ :52:46

15 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS PRINCIPAIS MERCADOS DE TI NO MUNDO EM FIGURA 2 INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE EM FIGURA 3 INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE EM FIGURA 4 INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE EM FIGURA 5 INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE EM FIGURA 6 EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE NO PERÍODO ENTRE FIGURA 7 PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DOS PRODUTOS E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA NO TOTAL DA RECEITA DE SERVIÇOS DE INFORMÁTICA NO BRASIL FIGURA 8 PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DOS PRDUTOS E SERVIÇOS DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE SOB ENCOMENDA NO TOTAL DA RECEITA DE SERVIÇOS DE SOFTWARE SOB ENCOMENDA NO BRASIL FIGURA 9 EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO DA INDÚSTRIA INDIANA DE SOFTWARE FIGURA 10 EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO DA INDÚSTRIA IRLANDESA... DE SOFTWARE FIGURA 11 EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO DA INDÚSTRIA CHINESA DE SOFTWARE LUCAS PRONTO.indd 15 09/07/ :52:46

16 FIGURA 12 RESUMO DOS PRINICIPAIS COMPONENTES DE MODELO DE NEGÓCIOS LUCAS PRONTO.indd 16 09/07/ :52:46

17 LISTA DE SIGLAS ABES ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE SOFTWARE ABICOM ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE COMPUTADORES APEX AGÊNCIA BRASILEIRA DE PROMOÇÃO A EXPORTAÇÃO E INVESTIMENTO BNDES BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL BRASSCOM ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO CMM CAPABILITY MATURY MODEL CMMI CAPABILITY MATURY MODEL INTEGRATION CNPQ CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO DESI PROJETO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO DA INFORMÁTICA ENCO SIGLA PARA EMPRESAS DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE SOB ENCOMENDA E OUTRAS CONSULTORIAS EM SOFTWARE FINEP FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS DO GOVERNO FEDERAL IBS INDÚSTRIA BRASILEIRA DE SOFTWARE JUCEB JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DA BAHIA MCT MINISTÉRIO DE CIENCIA E TECNOLOGIA MIDC MINISTÉRIO DE DESENVOLVIMENTO INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR MNC MULTINACIONAIS PITCE POLÍTICA DE INDÚSTRIA, TECNOLOGIA E COMÉRCIO EXTERIOR PNUD PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO PPI PROGRAMA PRIORITÁRIO EM INFORMÁTICA LUCAS PRONTO.indd 17 09/07/ :52:47

18 PROD SIGLA PARA EMPRESAS DE DESENVOLVIMENTO E EDIÇÃO DE SOFTWARE PRONTO PARA USO PROSOFT PROGRAMA PARA O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA NACIONAL DE SOFTWARE E SERVIÇOS DE TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO PROTEM-CC PROGRAMA TEMÁTICO MULTIINSTITUCIONAL EM CIÊNCIA E COMPUTAÇÃO RNP REDE NACIONAL DE PESQUISA SECTI SECRETARIA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESTADO DA BAHIA SEI SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE SEPIN/MCT SECRETARIA DE POLÍTICAS E INFORMÁTICA SINPAD SISTEMA NACIONAL DE PROCESSAMENTO DE ALTO DESEMPENHO SOFTEX TI TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LUCAS PRONTO.indd 18 09/07/ :52:47

19 1 INTRODUÇÃO LUCAS PRONTO.indd 19 09/07/ :52:47

20 20 1 INTRODUÇÃO Este capítulo irá abordar a contextualização e os acontecimentos acerca da Indústria Brasileira e Baiana de Software que servirá de suporte para a construção do trabalho. Serão abordados o problema da pesquisa, bem como os objetivos geral e específicos, além da estrutura da dissertação. 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO, PROBLEMÁTICA E JUSTIFICATIVA DA PESQUISA Este estudo pretende analisar a Indústria Baiana de Software, procurando verificar as suas potencialidades e fragilidades no processo de comercialização de seus produtos e serviços no mercado interno e externo. Ainda, verifica-se a necessidade de contribuir com um panorama da situação da indústria brasileira e baiana de software, já que é um segmento em constante crescimento no mundo e o setor é carente de estudos proficientes que permitam verificar a realidade das empresas produtoras de software na Bahia, principalmente nos segmentos software produto e software sob encomenda. O desenvolvimento da Indústria Brasileira de Software pode ser dividido em dois momentos: primeiramente com a reserva de mercado que predominou até 1992, impossibilitando o país de ter acesso às modernidades que estavam sendo desenvolvidas no mercado externo; em segundo, com o fim da reserva de marcado, o governo promoveu algumas intervenções para que houvesse aceleração do desenvolvimento da indústria de software. Atualmente a IBS ocupa a 12º colocação em relação ao mercado mundial de software, movimentando cerca de 15 bilhões de dólares. Sendo um mercado composto por cerca de empresas, onde 94% são classificadas como micro e pequenas empresas (ABES, 2009), sendo que das 15 maiores empresas, somente 8 são da capital nacional (STEFANUTO, 2004). Apesar da criação de programas que procurassem estimular as exportações como o SOFTEX, cujo objetivo visava alcançar 1% das exportações do mercado LUCAS PRONTO.indd 20 09/07/ :52:47

21 21 mundial de software, e alcançar no ano da sua criação cerca de 2 bilhões de dólares em exportações, esse resultado jamais foi alcançado. Com problemas estruturais de acesso a financiamento, promoção da inovação, pessoal técnico qualificado, a Indústria Brasileira de Software possui dificuldades a serem superadas pelos agentes integrantes desse setor, bem como a Indústria Baiana de Software, cujo formato não foge dos padrões nacionais, pelo contrário, de acordo com a pesquisa que traçou o perfil da empresas exportadoras de software realizado pela SOFTEX e UNICAMP, a maioria das empresas produtoras de software no Brasil se concentra nas regiões Sul e Sudeste. De fato, pode-se considerar que os problemas estruturais encontrados na IBS, tornam-se maiores quando comparados com a Indústria Baiana. Além do mais, cabe verificar que a Indústria Brasileira possui um mercado aquecido e com possibilidades a serem exploradas, tendo em vista que muitos empresários possuem resistência em aderir a uma solução em tecnologia da informação em suas atividades, sem contar que o volume de recursos movimentado em importações de software no Brasil pode sugerir que as empresas produtoras de software não atendem totalmente ao mercado interno, no sentido de oferecimento de produtos e serviços capazes de vencer a concorrência externa ou o mercado brasileiro é extenso e absorve a produção das empresas, sendo que o excedente seria exportado, o que reforçaria a denominação de uma indústria com perfil antiexportador citado por Stefanuto (2004). A Indústria Brasileira de Software possui um padrão de evolução e uma trajetória de crescimento diferenciados. A forte demanda doméstica produz um conjunto de estímulos para as empresas de software com um viés antiexportação, firmas menores e com menos autonomia para a exportação e inserção na economia política mundial de TI desvinculada do padrão de acumulação dos grandes centros (WEBER, 2002, p.23). Para tanto, vale entender como se configura as novas oportunidades de mercado, negócios e tendências predominantes na era atual, denominada por Castells (1999) como a Era da Informação. Sendo a Tecnologia da Informação (TI) o fator propulsor e impulsionador do crescimento e desenvolvimento das principais economias, a informação tem valor substancial e o software é o principal agente. LUCAS PRONTO.indd 21 09/07/ :52:47

22 22 A TI é baseada na aplicação de conhecimentos armazenados, para geração de novos conhecimentos e dispositivos de processamento de comunicação da informação, em um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso. Os usos das tecnologias de telecomunicações passaram por três estágios distintos: automação de tarefas, experiência e usos e reconfiguração das aplicações. Sendo que nos dois primeiros estágios passou-se pela experiência de aprendizagem da tecnologia por meio do uso e no último através da prática. Também houve mudança na concepção de importância da mente humana, que passou de força direta de produção, para elemento decisivo no sistema produtivo (CASTELLS, 1999). As transformações rápidas e aceleradas que o mundo está presenciando fazem parte de uma etapa histórica da vida humana, que por sua vez acompanha e desfruta dessas mudanças utilizando-se de recursos oriundos da TI ou de produtos, serviços e processos em foram incorporados tecnologia da informação para aprimorar, promover automação, ganho de produtividade e eficiência, modificando antigas práticas comerciais predominantes. Como exemplo de incorporação da TI aos processos e atividades comerciais, pode-se referenciar o Comércio Eletrônico, que estabeleceu mais um canal de distribuição de produtos e serviços através da utilização da internet como interface entre consumidores e fornecedores. Diferentemente das outras revoluções tecnológicas ocorridas ao longo da história econômica mundial, como a Primeira Revolução Industrial, com o advento da máquina a vapor, que proporcionou a modificação no estilo produtivo artesanal e único, para uma produção em massa e padronizada; e a Segunda Revolução Industrial, com a introdução da eletricidade e de um Novo Paradigma Produtivo: o Fordismo e sua linha de montagem, permitindo ganho em escala e alavancagem da produção (TIGRE, 2002). Em ambos os casos com uma difusão seletiva, ocorrendo concentradamente em determinados países. A revolução tecnológica em curso mostrou-se mais difundida e com alcance muito superior e de velocidade muito acelerada em relação às fronteiras dos países (CASTELLS, 1999). Processo esse que pode ser atribuído a outro acontecimento geopolítico: a globalização dos mercados. O processo de globalização permitiu a ampliação do comércio internacional de forma que ajudou vários países a crescerem muito mais rapidamente do que teriam LUCAS PRONTO.indd 22 09/07/ :52:47

23 23 crescido caso esse processo não ocorresse ao longo do tempo, ou pelo menos o processo de expansão e diversificação de mercados seria mais lento. A globalização também permitiu a redução do isolamento entre os países e permitiu um acesso mais abrangente ao conhecimento (STIGLITZ, 2002). Essa abertura de mercados aumenta a competição e pressiona para que as organizações para construírem estratégias capazes de responder a essas turbulências com maior eficiência e que sejam capazes de garantir posicionamento no mercado. Porter (1980) conclui que algumas barreiras estão sendo superadas como resultado desse processo e que os posicionamentos estáticos das empresas devem ser revistos para enfrentar a concorrência e as turbulências. Ou seja, a satisfação com a demanda do mercado interno, que pode ter sido em virtude da predominância da reserva de mercado que foi acometida a indústria de software brasileira até meados da década de 1990, não deveria desestimular estratégias mais abrangentes e exploração de outros mercados e muito menos deixar de competir no mercado já explorado. Ferraz e Coutinho (1995) corroboram com o pensamento expansionista ao afirmarem que a competitividade para uma nação é o grau pelo qual ela pode, sob condições livres e justas de mercado, produzir bens e serviços que se submetam satisfatoriamente ao teste dos mercados internacionais, de forma que essa competitividade é construída a partir das empresas que mantém suas atividades no mercado interno e exportam a partir de suas fronteiras. As empresas devem ser flexíveis para reagir com rapidez às mudanças competitivas e de mercado. [...] O posicionamento tem sido rejeitado como algo estático para mercados dinâmicos e para as tecnologias em transformação da atualidade. [...] Os rivais são capazes de copiar com rapidez qualquer posição de mercado, e a vantagem competitiva é, na melhor das hipóteses, uma situação temporária (PORTER, 1999 p.46). Com a globalização as empresas não competem somente internamente com atores nacionais, nem tampouco somente quando dirigem seus esforços para alcançar o mercado externo, enfrentando barreiras tarifárias (OLIVEIRA, MARTINELLI, 2003), como custos monetários e cobrança de direitos aduaneiros que diretamente resultam no aumento dos preços repassados ao cliente, e não-tarifárias como cotas de importação, controles de preços, normas e especificações, controles cambiais, LUCAS PRONTO.indd 23 09/07/ :52:47

24 24 suspensões às exportações (RATTI, 2000). Com o fim das fronteiras, empresas de outros países podem utilizar-se de estratégias para ganhar mercado em países que considerem o mercado atrativo e com condições para garantir sua sustentabilidade, ou até mesmo utilizar-se dos recursos disponíveis nesses países para construir bases de distribuição dos seus produtos e serviços e difusão da sua marca internacionalmente. Essas medidas podem ser entendidas através do conceito de internacionalização. Que, para Stal (2005), pode se configurar através de instalação de subsidiárias no exterior, por exemplo. Que poderia ser uma alternativa para empresas nacionais enfrentarem a competição global, sobretudo, em setores industriais produtores de bens diferenciados e de maior conteúdo tecnológico como o caso da Indústria de Software. Ao abrir-se para o exterior, a empresa desenvolve nova cultura e aprimora seus métodos administrativos e organizacionais. Por outro lado, a diversificação de mercados, conseqüência inevitável do desenvolvimento do processo exportador, conduzirá ao aperfeiçoamento da estratégia mercadológica, à assimilação de novas técnicas de produção e comercialização e à utilização de planos de marketing mais sofisticados. Todos esses fatores contribuem para a maior competitividade da empresa, tanto no plano internacional quanto dentro de seu próprio mercado. (LOPEZ, 2004). A internacionalização de empresas tem seu marco no estudo do Modelo de Uppsala. Em que nos meados dos anos 70, um grupo de pesquisadores da Universidade de Uppsala (HÖRNELL ET AL 1973; JOHANSON & WIEDERHEIM-PAUL; JOHANSON & VAHLNE, 1977) dirigiram suas atenções para o estudo do processo de internacionalização de firmas suecas manufatureiras e, assim, desenvolveram um modelo de como essas firmas planejavam e definiam as estratégias para escolherem os mercados-alvo e as formas de entrada no mercado internacional, a partir da decisão de se internacionalizarem. Dentre os principais fatores que estão impulsionando as empresas a se internacionalizarem em países como o Brasil, destacam-se: o excesso de capacidade para produção de bens e serviços, o que cria uma feroz competição entre os players globais e requer uma orientação permanente para inovação (FLEURY, 2007); as multinacionais já bem estabelecidas provenientes de países desenvolvidos estão em processo de rever e redefinir suas arquiteturas organizacionais, focando em atividades LUCAS PRONTO.indd 24 09/07/ :52:47

25 25 de alto valor agregado e procurando estabelecer e comandar redes globais de valor (GEREFFI et al, 2005 apud FLEURY, 2007); os governos procuram intervir fortemente no processo de internacionalização, visando atingir seus objetivos de desenvolvimento nacional (DUNNING, 1993, apud FLEURY, 2007); e a economia está em um estágio no qual os mecanismos institucionais que modelam o comércio internacional estão sendo consolidados em níveis globais e regionais, afetando fortemente os países em desenvolvimento (MESSNER, 2004 apud FLEURY, 2007). Nesse contexto, as relações comerciais e estratégicas e da modificação do contexto tecnológico em curso, com o surgimento de novas formas de comercialização e acirramento da concorrência entre atores interno e externos, o software surge como um bem econômico que tem impacto direto nas atividades produtivas de um país. Fatalmente as empresas que não o utilizam, deverão utilizar software em seus processos. O lugar central do software dentre as demais tecnologias de informática é evidenciado pelo fato de que qualquer aplicação da tecnologia da informação tem como requisito complementar um software que transforma a tabula rasa do hardware em máquina capazes de executar funções úteis (STEINMUELLER, 1995, p.2 apud ROSELINO, 2006). Contudo, é necessário identificar de que forma as empresas estão construindo estratégias sólidas para promover a comercialização de seus produtos e serviços no mercado interno e/ou externo ou para enfrentarem a concorrência de empresas nacionais e estrangeiras no seu ambiente de atuação. Sendo assim, o modelo de negócios utilizado pela empresa é essencial para verificar se está condizente com a estratégia definida. O modelo de negócios surge como uma forma que uma organização se vale para criar valor ao consumidor, por meio da arquitetura dos seus produtos, serviços e fluxo de informação, de forma que os papéis estejam definidos para alcançar os resultados esperados (LECHNER, HUMMEL, 2002). O que se pode entender de modelo de negócios é a forma que uma empresa encontra para alcançar seu públicoalvo, utilizando-se de recursos financeiros, de marketing, de pessoas e estruturas, a fim de criar valor para o consumidor. Porém, não basta criar um modelo de negócios sem LUCAS PRONTO.indd 25 09/07/ :52:47

26 26 verificar e analisar o mercado, a fim de criar uma estratégia capaz de enfrentar os concorrentes de maneira competitiva. Vale ressaltar que o modelo de negócio faz parte da estratégia da empresa. Não seria o conceito central da empresa. Ou seja, estratégia empresarial pressupõe uma análise das condições de competitividade do setor, no objetivo de alcançar as cinco forças que regeriam o mercado, de acordo Porter (1980): as barreiras à entrada de novos concorrentes, a presença de produtos substitutos, o poder de negociação de clientes e fornecedores e o grau de rivalidade interna. ANDRADE, 2001 (apud MEZZOMO, 2004) explica o grau de amplitude do conceito de estratégia em relação ao modelo de negócios: [...] estratégia é mais amplo que modelo de negócios, porque é parte da estratégia, a própria revisão dos modelos de negócios. De fato, um movimento estratégico de uma organização pode ser o abandono de um modelo de negócios ou a adoção de um novo. Quando falamos de grandes corporações, a orquestração de diferentes modelos de negócios para a geração de valor para a organização como um todo faz parte do plano estratégico dessa corporação. [...] modelo de negócios são aplicações de uma estratégia de negócios cujo objetivo final é a geração de valor através da aplicação dos recursos disponíveis. É uma arquitetura definida pela organização e para criação de valor através da maximização dos seus recursos e competências essenciais. Para reforçar a ideia e o conceito de modelo de negócios, Kleuber (2000) complementa a definição delineando como a criação de valor de uma organização, a rede de negócios construída com a participação de parceiros, competidores e clientes. Que incluiria a combinação de produtos e serviços, imagem e distribuição, sob a gestão de pessoas e a infraestrutura operacional para a realização do trabalho (CHESBROUGH e ROSENBLOOM, 2002 apud MEZZOMO, 2004). Tanto no nível nacional como no local, no caso da Indústria Baiana de Software, em relação à comercialização de seus bens e serviços, os entraves que não permitem o desenvolvimento e expansão dos negócios da Indústria Baiana no mercado interno e externo serão abordados nessa pesquisa. De forma a contribuir para a construção de um panorama que forneça dados sobre o setor, as empresas atuantes e o modelo de negócios utilizados pelas empresas para comercializar seus produtos e serviços. LUCAS PRONTO.indd 26 09/07/ :52:47

27 27 pesquisa: Desta forma, esta pesquisa pretende responder a seguinte questão de De que forma as empresas baianas de software comercializam seus produtos e serviços no mercado interno e externo? OBJETIVO GERAL Como objetivo geral dessa pesquisa pretende-se verificar de que forma as empresas baianas de software comercializam seus produtos e serviços. Observando que os segmentos analisados serão o software produto e software sob encomenda OBJETIVOS ESPECÍFICOS O trabalho pretende ainda como objetivos específicos: a) Apresentar um panorama da Indústria Brasileira e Baiana de Software; b) Entender como funciona o mercado nacional e internacional de comercialização de software; c) Traçar o perfil das empresas de software pesquisadas; d) Verificar como os componentes do modelo de negócios da Indústria Baiana de Software se encaixam nos fatores de competitividade: Empresarial, Estrutural e Sistêmico; e) Identificar os fatores de inserção dos bens e serviços provenientes da Indústria Baiana de Software no mercado internacional. f) Verificar os principais entraves e potencialidades no processo de comercialização dos produtos e serviços das empresas pesquisadas; LUCAS PRONTO.indd 27 09/07/ :52:48

28 28 Os fatores de competitividade que serão ser explorados na pesquisa, para verificar se o modelo de negócios utilizado é competitivo, encontra-se divididos em três categorias: Empresariais, Estruturais e Sistêmicos. Na linha Empresarial, estão aqueles sobre os quais a empresa detém poder de decisão e podem ser controlados ou modificados por meio de condutas ativas assumidas, correspondendo às variáveis no processo decisório, como, por exemplo, eficácia na gestão, posicionamento estratégico, capacitação e desempenho, capacitação tecnológica em processos e produtos, capacitação produtiva, organização da produção controle da qualidade e a produtividade dos recursos humanos (FERRAZ, HAGUENAUER, KUPFER, 1997). Os Fatores Estruturais são aqueles sobre os quais a capacidade de intervenção da empresa é limitada pela mediação do processo de concorrência, estando, assim, apenas parcialmente sob a sua área de influência. São fatores estruturais, em se tratando de mercado, taxas de crescimento, distribuição geográfica e em faixas de renda, grau de sofisticação tecnológica e outros requisitos, impostos aos produtos, oportunidades de acesso a mercados internacionais, sistemas de comercialização entre outros. Os Fatores Sistêmicos são aqueles que constituem externalidades para a empresa, dos quais detém escassa ou nenhuma possibilidade de intervenção, no processo decisório. Divide-se em grupos: a) macroeconômico taxa de câmbio, carga tributária, taxa de crescimento do PIB, oferta de crédito, política salarial; b) políticoinstitucionais política tributária, política tarifária, apoio fiscal ao risco tecnológico, poder de compra do governo; c) legais-regulatórios políticas de proteção à propriedade industrial, de preservação ambiental, de defesa da concorrência e proteção ao consumidor, de regulação do capital estrangeiro; d) infraestruturais disponibilidade, qualidade e custo de energia, transporte e telecomunicações, insumos básicos e serviços tecnológicos; e) sociais sistema de qualificação da mão de obra, políticas de educação e formação de recursos humanos, trabalhistas e de seguridade social; e f) internacionais tendências do comércio mundial, fluxos internacionais de capital, de investimento de risco e de tecnologia, acordos internacionais. LUCAS PRONTO.indd 28 09/07/ :52:48

29 29 Esse trabalho torna-se relevante pela necessidade de se elaborar trabalhos acadêmicos dotados de métodos de pesquisa para verificar o processo de comercialização de um produto como o software e analisar a situação da Indústria Baiana. Além de fornecer dados do setor, cujos relatórios, em âmbito nacional, geralmente são elaborados e publicados pela Associação Brasileira de Empresas de Software (ABES), já em âmbito local falta aferir com mais proficiência. O estímulo à promoção do desenvolvimento da Indústria Brasileira e Baiana de Software é fundamental para o Brasil e para a Bahia. Segundo Porter (1989), a presença de indústrias correlatas e de apoio estimula outras indústrias de serviços, como é o caso de indústrias de tecnologia da informação. Porter (1989) sinaliza que a presença de uma empresa internacionalmente competitiva num país tem um efeito tríplice para a vantagem nacional em indústrias de serviços correlatos: proporciona compradores sofisticados internamente, cria base externa de demanda e estimula serviços correlatos. 1.2 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO Este trabalho está estruturado em seis capítulos. Primeiramente, está o que trata da contextualização e problemática do estudo, explicitando a importância do tema e os objetivos a serem alcançados. O segundo capítulo faz uma reflexão sobre a Indústria Brasileira e Baiana de Software, evolução histórica, as políticas de incentivo, formas de financiamento e desempenho do mercado interno e as exportações, verificando as formas de inserção do software no mercado internacional. Já o terceiro capítulo aborda o conceito, a importância e os principais componentes de um modelo de negócios e os fatores da competitividade nas três dimensões: Empresarial, Estrutural e Sistêmica. O quarto capítulo é composto pelos procedimentos metodológicos para a execução do estudo de caso, com a construção do modelo de análise com suas dimensões e indicadores. O quinto capítulo é a análise dos resultados obtidos, e, por fim, o sexto capítulo com as conclusões do estudo e reflexões sobre a que LUCAS PRONTO.indd 29 09/07/ :52:48

30 30 contribuições a pesquisa alcançou, as limitações da pesquisa e as indicações para novos estudos. LUCAS PRONTO.indd 30 09/07/ :52:48

31 31 2 INDÚSTRIA DE SOFTWARE, INDÚSTRIA DE SOFTWARE BRASILEIRA, INDÚSTRIA BAIANA DE SOFTWARE LUCAS PRONTO.indd 31 09/07/ :52:48

32 32 2. INDÚSTRIA DE SOFTWARE Esse capítulo aborda a evolução dos paradigmas tecnológicos, até o estágio atual, de forma a situar o software como o principal vetor econômico da atualidade, tornando-se essencial para praticamente em toda atividade humana. Sendo explicitado o conceito e a importância do desenvolvimento de uma indústria de software em um país, de forma a verificar suas potencialidades e obstáculos para a comercialização de seus produtos e serviços e manutenção no mercado, desta forma, verificando a condição da indústria brasileira e baiana de software. 2.1 MUDANÇA DO PARADIGMA TECNOLÓGICO No capitalismo, as formas de produção sofrem alterações e transformações ao longo dos anos. A introdução de novos recursos tecnológicos, inovações, formas de organização da produção e gestão influenciam nas relações de mercado e na sociedade, de forma que surgem novos cenários e tendências, oportunidades de negócios que as empresas devem acompanhar para não sucumbirem. Dentro desse contexto, serão discutidas as principais inovações tecnológicas que o mundo tem conhecimento, dentro da perspectiva de três paradigmas tecnológicos: a primeira Revolução Industrial, que dominou a economia mundial durante o século XIX; a segunda Revolução Industrial ou o Paradigma Fordista, que surgiu nos EUA e foi considerado o modelo de organização predominante na maior parte do século XX; e o Paradigma Tecnológico em curso desde as décadas de , cujos impactos estão sendo analisados mediante a sua implementação e evolução (CASTELLS, 1999; TIGRE, 2005). Um paradigma econômico e tecnológico é um agrupamento de inovações técnicas, organizacionais e administrativas inter-relacionadas cujas vantagens devem ser descobertas não apenas em uma nova gama de produtos e sistemas, mas também e, sobretudo na dinâmica da estrutura dos custos relativos de todos os possíveis insumos para a produção. Em cada novo paradigma, um insumo específico ou conjunto de insumos pode ser descrito como o fator-chave desse paradigma caracterizado pela queda dos custos relativos e pela disponibilidade universal. A mudança contemporânea de paradigma pode ser vista como uma transferência de uma tecnologia baseada LUCAS PRONTO.indd 32 09/07/ :52:48

33 33 principalmente em insumos baratos de energia para uma outra que se baseia predominantemente em insumos baratos de informação derivados do avanço da tecnologia da em microeletrônica e telecomunicações (CHISTOPHER FREEMAN apud CASTELLS, 1999, pág. xxxx). A principal atividade econômica predominante até meados do século XVIII era a agricultura, com métodos de produção artesanais e os produtos sem padronização, ou seja, não obedecia a normas e padrões pré-estabelecidos fora a concepção do artesão. Nessa atividade, o domínio do processo produtivo pertencia ao artesão, que desenhava e produzia de acordo com conhecimentos acumulados e com a sua experiência. O artesão contava com o auxílio de alguns ajudantes, que por sua vez aprendiam o ofício ao longo do tempo. Inexistia o conceito de fábrica. Para o aumento de produtividade era necessário o aumento da quantidade de trabalhadores, somados com o aumento da quantidade de insumos e áreas da oficina. Essa produção não era de larga escala (TIGRE, 2006). A primeira Revolução Industrial mudou o conceito de produção. As inovações tecnológicas promoveram a introdução de máquinas e equipamentos no processo produtivo, alavancando a produção e permitindo, primeiramente na indústria têxtil, a diminuição dos custos de produção dos tecidos, que possibilitou a redução dos preços e expansão dos mercados. Essas transformações possibilitaram e serviram com molas propulsoras para um processo contínuo de inovações tecnológicas que levaram ao desenvolvimento e à expansão das economias. Para Tigre (2006), as inovações ocorridas na Primeira Revolução Industrial podem ser agrupadas em três princípios: a) a substituição da habilidade e do esforço humano pelas máquinas, que seriam rápidas, constantes e incansáveis; b) a substituição de fontes animadas de energia por fontes inanimadas; c) o uso de matérias-primas novas e muito mais abundantes, como a substituição de substâncias vegetais e animais por substâncias minerais. Outro conceito que mudou a forma de produção foi à divisão do trabalho proposta por Adam Smith em 1776 no Livro Riqueza das Nações, onde os conhecimentos e habilidades necessários à produção foram separados e entregues a pessoas diferentes, ou seja, o conhecimento e a produção deixaram de estar LUCAS PRONTO.indd 33 09/07/ :52:48

34 34 centralizados na mão de uma única pessoa, no caso o artesão, passando a ser produzido em uma cadeia de produção. Escala na produção. No aspecto econômico e da firma, a Teoria Neoclássica tradicional serve como referência para explicar a dinâmica desse mercado, já que essa teoria tem foco vinculado na teoria dos preços e alocação de recursos. E a firma era vista como uma caixa-preta, que combinava fatores de produção disponíveis no mercado para produzir bens comercializáveis, ou seja, o mercado somente conhecia o produto final da empresa, não eram conhecidos os processos para alcançar esse produto. Bastava a firma selecionar a técnica mais apropriada e adquirir insumos para a produção, isso incluiria novas tecnologias e trabalho. A competição exigia a constante renovação dos métodos produtivos, de forma a reduzir os custos de produção e introduzir novos produtos (TIGRE, 2006). O segundo paradigma tecnológico pode ser associado ao Fordismo, com a criação da linha de montagem por Henry Ford ou denominado como a Segunda Revolução Industrial, marcada principalmente com pela descoberta da eletricidade, que possibilitou inovações tecnológicas que modificaram as formas de produção e relações de mercado (CASTELLS, 1999; TIGRE, 2006). O capitalismo industrial se caracterizou por monopólios em algumas produções. Essa situação foi alterada com o surgimento de fábricas, dando origem a um sistema concorrencial, que novamente sofreu uma mudança em função das revoluções tecnológicas nos meios de comunicação e transporte, permitindo a unificação dos mercados, destruindo barreiras econômicas criadas por conta dos altos custos de transporte, criando oligopólios estáveis (TIGRE, 2005). Além dessas inovações, pelo menos três sistemas de inovações contribuíram para alterar a estrutura da indústria, gerando novos modelos de firmas e marcados: a eletricidade, o motor a combustão e as inovações organizacionais: Tayloristas e Fordistas (CASTELLS, 1999; TIGRE, 2006). Com o advento da eletricidade, e da sua complexa infraestrutura de geração e distribuição, possibilitou-se a exploração mais ampla das economias de escala, através do desenvolvimento de novas máquinas maiores e mais eficientes e de LUCAS PRONTO.indd 34 09/07/ :52:48

35 35 sistemas integrados de produção. A invenção do motor a combustão deu origem ao automóvel, ao trator, ao caminhão e ao avião (TIGRE, 2005). Já a terceira inovação tecnológica marcante foi a produção em massa associada a Henry Ford, e a indústria automobilística com sua linha de montagem. As primeiras aspirações sobre a linha de montagem são oriundas da obra da Adam Smith Riqueza das Nações, através da experiência de uma fabrica de alfinetes, com a divisão do trabalho e o processo onde o produto era que percorria as etapas de produção. Porém, somente com Frederick Wislow Taylor em 1911, com a publicação da obra Princípios da Administração Científica, as vantagens da economia de escala foram demonstradas. Taylor como consultor de Ford combinou os princípios da divisão do trabalho, mecanização do processo, padronização, intercâmbio de peças e administração cientifica racional (TIGRE, 2005). A disseminação dessas inovações tecnológicas é acompanhada de transformações econômicas, sociais e institucionais. Já que para se expandir, a tecnologia demanda por regimes jurídicos, motivações econômicas e condições políticoinstitucionais adequados (TIGRE, 2006). Para Castells (1999), o desenvolvimento e expansão das inovações tecnológicas necessitam de fontes locais de inovação, uma base territorial que permita a integração dos sistemas de descobertas e aplicações tecnológicas. A difusão de inovações depende de um conjunto de fatores condicionantes favoráveis, incluindo inovações complementares, criação de infra-estrutura apropriada, quebra de resistência de empresários e consumidores, mudança na legislação e aprendizado na produção e uso de tecnologias. Assim, embora a inovação abra oportunidades para empresas crescerem, criarem mercados e exercerem um poder monopolista temporário, somente sua difusão ampla tem impacto macroeconômico (TIGRE, 2005 p.198). Essas transformações foram a base para a passagem para o terceiro paradigma tecnológico em curso, a Revolução da Tecnologia da Informação. Primeiramente, o termo tecnologia pode ser explicado como o uso de conhecimentos científicos às vias de se fazerem as coisas de maneira reproduzível (CASTELLS, 1999). Informação pode ser explicada como um conjunto de dados estruturados (SHAPIRO e VARIAN, 1999). LUCAS PRONTO.indd 35 09/07/ :52:48

36 36 O fascínio pela tecnologia da informação, pelos seus equipamentos cada vez mais sofisticados e modernos não servirá de nada se seus usuários não estiverem interessados na informação que esses computadores podem gerar. Para tanto, vale a distinção entre dados, informação e conhecimento. Dados como observações sobre o estado do mundo; informação como dados dotado de relevância; e conhecimento é a informação mais valiosa e, consequentemente, mais difícil de gerenciar (DAVENPORT, 1998). Para Shapiro e Varian (1999), a informação é qualquer coisa que puder ser digitalizada codificada como um fluxo de bits. A Tecnologia é a infraestrutura que permite armazenar, buscar, recuperar, copiar, filtrar, manipular, visualizar, transmitir e receber a informação. A informação tem papel fundamental e primordial nesse cenário, apesar de ter um alto custo em produção e baixo em reprodução, o valor de uma informação pode ser desde o entretenimento até o valor comercial, de forma que independentemente as pessoas estão dispostas a pagar por elas. O que eleva a informação como um produto básico a ser transacionado na Era do Conhecimento (GOUVEIA, 2006). A tecnologia da informação é para essa revolução o que as novas fontes de energia foram para as Revoluções Industriais sucessivas. Do motor a vapor à eletricidade, aos combustíveis fósseis e até mesmo à energia nuclear, visto que a geração e distribuição de energia foi o elemento principal na base da Sociedade Industrial (CASTELLS, 1999). O que caracteriza essa revolução não é a centralidade da informação, já que nas revoluções anteriores a informação foi necessária para aplicar e desenvolver os conhecimentos existentes, e também ocorreu a introdução de laboratórios de P&D no segundo paradigma tecnológico. Essa revolução se diferencia pela aplicação de conhecimentos e da informação para a geração de novos conhecimentos e dispositivos de processamento/comunicação da informação, em um ciclo de realimentação acumulativo entre inovação e seu uso (CASTELLS, 1999). A Era da Informação não é somente a aplicação de ferramentas e introdução de novos equipamentos e a criação de novos métodos de produção, mas são os processos a serem desenvolvidos, de forma que os usuários e criadores podem torna- LUCAS PRONTO.indd 36 09/07/ :52:48

37 37 se a mesma coisa. A mente humana é a força direta da produção, não apenas um elemento decisivo no processo produtivo. O marco da iniciação da Revolução Tecnológica no século XX foi o primeiro computador programável e o transistor, fonte da microeletrônica. No entanto, somente a partir da década de 1970, as novas tecnologias da informação difundiram-se amplamente pelo globo e tomaram forma de um paradigma tecnológico. A microeletrônica foi a revolução dentro da revolução. Com o advento do microprocessador em 1971, com a capacidade de incluir um computador em um chip, as relações comerciais e sociais no mundo foram totalmente modificadas (CASTELLS, 1999). A seguir, o Quadro 01 mostra os principais acontecimentos durante o percurso para consolidação da Revolução Tecnológica: Quadro 01 OS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS PARA A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA Ano Acontecimento Responsáveis Local 1941 Z-3 alemão - criado para auxiliar os cálculos das aeronaves Alemanha 1943 Colossus Britânico - decifrar códigos inimigos Inglaterra Os computadores surgiram a partir da Filadélfia Segunda Guerra Mundial EUA Universidade da Pensilvânia com patrocínio do exército americano. Mauchly e Eckert EUA ENIAC - Computador e Integrador Numérico Eletrônico, primeiro computador para uso geral. Transistor - processamento de impulsos elétricos com velocidade rápida e em modo binário de interrupção e amplificação. Permitindo a codificação da lógica e da comunicação com entre as máquinas. Conhecidos como Chips. Pelos Físicos Bardeen, Brattain e Shockley Invenção do Transistor de Junção. Expansão do transistor. Shockley EUA Primeira versão comercial o UNIVAC-1, computador eletrônica. Mauchly e Eckert EUA IBM com patrocínio dos militares americanos e contando com as pesquisas do MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts, desenvolveu uma máquina de 701 válvulas IBM EUA Mudança para o Vale do Silício devido à necessidade e o uso de material adequado para a produção do transistor. Revolução da Areia. Texas Instruments Murray Hill, no Estado de Nova Jersey - EUA Dallas, Texas - EUA LUCAS PRONTO.indd 37 09/07/ :52:48

38 Circuito Integrado Introdução de um computador grande 1958 (Mainframe). Invenção do Processo Plano. Abriu a possibilidade de integração de componentes 1959 miniaturizados com precisão de fabricação Jack Kilby - engenheiro da Texas Instruments em parceria com a Bob Noyce, um dos fundadores da Fairchild. Sperry Rand Empresa Fairchild Semiconductors EUA IBM domina o mercado de computadores com o seu Mainframe 306/370. IBM EUA Primeiro Comutador Eletrônico produzido industrialmente - ESS-1. Bell Laboratories EUA Instalação de uma rede eletrônica de comunicação, que se desenvolveu nos anos 70. Internet. Invenção do microprocessador - um computador em único chip - capacidade de processar informação poderia ser instalada em todos os lugares. Desenvolvimento de uma "caixa de computação" denominada Altair - computador de pequena escala com um microprocessador. O Altair foi a base para o design do Apple I e posteriormente Apple II - primeiro microcomputador de sucesso idealizado por Steve Wozniak e Steve Jobs (considerado lendas sobre o começo da Era da Informação). Lançada a Apple Computers, com três sócios e um capital de US$ 91 mil. Desenvolvimento do software de Sistemas Operacionais. Marco da difusão dos microcomputadores. Adaptação do Basic. Marco para fundação da Microsoft. Fundação da Microsoft, para fornecer sistemas operacionais a microcomputadores ARPA - Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa Norte Americana. Ted Hoff engenheiro da Intel. Ed Roberts - engenheiro que criou a Mits. Steve Jobs, Steve Wozniak, Mike Markkula. Bill Gates e Paul Allem Bill Gates e Paul Allem Vale do Silício - Dallas, Texas - EUA EUA Vale do Silício - Dallas, Texas - EUA Albuquerque, Novo Méxio - EUA EUA EUA IBM lança sua versão do microcomputador com nome PC - Computador Pessoal. IBM EUA Apple Computers alcançou a marca de US$ 583 milhões em vendas - Era da Difusão do Computador. Apple Computers EUA 1984 Lançamento do Macintosh da Apple - primeiro passo rumo aos computadores de fácil utilização. Tecnologia baseada em ícones e interfaces com o usuário. Apple Computers EUA Fonte: Elaboração própria, baseada em Castells (1999). Seattle, EUA LUCAS PRONTO.indd 38 09/07/ :52:49

39 39 As duas Revoluções Industriais e suas inovações tecnológicas ficaram concentradas em determinadas áreas geográficas, proporcionando uma ascensão histórica para a Inglaterra, alguns países da Europa Ocidental, além da América do Norte e a Austrália. Já a Revolução da Tecnologia da Informação, como demonstrado no Quadro 01, concentrou-se inicialmente nos Estados Unidos, principalmente na Califórnia, aproveitando os progressos alcançados em períodos anteriores e sob a influência de alguns fatores institucionais, econômicos e culturais existentes (CASTELLS, 1999). Porém essas inovações não ficaram restritas a pequenos grupos de países como ocorreram nas duas revoluções anteriores. Fatores como o movimento empresarial, que conduziu à desregulamentação e à liberalização da década de 80, conhecido como o Neoliberalismo, foi decisivo na reorganização e crescimento das telecomunicações e, por conseguinte, a disponibilidade de novas redes de telecomunicação e de sistemas de informação que preparou o cenário para a integração global dos mercados financeiros e a articulação segmentada da produção e do comércio mundial (CASTELLS, 1999). Esses acontecimentos resultaram em uma expansão das fronteiras dos países que é conhecida como globalização (STIGLITZ, 2002). As bases para o desenvolvimento da Revolução da Tecnologia da Informação podem ser atribuídas às condições de: concentração de conhecimentos científico-tecnológicos, instituições, empresas e mão de obra qualificada (CASTELLS, 1999). Outro fator que contribuiu, ou praticamente foi à mola propulsora dessa revolução, é o papel do Estado como fomentador e financiador de inovações tecnológicas. A experiência japonesa pode exemplificar a importância do papel do Estado para a promoção do desenvolvimento de setores intensivos em tecnologia. Lá, as grandes empresas foram orientadas e apoiadas pelo Ministério do Comércio Internacional e Indústria (MITI), até certo período, com programas tecnológicos audaciosos, apesar do fracasso de alguns como, por exemplo, o projeto do Computador de Quinta Geração. Porém, a maior parte desses programas transformou o Japão em LUCAS PRONTO.indd 39 09/07/ :52:49

40 40 uma superpotência tecnológica, superando o baixo envolvimento das universidades e empresas inovadoras iniciantes (CASTELLS, 1999). Outros exemplos, como Coréia do Sul e Taiwan, as sólidas bases tecnológicas da China e Índia, com seus complexos industriais militares com patrocínio do Estado, na Inglaterra e França com a indústria bélica e de telecomunicações impulsionando as indústrias eletrônicas e as iniciativas do Departamento de Defesa Norte Americano desempenharam papéis decisivos no estágio de formação da Revolução da Tecnologia da Informação entre as décadas de 40 a 60. Até mesmo a engenharia genética se desenvolveu em centros de pesquisas e hospitais com, em grande parte, financiamentos do Governo (CASTELLS, 1999). Portanto, foi o Estado, e não o empreendedor de inovação em garagens, que iniciou a Revolução da Tecnologia da Informação tanto nos Estados Unidos como em todo o mundo. Porém sem esses empresários inovadores, como os que deram início ao Vale do Silício ou aos clones de PCs em Taiwan, a Revolução da Tecnologia da Informação teria adquirido características muito diferentes e é improvável que tivesse evoluído para a forma de dispositivos tecnológicos flexíveis e descentralizados que estão se difundindo por todas as esferas da atividade humana (CASTELLS, 1999, p. xxxx). Esse novo paradigma tecnológico possui cinco características principais, a saber (CASTELLS, 1999): i. Primeira característica: a informação como matéria-prima são tecnologias para agir sobre a informação, não apenas informação para agir sobre a tecnologia, como foi anteriormente nos paradigmas passados; ii. Segunda característica refere-se à penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias. Como a informação é parte integral de toda atividade humana, todos os processos de nossa existência individual e coletiva são diretamente moldados, e não determinados, pelo novo meio tecnológico; iii. Terceira característica refere-se à lógica de redes em qualquer sistema ou conjunto de relações, usando essas novas tecnologias da informação; LUCAS PRONTO.indd 40 09/07/ :52:49

41 41 iv. Quarta característica: o paradigma da informação é baseado em flexibilidade, não apenas os processos são reversíveis, mas as organizações e instituições podem ser modificadas ou alteradas pela reorganização de seus componentes; v. Quinta característica: a crescente convergência de tecnologia específica para um sistema altamente integrado, onde trajetórias tecnológicas antigas ficam literalmente impossíveis de distinguir em separado. Em complemento à discussão da evolução tecnológica que se tem conhecimento, o quadro seguinte a partir dos estudos de Perez e elaborado por Fialho (2006), apresenta um cenário diferente pelo discutido por Tigre (2006) e Castells (1999), em que as revoluções tecnológicas passam por cinco fases e não três. QUADRO 2 CARACTERÍSTICAS DAS REVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS Revolução Tecnológica PRIMEIRA (1771) A "Revolução Industrial" SEGUNDA (1829) Idade do Vapor e da Ferrovia Paradigma Técnico-econômico (princípios de inovação no senso comum) Produção em manufatura Mecanização Produtividade (controle e economia do tempo) Fluidez de movimentos (adequado a máquinas de energia hidráulica e a transportes por canais e outras vias aquáticas) Redes locais Economias de aglomeração, cidades industriais, mercados nacionais Centros de poder em redes nacionais Escala em progresso Componentes-padrão, máquinas fabricadas por máquinas Energia onde necessária (vapor) Movimento interdependente (de máquinas e de meios de transportes) TERCEIRA (1875) Idade do Aço, Eletricidade e Engenharia pesada Estruturas gigantes (aço) Economias de escala, integração vertical Energia distribuída para indústria (eletricidade) LUCAS PRONTO.indd 41 09/07/ :52:49

42 42 Ciência como força de produção Redes mundiais e impérios econômicos (inclusive cartéis) Padronização internacional Controle de custos para eficiência Grande escala para ter poder em mercados mundiais, pequena escala bem sucedida em contextos locais QUARTA (1908) Idade do Petróleo, do Automóvel e da Produção em massa Produção em massa, mercados de massa Economias de escala (produto e volume de mercado), integração horizontal Padronização de produtos Intensidade de energia (baseada no petróleo) Materiais sintéticos Especialização funcional, pirâmides hierárquicas Centralização (centros metropolitanos e suburbanização) QUINTA (1971) Idade da Informação e das Telecomunicações Poder nacional, acordos e confrontos mundiais Intensidade da informação (TIC baseada em microeletrônica) Integração descentralizada, estruturas em rede Conhecimento como capital, valor adicionado intangível Heterogeneidade, diversidade, adaptabilidade Segmentação de mercados, proliferação de nichos Economias de escopo e especialização combinada com escala Globalização e interação entre global e local Cooperação interna e externa, clusters Ação e contato instantâneos, comunicação global instantânea Fonte: Fialho, 2006 Nesse contexto de transformações tecnológicas, o software surge como peça central para a disseminação da tecnologia da Informação. Para Weber (2002), o software é a inovação tecnológica básica do processo de transformação da Sociedade Industrial para a Sociedade da Informação. Já Lucena (1996), complementa indicando o software como uma tecnologia essencial para todas as áreas do conhecimento e que a LUCAS PRONTO.indd 42 09/07/ :52:49

43 43 indústria mundial de computação poderá ser o negócio mais competitivo da história contemporânea. O software não era visto como uma atividade tecnológica independente, somente a partir do desenvolvimento do EDVIAC, com a ideia de armazenamento de um programa na memória do computador e com a possibilidade de alterações para execução de funções novas, que essa ideia começa a se modificar. Após ascensão da IBM na década de 50, como a empresa líder na produção de computadores de grande porte, o software ainda tinha papel secundário, não sendo considerado uma atividade econômica, mas compreendida como atividade complementar a comercialização dos computadores (ROSELINO, 1998). O software era visto como um componente complementar ao hardware, em que os fornecedores de hardware negociavam os computadores com o sistema operacional e utilitários para seu funcionamento, de forma que permitiu uma expansão e difusão desse tipo de software entre as grandes empresas e universidades. Não havia uma distinção do que era software e hardware, ambos eram comercializados como um produto único (ALEXANDRE e GUTIERREZ, 2004). Com o surgimento das linguagens de programação FORTRAN e COBOL, entre 1957 e 1960, o software passou a ter destaque como atividade econômica autônoma. O COBOL foi financiado pelo Departamento de Defesa dos EUA, porém com rápida difusão no meio acadêmico e sociedade civil. Já a descoberta do Chip em 1971, com a capacidade de processamento e armazenamento de dados, e redução de custos dos equipamentos, é considerada um dos marcos de uma possível Revolução do Software como indústria (CASTELLS, 1999; FREIRE 2002; ROSELINO, 1998). Complementando, Roselino (1998) retrata que o surgimento do mercado de computadores padronizados, juntamente com a flexibilização de uso e o custo mais reduzido em virtude do Chip e a escala de produção permitiram uma onda de informatização nas empresas de pequeno e médio porte, o que resultou em uma rápida difusão do uso dos computadores. Neste sentido, o software passou a ser entendido empresarialmente como um advento separado do hardware e constituir uma importante atividade econômica a partir de LUCAS PRONTO.indd 43 09/07/ :52:49

44 44 A partir da década de 80, com a expansão dos microcomputadores, houve redução nos preços e economia de escala. Ademais surgiram as estações de trabalho, que possibilitaram a criação de novos programas de aplicativos gráficos (MENDES, 2006). Contudo, com o lançamento pela IBM do computador com sistema operacional MS-DOS instalado marcou e modificou profundamente o mercado de software e abriu espaço para a convergência dos padrões tecnológicos e a monopolização da Microsoft nesse segmento (ROSELINO, 1998). Weber (2002) conclui que o software, além de ser um grande negócio global, é uma ferramenta para alavancar a competitividade dos demais setores da economia, um instrumento para a melhoria da qualidade e produtividade em áreas sociais, tais como: Educação, Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Kubota (2006) complementa que o software contribui para as inovações nas áreas de medicina, gestão empresarial e telecomunicações, sem contar que trata-se de um dos setores mais dinâmicos da atualidade. Além disso, as empresas que estão concentrando esforços em atividades voltadas para o desenvolvimento de software estão e estarão ganhando destaque econômico nos países centrais. Já que o mundo está vivenciando a Era da Informação, fatalmente qualquer atividade que possua advento tecnológico da informação dependerá possivelmente de um software que faça a conexão com o hardware e permita a execução de tarefas (ROSELINO, 2006 apud STEINMUELLIER, 1995). Já para Araújo e Meira (2004) o software é um bem econômico que impacta diretamente na sua indústria como indiretamente no restante dos outros setores da economia, sem contar que o software tornou-se um dos mais importantes elementos propulsores de desenvolvimento econômico e social existente no cenário mundial atualmente. Além disso, para Borges, Jambeiro e Santos (2006) o software surge como uma infraestrutura da informação, sendo o seu uso eficiente uma das peças fundamentais para a competitividade e sobrevivência das organizações em uma Era marcada pelas grandes e velozes mudanças nas formas de se fazer negócios. Para Roselino (2006), o potencial dinamizador do software classifica-o como um dos elementos cruciais para a introdução e difusão de inovações nas mais variadas LUCAS PRONTO.indd 44 09/07/ :52:49

45 45 atividades econômicas, tornando-o merecedor de atenção e tratamento privilegiado por parte de uma política de desenvolvimento industrial e tecnológico de um país. Afinal, qual seria a definição de software, tipos, características principais, e como é comercializado? Esses assuntos serão tratados na sessão seguinte. 2.2 SOFTWARE [...] A humanidade está entrando em um período de transformações de uma sociedade industrial para uma sociedade da informação. O homem se encontra no limiar de um novo período de inovação tecnológica, baseado na combinação das tecnologias de computadores e comunicações. A combinação das tecnologias de computadores e comunicações que vem dando origem à nova sociedade, passou a ser chamada de tecnologia da informação, fundamentada na evolução da microeletrônica e dirigida pela revolução do software. (MASSUDA, 1982 apud GOUVEIA, 2006, p. xxxx). O software é uma tecnologia essencial para toda a sociedade, utilizado em praticamente todas as áreas: governo, empresas privadas e outros setores. Nessa concepção, a indústria de computação torna-se o negócio mais competitivo da história recente, sendo um de seus componentes, o software, o principal vetor da inovação nesse segmento (LUCENA,1996). Os componentes de um computador podem ser divididos em duas partes: em parte física (hardware) ou lógica (software). O hardware, na década de 1950, quando eram relativamente raros e caros, representava percentuais de custos mais elevados quando comparados aos percentuais do software. Contudo, o software atualmente constitui os percentuais de custos mais elevados que os percentuais do hardware, já que são mais complexos e requerem mais tempo para serem desenvolvidos (STAIR, 1996). Como caracterizar o software, se não se pode pegá-lo? Entender as suas características e denominação é importante para verificar de forma será comercializado. Roselino (2006) esclarece que software não seria um objeto e nem uma coisa, satisfaz as necessidades de natureza coletiva ou individual, tanto como bem de consumo final ou como meio de produção. O software seria uma mercadoria de natureza não material, LUCAS PRONTO.indd 45 09/07/ :52:49

46 46 cuja produção não envolve o emprego de matérias-primas consumíveis ao longo do processo produtivo como ocorre tradicionalmente na indústria de bens. O autor continua acrescentando que por sua natureza intangível o software é considerado como um serviço, principalmente pelo emprego direto de força de trabalho para desenvolvê-lo. Contudo, com pode ser comercializado como produto de prateleira classificado como bem material, como importante insumo tecnológico com papel crescente nas atividades produtivas. Já para Borges, Jambeiro e Santos (2006), o software possui um caráter duplo em sua classificação: como produto realizando o potencial entre os computadores e/ou numa rede de computadores interligados, além de está presente nos mais variados dispositivos como telefones celulares e supercomputadores; sendo um transformador de informação: produzindo, gerando, adquirindo, modificando, exibindo ou transmitindo informação; e, como veículo, tem o papel de controlar os mais diversos dispositivos computacionais, operacionalizando redes de computadores e viabilizando a criação de novos produtos ou similares. Arbache (2002) também corrobora com a ideia das dificuldades existentes em se classificar o segmento de software como integrante do setor de serviços ou do setor industrial. O software, apesar de ser comercializado como produto de prateleira ou sob encomenda e ser representado por um CD-Rom, enquadra-se na economia de serviços, já que é invisível, somente funciona com as partes integradas, é intangível pois não pode ser tocado e nem pode ser estocado, o que é guardado é o Cd-Rom ou disquete, é intransferível, já que o efeito depende do usuário que utilizá-lo (ARBACHE, 2002; UNB, 2002). Além do que, o software, por mais que esteja no senso comum como programas de computador, consiste em documentação e dados de configuração necessários para o seu funcionamento. Nesse sentido, o software engloba vários programas separados, arquivos de configuração, sistema de documentação que descreve a estrutura do sistema, documentação do usuário com a explicação do funcionamento do programa e websites para realizar as atualizações através da Internet (UNB, 2002). LUCAS PRONTO.indd 46 09/07/ :52:50

47 47 Para Pressman (2001 apud ROSELINO, 2006; KUBOTA, 2006), existem três fatores principais que distinguem o hardware do software na sua produção: a) primeiramente o software é planejado e desenvolvido, porém não é manufaturado, onde os custos ficam concentrados na etapa de engenharia e design; b) o software na sofre com a depreciação física e nem os desgastes que está acometido o hardware, por ser um componente físico e compostos por peça com tempo de duração, ressaltando que as falhas que podem ocorrer com a execução do software não são consideradas como desgastes, apesar de um software pode ficar obsoleto em atender as necessidades específicas ao qual foi desenvolvido; e c) o desenvolvimento de software ainda se concentra manualmente, diferentemente do hardware com a utilização de uma estrutura produtiva e que permite escala de produção. O conceito de software para Stair (1996) consiste em programas de computador que controlam o trabalho do hardware, juntamente com a documentação do programa usada para explicar os programas ao usuário. Entendendo-se programas de computador como o conjunto de instruções ou ordens para o computador e documentação do programa como o conjunto de descrições narrativas destinadas a auxiliar o uso e implementação do programa. Para (ROSELINO, 2006), o software é formado essencialmente por um conjunto sistematizado de informações, arquitetado em uma sequência de comandos lógicos, cujo processo de desenvolvimento envolve a codificação e síntese de conhecimento socialmente gerado. Corroborando com essa ideia Eichen (2002) afirma que o desenvolvimento de software é processo de conversão de conhecimentos e práticas sociais na forma digital, tornando-os manuseáveis, dissemináveis e controláveis. Para Weber (2002), do ponto de vista sócio-político, o software permite o aperfeiçoamento das instituições em âmbito local, regional, nacional e internacional. Utilizado no sistema de votação eletrônica nas eleições, pesquisa de expectativas e de satisfação dos cidadãos para fins políticos, em diversas expressões da cultura humana, sem contar das influências que as culturas vêm sofrendo com a introdução de novos valores e novas forças que se originam do processo de transformação da sociedade industrial para a sociedade da informação. LUCAS PRONTO.indd 47 09/07/ :52:50

48 48 O software possui algumas classificações, dentre elas, os produtos de software são divididos em três categorias (KUBOTA, 2006): a) Infraestrutura: sistemas operacionais, programas servidores, middleware, gerenciador de redes, gerenciamento de armazenagem, gerenciador de sistemas de segurança; b) Ferramentas: linguagens de programação, linguagens de gerenciamento de desenvolvimento, linguagens de modelagem de dados, linguagens de business intelligence, linguagens de data warehouse, ferramentas de internet; c) Aplicativos (sistemas): Enterprise Resource Planning ERP, Customer Relationship Management CRM, recursos humanos, Supply Chain Management SCM. Na questão do modelo de negócios na indústria de software, podem ser classificados em três categorias (KUBOTA, 2006; ROCHA, 1998; WEBER, 2002): i. Software tipo pacote (Packaged Software) normalmente acondicionado em embalagens próprias para comercialização em grande escala, cujas empresas procuram suprir as necessidades específicas ou generalizadas. ii. Software sob encomenda (Custom Software) normalmente comercializado pra um único cliente de acordo com requisitos especificados previamente. iii. Software embutido (Embedded Software) embutido em uma central telefônica, na injeção eletrônica de um automóvel, em um aparelho eletrodoméstico, dentre outros. Principalmente sistemas operacionais, onde parte desses sistemas são produzidos nas próprias empresas de computadores onde o hardware também produzido e a outra parte é desenvolvida por empresas especializadas em software. Roselino (2006) apresenta uma classificação em relação aos tipos de serviços e produtos de informática: LUCAS PRONTO.indd 48 09/07/ :52:50

49 49 QUADRO 03 CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE PRODUTOS E SERVIÇOS DE SOFTWARE Categoria Descrição das atividades Serviços de informática Consultoria em hardware (configuração e rede), serviços de manutenção e reparação e outras atividades relacionadas à informática, inclusive comercialização de equipamentos. Serviços em software (baixo valor agregado) Serviços ligados à internet (exceto provedores de acesso), criação e manutenção de bancos de dados, processamento de dados para terceiros, suporte e terceirização. Serviços em software (alto valor agregado) Desenvolvimento de software sob encomenda (análise, projeto, programação, testes, implantação e documentação) e desenvolvimento de projetos e modelagens de banco de dados. Desenvolvimento e comercialização de software-produto Desenvolvimento e produção de software pronto para uso (inclusive customização), comercialização, licenciamento e locação de software pronto para uso (inclusive de terceiros). Fonte: Elaboração própria a partir de Roselino (2006). Além dessas classificações, Kubota (2006) e Roselino (2006) acrescentam que existe outra forma de classificar os produtos de software, em função do mercado ao qual se destina: horizontal destinado a qualquer tipo de usuário como processadores de texto, navegadores para a Internet, planilhas de cálculo e vertical destinado a algum usuário ou atividade específica como gerenciamento de clínicas ou sistemas de gerenciamento de bibliotecas. Ao analisar o software como um segmento em expansão e projetado para tornar-se o principal vetor econômico mundial, tão importante para a sociedade que Reed (2000) indica que se algumas aplicações deixarem de funcionar, cerca de aproximadamente 40% da população mundial seria afetada. Nesse sentido, para a LUCAS PRONTO.indd 49 09/07/ :52:50

50 50 comercialização do software é necessário compreender aspectos que envolvem a produção, distribuição e utilização. Para tanto, Araújo e Meira (2004) apresentam três ciclos: ciclo de vida, ciclo de vendas e ciclo de negócios. O ciclo de vida compreende os insumos para o desenvolvimento do software, desde o capital humano, tecnologia, processos de produção e certificações. A qualidade dos processos de software é um fator essencial para a conquista do mercado interno e, principalmente, para se tornar um dos principais produtores de softwares mundiais. As principais certificações utilizadas nesse segmento são as normas ISO 9000, ISO/IEC 15504, ISO/IEC e os modelos SW-CMM e CMMI, ambos com cinco níveis de certificação, e essas certificações atribui melhoras no processo de software, o que consequentemente poderia melhorar a qualidade dos produtos (PFLEEGER, 1998). A definição de qual processo de software a ser utilizado depende de como estão as relações existentes entre os fatores organizacionais, tecnológicos e econômicos, sendo que um único processo não poderá servir a qualquer tipo empresa ou qualquer tipo de projeto. É necessário que a empresa produtora de software tenha conhecimento do porte da empresa, cultura organizacional, objetivos e estratégia de negócios da organização que se pretende desenvolver a solução. No caso da empresa produtora, objetivos de projetos específicos, recursos disponíveis, tecnologias de desenvolvimento, conhecimento e experiência da equipe são fundamentais para a produção (ARAÚJO e MEIRA, 2004). No ciclo de vendas, onde a empresa produtora deverá demonstrar conhecimento de mercado e inteligência competitiva para atender essa demanda, os aspectos são as cadeias de valor, engenharia de vendas, marketing, alianças, parceiras. Para que esse segmento consiga disponibilizar seus produtos no mercado, e como já citado da importância do software na economia mundial faz-se necessário viabilizar o acesso de recursos, ou seja, criação de mecanismos para financiamento, como ocorreu na indústria nacional de aeronaves, sendo o BNDES um os principais agentes que financiou essa indústria. No ciclo de negócios os principais componentes são as redes de investidores, sociedades por ações, mercados, fusões e aquisições e o contexto LUCAS PRONTO.indd 50 09/07/ :52:50

51 51 regulatório do país. No Brasil, as empresas de tecnologia ainda são em pouco número que captam recursos na bolsa, sem contar os altos juros em atividades como essas, que envolvem risco alto. Kubota (2006) corrobora indicando que os bancos nacionais resistem a emprestar dinheiro às empresas de software, pelo baixo nível de imobilizado que essas empresas possuem. Com empresas brasileiras criadas para atender a serviços relacionados ao setor eletro-mecânico, bancos, varejo e governo, e com modelos de negócios sem alternativas para adaptação aos modelos internacionais e sem interface em português, o mercado brasileiro não despertou o interesse da indústria mundial. Como a atuação no mercado externo é uma exigência, graças à globalização, o Brasil necessita criar um cenário que permita aos investidores privados e externos o uso da governança corporativa para garantir a transparência e segurança nas transações financeiras no setor de software (ARAÚJO e MEIRA, 2004). Especificadamente neste estudo, serão observadas as formas de comercialização dos tipos de software pacote ou também conhecido como software de prateleira ou software produto e o software sob encomenda. Um segmento que está em crescimento é a comercialização de software produto. Que apresenta custos de desenvolvimento menores em relação ao software sob encomenda. Nesse segmento a distinção pode esta atribuída aos elevados custos de criação e os custos marginais que se aproximam de zero (ROCHA, 1998). Como corrobora Kubota (2006), ao indicar que a produção de software produto possui um custo marginal próximo a zero e a qualidade das cópias geradas se aproxima da perfeição. Neste caso, os preços desses produtos devem ser atribuídos não pelo custo de produção e sim pelo valor atribuído ao consumido. O que pode variar entre cada consumidor. Sua produção não envolve um processo fabril, sendo nada mais do que a mera replicação de linhas de código previamente desenvolvidas. A predominância de custos fixos torna a escala um fator crítico para a sustentabilidade de uma empresa desenvolvedora de produto. Uma vez amortizados os custos de desenvolvimento, os ganhos serão elevados (GUTIERREZ e ALEXANDRE, 2004, p.29). LUCAS PRONTO.indd 51 09/07/ :52:50

52 52 O software pacote não necessita da interação com o usuário final, já que o desenvolvimento e realizado a partir de conhecimentos específicos sobre a necessidade que o programa deverá suprir (ROSELINO, 1998). Sendo que o processo de desenvolvimento de um sistema é complexo e se inicia desde a determinação das necessidades dos clientes ou do mercado potencial a ser explorado, onde são determinadas as funcionalidades, campo de aplicação, interface com usuários etc., posteriormente passa por um conjunto de instruções, planejamento na criação e desenhos de fluxograma e diagramas que irão compor o software (HABERKOM, 2004). A forma que se comercializa o software produto se dá através de vendas em prateleiras e as estratégias de marketing e vendas são semelhantes às utilizadas pelos atores do segmento de hardware. Já a competição entre as empresas está focada na distribuição em massa desses produtos, bem como os custos para a sua criação e lançamento, por isso que as empresas dominantes investem pesadamente em divulgação da marca (PONDÉ, 1998, SOUSA, 2003). No caso da demanda do software pacote, apresenta características de um processo produtivo com economias de escala relacionadas à difusão da marca, estrutura de distribuição, suporte técnico, potencial financeiro e o grau de diversificação. Diferentemente, no caso do software sob encomenda são consideradas as características de imagem de confiabilidade, interação com usuário e sofisticação dos mercados locais as suas características marcantes (PONDÉ, 1993 apud ROCHA, 1998). Apesar de apresentar taxas de crescimento relativamente menores que as taxas do software produto, a alternativa do software sob encomenda supre as necessidades específicas dos usuários que não são contempladas com as soluções generalizadas e muitas vezes abrangentes do software produto (PONDÉ, 1993). [...] os serviços de alto valor são referidos como sendo software sob encomenda, sugerindo o desenvolvimento de todas as etapas do processo de produção do software, o que incluiria, então, as fases da análise, projeto, programação (codificação), testes, implantação e documentação [...] (ROSELINO, 2006, p.39) LUCAS PRONTO.indd 52 09/07/ :52:50

53 53 Nesse segmento, os principais pontos fortes estão na imagem de confiabilidade, na interação como usuário e na sofisticação e adequação aos mercados locais de suas potencialidades (PONDÉ, 1993, ROCHA, 1998). Como envolvem uma forte interação com o usuário, o diferencial competitivo do segmento de software sob encomenda reside num bom estabelecimento e estreitamento de relações entre cliente e fornecedor e na capacidade da empresa em realizar o serviço. Os custos são mais significativos que no caso do software produto, mais os riscos são menores devido à forma como esses produtos são comercializados, ou seja, a venda ocorre antes do desenvolvimento (SOUSA, 2003). Os serviços de software podem ser classificados em função do método de compra: Outsourcing que seria a contratação de serviços por meio da transferência de determinada responsabilidade de gerenciamento do provedor de serviços, diferenciando-se dos serviços de um curto tempo e determinado e no caso do tempo longo, a transferência de informações exige coordenação e confiança entre as partes. Além do mais pode haver a distinção em convencional, que seria a terceirização dos serviços de tecnologia da informação de uma atividade específica e o business process outsourcing, que seria a contratação de uma empresa externa para ter a responsabilidade em fornecimento de um processo e função de negócio (KUBOTA, 2006). A demanda por software se comporta diferente em relação aos seus tipos e especificações. Para Roselino (2006) se comporta de duas formas distintas: expansão intensiva em que a crescente difusão da utilização do software em determinado segmento ou aplicação, teria como resultado o maior grau de adoção de soluções já existentes, o que de certa forma beneficiaria as empresas dominantes; e a expansão extensiva que seria uma alternativa na possibilidade de empregar as soluções de software em mercados antes não explorados ou já explorados pelas empresas dominantes, o que garantes o caráter de ingresso de empresas inovadoras. O segundo caso é típico da indústria de software, em que sua dinâmica permite uma introdução de novas soluções em alternativa as soluções das empresas dominantes. Para UNCTAD (2002), a introdução de novas soluções seria uma das formas mais eficiente para a proteção intelectual em relação aos padrões dominantes, ou seja, LUCAS PRONTO.indd 53 09/07/ :52:50

54 54 ciclos curtos de inovação seriam o suficiente para que as empresas de serviços de tecnologia da informação pudessem oferecer proteção substancial e uma forma, a mais preferível, de estratégia de proteção intelectual. As empresas precisam adotar uma dinâmica de inclusão de novos produtos ou processos que possam garantir a sua continuidade do mercado. Nesse sentido, as empresas de software precisam impor esse ritmo, principalmente no caso brasileiro em que as empresas produtoras de software caracterizam-se por micro e pequenas empresas, com dificuldades de financiamento e certificações. Roselino (2006) também destaca como estratégia de preservação das posições de mercado a prática de fusões e aquisições entre as empresas de software. Também indica que a comercialização de software depende muito da utilidade e funcionabilidade para o usuário, que está relacionada como a incorporação de padrões e/ou protocolos com os dominantes. Ou seja, o valor agregado do software depende de sua capacidade de atender e superar as necessidades dos seus usuários, a possibilidade de interação com outras soluções e a capacidade de disseminação para outros usuários. O sucesso na comercialização de software depende da externalidades oriundas das economias de rede e a economia de escala. No caso da primeira, as vantagens que as empresas dominantes possuem dependem do grau de adoção da solução, ou seja, não depende, muitas vezes, de suas especificidades técnicas e funcionais, mas sim da sua capacidade de ser difundida e utilizada pelos usuários. E esse sucesso depende da opção tecnológica adotada no segmento que atua (ROSELINO, 2006). Já no segundo caso, onde as soluções que não necessitam dessa interação que nas externalidades são predominantes, com as trocas entre os usuários comuns as soluções, alguns usuários já acostumados com padrões impostos por determinadas soluções acabam por criar barreiras e/ou resistências a utilização de novas soluções, o que acaba por gerar gastos em treinamentos com recursos humanos. O que denomina custo de aprender. Esses dois fatores indicam que competitividade da indústria de software estaria ligada ao tempo de introdução de produtos em determinados segmentos (ROSELINO, 2006). LUCAS PRONTO.indd 54 09/07/ :52:50

55 55 O quadro seguinte apresenta algumas das diferenças entre a produção e comercialização do software produto e do software sob encomenda. QUADRO 04 DIFERENÇAS DE PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO ENTRE SOFTWARE SOB ENCOMENDA E SOFTWARE PRODUTO Competências principais Sistemas Customizados (sob encomenda) Marketing e gerenciamento de projetos. Softwares Pacote (produto) Transformação em produto, gerenciamento de canais, construção de alianças, parceiros estratégicos na indústria. Objeto de troca Projeto único desenhado e implementado em cooperação com o cliente; desenhado para certo ambiente de hardware, alto conteúdo de serviço. Serviços padrão c/ou modulares, desenhados para diversos sistemas operacionais e ambientes de hardware, baixo conteúdo de serviço. Produção Atividades de dentro de projetos, produção após a venda, relacionamento entre todas as funções da empresa, descontinuidade entre projetos, alta importância dos prazos. Duplicação, produção de novas versões atualizadas, produção antes da venda, produção relativamente independente de outras funções organizacionais. Base de clientes Estreita, clientes bem conhecidos. Ampla, cientes sem face. Natureza dos mercados Branding Local, doméstico, fechado. Não importante, ativos de mercado baseados em indivíduos-chave. Distante, internacional, aberto competitivo. Área central de interesse. Natureza da troca Interativa, mútua, multifacetada, orientada para o longo prazo, troca relacionada ao projeto. Oportunista, simples, orientada ao curto prazo, troca ligada ao produto. Organização Organização para projetos ad hoc. Por mercado, por produto ou matricial. Custos marginais Quase constantes Quase zero Estrutura de Altamente fragmentada Tende à alta concentração LUCAS PRONTO.indd 55 09/07/ :52:51

56 56 Mercado Regionalização Relacionamento com o cliente Principalmente regional, com crescente tendência a globalização Um a um Altamente globalizada Um para poucos, um para muitos Indicador mais importante Taxa de utilização da capacidade Participação de mercado (base instalada) Relevância das áreas Recursos Humanos, Desenvolvimento de software, Marketing e vendas, Estratégia Estratégia, Marketing e vendas, Recursos Humanos, Desenvolvimento de software. Fonte: Alajoutsijärvi, 2000 apud Amicci, 2004; Hoch et al., 2000 Para complementar, existem alguns fatores importantes para o sucesso das empresas de software: gestão da empresa; a capacidade de manter parcerias; o gerenciamento de pessoas e processos de desenvolvimento; o marketing de excelência que seria um dos fatores mais críticos, principalmente para exportação, já que é primordial identificar as necessidades dos consumidores e criar soluções que atendam às expectativas de qualidade, desempenho e preço; o desenvolvimento e retenção de empregados, utilização de programas de opções e outros incentivos, o custo de abertura da empresa é baixo, mas o custo de expansão é alto, o que resulta no fechamento de muitas empresas e um direcionamento para a comercialização de produto e serviços diferente do iniciado pela empresa (KUBOTA, 2006). Para entender como funciona esse segmento no Brasil, o próximo tópico tratará de como desenvolveu a Indústria de Software no país, desde a sua criação, reserva de mercado, ações governamentais para a sua maturação e seu estágio atual. LUCAS PRONTO.indd 56 09/07/ :52:51

57 INDÚSTRIA DE SOFTWARE Como evidenciado anteriormente, o software caracteriza-se por um bem não material e pode ser comercializado como uma mercadoria. De fato que a sua produção é feita por um conjunto de agentes, que envolve desde a mão de obra empregada para o desenvolvimento até os fornecedores e parceiros envolvidos nesse processo. A base de uma indústria de software é diferente das indústrias tradicionais, que transformam matérias-primas, insumos, oriundos da natureza, transformando-os em produtos acabados para consumo. A base do conhecimento de uma indústria de software consiste na capacidade de transformar, por intermédio de funções lógicas e aritméticas, uma série de informações (inputs) em outra série de informações (outputs), ou seja, o processo consiste no modelo similar a produção de bens de consumo, o que diferencia é a matéria-prima, informação e os modos de produção, que se baseia no conhecimento aplicado para obter os resultados esperados (FREIRE, 2002). Como o software gera um produto intangível e seu valor está atribuído ao caráter atribuído pelo usuário, de acordo com o suprimento de suas necessidades e especificidades, o termo indústria de software pretende englobar as empresas que ofertam um produto característico e que não utilizam de formas de produção das indústrias tradicionais (SOUSA, 2003). O conceito de indústria de software utilizado neste trabalho iguala-se ao utilizado por Roselino: O conjunto de empresas (públicas ou privadas), voltadas primordialmente ao desenvolvimento e comercialização de soluções em software, na forma de serviços, software desenvolvido por encomenda, ou software comercializado como produto acabado (ROSELINO, 2006, p.34). A necessidade de estímulo ao desenvolvimento da indústria de software em um país é vital para o acompanhamento do progresso econômico mundial, já que as atividades de software na nova economia são responsáveis por índices de crescimento elevados, o que torna fundamental para o Brasil estimular a sua indústria e criar uma LUCAS PRONTO.indd 57 09/07/ :52:51

58 58 estratégia articulada com os diversos agentes, estimular os investimentos, criação de novas empresas e aumentar a competitividade do setor (HABERKOM, 2004). Já para Sousa (2003), é essencial a existência e manutenção de uma indústria de software local para garantir a perpetuação dos negócios das empresas, tendo em vista o uso de tecnologia da informação pelas organizações em praticamente todos os seus processos. A cooperação entre a indústria de software e as empresas locais permitiria a promoção do desenvolvimento tecnológico, redução dos custos de transação, aumento dos postos de trabalho e estímulo ao desenvolvimento social da região. 2.4 MERCADO MUNDIAL DE SOFTWARE Como regra geral o software não é exportado num sentido estrito. Os dados internacionais sobre a comercialização de software no exterior advindos dos registros oficiais são, via de regra, extraordinariamente sub-dimensionados. Isso se deve, entre outras razões, à inexistência (e mesmo impossibilidade) de enquadramento do software nos sistemas que se apóiam nas classificações harmonizadas de mercadorias (ROSELINO, 2006, p.xxxx) A indústria de software no mundo apresenta dificuldades em mensuração dos resultados de comercialização, pela dificuldade de apurar os resultados dos softwares embarcados nos equipamentos eletrônicos diversos, cujo destino são diversas localidades, pela dificuldade de apurar os resultados dos serviços de desenvolvimento de software, que muitas vezes não se materializam em forma de produto, em que os principais dados da comercialização de software se dão pela apuração dos resultados do software produto. Roselino (2006) corrobora com a dificuldade de mensuração e informa que, no caso do software embarcado, a dificuldade contábil de apuração reside na dificuldade de valoração e distinção do preço final do produto em relação à parcela correspondente ao software. LUCAS PRONTO.indd 58 09/07/ :52:51

59 59 Algumas das estimativas de comercialização de software apontam para um mercado de software que movimentou cerca de US$ 538 bilhões em 2003, representados em US$ 355 bilhões em serviços de software e cerca de US$ 183 bilhões em software produto (OCDE, 2004). O quadro seguinte apresenta as principais empresas de software no mundo no ano de QUADRO 5 PRINCIPAIS EMPRESAS DE SOFTWARE NO MUNDO EM 2003 Empresa SOFTWARE PRODUTO País SOFTWARE SERVIÇOS Faturamento (US$ milhões) Empresa País Faturamento (US$ milhões) MICROSOFT EUA EDS EUA ORACLE EUA TECH DATA EUA SAP ALEMANHA ACCENTURE BERMUDA SOFTBANK JAPÃO CSC EUA COMPUTER ASSOCIATES EUA FIRST DATA EUA ELETRONIC ARTS EUA ADP EUA PEOPLESOFT EUA CAPGEMINI ERNST & YOUNG FRANÇA INTUIT EUA SAIC EUA VERITAS SOFTWARE EUA UNISYS EUA AMDOCS EUA AFFILIATED COMPUTER SERVICES EUA Fonte: OCDE (2004) Nos anos seguintes os resultados apresentados pela indústria de software no mundo refletem um crescimento paulatino em diversas regiões. De acordo com ABES (2006), o mercado de Tecnologia da Informação movimentou a cifra de US$ 1,08 trilhão em 2005, sendo os EUA o principal mercado com 42%, em torno de US$ 416 bilhões, seguidos por Japão com US$ 108 bilhões e Reino Unido (UK) com US$ 73 bilhões. No caso do bloco econômico representado pelo Brasil, Rússia, Índia e China (conhecido como BRIC), a situação da China é a mais favorável em relação aos demais, com 30 bilhões de dólares movimentados. Brasil e Rússia movimentaram US$ 11,9 bilhões e LUCAS PRONTO.indd 59 09/07/ :52:51

60 60 Índia movimentou US$ 9,1 bilhões em tecnologia da informação. De todo esse mercado de TI, 38,7% representa hardware, 20,5% software e 40,8% serviços. No mercado Latino Americano, o resultado foi de US$ 30,6 bilhões, e o Brasil representando 39% desse mercado (ABES, 2006). O mercado de software e serviços atingiu em termos de valores US$ 662 bilhões, distribuídos conforme a Tabela 1. TABELA 1 CLASSIFICAÇÃO DOS PAÍSES DE ACORDO O MONTANTE MOVIMENTADO EM SOFTWARE EM 2005 Posição País Volume Participação (N) (US$ bilhões) (%) 1 USA 287,5 43,4 2 Japão 63,2 9,5 3 UK 59,5 9,0 4 Alemanha 41,3 6,2 5 França 36,8 5,5 6 Canadá 17,9 2,7 7 Itália 16,9 2,5 8 Austrália 16,2 2,4 9 Espanha 11,6 1,7 10 Suécia 10,1 1,5 11 Holanda 9,5 1,43 12 Brasil 7,23 1,09 13 Suíça 6,9 1,05 14 China 6,9 1,05 15 Bélgica 6,3 0,95 16 ROW* 64,7 9,8 Total * Representa a soma dos demais países Fonte: ABES, 2006 No ano de 2006, o mercado mundial de TI movimentou US$ 1,17 trilhão, um crescimento de 0,93% em relação ao ano anterior. Sendo que, na classificação dos principais mercados, não houve alteração. No caso do BRIC, vale destacar que o Brasil manteve uma vantagem sobre a Rússia em relação ao resultado do ano passado. Desse resultado apreciado, 38,8% representa hardware, 20,9% software e 40,3% serviços (ABES, 2007). LUCAS PRONTO.indd 60 09/07/ :52:51

61 61 FIGURA 1 DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS PRINCIPAIS MERCADOS DE TI NO MUNDO Fonte: ABES, 2007 No mercado Latino Americano foram movimentados em TI 37,4 bilhões de dólares. Em que o Brasil representa 43% desse mercado com US$ 16,2 bilhões movimentados, destacando também o México com US$ 9,2 bilhões, Argentina com US$ 2,51 bilhões e Colômbia com US$ 2,1 bilhões (ABES, 2007). LUCAS PRONTO.indd 61 09/07/ :52:52

62 62 TABELA 02 CLASSIFICAÇÃO DOS PAÍSES DE ACORDO O MONTANTE MOVIMENTADO EM SOFTWARE NO ANO DE 2006 Posição País Volume Participação (N) (US$ bilhões) (%) 1 USA ,5 2 Japão 64,4 9,02 3 UK 56 7,84 4 Alemanha 48,2 6,75 5 França 39,3 5,50 6 Canadá 21,1 2,95 7 Itália 18,1 2,53 8 Austrália 13,1 1,83 9 Holanda 12,5 1,76 10 Espanha 10,3 1,45 11 China 9,57 1,34 12 Suécia 9,21 1,29 13 Brasil 9,05 1,27 14 Suíça 8,77 1,23 15 Coréia 7,09 0,99 16 ROW* 84 11,8 Total * Representa a soma dos demais países Fonte: ABES, 2007 No ano de 2007, o mercado mundial de TI registrou US$ 1,3 trilhão, sendo que os EUA, Japão e Reino Unido ainda os principais atores dominantes nesse segmento. Na América Latina o total movimentado foi de US$ 47,7 bilhões, em que Brasil como principal mercado representou 43,4% do total. No mercado mundial de software o montante chega a US$ 756,5 bilhões, onde o Brasil figurou na posição 12 o com um mercado interno de US$ 10,5 bilhões (ABES, 2008). LUCAS PRONTO.indd 62 09/07/ :52:52

63 63 TABELA 03 CLASSIFICAÇÃO DOS PAÍSES DE ACORDO O MONTANTE MOVIMENTADO EM SOFTWARE NO ANO DE 2007 Posição País Volume Participação (N) (US$ bilhões) (%) 1 USA ,6 2 Japão 63,8 8,43 3 UK 60,3 7,98 4 Alemanha 51,8 6,86 5 França 41,6 5,50 6 Canadá 22 2,91 7 Itália 19,3 2,56 8 Holanda 13,6 1,79 9 Austrália 13 1,71 10 Espanha 11,5 1,52 11 China 11,5 1,52 12 Brasil 10,81 1,43 13 Suécia 9,85 1,30 14 Suíça 9,25 1,22 15 Coréia 7,92 1,05 16 ROW* 95,2 12,5 Total 756,5 100 * Representa a soma dos demais países Fonte: (ABES, 2008) No ano de 2008, o mercado mundial de TI registrou US$ 1,470 trilhão. Onde o Brasil aparece em sexto lugar, com US$ 29,3 bilhões, atrás de EUA com US$ 490,2 bilhões, Japão com US$ 121,8 bilhões, Reino Unido com US$ 92,8 bilhões, China com US$ 69,6 bilhões e Espanha com US$ 32,4 bilhões, e à frente do outros dois países que compõem o grupo dos emergentes: Rússia com US$ 25,4 bilhões e Índia com US$ 22,0 bilhões (ABES, 2009). Na América Latina o resultado de 2008 alcançou um total de US$ 61 bilhões e o Brasil representando 48% desse mercado. No caso do mercado mundial de software o resultado alcançado foi de US$ 872,8 bilhões, e o Brasil permaneceu na 12 o posição, com um mercado interno movimentando US$ 14,67 bilhões. LUCAS PRONTO.indd 63 09/07/ :52:52

64 64 TABELA 04 CLASSIFICAÇÃO DOS PAÍSES DE ACORDO O MONTANTE MOVIMENTADO EM SOFTWARE NO ANO DE 2008 Posição País Volume Participação (N) (US$ bilhões) (%) 1 USA 339,6 41,6 2 Japão 71,7 8,43 3 UK 67,1 7,98 4 Alemanha 62,6 6,86 5 França 49,8 5,50 6 Canadá 24,8 2,91 7 Itália 24,1 2,56 8 Holanda 19,8 1,79 9 Austrália 18,2 1,71 10 Espanha 15,6 1,52 11 China 15,2 1,52 12 Brasil 14,67 1,43 13 Suécia 11,6 1,30 14 Suíça 11,25 1,22 15 Coréia 8,1 1,05 16 ROW* 118,7 12,5 Total 872,8 100 * Representa a soma dos demais países Fonte: ABES, 2009 Em relação ao ano de 2007, o mercado mundial de TI teve uma variação positiva de 15,37% aproximadamente, com alterações do percentual de participação nesse mercado dos principais líderes no segmento. O EUA, por exemplo, teve a sua participação reduzida de 41,6% para 38,9%, o que ocorreu também com o Japão, Reino Unido, Canadá e Coréia. Os demais países aumentaram a sua participação. Pode-se destacar que o Brasil se manteve na posição que estava no ano anterior, mas apresentou um crescimento de US$ 3,86 bilhões e um aumento do percentual de participação de 1,43% para 1,68% o que pode sinalizar um amadurecimento no desenvolvimento da indústria de software e serviços no país (ABES, 2009). Para entender como está configurada essa indústria no país, o tópico seguinte irá justamente tratar do surgimento, processo de reserva de mercado, desenvolvimento, políticas públicas de fomento, algumas potencialidades e dificuldades da indústria brasileira de software. LUCAS PRONTO.indd 64 09/07/ :52:52

65 INDÚSTRIA DE SOFTWARE NO BRASIL A expressão Indústria Brasileira de Software engloba o conjunto de diferentes atores públicos e privados envolvidos em produção de software, universidades públicas e empresas cooperativas desenvolvedoras de software. Ou seja, compreende o mercado de fornecedores e consumidores de software (STEFANUTO, 2004). A indústria de software no Brasil, historicamente possui um caráter voltado para o mercado interno, em parte devido à reserva de mercado predominante durante certo período. Porém, o fim da reserva de mercado, abertura brasileira para o mercado internacional e políticas governamentais para incentivo do segmento no país atribuiu maior notoriedade da indústria de software brasileira. Contudo, há questões ainda que mereçam bastantes esforços por parte dos agentes que compõem o setor, já que aspectos como limitações das exportações, limitado alcance no mercado nacional, que permite o aumento das importações e acarreta um déficit na balança comercial do setor, o papel limitado das compras públicas para estimular a produção e desenvolvimento de software, bem como o fortalecimento das micro e pequenas empresas produtoras de software, limitações de investimentos públicos de fomento a ciência e tecnologia, acesso a financiamento, melhoria dos sistemas de tributos e educacional, falta de uma estratégia específica para o setor e outros (ROSELINO, 2006; VIANA 2004). As atividades de computação no Brasil iniciaram-se por volta da década de 60. Entre , computadores foram instalados na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio, Universidade de São Paulo - USP, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica - ITA e no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Em 1962, foi desenvolvido no ITA o primeiro protótipo de um computador Brasileiro (LUCENA, 1996). Como em outros países, o governo tem papel fundamental para alavancar a indústria da tecnologia da informação, o que não foi diferente no Brasil. Porém, com resultados não tão representativos como se esperavam. As ações adotadas pelo governo ao longo dos anos para o fortalecimento da Indústria de Tecnologia da LUCAS PRONTO.indd 65 09/07/ :52:52

66 66 Informação Brasileira, para torná-la mais competitiva no mercado concorrencial, estão ligadas a: promoção da geração de novas tecnologias, agregação de valor nas cadeias produtivas, melhor aproveitamento de nichos de mercado, atração de novos investimentos externos, que permitiram melhorias na produção do mercado interno e assim, consequentemente, a possibilidade de abertura das portas do mercado internacional para a entrada dos produtos feitos no mercado nacional (WEBER, 2002). Existem também os aspectos ligados ao aproveitamento das oportunidades do mercado e integração econômica, liberalização do comércio e redução de barreiras protecionistas, que tanto atrapalham a entrada ou a competitividade dos produtos brasileiros no exterior (WEBER, 2002). O autor complementa que essas medidas de fortalecimento da indústria de informática começaram pelo fim da reserva de mercado para informática em outubro de 1992, e da reforma de proteção comercial que removeu barreiras não-tarifárias e instituiu um programa de redução do nível e dispersão das alíquotas do imposto de importação. O setor de informática se desenvolveu a partir de regimes de incentivos e substituição de importações e no desenvolvimento e produção local de bens de informática. A política de informática no Brasil durante o período entre 1974 até 1992 foi marcada pela reserva de mercado, que delimitou o mercado interno de pequenos e médios sistemas digitais da área de informática para empresas nacionais, não permitindo o acesso as tecnologias estrangeiras, de forma que o país não acessava as atualizações tecnológicas que ocorriam no mercado externo (LUCENA, 1996). Essa reserva de mercado que predominou no Brasil foi direcionada a promoção de incentivos da Indústria de Hardware em detrimento da indústria de software. Além de impedir o desenvolvimento do setor de software, a reserva de mercado também teve consequências em outros aspectos para o país: o mercado ficou restrito internamente, e por conta disso ocorreu certo nível de cartorialismo no país; as tecnologias desenvolvidas tinham preços exagerados devido à baixa produtividade das empresas envolvidas na produção, apesar de que os preços, sem impostos, quando comparados aos preços das empresas internacionais eram equivalentes; as empresas pertencentes à Associação Brasileira da Indústria de Computadores - ABICOM LUCAS PRONTO.indd 66 09/07/ :52:53

67 67 investiram em pesquisa tecnológica, porém o que não ocorreu foi à interação e cooperação com as universidades e centros de pesquisa, pelo contrário, ocorria uma concorrência por docentes qualificados e os investimentos eram destinados à estruturação institucionais: doação de equipamentos e softwares, neste último aproveitando dos benefícios fiscais da Lei de Informática; a reserva de mercado não permitia nem o acesso de tecnologias estrangeiras recentes para a pesquisa científica tecnológica, onde os resultados desses estudos poderiam contribuir para promover a indústria de informática no Brasil; e como o setor demandava por profissionais qualificados, a procura por alunos aos programas acadêmicos de computação aumentou consideravelmente, que forçosamente pressionaram os órgãos de fomento para manter e incrementar programas de qualidade (LUCENA, 1993). Em resumo, a política praticada na indústria de tecnologia do país era focada essencialmente na área de hardware, sem um direcionamento objetivo para o setor de software, tratava-se de uma abordagem para o fortalecimento da indústria nacional pela prática da substituição das importações e o mercado brasileiro consumia toda a produção da indústria de hardware, permitindo a sua sustentabilidade (MARTINS, 2004). A partir da abertura do mercado mundial, na década de 90, houve a necessidade de reformulação das estratégias da política de informática do país, a fim de modelar um ambiente mais favorável à atração de investimentos externos e parcerias com empresas nacionais, mudança no modelo produtivo, implantação de sistemas de qualidade que permitiram a obtenção de um certificado no Brasil pela indústria de informática, sendo a primeira indústria a conseguir tal feito (WEBER, 2002). Essa mudança de cenário e de política visava criar um modelo mais aberto, que permitisse a diminuição de importação de diversos itens pelo país. Para tal, foram criadas Lei de Incentivos Fiscais em Informática, Lei nº 8.248/91, foram disponibilizados recursos para Pesquisa e Desenvolvimento P&D, criados a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), que visava implantar uma internet para a educação e pesquisa em todo país; o Programa Temático Multiinstitucional em Ciência da Computação (ProTeM- CC), que visava estruturar e apoiar um modelo de pesquisa consorciada entre entidades acadêmicas e o setor privado; o programa SOFTEX, que visava estruturar e LUCAS PRONTO.indd 67 09/07/ :52:53

68 68 coordenar um esforço nacional para incrementar significativamente a exportação de softwares produzidos no país; e o Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho - SINAPAD, que visava implantar um conjunto de centros prestadores de serviços de super computação no país, sob a coordenação da Secretaria de Políticas de Informática - SEPIN/MCT e o Programa Prioritário em Informática - PPI (WEBER, 2002). Em se tratando de incentivos à produção e ao desenvolvimento de softwares no Brasil, a Política Nacional propunha uma abordagem ligada à formação de recursos humanos na área, com a implantação de fábricas de softwares como regime de complementação da formação, uma autorregulamentação desafiadora para o setor, ações relacionadas com a estruturação de marketing internacional e programa de parcerias entre empresas de diversos países, para incentivar a expansão de mercado dessa indústria, criando uma gestão em conjunto com o setor privado e acadêmico, que permite constante direcionamento das ações num setor onde o dinamismo é a principal característica (WEBER, 2002). Para que haja desenvolvimento nos setores industriais no país, faz-se necessário o aporte de recursos financeiros, incentivos à produção, capacitação técnica e profissional, pesquisa e apoio à inovação. Na indústria de software não é diferente, além de todos esses fatores, é necessário principalmente o fomento. A política brasileira de informática historicamente teve maior inclinação para o mercado de hardware, deixando o mercado de software sem maiores intervenções (TIGRE, 1984; 2000 ). Desde o início, a politica brasileira de informática privilegiou o hardware, tratando o mercado de software como subproduto das vendas de hardware (o que certamente foi verdade para a IBM nas décadas de 60 e 70). Isto levou a uma preocupação com sistemas operacionais nativos, ao invés de enfocar no desenvolvimento de aplicações locais baseadas em padrões internacionais existentes (EVANS, 1995, p. xxxxx) Porém, em 1992, o governo brasileiro abandonou a reserva de mercado e passou a se basear em uma política orientada para a livre concorrência, provocando estímulos à produção no país de produtos que eram anteriormente importados. A partir dessas premissas, foram cridas leis de incentivos fiscais com o objetivo de preservar a produção local e as atividades de P & D na Indústria de LUCAS PRONTO.indd 68 09/07/ :52:53

69 69 Informática. No mesmo período, foi criado o Projeto de Desenvolvimento Estratégico da Informática - DESI, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, que no Brasil que forneceram as bases para a criação do SOFTEX, da RNP e do ProTem CC (WEBER, 2002). O programa SOFTEX foi criado em 1993, envolvendo empresas nacionais e internacionais que desenvolvem softwares no país e tendo como principal objetivo a promoção da exportação de softwares desenvolvidos no Brasil e geração de empregos nobres nas empresas dessa área. Sua missão, transformar o Brasil em um centro de excelência na produção e exportação de software, mais precisamente situá-lo entre os cinco maiores exportadores de softwares do mundo, sustentados pelos valores de criatividade, inovação e qualidade (SOFTEX, 2007). O Programa SOFTEX 2000 criou 20 núcleos regionais, que são organizações autônomas do tipo de fundação de direito privado ou sociedade civil sem fins lucrativos, com o intuito de promover o apoio técnico e mercadológico às empresas brasileiras software, além de estarem voltadas para o incentivo da ascensão do mercado de exportação de software no Brasil. Foram criados também três centros internacionais: EUA, Alemanha e China, para facilitar a comercialização de softwares, produtos ou serviços correlatos brasileiros no exterior e, em paralelo, foram desenvolvidos centros de formação da cultura do empreendedorismo e da criação de novas empresas de software a partir de jovens profissionais recém-graduados nas universidades brasileiras, denominado SOFTEX Genes (SOFTEX, 2007). O programa SOFTEX 2000 é administrado pela Sociedade Brasileira para a Promoção da Exportação, criada em 1996, uma organização não-governamental cujo objetivo social é o de executar, promover, fomentar e apoiar atividades de inovação e desenvolvimento científico e tecnológico. Seus esforços são executados com a finalidade da geração e transferência de tecnologias, promoção do capital humano, por meio da educação, desenvolvimento de cultura e treinamento apropriados, de natureza técnica e mercadológica em Tecnologia de Software e suas aplicações. Sua ênfase se LUCAS PRONTO.indd 69 09/07/ :52:53

70 70 concentra no mercado externo, visando o desenvolvimento socioeconômico brasileiro, através da inserção do país na economia mundial (SOFTEX, 2007). Ao resumir as ações do Programa SOFTEX estão: a disponibilização de mecanismos de financiamento para as empresas de software, incentivo ao empreendedorismo e geração de novas empresas no segmento, elaboração de pesquisas sobre o mercado de software, apoio ao processo de certificação de qualidade em software e ISO 9000, desenvolvimento e prospecção de negócios nacionais e internacionais, participação de empresas brasileiras em eventos no exterior, capacitação técnica, de mercado e gerencial, consultoria para o desenvolvimento de plano de negócios específicos para as empresas de software e assessoria jurídica para registro dos produtos e outros aspectos que estejam ligados a parte de legislação do software (SOFTEX, 2003). Em se tratando de financiamento, fator mais criticado pelas empresas brasileiras, foi estabelecido BNDES o programa para o desenvolvimento da indústria de software e serviços correlatos (PROSOFT). Esse programa tem como objetivos principais promover o crescimento das exportações de software e a internacionalização das empresas nacionais de software, através da disponibilização de recursos (BRASIL, 2007c). Dentro desse programa, existe uma subárea denominada PROSOFT Exportação, destinada ao financiamento à exportação de software e serviços correlatos desenvolvidos no Brasil. Essa subárea fornece uma relativa flexibilidade para a concessão de financiamentos como: taxas de juros, limite de crédito, prazos, condições de pagamento, garantias, entre outras. Esses procedimentos incluem o envio de diversos documentos e consulta prévia dos mesmos para liberação do crédito pelo BNDES, ou seja, excessiva burocracia governamental, que é passiva de muitas críticas, já que pode atrapalhar ou atrasar o processo de desenvolvimento das exportações pelas empresas de software brasileiras. Além dessa burocracia, as empresas estão passivas de penalidades, dentre elas, a aplicação de multas caso sejam descumpridos o que foi preestabelecido no contrato de concessão de crédito. Esse financiamento é exclusivo para empresas LUCAS PRONTO.indd 70 09/07/ :52:53

71 71 brasileiras, com sede e administração no Brasil e que mantenham todas as suas atividades de desenvolvimento de software dentro do país. Como ações de intervenção, ainda merecem destaque os planos da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior - PITCE, que tinha entre os principais objetivos promover o aumento da eficiência da estrutura produtiva, da capacidade de inovação e as exportações das empresas de tecnologia do Brasil, principalmente no segmento de software (KUBOTA, 2006). No quadro de ações dessa política, encontram-se fatores relacionados ao desenvolvimento estratégico do setor de TI no país. Nesse âmbito, tem-se o programa de desenvolvimento das exportações e da indústria de software e serviços conexos, que possui as seguintes características (BRASIL, 2007a): orientação para necessidade da indústria de acordo com o segmento; realização de estudos de mercado; observação de especificidades de empresas em relação ao porte e à desconcentração geográfica; realização de esforços para a promoção da qualidade, capacitação, empreendedorismo; fomento ao compartilhamento de tecnologias; aprimoramento dos sistemas de informação e de divulgação da indústria de software brasileira e de seus produtos e serviços; desenvolvimento estratégias específicas para a promoção comercial e da imagem da indústria de software brasileiro no exterior; criação de grupo de trabalho governamental para o desenvolvimento da indústria e das exportações de software, o qual participará e se articulará com órgãos, mecanismos e entidades relevantes e representativos do setor; promoção de ações junto aos grandes exportadores brasileiros, visando à incorporação de software brasileiro nas suas exportações de máquinas, equipamentos e serviços que o utilizam; busca por contrapartidas nas negociações internacionais, visando ampliar a transferência de tecnologias de software e o acesso a mercados e contratos; além da realização de estudos sobre mercado, questões tributárias e judiciais. No âmbito da intervenção estatal, ainda se tem o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, mantido pela Secretaria de Política de Informática - SEPIN/MCT, com uma área específica relacionada ao setor de software (PBQPS). Este programa possui o objetivo de: LUCAS PRONTO.indd 71 09/07/ :52:53

72 72 Estimular, articular, orientar e apoiar os esforços da sociedade brasileira na busca de competitividade internacional, por meio da promoção de ações de melhoria da qualidade e aumento da produtividade dos bens e serviços produzidos e oferecidos no país (MCT, 2002, p. 1). Evidencia-se aqui uma ação nítida de fomento industrial que possui repercussões diversas para a indústria de software. O programa relacionado ao setor de software tem tido uma forte inclinação para incentivar o desenvolvimento de práticas empresariais que se constituem legítimas inovações de produtos e processos. Aqui o resultado, cabe em grande parte à ação do MCT para a promoção de inovações no setor de software, que alinhado ao interesse empresarial tem apresentado alguns resultados significativos. No âmbito deste programa também se insere uma pesquisa nacional sobre os esforços empresariais para a promoção da qualidade e produtividade das empresas de software, que tem servido de guia para a formulação de estratégias desenvolvimentista no país. Além dessas ações, o Governo Federal (BRASIL, 2007b) por intermédio da Lei nº /2004 (Lei de Inovação) que posteriormente foi regulamentada pelo Decreto nº 5.563/2005 estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação e ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento industrial do país. Dentro dessas medidas, está o estímulo e o apoio à constituição de alianças estratégicas e o desenvolvimento de projetos de cooperação envolvendo empresas nacionais, instituições científicas e tecnológicas, e organizações de direito privado sem fins lucrativos. Esses esforços estariam voltados para a pesquisa e desenvolvimento, que objetivam a geração de produtos e processos inovadores, que poderão contemplar redes e projetos internacionais de pesquisa tecnológica e também ações de empreendedorismo tecnológico e de criação de ambientes de inovação, incluindo-se incubadoras e parques tecnológicos, permitindo a utilização das instalações das universidades públicas brasileiras. No entanto, no âmbito das ações complementares, ainda seria possível analisar alguns efeitos em decorrência da Lei de Inovação. Como ainda são incipientes os resultados dessa lei e como não se tem uma ação direta e LUCAS PRONTO.indd 72 09/07/ :52:53

73 73 específica para a indústria de software, pretende-se explorar essa temática em um trabalho futuro. Quadro 6 CARACTERÍSTICAS DAS INTERVENÇÕES REALIZADAS PELO GOVERNO BRASILEIRO NA INDÚSTRIA DE TI Características de Intervenção Eliminação de barreiras Fomento industrial Ações desenvolvidas Lei nº 7.646/1987 Lei nº 9.609/1998 Lei nº /2001 Lei nº 8.248/91 PROSOFT PROSOFT Exportação SOFTEX Lei nº /2001 SINAPAD Observações Atuação incisiva sobre as barreiras de crescimento, protegendo a propriedade intelectual. Promove a isenção de parcelas de impostos para aquisições de bens e serviços de software que teve vigor até o exercício de Esta ação constituiu um considerável incentivo para o desenvolvimento da indústria no país. Outra ação importante que estimulou a concessão de incentivos fiscais para o desenvolvimento da indústria de software. Financiamento concedido pelo BNDES que estimula a produção, comercialização e exportação. Nessa vertente, todos os programas se limitam a criar as condições básicas para o processo de inovação. As ações são baseadas na concessão de recursos para o estabelecimento de pré-condições para a etapa de invenção, seja implantação da infraestrutura dos projetos, capacitação para a realização de P&D, fornecimento de financiamento, entre outros. Esta ação almeja a ampliação da penetração do software e serviços correlatos produzidos no Brasil no mercado internacional, através de projetos Outsourcing, Plataformas de Exportação e Consórcios de Empresas, com contratação de estudos de mercado para definição de estratégias específicas. Nessa linha de intervenção, entende-se que o SOFTEX tenha uma contribuição ao estruturar e coordenar um esforço nacional para incrementar a exportação de software produzido no país, ajudando, inclusive, com a incubação de empresas. Esta lei estabeleceu dispositivos que dava preferência às empresas nacionais no acesso ao capital para financiamento de empreendimentos. Além disso, tinham-se ações voltadas para mudança no modelo produtivo, implantação de sistemas de qualidade, ampliação da capacitação da mão de obra e expansão da exportação de bens e serviços de informática. Este programa atua nessa linha fomentando bens e conhecimentos complementares para a indústria de software. PITCE Fomenta a atividade industrial através da realização de esforços para a promoção da qualidade, capacitação, empreendedorismo e compartilhamento de tecnologias. LUCAS PRONTO.indd 73 09/07/ :52:53

74 74 Fortalecimento do SNI PBQPS RNP O PBQPS buscou estimular, articular, orientar e apoiar os esforços da indústria brasileira de software por meio da promoção de ações de melhoria da qualidade e aumento da produtividade dos bens e serviços produzidos e oferecidos no país, realizando também a pesquisa nacional de qualidade e produtividade de software. Estimula a consolidação do SNI pela possibilidade da interligação em rede de grupos de pesquisa em todo o país. ProTeM-CC No âmbito deste programa, estimula-se um modelo de pesquisa consorciada entre entidades acadêmicas e setor privado. Promoção de mobilização social Estabeleciment o de Foco local Modificação na Estrutura do mercado PITCE Rede Nacional de Pesquisa (RNP) ProTeM-CC SOFTEX PITCE Lei nº 8.248/1991 Lei nº /2001 Programa SOFTEX PITCE Tem-se aqui um aspecto positivo ao fomentar a criação de grupo de trabalho governamental em articulação com órgãos, mecanismos e entidades relevantes e representativas do setor de software. Aqui se tem uma fragilidade. Apesar de esses programas promoverem alguma mobilização em grupos de pesquisa, percebe-se que essas ações são desarticuladas e extremamente focalizadas nos aspectos específicos de suas finalidades. Necessita-se nesta linha, de uma atuação para promover mobilização constante de forma a canalizar os fluxos de demanda social permanentemente. A formação de grupos mobilizados poderia estabelecer uma nova dinâmica no processo de inovação, uma vez que haveria um fórum permanente orientado à necessidade social setorial para a proposição de orientações políticas relacionados às atividades de inovação na indústria. Promove um avanço quando se observa as especificidades de empresas em relação ao porte e a desconcentração geográfica. Porém, trata-se de uma iniciativa ainda tímida para dar conta de todas as nuances relativas às especificidades locais. Forneceu contribuições para o desenvolvimento da indústria nacional ao estabelecer a prioridade das empresas nacionais na contratação de serviços para o setor público. Promove a autorregulamentação para o setor e estimula a difusão de tecnologias através de incentivos fiscais. As ações relacionadas com a estruturação de marketing internacional e programas de parcerias entre empresas de diversos países são significativos para o estímulo ao desenvolvimento da indústria. São também importantes os aspectos relacionados ao incentivo e à expansão de mercado, criando uma gestão em conjunto com o setor privado e acadêmico. Este programa interfere na estrutura de mercado ao promover sistemas de informação e de divulgação da indústria de software brasileira e de seus produtos e serviços, além de realizar a promoção comercial e da imagem da indústria brasileira de software no exterior. Fonte: Cerqueira, Sousa (2008) LUCAS PRONTO.indd 74 09/07/ :52:54

75 75 Além dessas medidas de estímulo, a indústria de software brasileira também contou com mais algumas medidas de fomento feitas pelo governo: houve um redesenho das prioridades de investimentos em fundos tecnológicos setoriais, sendo a FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos do Governo Federal, como um dos principais agentes, lançando vários editais de incentivo a pesquisa; houve a racionalização do PIS/COFINS para o setor de software, como indicado pelos agentes do setor a carga tributária é um dos inibidores de crescimento da indústria no país; a ação da APEX - Agência Brasileira de Promoção a Exportação e Investimentos em promover um evento no EUA para aproximar as empresas brasileiras como o principal agente do mercado externo; o apoio do Governo Federal a sociedade BRASSCOM - Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, para elaboração de um estudo internacional detalhado sobre o setor, para compreender as oportunidades, divulgar as potencialidades das empresas brasileiras e unir as empresas em torno de um projeto exportador; o INMETRO, juntamente com o MDIC e o MCT estão trabalhando para definir as bases para o sistema de certificação de qualidade, além do esforço do SOFTEX para implementação dos modelos de certificação de qualidade em software do tipo CMMI e normas ISO (VIANA, 2004). O país necessita desenvolver o que os autores denominam fatores críticos de sucesso para o mercado de software: a certificação, a capacidade de subir na escala de valor, a necessidade de uma atualização tecnológica, a componentização, o foco no alvo mercadológico e criação de diferenciais competitivos (SAUR, 2004; VIANA, 2004). Com esses aspectos a indústria de software estaria com alicerce melhores para a competição, apesar da ressalva de Viana (2004) de que o Brasil precisará percorrer um longo caminho para alcançar a Índia e outros países que são líderes em produção e exportação de software. No caso certificação de qualidade em software, cabe uma distinção nos principais modelos reconhecidos internacionalmente: CMM e CMMI. Inicialmente, Hoch et. al. (2000) alerta que as empresas de software utilizam-se de milhões de linhas de código para desenvolvimento das soluções, porém sem processos estruturados o que LUCAS PRONTO.indd 75 09/07/ :52:54

76 76 resultaria em diversas perdas para fornecedores e clientes. Para reverter essa situação foram desenvolvidas as certificações de qualidade de software. Criado em 1986, a partir da evolução do SEI - Software Engineering Institute, financiado pelo Departamento de Defesa dos EUA para trabalhar com as necessidades por melhores softwares, o CMM - Capability Maturity Model proporciona uma forma de como conseguir controlar os processos de desenvolvimento e manutenção de software e, a partir disso, evoluir para uma cultura de excelência e gestão de software (KUBOTA, 2006). Em 2000, o CMM evoluiu para o CMMI - Capability Maturity Model Integration, com maior abrangência de controle envolvendo funções como: compras, marketing, recursos humanos e suporte ao cliente ou desenvolvimento do produto (KUBOTA, 2006) O governo também pode atuar e estimular as empresas produtoras de software exercendo o seu papel de comprador, ou seja, direcionando as compras de software dos órgãos da administração pública para as empresas nacionais produtoras. Apesar de existir uma dificuldade de mensuração estatística sobre indicadores nesse aspecto, também falta um mecanismo que favoreça as empresas de capital nacional, que acabam ficando em situação desfavorável em relação às empresas internacionais, que estão acostumadas a atuar em mercados maduros e possuem incentivos nos países de origem que estimularam a competitividade dessas empresas (HABERKOM, 2004). Roselino (2006) corrobora com a ideia de Haberkom (2004) e reforça que o Estado é um importante consumidor de software pela sua dimensão e necessidade de processar grandes volumes de informações, sem contar que a transversalidade do software permite a atuação em diversas áreas de atuação do estado como Saúde, Educação e Assistência Social e na Gestão do Estatal. O que justificaria os investimentos em software e habilita o estado como demandante potencial. Além disso, o Estado serve como um dos principais instrumentos de fomento e desenvolvimento da indústria de software de um país, como foi no caso já citado dos Estados Unidos, como no caso dos israelenses que investimentos públicos para a promoção de soluções na área militar promoveram o desenvolvimento da área de LUCAS PRONTO.indd 76 09/07/ :52:54

77 77 tecnologia da informação e capital humano do país. Na Índia, o governo também exerceu e exerce papel fundamental para o fomento da indústria de software do país e outros. O recurso às compras governamentais de software produto, customizáveis ou sob encomenda, para atender necessidades ligadas às políticas voltadas á universalização do acesso às tecnologias de informação e comunicação na rede oficial de ensino, ou programas federais voltados à informatização das administrações federais, por exemplo, seriam potenciais demandantes de soluções que fortaleceriam empresas nacionais privadas, conferindo a estas melhores condições no enfrentamento de um cenário crescentemente competitivo (ROSELINO, 2006, p.169). As peculiaridades da política estatal para a promoção do desenvolvimento da indústria de tecnologia da informação perpassam pela necessidade de um sistema judiciário/legal que esteja adequado para lidar com as tecnologias, situação diferente no Brasil, o que acaba inviabilizando ou dificultando as relações entre empresas brasileiras e multinacionais. Deficiência e morosidade do sistema judiciário, complexidade das legislações tributárias e trabalhistas são aspectos que o país também precisa investir para adequar a realidade da tecnologia da informação e da atualidade (HABERKOM, 2004). 2.6 MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE Ao caracterizar a Indústria de Software Brasileira (BORGES, JAMBEIRO e SANTOS, 2006) a partir de uma pesquisa da SEPIN/MCT realizada em 2001, apontam que seria de predominância de micro e pequenas empresas, concentração de estabelecimentos nas regiões Sul e Sudeste, maior produção de software customizado ou por encomenda dentre as demais categorias, pequeno número de organizações certificadas e baixo volume de exportações dos produtos brasileiros. Ademais, com todos os incentivos desenvolvidos e disponibilizados pelo governo brasileiro, em 2004, de acordo com o relatório da Associação Brasileira de Empresas de Software - ABES, o mercado brasileiro de software e serviços ocupava a LUCAS PRONTO.indd 77 09/07/ :52:54

78 78 15º posição no mercado mundial, sendo a movimentação neste ano de aproximadamente 5,98 bilhões de dólares, equivalente a 1,17% do PIB daquele ano, sendo deste total 2,36 bilhões de dólares em software, equivalente a 1,1% do mercado mundial e 41,9% do mercado latino americano, e apenas 25 milhões de dólares em exportação de software. Já no ano de 2005, o mercado brasileiro de software e serviços ocupava a 12ª posição no mercado mundial, houve uma melhora na posição do da indústria do país, movimentando 7,41 bilhões de dólares, equivalente a 0,95% do PIB daquele ano, onde deste total foram movimentados 2,72 bilhões de dólares em software, o que representou aproximadamente 1,2% do mercado mundial e 41% do mercado latino americano e as exportações ficaram em torno de 35 milhões de dólares (ABES, 2006). FIGURA 02 INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE EM 2005 Fonte: ABES, LUCAS PRONTO.indd 78 09/07/ :52:54

79 79 Houve uma variação positiva de 24% em relação ao ano anterior, sendo que em relação ao crescimento do segmento software a variação foi de 15%. Esse mercado seria composto por empresas, sendo no segmento software divididas em dedicadas ao desenvolvimento e produção de software e destinadas à distribuição e revenda de software. Em 2006, a ABES informou que o mercado brasileiro de software e serviços correlatos recuou uma posição no cenário mundial, ocupando no momento a 13ª colocação. Foram movimentados 9,09 bilhões de dólares, um aumento de 22,6%, em relação ao de 2005, sendo desse montante, 3,26 bilhões de dólares corresponderam a software, 1,3% do mercado mundial e 43% do latino-americano, e as exportações ficaram em torno de 52 milhões de dólares, uma variação de 48,5% em relação a 2005 (ABES, 2007). FIGURA 03 INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE EM 2006 Fonte: ABES, LUCAS PRONTO.indd 79 09/07/ :52:54

80 80 Houve uma pequena melhora na posição do ocupada pelo mercado brasileiro em O Brasil ocupou a 12ª posição no mercado mundial, movimentando cerca de 11,12 bilhões de dólares, equivalente a 0,86% do PIB brasileiro no respectivo ano. Sendo que deste total, 4,19 bilhões de dólares em software, o que representou perto de 1,6% do mercado mundial. Já os restantes 6,93 bilhões de dólares foram movimentados em serviços relacionados (ABES, 2008) A participação de programas desenvolvidos no país vem aumentando desde 2004, atingindo em ,6% do total do mercado brasileiro de software. Em um mercado composto por cerca por empresas, dedicadas ao desenvolvimento, produção e distribuição de software e de prestação de serviços. Sendo que as empresas que são possuem denominação que atuam no desenvolvimento e produção de software, 94% são classificadas como micro e pequenas empresas (ABES, 2007). FIGURA 04 INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE EM 2007 Fonte: ABES, LUCAS PRONTO.indd 80 09/07/ :52:54

81 81 Já em 2008, de acordo a mesma instituição, o Brasil se manteve na posição que ocupava em 2007, movimentando cerca de 15 bilhões de dólares em produtos e serviços da área de tecnologia da informação, o equivalente a 0,96% do PIB brasileiro deste ano. Sendo que 5 bilhões de dólares relacionados a software e os demais 10 bilhões em serviços relacionados. Um mercado caracterizado por micro e pequenas empresas 94% de um total de no país (ABES, 2009). FIGURA 05 INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE EM 2008 Fonte: ABES, Na mensuração dos resultados da exportação de software no Brasil, por muito tempo concentrou-se na ideia de que o país exporta o volume de 100 milhões de dólares como apontavam Melo & Castello Branco (1997) relativo ao ano de 1995, e LUCAS PRONTO.indd 81 09/07/ :52:54

82 82 Veloso et al (2003) e Stefanuto (2004) como resultado do ano de 2000, sendo que o último autor chegou a fazer estimativas de crescimento que alcançariam 150 milhões de dólares em O que pode perceber, e alerta Roselino (2006), é a dificuldade também encontrada na mensuração dos resultados das exportações brasileiras de softwares, como já foi destacado dessa dificuldade da apuração dos resultados nessa indústria. A exportação de software pode ser invisível, ou seja, é fácil escapar ao registro a comercialização com o exterior de um software ou de um serviço correlato. Isso se deve ao fato de que software e serviços correlatos são intangíveis, podendo ser disponibilizados remotamente via internet para qualquer lugar do mundo. Dessa forma, são necessários instrumentos de registro, regulação e classificação para as atividades de software capazes de captar peculiaridades [...] (STEFANUTO e CARVALHO, 2005, p.42). A variação nos resultados ao longo dos anos demonstra um crescimento e amadurecimento da indústria de software no Brasil, considerando as dificuldades de mensuração de resultados, as dificuldades das empresas em captar clientes, financiamento e estabelecer estratégias capazes de se fortalecer e atender à demanda interna e explorar outros mercados. Porém, o país ainda está muito distante do ideal da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior de 2004, que dentre outros objetivos desejaria posicionar o Brasil com o quinto mercado de software no mundo e elevar as exportações para 2 bilhões de dólares. LUCAS PRONTO.indd 82 09/07/ :52:54

83 83 FIGURA 06 EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DO MERCADO BRASILEIRO DE SOFTWARE NO PERÍODO ENTRE Fonte: ABES, 2009 Acerca das dificuldades do desenvolvimento da indústria de software no mercado interno, decorre de diversos fatores desde econômicos, até mesmo culturais como a resistência de micro e pequenas empresas em adotar tecnologia da informação em seus processos, com o pensamento de manutenção da fórmula que daria certo há anos e não necessitaria de mudança. Apesar de um mercado em potencial não explorado, em que a quantidade de empresas que ainda não possuem TI em seus negócios, muitas ainda não preferem aderir à tecnologia em virtude do receio de uma implementação de um sistema mal elaborado, mal implantado ou com baixa confiabilidade, o que resultaria em prejuízos que teriam alto impacto para empresas de pequeno porte (PETIT, 2004) Além desses fatores, as empresas que compõem a indústria de software e correlatos são classificadas como micro e pequenas, e possuem dificuldades em realizar um mapeamento das oportunidades de negócios em novos mercados, questões como a fragmentação da cadeia produtiva, dispersão geográfica, deficiências no LUCAS PRONTO.indd 83 09/07/ :52:54

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