DÉCIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL



Documentos relacionados
APELAÇÃO CÍVEL PROCESSO Nº VIGÉSIMA CÂMARA CÍVEL

D E C I S Ã O. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 4ª CÂMARA CÍVEL Relator: Desembargador SIDNEY HARTUNG

estômago e a perda de 45 kg, necessita de nova cirurgia para a retirada do excesso de epitélio da região abdominal.

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

OITAVA CÂMARA CÍVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

357 VIGÉSIMA SEXTA CÂMARA CÍVEL/CONSUMIDOR APELAÇÃO CÍVEL PROCESSO Nº ANA MARIA PEREIRA DE OLIVEIRA

: Município de Cascavel, Prosegur Brasil S.A. Transportadora de Valores e Segurança.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DÉCIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL

TRIBUNAL DE JUSTIÇA VIGÉSIMA QUINTA CÂMARA CÍVEL/CONSUMIDOR

Nº COMARCA DE PORTO ALEGRE KELLY BORCHARDT GREGORIS CLARO DIGITAL S/A A CÓRDÃO

, n rt dão0h1c, C,1 d h me ESTADO DA PARAÍBA PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GABINETE DO DES. JÚLIO PAULO NETO

DECISÃO MONOCRÁTICA. A indenização deve ser compatível com a reprovabilidade da conduta e a gravidade do dano produzido.

QUINTA CÂMARA CÍVEL Apelação Cível nº Relator: DES. HENRIQUE CARLOS DE ANDRADE FIGUEIRA

APELAÇÃO CÍVEL. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO. AÇÃO DE COBRANÇA C/C INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. BENEFICIÁRIO DO

V I S T O S, relatados e discutidos estes autos de

ACÓRDÃO. São Caetano do Sul, em que são apelantes GAFISA S/A (E. OUTROS(AS)) e ABYARA BROKERS INTERMEDIAÇÃO

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 6ª Câmara de Direito Privado ACÓRDÃO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL

devolutivo. Ao apelado. Transcorrido o prazo, com ou sem contrarrazões, subam ao Eg. Tribunal de Justiça..

Poder Judiciário Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Décima Sexta Câmara Cível

ACÓRDÃO. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores VITO GUGLIELMI (Presidente) e PAULO ALCIDES. São Paulo, 12 de julho de 2012.

ENGENHARIA LTDA. E RENATO LUIZ GONÇALVES CABO

VIGÉSIMA PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL

VII Congresso Nacional e XIII Simpósio de Auditoria e Gestão em Saúde SOMAERGS. 9 e 10 de outubro de 2014 Porto Alegre

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DÉCIMA OITAVA CÂMARA CÍVEL

RELATÓRIO. Gabinete do Desembargador Alan Sebastião de Sena Conceição

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL RELATOR: DES. MARCOS ALCINO DE AZEVEDO TORRES

RECURSOS IMPROVIDOS.

IV - APELACAO CIVEL

APTE: FLAVIO COELHO BARRETO (Autor) APTE: CONCESSIONÁRIA DA RODOVIA DOS LAGOS S.A. APDO: OS MESMOS

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL

OITAVA CÂMARA CÍVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO RIO DE JANEIRO. Agravo de Instrumento nº

369 OITAVA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO CÍVEL Nº ANA MARIA PEREIRA DE OLIVEIRA

EMENTA CIVIL - DANOS MORAIS - NEGATIVA NA CONCESSÃO DE PASSE LIVRE EM VIAGEM INTERESTADUAL - TRANSPORTE IRREGULAR - INDENIZAÇÃO DEVIDA.

A C Ó R D Ã O VOTO. Apelação Cível nº Página 1 de 4

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

RELATÓRIO. 3. Recorre também o Sindicato, pugnando pela aplicação do IPCA em vez da TR e requerendo a condenação da UFCG em honorários advocatícios.

PROCESSO Nº ORIGEM: SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO REQUERENTE: INSS REQUERIDO:

Relator Desembargador PEDRO SARAIVA DE ANDRADE LEMOS

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO MACHADO CORDEIRO

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO VIGÉSIMA SEXTA CÂMARA CÍVEL/CONSUMIDOR

Poder Judiciário Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Vigésima Primeira Câmara Cível

Superior Tribunal de Justiça

Dispensada a remessa dos autos ao Ministério Público do Trabalho por força do Regimento Interno TST. É o relatório. 1 CONHECIMENTO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DÉCIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL

ESTADO DO RIO DE JANEIRO PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA SEGUNDA CÂMARA CÍVEL

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 9ª REGIÃO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

367 PROCESSO ELETRÔNICO

Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 17ª Câmara Cível

RELATÓRIO. Informações do MM. Juízo a quo, às fls. 55/56, comunicando a manutenção da decisão agravada.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

Superior Tribunal de Justiça

ACÓRDÃO RO Fl. 1. DESEMBARGADORA MARIA MADALENA TELESCA Órgão Julgador: 3ª Turma

SENTENÇA. Maxcasa Xii Empreendimentos Imobiliários Ltda

Superior Tribunal de Justiça

TRIBUNAL DE JUSTIÇA VIGÉSIMA SÉTIMA CAMARA CIVEL/ CONSUMIDOR JDS RELATOR: DES. JOÃO BATISTA DAMASCENO

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE RONDÔNIA Porto Velho - Fórum Cível Av Lauro Sodré, 1728, São João Bosco,

E M E N T A: RESPONSABILIDADE POR DANO MORAL. DÍVIDA PAGA. TÍTULO INDEVIDAMENTE PROTESTADO. ILEGALIDADE. PROVA. PRESUNÇÃO DO DANO.

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO

RECORRIDA DÉCIMA TURMA DA JUNTA DE REVISÃO FISCAL

LUIZ ANTONIO SOARES DESEMBARGADOR FEDERAL RELATOR

SEGUNDA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº / CLASSE CNJ COMARCA DE RONDONÓPOLIS

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº AGRAVANTE: JAQUELINE MACIEL LOURENÇO DA SILVA

ACÓRDÃO. Rio de Janeiro, 15 / 04 / Des. Cristina Tereza Gaulia. Relator

CÍVEL Nº COMARCA DE PORTO ALEGRE

pertencente ao mesmo Grupo Econômico das demais empresas, ante a flagrante existência do requisito

RECURSO Nº ACÓRDÃO Nº RECORRENTE MUNDIVOX TELECOMUNICAÇÕES LTDA RECORRIDA DÉCIMA SEGUNDA TURMA DA JUNTA DE REVISÃO FISCAL

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

V I S T O S, relatados e discutidos estes autos de RECURSO ORDINÁRIO, provenientes da 05ª VARA DO TRABALHO DE MARINGÁ, sendo recorrente

SEGUNDA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 60236/ CLASSE CNJ COMARCA DE RONDONÓPOLIS

Nº COMARCA DE SANTO ÂNGELO CENILDO FERREIRA MARTINS R E L ATÓRIO

Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Sétima Câmara Cível

26ª Câmara Cível / Consumidor Apelação Cível Processo nº

ACÓRDÃO. Rio de Janeiro, 05 de outubro de Desembargador ROBERTO FELINTO Relator

09ª JR - Nona Junta de Recursos

A C Ó R D Ã O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL. Embargos Infringentes:

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO EMENTA

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE RONDÔNIA Porto Velho - Fórum Cível Av Lauro Sodré, 1728, São João Bosco,

ACÓRDÃO. O julgamento teve a participação dos Desembargadores VITO GUGLIELMI (Presidente sem voto), FRANCISCO LOUREIRO E EDUARDO SÁ PINTO SANDEVILLE.

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL EDILSON PEREIRA NOBRE JÚNIOR

Poder Judiciário Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Sétima Câmara Cível

ESTADO DE SANTA CATARINA PODER JUDICIÁRIO Comarca da Capital 2ª Vara Cível

PODER JUDICIÁRIO. Gabinete Desembargador Walter Carlos Lemes AC n DM

VIGÉSIMA SEGUNDA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº AGRAVANTE:

ACÓRDÃO. O julgamento teve a participação dos Desembargadores ALVARO PASSOS (Presidente) e JOSÉ JOAQUIM DOS SANTOS.

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO 106 ACÓRDÃO

Transcrição:

DÉCIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO CÍVEL PROCESSO N.º 0045124-85.2009.8.19.0066 APELANTE: TATIANA PRADO MONTEIRO DA SILVA APELADA: UNIMED VOLTA REDONDA RELATOR: DES. WAGNER CINELLI DE PAULA FREITAS Apelação cível. Ação de cobrança. Plano de saúde. Honorários médicos e hospitalares. Adenocarcinoma. Cirurgia de emergência realizada por profissional não credenciado. Sentença de improcedência. Possibilidade de reembolso na hipótese de procedimento emergencial. Artigos 12, VI, c/c 35-C, ambos da Lei 9.656/98. Incidência da tabela de referência vigente na data do evento. Expressa previsão contratual da qual tinha ciência a parte autora/apelante. Recusa de reembolso que, na hipótese, não configura dano moral indenizável. Recurso parcialmente provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos de apelação cível, estando as partes acima nomeadas. ACORDAM os Desembargadores que compõem a Décima Sétima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do voto do relator. VOTO O recurso é tempestivo e guarda os demais requisitos de admissibilidade, de forma a trazer seu conhecimento. A matéria trazida a esta Instância cinge-se à alegada possibilidade de reembolso de despesas médicas havidas pela demandante em razão de 0045124-85.2009.8.19.0066 1

procedimento de alta complexidade efetivado por médico não credenciado à ré, bem como à ocorrência ou não de dano moral indenizável na hipótese. A relação em comento subsume-se às normas e princípios do Código de Defesa do Consumidor, posto que as partes autora e ré inserem-se nos conceitos de consumidor e prestador de serviços, na forma dos artigos 2º e 3º do CDC, respectivamente. Assiste razão à apelante, em parte. É certo que o reembolso de despesas médico-hospitalares relativas a procedimento realizado por profissional não credenciado à rede do plano de saúde contratado pelo consumidor é reembolsável, desde que existente expressa previsão contratual nesse sentido. Além disso, os artigos 12, VI, c/c 35-C, ambos da Lei 9.656/98, assim dispõem, in verbis: Art. 12. São facultadas a oferta, a contratação e a vigência dos produtos de que tratam o inciso I e o 1 o do art. 1 o desta Lei, nas segmentações previstas nos incisos I a IV deste artigo, respeitadas as respectivas amplitudes de cobertura definidas no plano-referência de que trata o art. 10, segundo as seguintes exigências mínimas: (...) VI - reembolso, em todos os tipos de produtos de que tratam o inciso I e o 1 o do art. 1 o desta Lei, nos limites das obrigações contratuais, das despesas efetuadas pelo beneficiário com assistência à saúde, em casos de urgência ou emergência, quando não for possível a utilização dos serviços próprios, contratados, credenciados ou referenciados pelas operadoras, de acordo com a relação de preços de serviços médicos e hospitalares praticados pelo respectivo produto, pagáveis no prazo máximo de trinta dias após a entrega da documentação adequada; Art. 35-C. É obrigatória a cobertura do atendimento nos casos: 0045124-85.2009.8.19.0066 2

I - de emergência, como tal definidos os que implicarem risco imediato de vida ou de lesões irreparáveis para o paciente, caracterizado em declaração do médico assistente; Compulsando os autos, verifica-se do contrato de assistência médica e hospitalar a fls. 46/81 expressa previsão acerca da possibilidade de reembolso em casos exclusivos de urgência ou de emergência, desde não seja comprovadamente possível a utilização de serviços próprios. Leia-se, in verbis: Art. 13. A CONTRATADA assegurará ao CONTRATANTE o reembolso no limite das obrigações deste contrato, das despesas efetuadas pelo usuário com assistência à saúde, dentro do território nacional, NOS CASOS EXCLUSIVOS DE URGÊNCIA OU EMERGÊNCIA, QUANDO NÃO FOR COMPROVADAMENTE POSSÍVEL A UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS PRÓPRIOS, CONTRATADOS OU CREDENCIADOS pelo Sistema Nacional UNIMED, bem como dos exames - e procedimentos necessários, PARA OS QUAIS NÃO HAJA PRESTADOR CREDENCIADO. A urgência da cirurgia de adenocarcinoma a que foi submetida a apelante restou demonstrada nos autos a fls. 13. Assinale-se, ainda, que a ré/apelada não comprovou a possibilidade de realização do procedimento por profissional a ela credenciado, de forma que a hipótese amolda-se aos dispositivos legais acima relacionados. Registre-se que, ainda que a cirurgia fosse realizada por profissional credenciado ao plano de saúde oferecido pela recorrida, o procedimento caracterizou situação de emergência, dada a sua necessidade à manutenção da vida da recorrente, afigurando-se, pois, reembolsável, nos termos dos dispositivos referidos. Entretanto, o reembolso no caso em tela dar-se-á pela tabela de referência vigente na data do evento, consoante ao disposto na cláusula 14 do contrato (vide fls. 49/50), disposição essa da qual tinha ciência a apelante, eis que sua assinatura consta da avença, como verificado a fls. 81. 0045124-85.2009.8.19.0066 3

Veja-se, a propósito, o entendimento deste E. Tribunal de Justiça acerca do tema em casos semelhantes: 0133235-80.2008.8.19.0001 - APELACAO 1ª Ementa DES. CLAUDIO BRANDAO - Julgamento: 09/10/2012 - DECIMA NONA CAMARA CIVEL Apelação Cível. Plano de Saúde. Indenização por danos materiais e morais. Negativa de reembolso das despesas hospitalares relativas a cirurgia realizada em unidade fora da rede credenciada pelo réu. Sentença de improcedência dos pedidos. Unidade hospitalar indicada pelo médico assistente. Previsão contratual da possibilidade do reembolso pleiteado. Valores que devem ser reembolsados nos limites da tabela do plano contratado. Parcial provimento do recurso. 0040773-61.2009.8.19.0004 - APELACAO 2ª Ementa DES. HELDA LIMA MEIRELES - Julgamento: 17/01/2012 - DECIMA QUINTA CAMARA CIVEL Agravo inominado na apelação. Ação de obrigação de fazer cumulada com reparação de danos. Plano de saúde. Cirurgia e atendimento médico. Hospital da rede não credenciada. Reembolso pelas despesas médicas realizadas. Possibilidade. Inteligência do artigo 12, inciso VI, da Lei nº 9656/98. Jurisprudência do C. STJ. Procedência em parte do pedido. Manutenção do julgado. Diante do relatório médico, a segurada estava com 95% da coronária obstruída, denotando-se, por conseguinte, que pela urgência do caso apresentado, seria um risco desnecessário pelo qual a paciente se submeteria, com a procura de hospitais da rede credenciada, nos quais se pudesse fazer a cirurgia pretendida. Ademais, é cediço que em contratos de plano de saúde, em determinados casos, como por exemplo, urgência da internação do segurado, há cláusulas que permitem o reembolso pelas despesas médicas e cirurgias realizadas em hospital de rede não credenciada. Inteligência do art.12, inciso VI, da 0045124-85.2009.8.19.0066 4

Lei nº 9656/98. Precedente do C. STJ. Agravo inominado desprovido. Em que pese a urgência do procedimento e nada obstante a recorrente fazer jus ao reembolso, a negativa pela apelada quanto ao reembolso pleiteado pela parte não gera, na hipótese, direito à indenização por dano moral, haja vista envolver matéria jurídica controvertida. Portanto, a sentença é parcialmente reformada. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para julgar procedente em parte o pedido e condenar a ré/apelada ao reembolso das despesas havidas pela autora com a cirurgia de emergência no limite da tabela de referência vigente à data do evento, corrigido da data do desembolso e com juros de 1% (um por cento) ao mês a contar da citação, por se tratar de relação contratual. Sucumbência recíproca, na forma do art. 21 do CPC, devendo cada parte arcar com os honorários de seu próprio advogado e com as custas processuais na proporção de 50% (cinquenta por cento) para cada qual, observada a gratuidade de justiça concedida à parte autora a fls. 26. Rio de Janeiro, 19 de junho de 2013. WAGNER CINELLI DESEMBARGADOR RELATOR 0045124-85.2009.8.19.0066 5