Transformações Conformes
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- Adriana Bugalho Alencastre
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1 META: Introduzir o conceito de transformações conforme. OBJETIVOS: Ao fim da aula os alunos deverão ser capazes de: Definir transformações conformes e exemplificar transformações conformes. PRÉ-REQUISITOS Aula03 de Variáveis Complexas.
2 .1 Introdução Caros alunos estamos quase no final de nosso curso de Variáveis Complexas. Nosso assunto de agora é Transformações Conformes. Aqui estabeleceremos os aspectos básicos de transformações conformes como ponto de partida para a próxima aula onde faremos algumas aplicações das transformações conformes..2 Transformações Conformes Vamos iniciar com a definição do conceito de transformações conformes: y plano xy C 2 v plano w (u 0, v 0 ) C 1 C 2 (x 0, y 0 ) C 1 x u Figura.1: Transformações Conformes Definição.1. Seja Ψ : D R 2 R 2 uma transformação de um aberto D de R 2 em R 2 tal que Ψ leva o ponto (x 0, y 0 ) do plano xy no ponto (u 0, v 0 ) do plano uv. Se dada duas curvas C 1 e C 2 do plano xy que se interceptam em z 0 são levadas na curvas C 1 e C 2 que se interceptam em (u 0, v 0 ) (ver figura.1) então se Ψ é tal que o ângulo entre as curvas C 1 e C 2 em (x 0, y 0 ) é igual ao ângulo entre C 1 e C 2 em módulo e sentido, dizemos que Ψ é uma transformação conforme em (x 0, y 0 ). 194
3 Variáveis Complexas Vamos examinar a mudança de direção de curvas no plano complexo z, passando pelo ponto z 0 sob a transformação w = f(z) quando a função em questão é holomorfa em z 0 e além disso f (z 0 ) 0. Para isso enunciamos e provamos o seguinte teorema: y plano z v plano w z 0 + z w 0 + w C C z 0 θ 0 w 0 θ 0 + a x u Figura.2: Transformações Conformes Teorema.1. Sejam D C um aberto, f : D C C, w = f(z) uma transformação holomorfa em z 0 D tal que f (z 0 ) 0 então a tangente a qualquer curva C passando por z 0 é girada de um ângulo igual a arg(f (z 0 )). PROVA: Quando um ponto se move de z 0 a z 0 + z ao longo da curva C no plano z (ver figura.2) sua imagem através de f(z) move-se ao longo de C, no plano w, de w 0 até w 0 + w. Se parametrizarmos a curva C usando o parâmetro t então o caminho z(t) (x = x(t) e y = y(t)) em C corresponde ao caminho w(t) (u = u(t) e v = v(t)) em C tal que: z 0 = z(t 0 ) e w 0 = w(t 0 ) = f(z(t 0 )). As derivadas dz dt e dw representam os vetores tangente nos pontos dt correspondentes de C e C. Daí, então, da regra da cadeia, temos: dw dt = dw dz.dz dt = f (z). dz dt (.201) 195
4 Em particular fazendo t = t 0 em eqn.201 temos: Que é equivalente a: dw dt = f (z(t 0 )). dz t=t0 dt t=t0 dw = f (z 0 ). dz (.202) dt w=w0 dt z=z0 Levando em conta que f(z) é holomorfa em z 0. Escrevendo dw = dt w w 0 = f 0 e ıφ 0, f (z 0 ) = R 0 e ıα e dz = r 0 e ıθ 0 e substituindo em dt z=z0 eqn.202 temos: f 0 e ıφ 0 = R 0 e ıα.r 0 e ıθ 0 = R 0.r 0 e ı(α+θ 0 ) (.203) Finalmente, de eqn.203 temos: φ 0 = θ 0 + α = θ 0 + arg(f (z 0 )). OBS.1. Notem que nos pontos críticos (pontos para os quais f (z 0 ) = 0) α é indeterminado. Teorema.2. Sejam D C um aberto, f : D C C, w = f(z) uma transformação holomorfa em z 0 D tal que f (z 0 ) 0 então, o ângulo entre duas curvas C 1 e C 2 passando por z 0 é preservado pela transformação w = f(z) em módulo e direção. PROVA: Pelo teorema.2 cada curva gira do ângulo arg(f (z 0 )) assim, o ângulo entre as curvas não se altera pela transformação w = f(z) tanto em módulo quanto em sentido. OBS.2. Em outras palavras o teorema acima diz que uma aplicação holomorfa é uma transformação conforme. Para concluir, vamos enunciar, sem demonstrar um importante teorema sobre transformações conformes. A saber: 196
5 Variáveis Complexas Teorema.3. Seja C uma curva simples fechada, contorno de uma região simplesmente conexa então existe uma transformação biunívoca w = f(z) holomorfa em C e seu interior, que mapeia C na borda do disco unitário no plano w e o interior de C no interior do disco unitário. OBS.3. A demonstração deste teorema de enunciado simples é bastante técnica e foge ao escopo deste texto. Porém, se os caros alunos quiserem aprofundar o assunto tem uma demonstração em TIMONEY na leitura complementar..3 Exemplos de Algumas Transformações Conformes Veremos nesta seção alguns exemplos de algumas transformações conformes. y plano z v plano w z 0 x f(z 0 ) 1 u Figura.3: Transformações Conformes Exemplo.1. Como primeiro exemplo, vamos mostrar que a transformação w = f(z) onde f(z) = e θ 0ı z z 0 z z 0, z 0 é um ponto do semiplano superior e θ 0 R transforma o semiplano superior no plano z no disco unitário no plano w (ver figura.3). 197
6 y plano xy z z 0 z z 0 z z 0 x z 0 Figura.4: Transformações Conformes SOLUÇÃO: Da figura.4 se z pertence ao semiplano superior temos z z 0 z z 0 ocorrendo a igualdade se z pertence ao eixo real. Daí, temos: w = e θ 0ı z z 0 z z 0 = e θ 0ı. z z 0 z z 0 1 pois, e θ0ı = 1 e z z 0 z z 0. OBS.4. Observamos também que f(z 0 ) = 0 e que o eixo real é mapeado na borda do disco unitário..3.1 Transformações de Möbius Veremos agora um tipo especial de transformação conforme denominada de transformação de Möbius. Definição.2. Uma transformação fracionária w = f(z) = az + b cz + d (.204) tal que ad bc 0 é dita uma transformação de Möbius. 198
7 Variáveis Complexas Uma das propriedades das transformações fracionárias, em particular as transformações de Möbius, é que a composição de duas transformações fracionária é uma transformação fracionária. sejam f(z) = az + b αz + β e g(z) =. Daí, temos: cz + d γz + δ a αz + β γz + δ + b (f g)(z) = f(g(z)) = c αz + β γz + δ + d = = aαz + aβ + bγz + bδ γz + δ cαz + cβ + dγz + dδ cβ + dδ (aα + bβ)z + (aβ + bδ) (cα + dγ)z + (cβ + dδ) Tirando eqn.204 da forma de fração temos: Azw + Bz + Cw + D = 0 (.205) que é linear em z linear em w e bilinear em z e w. Por outro lado podemos inverter eqn.204 e temos: z = f 1 (w) = dw + b cw a Se c = 0 deixa de ser uma transformação fracionária e passa a ser uma transformação linear. Caso c 0 podemos reescrever eqn.204 na forma: w = f(z) = a c + bc ad c 1 cz + d e portanto a condição ad bc 0 garante que eqn.204 não é a transformação constante..3.2 Pontos fixos de uma Aplicação Imaginemos sobrepor o plano w no plano z de modo que os eixos coordenados coincidam. Desta forma teremos essencialmente um 199
8 único plano. E, podemos encarar uma transformação w = f(z) como uma aplicação que leva pontos do plano em outros pontos do plano. Assim faz sentido a seguinte definição: Definição.3. Seja f : C C uma transformação. Dizemos que z C é um ponto fixo de f( ) se, somente se z = f(z). Vejamos um exemplo: Exemplo.2. Determine os pontos fixos da seguinte transformação fracionária: f(z) = 2z 5 z + 4. SOLUÇÃO: Da definição de ponto fixo temos: Daí, desfazendo a fração temos: z = f(z) = 2z 5 z + 4 z 2 + 2z + 5 = 0 Resolvendo a equação do segundo grau temos: Ficaremos por aqui. z 1 = = = 1 + 2ı z 2 = = = 1 2ı. 200
9 .4 Conclusão Variáveis Complexas Na aula de hoje, vimos que funções holomorfas são transformações conformes i.e. transformações que preservam o ângulo entre vetores. RESUMO No nosso resumo da Aula constam os seguintes tópicos: Transformações Conformes Definição: Seja Ψ : D R 2 R 2 uma transformação de um aberto D de R 2 em R 2 tal que Ψ leva o ponto (x 0, y 0 ) do plano xy no ponto (u 0, v 0 ) do plano uv. Se dada duas curvas C 1 e C 2 do plano xy que se interceptam em z 0 são levadas na curvas C 1 e C 2 que se interceptam em (u 0, v 0 ) (ver figura.1) então se Ψ é tal que o ângulo entre as curvas C 1 e C 2 em (x 0, y 0 ) é igual ao ângulo entre C 1 e C 2 em módulo e sentido, dizemos que Ψ é uma transformação conforme em (x 0, y 0 ). Teorema 1: Sejam D C um aberto, f : D C C, w = f(z) uma transformação holomorfa em z 0 D tal que f (z 0 ) 0 então a tangente a qualquer curva C passando por z 0 é girada de um ângulo igual a arg(f (z 0 )). Teorema 2: Sejam D C um aberto, f : D C C, w = f(z) uma transformação holomorfa em z 0 D tal que f (z 0 ) 0 então, o ângulo 201
10 entre duas curvas C 1 e C 2 passando por z 0 é preservado pela transformação w = f(z) em módulo e direção. Definição: Uma transformação fracionária w = f(z) = az + b cz + d tal que ad bc 0 é dita uma transformação de Möbius. Definição: Seja f : C C uma transformação. Dizemos que z C é um ponto fixo de f( ) se, somente se z = f(z). PRÓXIMA Em nossa próxima aula veremos algumas aplicações das transformações conformes. Em particular veremos aplicações ao escoamento potencial de fluidos. ATIVIDADES Deixamos como atividades as seguintes questões: ATIV..1. que a transformação w = f(z) onde f(z) = e θ 0ı z z 0 z z 0, z 0 é um ponto do semiplano superior e θ 0 R transforma o semiplano superior no plano z no exterior do disco unitário no plano w. Comentário: Volte ao texto e reveja com calma e atenção os exemplos acima, eles lhes servirão de guia. 202
11 Variáveis Complexas ATIV..2. Seja f(z) = z + a uma transformação fracionária. z + b Qual a relação entre a e b garante que a transformação tem apenas um ponto fixo? Comentário: Volte ao texto e reveja com calma e atenção o exemplo de ponto fixo, ele lhe servirá de guia. LEITURA COMPLEMENTAR SPIEGEL, Murray R., Variáveis Complexas, Coleção Schaum, Editora McGraw-Hill do Brasil, SOARES, Márcio G., Cálculo em uma Variável Complexa, Coleção Matemática Universitária, Editora SBM, BROWN, James W. and CHURCHILL, Ruel R., Complex Variables and Applications Editora McGraw Hill, 2008 FERNANDEZ, Cecília S. e BERNARDES Jr, Nilson C. Introdução às Funções de uma Variável Complexa. Editora SBM, TIMONEY, Richard M. Riemann Mapping Theorem. maths.tcd.ie/ richardt/4/4-ch7.pdf. Acessado em 01/06/
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