ÉPOCAS DE PLANTIO DO ALGODOEIRO HERBÁCEO DE CICLO PRECOCE PARA A REGIÃO DO PONTAL DO TRIÂNGULO MINEIRO

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1 ÉPOCAS DE PLANTIO DO ALGODOEIRO HERBÁCEO DE CICLO PRECOCE PARA A REGIÃO DO PONTAL DO TRIÂNGULO MINEIRO Julio Pedro Laca-Buendía 1, Joel Fallieri 2, Paulo de Oliveira 3 Luiz Cardoso Neto 4 Petrônio José da Silva 5 (1) EPAMIG/CTTP/FEGT, Caixa Postal Uberaba, MG (2) EPAMIG/CTTP/FEGT, Caixa Postal Uberaba, MG (3) EPAMIG Caixa Postal Belo Horizonte/MG. (4) EPAMIG/CTTP/CEPET Caixa Postal Capinópolis, MG.(5) EPAMIG/CTTP/FEGT, C.P Uberaba, MG RESUMO Com o objetivo de determinar a melhor época de plantio do algodoeiro, realizou-se a presente pesquisa por dois anos consecutivos na Fazenda Experimental da CEPET, UFV, no município de Capinópolis, MG, com cinco épocas de plantio: segunda quinzena de outubro; primeira e segunda quinzena de novembro e primeira e segunda quinzena de dezembro; utilizando-se as cultivares: Alva, Liça, EPAMIG Precoce-1 e Redenção. As maiores produções foram conseguidas na segunda quinzena de outubro, primeira e segunda quinzena de novembro, com as cultivares Alva, EPAMIG Precoce-1 e Redenção. Os maiores pesos de capulho foram obtidos na primeira e segunda quinzena de novembro com a cultivar EPAMIG Precoce-1; já o peso de 100 sementes, na segunda quinzena de outubro, primeira e segunda de novembro, com a referida cultivar; a percentagem de fibra, na segunda quinzena de outubro e cultivares EPAMIG Precoce-1 e Liça; o índice de fibra, na segunda quinzena de outubro e primeira quinzena de novembro com EPAMIG Precoce 1. O maior valor no comprimento de fibra coube a cv. Redenção obtido na segunda quinzena de novembro; a uniformidade e finura de fibra, na segunda quinzena de outubro e cultivar EPAMIG Precoce-1 e na resistência de fibra, na segunda quinzena de novembro e primeira de dezembro e cultivar Alva. INTRODUÇÃO Atualmente, o consumo brasileiro de algodão situa-se acima de 850 mil toneladas em pluma por ano, sendo que Minas Gerais é o terceiro maior consumidor com 120 mil toneladas anuais,para alimentar 38 empresas têxteis e 50 unidades fabris. A produção mineira não é suficiente para atender à demanda, dependendo da importação do produto de outros estados (Paiva e Laca-Buendía, 2003). Em pesquisas realizadas com cultivares de ciclo precoce, verificou-se uma grande variação de produtividade do algodoeiro pelo simples efeito da época de plantio (Laca-Buendía e Cardoso Neto, 1997 e Bolonhezi et al., 1999). Ensaios anteriores foram conduzidos,abrangendo os meses de outubro a dezembro, utilizando-se cultivares de ciclo tardio então recomendados (Laca-Buendía e Faria, 1978, Laca- Buendía et al., 1997 e Laca-Buendía, 1990). As novas cultivares de algodoeiro de ciclo precoce da EPAMIG, Alva e Liça, bem com a EPAMIG Precoce-1 e Redenção não foram avaliadas ainda. Diante disto, a presente pesquisa visou avaliar e apresentar aos cotonicultores dos municípios do Pontal do Triângulo Mineiro, a melhor época de plantio das cultivares de algodoeiro herbáceo de ciclo precoce, bem como determinar as suas características agronômicas e de fibra em cada época proposta. 1

2 MATERIAL E MÉTODOS Estes experimentos foram conduzidos na Fazenda Experimental da CEPET, UFV, no município de Capinópolis, MG, em Latossolo-Vermelho, textura média, durante dois anos agrícolas (1998/99 e 1999/2000). O delineamento experimental usado foi o de blocos casualizados, em esquema de parcelas subdivididas, sendo as parcelas as épocas: segunda quinzena de outubro, primeira e segunda quinzena de novembro e primeira e segunda quinzena de dezembro e as sub-parcelas as cultivares: Alva, Liça, EPAMIG Precoce-1 e Redenção, repetido quatro vezes. As parcelas foram constituídas por quatro fileiras de 5,0 m de comprimento, com quatro fileiras de 1,00 m de espaçamento entre elas. Por ocasião da colheita foram colhidas as duas fileiras centrais de cada sub-parcela com área de 10,0 m 2. A adubação de plantio foi de 300 kg/ha da fórmula 4: 30:16 de NPK e uma adubação de cobertura de 100 kg/ha de sulfato de amônia, realizada aos 25 dias da emergência em cada época estudada. Quando as plantas atingiram 50% de abertura dos capulhos iniciou-se a colheita manual, procedendo-se a seguir a pesagem do algodão em caroço da área útil de cada sub-parcela. Determinouse também por ocasião da colheita, ao acaso, a altura de 10 plantas dentro da área útil de cada subparcela. Retirou-se uma amostra de 20 capulhos do terço médio das plantas de cada sub-parcela, para avaliação do peso de 100 sementes, peso de capulho, percentagem de fibra e índice de fibra e das características tecnológicas de fibra. RESULTADOS E DISCUSSÃO O stand final, apresentou diferenças significativas entre as épocas de plantio e cultivares estudadas, sendo que os menores stands finais foram obtidos quando se realizou o plantio no segundo ano, na primeira quinzena de novembro e com a cultivar Liça, com 51,0, 54,2 e 52,1, respectivamente (Tabela 1). Foram encontradas diferenças estatísticas entre os anos estudados, sendo que no segundo ano a produtividade de algodão em caroço foi superior ao primeiro em 602 kg/ha. As épocas de semeadura diferenciaram-se estatisticamente sendo que na segunda quinzena de novembro se obtiveram a maior produção, com 2041 kg/ha; já os plantios realizados na segunda quinzena de outubro, primeira e segunda de novembro, com 1811 kg/ha, 1906 kg/ha e 2041 kg/ha foram estatisticamente iguais. As cultivares que apresentaram os maiores rendimentos foram: Alva, com 1846 kg/ha, Redenção, com 1774 kg/ha e EPAMIG Precoce 1, com 1731 kg/ha, porém, estatisticamente iguais (Tabela 1). As menores alturas de planta foram verificadas com os plantios realizados durante o primeiro ano, na segunda quinzena de outubro e com a cultivar Alva, com 97,8 cm, 105 cm e 115,6 cm, respectivamente. Os maiores valores no peso de capulho foram obtidos com os plantios no segundo ano, durante a primeira e segunda quinzena de novembro e com a cultivar EPAMIG Precoce-1, com 6,2 g; 6,6 g,;6,5 g e 7,0 g, respectivamente. O peso de 100 sementes não diferenciou nos anos estudados, sendo que os maiores pesos foram obtidos quando se realizou o plantio durante a segunda quinzena de outubro, primeira e segunda quinzena de novembro, com 10,4, 10,5 e 10,8 g, respectivamente, e com a cultivar EPAMIG Precoce 1, com 11,5 g. Para o índice de fibra e na percentagem de fibra não foram verificadas diferenças significativas entre os anos avaliados, sendo que a maior percentagem de fibra foi obtida nos plantios da segunda quinzena de outubro, com 40,5% e com as cultivares EPAMIG Precoce-1 e Liça, alcançaram 39,8 % e 39,2 %. Já no índice de fibra os maiores valores foram observados nos plantios da segunda quinzena de outubro e da primeira quinzena de novembro, com 7,2 g e 7,0 g, a cultivar com maior índice foi a EPAMIG Precoce 1, com 7,5 g. (Tabela 1). Nas características tecnológicas de fibra observou-se diferença significativa entre os anos estudados, sendo que durante o primeiro ano obteve-se valores mais altos para finura (Micronaire) e 2

3 resistência (Pressley) e no segundo ano para comprimento e uniformidade. Para as épocas de plantio verificou-se que somente na uniformidade da fibra não foram obtidas diferenças significativas entre as épocas testadas, com o maior valor índice para a cultivar EPAMIG Precoce-1, ou seja, 47,4 %, seguida da Liça, com 47,1 %. No comprimento de fibra, o maior valor foi obtido com o plantio na segunda quinzena de novembro, com 29,2 mm, a cultivar Redenção, obteve 28,9 mm. Na finura de fibra, o maior valor se deu com o plantio na segunda quinzena de outubro, com 4,0 u/pol e com a cultivar EPAMIG Precoce -1, alcançou 4,1 u/pol. Na resistência de fibra, o maior índice foi obtido com o plantio na segunda quinzena de novembro e primeira de dezembro, ou seja, 20,2 e 20,0 gf/tex; o índice da cultivar Alva, foi 20,3 gf/tex. 3

4 Tabela 1- Resultados médios obtidos no ensaio de época de plantio do algodoeiro herbáceo de ciclo precoce para a região do Pontal do Triângulo Mineiro. Capinópolis, MG 1998/2000. Tratamentos Stand na colheita Produção (kg/ha) Altura de planta (cm) Peso de capulho (g) Peso de100 Sementes (g) Índice de fibra (g) Ano 1998/99 62,11a (1) 1402b 97,8b 6,0b 10,1a 6,5a 39,0a 1999/00 51,05a 2004a 140,5a 6,2a 10,3a 6,6a 38,9a Épocas Segunda quinzena de outubro 41,62d 1811a 105,0c 6,2b 10,4a 7,2a 40,5a Primeira quinzena de novembro 54,19c 1906a 114,0b 6,6a 10,5a 7,0a 39,6b Segunda quinzena de novembro 60,41b 2041a 130,6a 6,5a 10,8a 6,5b 38,2cd Primeira quinzena de dezembro 60,34b 1406b 117,5b 5,8c 9,9b 6,3b 38,6c Segunda quinzena de dezembro 66,34a 1348b 128,6a 5,6c 9,4c 5,9c 37,7d Cultivar Alva 58,60a 1846a 115,6b 6,0b 9,7b 6,1c 38,2b Liça 52,12b 1460b 146,0b 5,5c 9,8b 6,5b 39,2a EPAMIG Precoce-1 58,05a 1731a 173,1a 7,0a 11,5a 7,5a 39,8a Redenção 57,55a 1774a 177,4a 6,0b 9,9b 6,2bc 38,5b Média Geral 56, ,2 6,1 10,2 6,6 38,9 C. V. (%) 8,47 25,88 5,82 8,10 6,05 8,72 3,08 (1) Valores seguidos pela mesma letra e na mesma coluna, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey a 5%. % de fibra 4

5 Tabela 2- Resultados médios das características tecnológicas da fibra obtidos no ensaio de épocas de plantios de algodoeiro herbáceo de cultivares de ciclo precoce na região do Pontal do Triângulo Mineiro Capinópolis, MG 1998/2000. Tratamentos Comprimento (SL-2,5% mm) Uniformidade (%) Micronaire (u/pol) Resistência (gf/tex) Ano 1998/99 27,6b (1) 46,0b 3,7a 19,8a 1999/00 28,7a 47,7a 3,6b 19,3b Épocas Segunda quinzena de outubro 27,7c 46,9a 4,0a 19,6ab Primeira quinzena de novembro 27,7c 46,3a 3,8b 19,1b Segunda quinzena de novembro 29,2a 47,0a 3,6c 20,2a Primeira quinzena de dezembro 27,7c 46,8a 3,4d 20,0a Segunda quinzena de dezembro 28,5b 47,1a 3,3a 19,0b Cultivar Alva 28,4b 46,5b 3,4c 20,3a Liça 27,1c 47,1ab 3,3c 18,7c EPAMIG Precoce-1 28,2b 47,4a 4,1a 19,7b Redenção 28,9a 46,4b 3,7b 19,6b Média Geral 28,2 46,8 3,6 19,6 C. V. (%) 2,91 3,05 7,05 7,10 (*) Valores seguidos pela mesma letra e na mesma coluna, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey a 5% 5

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS BOLONHEZI, D.; ATHAYDE,, M. L. F.; FUZATTO, M. G.; BOLONHEZI, A.C.; BORTOLETTO, N.; CASTRO, J. L.; DE SORDI, G. Produção de algodão em caroço de três variedades de algodoeiro herbáceos semeados em diferentes épocas e locais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO, 2., Ribeirão Preto. Anais... Campina Grande: EMBRAPA-CNPA, p LACA-BUENDÍA, J. P.; CARDOSO NETO, L. Estudo de época de plantio com cultivares de ciclo precoce de algodão herbáceo na região do Triângulo Mineiro. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO, 1., Fortaleza, Anais... Campina Grande: EMBRAPA-CNPA, p LACA-BUENDÍA, J. P.; FARIA, R. S. Estudo de épocas de plantio x cultivares de algodão herbáceo (G. hirsutum L. var. latifolium Hutch.) no Norte de Minas. In: EPAMIG (Belo horizonte, MG). Projeto algodão: Relatório 1980/92,. Belo Horizonte: 1997c p LACA-BUENDÍA, J. P.; SILVA FILHO, P.V.; NETO, L. C. Estudo de épocas de plantio x cultivares de algodão herbáceo (G. hirsutum L. var. latifolium Hutch.) no Triangulo Mineiro. In: EPAMIG (Belo Horizonte, MG). Projeto algodão: relatório 1980/92. Belo Horizonte, 1997b p LACA-BUENDÍA, J. P. Aspectos culturais do algodão. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 15, n. 166, p , PAIVA, M. B. de; LACA-BUENDÍA, J. P. Avaliação econômica da cultura do algodoeiro: região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Belo Horizonte: EPAMIG, p. (EPAMIG. Boletim Técnico, 38) 6

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