ÉPOCAS DE SEMEADURA DO ALGODOEIRO HERBÁCEO DE CICLO PRECOCE NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA *

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1 ÉPOCAS DE SEMEADURA DO ALGODOEIRO HERBÁCEO DE CICLO PRECOCE NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA * Michelle de Oliveira Lima 1, Julio C. Viglioni Penna 2, Julio P. Laca-Buendía 3, Joel Fallieri 4, Petrônio José da Silva 5 (1) UFU (2) UFU, Uberlândia, MG (3) EPAMIG/CTTP/FEGT, Caixa Postal Uberaba, MG com.br (4) EPAMIG/CTTP/FEGT, Caixa Postal Uberaba, MG (5) EPAMIG/CTTP/FEGT, Caixa Postal Uberaba, MG RESUMO Com o objetivo de avaliar a influência da época de semeadura na produtividade e características agronômicas de cultivares de algodão herbáceo de ciclo precoce, foi conduzidos um ensaio em Uberlândia, com quatro épocas: 25/10/01, 10/11/01, 29/11/01 e 15/12/01 (parcelas) e três cultivares precoces: EPAMIG PRECOCE 1, HDC e HDC (sub-parcelas), espaçadas a 0,90 m sendo a área útil constituída de 9,0 m 2. Foram encontradas diferenças significativas entre as cultivares, para as variáveis porcentagem de fibra e precocidade, onde a HDC apresentou maior média para as duas características, 40,0 e 68,7, respectivamente. Já as menores médias foram da HDC , 37,9 e 67,9. Para altura de planta, peso de capulho, produtividade, peso de 100 sementes e índice de fibra, não foram detectadas diferenças estatísticas significativas entre os tratamentos testados. Quanto à produtividade de algodão em caroço, podemos afirmar que não houve diferença significativa entre as épocas de semeadura e as produtividades obtidas. As características da fibra, micronaire, comprimento da fibra, uniformidade da fibra, resistência da fibra, índice de alongamento e índice de fibras curtas, não foram afetadas pelas épocas de plantio, bem como nas cultivares estudadas. INTRODUÇÃO Além da época de colheita, a época de semeadura também pode ser manuseada, com vistas a melhorar o rendimento do algodoeiro em cultivo de sequeiro (Beltrão, 1997).A não observância das recomendações quanto às épocas de plantio, contribui para uma série de problemas na cultura, principalmente por causar queda expressiva na produção e maior infestação de pragas tardias, com sérios danos à cultura e seus subprodutos, além de exigir um maior número de tratamentos fitossanitários, o que eleva o custo de produção (Laca-Buendia e Faria, 1978). Por outro lado, o plantio precoce da cultura pode submetê-la à falta de umidade e às baixas temperaturas, comprometendo a sua germinação e o seu desenvolvimento inicial. Neste caso, o ataque de pragas e doenças é mais intenso, além do fato da colheita coincidir com o período chuvoso, com dano para a qualidade da fibra, conforme Righi et. al. e Woodruff et al., citados por Laca-Buendia (1990). Já o plantio tardio é prejudicial pois, reduz a produção, favorece a ocorrência de pragas (lagartas e bicudo) e doenças (ramulose) e as baixas temperaturas por ocasião da abertura dos capulhos, retardam a colheita. O objetivo deste trabalho foi verificar a viabilidades destes cultivares de ciclo precoce no município de Uberlândia, estabelecendo assim as melhores épocas de semeadura para cada um deles. * Trabalho desenvolvido em parceria com a EPAMIG e financiado pela FAPEMIG 1

2 MATERIAL E MÉTODOS Durante o ano agrícola de 2000/2001, foi realizado um experimento de campo, na Fazenda da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Uberlândia, assim caracterizado: 890 m de altitude, latitude ' 23"S e longitude ' 19" W. O delineamento experimental usado foi o de blocos casualizados, em esquema de parcelas subdivididas, sendo as parcelas as épocas e as sub-parcelas os genótipos: EPAMIG Precoce-1, HD (C ) e HD (C ), com seis épocas de plantios: 25/10/2001; 10/11/2001; 29/11/2001; 15/12/2001; 29/12/2001 e 12/01/2002, repetidos quatro vezes. As parcelas foram constituídas por quatro fileiras de 5,00 m de comprimento, com quatro fileiras de 0,90 m de espaçamento entre elas. Por ocasião da colheita foram colhidas as duas fileiras centrais de cada sub-parcela com área útil de 9,0 m 2. A adubação de plantio foi de 450 kg/ha da fórmula 4:30:16 de NKP e uma adubação de cobertura 150 kg/ha com sulfato de amônia, realizada após 20 dias da emergência em cada época estudada. Quando as plantas atingiram 50% de abertura de capulhos iniciou-se a colheita manual, realizando-se a pesagem do algodão em caroço da área útil de cada sub-parcela. Por ocasião da colheita foi determinado o número de plantas da área útil (duas fileiras centrais completas) e medido a altura de 10 plantas, ao acaso, dentro da área útil de cada sub-parcela. Retirou-se uma amostra de 20 capulhos do terço médio das plantas de cada sub-parcela estudada, para avaliação do peso de 100 sementes, peso de 1 capulho, percentagem de fibra e índice de fibra. RESULTADOS E DISCUSSÃO Para a variável na produção de algodão em caroço, não foram encontradas diferenças estatísticas entre as épocas nem entre os genótipos avaliados, sendo que a cultivar de melhor rendimento foi a EPAMIG- Precoce-1, com 1433 kg/ha. Para as épocas realizadas em 29/11, 10/11 e 25/10, as produções alcançadas foram: 1602 kg/ha, 1481 kg/ha e 1375 kg/ha, respectivamente, o que confirma os resultados obtidos por Laca-Buendía e Cardoso Neto (1997) e Bolonhezi et al. (1999) (Tabela 1). Para a variável altura de planta, constatou-se que os genótipos não diferenciaram entre si e que as menores médias ocorreram com as épocas de plantios mais tardias ou sejam entre 29/11 e 15/12. Estas últimas médias não diferenciaram entre si, mas, diferiram entre as primeiras épocas. Nas avaliações por ocasião da colheita para as variáveis número de plantas, precocidade, e índice de fibra, nenhum fator principal nem interação foi significativo na ANOVA. Com referência as percentagens de fibra foram encontradas diferenças entre os genótipos, sendo que o HDC , foi o que apresentou a maior percentagem de fibra (40 %) (Tabela 1). Nas características tecnológicas da fibra (finura, comprimento, uniformidade, resistência, alongamento e fibras curtas), não foram detectadas diferenças estatísticas entre as cultivares e as épocas de plantio estudadas (Tabela 2). CONCLUSÕES Os genótipos tratados não diferiram entre si quanto a produção de algodão em caroço. As épocas de plantio não interferiram na produção de algodão. Nem os genótipos nem as épocas de plantio, interferiram na qualidade intrínseca da fibra do algodão. 2

3 Tabela 1- Resultados médios obtidos no ensaio de época de plantio do algodoeiro herbáceo de ciclo precoce em solos sob Cerrado. Uberlândia, MG Tratamentos Número de plantas Produção (kg/ha) Altura de planta (cm) Precocidade Peso de capulho (g) Peso de100 sementes (g) Índice de Fibra (g) Genótipos: EPAMIG- Precoce 1 76,6a (1) 1433 a 110,0a 66,3 a 4,9 a 9,7 a 6,3 a 38,6 b HDC ,7a 1368 a 111,0a 67,9 a 4,7 a 9,6 a 6,1 a 37,9 b HDC ,0a 1367a 106,5 a 68,7 a 4,0 a 9,3 a 6,4 a 40,0 a Épocas: 25/10 86,5 a 1375 a 125,7 a 67,8 a 5,0 a 9,6ab 6,4 a 39,0 a 10/11 84,58 a 1481 a 121,0 a 67,8 a 4,6 a 9,4ab 5,9 a 38,3 a 29/11 70,92 a 1602 a 93,7 b 67,6 a 4,8 a 9,6a 6,3 a 38,8 a 15/12 50,42 a 1099 a 97,3 b 67,3 a 5,1 b 9,7b 6,5 a 39,2 a Média Geral 73, ,4 67,6 4,9 9,6 6,3 38,8 (1) Valores seguidos pela mesma letra não diferem significativamente, a 5% de probabilidade pelo Teste de Tukey. % de fibra 3

4 Tabela 2- Resultados médios das características tecnológicas da fibra obtidos no ensaio de épocas de plantio de algodoeiro herbáceo de cultivares de ciclo em solos sob Cerrado. Uberlândia, MG Tratamentos Micronaire (u/pol) Comprimento (SL-2,5% mm) Uniformidade Resistência (g/tex) Alongamento Fibras curtas Genótipos EPAMIG- Precoce 1 3,62a 26,52a 79,78a 25,69a 10,58a 12,50a HDC ,56a 26,13a 78,98a 25,56a 10,73a 12,88a HDC ,44a 26,02a 79,58a 25,76a 10,99a 12,37a Épocas: 25/10 3,33a 25,98a 79,78a 26,17a 11,13a 12,04a 10/11 3,45a 26,06a 79,54a 26,60a 11,58a 12,31a 29/11 3,72a 26,40a 78,96a 24,64a 10,58a 12,83a 15/12 3,65a 26,47a 79,48a 25,26a 9,78a 13,14a Média Geral 3,54 26,23 79,44 25,67 10,77 12,58 (1) Valores seguidos pela mesma letra não diferem significativamente, a 5% de probabilidade pelo Teste de Tukey. 4

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS BOLONHEZI, D.; ATHAYDE,, M. L. F.; FUZATTO, M. G.; BOLONHEZI, A.C.; BORTOLETTO, N.; CASTRO, J. L.; DE SORDI, G. Produção de algodão em caroço de três variedades de algodoeiro herbáceos semeados em diferentes épocas e locais. CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO, 2., Ribeirão Preto. Anais...Campina Grande: EMBRAPA-CNPA,1999.p BELTRÃO, N. E. de M. Caracterização de sistemas e tecnologia de cultivo para a cotonicultura herbácea com ênfase para o Norte de Minas Gerais. Campina Grande: EMBRAPA-CNPA, p (EMBRAPA-CNPA. Documentos, 55). LACA-BUENDÍA, J. P.; FARIA, R. S. De. Estudo de plantio x cultivares de plantio de algodão herbáceo (G. hirsutum L. var. latifolium Hutch.) no Norte de Minas. In: EPAMIG. Projeto algodão: relatório 1980/ p LACA-BUENDÍA, J.P.; Aspectos culturais do algodão. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 15, n. 166, p , LACA-BUENDÍA, J. P.; CARDOSO NETO, L. Estudo de época de plantio com cultivares de ciclo precoce de algodão herbáceo na região do Triângulo Mineiro. CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO, 1., Fortaleza, Anais... Campina Grande: EMBRAPA-CNPA, p

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