VIABILIDADE DO TRIGO CULTIVADO NO VERÃO DO BRASIL CENTRAL

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1 VIABILIDADE DO TRIGO CULTIVADO NO VERÃO DO BRASIL CENTRAL Auri Fernando de Moraes 1, Alexandre Pereira Bonfá 1, Walter Quadros Ribeiro Júnior 2, Maria Lucrécia Gerosa Ramos 3, Júlio César Albrecht 2, Renato Fernando Amábile 2 ( 1 Upis-Faculdades Integradas, Campus II, 2 Embrapa Cerrados/Embrapa Trigo BR 020, Km 18, Caixa Postal 08223, Planaltina, DF. 3 Universidade de Brasília.) Palavras Chave: Triticum aestivum, Cerrado, Calor, Genótipos. Introdução O Brasil é um grande importador de trigo (5 a 8 milhões de toneladas anuais). No país cultivam-se anualmente aproximadamente três milhões de hectares, sendo a grande maioria no sul do país. A região Central do Brasil tem participado principalmente com o trigo irrigado plantado no inverno, com alta produtividade (5/6 toneladas. ha) e área limitada devido à competição com outros cultivos de alto retorno como o feijão. O trigo safrinha no Brasil Central, praticamente desapareceu devido aos freqüentes veranícos, doenças (principalmente brusone) e competição com milho safrinha e sorgo. Uma opção adicional e não tradicional seria o trigo nas águas (verão), que teoricamente não seria viável, principalmente devido à alta temperatura e umidade, mas que se viabilizada poderia diminuir esta importação. O objetivo do presente trabalho seria testar a viabilidade do trigo de verão, no Brasil Central. Material e Métodos Foram utilizados inicialmente nove genótipos de trigo, sendo quatro materiais de sequeiro (BH1146, BR18, BRS234 e EMBRAPA21) e cinco materiais irrigados (EMBRAPA22, EMBRAPA42, BRS207, BRS254 e BRS264).O experimento foi conduzido no campo experimental da Embrapa Cerrados, o delineamento utilizado foi o de blocos ao acaso, com três repetições, a unidade experimental utilizada foi constituída de parcelas de quatro metros de comprimento, contendo quatro linhas de trigo espaçados vinte centímetros entre si, totalizando uma área de 3,2 metros quadrados cada parcela. Durante o ciclo da cultura foram realizadas avaliações de campo, com a análise dos seguintes parâmetros: Produtividade, Ciclo, incidência de doenças foliares, principalmente manchas foliares e brusone, adaptação a época de plantio e altura de inserção de

2 espigas. O experimento foi conduzido sem nenhum tipo de irrigação complementar, e sem controle de doenças ou pragas. A colheita foi realizada com procedimento manual e posterior trilhagem dos materiais. Outros 3 experimentos similares, foram conduzidos no ano subsequente, na Embrapa Cerrados e UnB, embora com menos materiais e introduçao de dois materiais não testados no primeiro ano. Resultados e Discussão Os resultados iniciais estão ilustrados nas tabelas 1 e 2: Tabela 1: Produtividade, Peso Hectolítrico, Peso de Mil Grãos, Grau de Incidência de Brusone e Manchas Foliares: Cultivar Produtividade PH PMG Brusone Manchas BH A 73, E AB < ,3 2 BR AB < ,3 3,3 BRS A 67,8 21 3,7 1 E BC < ,7 4,7 E42 824C < ,7 3,3 BRS BC < nd BRS BC < ,3 2,3 BRS BC < *As colunas com letras diferentes diferem estatisticamente entre si no teste de tukey a 5% de probabilidade. *CV 22,29% Tabela 2: Grau de adaptação das cultivares, Altura de Inserção de Espigas e Ciclo das Cultivares: Cultivar Adaptação A.I.E. Ciclo BH1146 7,7 64,5A Tardio+ E21 7,3 64,5A Tardio BR ,4AB Tardio BRS ,3A Tardio+ E22 4,7 44.2C Precoce E42 3,3 45,5BC Precoce BRS264 nd 48,4BC Precoce+ BRS207 6,3 47,8BC Precoce BRS254 5,3 47,8BC Precoce *nd: não detectado.

3 * As colunas com letras diferentes diferem estatisticamente entre si no teste de tukey a 5% de probabilidade. *CV 7,18% As produtividades obtidas nos materiais desenvolvidas para a safrinha, foram maiores que as produtividades obtidas por materiais desenvolvidos para plantio de inverno (Tabela 1) principalmente BH1146 e BRS234. Esta maior produtividade pode ser explicada devido a uma provável tolerância ao calor. Os dois materiais mais produtivos também apresentaram maior Peso Hectolítrico, principalmente BH1146 que se enquadraria nos requisitos exigidos pela indústria de panificação (mínimo 70 %). Este genótipo adicionalmente mostrou maior peso de mil grãos, o que aumentaria a eficiência de extração de farinha, embora o genótipo BRS254 que obteve menor produtividade também tenha se destacado quanto ao PMG. Com exceção dos genótipos BRS207 e Embrapa21, fica claro a tendência dos materiais de sequeiro apresentarem menor incidência de brusone, tendência essa que não se repetiu para manchas foliares. Deve-se ressaltar que não ocorreram aplicações de fungicidas que poderiam pelo menos atenuar o efeito das enfermidades. Outro parâmetro analisado foi a altura de Inserção de espigas (A.I.E.), no qual nota-se uma tendência de maior altura nos materiais de sequeiro (Tabela 2), o que pode ser devido ä maior adaptação destes materiais a esta época de plantio não tradicional, do que genótipos desenvolvidos para o período de inverno. Quanto à análise de ciclo de cada cultivar, observou-se uma tendência dos materiais irrigados em diminuir o ciclo, provavelmente devido à questão de ocorrência de temperaturas médias mais elevadas durante o período de realização do experimento. Isso não ocorreu com os materiais desenvolvidos para sequeiro, que devido a mair adaptação ao calor não diminuiram o ciclo tão bruscamente quanto aos materiais de inverno (Tabela 2). Um fator que deve ser analisado é a obtenção de valores de PH relativamente altos para a época considerada chuvosa, em dois materiais mostrados na tabela 1(BH1146 e BRS234). Isto pode estar relacionado com a a questão climática atípica, ocorrida no ano de realização do experimento, que seria a finalização das chuvas antes do período normal para a região. Foram executados outros trabalhos similares realizados em ano subsequente, sendo um experimento realizado no campus experimental da UNB (Universidade de Brasília), utilizando os dois genótipos que apresentaram melhores resultados no experimento anterior, as cultivares BH1146 e BRS234 (Tabela 3). Outros dois experimentos no campo experimental da Embrapa

4 Cerrados. Um dos experimentos foi feito utilizando apenas dois genótipos de sequeiro (ALIANÇA e BH1146) (Tabela 4), e outro experimento foram utilizados 5 materiais, sendo 3 materiais de sequeiro (ALIANÇA, BH1146 BRS234) e dois materiais do sul (FIGUEIRA e FRONTANA) (Tabela 5). Tabela 3: Experimento realizado no campus experimental da UNB, em plantio de verão. Repetição BH1146 BRS234 Média kg/ha Observando os resultados deste experimento, ocorreu produtividade similar entre os materiais (BH1146 e BRS234), embora a incidencia de manchas foliares tenham limitado a produtividade de ambos, o que explica a baixa produtividade obtida.(tabela 3). Tabela 4: Experimento realizado no campo experimental da Embrapa Cerrados, em 2007/08 em plantio de verão. Genótipo Média kg/ha. Aliança 1597 BH No experimento conduzido na Embrapa Cerrados, apesar do aparecimento de brusone,, observou-se uma maior produtividade do material (BH1146 e Aliança), comparado com o experimento conduzido na UnB. Tabela 5: Experimento realizado no campo experimental da Embrapa Cerrados, em 2007/08 em plantio de verão. Genótipo Média kg/ha. Aliança 1103 BH BRS BRS Figueira 523 Frontana 1209 Finalmente, considerando os resultados do quarto e último experimento (Tabelo 5), pode-se observar uma diferença quanto à produtividade entre os materiais de sequeiro (Aliança, BH1146 e

5 BRS234), um material desenvolvido para a região sul do Brasil(BRS Figueira) com duplo propósito (forragem e grãos) e um material antigo e tradicional inicialmente desenvolvido para a região sul (Frontana), mas com adaptação ao Brasil Central. A cultivar BRS Figueira, desenvolvida para o Sul do país, apresentou menor produtividade em relação as demais culivares, fato que se explica devido a baixa adaptação do material ao clima presente na região do experimento, resultando em alteração do ciclo, fazendo com que a planta permanecesse em estágio vegetativo por mais tempo, tendo menor período de produção de grãos em relação aos demais genótipos. Conclusões Os resultados obtidos com estes experimentos mostraram que o cultivo de trigo de sequeiro na região do Brasil Central demonstraram grande potencial, com valores muito variáveis. Portanto, faz-se necessário novos experimentos que comprovem a viabilidade de seu cultivo na região do Brasil Central. Referências Bibliográficas Reunião da Comissão Centro Brasileira de Pesquisa de Trigo (13.:2004: Goiânia, GO). Informações Técnicas para a Cultura do Trigo na Região do Brasil Central: Safras 2005 e Santo Antonio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão; Planaltina, DF: Embrapa Cerrados; Passo Fundo: Embrapa Trigo, p. (Documentos / Embrapa Arroz e Feijão 173)

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