ENSAIO REGIONAL DE LINHAGENS E CULTIVARES DE ALGODÃO HERBÁCEO DO NORDESTE

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1 ENSAIO REGIONAL DE LINHAGENS E CULTIVARES DE ALGODÃO HERBÁCEO DO NORDESTE Gildo Pereira de Araújo (URCA / Francisco das Chagas Vidal Neto (Embrapa Algodão), Francisco de Assis Leite de Pinho Filho (CENTEC), Eleusio Curvelo Freire (Embrapa Algodão), Silas Barros de Alencar (CENTEC), Francisco Pereira de Andrade (Embrapa Algodão), José Wellington dos Santos (Embrapa Algodão). RESUMO Através do seu programa de melhoramento genético a Embrapa Algodão está sistemática e continuamente desenvolvendo cultivares, visando atender à evolução das demandas da Cadeia Produtiva do algodão na Região Nordeste do Brasil. Os ensaios regionais de competição constituem a etapa final do processo de melhoramento, em que as melhores linhagens eleitas e com potencial para comercialização são comparadas com cultivares comerciais em uso pelos produtores, em relação às características agronômicas e propriedades da fibra. Nesses ensaios as linhagens promissoras são avaliadas sob o delineamento de estatísticos específicos, o que possibilita a realização da análise conjunta e o estudo das interações genótipo x ambiente. O ensaio foi conduzido em sequeiro no delineamento de blocos ao acaso com 10 tratamentos e 4 repetições. As linhagens CNPA , CNPA e CNPA apresentaram as produtividades e rendimento de fibra, além de boas características da fibra, enquanto a CNPA foi a mais precoce. Palavras-chave: algodão herbáceo, linhagens. INTRODUÇÃO O programa de Melhoramento Genético do Algodão de fibra média para o Nordeste, desenvolvido pela Embrapa Algodão, visa à obtenção de cultivares adaptadas à Região, que apresentem elevada produtividade, bom rendimento de fibra, precocidade, resistência à seca e propriedades da fibra, em conformidade com as exigências da indústria têxtil. Este programa gera, avalia e seleciona anualmente centenas de novos genótipos, progênies e linhagens, que têm como destino final os ensaios de competição com cultivares comerciais adaptadas, em que as linhagens promissoras são avaliadas em ensaios com delineamento estatístico, de modo a possibilitar a realização da análise conjunta e o estudo das interações genótipo x ambiente (PHOELMAN, e SLEPER, 1995). No ensaio foram avaliadas variáveis relacionadas com o desempenho agronômico, bem como as características da fibra determinantes para a aceitação nos segmentos da cadeia produtiva que, segundo Beltrão e Santana (2.002), devem enquadrar-se nos seguintes valores: comprimento médio (SL 2,5% mm) superior a 29 mm ; finura - 3,8 a 4,2 de I.M.; resistência acima de 28 gf/tex; fiabilidade superior a 2100 e elevada reflectância. MATERIAL E MÉTODOS

2 O ensaio foi conduzido no Campo Experimental da Embrapa Algodão, localizado no município Missão Velha, estado do Ceará, em solo aluvial, em sequeiro, no ano de A adubação foi realizada com base na fórmula 90:60:20 e as demais práticas culturais e fitossanitárias, de acordo com as recomendações regionais para a cultura. Foram avaliadas sete linhagens, em relação às testemunhas BRS 201 e BRS Camaçari, sob o delineamento de blocos ao acaso, com quatro repetições. A área útil das parcelas constou de 4 fileiras de 5m de comprimento, espaçadas de 0,9m. A densidade de plantio foi de oito plantas por metro linear de fileira. Para efeito de avaliação foram computadas as seguintes variáveis agronômicas e da qualidade da fibra: peso médio de capulho (g), porcentagem de fibra (%), produtividade de algodão em rama (kg/ha), aparecimento da primeira flor (dias), aparecimento do primeiro capulho (dias), índice de fiabilidade, resistência (gf/tex), elongação (%), comprimento SL 2,5% (mm), uniformidade de comprimento (%), micronaire (µg/pol) e índice de fibras curtas (%). As características da fibra foram determinadas em HVI pertencente ao Laboratório de Fibras da Embrapa Algodão. RESULTADOS E DISCUSSÃO Em relação às características agronômicas, observa-se que houve diferença significativa entre tratamentos apenas para peso de capulho, onde todas as linhagens apresentaram peso médio de capulho maior que 5g, que é o desejável, de acordo com Freire e Costa (1.999). A linhagem CNPA apresentou o maior peso médio de capulho (7,3g) (Tab. 1). As produtividades foram consideradas muito boas e apesar de não haver diferenças significativas entre os materiais, podemos destacar as linhagens CNPA , CNPA e CNPA , com valores superiores à melhor testemunha (BRS Camaçari), em mais de 10%. Tabela 1. Valores médios das características agronômicas de linhagens de algodoeiro do ensaio regional nordeste de fibras médias. Peso do Porcentagem Produtividad Primeira Primeiro TRATAMENTOS capulho (g) de fibra (%) e (kg/ha) Flor (dias) capulho (dias) BRS dc 37.2 a a 44.7 a 97.7 a BRS CAMAÇARI 7.0 ab 37.4 a a 43.7 a 97.2 a CNPA abc 36.6 a a 42.7 a 95.7 a CNPA dbc 37.9 a a 44.0 a 96.2 a CNPA dbc 37.7 a a 44.5 a 98.0 a CNPA d 39.4 a a 43.0 a 97.0 a CNPA a 36.3 a a 44.7 a 99.0 a CNPA ab 36.1 a a 43.2 a 95.0 a CNPA bc 36.3 a a 42.7 a 93.2 a MÉDIA CV F * Valores seguidos da mesma letra, em cada coluna, não diferem significativamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

3 Quanto às características da fibra, as linhagens apresentaram valores gerais dentro dos padrões exigidos pelo mercado, de acordo com Beltrão e Santana (2.002), com destaque para a CNPA e CNPA , que apresentaram os maiores índices de fiabilidade(tab. 2).

4 Tabela 2. Valores médios das características da fibra de algodoeiro, de linhagens do ensaio regional nordeste de fibras médias. TRATAMENTOS Fiabilidade Resistência (gf/tex) Alongamento (%) Comprimento SL 2,5% (mm) Uniformidade de comprimento Micronaire (µg/pol) BRS b 31.6 b 7.9 a 31.1 a 85.4 ab 4.3 ab 5.8 a BRS CAMAÇARI b 34.7 ab 7.1 ab 30.9 a 85.0 ab 4.6 ab 5.7 a CNPA b 33.4 ab 6.7 b 31.2 a 85.9 ab 4.6 a 5.4 a CNPA ab 34.7 ab 7.3 ab 31.5 a 86.7 ab 4.2 ab 5.1 a CNPA ab 34.9 ab 6.7 b 32.0 a 86.0 ab 4.4 ab 5.0 a CNPA ab 34.6 ab 7.2 ab 31.2 a 86.3 ab 4.2 ab 5.4 a CNPA b 33.2 ab 7.2 ab 30.9 a 84.2 b 3.9 b 6.2 a CNPA ab 33.4 ab 7.2 ab 31.4 a 86.7 ab 4.2 ab 4.6 a CNPA a 35.4 a 6.7 b 31.3 a 87.1 a 4.0 ab 4.6 a MÉDIA CV F * Valores seguidos da mesma letra, em cada coluna, não diferem significativamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Índice de fibras curtas (%)

5 Todas as linhagens possuem resistência da fibra forte a muito forte, com destaque para as linhagens CNPA 97 77, CNPA , CNPA e CNPA que, juntamente com a testemunha BRS Camaçari, que possuem fibra classificada como muito forte (COSTA et al., 2005). Em relação ao alongamento, apenas as linhagens CNPA , CNPA e CNPA não atingiram a classificação alta (6,8%) de acordo com Costa et al. (2005). As linhagens CNPA , CNPA , CNPA , CNPA e CNPA destacaram-se quanto ao comprimento da fibra que ficou na faixa de fibra longa (> 31 mm). Com exceção da linhagem CNPA , todas as demais apresentaram índices de fibras curtas (SFI) classificados como muito baixos. Todas as linhagens, menos a CNPA , que apresentou fibra fina (micronaire - 3,0 a 3,9µg/in), apresentaram fibra de finura média (micronaire - 4,0 a 4,9µg/in). A linhagem CNPA possui uniformidade da fibra na classe alta (83 a 85 %UI) enquanto as demais possuem uniformidade de comprimento muito alta. Apesar de ser uma linhagem oriunda do cruzamento entre os algodoeiros herbáceo e arbóreo, e destinada ao cultivo em ciclo semiperene (três anos), a linhagem CNPA destacou-se pela precocidade em relação à floração e abertura de capulhos e equilíbrio das características da fibra. CONCLUSÃO As linhagens CNPA , CNPA e CNPA destacaram-se nos aspectos agronômicos e da fibra, enquanto a CNPA destacou-se também pela precocidade e melhor equilíbrio das características da fibra, além de produtividade e porcentagem de fibra compatíveis com o cultivo semi-perene. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BELTRÃO, N.E. de M.; SANTANA, J.C.F. de. Atualidade algodoeira no Brasil e no mundo. Bahia Agric., v.5, n.1, p , set COSTA, J.N. da; ALMEIDA, F. de A.C.; SANTANA, J.C.F. de; COSTA, I.L.L. da; WANDERLEY, M.J.R.; SANTANA, J.C. da S. Técnicas de colheita, processamento e armazenamento do algodão. Campina Grande: Embrapa Algodão, p (Embrapa Algodão. Circular Técnica, 87). FREIRE, E.C.; COSTA, J.N. da. Objetivos e métodos utilizados nos programas de melhoramento do algodão no Brasil. In: BELTRÃO, N.E. de M. (Org.) O agronegócio do algodão no Brasil. Brasília: Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia, v.1, p POHELMAN, J.M.; SLEPER, D.A. Breeding field crops. Iowa: Iowa State University Press, 4 ed p.

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