UNIVERSIDADE E ESCOLA: parceria na formação de professores na perspectiva do letramento 1

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1 UNIVERSIDADE E ESCOLA: parceria na formação de professores na perspectiva do letramento 1 Magna Maria Jesus Bueno, Aldelicia Batista dos Santos, Giselle Ribeiro da Silva 1, Cleonice Maria Cruz de Oliveira 2, Maria de Lourdes L. Araújo Licenciandas, Bolsistas de Iniciação à Docência do PIBID, Subprojeto Formação de Professores na Perspectiva do Letramento, curso de Letras, UEG-Campus de Jussara-GO. 2- Coordenadora de Área do PIBID, Subprojeto Formação de Professores na Perspectiva do Letramento, UEG-Campus Jussara, curso de Letras, 3- Docente Supervisora do Colégio Estadual Jandira Ponciano dos Passos de Jussara-GO I - Introdução O subprojeto Formação de Professores na perspectiva do Letramento integrante do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência, doravante PIBID, desenvolvido na Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Jussara, juntamente com a Escola Campo Colégio Estadual Jandira Ponciano dos Passos, no Ensino Fundamental de 6º ao 9º ano, é realizado em forma de monitoramento e apoio pedagógico à professora supervisora, graduada em Língua Portuguesa/Inglesa e suas respectivas literaturas com especialização em Língua Inglesa e Inclusão. O presente trabalho terá enfoque nas monitorias em sala de aula, por meio dessas observações é possível se ter uma percepção do dia-a-dia na escola, de maneira que ao longo 1 Trabalho apresentado com resultados parciais do subprojeto Formação de Professores na Perspectiva do Letramento do curso de Letras UEG, campus de Jussara-GO. 1

2 das atividades é permitido que as monitoras auxiliem a professora no processo de ensinoaprendizagem. Há momentos específicos em que a ação destina-se aos alunos com mais dificuldade na aquisição e ampliação da competência leitora e escritora. II Desenvolvimento A monitoria é uma atividade que coloca o acadêmico em interação com atividades didáticas. Para Libâneo (1996, p 28) [...] didática se caracteriza como mediação entre as bases teórico-científicas da educação escolar e a prática docente. Desta forma, as atividades didáticas estabelecem relações entre o ensino e a aprendizagem. Essa rotina de ensino, como preparo de aulas e postura frente as mais diversas situações encontradas na docência, serve como base sólida para aqueles que desejam seguir carreira docente. De maneira muito especial, a monitoria é vista pelos bolsistas como forma de motivar e incentivar o estudo e ter como consequência sucesso no rendimento escolar do aluno, esta deve ser compreendida como uma forma de intervir que envolve tanto alunos quanto professores, como também uma maneira de modificar o sentido individualista do trabalho educativo. Partindo do princípio de que a aprendizagem acontece pela interação e pela relação com outros alunos e professores, ou seja, havendo comunicação em sala de aula, o conhecimento pode estar em constante construção, pois a troca de experiências é de grande importância para ampliar os saberes e práticas educativas. As monitorias que ocupam boa parte da carga horária mensal do subprojeto, contribui com a professora titular da escola-campo, nesse processo pode-se observar e vivenciar a pratica de letramento. A professora supervisora trabalha na perspectiva do desenvolvimento da leitura e da escrita de forma competente, colaborando para que os indivíduos vivendo em sociedade, façam o uso dos diversos gêneros textuais. E uma das metodologias usadas pela professora em sala de aula é embasada no currículo de referência da Secretaria de Estado da Educação de Goiás, no qual defende um trabalho didáticopedagógico com gêneros textuais, em consonância com os Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1998). Os gêneros textuais são estruturas compostas por textos orais ou escritos, com objetivos de mediar situações comunicativas na sociedade, para desenvolver as 2

3 habilidades e competências dos alunos, de forma que proporciona o exercício pleno da linguagem verbal e escrita, por meio das quais os indivíduos se interagem. E como a aprendizagem sistematizada da Língua portuguesa é uma das possibilidades que o aluno tem de aumentar a sua eficácia em relação ao uso da leitura e escrita, pode-se dizer que, o ensino-aprendizado dos gêneros textuais aumenta as possibilidades dos diversos discursos apoiado na prática dos diversos textos que circulam socialmente. Portanto, faz-se necessário fazer uso dos gêneros textuais nas mais variadas situações de ensino. Por isso é de grande relevância a escola trabalhar com os gêneros que estejam ligados ao cotidiano social e escolar, dando oportunidade para que os alunos tenham a chance de conhecerem suas variedades. Segundo PCN, Deve- se considerar que a inclusão da heterogeneidade textual não pode ficar refém de uma prática estrangulada na homogeneidade de tratamento didático, que submete a um mesmo roteiro cristalizado de abordagem de notícia, um artigo de divulgação cientifica e um poema. A diversidade não deve contemplar apenas a seleção dos textos; deve contemplar, também, a diversidade que acompanha a recepção a que os diversos textos são submetidos nas práticas sociais de leitura. ( PCN, 1998, p.26) Assim, ao fazer uso dos gêneros textuais deve ser levado em consideração que, para trabalhar com os mesmos na sala de aula, é cabível observar às razões de sua escolha, as características e as funções dos tipos de textos selecionados. Isso é essencial para elaborar um bom planejamento e para que tudo se resulte em relatos de experiências boas, possibilitando aos discentes conhecimentos que lhes serão úteis nas práticas de letramento das varias culturas e até mesmo das situações reais de uso da língua, dentro e fora da escola. Dessa maneira, no processo de ensino-aprendizagem não é o bastante disponibilizar para os alunos um amontoado de textos, que vire somente arquivos guardados, é preciso que os professores vá além dessas possibilidades, refletindo sobre as formas de utilização de cada texto de modo a observar seu contexto de uso na língua como unidade de ensino. Dar possibilidade aos alunos de ampliar os conhecimentos que possam servir de apoio às práticas sociais é formar discentes na perspectiva do Letramento, tornando os indivíduos, assim, apitos a irem além do domínio da leitura e escrita, os mesmos poderão se tornar capacitados para identificar e classificar os variados tipos de gêneros textuais como nos diz Ribeiro, (2004): 3

4 O conceito de letramento[...] na sua acepção mais ampla, que remete às habilidades de compreensão e produção de textos e aos usos socias da linguagem escrita, o letramento pode ser tomado como importante eixo articulador de todo o currículo da educação básica.[..] letramento para uma reflexão pedagógica não reside apenas no reconhecimento da centralidade da leitura e da escrita no interior da própria escola, mas principalmente no fato de que ele instiga os educadores e a sociedade de maneira geral a refletir sobre a relação entre cultura escolar e a cultura no seu conjunto, sobre as relações entre os usos escolares e os demais usos sociais da escrita.( RIBEIRO,2004, p.72) Assim, o ensino-aprendizado proporcionado aos alunos em função do letramento se torna necessário para formar indivíduos capazes de ler e interpretar os diversos gêneros textuais presentes no dia a dia. Pois a todo momento, o ser humano é surpreendido com situações de uso da leitura e da escrita que o mesmo precisa aprender a dominar, e agindo assim ele se torna um sujeito letrado, a partir do momento que consiga participar de um universo de eventos e práticas de leitura. Assim, letramento e alfabetização caminham juntos para o letramento numa dimensão social (Soares, 2006), porque querendo ou não a leitura e a escrita que se trabalha na escola, está vinculada aos acontecimentos social dos alunos. De acordo com Mortatti (2004), a alfabetização e o letramento devem andar de mãos dadas, porque apesar do letramento, numa concepção sócio histórica (Tfouni, 1994) não ser fruto da alfabetização, uma pessoa que é letrada e alfabetizada se torna mais poderosa, pois consegue fazer uso do seu conhecimento no meio social. Contudo, os alunos que aprendem a norma culta da língua, inserida nos diversos gêneros textuais têm a possibilidade de uma maior ampliação do letramento, não só pelo conhecimento das características dos gêneros, mas pelo uso que se faz deles nas diversas demandas sociais. A aprendizagem da Língua Portuguesa como está descrito nos Parâmetros Curriculares Nacionais é um direito do aluno que deve ser educado em sua língua materna, sendo o professor o mediador deste conhecimento fundamental para a compreensão da cultura, da linguagem, da oralidade, da escrita, da compreensão textual etc, ou seja, das competências linguísticas. Mas também, deve ser uma obrigação do Estado assegurar educação de qualidade. Os PCN indicam que: Essa responsabilidade é tanto maior quanto menor for o grau de letramento das comunidades em que vivem os alunos, considerando os diferentes níveis de conhecimento prévio, cabe à escola promover sua ampliação de 4

5 forma que, progressivamente durante oito anos, do ensino fundamental cada aluno seja capaz de interpretar diferentes textos que circulam socialmente, de assumir a palavra como cidadão, de produzir textos eficazes nas mais variadas situações. (BRASIL,1998, p.19) Nesta perspectiva, o objetivo do ensino de Língua Portuguesa está voltado para o letramento nos diversos gêneros textuais existentes na sociedade, criando a possibilidade ao aluno de interpretar o mundo, praticando a cidadania por meio da fala e da escrita. O monitoramento na escola campo é realizado em dupla, com essa ação pode-se aprender mais sobre a prática docente. Observando a maneira de como o professor age em sala de aula os licenciandos bolsistas vão acrescentando e ressignificando conhecimentos. Observar a postura do professor titular, as metodologias utilizadas por ele e o modo como os alunos se comportam, em relação à transposição didática, é pertinente àqueles que serão futuros professores, principalmente se após os momentos de reflexões sobre a prática didático-pedagógica. monitoria for realizado Paulo Freire, em sua Pedagogia da Autonomia, diz que [...] o educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. (FREIRE, 2006, p.26). Para garantir que a aula, seja crítica e libertadora planejamento antecipadamente. Sobre o planejamento, Libâneo (1996) coloca que, ou não, é necessário que o professor dedique-se ao O planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. O planejamento é um meio para se programar as ações docentes, mas é também um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação. (LIBÂNEO, 1996, p.221). Assim, o planejamento se caracteriza por ser uma prática que permite ao docente ter uma percepção da realidade, podendo avaliar os caminhos a ser seguidos com antecedência. Dessa forma, sendo o plano de aula bem elaborado, facilita toda ação que for desenvolvida. E essa é uma prática relevante, visto que toda ação começa por um planejamento, assim os monitores podem partir do princípio de que, [...] a ação de planejar, portanto, não se reduz ao simples preenchimento de formulários para controle administrativo; é, antes, a atividade consciente de previsão das ações docentes, fundamentadas em opções políticopedagógicas, e tendo como referência permanente as situações didáticas concretas (isto é, a problemática social, econômica, política e cultural que 5

6 envolve a escola, os professores, os alunos, os pais, a comunidade, que interagem no processo de ensino). (LIBÂNEO, 1996, p.222). O planejamento como instrumento pedagógico norteia a atividade docente, visando atingir os objetivos da aula, e é fundamental para a ampliação do conhecimento dos educandos. Para os acadêmicos de modo geral, a convivência na escola campo traz a consciência de que, fazer planos de aulas de forma mecanizada, só para cumprir com os requisitos da instituição, não tem nenhum fundamento. O correto é planejar de forma organizada, e executar o plano em sala de aula, de modo que os alunos possam assimilar o máximo dos conteúdos. Nesse sentido, planejar vai além de ser uma mera atividade, mas tem como princípio a prática do professor, o aluno como sujeito do processo e a instituição mantenedora, organizadora e avaliadora da ação educativa formal e intencional, ou seja, a escola. ( LIBÂNEO, OLIVEIRA, TOSCHI, 2003) Nessa perspectiva, as aulas monitoradas e apresentadas foram desenvolvidas com o propósito de fazer usos dos gêneros textuais, dando ênfase ao que é relativamente norteado pelo conceito de letramento, que vai mais além da simples decodificação de símbolos linguísticos, mas envolve o indivíduo de forma que o mesmo adquira conhecimentos relevantes tanto social quanto culturalmente nas diversas formas de manifestação e uso da leitura e da escrita. Para Soares (2006), O letramento é prazer, laser, é informar-se através da leitura, é buscar notícias e lazer nos jornais, é interagir com a imprensa diária, fazer uso dela, selecionando o que desperta interesse, divertindo-se com as tiras de quadrinhos. Letramento é usar a leitura para seguir instruções, para apoio a memória, apoio a comunicação com quem está distante ou ausente, é ler histórias que nos leva a lugares desconhecidos, sem que, para isso, seja necessário sair da cama, é usar a escrita para se orientar no mundo, nas ruas, é descobrir a si mesmo pela leitura e pela escrita, é entender-se, lendo ou escrevendo, é descobrir alternativas e possibilidades, descobrir o que você pode ser. (SOARES, 2006 p.42). Seguindo essa linha de raciocínio, pode se perceber que o letramento está ligado ao conjunto de competências e habilidades em que o indivíduo utiliza-se da leitura e da escrita no hábito diário de suas vidas. Levando em consideração que o letramento não é privilégio só de quem está inserido na sala de aula, mas engloba todas as pessoas em suas diferentes práticas sociais, nos mais variados contextos, sejam culturais, religiosos, econômicos, políticos etc.. 6

7 Para tanto, há inúmeras maneiras de fazer uso do letramento, principalmente relacionados a fatos do cotidiano, que vem desde saber identificar as horas em um relógio até chegar a uma opinião crítica sobre um acontecimento na sociedade. Em relação ao letramento, esse não se evidencia somente na escola. Faz parte da vida das pessoas comuns da sociedade, que na maioria das vezes nem percebem os eventos de letramentos que participam. O principal objetivo que norteia este projeto é proporcionar aos acadêmicos os conhecimentos da prática docente, visando sua formação profissional, por isso é uma fase de muita seriedade, desenvolvendo a união de seus conhecimentos e formando a identidade de um educador competente que ensina para a vida. Nessa perspectiva, busca-se o aperfeiçoamento e a qualificação da formação docente. O PIBID vem com a finalidade de apoiar acadêmicos de licenciatura, tendo como um de seus objetivos elevar a qualidade das ações acadêmicas voltadas a formação de professores. Assim, o programa promove a inserção dos formandos no cotidiano de escolas da rede pública de ensino, dando oportunidade aos mesmos de participarem e adquirem experiências na escola. As propostas pedagógicas inovadoras, ressignificadas e interdisciplinares buscam a superação de problemas identificados no processo ensino-aprendizado, tornando as escolas um espaço importante para o processo formativo dos estudantes de licenciatura, mas também proporciona que os professores titulares da instituição se tornarem co-participativos na formação dos futuros licenciados. O projeto estabelece relação entre teoria e prática na formação docente, contribui e incentiva a formação de professores para educação básica, por meio de práticas que valorizem o magistério, no intuito de oferecer uma formação de qualidade aos bolsistas, pois ao passo que estes realizam a monitoria em sala de aula, produzem as oficinas pedagógicas, vão adquirindo experiências para sua carreira profissional. O grupo de estudos sobre os gêneros textuais e letramento, proporciona a ampliação do letramento dos próprios acadêmicos. Os gêneros textuais fazem parte da realidade e muitas vezes não percebe-se seu uso fora da sala de aula. 7

8 III Considerações Finais É notório afirmar a relevância que se tem para um acadêmico de licenciatura, poder vivenciar a prática docente como experiência em monitorias à professora regente na sala de aula. As teorias assimiladas no decorrer do curso fomentam um amplo conhecimento para todos os futuros professores, porém se tiver a oportunidade de fazer uma junção da teoria com a prática os mesmos se tornam mais preparados e seguros para exercerem a profissão. Nessa perspectiva, os bolsistas do PIBID podem vivenciar práticas docentes de forma a obterem experiências que corroboram para que ao término do curso de licenciatura os mesmos possam exercerem sua profissão com mais competência, devido ao acompanhamento aos alunos em sala de aula. Tornando assim, de suma importância, os agradecimentos aos idealizadores e responsáveis pelo programa, pois o mesmo oferece oportunidades aos acadêmicos de se tornam profissionais participativos no meio educacional, durante o processo formativo, ao atuarem como mediadores de conhecimentos em sala de aula, nos momentos de monitoria. REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Educação/MEC. Terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Língua Portuguesa/ Secretária de Educação Fundamental. MEC/SEF, FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez,1996, (Coleção magistério 2 grau. Série formação do professor) LIBÂNEO, José Carlos; OLIVEIRA, João F; TOSCHI, Mirza Seabra. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. Coleção Docência em Formação. São Paulo: Cortez, MORTATTI, Maria do Rosário Longo. Educação e Letramento. São Paulo: UNESP, SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2.ed, Belo Horizonte: Autêntica,

9 RIBEIRO, Vera Masagão. Indicadores de analfabetismo. Introdução 2. Instituto Paulo Montenegro Biblioteca. Disponível em ipm.org.br. Acesso em 26 de março de TFOUNI, Leda Maria Verdiani. Letramento e Alfabetização. 5.ed. São Paulo. Cortez, (coleção: questões de nossa época, n. 47). 9

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