TOXICOMANIAS* COSTA, Priscila Sousa 1 ; VALLADARES, Ana Cláudia Afonso 2

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1 1 EFEITOS TERAPÊUTICOS DA COLAGEM EM ARTETERAPIA NAS TOXICOMANIAS* COSTA, Priscila Sousa 1 ; VALLADARES, Ana Cláudia Afonso 2 Palavras-chave: Arteterapia, Enfermagem psiquiátrica, Toxicomania, Cuidar em saúde e enfermagem. Introdução A Arteterapia é um processo terapêutico que utiliza da arte para facilitar a projeção de conteúdos emocionais internos. No processo de Arteterapia trabalhamse três eixos básicos, que são: a criação de imagens, o processo criativo e a relação da produção com o sujeito (VALLADARES, 2004). Trabalham-se diferentes modalidades expressivas com propriedades terapêuticas inerentes e específicas, por isso cabe ao arteterapeuta criar um repertório de informações relativo a cada uma delas, com o intuito de adequar essas modalidades expressivas e os materiais disponíveis às necessidades do cliente a ser atendido (PHILLIPINI, 2005). Tanto nas expressões artísticas, como também por meio da colagem, as pessoas expõem a si mesmas, isto é, todo seu contexto social, suas percepções sobre o mundo, sua identidade e imaginação (VALLADARES, 2008a). No que concerne ao efeito terapêutico da colagem, Philippini (2005) e Valladares (2008a) aduzem que separar e juntar os cacos, reordená-los, descobrir outras significações, restaurar a unicidade e reviver a beleza presente nas novas ordenações, correspondem, subjetivamente, à vivência de cortes, rupturas, reparação e reorganização-estruturação. A colagem, enfim, favorece a organização de estruturas pela junção e articulação de formas prontas; é uma atividade de baixo custo que utiliza revistas de propaganda de medicamentos e outras, como também sucatas diversas, retalhos de tecidos etc (VALLADARES, 2008b). Resumo revisado pela profª Ana Cláudia Afonso Valladares e vinculado ao projeto de extensão: A Arteterapia como auxiliar na reabilitação de dependentes químicos e no fortalecimento da parceria ensino serviço nº141 1 Aluna de graduação da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás -

2 Assim, procurou-se por meio desse estudo analisar os efeitos da colagem junto a jovens adictos internados nas sessões da Arteterapia, à luz da Psicologia Analítica. Metodologia Estudo do tipo descritivo com abordagem qualitativa, análise à luz da psicologia analítica. O estudo foi realizado na ala de dependência de drogas de um Hospital Psiquiátrico de Goiânia/GO/Brasil. A população constituiu-se de dez adultos jovens adictos hospitalizados, de ambos os gêneros. Pesquisa inserida no Núcleo de Estudos em Paradigmas Assistenciais e Qualidade de Vida (NEPAQ) da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás (FEN-UFG) no projeto de extensão A Arteterapia como auxiliar na reabilitação de dependentes químicos e no fortalecimento da parceria ensino serviço nº141. O projeto de pesquisa, sob o título de Arteterapia e dependência química, que foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (CEP/HC/UFG) sob protocolo nº 024/2009. Todos os adultos jovens dependentes de substâncias psicoativas, objeto de estudo desta pesquisa, receberam esclarecimentos sobre a pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme as normas de pesquisas com seres humanos. As intervenções de Arteterapia utilizando-se da colagem consistiram de acompanhamento coletivo realizado em duas sessões, com duração de duas horas. Durante as intervenções, foram utilizados os seguintes materiais: revistas, cola, tesoura, caixa de papelão, fios diversos. A caixa delineia, protege a projeção dos conteúdos simbólicos. As figuras de revistas são imagens já prontas, o que favorece um início de processo terapêutico. E os fios facilitam o vínculo terapêutico. O objetivo da sessão foi de trabalhar os aspectos internos e os externos do sujeito, ajudando no diagnóstico, reflexão e contextualização seus participantes.

3 Foi sugerido que cada participante trabalhasse a colagem de imagens de revistas sobre uma caixa de papelão dobrável, imagens que fossem significativas para eles e poderiam colar na parte interna e externa da caixa. No final fecharam as suas caixas contendo as imagens com os fios. Posteriormente foi proposto que eles refletissem sobre o trabalho plástico e escrevessem poemas, frases e/ou história sobre o conteúdo emocional que o material emergia sobre eles e compartilhasse de seus trabalhos e conteúdos com o grupo. As sessões foram realizadas de forma coletiva e coordenadas pela Profª Drª Ana Cláudia A. Valladares (arteterapeuta) e os alunos do 6º período de Enfermagem-UFG. Utilizaram-se a técnica de colagem e o registro fotográfico dos trabalhos, com prévia autorização da Instituição e dos autores. Na coleta dos dados, utilizaram-se as técnicas de observação direta e participante, privilegiando todo o processo da colagem a relação que o adulto jovem estabeleceu com o material e a utilização do mesmo, como forma de expressão dos seus conteúdos internos. Os dados, por sua natureza subjetiva, foram apresentados de maneira descritiva, pelas pesquisadoras, que os analisaram sob aspectos qualitativos, que levaram em consideração o processo de colagem dos adultos jovens dependentes de substâncias psicoativas. Resultados e Discussão Cada usuário trouxe uma história pessoal de conteúdos mais generalizados de suas imagens que estavam coladas, geralmente, somente do lado de fora da caixa. As imagens eram compostas dos seguintes conteúdos: as figuras humanas masculinas e femininas e cenas do cotidiano. A maioria dos usuários deixou a parte de dentro da caixa vazia, isto é, sem imagens. O vazio de dentro das caixas pode representar um vazio interno uma escuridão. O vazio interno pode significar o vazio em lidar com as questões emocionais, das relações pessoais e da intimidade. Os usuários de drogas psicoativas, de modo geral, têm dificuldades em lidar com suas próprias emoções, com seus conflitos pessoais e possivelmente por este

4 motivo tiveram dificuldades em confeccionar a parte interna da caixa, que simbolicamente também significa seus conteúdos emocionais internos. Pois a droga vai proporcionando um distanciamento de seus aspectos mais íntimos, dos seus afetos, desejos, problemas e sonhos. Os usuários vivem no paradoxo da liberdade: a fuga a impossibilidade de se viver sem alterar a realidade (OLIVENSTEINS, 1986). A Arteterapia permite este resgate na medida que eles vão criando, transformando e preenchendo o vazio interno. Do ponto de vista mental, Pain & Jarreau (2001) acrescentam que a colagem é uma atividade de análise e de síntese, com dupla ação: terapêutica e pedagógica, pois reproduz de maneira metafórica as transformações da aventura de significar (de ser significante). Ao compartilharem seus trabalhos e conteúdos com o grupo, perceberam que existia um vazio interno e que necessitava ser preenchido e trabalhado em processo terapêutico. O vazio era, freqüentemente, o disparador para o consumo abusivo das drogas. Conclusões As pessoas têm dificuldades de expressar sentimentos e emoções pela verbalização, a Arteterapia, ferramenta do cuidar em enfermagem psiquiátrica, criativa e dinâmica, favorece o processo terapêutico com pessoas com problemas com drogas. A colagem arteterapeuta pode funcionar como um meio diagnóstico importante do estado mental de seus participantes e pode ser mais bem explorado com esta clientela, além de seus efeitos terapêuticos estruturantes. Referências OLIEVENSTEIN, Claude. La vida del toxicômano. Madrid, Espanha: Fundamentos, PAIN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e prática da Arte-terapia: a compreensão do sujeito. 2.ed. Porto Alegre: Artes Médicas, PHILIPPINI, Ângela. Para entender Arteterapia: cartografias da coragem. Rio de Janeiro: WAK, VALLADARES, Ana Cláudia Afonso. A Arteterapia com criança hospitalizada: uma análise interpretativa de suas produções f. Tese (Doutorado em

5 Enfermagem Psiquiátrica) - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Área de Enfermagem Psiquiátrica, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, A Arteterapia e a reabilitação psicossocial das pessoas em sofrimento psíquico. In: VALLADARES, A. C. A. (Org.) Arteterapia no novo paradigma de atenção em saúde mental. São Paulo: Vetor, p A Arteterapia humanizando os espaços de saúde. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2008a.. Evaluación del desempeño infantil a través de la técnica del collage en Arteterapia. Rev. Científica de Arteterapia Cores da Vida, Goiânia: ABCA, v.6, n.6, p.05-15, jan./jun., 2008b.

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