PROCESSO DE PRESCRIÇÃO E CONFECÇÃO DE ÓRTESES PARA PACIENTES NEUROLÓGICOS EM UM SERVIÇO DE TERAPIA OCUPACIONAL

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1 PROCESSO DE PRESCRIÇÃO E CONFECÇÃO DE ÓRTESES PARA PACIENTES NEUROLÓGICOS EM UM SERVIÇO DE TERAPIA OCUPACIONAL Lígia Maria Presumido Braccialli. Aila Narene Dahwache Criado Rocha. Marco AurélioTeixeira Piovezanni. Aline Murari Ferraz Carlomanho. Mayara Gomes da Universidade Estadual Paulista - Faculdade de Filosofia e Ciências UNESP/MARÍLIA. Financiador: PROEX Programa de Extensão Universitária da UNESP. RESUMO Pessoas com disfunções físicas geralmente apresentam dificuldades na realização de atividades funcionais. Nesse contexto destaca-se a prescrição e confecção de recursos de tecnologia assistiva, que tem como objetivo aumentar habilidades funcionais e promover a inclusão social. Na área de reabilitação física o terapeuta ocupacional utiliza muito de órteses, que são recursos que tem como objetivo melhorar o posicionamento, manter ou aumentar a amplitude de movimento articular e permitir a função. Com base nas informações anteriores, o objetivo desse estudo é o de descrever o processo de prescrição e confecção de órteses para pacientes neurológicos em um setor de Terapia Ocupacional. Palavras-chave: Órteses. Tecnologia Assistiva. Terapia Ocupacional. I - INTRODUÇÃO Na reabilitação física diferentes recursos e intervenções podem ser utilizados visando à independência do sujeito, entre esses recursos destaca-se a Tecnologia assistiva, que tem como objetivo aumentar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e promover vida independente e inclusão (BERSCH, 2008). Sobre a atuação do terapeuta ocupacional na tecnologia assistiva Pelosi e Nunes (2009) referiram que esses recursos proporcionam ao terapeuta ocupacional estimular a função e reduzir o impacto da deficiência na realização de atividades de modo independente. Dentre os recursos de tecnologia assistiva, a órtese é um dos mais aplicados pela terapia ocupacional no processo de reabilitação (AGNELLI; TOYODA, 2003). Entende-se por órtese o dispositivo aplicado a qualquer parte do corpo, a fim de proteger estruturas reparadas, manter ou aumentar a amplitude de movimento, colaborar para o movimento quando não há força muscular suficiente, realizar a ação da força muscular ou ser base para a inserção em aparelhos de auto-ajuda (TEIXEIRA et al., 2003; CAVALCANTI; GALVÃO; 2007). As órteses podem ser classificadas quando a confecção (pré - fabricadas ou modeladas) e quando a função (estática ou dinâmicas). Os materiais utilizados para a confecção de órteses são diversos, a exemplo podemos citar os materiais poliméricos,

2 gesso, termoplásticos de alta temperatura, termoplásticos de baixa temperatura (AGNELLI, TOYODA, 2003; TEIXEIRA, et al., 2003). Este trabalho tem por objetivo caracterizar o processo de prescrição e confecção de órteses de membro superior para pacientes neurológicos de um setor de Terapia Ocupacional, nos anos de 2008, 2009 e II - MATERIAL E MÉTODO Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em uma universidade pública do interior no estado de São Paulo, no setor de Terapia Ocupacional de em um centro especializado em atendimentos de crianças, jovens e adultos com necessidades especiais (CEES) Caracterização do setor de Terapia Ocupacional O setor de Terapia Ocupacional caracterizado conta com uma terapeuta ocupacional, e atualmente com três alunos do curso de terapia ocupacional, que participam do projeto: Tecnologia Assistiva: desenvolvimento de recursos de baixo custo. Significativa parcela dos usuários apresentam necessidades especiais e o serviço tem como objetivo realizar um trabalho integrado entre as áreas que atuam no CEES, para isto realiza avaliações e reavaliações periódicas, intervenções habilitadoras e reabilitadoras, visitas domiciliares, visita e apoio escolar, orientação aos cuidadores, estudos de caso, reuniões clinicas, prescrição e confecção de órteses e projetos de pesquisa e extensão Coleta de dados Foi realizada uma análise dos dados através de estudos do prontuário, avaliação e evolução de cada paciente após prescrição e confecção de órteses no setor de Terapia Ocupacional Análise dos dados Neste estudo a análise dos dados foi feita a partir das informações do registro dos prontuários. Após a organização do material deu-se inicio a análise de seu conteúdo, a partir do qual foram delineadas as seguintes categorias de análise: 1- Caracterização dos pacientes (Idade e Diagnóstico); 2- Tipo de Órtese; 3-Material Utilizado na confecção; 4- Pré-fabricadas ou modelados; 5-Função. As categorias foram estabelecidas a fim de contemplar os objetivos estabelecidos na pesquisa, sendo as informações agrupadas de acordo com cada categoria. III - RESULTADOS E DISCUSSÃO Durante os anos de 2008, 2009 e 2010 foram prescritas e confeccionadas órteses para 26 pacientes no setor de Terapia Ocupacional. A Tabela 1 apresenta as características de cada um: Paciente Idade Diagnóstico Paciente anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente 02 3 anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente 03 1 ano Artrogripose

3 Paciente 4 1 ano Malformação cerebral Paciente 5 60 anos Acidente Vascular Encefálico Paciente 6 4 anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente 7 2 anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente 8 70 anos Acidente Vascular Encefálico Paciente 9 24 anos Traumatismo Crânio Encefálico Paciente 10 3 anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente anos Acidente Vascular Encefálico Paciente 12 6 meses Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente anos Acidente Vascular Encefálico Paciente 14 9 anos Paralisia Cerebral Hemiparesia Paciente 15 5 anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente anos Acidente Vascular Encefálico Paciente 17 9 anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente 18 7 anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente 19 2 anos Malformação de Membros superiores Paciente anos Esclerose Lateral Amiotrófica Paciente anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente anos Acidente Vascular Encefálico Paciente anos Acidente Vascular Encefálico Paciente 24 2 anos Paralisia Cerebral Hemiparesia Paciente 25 4 anos Paralisia Cerebral Tetraparesia espástica Paciente 26 1 ano Malformação de membros superiores Tabela 1 Caracterização dos pacientes Foram confeccionadas um total de 59 órteses, sendo todas de função estáticas. Para alguns pacientes foram prescritas mais de uma órtese, número que variou de acordo com as necessidades especificas de cada avaliação e também pela necessidade de modificação da órtese que já estava sendo utilizada. Em relação ao tipo de órteses foi encontrado o registro de três modelos: órtese para posicionamento de punho, mãos e dedos; órtese de posicionamento de punho com abdução de polegar, e órtese para abdução do polegar. A Tabela 2 exemplifica a quantidade de órteses e o tipo confeccionado para cada paciente. Quantidade de Órteses Órteses para posicionamento de punho, mãos e dedos Órteses para posicionamento de punho com abdução de polegar Órteses para abdução de polegar Paciente Paciente Paciente 3 4 Paciente 4 2 Paciente 5 1 Paciente 6 2 Paciente 7 2 Paciente 8 1 Paciente 9 2 Paciente 10 2 Paciente 11 1

4 Paciente 12 2 Paciente 13 1 Paciente 14 1 Paciente Paciente 16 1 Paciente 16 2 Paciente Paciente 18 2 Paciente Paciente 20 2 Paciente Paciente 22 1 Paciente 23 1 Paciente 24 1 Paciente 25 2 Paciente Tabela 2 Quantidade e tipo de órtese confeccionadas para os pacientes As informações demonstram que aqueles pacientes que necessitaram de um maior número de órteses foram os que apresentavam diagnóstico de encefalopatia crônica não progressiva com tetraparesia espástica. De acordo com as informações obtidas em prontuários para estes pacientes foram confeccionadas órteses para os membros superiores direito e esquerdo. Para o Paciente 1, 2,15, 17, 21 e 26 além de serem confeccionadas órteses para ambos os membros, foram confeccionadas tipos diferentes, sendo uma para uso noturno e outra para uso diurno. Em relação a paciente 3, a principio foram confeccionadas órteses para ambos os membros superiores e após 8 meses foi necessário fazer novas órteses pois, a primeira havia ficado inadequada para a paciente.tal conduta é importante, pois, segundo Teixeira et al. (2003) as órteses devem se reavaliadas periodicamente e reajustadas conforme o ganho de amplitude articular e demais modificações que possam interferir no seu uso. É possível identificar nas informações que todas as órteses de membro superior prescritas aos pacientes foram confeccionadas no setor e modeladas no próprio paciente. Estes dados contemplam a proposta da literatura, pois segundo Agnelli e Toyoda (2003), órteses de membros superiores são equipamentos feitos com material especial, devendo ser confeccionadas na medida do paciente, posicionando a mão afetada. Cavalcanti e Galvão (2007) também referem que o uso das órteses padronizadas não é recomendado, pois podem implicar na utilização de um aparelho sem a adaptação, que não respeita as variações anatômicas de cada individuo. Em relação aos materiais apenas duas das órteses foram confeccionadas com Neoprene, sendo todo restante confeccionado com termoplástico de baixa temperatura. Os termoplásticos e em especial os de baixa temperatura são considerados os mais eficientes já que podem ser considerados materiais que proporcionam o conforto, a praticidade e variações no que diz respeito à espessura, cor, tamanho, rigidez e memória (AGNELLI; TOYODA, 2003).

5 IV - CONCLUSÃO Após a caracterização da prescrição e confecção de órteses de membros superiores de um serviço de Terapia Ocupacional, proposta neste trabalho, podemos concluir que os dados confirmam as características descritas na literatura referente à prescrição e confecção de órteses de membros superiores. O terapeuta ocupacional é um profissional capaz de avaliar e prescrever órteses de diferentes tipos e materiais. É necessário outras pesquisas em diferentes setores para se avaliar sobre outras possibilidades de matérias, função e tipos de órteses. BIBLIOGRAFIA AGNELLI, L.B.; TOYODA, C.Y. Estudo de materiais para confecção de órteses e sua utilização prática por terapeutas ocupacionais no Brasil. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, v. 11, n 2, p.83-94, jul./dez BERSCH, R. Introdução à tecnologia assistiva, Centro Especializado em Desenvolvimento Infantil (CEDI), Porto Alegre - RS, CAVALCANTI, A; Galvão, C. Terapia Ocupacional: Fundamentação e prática. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, PELOSI, M.B.; NUNES. L.R.O.P. Formação em serviços de profissionais da saúde na área de tecnologia assistiva: o papel do terapeuta ocupacional. Rev. Bras. Crescimento Desenvolvimento hum., v.19, n.3, p , TEIXEIRA, E.; Sauron, F.N.; Santos, L.S.B.; Oliveira, M. C. Terapia Ocupacional na Reabilitação Física. São Paulo: Roca, 2003.

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