PARECER TÉCNICO I ANÁLISE E FUNDAMENTAÇÃO:

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1 PARECER TÉCNICO ASSUNTO: Solicitação de parecer acerca de Técnico de Enfermagem lotado no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de transtorno mental acompanhar paciente internado em outra instituição, até sua alta pelo fato do mesmo não ter família. I ANÁLISE E FUNDAMENTAÇÃO: O exercício profissional da enfermagem é amparado pela Lei n 7.498/86 que dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e Decreto n /87 que regulamenta a Lei n 7.498/86. De acordo com o código de ética dos profissionais de enfermagem aprovado pela resolução do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) n 311/2007 em seu preâmbulo: A enfermagem realiza-se na prestação de serviços a pessoa, família, e coletividade, no seu contexto e circunstâncias de vida... O código de ética dos profissionais de enfermagem leva em consideração a necessidade e o direito de assistência de enfermagem da população, os interesses do profissional e de sua organização. Está centrado na pessoa, família e coletividade e pressupõe que os trabalhadores de enfermagem estejam aliados aos usuários na luta por uma assistência sem riscos e danos e acessível a toda população (COFEN 2007). A Lei n dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental: Art. 2 o Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental: I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades; II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade; III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;

2 IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas; V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária; VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis; VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento; VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis; IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental. Art. 3 o É responsabilidade do Estado o desenvolvimento da política de saúde mental, a assistência e a promoção de ações de saúde aos portadores de transtornos mentais, com a devida participação da sociedade e da família, a qual será prestada em estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as instituições ou unidades que ofereçam assistência em saúde aos portadores de transtornos mentais. Art. 4 o A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes. 1 o O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio. 2 o O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros. 3 o É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos recursos mencionados no 2 o e que não assegurem aos pacientes os direitos enumerados no parágrafo único do art. 2 o.

3 Art. 6 o A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos. Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica: I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário; II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; e III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça. Art. 7 o A pessoa que solicita voluntariamente sua internação, ou que a consente, deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tratamento. Parágrafo único. O término da internação voluntária dar-se-á por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico assistente. Art. 8 o A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento. 1 o A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta. 2 o O término da internação involuntária dar-se-á por solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento. Art. 9 o A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente, pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários. Art. 10. Evasão, transferência, acidente, intercorrência clínica grave e falecimento serão comunicados pela direção do estabelecimento de saúde mental aos familiares, ou ao representante legal do paciente, bem como à autoridade sanitária responsável, no prazo máximo de vinte e quatro horas da data da ocorrência.

4 Art. 11. Pesquisas científicas para fins diagnósticos ou terapêuticos não poderão ser realizadas sem o consentimento expresso do paciente, ou de seu representante legal, e sem a devida comunicação aos conselhos profissionais competentes e ao Conselho Nacional de Saúde. Art. 12. O Conselho Nacional de Saúde, no âmbito de sua atuação, criará comissão nacional para acompanhar a implementação desta Lei. Segundo Shiotsu e Takahashi (2000), os motivos que levam o acompanhante a permanecer junto com o paciente são: a dependência ou limitação física; a necessidade de observar; fiscalizar a assistência prestada; acompanhar a evolução clínica; assegurar o atendimento pela equipe; identificar as necessidades sentidas pelo paciente; dar apoio emocional; transmitir força, coragem e otimismo; assegurar a comunicação entre o paciente e a equipe que cuida. Desta forma, é importante que o paciente portador de transtorno mental durante o período de internação esteja acompanhado de alguém de confiança nomeado pela instituição que possui a tutela do paciente. O acompanhante procura atender, as preferências do paciente e auxiliando a equipe de enfermagem nos cuidados ao atendimento das necessidades de higiene pessoal, mobilização, locomoção e alimentação do paciente (SHIOTSU; TAKAHASHI, 2000). II CONCLUSÃO Considerando todo o exposto, sou do parecer que: A Equipe de Enfermagem do CAPS deverá prestar assistência de enfermagem aos pacientes que se encontram sob os seus cuidados, avaliando dentro da sua competência, as necessidades e realizando as intervenções pertinentes para que a demanda destes pacientes sejam atendidas. Devendo todas as ações da Equipe de Enfermagem estarem devidamente registradas em documento legal de acordo com o preconizado na Resolução COFEN nº 358/09, que dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem. Com relação ao acompanhamento de pacientes, há que se considerar o direito do paciente de ser acompanhado por pessoa de sua confiança na ausência de um parente (como é o caso em questão), portanto, não há obrigatoriedade que seja profissional de enfermagem, pois a função do acompanhante limita-se a atender e garantir as necessidades básicas do paciente, sendo as condutas e procedimentos técnicos específicos de responsabilidade da equipe de enfermagem de plantão da unidade hospitalar. Em se tratando de situação prolongada, rotineira e/ou previsível, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) deverá providenciar pessoal/cuidador para se encarregar desta atribuição durante a permanência hospitalar de seus tutelados, sem causar prejuízo ao quantitativo de pessoal de enfermagem da unidade.

5 Eis o parecer, s.m.j. Limoeiro, 21 de agosto de 2015 Hélia Sibely Mota Silveira Enfermeira Fiscal COREN-PE REFERÊNCIAS

6 BRASIL. Lei 7.498, de 25 de junho de 1986, Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências. Disponível em Acesso em: 14/08/2015 BRASIL. Decreto de 08 de junho de 1987, Regulamenta a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da enfermagem, e dá outras providências. Disponível em Acesso em: 14/08/2015 BRASIL. Lei n Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Disponível em: Acesso em: 14/08/2015 CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM COFEN. Resolução nº 311, de 08 de Fevereiro de 2007, Aprova a reformulação do Código de ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em _4345.html Acesso em: 14/08/2015 Cartilha de Direito a Saúde Mental- MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL / PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO. Disponível em: Acesso em: 17/08/2015 SHIOTSU, Célia Hiromi; TAKAHASHI, Regina Toshie. O Acompanhante na Instituição Hospitalar. Rev.Esc.Enf.USP,v.34,n.1,p ,mar Disponível em: Acesso em: 17/08/2015

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