A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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1 A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Lúcia Peranzoni 1 Fabiana Lacerda da Silva 2 Resumo: O presente trabalho foi desenvolvido na disciplina Estágio Básico II no segundo semestre de 2011, tendo como objetivo observar como se apresenta a interação do brincar e do desenhar no ensino - aprendizagem. As observações foram realizadas em uma turma de pré-escola, referentes à turma de pré-escola de uma instituição estadual de ensino básico, na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Este artigo aborda algumas considerações acerca do lúdico com crianças de cinco a seis anos de idade. A metodologia utilizada foi a observação sem fins de intervenções com a amostra observada, realizada de forma cursiva e sendo contextualizada com bibliografias da área. Pode-se concluir que estas atividades lúdicas são fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia da criança, pois, a maneira como ela brinca, acaba por refletir a sua forma de pensar e agir. Dentro desse contexto, as crianças podem adquirir capacidades importantes, como por exemplo, atenção, autonomia e conhecimento através da estimulação de práticas educativas lúdicas. Palavras-chave: Observação; Criança; Lúdico; Educação Infantil. Introdução O lúdico é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. Este facilita a aprendizagem, o desenvolvimento cognitivo, pessoal, social e cultural colaborando para boa saúde mental e física. Para a criança esta atividade é um meio de expressão fundamental e é através da brincadeira na pré-escola, que ela adquire o conhecimento, como se adaptar ao mundo e em especial sair da rotina escolar. Na pré-escola, a criança é preparada para a aprendizagem, desenvolvendo hábitos, habilidades, atitudes favoráveis e comportamentos necessários para sua vida escolar. O brincar é uma atividade que permite o ingresso no mundo da imaginação e no mundo das regras e que deve ser distinta nas instituições de educação infantil. 1 Acadêmica do curso de Psicologia _ULBRA RS 2 Pedagoga UFSM, Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional - UNIFRA e acadêmica do Curso de Psicologia ULBRA Santa Maria RS 1

2 As observações foram realizadas na referida instituição de ensino, tendo como objetivo geral observar a aquisição do conhecimento nas atividades lúdicas na educação infantil e como objetivos específicos: verificar o desenvolvimento da autonomia da criança e verificar a aquisição da atenção para o desenvolvimento do conhecimento. Metodologia O trabalho de observação foi desenvolvido durante oito semanas, nos meses de agosto a outubro de 2011, com a duração de duas horas por semana realizadas em uma turma de pré-escola, referentes à turma de pré-escola de uma instituição estadual de ensino básico, na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul. No primeiro dia, em contato com a coordenadora da escola e com a professora responsável pela turma pré-escolar foram esclarecidos os motivos deste trabalho e selecionados dois alunos com idade entre cinco e seis anos para serem observados. Durante o estágio, os contatos com os alunos R. e G. foram realizados em sala de aula e na área de recreação, através de observações sem qualquer influência mútua. Após as observações foram elaborados relatórios diários, colocando os dados obtidos na ocasião, e ao término do estágio foi elaborado um relatório final com embasamento bibliográfico conforme as referências bibliográficas e a Associação Brasileira de Normas Técnica (ABNT, 2011). Desenvolvimento da maturação, da atenção e da autonomia A educação pré-escolar se apresenta importante para o desenvolvimento infantil. É nesse período que surge a necessidade de produzir e experimentar para adquirir conhecimentos. A concepção de ensino-aprendizagem é baseada na ideia de que a criança deve ser colocada em situações onde ela possa agir através de um material, lúdico seja ele jogo, exercícios sensoriais, trabalhos manuais ou expressão artística. Para Piaget (2002) esta é a fase do operatório-concreto, no qual a criança apresenta um declínio do egocentrismo, começa a se socializar em grupos, reconhecendo uma liderança. Compreendem regras e estabelecem compromissos. Possuem uma linguagem socializada, mas ainda têm uma inabilidade em entender pontos de vista diferentes. E assim os conhecimentos se transformam em conceitos. 2

3 É nesta etapa que o brinquedo não é apenas uma atividade simbólica, uma vez que, mesmo envolvendo uma situação imaginária, ele de fato baseia-se em regras, pois contém regras de comportamento pré-estabelecidos (VYGOTSKY,1989). Esta situação imaginária é a primeira manifestação da separação da criança em relação às restrições situacionais. Porém, não basta afirmarmos que o brinquedo apenas satisfaz os desejos irrealizáveis, ele também é via de escoamento da raiva e da agressão. Brincando a criança realiza e exterioriza suas angústias, seus desejos e suas realizações. A criança satisfaz algumas necessidades e é através do brinquedo que essas necessidades passam por um processo de maturação. Nesta fase, a criança, tendo desejos que não podem ser imediatamente satisfeitos, permanece, entretanto, com a característica do estágio precedente, isto é, uma tendência para a satisfação imediata dos desejos. A maturidade ocorre no momento em que o organismo está pronto para a execução de determinada atividade e não se limita ao estado adulto. Além disso, para que exista o ato de brincar é necessário a atenção involuntária que é uma função psicológica elementar, e atenção voluntária que é como função psicológica superior (VYGOTSKY, 2001). A atenção involuntária é condicionada por interesses imediatos, enquanto a atenção voluntária exige esforço por parte da criança. O jogo, as brincadeiras, o desenho infantil, esse mundo lúdico desenvolve a concentração, a intensidade e a constância da atenção na criança. Promove o desenvolvimento da capacidade de atenção, e das outras capacidades psíquicas, como a memória, a imaginação, a percepção, o raciocínio, o pensamento, a linguagem oral. Quanto à questão da autonomia Jean Piaget (1978) discute com muito cuidado a autonomia e o seu desenvolvimento. Segundo o autor, a autonomia não está relacionada com isolamento na verdade, ele entende que o florescer do pensamento autônomo e lógico-operatório é paralelo ao surgimento da capacidade de estabelecer relações cooperativas. Quando os agrupamentos operatórios surgem com as articulações das intuições, a criança torna-se cada vez mais apta a agir cooperativamente. No entender de Piaget, ser autônomo significa estar apto a cooperativamente construir o sistema de regras morais e operatórias necessárias à manutenção de relações permeadas pelo respeito mútuo. Contudo, é importante 3

4 salientar que a autonomia não é um estado psicológico geral, que uma vez atingido, esteja garantido em qualquer situação. Resultados e discussão Foi observado que o aluno G, sexo masculino e com cinco anos, demonstrou ter mais imaturidade em relação aos outros alunos, pela sua maneira de se expressar, pelo comportamento mais tímido e por não interagir muito com os colegas, não tendo muitos amigos. O aluno G demonstrou mais dificuldade de aprendizagem, pois não participava muito das brincadeiras em grupo e gostava mais de brincar sozinho. Apesar do pouco tempo de observação para termos uma avaliação real, de que o aluno G tivesse uma melhora na aprendizagem durante o estágio, observamos que ele não conseguia finalizar os seus trabalhos de desenho, pinturas e outros. Notamos que o aluno G demorava mais que os outros colegas, para terminar as atividades, mostrando apatia e desmotivação. No último dia de estágio, o aluno G conseguiu concluir um desenho de um beija-flor, por incentivo da professora, que ao terminar exibiu para todos os colegas que o elogiaram, deixandoo radiante de alegria (KISHIMOTO, 1999). Já o aluno R, sexo feminino e com seis anos, demonstrou ter mais maturidade, pois era extrovertido, gostava de liderar as brincadeiras e tinha a atenção da maioria dos alunos. Também não apresentava dificuldade de atividades lúdicas, participava ativamente, liderando algumas brincadeiras. Observamos, também, que o aluno R concluía rapidamente as tarefas atribuídas e ainda ajudava os colegas, demonstrando satisfação em fazê-los. Ao brincar em grupos ou mesmo sozinhas, as crianças fazem de suas brincadeiras uma verdadeira prática social e nessa prática, aprendem a jogar, a contar, a distinguir e a organizar suas ideias e suas vidas. Assim, observamos que o brincar é imprescindível para a maturação e a socialização da criança, sendo importante para a interação e desenvolvimento desta. Ao término do estágio e de acordo com os resultados obtidos, os objetivos da observação foram alcançados, pois se confirmou o quanto o ato de brincar é importante para o desenvolvimento da atenção, maturação e da autonomia e por consequência a aquisição da aprendizagem. 4

5 Considerações finais Percebemos que toda a história de vida de um sujeito, embora singular, precisa ser situada e contextualizada social e institucionalmente e é através da inserção do lúdico na educação que isto se torna possível, de forma a coadunar com o processo ensino-aprendizagem e promover o desenvolvimento integral do ser, principalmente da criança na sua infância. O lúdico é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. Todas estas atividades lúdicas são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e psicológico da criança, pois, a maneira como ela brinca acaba por refletir a sua forma de pensar e agir dentro da sociedade em que está inserida. São através destas atividades que as crianças formam seus conceitos e preconceitos, expressam suas ideias, criam suas fantasias, derrubam barreiras, tornam os sonhos possíveis, criam novas amizades, exploram seus sentimentos, suas angústias, suas tristezas, medos e alegrias, reduz a agressividade, vão obtendo maiores relações com a comunidade em que vivem e assim se tornam capaz de formar seus próprios conceitos. Referências KISHIMOTO, T. M. Jogos, a criança e a educação. Petropolis: RJ, 1999 PIAGET, J. Biologia e conhecimento. Porto: Rés Editora, PIAGET, J.; INHELDER, B. A psicologia da criança. 17. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, VYGOTSKY, L. A psicologia e a pedagogia da atenção. São Paulo: Martins Fontes, A formação social da mente. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes,

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