RESUMO. Palavras chave: Brinquedo. Brincar. Ambiente escolar. Criança. INTRODUÇÃO

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1 A FUNÇÃO DO BRINQUEDO E OS DIVERSOS OLHARES Érica Cristina Marques de Oliveira- Rafaela Brito de Souza - Raquel Cardoso de Araújo- Denise Rocha Pereira- RESUMO O objetivo desta pesquisa ainda em andamento é investigar os diferentes olhares sobre as funções do brinquedo: pais, educadores e crianças. A metodologia a ser utilizada será entrevistas, estruturadas com pais, educadores e semiestruturaras com crianças da segunda etapa da pré-escola, captando os diferentes olhares sobre o significado do brinquedo. O que segue neste artigo é a revisão bibliográfica, parte integrante do trabalho monográfico, como exigência do trabalho de conclusão do curso de pedagogia, baseada nos autores que mais discutem a temática, procurando dar ao brinquedo, à atividade de brincar, objeto e ação de significância fundamental ao desenvolvimento infantil. Palavras chave: Brinquedo. Brincar. Ambiente escolar. Criança. INTRODUÇÃO Para os pesquisadores da infância e do brincar, o brinquedo tem intrínseca relação com o desenvolvimento infantil, especialmente na idade pré-escolar, embora não seja este o único período da vida humana que ele possui significado e tampouco se considere como o único aspecto predominante nesta fase. É o brinquedo que proporciona o maior avanço na capacidade cognitiva da criança. Na escola, o brincar pode tomar diferentes proporções, dependendo da percepção que o educador possui sobre a função e a importância, assim como a valorização dos objetos envolvidos na ação do brincar. Se por um lado, temos aqueles que compreendem sua função, dando espaço em seu planejamento, por outro, temos aqueles que menosprezam seu valor, ora suprimindo a ação do brincar da rotina escolar, ora menosprezando o seu preparo neste espaço, deixando uma atividade livre ou, até mesmo não se empenhando em seu preparo. Para os familiares, o brincar e, consequentemente, a escolha do brinquedo, pode estar atrelada às influências da mídia, às preocupações educativas e/ou visto como algo para preencher o tempo ocioso. Do ponto de vista das crianças, ainda é preciso o exercício do ouvir, observar e dar voz às crianças, pois se sabe de todo encantamento e vantagens que o brinquedo pode trazer. Porém, são as interpretações dos pesquisadores que subsidiam as reflexões acerca da pesquisa. A revisão bibliográfica que segue tem o objetivo de contribuir com as reflexões sobre os diferentes olhares sobre o brinquedo e o brincar. 1 METODOLOGIA Esta pesquisa, no campo empírico, será desenvolvida por meio de entrevistas estruturadas, com pais, educadores e entrevistas semiestruturadas com crianças, a - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.5, Edição Especial, outubro

2 melhor maneira de captar os diferentes olhares sobre as funções do brinquedo. Serão entrevistados dez pais, dez crianças de cinco anos, frequentadoras da educação infantil, modalidade pré-escola e dez professores da mesma modalidade. Haverá um estudo qualitativo, por meio de comparações, entre os diferentes olhares, sobre o papel do brinquedo no espaço escolar, se há a função educativa sistemática, e no espaço familiar. O que segue neste artigo é a revisão bibliográfica, enfatizando os autores que abordam a temática, podendo, dessa forma, comparar os dados da pesquisa com os significados abordados pelos autores. Para diferentes autores pesquisadores sobre a infância e o brincar, os brinquedos podem cumprir diferentes propósitos. Para Brougère (2004), o brinquedo é um objeto que a criança pode manipular livremente, sem estar condicionada às regras ou princípios de utilização. Ventura (2010); Benjamin (1984); Kishimoto (1996); Piaget (1975) dão suas contribuições para que se possa elaborar os conceitos do brinquedo, bem como da brincadeira e do brincar. 2 RESULTADOS E DISCUSSÕES A cultura do brincar, o interesse pelos brinquedos como a materialização da atividade em si, teve sua origem na Alemanha, em lugares não especializados, como oficinas de entalhadores de madeiras ou de fundidores de estanho (Benjamin, 1984, p. 67). O brinquedo e o brincar têm sido alvo de pesquisadores e estudiosos, principalmente os ligados à infância. O brincar para crianças começa na idade de 0 ano. Na fase denominada sensório-motora, pelo pesquisador Jean Piaget, o brincar se dá pela exploração dos objetos. Para Piaget (1975), quanto mais nova a criança, mais individual e egocêntrica é a sua brincadeira. A essa centração da criança nela mesma, Piaget chama de egocêntrica. Não significando com isso uma hipertrofia da consciência do eu, mas simplesmente uma incapacidade momentânea da criança de descentrar-se, isto é, colocar-se em outro ponto de vista que não o próprio. (FREIRE, 1987, p.19) A criança de cinco e seis anos vê o brinquedo como algo sério e é através da imaginação, da fantasia, que ela torna real os seus impulsos e suas tentativas de compreender o mundo em que vive. Ao brincar de medico ou professora, transforma materiais em brinquedos, portanto, o brinquedo aproxima a criança do seu mundo imaginário, pois a criança de seis anos não se prende a função social do objeto e sim aquilo que ela busca transformar, de forma simbólica e significativa. (Kishimoto, 1996) A criança brinca com uma pedrinha, um graveto, com as próprias mãos, as palavras, as canções. Brincando, a criança está o tempo inteiro, e inteira no tempo, investigando, experimentando, explorando. Às vezes o adulto (os pais) dá o brinquedo para a criança, na tentativa de que ele, adulto, possa brincar. Tenta então conduzir a brincadeira de uma forma que não seja a acordada a princípio, não permitindo muitas vezes a espontaneidade, manipulação criativa, exploração e o prazer. A educação infantil é um espaço importante e também privilegiado para se abordar a temática do brinquedo, uma vez que a educação infantil ou a pré-escola, como também é chamada, é considerada um dos poucos lugares onde o lúdico - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.5, Edição Especial, outubro

3 ainda é considerado e valorizado, ou mesmo algo inerente ao processo de aprendizagem. Os educadores, em sala de aula, devem atentar para: saber ver/ouvir, conhecer e reconhecer a criança frente aos seus ambientes solicitadores: família, escola, grupo de amigos, sociedade, (reconhecimento das mudanças operadas frente ao outro, qualificações vinculares do que é próprio de mim mesmo e o que é próprio do aluno em si e em mim). É preciso mostrar aos educadores envolvidos na prática pedagógica que as atividades lúdicas, através do brincar, são uma grande fonte de prazer, tanto para eles como para o educando, e que este desafio esteja sempre presente, a cada dia, na educação infantil. Sobretudo, deve-se compreender como se efetiva o aprendizado de alunos da pré-escola, o trabalho dos professores, em relação ao estímulo às crianças, no que se refere à brincadeira, aos brinquedos e ao envolvimento destas, nesse processo de aprendizagem (Kishimoto, 1996), compreendendo a complexidade e a seriedade do objeto brinquedo. O brinquedo não é a experiência infantil, mas um objeto entre outros, um elemento, e sem dúvida, não o mais importante, da experiência complexa e multiforme que vivem todas as crianças. A influencia dele só pode ser relativa a outras influencias, através de complexas oposições ou associações de momentos e significados. O universo do brinquedo é diversificado; ele nunca passa uma única mensagem. (BROUGÈRE, 2004, p.250). A ação de brincar e o interesse da criança envolve sua faixa etária, seu desenvolvimento sócio afetivo, seus hábitos culturais. Há brinquedos que são universalmente aceitos, não importando muito o material de que são feitos, o tamanho ou mesmo a idade e o sexo da criança. O brinquedo exerce uma forte influência na formação da personalidade infantil, pois ele está associado às necessidades das crianças durante a infância, e não é apenas uma atividade simbólica, uma vez que, mesmo envolvendo uma situação imaginária, ele de fato baseia-se em regras, pois contém regras de comportamento pré- estabelecidas. (Kishimoto, 1996). É através do brinquedo que a criança se apropria do mundo real, domina conhecimentos, se relaciona e se integra culturalmente. Ao brincar e criar uma situação imaginária, a criança pode assumir diferentes papéis: ela pode se tornar um adulto, outra criança, um animal, ou até mesmo um herói televisivo; pode mudar o seu comportamento e agir como se ela fosse mais velha do que realmente é, pois, ao representar o papel de mãe, ela irá seguir as regras de comportamento maternal, porque agora ela pode ser a mãe, e ela procura agir como uma mãe age. Brinquedo, na concepção de Brougère (2004), é um objeto que a criança pode manipular livremente, sem estar condicionada às regras ou princípios de utilização. É através do brincar que a criança constrói seu espaço e estabelece suas relações entre o mundo real e o imaginário ou fantasia, pois tem seu espaço para pensar, descobrir, viver e experimentar situações novas ou do seu dia a dia, que irão contribuir para o desenvolvimento social, cognitivo, afetivo e motor e é assim que, ao se constituir em uma forma importante, para que a criança se desenvolva, é também um instrumento para a construção do conhecimento infantil (Ventura, 2010). CONSIDERAÇÕES FINAIS - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.5, Edição Especial, outubro

4 Por se tratar de uma pesquisa em andamento, os resultados ainda são parciais, embasados na revisão de literatura e discutidos conforme os autores que abordam a temática. De acordo com Campagne, apud Andrade (1994), o brinquedo é considerado o suporte do jogo, é o objeto que desperta a curiosidade, exercita a inteligência, permite a invenção e a imaginação e possibilita que a criança descubra suas próprias capacidades de apreensão da realidade. Ele permite ainda à criança, testar situações da vida real ao seu nível de compreensão, sem riscos e com controle próprio. Já de acordo com Brougère (2004), o brinquedo não é a experiência infantil, mas um objeto entre outros, um elemento, e sem dúvida, não o mais importante, da experiência complexa e multiforme que vivenciam todas as crianças. A influencia dele só pode ser relativa a outras influencias, através de complexas oposições ou associações de momentos e significados. O universo do brinquedo é diversificado; ele nunca passa uma única mensagem. Kishimoto (1996), coloca que, utilizando o brinquedo como instrumento para suas brincadeiras, a criança reproduz o mundo que a cerca, os personagens desse mundo, podendo desse modo, construir seus conceitos e firmar suas convicções a respeito da realidade onde está inserida. O brinquedo, portanto, exerce uma forte influência na formação da personalidade infantil, pois ele está associado às necessidades das crianças, durante a infância, e não é apenas uma atividade simbólica, uma vez que, mesmo envolvendo uma situação imaginária, ele de fato baseia-se em regras, pois contém regras de comportamento pré- estabelecidos. A mediação de um adulto, de outras crianças, ou dos próprios objetos que se encontram à disposição da criança faz a diferença nas brincadeiras. O olhar do adulto para o sentido do brincar da criança deve ir ao encontro do significado e do interesse que este desperta na criança. REFERENCIAS ANDRADE, C. M. R. J. Vamos Dar Meia Volta, Volta e Meia Vamos Dar: O Brincar na Creche, in Educação Infantil: Muitos Olhares. São Paulo : Cortez, 1994, p BENJAMIN, W. Refexões: A criança, o brinquedo, a educação. São Paulo: Summus, BROUGÉRE, G. Brinquedo e companhia. Guilles Brougère: tradução de Maria Alice A. Sampaio Dória; revisão técnica de Gisela Wajskop São Paulo: Cortez, BUENO, J.M. Psicomotricidade, Teoria e Prática: Estimulação, Educação e Reeducação Psicomotora com Atividades Aquáticas. Porto Alegre. Lovisc, FREIRE, J.B. Educação de corpo inteiro: teoria e pratica da educação física. São Paulo: Scipione, KSHIMOTO,T.M Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação.são Paulo:Cortez, Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.5, Edição Especial, outubro

5 PIAGET, J. A representação do mundo da criança. Rio de Janeiro: Record, VENTURA, M.M. S. Jogar e brincar promovem o desenvolvimento do pensar da criança. Revista do professor. Porto Alegre, ano 26: n.133. julh/set., Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.5, Edição Especial, outubro

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