A Educação Musical em atividades interdisciplinares: um relato de experiência em uma oficina 1

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1 A Educação Musical em atividades interdisciplinares: um relato de experiência em uma oficina 1 Fernanda de Assis Oliveira 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS Resumo: Este relato descreve uma proposta interdisciplinar realizada durante o segundo semestre de Tal atividade foi desenvolvida em uma oficina realizada no Projeto Amora (CAp), englobando as disciplinas Educação Musical e Língua Inglesa. A atividade prática de oficina englobou um grupo de alunos de 5ª e 6ª séries do ensino fundamental no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que se localiza na cidade de Porto Alegre. Neste trabalho, será apresentada a proposta pedagógicomusical e lingüística, que foi posta em prática durante o desenvolvimento da oficina, bem como algumas considerações gerais sobre o trabalho de construção do espetáculo cênicomusical. Palavras-chave: Educação Musical; Interdisciplinaridade; Língua Inglesa; Espetáculo cênico-musical. Introdução A experiência interdisciplinar aqui relatada foi desenvolvida no Colégio de Aplicação (CAp) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no Projeto Amora (5ª e 6ª séries). Esse projeto tem como objetivo o ensino interdisciplinar, e propõe, dentre outras atividades, o desenvolvimento de oficinas durante o ano letivo. A escolha em desenvolver uma oficina interdisciplinar, no Projeto Amora, que contemplasse a Educação Musical e a Língua Inglesa, ocorreu porque no decorrer do primeiro semestre letivo, observamos o interesse dos alunos em cantar músicas em inglês. Além disso, percebemos o quanto à música poderia auxiliar na aprendizagem, bem como na expansão do vocabulário em inglês. Neste trabalho, será apresentada a proposta pedagógico-musical e lingüística, 1 Trabalho com apresentação prevista no XVI Encontro Anual da ABEM e Congresso Regional da ISME na América Latina Mestre em Educação Musical, em 2005, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS, Título: Materiais didáticos nas aulas de música: um survey com professores da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre-RS, Ano de obtenção: 2005 Orientador(a): Luciana Marta Del Ben.Possui publicações em periódicos como a Revista da Abem 2003; em congressos nacionais, regionais da Abem (2006, 2005, 2004, 2002, 2001). Atualmente, é integrante do grupo de pesquisa Cotidiano e Educação Musical da UFRGS, e, aluna especial do curso de Pedagogia/FACED da mesma instituição.

2 que foi posta em prática durante o desenvolvimento desta oficina, bem como algumas considerações gerais sobre o trabalho realizado. A Oficina In the sixties and Jovem Guarda A oficina aqui apresentada intitulada In the sixties and Jovem Guarda enfatiza o uso da música como um dos principais recursos para a aprendizagem da língua inglesa, tendo como repertório músicas dos anos 60, especificamente, da banda inglesa The Beatles e música do período da Jovem Guarda. Esta oficina foi orientada pelas professoras Fernanda de Assis Oliveira 3 e Ivana Kátia de Souza Ferreira 4. Ao atuar como educadora musical no Projeto Amora (CAp/UFRGS), no ano de 2006, observei o interesse dos alunos pelas aulas de música, mais especificamente pelas atividades que envolviam o canto. Ao compartilhar essas vivências com os demais professores do Projeto Amora, a professora de língua inglesa, destacou o interesse dos alunos em executarem músicas em inglês. Com isso, elaboramos uma oficina que contemplasse a prática musical e língua inglesa. Buscamos associar essas duas linguagens e proporcionar um momento prático, tendo como produto final à apresentação cênicomusical, executada na Mostra das Oficinas 5. Objetivo geral da proposta interdisciplinar Propiciar aos alunos do Projeto Amora do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) o desenvolvimento de uma prática musical significativa através do uso canto-coral e da língua inglesa, além do uso da expressão corporal e cênica. Objetivos específicos 3 Professora substituta do Colégio de Aplicação (CAp) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), , área Educação Musical. 4 Professora titular do Colégio de Aplicação (CAp) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), área Língua Inglesa. 5 Esta Mostra de Oficina ocorre no encerramento da edição de Oficinas realizadas no Projeto Amora após a conclusão dos 10 encontros.

3 - Possibilitar aos alunos uma exploração Vocal e Lingüística; - Aprimorar a técnica do canto e da pronúncia na Língua Inglesa; - Conscientizar sobre a importância da técnica vocal e da dicção para a pronúncia da língua inglesa; - Ampliar o conhecimento da linguagem musical e do vocabulário em inglês; - Desenvolver a percepção, a expressão musical e a associação de movimentos; - Exercitar a memória auditiva e textual; - Propiciar o conhecimento da história da música; - Possibilitar a contextualização cultural do repertório executado; - Introduzir expressões corporais e cênicas associadas ao canto. Conteúdos propostos - Técnica Vocal; -Dicção, com ênfase na pronúncia inglesa; - Memorização das letras das músicas em inglês e português; - Movimentos corporais e cênicos; - Aspectos da história da música. Justificativa O canto é um dos instrumentos mais acessível de ser trabalhado e educado. Ele também é capaz de estimular aos alunos o gosto e o interesse musical de forma mais imediata. Segundo Maura Penna (1990): É da voz que se lança o homem construiu, em seu desenvolvimento histórico, a música como linguagem artística, estruturada e organizada. Como especializada e ter o ser como material básico caracteriza-se como um meio de expressão e de comunicação. Meio de expressão, por objetivar e dar forma a uma vivência humana, e de comunicação por revelar esta experiência pessoal de modo que possa alcançar o outro a ser compartilhada.(penna, 1990, p. 9)

4 Não obstante, o canto poderá proporcionar outras atividades, principalmente no aspecto social, uma vez que o grupo, através de uma música poderá vivenciar experiências dos seus cotidianos vivenciadas na escola e fora dela. Além disso, percebi que aprender a pronúncia da língua inglesa através do canto também era um ato constante nas práticas dos alunos. Ao praticar o canto, os alunos conseguiram executar algumas melodias em um prazo relativamente curto, desenvolver a pronúncia em inglês por meio da imitação, e estreitar a socialização com o grupo e os demais colegas. Uma função da educação musical nas escolas, segundo Souza e outros (2002), é a música como educação estética, como linguagem, como forma única de conhecimento e como um agente de socialização (SOUZA et al, 2002, p.30). Desta forma, visando atender a proposta de uma oficina a ser realizada de maneira interdisciplinar, esse projeto foi construído. Vale ressaltar que, esta oficina foi elaborada, a partir das concepções das docentes sobre o ensino interdisciplinar das linguagens: música e inglês. Ambas, buscaram estimular e despertar nos alunos o interesse pelo ato de cantar e de aprimorar a pronúncia na língua inglesa. Metodologia Os conteúdos musicais, a pronúncia e a tradução das letras das músicas executadas em inglês foram abordados durante o desenvolvimento da oficina. As aulas tiveram caráter prático, mas o embasamento teórico foi inserido à medida que novas canções foram introduzidas. A expressão corporal e os movimentos cênicos foram construídos com o grupo durante os ensaios realizados. Foram propostos, trabalhos em grupos, tais como a execução, apreciação e composição musical (SWANWICK, 1998), e, a análise de algumas cenas cinematográficas. Para aprimorar a pronúncia em inglês foram desenvolvidas audições de trechos de filmes e musicais, que abordassem o contexto histórico proposto pela oficina. Para Souza (2000), a vivência da música nos dias de hoje é considerada um fenômeno audiovisual, por isso CDs, videogames e videoclipes devem ser usados como ferramentas pedagógicas e objetos de conhecimento social nas atividades desenvolvidas em sala de aula.

5 O produto musical: Mostra das Oficinas Como produto final desta proposta, a oficina objetivou a apresentação cênicomusical, a qual foi construída no decorrer dos ensaios com a colaboração dos alunos. A Mostra das Oficinas ocorre ao final do décimo encontro de desenvolvimento das oficinas, onde cada oficina apresenta para as duas turmas do Projeto Amora (5ª e 6ª séries), o trabalho desenvolvido durante todo o processo. Nesta proposta interdisciplinar, os aspectos musicais foram avaliados, a partir do Modelo Espiral de Desenvolvimento Musical de Swanwick (1988), em três aspectos: execução, apreciação musical e composição (criação). Considerações sobre a oficina Antes de iniciarmos esta oficina, os alunos fizeram uma lista de oficinas, as quais gostariam de participar. Posteriormente, todos os professores do Projeto Amora, seguindo as indicações de cada aluno, organizaram todos os grupos e encaminharam os alunos para cada oficina. Esta oficina contemplou onze alunos da 5ª série e um aluno da 6ª série, totalizando doze alunos. Inicialmente, nos familiarizarmos com o gosto musical dos alunos. Esse momento foi importante, uma vez que possibilitou a oportunidade conhecer e refletir sobre a melhor escolha do repertório musical a ser executado. Percebemos que os alunos já possuíam uma bagagem musical construída fora da escola a partir das vivências cotidianas de cada um. Nesse sentido, Souza (2000) destaca que [...] na realidade cotidiana das crianças e jovens, estaria a chance para a realização de um trabalho sociopedagógico, com propostas de atividades musicais que não transmitissem somente conhecimentos isolados sobre métodos pedagógicos e repertório desvinculado da prática. Ao contrário, aqui estariam as chances para o professor saber mais sobre a real experiência estética (e musical) dos alunos e sua posição perante ela. (SOUZA, 2000, p.39) Para tanto, com o objetivo de ampliar esse repertório, fizemos uma seleção do repertório, inicialmente individualmente, e posteriormente formamos grupos, a partir dos

6 estilos musicais. Por fim fizemos uma votação, e foram contempladas músicas da banda inglesa The Beatles e duas músicas do período da Jovem Guarda. É importante destacar, que os ensaios e aulas da oficina foram acompanhados pelas duas especialistas da área de Educação Musical e da Língua Inglesa. O trabalho em conjunto foi importante para o desenvolvimento da proposta, uma vez que cada docente enfocou sua especialidade e contribuiu para o trabalho em grupo. A experiência foi muito rica, apesar de alguns desafios, tais como: a pronúncia correta das palavras em inglês, principalmente, na hora do canto. Isso se torna difícil, pois lidar com a dicção e a atenção no momento de execução dos alunos, nem sempre é uma tarefa fácil. Mesmo assim, os alunos demonstraram um nível significativo de rendimento e aproveitamento da oficina proposta. Em síntese, poderia dizer, que esta experiência proporcionou a prática da língua inglesa, por meio da música. Além disso, desenvolveu a expressão cênica, e o ato de cantar em grupo. Demonstrou também caminhos para a ampliação de vocabulários na língua inglesa, e, da história da música, além de permitir a ampliação de repertório dos alunos e as experimentações com associações do canto e da expressão corporal. Vale lembrar, que esse tipo de proposta possibilitou às docentes vivências cotidianas ricas nos aspectos da aprendizagem pedagógica, do convívio em grupo e da execução de uma aula interdisciplinar. Referencias Bibliográficas HENTSCHKE, L. A adequação da Teoria Espiral como teoria de desenvolvimento musical. In: Fundamentos da Educação Musical. Porto Alegre: ABEM, p , HENTSCHKE, L. A utilização do Modelo Espiral de Desenvolvimento Musical como critério de avaliação da apreciação musical. Em Pauta no. 09. Porto Alegre: CPG Música- UFRGS. Abril, HENTSCHKE, L. A Teoria de Swanwick como fundamentação para uma proposta curricular. Anais do V Encontro Anual da ABEM. Londrina, Junho, PENNA, M. Reavaliações e busca em Musicalização. São Paulo: Ed. Loyola, 1990.

7 SOUZA, J. A experiência musical cotidiana e a pedagogia. In: SOUZA, Jusamara (org). Musica, Cotidiano e Educação. Porto Alegre, UFRGS, SOUZA, J.; HENTSCHKE, L.; OLIVEIRA, A.; DEL BEN, L.; MATEIRO, T. O Que Faz A Música Na Escola? Concepções e Vivências de Professores do ensino Fundamental. Série: Estudos 6. UFRGS SWANWICK, K. Music, mind, and education. London: Routledge, SWANWICK, Keith. Ensinando Música Musicalmente. Tradução de Alda Oliveira e Cristina Tourinho. São Paulo: Moderna, 2003.

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