A EXTENSÃO EM MATEMÁTICA: UMA PRÁTICA DESENVOLVIDA NA COMUNIDADE ESCOLAR. GT 05 Educação Matemática: tecnologias informáticas e educação à distância

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1 A EXTENSÃO EM MATEMÁTICA: UMA PRÁTICA DESENVOLVIDA NA COMUNIDADE ESCOLAR GT 05 Educação Matemática: tecnologias informáticas e educação à distância Nilce Fátima Scheffer - URI-Campus de Erechim/RS - Sabrina Battisti - URI-Campus de Erechim/RS - Resumo: Este artigo apresenta um trabalho de extensão desenvolvido na comunidade escolar pelo Curso de Matemática da URI-Campus de Erechim, que contempla dois projetos, um de extensão e outro de extensão social. A prática relacionada ao projeto de extensão envolve para duas frentes: uma com alunos do Ensino Fundamental e Médio que apresentam dificuldades de aprendizagem matemática e outra com professores de Matemática da rede pública. E a prática relacionada ao projeto social desenvolve-se a partir de aulas de Complementação Pedagógica desenvolvidas em instituições situadas em bairro periférico. Ambas as experiências proporcionam aos alunos envolvidos a oportunidade de sanar dúvidas e retomar conceitos matemáticos e, aos professores, momentos de reflexão e discussão sobre a prática pedagógica, além da utilização de tecnologias informáticas nas aulas de matemática. Já para os acadêmicos envolvidos com os projetos é dada a oportunidade de vivenciar a prática docente em diferentes contextos durante sua formação. Palavras-chave: Complementação Pedagógica, Aprendizagem Matemática e Comunidade Escolar. 1 Introdução Este trabalho relata experiências realizadas e desenvolvidas a partir de dois projetos, um de extensão e outro de extensão social, ambos com o objetivo de contribuir na construção do conhecimento matemático na escola. O projeto de extensão social é desenvolvido em um bairro periférico da cidade de Erechim, atendendo a crianças e adolescentes na faixa etária de 5 a 14 anos, que estudam no ensino básico de 1ª a 6ª série de duas escolas municipais localizadas no mesmo bairro. A prática, nesse projeto, contempla aulas de Complementação Pedagógica para uma turma composta por 20 alunos, na faixa etária de 9 a 14 anos, denominada turma de préadolescentes. Já o projeto de extensão contempla ambientes distintos, a saber: escolas públicas localizadas no centro da cidade, proporcionando encontros semanais de Complementação Pedagógica para alunos com dificuldade de aprendizagem matemática do Ensino Fundamental e Médio; e o outro que acontece mensalmente no Laboratório de Informática

2 da URI-Campus de Erechim, por meio de Oficinas Permanentes de formação continuada para professores de Matemática do Ensino Fundamental e Médio da rede pública. O presente artigo pretende apresentar reflexões quanto às práticas de extensão desenvolvidas pelos dois projetos, bem como aspectos teóricos que embasam tal prática e, da mesma forma, a experiência vivida no trabalho desenvolvido com alunos e professores. 2 Ensino da Matemática e a utilização de tecnologias Os futuros docentes, hoje acadêmicos de Cursos de Licenciatura, encontram-se diante de um desafio que corresponde ao compromisso de preparar-se profissionalmente para educar, utilizando diferentes recursos didáticos, como tecnologias informáticas, jogos, além de outros materiais concretos que proporcionem o desenvolvimento de atividades investigativas e inovadoras. Essa preocupação é manifestada por Bairral (2009): O professor é um profissional que deve constantemente aprender a aprender e refletir criticamente sobre sua prática. Assim, o desenvolvimento profissional deve, dentre outros, ser fruto da reflexão sobre a ação, da capacidade de explicitar os valores das escolhas pedagógicas, do enriquecimento de ações coletivas, da consciência das múltiplas dimensões sociais e culturais que se cruzam na prática educativa escolar, de modo a tornar os docentes cada vez mais aptos a conduzir um ensino adaptado às necessidades e interesses de cada aluno e a contribuir para a melhoria das instituições educativas. (p.121). Essa discussão do autor coloca em evidência a importância da reflexão sobre a ação pedagógica. Quando se discute a utilização de um recurso didático diferenciado nas aulas de Matemática é necessário ter clareza dos objetivos e principalmente do conteúdo específico da série, bem como da proposta a ser desenvolvida. Isso é confirmado por Nacarato (2005), quando este diz que um uso inadequado ou pouco explorado de algum material, pouco ou nada contribuirá para a aprendizagem matemática, e ainda ressalta que o problema não está na utilização desses materiais, mas na maneira de utilizá-los. Nesse âmbito que envolve a formação do professor, a reflexão quanto à maneira de utilizar os materiais torna-se fundamental e projetos de extensão que envolvem os

3 acadêmicos com atividades no contexto da sala de aula constituem-se em oportunidade para essa discussão. Muitas vezes os professores de Matemática utilizam esses recursos inadequadamente, pois não têm conhecimento dos mesmos, razão pela qual os cursos de formação de professores, hoje, destinam uma parte de sua carga horária para disciplinas voltadas mais para a prática. Segundo Pais (2001), acreditava-se que era possível construir uma abordagem estruturalista para o ensino de Matemática, incrementada pela utilização de novas técnicas de ensino, esperando que, com isso, o ensino da disciplina fosse mais fácil do que o tradicional, sem levar em conta a utilização correta dessas novas técnicas. Essa discussão ganhou amparo legal nos últimos anos e os cursos de formação de professores foram reestruturados, considerando a valorização de maior número de aulas práticas na formação inicial, o que torna possível um conhecimento profissional pautado em situações concretas, construídas na interação da universidade com a comunidade escolar de seu entorno. Por outro lado, para Bittar (2009, p.3) a formação de professores, tanto inicial quanto continuada, constitui-se em um grande desafio para a sociedade. Segundo a autora, um trabalho como o desenvolvido nas oficinas de extensão estabelece uma discussão voltada à prática e à formação de professores de Matemática. Assim, as oficinas de formação continuada para professores de Matemática da Educação Básica que participam do presente projeto proporcionam uma discussão quanto à utilização correta da informática na prática pedagógica de matemática. Em termos de formação continuada, Bairral (2009) afirma que, tendo o processo interativo mediado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como sustentação de desenvolvimento profissional, o conhecimento docente possui três aspectos: o matemático, o estratégicointerpretativo e o afetivo-atitudinal. Segundo esse autor, tais aspectos se desenvolvem com o uso do conhecimento em situações concretas de ensino. Essa discussão a respeito da prática docente volta-se especialmente para as tecnologias informáticas que, segundo Pais (2002), possibilitam a expansão e a criação de situações didáticas que redefinem as noções de espaço e de tempo. Dessa forma, as oficinas desenvolvidas com os professores oferecem um rico espaço para discussões sobre Matemática, Educação Matemática, Tecnologias e a prática de sala de aula. Constituem-se

4 em momentos de discussão, com o objetivo de testar e conhecer novas práticas pedagógicas que transformem as aulas de Matemática em momentos de investigação, tendo em vista a mudança de postura do professor diante das aulas com novas tecnologias. Isso vem a ser confirmado por Nacarato et. al (2009), quando ressaltam que transformar a aula de Matemática em um cenário de investigação requer uma nova postura do professor, pois o mesmo continua tendo papel fundamental na aprendizagem do aluno, de forma a possibilitar que novos cenários sejam criados em sala de aula. Desse modo, aprender Matemática é muito mais do que decorar listas de fórmulas ou conceitos abstratos; é construir significados, conjecturas e demonstrações a partir da experimentação e da elaboração de estratégias. Outra alternativa para o ensino da Matemática nos dias atuais é a resolução de situações-problema relacionadas com o cotidiano dos alunos que, ao invés da aplicação de fórmulas em exercícios corriqueiros, Allevato (2006) defende que os exercícios podem ser realizados a fim de desenvolver competências necessárias à compreensão de certos conteúdos. Portanto, o presente trabalho tem por foco a reflexão sobre o saber profissional, a relação entre a teoria e a prática e a produção de conhecimentos para a prática como eixo de formação do professor. 3 A implementação da prática Nos projetos mencionados, as atividades realizadas propõem maior envolvimento de alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem matemática e um trabalho de formação continuada de professores. Quanto ao Projeto Social: Prática desenvolvida com os alunos de séries iniciais das escolas periféricas, o mesmo acontece semanalmente nas dependências da instituição. As atividades desenvolvidas nas aulas de Complementação Pedagógica são elaboradas por acadêmicos do Curso de Matemática, que participam do projeto assistidos pelo coordenador do projeto. Tendo em vista a elaboração das atividades, no primeiro dia de

5 aula faz-se um diagnóstico para identificar as maiores dificuldades de aprendizagem matemática que os educandos possuem. Depois de identificadas as dificuldades, são elaboradas atividades diferenciadas para cada aluno, sendo desenvolvidos com o objetivo de revisar conceitos matemáticos já vistos em sala de aula e construir significados matemáticos a partir da utilização de materiais alternativos jogos matemáticos e ambientes para ensinar a Matemática de uma forma mais concreta, prática e criativa. A metodologia de trabalho envolve, basicamente, a utilização de jogos e materiais concretos para trabalhar os conceitos envolvidos. Os alunos que participam das aulas de Complementação Pedagógica apresentam-se, após um determinado período, cada vez mais interessados e seguros, superando dificuldades e desenvolvendo gosto pela Matemática. Já no que se refere ao Projeto de Extensão: Prática desenvolvida com os alunos do Ensino Fundamental e Médio, o mesmo acontece em duas escolas públicas, por meio de encontros semanais, em turno contrário ao das aulas, momento em que se desenvolvem atividades de complementação pedagógica para alunos do Ensino Fundamental e Médio que apresentam dificuldades de aprendizagem matemática. As atividades envolvem propostas diferenciadas para resolução de situações-problema, utilização de materiais concretos, jogos e tecnologias informáticas. Durante as aulas, os alunos têm a oportunidade de rever conceitos, sanar dúvidas, fixar conteúdos de Matemática e construir novos conceitos matemáticos. Outro ponto a ser destacado é o atendimento individualizado que esses alunos recebem, pois é possível identificar a realidade de cada um individualmente, voltando o olhar diretamente para as dificuldades de aprendizagem matemática apresentadas. Às atividades foram incorporados elementos que auxiliam a aprendizagem dos alunos, como a utilização de diferentes materiais, softwares matemáticos e calculadoras. A metodologia envolvida abrange o desenvolvimento de atividades com jogos, diferentes materiais e ambientes com TIC. Os alunos que participam dessas aulas apresentam-se mais entusiasmados ao aprender Matemática e principalmente mais confiantes quanto aos conhecimentos,

6 demonstrando que o trabalho de complementação pedagógica é uma atividade válida no sentido de superar dificuldades e construir saberes. O Projeto de Extensão: Prática de formação continuada com os professores de matemática da Educação Básica, por sua vez, acontece mensalmente no Laboratório de Informática da universidade, por meio de oficinas com o desenvolvimento de atividades teórico-práticas voltadas para o Ensino Fundamental e Médio, além de reflexões teóricas a respeito da Educação Matemática. Durante os encontros, os professores discutem sobre as dificuldades que se apresentam em sala de aula, a inserção das tecnologias informáticas no ensino de Matemática, e reflexões na elaboração de atividades utilizando softwares gratuitos de Matemática, além da produção de atividades para publicação. Os professores participam das oficinas com o objetivo de aprender a trabalhar com os softwares gratuitos de Matemática, construir novas propostas para a prática pedagógica, bem como materiais que auxiliem no ensino da Matemática, além de compartilharem experiências e dificuldades vividas dentro da sala de aula com acadêmicos e professores do Curso de Matemática. Os participantes das oficinas se sentem muito motivados e, com as atividades propostas, realizam e testam práticas nas escolas, dando retorno dos resultados obtidos ao grande grupo a cada encontro. A metodologia utilizada envolve reflexão a respeito de temas pertinentes à prática pedagógica, à realização de atividades práticas com os ambientes de aprendizagem e discussão, demonstração e análise de resultados. 4 Considerações finais Neste artigo apresentamos trabalhos desenvolvidos em projetos de extensão que envolvem alunos e professores do Ensino Fundamental e Médio da região de inserção da URI-Campus de Erechim. A prática constitui-se em momentos de integração com atividades diferenciadas, tendo em vista a retomada e a construção de conceitos matemáticos, e principalmente a construção de uma nova postura em relação à Matemática.

7 A partilha de experiências com os professores que participam das oficinas, bem como a melhora do rendimento escolar dos alunos que participam das aulas de Complementação Pedagógica, torna os projetos relevantes, o que fortalece a integração da universidade com a comunidade, além de proporcionar novas e diferentes oportunidades para o futuro profissional da educação, hoje acadêmico do Curso de Matemática, ou seja, para o profissional em formação inicial. Um trabalho dessa natureza tem por objetivo aproximar a universidade da comunidade, apresentando uma possibilidade diferenciada de trabalho, a qual proporciona momentos de discussão e reflexão a respeito do ensino e da aprendizagem de Matemática, socializando conhecimentos e compartilhando aprendizagens, além de ensinar a disciplina em questão utilizando diferentes recursos didáticos que tornam a arte de aprender Matemática mais significativa. O crescimento de todos os envolvidos é mútuo na relação entre universidade e comunidade. 5 Referências Bibliográficas ALLEVATO, N. S. G. A resolução de problemas com computadores e sem computadores: Que relações os alunos estabelecem?, f. Artigo (III Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática - SIPEM). Águas de Lindoia, SP, BAIRRAL, M.A. Tecnologias da Informação e Comunicação na Formação e Educação Matemática, Rio de Janeiro, Ed. da UFRRJ, BITTAR, M. Integração da tecnologia nas aulas de matemática: Contribuições de um grupo de pesquisa-ação na formação continuada de professores. Anais IV SIPEM, Brasília, D.F., NACARATO, A. M. et al. A matemática nos anos inicias do ensino fundamental: tecendo fios do ensinar e do aprender. Belo Horizonte, MG: Autêntica, NACARATO, A. M. Eu trabalho primeiro no concreto. Revista de Educação Matemática. v. 9, n São Paulo, SP, PAIS, L. C. Educação Escolar e as Tecnologias da Informática. Belo Horizonte, MG: Autêntica, PAIS, L.C. Didática da Matemática: uma análise da influência francesa. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2001.

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