Avaliação antropométrica de crianças

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1 Avaliação antropométrica de crianças Sylvia do Carmo Castro Franceschini Taís Cristina Araújo Magalhães Fabiana de Cássia Carvalho de Oliveira Viçosa Agosto, 2010

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3 Peso: início da vida perda de peso fisiológica (10º a 15º dia) - até 10% do peso ao nascer. Triplica o valor do nascimento ao final do primeiro ano de vida e quadruplica aos dois anos de idade. Comprimento: aumento de 50% ao final do primeiro ano de vida e a criança duplica seu tamanho até os quatro anos de idade.

4 Potencial genético de crescimento poderá ou não ser atingido. Crianças menores de 5 anos a influência dos fatores ambientais é muito mais importante do que a dos fatores genéticos para expressão do seu potencial de crescimento. Grupo extremamente vulnerável

5 Considerado um dos melhores indicadores de saúde da criança. Estreita dependência de fatores ambientais (alimentação, ocorrência de doenças, cuidados gerais e de higiene, condições de habitação e saneamento básico, acesso aos serviços de saúde).

6 Concordância entre as médias de comprimento para idade, entre meninos de 0-24 meses, nos 6 países. Mean of Length (cm) Brazil Ghana India Norway Oman USA Age (days) WHO, Crianças de diversas nacionalidades crescem num ritmo semelhante, desde que submetidas a boas condições de vida.

7 Em boas condições de vida alcance do potencial de crescimento da criança. Condições desfavoráveis (alimentação inadequada, condições de vida precárias, infecções e internações frequentes) déficit no ganho de peso e crescimento. Desnutrição

8 Durante os dois primeiros anos de vida, o déficit de crescimento ocasionado pela desnutrição é reversível. Após essa idade, nota-se que o fenômeno do crescimento compensatório, apesar de ativado, é bem menos intenso.

9 Também passamos a avaliar o estado nutricional de crianças buscando excesso de peso, e não somente nos preocupando com os déficits, apesar de a desnutrição infantil ainda ser de grande relevância em Saúde Pública.

10 Como avaliar o estado nutricional de crianças? Quais parâmetros? Como interpretar as medidas obtidas? Índices antropométricos Referências antropométricas

11 Melhor detectem o problema nutricional; Custos; Habilidade pessoal (treinamento na realização); Tempo de execução; Receptividade da população; Riscos para saúde.

12 Antropometria Exames Bioquímicos Exames clínicos Inquéritos alimentares Métodos diretos Método indireto Devem ser utilizados em conjunto

13 Avaliação das dimensões físicas e da composição global do corpo humano. Método isolado mais utilizado em nível populacional baixo custo, inocuidade e facilidade de execução.

14 Importância da avaliação antropométrica de crianças Avaliações do crescimento permitem conhecer o estado de bem-estar geral de crianças - individual ou coletivamente. Acompanhar adequadamente a criança desde seu nascimento permite prevenir e identificar desvios do crescimento normal e alertar sobre problemas gerais de saúde. (OMS, 1995; Perini et al., 2005)

15 Peso; Comprimento/estatura; Outros: perímetros cefálico, torácico, braquial e abdominal. Devem ser analisados em função da idade e sexo da criança, não devem ser interpretados isoladamente. Ex.: Uma criança pesa 12Kg? Este peso está adequado?

16 Peso: expressa dimensão da massa ou volume corporal (células, tecidos, órgãos e sistemas), se modifica rapidamente em curtos intervalos de tempo. É a medida mais sensível na avaliação nutricional de crianças. Comprimento/Estatura: expressa a dimensão longitudinal ou linear do corpo humano, se altera lentamente. Comprimento medida com a criança deitada, menores de 2 anos. Estatura medida realizada com o indivíduo de pé maiores de 2 anos. Mais utilizados na avaliação nutricional de crianças.

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18 Composição corporal: constante alteração durante o crescimento. Mudanças na composição corporal em crianças Idade Peso Gordura % Componentes da massa magra (kg) (%) Água Proteína Minerais Nascimento 3,5 14,0 80,6 15,0 3,7 1 mês 4,2 15,5 80,5 15,1 3,7 6 meses 7,7 26,0 79,5 16,0 3,7 1 ano 10,1 23,0 79,0 16,6 3,7 5 anos 18,1 15,6 77,0 18,2 4,0 10 anos 32,0 16,5 76,0 19,0 4,3 Fonte: Adaptado de Roche AF, Heymsfield SB& Lohman TG, 1996.

19 São combinações de medidas. Ex: IMC; Peso/Estatura. Peso/Idade Peso/Estatura Estatura/Idade IMC/idade

20 Mais tradicional e amplamente utilizado indicador de estado nutricional; Não permite detectar déficit de estatura ou identificar temporalmente a desnutrição; Variação rápida do peso reflete quase que imediatamente qualquer deterioração ou melhora do estado de saúde; Mais sensível para monitorar crescimento até dois anos, quando o comprimento ainda não tem grande influência (peso varia mais em função da idade).

21 Reflete processo grave e recente de perda de peso; Não pode ser avaliado isoladamente pode estar normal devido à baixa estatura para a idade (não detecta déficit estatural); Wasting (desnutrido atual ou agudo).

22 Reflete o crescimento linear; Ganho estatural é muito lento, um déficit só é evidenciado quando a desnutrição já vem de longa data, ou desnutrição crônica; Não permite detectar déficit de peso; Stunting (desnutrido pregresso).

23 Uso em crianças menores de 5 anos ainda não é consenso devido à variação da composição corporal; Nova recomendação (WHO, 2006) para utilização em crianças com maior risco para obesidade a partir do nascimento, para acompanhamento e detecção precoce.

24 Cuidado no uso do IMC: Crianças hospitalizadas IMC: - 3,5 score-z Massa magra: - 3,2 score-z Gordura corporal: + 1,0 score-z PCSubescapular: + 1,0 score-z PCTricipital: + 3,5 score-z Média de score-z de crianças com myasthenia congênita (Wells & Fewtrell, 2006)

25 Peso/idade Peso/estatura Estatura/idade Interpretações diferentes IMC/idade Não é recomendado utilizar um índice isoladamente.

26 Para comparação com a referência, os índices podem ser expressos em:

27 Escore-z O número de desvios-padrão que o dado obtido está afastado de sua mediana de referência, mostra a variabilidade dos dados. Principal vantagem: em estudos populacionais permite calcular a média e o desvio-padrão para um grupo de escore-z. Melhor na detecção de mudanças nos extremos da distribuição.

28 Escore-z

29 Escore-z Exemplo: Menino 9 anos, estatura de 118cm. Qual o escore-z para o índice estatura/idade? População de referência: mediana (escore-z = 0) 132,2 cm valor de 1 desvio padrão 5,7 cm Escore-Z = (estatura observada) (estatura mediana referência) DP da população referência Escore-Z = ,2 = - 2,49 5,7

30 WHO (1995) Utilização dos valores de escore-z; Empregada para crianças independente da faixa etária; Valores de normalidade definidos entre -2 escore-z e +2 escore z (95,44% das crianças).

31 Desnutrição Risco Nutricional Eutrofia Risco Nutricional Sobrepeso

32 Percentis Posição que um dado se encontra em uma distribuição de referência. São pontos estimados de uma distribuição que determinam uma dada porcentagem de indivíduos que se localizam abaixo ou acima deles. P0 P50 P100 Uma criança se encontra no P10 10% encontram-se abaixo dela e 90% acima

33 Percentis Muito usado em avaliações clínicas devido à sua interpretação direta. O intervalo de valores de percentis correspondem a diferentes mudanças de valores absolutos de peso ou estatura.

34 Percentis Inapropriado para calcular média e DP. Não identifica de forma eficaz pequenas mudanças de peso/estatura nos extremos da distribuição de referência, não sendo útil na avaliação de intervenções. Valores de normalidade em percentis referências antropométricas (NCHS 1977, CDC 2000, WHO 2006 e WHO 2007).

35 Percentis Importante: monitoramento do crescimento.

36 Crescimento adequado: curvas ascendentes. Risco: curvas retas e, especialmente, curvas descendentes.

37 Monitoramento do crescimento normalmente realizado em curvas de percentis, mas novas referências da Organização Mundial da Saúde (2006 e 2007) trazem curvas de crescimento também em z- escore.

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