ANÁLISE DO CRESCIMENTO CORPORAL DE CRIANÇAS DE 0 À 2 ANOS EM CRECHES MUNICIPAIS DE GOIÂNIA

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1 ANÁLISE DO CRESCIMENTO CORPORAL DE CRIANÇAS DE 0 À 2 ANOS EM CRECHES MUNICIPAIS DE GOIÂNIA Juliana Campos Rodovalho 1 ; Ana Karolina Paiva Braga 1 ; Cibelle Kayenne Martins Roberto Formiga 2 ; Lílian Fernanda Pacheco 3 1 Acadêmicas do PVIC/UEG, graduandos do Curso de Fisioterapia, UnU ESEFFEGO - UEG. 2 Orientador, docente do Curso de Fisioterapia, UnU ESEFFEGO UEG. 3 Colaboradora, docente do Curso de Educação Física, UnU ESEFFEGO UEG. RESUMO A avaliação do crescimento é um dos indicadores de saúde da criança, em razão de sua estreita dependência de fatores ambientais, tais como alimentação, ocorrência de doenças, cuidados gerais e de higiene, condições de habitação, saneamento básico e acesso aos serviços de saúde. O objetivo do presente estudo foi analisar o crescimento corporal de crianças de 0 a 2 anos em creches municipais de Goiânia (GO). Este trabalho tem caráter transversal cuja amostra foi composta por 43 crianças, de ambos os sexos, com idade entre 5 meses a 2 anos. Para avaliar o crescimento dos lactentes foi utilizada fita métrica para mensuração do comprimento, perímetro cefálico e perímetro torácico; balança digital, para avaliação do peso e as curvas do National Center for Health Statistics (NCHS) para a classificação do crescimento. Foram coletadas ainda informações sobre o contexto de saúde e condições de vida da criança, questionário sócio-econômico e nível de escolaridade dos pais. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Os dados coletados revelaram que, em relação ao peso, 14% das crianças estavam abaixo da faixa de normalidade nutricional, 79% encontravam-se dentro da faixa de normalidade e 7% estavam com sobrepeso. Quanto ao comprimento, 98% das crianças encontravam-se na faixa de normalidade, 95% foram alimentadas pelo leite materno e 65% eram do sexo feminino. Com base nos resultados encontrados, verifica-se que a maior parte das crianças apresentou taxa de crescimento normal. Contudo, é importante que as crianças que apresentaram risco nutricional sejam acompanhadas para investigar possíveis causas com atenção especial para o desmame, alimentação, cuidados com a criança, afeto e higiene além de orientar a mãe e os cuidadores sobre a alimentação complementar adequada para a idade. Palavras-chave: crescimento infantil; fatores de risco; prevenção. 1

2 INTRODUÇÃO Segundo o Ministério da Saúde do Brasil (2002), o crescimento humano é um processo dinâmico e contínuo, que ocorre desde a concepção até o final da vida, considerando-se os fenômenos de substituição e regeneração de tecidos e órgãos. Ele sofre influências de fatores intrínsecos (atributos geneticamente determinados) e extrínsecos, dentre os quais se destacam a alimentação, a saúde, a higiene, a habitação, o ambiente da vida intrauterina, e os cuidados gerais com a criançam, sendo que, nas crianças menores de cinco anos, a influência dos fatores ambientais é muito mais importante do que a dos fatores genéticos para expressão de seu potencial de crescimento (GIUGLIANI & VICTORA,1997). No Brasil, a avaliação do crescimento desde o nascimento até 72 meses é feita através dos gráficos Estatura/Idade e Peso/Idade, que ilustram o crescimento linear e sua velocidade respectivamente. Esses dados são comparados a uma curva de referência peso/idade e a uma curva para o percentil 0,1, que compatibiliza com o instrumento de capacitação da Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), permitindo uma gradação nos déficits de peso/idade: Peso Baixo (valores entre os percentis 3 e 0,1) e Peso Muito Baixo (valores igual ou inferior ao percentil 0,1). As curvas utilizadas pelo Ministério da Saúde, presentes no Cartão da Criança, são curvas do National Center for Health Statistics de 1977/78 NCHS, adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como padrão internacional (BRASIL, 2002; HAMILL et al., 1979). Drachler et al (2003) sugerem que as condições sócio-econômicas das famílias agem sobre o crescimento infantil, pelo menos em parte, porque influenciam o ambiente físico e social imediato e as condições de saúde da criança, e que a tendência secular do crescimento e a prevalência de menor altura nos grupos desfavorecidos sócio-economicamente indicam que o retardo no crescimento esteja mais relacionado à desnutrição de longa duração por privação alimentar ou morbidade reincidente do que a fatores genéticos. A vigilância nutricional constante faz-se necessária nos países em desenvolvimento, devido à alta prevalência de distúrbios como a desnutrição e, mais recentemente, a obesidade (BISCEGLI, 2007). A avaliação do crescimento da criança, com base em indicadores antropométricos, auxilia a análise do estado nutricional e de saúde individual e populacional. O estudo do crescimento na infância tem contribuído para o acompanhamento das crianças, auxiliando o clínico a antever situações passíveis de prevenção (WHO, 1995; HEICKMANN, 2006). 2

3 O objetivo do presente estudo foi analisar o crescimento corporal de crianças de 0 a 2 anos em creches municipais de Goiânia (GO). MATERIAL E MÉTODOS A pesquisa teve o caráter transversal e contou com uma amostra de 43 lactentes de ambos os sexos, com até 2 anos de idade que frequentarem creches municipais de Goiânia. Para participar da pesquisa, foi necessário que a criança, cadastrada nas instituições que aderirem ao projeto, esteja autorizada pelos pais ou responsáveis, através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os critérios para exclusão dos participantes foram: prematuridade, presença de alguma patologia que levou à necessidade de tratamento intensivo no pós-parto imediato e evidência de infecções congênitas, anomalias cromossômicas e malformações, desistência ou a não autorização dos responsáveis para a participação na pesquisa. Este estudo foi realizado em 5 creches municipais da cidade de Goiânia GO que aderiram ao estudo, mediante a autorização por escrito da Secretaria Municipal da Educação para a realização da pesquisa e ao consentimento da direção de cada unidade. As crianças incluídas foram avaliadas durante o período em que as mesmas estiverem na instituição e por esse motivo, a pesquisa não acarretou nenhum ônus nem para os responsáveis, nem para a instituição. A elaboração da pesquisa foi baseada nas Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos (Resolução 196/1996, do Conselho Nacional de Saúde). O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Goiás e pela Secretaria Municipal da Educação. Os materiais utilizados na avaliação do crescimento dos lactentes foram: Fita métrica para avaliação da altura, perímetro cefálico, perímetro torácico. Balança digital para avaliação do peso; As curvas do NCHS (National Center for Health Statistics), que faz a combinação dessas variáveis permitindo a construção de índices antropométricos como: estatura para a idade, peso para a idade, peso para a estatura e perímetro cefálico para a idade (BRASIL, 2002). Foram caracterizados como baixo para a idade, pesos os pesos abaixo do percentil 3, entre os percentis 97 e 3, representam de normalidade nutricional; peso acima do percentil 97, 3

4 classificou-se como sobrepeso. Em relação à estatura para a idade, foram consideradas como crianças de baixa estatura as que se encontravam na faixa de percentil abaixo de 3. Para registrar o contexto de saúde e condições de vida da criança foram feitas entrevistas para preencher um roteiro de dados de identificação da criança e dos pais da criança com informações referentes à gestação, ao parto e dados neonatais, bem como o peso à condição sócio-econômica da família. Foi utilizada a Classificação Econômica Brasil/2008 da ABEP (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa). RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram avaliadas 43 crianças com idade entre 5 meses e 2 anos, 65% do sexo feminino e 95% foram alimentadas pelo leite materno. As famílias pertenciam às classes econômicas C (51%), B (26%) e D (23%). Os dados coletados revelaram que, em relação ao peso, 14% das crianças estavam abaixo da faixa de normalidade nutricional, 79% encontravam-se dentro da faixa de normalidade e 7% estavam com sobrepeso (Figura 1). Quanto ao comprimento, 98% das crianças encontravam-se na faixa de normalidade e 2% encontravam-se acima dela (Figura 2). Figura 1: Classificação do peso das crianças de acordo com a idade 4

5 Figura 2: Classificação do comprimento das crianças de acordo com a idade Visto que o crescimento consome 32% das necessidades calóricas de um recémnascido, a criança até cinco anos requer cuidados específicos com a sua alimentação. Para que tenha uma influência positiva no crescimento, a dieta da criança deve ter qualidade, quantidade, freqüência e consistência adequadas para cada idade. Para crianças com até 6 meses de idade, o leite materno exclusivo é o melhor alimento (BRASIL, 2002). Nos países em desenvolvimento em geral, o retardo de crescimento inicia-se entre quatro e seis meses de vida, quando ocorre a substituição do aleitamento materno por alimentos de baixo valor nutricional e freqüentemente contaminados, com conseqüente vulnerabilidade para infecções, especialmente as diarréicas (ADAIR, 1997). Os profissionais de saúde devem estar atentos para tratar precocemente desvios nutricionais e preveni-los mediante ações de planejamento familiar, atenção pré-natal e à saúde da mulher e da criança, especialmente relevantes para famílias em piores condições sócio-econômicas (DRACHLER, 2003). CONCLUSÃO Com base nos resultados encontrados,verifica-se que a maior parte das crianças apresentou taxa de crescimento normal. Contudo, é importante que as crianças que apresentaram risco nutricional sejam acompanhadas para investigar possíveis causas com atenção especial para o desmame, alimentação, cuidados com a criança, afeto e higiene além de orientar a mãe e os cuidadores sobre a alimentação complementar adequada para a idade. 5

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAIR, L.S.; GUILKEY, D.K. Age-specific determinants of stunting in Filipin children. J Nutr. 1997; 127: BISCEGLI, T.S. et al. Avaliação do estado nutricional e do desenvolvimento neuropsicomotor em crianças freqüentadoras de creche. Revista Paulista de Pediatria, 2007;25(4): BRASIL. Ministério da Saúde: Acompanhamento do Crescimento e Desenvolvimento Infantil. Série cadernos de Atenção Básica nº 11. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília DF; BRASIL. Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde. Dez passos para uma alimentação saudável, Guia alimentar para crianças menores de 2 anos. Brasília, DRACHLER, M. L. et al. Desigualdade social e outros determinantes da altura em crianças: uma análise multinível. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 19(6): , novdez, GIUGLIANI, E.R.J.; VICTORA, C.G. Normas alimentares para crianças brasileiras menores de dois anos: bases científicas. OPSS/OMS. Gráfica e Editora Brasil. Brasília/DF, HAMILL, P. V. V. et al. Physical growth: National Center for Health Statistics percentiles. The American Journal of Clinical Nutrition. 32: 1979, pp WHO (World Health Organization), Physical Status: The Use and Interpretation of Anthropometric Indicators of Nutritional Status. WHO Technical Report Series 854. Geneva: WHO. HEICKMANN, S.H. et al. Crescimento de nascidos a termo com peso baixo e adequado nos dois primeiros anos de vida. Revista de Saúde Pública, 2006; 40(6):

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