AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO NOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA

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1 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO NOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck Introdução O seguimento ambulatorial dos recém-nascidos (RN), iniciando até 7 dias após a alta hospitalar, é importante para a promoção e prevenção à saúde, propiciando uma adequada alimentação, imunização e vigilância do seu crescimento e desenvolvimento, evitando ou minimizando os problemas clínicos que podem vir a apresentar. Em relação à vigilância do crescimento da criança é importante salientar a necessidade da avaliação longitudinal, por meio da plotagem das medidas aferidas em gráficos padronizados. No momento atual, é importante reforçar a necessidade dessa vigilância do crescimento, para verificar a situação nutricional da criança, salientando que esta irá influenciar na susceptibilidade em contrair doenças, especialmente infecciosas, e nos quadros de desnutrição. A probabilidade de morrer em função de determinada doença duplica em crianças moderadamente desnutridas e triplica nas gravemente desnutridas. Porém, deve preocupar também a criança com sobrepeso ou obesidade, que estão associadas com doenças crônicas, como hipertensão, doenças vasculares e diabetes tipo II. O crescimento é um processo contínuo, complexo e depende de fatores tais como, genéticos, nutricionais, hormonais e ambientais. Deve ser aferido por meio das seguintes medidas antropométricas: peso, comprimento/estatura e perímetro cefálico. A partir dessas medidas deve-se determinar os índices antropométricos: peso para a idade, comprimento/estatura para a idade, peso para estatura, índice de massa corpórea (IMC) e velocidade de crescimento. A Área Técnica da Saúde da Criança e Adolescente, juntamente com a Rede de Proteção à Mãe Paulistana, optaram por utilizar as curvas de crescimento da OMS apresentadas em Escore Z, que foram disponibilizadas em toda a Rede Municipal de Saúde. Peso A avaliação do peso expressa a dimensão da massa ou volume corporal, incluindo a massa magra e o tecido adiposo. Por causa disso apresenta mudanças em curtos intervalos de tempo. É fácil de ser aferida e detecta alterações rapidamente. Pode diagnosticar desnutrição precoce, recuperação nutricional e sobrepeso. O peso é usado para calcular os índices de peso/idade, peso/estatura e IMC. Em relação à evolução ponderal observa-se que o peso dobra ao redor do 5º ou 6º mês de vida, triplica até 1 ano e quadruplica no final do 3 ano de vida. O peso deve ser aferido e plotado em curvas de referência para sexo e idade e irá refletir o ganho ponderal em relação à idade cronológica. Deve-se salientar que uma medida isolada não diferencia o comprometimento

2 nutricional, enquanto que a avaliação continuada permite uma avaliação mais consistente podendo determinar se ou quando ocorreu o agravo. Se tiver uma medida isolada de peso ao plotar na curva pode-se ter uma classificação do grau da nutrição baseada na curva de referência (gráfico 1), conforme tabela 1. A avaliação pontual tem como limitações a impossibilidade de diferenciar entre a desnutrição aguda ou crônica e dificulta a quantificação da desnutrição. Gráfico 1. Peso por idade, sexo masculino, do nascimento até 5 anos de idade Tabela 1. Classificação da nutrição de acordo com o Peso e a Idade, baseada em apenas em 1 medida isolada e o gráfico de referência Escore Z < - 3: desnutrição grave Escore Z < - 2 a 3: desnutrição leve a moderada Escore Z - 2 a +2: eutrófico Escore Z > + 2: sobrepeso Escore Z > + 3: obesidade A avaliação continuada do peso da criança possibilita identificar a evolução ponderal, detectando precocemente desvios nutricionais e

3 possibilitando a atuação mais imediata para correção desses desvios como pode ser visto no exemplo abaixo (Gráfico 2). Gráfico 2. Curva ponderal de criança do sexo masculino até 18 meses de idade BCP COMPRIMENTO/ESTATURA A avaliação da altura nos primeiros 2 anos de idade é realizada com a criança deitada, através do antropômetro de mesa e é denominado comprimento (figura 1). Acima de 2 anos avalia-se através do antropômetro de parede ou na balança com a criança em pé, denominada de estatura (figura 2). Comprimento/Estatura A avaliação da altura nos primeiros 2 anos de idade é realizada com a criança deitada, utilizando-se o antropômetro de mesa e é denominado comprimento. Acima de 2 anos avalia-se por meio do antropômetro de parede ou na balança, com a criança em pé, denominada de estatura. O comprimento aumenta em torno de 50% no primeiro ano de vida. A medida da altura é o indicador de crescimento linear da criança, sendo suas variações bem mais lentas do que o peso e, portanto, reflete os agravos crônicos. Se os agravos ocorrem nos primeiros dois anos de vida a intervenção nutricional pode reverter o comprometimento, mas se os mesmos surgirem acima de 2 anos, a recuperação será muito mais difícil. A altura também reflete os efeitos cumulativos de situações adversas e pode ser um parâmetro para aferir a qualidade de vida de uma população. Para a avaliação utiliza-se o gráfico de comprimento/estatura para a idade cronológica, de acordo com o sexo, na forma de escore Z (Gráfico 3) e a interpretação pode ser vista na tabela 2.

4 Gráfico 3. Comprimento/estatura por idade, sexo masculino, do nascimento até 5 anos de idade Tabela 2. Classificação da altura de acordo com o comprimento/estatura e a Idade, baseada apenas em 1 medida isolada e o gráfico de referência Escore Z < - 3: Baixa estatura grave Escore Z < - 2 a 3: Baixa estatura moderada Escore Z - 2 a +2: Normal A avaliação contínua da criança propicia diagnóstico mais precoce, favorecendo a intervenção em fase mais adequada para corrigir ou minimizar o problema. Nas crianças acima de 2 anos pode-se avaliar analisando o peso e a estatura para aprimorar o diagnóstico nutricional da criança através da curva peso/estatura (gráfico 4).

5 Gráfico 4. Peso/Estatura, sexo masculino 2 até 5 anos Utilizando-se os gráficos de estatura/idade e peso/estatura pode-se calcular, por meio da classificação de Waterlow (modificada por Batista), o grau de comprometimento nutricional em crianças de 2 a 10 anos, conforme Quadro 1 e Tabela 3. Quadro 1. Cálculo para a classificação de Waterlow (modificado por Batista) P/E (%) = Peso observado x 100 Peso esperado (Z=0) para estatura observada E/I (%) = Estatura observada para idade x 100 Estatura esperada para idade (Z=0) Tabela 3. Referencial utilizado para analisar os dados E/I P/E > 95% < 95% > 90% eutrófico desnutrição pregressa < 90% desnutrição atual desnutrição crônica

6 Perímetro cefálico O crescimento cerebral, que diferentemente de outras partes do corpo, tem 83,6 por cento de seu crescimento completado dentro do primeiro ano de vida. Assim sendo, o perímetro cefálico (PC) é uma medida antropométrica que pode fornecer dados sobre a nutrição ocorrida nos dois primeiros anos de vida. Apresenta um rápido crescimento nos primeiros seis meses de vida, sendo 2 cm ao mês até três meses (6 cm), 1 cm ao mês dos três aos seis meses (3 cm) e 0,5 cm ao mês dos seis meses até completar 1 ano de vida (3 cm). Ao nascimento, o PC é em torno de 33 a 36 cm e, aos dois anos, mede 47 a 51cm. Aos 3 anos de idade o PC está próximo do tamanho final. A aferição do PC deve integrar a avaliação básica do crescimento e desenvolvimento da criança. Deve ser obtido em todas as consultas, conforme a técnica descrita na tabela 5, e seu valor plotado na curva de referência de acordo com a idade e o sexo. A interpretação dos dados pode ser vista na tabela 4. Tabela 4. Classificação do PC, baseada apenas em 1 medida isolada e o gráfico de referência Escore Z < - 2: microcrania Escore Z < - 2 a +2: normal Escore Z > +2: macrocrania Tabela 5. Métodos para aferição dos parâmetros antropométricos Medida Idade Instrumento Procedimento Peso < 2 anos Balança até 16 kg, Altura / Estatura Perímetro cefálico Despida, deitada no prato da balança. divisões de 10 g > 2 anos Balança adulto Despida, em pé. < 2 anos Régua antropométrica Deitada, com cabeça mantida fixa numa extremidade pela mãe, o médico estende as pernas da criança com uma mão e guia o cursor com a outra. > 2 anos Régua antropométrica vertical Posição ereta com os calcanhares próximos e a postura alinhada. Fita métrica A fita deve passar pelas partes mais salientes do frontal e do occipital.

7 Conclusão O acompanhamento adequado, atento para os desvios do crescimento da criança, irá propiciar um indivíduo com melhores condições, possibilitando uma qualidade de vida mais saudável. Pode, inclusive, evitar ou minimizar o aparecimento das doenças crônicas na fase de adolescente e adulto. Bibliografia 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica da Saúde da Criança e Aleitamento Materno. Manual para utilização da caderneta de saúde da criança. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, Área Técnica da Saúde da Criança e Aleitamento Materno. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.

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