Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação"

Transcrição

1 Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Maria José Gontijo Salum Em suas Contribuições à Psicologia do Amor, Freud destacou alguns elementos que permitem orientar a clínica psicanalítica, no que diz respeito à eleição do objeto amoroso. Para Freud, o modo como os neuróticos se comportam em relação ao amor pode ser localizado a partir de alguns tipos que são construídos no Complexo de Édipo. No presente artigo, interessa-nos especialmente destacar a segunda contribuição, intitulada Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor, pois, de acordo com Freud (1912/1969), trata-se de uma forma tipicamente masculina para a escolha dos objetos de amor e de desejo. Embora Freud lance no título a advertência de que se trata de uma tendência, ele ressalta seu caráter universal. Por isso, podemos presumir que, de acordo com ele, a depreciação seria a forma tipicamente masculina de abordar a parceria. Esta tendência universal pode ser resumida da seguinte forma: existem duas correntes que devem ser combinadas para assegurar um comportamento amoroso normal, nos dizeres de Freud a corrente afetiva e a sensual. A afetiva é a mais antiga e se forma nos primeiros anos de vida. Ela se dirige aos familiares da criança, àqueles que dela cuidam. Nesse mesmo texto, Freud (1912/1969) afirma que, desde o início, essa corrente possui componentes da pulsão sexual, embora sua base sejam as pulsões de autoconservação. Portanto, a corrente afetiva corresponde à escolha de objeto primária da criança, os objetos primitivos serão fixados e persistem por toda a vida infantil. Na puberdade, um novo destino poderá ser dado à corrente sensual, pois ela não deverá permanecer como um componente da corrente afetiva. Ao contrário, a partir da puberdade, a corrente sensual deverá encontrar um objeto próprio. Freud afirma que, devido à barreira do incesto, os objetos familiares terão que 1

2 ser abandonados e, desta forma, a criança deverá encontrar um caminho para novos objetos. Porém, esses novos objetos serão escolhidos segundo o modelo dos objetos infantis e, da mesma forma, deverão atrair a afeição. O complexo de Édipo e o laço amoroso Freud (1912/1969) relembra o preceito bíblico que profere que o homem deixará pai e mãe para se unir a uma mulher. Com isso, afeição e sensualidade deverão se associar. Combinar as correntes afetiva e sensual decorre do Édipo. Melhor dizendo, do destino deste complexo, como nos mostra Lacan (1995). É preciso que se possa erigir o pai como real aquele que soube transmitir a castração. Esta operação equivale à transmissão do falo para a criança e decorre dessa transmissão que se possa fazer do uso deste significante na puberdade. Como afirmado acima, a puberdade permite o acesso à satisfação da corrente sensual. Somente a partir dessa transformação, será possível abordar uma mulher como objeto de satisfação sexual. Todo o desafio será conseguir combinar, no mesmo objeto, a corrente sensual e a afetiva, estabelecendo o que chamamos de laço amoroso com o outro. A dificuldade de estabelecer o laço decorre do fato de que a corrente afetiva, até então, era satisfeita pelos objetos familiares. Assim, entra em ação a estratégia da depreciação. Para amar o objeto de satisfação sexual é preciso que ele porte traços daquela que ocupou o lugar da mãe, mas, é também preciso que o novo objeto não fique no mesmo lugar idealizado: é necessário que, em comparação com a mãe, ele seja depreciado, que tenha um ponto de falta. O pai terá uma função crucial nesta operação. Uma divisão deve ser operada para a criança, em relação ao objeto de afeto: embora seja sua mãe, este objeto também é a mulher de seu pai. Freud adverte que a tendência à depreciação, levada às últimas conseqüências, acarretaria em impotência psíquica, em decorrência da separação das correntes afetiva e sensual. Os homens dominados por essa clivagem quando amam não desejam e, quando desejam, não podem amar, é o que conclui Freud. 2

3 Na clínica psicanalítica, cada vez mais encontramos exemplos de sujeitos embaraçados com esta clivagem apontada por Freud a dificuldade na combinação das correntes afetiva e sensual. Interessa-nos destacar os casos que apresentam dificuldades na vertente do afeto, diferente dos exemplos freudianos, os quais demonstravam a impotência na satisfação da corrente sensual. Assim, gostaríamos de discutir uma forma de impotência mais contemporânea: a impotência no amor, impedindo o estabelecimento do laço com o outro. A impotência no amor: um fragmento clínico Foi diante de uma situação como essa que um paciente, nomeado como Sávio, procurou um tratamento psicanalítico. Ele chegou à entrevista queixandose de impotência sexual com a namorada; diz não sentir desejo algum por ela e, quando acontece de terem relação sexual, é de uma forma forçada. A perda de interesse sexual já acontecera antes com outras mulheres e, novamente, estava se repetindo, por isso estava bastante preocupado. Sávio conta que quase não namora. Abriu uma exceção para esta moça, comenta rindo. Aos dezesseis anos, iniciou sua vida sexual com uma vizinha um pouco mais velha. Os dois passavam as tardes juntos, mas ela, às vezes, lhe dizia que havia transado com outro homem. Ele fingia que não estava escutando e não falava nada. Seus namoros de juventude foram marcados por muito ciúme. Vigiava as namoradas, verificava os horários, vasculhava suas agendas. Depois de alguns fracassos amorosos decidiu que não teria mais ciúmes e começou a desenvolver uma estratégia para isso: não só fantasiava a traição, o que era feito através do ciúme, mas passou a atuar esta fantasia mantendo relacionamento abertos, só para transar, sem estabelecer vínculo afetivo. À medida que as entrevistas se sucederam surgiram as primeiras explicações para o contexto no qual se dava a impotência. Ele perdia o interesse sexual com um tipo específico de mulheres, justamente aquelas que ele poderia estabelecer um relacionamento mais sério, a ponto de pensar na possibilidade de se casar. Foi isso o que aconteceu com a referida namorada: 3

4 passou por sua cabeça que aquilo poderia dar em casamento e, depois desse pensamento, não conseguiu desejá-la mais. À primeira vista, este seria um caso típico descrito por Freud no artigo sobre a depreciação. Contudo, o que nos interessa nele é verificar como uma escolha amorosa orientada edipianamente, uma escolha clássica, pode-se dizer, assume feições novas. Principalmente, porque Sávio recorre às ofertas contemporâneas no mercado do gozo a fim de não estabelecer o laço amoroso. Quando namora, se dedica a convencer a moça a freqüentar locais onde se pratica a troca de casais, como fez com a referida namorada. Tudo indica que se trata de uma estratégia para transformar uma mulher que seria para casar em uma prostituta 1. Sávio tem por volta de 40 anos, é bem sucedido profissionalmente e, desde muito jovem, decidiu que não queria se casar e nem ter filhos. Por isso, submeteu-se a uma vasectomia. Ele explica o motivo de uma intervenção tão radical aos 23 anos de idade: naquela época não se usava camisinha e, para não correr o risco de que uma mulher engravidasse dele, resolveu que essa seria a melhor solução. A paternidade constitui para Sávio em um impasse e ele se defende da possibilidade de procriar, através de um ato. É interessante questionarmos seu estatuto: trata-se de uma passagem ao ato ou um acting-out? De todo modo, fazendo uma vasectomia, ele se preveniu da possibilidade de desejar ser pai, caso se deparasse com um possível chamado à paternidade. Com esta atuação ele retirou de si uma qualidade fálica por excelência. O ponto crucial deste caso é, justamente, a anulação do falo diante do embaraço no campo do amor no encontro com uma mulher. Através da atuação, ele corta a possibilidade de laço com o outro sexo. Ele tem uma vida sexual intensa, várias amizades coloridas, vários grupos de trocas de casais. Isso não lhe causa nenhum problema, pois a copulação não faz laço. Contudo, a possibilidade de encontro que o laço amoroso apresenta, retorna para ele como 1 Na edição standard das obras de Freud o termo alemão Dirne foi traduzido por prostituta. Há um inconveniente no termo prostituta, já que ele denota uma relação financeira. Um equivalente em português para Dirne poderia ser a vadia. 4

5 impotência. O tratamento psicanalítico pode permitir que ele encontre o desencontro amoroso, colocando palavras onde estavam os atos. Desta forma, ele poderá ter acesso ao falo para abordar uma mulher e tomá-la como sua. Bibliografia: FREUD, S. Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor (Contribuições à Psicologia do Amor II). (1912). In: Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. 11. Rio de janeiro: Imago editora, p LACAN, J. O Seminário: livro 4, A relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, p LAURENT, E. De Tel Aviv à Rome, entre ombres et lumières. In: Quarto nº 87. Belgique: revue de psychanalyse - Ecole de la Cause freudienne ACF p MILLER, J.A. A teoria do parceiro. In: Os circuitos do desejo na vida e na análise. Rio de Janeiro: editora contra capa, p Logicas de la vida amorosa. Buenos Aires: ediciones Manantial (y otros). La pareja y el amor.buenos Aires: Paidós

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Analícea Calmon Seguindo os passos da construção teórico-clínica de Freud e de Lacan, vamos nos deparar com alguns momentos de

Leia mais

Feminilidade e Angústia 1

Feminilidade e Angústia 1 Feminilidade e Angústia 1 Claudinéia da Cruz Bento 2 Freud, desde o início de seus trabalhos, declarou sua dificuldade em abordar o tema da feminilidade. Após um longo percurso de todo o desenvolvimento

Leia mais

Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? nossos tempos não foge à regra. As mulheres, afetadas pela condição de não-todas,

Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? nossos tempos não foge à regra. As mulheres, afetadas pela condição de não-todas, Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? Fernanda Samico Küpper É notória a contribuição que as mulheres sempre deram à engrenagem da psicanálise enquanto campo teórico. Desde Anna O., passando

Leia mais

UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO

UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO 2015 Marcell Felipe Alves dos Santos Psicólogo Clínico - Graduado pela Centro Universitário Newton Paiva (MG). Pós-graduando em

Leia mais

CONTEMPORANEIDADE. Palavras-chave: pai, interdição do incesto, Lei, complexo de Édipo, contemporaneidade, psicanálise.

CONTEMPORANEIDADE. Palavras-chave: pai, interdição do incesto, Lei, complexo de Édipo, contemporaneidade, psicanálise. A FUNÇÃO DO PAI NA INTERDIÇÃO E NA LEI: UMA REFLEXÃO SOBRE IDENTIFICAÇÃO E VIOLÊNCIA NA CONTEMPORANEIDADE. Jamille Mascarenhas Lima Psicóloga, Universidade Federal da Bahia. Especialista em psicomotricidade,

Leia mais

Há ou não um ato sexual? 1

Há ou não um ato sexual? 1 Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 13 março 2014 ISSN 2177-2673 Há ou não um ato sexual? 1 Patrícia Badari Um, dois, três..., uma série de homens, uma série de encontros sexuais é o que ouvimos

Leia mais

O amor em análise: algumas considerações a partir de depoimentos de passe Jussara Jovita Souza da Rosa

O amor em análise: algumas considerações a partir de depoimentos de passe Jussara Jovita Souza da Rosa Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 14 julho 2014 ISSN 2177-2673 : algumas considerações a partir de depoimentos de passe Jussara Jovita Souza da Rosa [...] Falar de amor, com efeito, não se

Leia mais

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset No início da experiência analítica, foi o amor, diz Lacan 1 parafraseando a fórmula no

Leia mais

O SUPEREU NA DEMANDA DE AMOR INSACIÁVEL DAS MULHERES

O SUPEREU NA DEMANDA DE AMOR INSACIÁVEL DAS MULHERES O SUPEREU NA DEMANDA DE AMOR INSACIÁVEL DAS MULHERES Daniela de Oliveira Martins Mendes Daibert Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ);

Leia mais

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 Arlete Mourão 2 Essa frase do título corresponde à expressão utilizada por um ex-analisando na época do final de sua análise.

Leia mais

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO Denise de Fátima Pinto Guedes Roberto Calazans Freud ousou dar importância àquilo que lhe acontecia, às antinomias da sua infância, às suas perturbações neuróticas, aos seus sonhos.

Leia mais

Desdobramentos: A mulher para além da mãe

Desdobramentos: A mulher para além da mãe Desdobramentos: A mulher para além da mãe Uma mulher que ama como mulher só pode se tornar mais profundamente mulher. Nietzsche Daniela Goulart Pestana Afirmar verdadeiramente eu sou homem ou eu sou mulher,

Leia mais

Transformações na intimidade no século XXI

Transformações na intimidade no século XXI Transformações na intimidade no século XXI Sissi Vigil Castiel* A clínica de anos atrás era freqüentada principalmente por mulheres que vinham por desventuras amorosas, por não entenderem o que os homens

Leia mais

Acting out: como tirar proveito dele? Lacan nos diz no seminário As formações do inconsciente, coisas muito

Acting out: como tirar proveito dele? Lacan nos diz no seminário As formações do inconsciente, coisas muito Acting out: como tirar proveito dele? Lacan nos diz no seminário As formações do inconsciente, coisas muito interessantes a respeito do acting out, entre elas, que ele é uma mensagem... sempre dirigido

Leia mais

A Outra: o delírio da histérica

A Outra: o delírio da histérica Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 1 Ana Martha Maia e Maria Fátima Pinheiro Desde Freud, podemos dizer que a fantasia e o delírio são construções ficcionais

Leia mais

A bela Junie 1 : uma conversa sobre o amor Ângela Batista 2

A bela Junie 1 : uma conversa sobre o amor Ângela Batista 2 A bela Junie 1 : uma conversa sobre o amor Ângela Batista 2 Chistophé Honoré, diretor do filme A bela Junie, inspira-se no romance A Princesa de Clèves, publicado anonimamente por Madame de Lafayette,

Leia mais

A prova da devastação Daniela Goulart Pestana

A prova da devastação Daniela Goulart Pestana A prova da devastação Daniela Goulart Pestana A comunicação que segue procura pensar algumas especificidades constitucionais do feminino a partir do aforismo lacaniano: Não há relação sexual. Para dizer

Leia mais

A CONSTRUÇÃO DO AMOR MATERNO NA RELAÇÃO MÃE-BEBÊ: REFLEXÕES A PARTIR DA PSICANÁLISE.

A CONSTRUÇÃO DO AMOR MATERNO NA RELAÇÃO MÃE-BEBÊ: REFLEXÕES A PARTIR DA PSICANÁLISE. A CONSTRUÇÃO DO AMOR MATERNO NA RELAÇÃO MÃE-BEBÊ: REFLEXÕES A PARTIR DA PSICANÁLISE. Cléa Maria Ballão Lopes 1 Nos últimos tempos venho trabalhando com gestantes e puérperas, diretamente via atendimento

Leia mais

QUANDO AMAR É DAR AQUILO QUE SE TEM...

QUANDO AMAR É DAR AQUILO QUE SE TEM... QUANDO AMAR É DAR AQUILO QUE SE TEM... Adelson Bruno dos Reis Santos adelsonbruno@uol.com.br Mestrando em Psicologia - IP/UFRJ; Bolsista CAPES; Membro do CLINP-UFRJ/CNPq (Grupo de Pesquisa Clínica Psicanalítica);

Leia mais

Tudo o que gosto é ilegal, imoral ou engorda

Tudo o que gosto é ilegal, imoral ou engorda Tudo o que gosto é ilegal, imoral ou engorda Maria Cristina da Cunha Antunes Flávia Lana Garcia de Oliveira Introdução: O campo freudiano de orientação lacaniana trabalha segundo o axioma de que não há

Leia mais

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Sinthoma e fantasia fundamental no caso do homem dos ratos * Cleide Maschietto Doris Rangel Diogo ** O Homem dos ratos 1 é um caso de neurose muito comentado,

Leia mais

A descoberta freudiana da fantasia fundamental* Palavras-chave: fantasia, clínica, neurose, realidade psíquica

A descoberta freudiana da fantasia fundamental* Palavras-chave: fantasia, clínica, neurose, realidade psíquica A descoberta freudiana da fantasia fundamental* Palavras-chave: fantasia, clínica, neurose, realidade psíquica Laureci Nunes A fantasia fundamental, aspecto central da vida psíquica, orienta a clínica

Leia mais

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Inovação em psicanálise: rumos e perspectivas na contemporaneidade Quarta-feira 10/6 10h30-12h Mesa-redonda Saúde mental e psicanálise

Leia mais

A palavra que humaniza o desejo

A palavra que humaniza o desejo 1 A palavra que humaniza o desejo Cristina Drummond Palavras-chave: pai, desejo, criança, Gide. Proponho tomarmos o caso Amâncio como um paradigma da função do romance familiar para a amarração de um sujeito.

Leia mais

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial.

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. Claudia Wunsch. Psicóloga. Pós-graduada em Psicanálise Clínica (Freud/Lacan) Unipar - Cascavel- PR. Docente do curso de Psicologia da Faculdade

Leia mais

RETIFICAÇÃO SUBJETIVA: OS CONTRAPONTOS ENTRE A CLÍNICA PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA

RETIFICAÇÃO SUBJETIVA: OS CONTRAPONTOS ENTRE A CLÍNICA PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA RETIFICAÇÃO SUBJETIVA: OS CONTRAPONTOS ENTRE A CLÍNICA PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA Marcio Luiz Ribeiro Bacelar Wilson Camilo Chaves A expressão retificação subjetiva está presente tanto nas

Leia mais

Feminilidade e Violência

Feminilidade e Violência Feminilidade e Violência Emilse Terezinha Naves O tema sobre a violência e a feminilidade apresenta-se, nas mais diversas áreas do conhecimento, como um tema de grande interesse, quando encontramos uma

Leia mais

O sujeito e o sexual: no contado já está o contador

O sujeito e o sexual: no contado já está o contador O sujeito e o sexual: no contado já está o contador Nilda Martins Sirelli Psicanalista, doutoranda em Memória Social pela UNIRIO, professora do curso de graduação em Psicologia da Universidade Estácio

Leia mais

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM Maria Elisa França Rocha A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da sexualidade, bem como conhecer suas fantasias e as teorias que

Leia mais

Os princípios da prática analítica com crianças

Os princípios da prática analítica com crianças Os princípios da prática analítica com crianças Cristina Drummond Palavras-chave: indicação, tratamento, criança, princípios. As indicações de um tratamento para crianças Gostaria de partir de uma interrogação

Leia mais

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Henrique Figueiredo Carneiro Liliany Loureiro Pontes INTRODUÇÃO Esse trabalho apresenta algumas considerações,

Leia mais

Palavras chave: Desamparo, mãe, feminilidade, infância, objeto a.

Palavras chave: Desamparo, mãe, feminilidade, infância, objeto a. A FILHA ENTRE A MÃE E A MULHER Cláudia Regina de Oliveira Mestranda em Pesquisa e Clínica em Psicanálise da UERJ Leila Guimarães Lobo de Mendonça Mestranda em Pesquisa e Clínica em Psicanálise da UERJ

Leia mais

FUNÇÃO MATERNA. Luiza Bradley Araújo 1

FUNÇÃO MATERNA. Luiza Bradley Araújo 1 FUNÇÃO MATERNA Luiza Bradley Araújo 1 Entendemos por função materna a passagem ou a mediação da Lei que a mãe opera. Nós falamos de uma função e não da pessoa da mãe, função de limite entre o somático

Leia mais

5. Referências bibliográficas:

5. Referências bibliográficas: 82 5. Referências bibliográficas: ASSOUN, P. Lecciones Psicoanalíticas sobre Hermanos y Hermanas., Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1998. BENGHOZI, P. E FERÉS- CARNEIRO, T. Laço frátrio e continente

Leia mais

A TRANSFERÊNCIA NA SALA DE AULA

A TRANSFERÊNCIA NA SALA DE AULA A TRANSFERÊNCIA NA SALA DE AULA BUCK, Marina Bertone Discente do Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências da Saúde FASU/ACEG GARÇA/SP BRASIL e-mail: marina.bertone@hotmail.com SANTOS, José Wellington

Leia mais

A Estrutura na Psicanálise de criança

A Estrutura na Psicanálise de criança A Estrutura na Psicanálise de criança Maria de Lourdes T. R. Sampaio O que está na cabeça do filho depende de seu desejo 1 Esta frase de Alfredo Jerusalinsky, que se refere à ilusão de alguns pais de que

Leia mais

Ser mãe hoje. Cristina Drummond. Palavras-chave: família, mãe, criança.

Ser mãe hoje. Cristina Drummond. Palavras-chave: família, mãe, criança. Ser mãe hoje Cristina Drummond Palavras-chave: família, mãe, criança. Hoje em dia, a diversidade das configurações familiares é um fato de nossa sociedade. Em nosso cotidiano temos figuras cada vez mais

Leia mais

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2 DAR CORPO AO SINTOMA NO LAÇO SOCIAL Maria do Rosário do Rêgo Barros * O sintoma implica necessariamente um corpo, pois ele é sempre uma forma de gozar, forma substitutiva, como Freud bem indicou em Inibição,

Leia mais

Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC

Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC O Pai em Freud 1997 O Pai em Freud Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC Conteudo: Pais freudianos... 3 O pai de Dora... 3 O pai de Schreber.... 4 O pai castrador, que é o terceiro em Freud,

Leia mais

A criança, a lei e o fora da lei

A criança, a lei e o fora da lei 1 A criança, a lei e o fora da lei Cristina Drummond Palavras-chave: criança, mãe, lei, fora da lei, gozo. A questão que nos toca na contemporaneidade é a do sujeito às voltas com suas dificuldades para

Leia mais

DO DESENVOLVIMENTO DA TEORIA PULSIONAL FREUDIANA PARA UMA REFLEXÃO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE AMOR E ÓDIO. Ligia Maria Durski

DO DESENVOLVIMENTO DA TEORIA PULSIONAL FREUDIANA PARA UMA REFLEXÃO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE AMOR E ÓDIO. Ligia Maria Durski DO DESENVOLVIMENTO DA TEORIA PULSIONAL FREUDIANA PARA UMA REFLEXÃO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE AMOR E ÓDIO. Ligia Maria Durski Iniciemos este texto fazendo uma breve retomada de alguns momentos importantes da

Leia mais

O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1

O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1 O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1 I Introdução O objetivo deste trabalho é pensar a questão do autismo pelo viés da noção de estrutura, tal como compreendida

Leia mais

Esse estranho que nos habita. neuroses clássicas e atuais Marcia Zucchi

Esse estranho que nos habita. neuroses clássicas e atuais Marcia Zucchi Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 14 julho 2014 ISSN 2177-2673 : o corpo nas neuroses clássicas e atuais Marcia Zucchi Introdução Foi através dos mistérios do corpo que Freud criou a psicanálise.

Leia mais

O homem supérfluo e o pai necessário

O homem supérfluo e o pai necessário O homem supérfluo e o pai necessário 1996 O homem supérfluo e o pai necessário Márcio Peter de Souza Leite (in "Psicanálise: problemas do feminino, Forbes, J. (org.), ed. Papirus, Campinas-SP, 1996) Conteúdo

Leia mais

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental -2010. Trabalho para Mesa-redonda

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental -2010. Trabalho para Mesa-redonda IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental -2010 Trabalho para Mesa-redonda TÍTULO: Amor e ódio na neurose obsessiva: a questão do domínio

Leia mais

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010.

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. Os nomes dos modos de sofrimentos atuais, ou, Transtornos

Leia mais

O RECURSO À BISSEXUALIDADE PSÍQUICA NA TEORIA FREUDIANA DA SEXUALIDADE: A PEDRA ANGULAR DE ARTICULAÇÃO ENTRE PULSÃO E INCONSCIENTE?

O RECURSO À BISSEXUALIDADE PSÍQUICA NA TEORIA FREUDIANA DA SEXUALIDADE: A PEDRA ANGULAR DE ARTICULAÇÃO ENTRE PULSÃO E INCONSCIENTE? O RECURSO À BISSEXUALIDADE PSÍQUICA NA TEORIA FREUDIANA DA SEXUALIDADE: A PEDRA ANGULAR DE ARTICULAÇÃO ENTRE PULSÃO E INCONSCIENTE? Rafael Andrade dos Santos Este pequeno trabalho visa clarificar alguns

Leia mais

Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América

Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América Entrevistada: Elisa Alvarenga Diretora Geral do IPSM-MG e Presidente da FAPOL (Federação Americana de Psicanálise de Orientação Lacaniana). E-mail:

Leia mais

Latusa Digital ano 3 Nº 24 setembro de 2006

Latusa Digital ano 3 Nº 24 setembro de 2006 Latusa Digital ano 3 Nº 24 setembro de 2006 Filho, não vês que estou queimando! Ondina Maria Rodrigues Machado * Fui a Salvador para o XV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, mas não só para isso. Fui

Leia mais

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos?

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Luciana Silviano Brandão Lopes Quem já não teve a sensação de ter tido muitos

Leia mais

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 Patrícia Guedes 2 Comemorar 150 anos de Freud nos remete ao exercício de revisão da nossa prática clínica. O legado deixado por ele norteia a

Leia mais

A invenção da mulher

A invenção da mulher Page 1 of 5 Artigos A invenção da mulher por Marcus do Rio Teixeira A feminilidade tem um quê de enigmático; por não poder ser totalmente contida na significação fálica que organiza a sexualidade masculina,

Leia mais

O trauma da poesia inconsciente

O trauma da poesia inconsciente O trauma da poesia inconsciente Marlise Eugenie D Icarahy Psicanalista, doutoranda do Programa de pós-graduação em Psicanálise da UERJ e psicóloga da Prefeitura do Rio de Janeiro. O complexo de Édipo,

Leia mais

PODERES DO PSICANALISTA

PODERES DO PSICANALISTA Estados Gerais da Psicanálise: Segundo Encontro Mundial, Rio de Janeiro 2003 PODERES DO PSICANALISTA Nelisa Guimarães O título tem o duplo sentido de discutir o que pode um psicanalista na clínica a partir

Leia mais

Miller, J. A Un répartiroire sexuel, in: La Cause Freudienne, numero 34, Paris Navarin, 1998, pags 7-28 2

Miller, J. A Un répartiroire sexuel, in: La Cause Freudienne, numero 34, Paris Navarin, 1998, pags 7-28 2 O ANALISTA-PARCEIRO-SINTHOMA DA HISTÉRICA Tania Coelho dos Santos - Membro da EBP/Rio e da AMP Eu defendo que a clínica psicanalítica hoje precisa orientar-se pelo parceiro-sinthoma. 1 Isso signfica que

Leia mais

Traumatismo, repetição e comportamento infracional 1

Traumatismo, repetição e comportamento infracional 1 Traumatismo, repetição e comportamento infracional 1 Aline Guimarães Bemfica 2 Em Moral sexual civilizada e doença nervosa moderna (1908), Freud apresenta uma leitura psicanalítica do criminoso: aquele

Leia mais

MECANISMOS DE DEFESA

MECANISMOS DE DEFESA 1 MECANISMOS DE DEFESA José Henrique Volpi O Ego protege a personalidade contra a ameaça ruim. Para isso, utilizase dos chamados mecanismos de defesa. Todos estes mecanismos podem ser encontrados em indivíduos

Leia mais

A Função do Nome Próprio no Campo do Sujeito

A Função do Nome Próprio no Campo do Sujeito A Função do Nome Próprio no Campo do Sujeito Autor: Felipe Nunes de Lima Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Integrante do Núcleo de Pesquisa: Psicanálise, Discurso e Laço

Leia mais

O sonho e o despertar

O sonho e o despertar 189 Nery Filho, MacRae, Tavares e Rêgo O sonho e o despertar Jane Alves Cohim Silva 1 A partir do atendimento clínico a adolescentes é possível observar que, mesmo que alguns comportamentos sejam considerados

Leia mais

Um caso de término de análise com criança

Um caso de término de análise com criança Um caso de término de análise com criança "Falta um pouquinho..." Beatriz Siqueira Vera Vinheiro Introdução "É a criança que é alimentada com mais amor a que rechaça o alimento ejoga com sua recusa como

Leia mais

4.59.1. Tema: Sinais de risco nas clínicas mãe-bebê 4.59.2. Coordenadora: Sonia Pereira Pinto da Motta

4.59.1. Tema: Sinais de risco nas clínicas mãe-bebê 4.59.2. Coordenadora: Sonia Pereira Pinto da Motta Mesa: 4.59.1. Tema: Sinais de risco nas clínicas mãe-bebê 4.59.2. Coordenadora: Sonia Pereira Pinto da Motta OS RISCOS NA CONSTITUIÇÃO PSÍQUICA Autora: CRISTINA HOYER Breve Nota Curricular da Autora -

Leia mais

Quando o sujeito se perde

Quando o sujeito se perde Quando o sujeito se perde Adriana Dias de Assumpção Bastos O tema do congresso é violência e poder, instâncias eloquentemente referidas nos fragmentos do caso clínico que trago à análise. Mariana é uma

Leia mais

2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania?

2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania? 2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania? Giselle Fleury(IP/UERJ), Heloisa Caldas(IP/UERJ) Para pensar, neste trabalho, a neurose e a psicose em relação

Leia mais

Não temos tempo a perder 1

Não temos tempo a perder 1 Não temos tempo a perder 1 Ana Martha Wilson Maia Em entrevista concedida a uma revista brasileira, o filósofo Carl Honoré 2 descreve a pressão exercida sobre os pais para oferecerem uma infância perfeita

Leia mais

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 5 Julho 2011 ISSN 2177-2673 : uma máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues O que tem sido feito do silêncio no mundo atual? Acabou o silêncio? Se

Leia mais

NÃO HÁ RAPPORT, RAZÃO, RELAÇÃO SEXUAL

NÃO HÁ RAPPORT, RAZÃO, RELAÇÃO SEXUAL NÃO HÁ RAPPORT, RAZÃO, RELAÇÃO SEXUAL Ana Lúcia Bastos Falcão 1 Desde o início, em seus seminários, Lacan foi bordejando alguns conceitos que deram contorno à afirmação - Não há rapport, razão, relação

Leia mais

E-mail: gracielabessa@yahoo.com.br.

E-mail: gracielabessa@yahoo.com.br. Título: A incidência do narcisismo na esquizofrenia e na histeria Autora: Graciela Bessa Psicanalista, Doutora em Teoria Psicanalítica (UFRJ). E-mail: gracielabessa@yahoo.com.br. RESUMO: No texto Sobre

Leia mais

NÃO HÁ ATO SEXUAL, MAS HÁ ATO PSICANALÍTICO

NÃO HÁ ATO SEXUAL, MAS HÁ ATO PSICANALÍTICO NÃO HÁ ATO SEXUAL, MAS HÁ ATO PSICANALÍTICO Jacques Laberge 1 Não há ato sexual, mas há ato psicanalítico! Isso é uma compensação? Não há ato sexual, mas há ato de casamento. Para confirmar que não há

Leia mais

ADOLESCÊNCIA E MAL-ESTAR NA CULTURA CONTEMPORÂNEA. equivaler o brincar infantil aos devaneios e fantasias dos adultos.

ADOLESCÊNCIA E MAL-ESTAR NA CULTURA CONTEMPORÂNEA. equivaler o brincar infantil aos devaneios e fantasias dos adultos. ADOLESCÊNCIA E MAL-ESTAR NA CULTURA CONTEMPORÂNEA Carolina Foglietti Em seu belíssimo texto Escritores criativos e devaneio, Freud (1908/1996) faz equivaler o brincar infantil aos devaneios e fantasias

Leia mais

A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO

A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO Fernanda de Souza Borges feborges.psi@gmail.com Prof. Ms. Clovis Eduardo Zanetti Na praça Clóvis Minha carteira foi batida, Tinha

Leia mais

Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada

Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada 2001 Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada Márcio Peter de Souza Leite Conteúdo Argumento...

Leia mais

Durante toda sua vida, Anna Freud ocupou-se com a psicanálise, dando especial

Durante toda sua vida, Anna Freud ocupou-se com a psicanálise, dando especial 30 1. 3. Anna Freud: o analista como educador Durante toda sua vida, Anna Freud ocupou-se com a psicanálise, dando especial ênfase ao desenvolvimento teórico e terapêutico da psicanálise de crianças. Sua

Leia mais

Entre fugas e errâncias, um lugar para si 1

Entre fugas e errâncias, um lugar para si 1 Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673, um lugar para si 1 Ana Martha Maia Os efeitos do declínio da função paterna na civilização têm sido abordados por diversos autores

Leia mais

de pacientes adultos, desde o início as questões relativas à infância nortearam as suas

de pacientes adultos, desde o início as questões relativas à infância nortearam as suas 9 1. PSICANÁLISE DE CRIANÇAS 1.1 Freud: uma criança é abordada Embora a pesquisa original de Freud tenha se desenvolvido a partir da análise de pacientes adultos, desde o início as questões relativas à

Leia mais

A clínica do sujeito adolescente usuário de drogas: desafio para a adesão ao tratamento nos CAPSi 12

A clínica do sujeito adolescente usuário de drogas: desafio para a adesão ao tratamento nos CAPSi 12 1 A clínica do sujeito adolescente usuário de drogas: desafio para a adesão ao tratamento nos CAPSi 12 Introdução Este trabalho tem como finalidade apresentar algumas considerações obtidas, até o momento,

Leia mais

SOBRE A SEXUALIDADE ( MASCULINA) 1. A sedução abre o jogo da promessa de prazeres desconhecidos,

SOBRE A SEXUALIDADE ( MASCULINA) 1. A sedução abre o jogo da promessa de prazeres desconhecidos, SOBRE A SEXUALIDADE ( MASCULINA) 1 Alejandro Luis Viviani A sedução abre o jogo da promessa de prazeres desconhecidos, supondo veladamente uma resposta sobre a origem da sexualidade. Jogo em espelho onde,

Leia mais

Algumas considerações sobre o diagnóstico

Algumas considerações sobre o diagnóstico Algumas considerações sobre o diagnóstico Maurícia dos Reis Leandro Introdução Atuar em uma enfermaria Psiquiátrica sob a referência da Psicanálise é um desafio, visto que Psiquiatria e Psicanálise constituem

Leia mais

As vicissitudes da repetição

As vicissitudes da repetição As vicissitudes da repetição As vicissitudes da repetição Breno Ferreira Pena Resumo O objetivo deste trabalho é explorar o conceito de repetição em psicanálise. Para tanto, o autor faz uma investigação

Leia mais

A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE.

A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE. A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE. Desde os primeiros passos de Freud em suas investigações sobre o obscuro a respeito do funcionamento da mente humana, a palavra era considerada

Leia mais

A CRIANÇA, O ADULTO E O INFANTIL NA PSICANÁLISE. Desde a inauguração da psicanálise, através dos estudos de seu criador Sigmund

A CRIANÇA, O ADULTO E O INFANTIL NA PSICANÁLISE. Desde a inauguração da psicanálise, através dos estudos de seu criador Sigmund A CRIANÇA, O ADULTO E O INFANTIL NA PSICANÁLISE Germano Quintanilha Costa Desde a inauguração da psicanálise, através dos estudos de seu criador Sigmund Freud, a infância se difundiu e se impôs à cultura

Leia mais

A Relação mãe-filha e seus efeitos de devastação.

A Relação mãe-filha e seus efeitos de devastação. A Relação mãe-filha e seus efeitos de devastação. Introdução Para Freud, (1923), não existe representação psíquica do feminino no inconsciente que corresponda à organização genital própria da idade adulta,

Leia mais

Há um acontecimento de corpo

Há um acontecimento de corpo Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 13 março 2014 ISSN 2177-2673 1 Ram Avraham Mandil Para uma discussão sobre a lógica do tratamento a partir do Seminário...ou pior, de Jacques Lacan, gostaria

Leia mais

5 ADOLESCÊNCIA. 5.1. Passagem da Infância Para a Adolescência

5 ADOLESCÊNCIA. 5.1. Passagem da Infância Para a Adolescência 43 5 ADOLESCÊNCIA O termo adolescência, tão utilizado pelas classes médias e altas, não costumam fazer parte do vocabulário das mulheres entrevistadas. Seu emprego ocorre mais entre aquelas que por trabalhar

Leia mais

Título do trabalho: O AMOR DE TRANSFERÊNCIA NO TRABALHO INSTITUCIONAL. Declaração de cessão de direitos autorais:

Título do trabalho: O AMOR DE TRANSFERÊNCIA NO TRABALHO INSTITUCIONAL. Declaração de cessão de direitos autorais: Título do trabalho: O AMOR DE TRANSFERÊNCIA NO TRABALHO INSTITUCIONAL Declaração de cessão de direitos autorais: Eu Luciano Bregalanti Gomes, autor do trabalho intitulado O amor de transferência no trabalho

Leia mais

J.-D. Nasio. Édipo. O complexo do qual nenhuma criança escapa. tradução André Telles. Rio de Janeiro

J.-D. Nasio. Édipo. O complexo do qual nenhuma criança escapa. tradução André Telles. Rio de Janeiro J.-D. Nasio Édipo O complexo do qual nenhuma criança escapa tradução André Telles Rio de Janeiro Título original: L Oedipe (Le concept le plus crucial de la psychanalyse) Tradução autorizada da primeira

Leia mais

Angústia e sexualidade masculina

Angústia e sexualidade masculina Angústia e sexualidade masculina Palavras-chave: angústia, falo, órgão real, virilidade Sérgio Laia * Em psicanálise, a associação entre angústia e sexualidade masculina é geralmente abordada a partir

Leia mais

ANTÔNIO E SEUS AMORES: UM CASO CLÍNICO. Antônio é um jovem de 21 anos que veio à análise a pedido de uma das três

ANTÔNIO E SEUS AMORES: UM CASO CLÍNICO. Antônio é um jovem de 21 anos que veio à análise a pedido de uma das três ANTÔNIO E SEUS AMORES: UM CASO CLÍNICO Sandra Chiabi Antônio é um jovem de 21 anos que veio à análise a pedido de uma das três namoradas. Contou que estava envolvido com as três, e uma delas pedira que

Leia mais

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n.6

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n.6 O que não cessa de não se atualizar Loren Alyne Costa Resumo O presente artigo tem por objetivo questionar de que forma se dá a temporalidade do inconsciente. Nos dias de hoje, percebemos as novas formas

Leia mais

IDENTIFICAÇÃO MASCULINA E SUAS ARTICULAÇÕES COM O RECALCAMENTO. o processo de constituição do psiquismo. A discussão será feita à luz das idéias

IDENTIFICAÇÃO MASCULINA E SUAS ARTICULAÇÕES COM O RECALCAMENTO. o processo de constituição do psiquismo. A discussão será feita à luz das idéias IDENTIFICAÇÃO MASCULINA E SUAS ARTICULAÇÕES COM O RECALCAMENTO Cristiana de Amorim Mazzini 1 O presente trabalho discorrerá sobre a identificação masculina ocorrida durante o processo de constituição do

Leia mais

TÍTULO: A RESPOSTA DO PSICANALISTA UMA VIA DO AMOR E DA VERDADE. que esse trabalho se refere. Apesar do tema do trabalho não abordar esse conceito,

TÍTULO: A RESPOSTA DO PSICANALISTA UMA VIA DO AMOR E DA VERDADE. que esse trabalho se refere. Apesar do tema do trabalho não abordar esse conceito, 1 TÍTULO: A RESPOSTA DO PSICANALISTA UMA VIA DO AMOR E DA VERDADE Marisa De Costa Martinez i Tiago Ravanello ii Nem só a Arte e a Ciência servem; No trabalho há que mostrar paciência 1 São a fome e o amor

Leia mais

ADOLESCÊNCIA: PSICOPATOLOGIAS E CLÍNICA PSICANALÍTICA

ADOLESCÊNCIA: PSICOPATOLOGIAS E CLÍNICA PSICANALÍTICA ADOLESCÊNCIA: PSICOPATOLOGIAS E CLÍNICA PSICANALÍTICA MARIA DA GLORIA SCHWAB SADALA 1. BREVE CURRICULO PSICÓLOGA E PSICANALISTA DOUTORA, MESTRE E ESPECIALISTA PELA UFRJ COORDENADORA DO MESTRADO EM PSICANÁLISE

Leia mais

Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005

Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005 Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005 Dos novos sintomas ao sintoma analítico Elizabeth Karam Magalhães Na contemporaneidade, a prática clínica confronta o analista com novas formas do sintoma, que têm

Leia mais

REICH E A ECONOMIA SEXUAL

REICH E A ECONOMIA SEXUAL 1 REICH E A ECONOMIA SEXUAL José Henrique Volpi Freud havia postulado que o sintoma neurótico é resultado da repressão de um trauma sexual ocorrido na infância. Mas não conseguia explicar o porque tal

Leia mais

PsicoDom, v.2, n.2, jun. 2008

PsicoDom, v.2, n.2, jun. 2008 1 PsicoDom, v.2, n.2, jun. 2008 A Clínica do Amor Jorge Sesarino 1... um egoísmo forte constitui uma proteção contra o adoecer, mas num último recurso devemos começar a amar afim de não adoecermos, e estamos

Leia mais

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n o 10. Janeiro a julho de 2012

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n o 10. Janeiro a julho de 2012 Título: A sintonia do eu com o sintoma: a problemática da angústia na neurose obsessiva Autora: Simone Souto Psicanalista, Membro da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP) e da Associação Mundial de Psicanálise

Leia mais

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 9 novembro 2012 ISSN 2177-2673. Beijos pelo celular. José Vidal

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 9 novembro 2012 ISSN 2177-2673. Beijos pelo celular. José Vidal Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 9 novembro 2012 ISSN 2177-2673 1 José Vidal Aparentemente, já não se escreve cartas; a técnica e seus produtos as tornaram obsoletas. No entanto, temos observado

Leia mais

Trabalho para mesa-redonda no V Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XI Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental

Trabalho para mesa-redonda no V Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XI Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental 1 Trabalho para mesa-redonda no V Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XI Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental Título: Sobre o saber e o corpo na puberdade Autora: Daniela

Leia mais

O DE SEJO QUE (LHE ) RESTA. Adriana Grosman

O DE SEJO QUE (LHE ) RESTA. Adriana Grosman O DE SEJO QUE (LHE ) RESTA Adriana Grosman Pretendo tratar de um caso clinico que coloca em evidencia que não é só a questão fálica que está em jogo na maternidade se não o resto do desejo, algo que escapa

Leia mais

A sexualidade entre legados e interrogações. Palavras chave: psicanálise, sexualidade, ética, alteridade.

A sexualidade entre legados e interrogações. Palavras chave: psicanálise, sexualidade, ética, alteridade. A sexualidade entre legados e interrogações Bárbara de Souza Conte 1 Resumo O trabalho discute a sexualidade, entendida a partir do legado de Freud, como uma ruptura do modelo moral da cultura, dando origem

Leia mais

Contardo Calligaris. Introdução a uma Clínica Diferencial das Psicoses. z Zagodoni. 2 a edição. Editora

Contardo Calligaris. Introdução a uma Clínica Diferencial das Psicoses. z Zagodoni. 2 a edição. Editora Contardo Calligaris Introdução a uma Clínica Diferencial das Psicoses 2 a edição z Zagodoni Editora Copyright 2013 by Contardo Calligaris Todos os direitos desta edição reservados à Zagodoni Editora Ltda.

Leia mais