2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania?

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania?"

Transcrição

1 2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania? Giselle Fleury(IP/UERJ), Heloisa Caldas(IP/UERJ) Para pensar, neste trabalho, a neurose e a psicose em relação à toxicomania, partimos de uma das poucas referências de Lacan sobre a questão do uso de drogas pronunciada na Sessão de encerramento da Jornada de Cartéis (1975/1981, p. 119). Na ocasião, ele afirma que não há outra definição para a droga que não seja esta: é o que permite romper o casamento com o pequeno-pipi. Essa indicação aponta para o uso de outra expressão romper com o gozo fálico que tornou-se corrente nos trabalhos sobre toxicomania. Expressão que se for articulada ao texto de Lacan De uma questão preliminar a todo tratamento possível das psicoses (1958/1998) fomenta as seguintes questões: como se inscreve essa ruptura com o gozo fálico nas diferentes estruturas clínicas da neurose e da psicose? A promoção desta ruptura com o gozo fálico é possível quando o sujeito não está no registro da foraclusão do Nome-do-Pai? Há uma modificação na leitura desta ruptura para os sujeitos psicóticos que fazem uso de drogas? Destacamos, portanto, como central nessa discussão a importância do diagnóstico diferencial na clínica das toxicomanias, uma vez que as estruturas clínicas apresentam-se mascaradas pela amarração do sujeito com o objeto-droga. Trata-se de examinar a relação entre o consumo de drogas e a incidência da função paterna, questionando o que está implicado nessa ruptura no registro da neurose e o que se apresenta na psicose, na qual observamos a ausência da inscrição do Nome-do-Pai. A clínica das toxicomanias reaviva assim a discussão da operacionalidade do falo nas diferentes estruturas clínicas. Segundo Laurent (1994), o fenômeno toxicômano é uma operação que não depende da estrutura. O sujeito pode ser usuário de drogas independente da estrutura. A droga pode assim assumir múltiplas funções na relação do sujeito com o Outro. A metáfora paterna e sua incidência nas toxicomanias Para começar a tratar da questão fazemos um breve percurso pela teorização clássica de Lacan a respeito da metáfora paterna.

2 A produção da significação fálica pela ação da metáfora paterna inscreve o complexo de castração que, de acordo com Lacan (1958/1998, p. 665), tem uma função de nó, de enlaçamento, resultando na estruturação dinâmica dos sintomas. No sentido analítico trata-se do que é analisável nas estruturas neurótica, psicótica e perversa. Para Lacan, o Nome-do-Pai é uma metáfora (1958/1998). Consiste na substituição do desejo da mãe pelo significante fálico, a partir da elisão do desejo materno. Observa-se que o apelo ao Nome-do-Pai corresponde não à carência do pai real, mas à carência do próprio significante. Nesse sentido, Lacan indica que o chamado ao Nome-do-Pai responde não a ausência de um pai real, mas a carência do significante, uma vez que essa ausência é compatível com a presença do significante fálico. Diferentemente dos sujeitos neuróticos para os quais a metáfora paterna constrói uma identificação, o sujeito psicótico, em torno da ausência do significante fálico, suporte da cadeia significante, busca uma identificação que nomeie sua falta-a-ser, com a produção de um delírio, como observado nas memórias de Schreber - o de ser A mulher de Deus. Sabe-se que o delírio bem constituído é um apaziguamento para o sujeito, pois fornece um contorno que o situa numa certa relação ao simbólico. Pelo uso da linguagem, o sujeito psicótico contorna esse vazio de significação produzido pela ausência do significante fálico. Para Lacan (1958/1998, p. 565), o delírio de Schreber revela a estrutura própria ao processo psicótico. Na psicose podemos então ler a ruptura com o gozo fálico como a foraclusão do significante do Nome-do-Pai. A ausência do significante do Nome-do-Pai, ou seja, a ruptura da identificação paterna está marcada como P 0 no esquema I construído para pensar a psicose de Schreber. No ponto em que, na neurose, o Nome-do-Pai (P) produz a significação fálica ( ) do que é dito, na psicose temos, ao invés disso, essas indicações de falha: 0, P 0. A partir dessas duas formas de pensar as falhas de inscrição, Lacan se questiona se uma implica necessariamente a outra e se uma pode existir sem a outra. Ou seja, se podemos encontrar sujeitos para quem haja P mas falte e vice-versa. Sobre esse aspecto, Laurent (1994/2014, p. 21) responde que, no tocante à psicose, ele não sabe se pode existir o 0 separado do P 0, porém a utilização do tóxico pode nos levar a crer na possibilidade da ruptura com o gozo fálico, sem que o sujeito esteja no registro da foraclusão do Nome-do-Pai, ou seja: temos 0 mas encontramos um P.

3 O frequente diagnóstico de psicose no campo da toxicomania decorre do fato da clínica receber muitos psicóticos com problemas de toxicomanias, ou toxicômanos que são equivocadamente diagnosticados como psicóticos. Para que esta clínica seja melhor trabalhada, no entanto, a partir do primeiro ensino de Lacan, é preciso operar a partir da operacionalidade do Nome-do-pai na estrutura. O que nos leva a localizar a ideia da ruptura com o falo na neurose e na psicose. Além dessas duas possibilidades, há uma terceira categoria clínica que nos intriga por apresentar amarrações diferentes. Sobre esse aspecto, Naparstek (2010) refere-se ao tema dos inclassificáveis, trabalhado por psicanalistas do Campo Freudiano. A categoria de inclassificáveis diz respeito a casos que não apresentam as mesmas características encontradas nas estruturas clínicas tipificadas. Sobre este tema, Miller (1999) diferencia psicoses ordinárias de psicoses extraordinárias, tomando as ordinárias como aquelas cujo delírio se sustenta mais próximo ao senso comum em oposição às extraordinárias que respondem com a construção de um delírio mais bizarro, ao estilo Schreber. Os psicóticos ordinários podem romper com o Outro, e reenlaçar-se novamente de forma mais sutil, pois, para Miller, são mais flexíveis. Observando trabalhos clínicos elaborados por psicanalistas do Campo Freudiano, a partir da pesquisa do tema da toxicomania, Laurent (1994/2014, p. 23) nos recorda que encontrou na clínica toxicômanos psicóticos, que não se apresentavam sob o modo sou toxicômano. Menciona um caso atendido no hospital psiquiátrico, de um homem viciado em éter que relata estar ali, por um assunto de família, cuja questão familiar era a herança, as terras. Para o analista, a homofonia em francês dos termos terra (les terres) e éter (l ether), sublinha que o gozo da substância, a inalação do éter, era o retorno no real desse gozo extraído do Nome-do-Pai, que era para ele a herança das terras. A droga e o rompimento com o pequeno-pipi A indicação lacaniana (1975) de que a droga é o que permite o rompimento do corpo com o pequeno-pipi remete-nos ao caso Hans (Freud, 1905). No momento do aparecimento da angústia e eclosão de sua fobia, a agitação do órgão foi o que retirou Hans de sua vivência de paraíso na relação fusional com a mãe. Essa parte do corpo que se excita com facilidade provoca um desconforto, colado a um não saber sobre a diferença, implicada no corpo do hetero. Esse desconforto impulsionou Hans a

4 enveredar em suas pesquisas sobre quem tem e quem não tem pipi. Imagem de um tempo necessário e anterior à instalação do complexo de castração. A castração é um gozo que nos livra da angústia, localizando-se no ponto em que o sujeito, homem ou mulher, é surpreendido pelo casamento do corpo com o órgão. Trata-se de uma complicação ligada ao nó, explicita Kaufmanner (2003, p. 39). O autor nos lembra de que a ênfase no órgão é dada por Lacan porque o órgão é o que melhor se empresta a sustentar o falo enquanto função. O momento de inscrição do falo, vivenciado por Hans, é o que Naparstek (2008) nomeia de momento de solda, de enlaçamento, ao pontuar o que legitima esta inscrição fálica explicada por Lacan (1971) como fazer de um órgão um instrumento. Na condição de que só se instrumentaliza o órgão pela via do simbólico, ou seja, que o órgão responda à palavra, instrumentalizar o órgão resulta em que ele pode ser utilizado como ferramenta ou moeda de troca, na relação com o outro sexo. A tese de Naparstek (2008) corrobora a de Lacan na proposta de que a inscrição do falo e sua colocação em funcionamento são coisas distintas e que se dão em tempos diferentes. Se o falo está inscrito, o sujeito pode ou não fazer uso dele em um segundo momento. Para o autor, há uma diferença essencial entre órgão e instrumento: o órgão está reduzido à anatomia, ao passo que o instrumento relaciona-se com a possibilidade de fazer uso deste no laço com o Outro. Naparstek (2008) relata um caso em que a droga não serviu para romper o matrimônio do corpo com o faz-pipi. Trata-se de uma leitura clínica na qual a droga, ao contrário, parece favorecer esse matrimônio do corpo com o órgão. Ele nos conta a história de um sujeito que, desde os seus 12 ou 13 anos, ficou para trás. Hoje é um adulto que não sabe como abordar as mulheres, preferindo a masturbação e o estar só, acompanhado pelo consumo de certas drogas que o ajudam nesta prática solitária (idem, p. 99). Em análise, produz os significantes estancado, preso a mim mesmo e a frase: fico enganchado ao ficar só, com a masturbação, com a droga, enganchado com o pinto. Para o analista, trata-se de um caso de um homem verdadeiramente solteiro, ou seja, um sujeito que está casado com seu próprio falo. Ele não rompeu o casamento com o faz-pipi. Nesse caso, ao contrário, a droga serve para afirmar a aliança com o órgão.

5 Há dois caminhos possíveis para abandonar o casamento com o falo: um é pela via do significante no campo fálico, o que possibilita muitas vezes uma análise; o outro é por uma via que não implica o significante, uma tentativa de enfrentamento da pulsão pelo caminho do real, como aborda Naparstek (2008, p. 103): Aqui a droga encontra um lugar que já não permite o casamento com o órgão, ao contrário, quando esse casamento se torna insuportável, possibilita sua ruptura. Assim, rompe-se o casamento com o falo e o sujeito sai do campo do Outro por uma passagem ao ato. Outro ponto a observar é que os toxicômanos não querem uma coisa precisa; eles respondem à mutação do mercado, que sempre pode inventar uma nova droga como gadget. Situamos, com relação a isso, a afirmação de Laurent (1994) de que o rompimento do gozo fálico suprime as particularidades do sujeito. Observamos, então, na clínica das toxicomanias, os sujeitos reduzidos às nomeações emprestadas de seus objetos tóxicos. Considerações finais A partir do exposto verificamos duas hipóteses sobre o funcionamento da droga na neurose. A primeira hipótese se sustenta na fixação, na passagem do auto-erotismo nomeado por Freud (1908/2006, p. 150) onanismo como solda, para a relação com o objeto a. Nesses casos a droga seria o gadget utilizado para manejar a relação com o Outro configurando uma posição sustentada pela fantasia e, portanto, mais masculina em referência às fórmulas da sexuação. A segunda hipótese se localiza do lado feminino das fórmulas da sexuação, no qual se encontra a possibilidade de um gozo Outro, ilimitado e não-todo. Nesses casos, há uma não regulação prévia do falo, uma vez que o não-todo, do lado feminino, empurra os sujeitos para o litoral do real. A primeira consequência teórica que podemos extrair dessas considerações é a de que há ruptura com o Nome-do-Pai fora da psicose, em casos de neurose. Isso pode ser verificado na tese de ruptura proposta por Lacan. A segunda consequência consiste em que, para a neurose, trata-se de uma ruptura com as particularidades da fantasia, ou seja, com o fato de que a fantasia supõe o objeto de gozo na medida em que ela inclui a castração (idem, p. 23). O toxicômano engendra assim um uso de gozo fora da fantasia, através do recurso à droga: um curto-circuito. A ruptura com o pequenopipi é a prova de que se pode gozar sem passar pelos meandros da fantasia.

6 Podemos concluir apontando que essas colocações teóricas devem ser examinadas uma a uma, no caso a caso e que a aposta de uma análise é a de que o sujeito possa, sob transferência, encontrar uma outra amarração significante possível, diferente daquela do recurso ao tóxico. Referências Bibliográficas: FREUD, S. (1908/2006) Fantasias histéricas e sua relação com a bissexualidade. Em: Obras Psicológicas Completas, Edição Standard Brasileira Vol. IX. Rio de Janeiro: Imago. LACAN, J. (1958/ 1998). De uma questão preliminar a todo tratamento possível na Psicose. Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. ( /1998). O Seminário, livro 3: as psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Sessão de encerramento da Jornada de Cartéis da Escola Freudiana de Paris, 13/04/1975. Em: Documentos para uma Escola, Revista Letra Freudiana, circulação interna. LAURENT, E. (1994). Tres observaciones sobre la toxicomania. Em: Sujeto, Goce y modernidad. Paris: Atuel, TyA. KAUFMANNER, H. (2003) Wiwimacher, fobia e toxicomania: impasses de um casamento. Em: Opção Lacaniana, Revista Brasileira Internacional de Psicanálise, n. 38, Novembro de São Paulo: Eólia. MILLER, J.-A (1999) e outros. Los inclasificables de la clínica psicoanalítica. Buenos Aires: Paidós, MEZËNCIO, M.; ROSA, M.; FARIA, W. (orgs.) (2014) Tratamento possível das toxicomanias com Lacan. Belo Horizonte: Scriptum. NAPARSTEK, F. (2008). A tese lacaniana, sobre a droga. Em: Revista de Psicologia Plural,, n.27, jan-jun. Belo Horizonte: Fumec. (2010). Los inclasificables em la toxicomanias y las psicosis. Em: Introducción a la clínica com toxicomanias y alcoholismo III. Buenos Aires: Grama.

Título: Entrevista com Fabián Naparstek

Título: Entrevista com Fabián Naparstek Título: Entrevista com Fabián Naparstek Autor: Didier Velásquez Vargas Psicanalista em Medellín, Colômbia. Psychoanalyst at Medellín, Colômbia. E-mail: didiervelasquezv@une.net.co Resumo: Entrevista com

Leia mais

APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1

APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1 APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1 Elza Macedo Instituto da Psicanálise Lacaniana IPLA São Paulo, 2008 A angústia é um afeto Lacan (2005) dedica o Seminário de 1962-1963 à angústia. Toma a experiência

Leia mais

O desenho e sua interpretação: quem sabe ler?

O desenho e sua interpretação: quem sabe ler? O desenho e sua interpretação: quem sabe ler? Sonia Campos Magalhães Em seu artigo Uma dificuldade da psicanálise de criança, Colette Soler 1 lança uma questão aos psicanalistas que se ocupam desta prática,

Leia mais

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Analícea Calmon Seguindo os passos da construção teórico-clínica de Freud e de Lacan, vamos nos deparar com alguns momentos de

Leia mais

Não temos tempo a perder 1

Não temos tempo a perder 1 Não temos tempo a perder 1 Ana Martha Wilson Maia Em entrevista concedida a uma revista brasileira, o filósofo Carl Honoré 2 descreve a pressão exercida sobre os pais para oferecerem uma infância perfeita

Leia mais

A fala freada Bernard Seynhaeve

A fala freada Bernard Seynhaeve Opção Lacaniana online nova série Ano 1 Número 2 Julho 2010 ISSN 2177-2673 Bernard Seynhaeve Uma análise é uma experiência de solidão subjetiva. Ela pode ser levada suficientemente longe para que o analisante

Leia mais

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Oscar Zack O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre as pessoas mediatizadas pelas imagens. Guy

Leia mais

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 Patrícia Guedes 2 Comemorar 150 anos de Freud nos remete ao exercício de revisão da nossa prática clínica. O legado deixado por ele norteia a

Leia mais

Feminilidade e Angústia 1

Feminilidade e Angústia 1 Feminilidade e Angústia 1 Claudinéia da Cruz Bento 2 Freud, desde o início de seus trabalhos, declarou sua dificuldade em abordar o tema da feminilidade. Após um longo percurso de todo o desenvolvimento

Leia mais

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial.

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. Claudia Wunsch. Psicóloga. Pós-graduada em Psicanálise Clínica (Freud/Lacan) Unipar - Cascavel- PR. Docente do curso de Psicologia da Faculdade

Leia mais

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO 2014 Olga Cristina de Oliveira Vieira Graduada em Psicologia pela Universidade Presidente Antônio Carlos. Docente no Centro Técnico de Ensino Profissional (CENTEP). Especialização

Leia mais

Clínica psicanalítica com crianças

Clínica psicanalítica com crianças Clínica psicanalítica com crianças Ana Marta Meira* A reflexão sobre a clínica psicanalítica com crianças aponta para múltiplos eixos que se encontram em jogo no tratamento, entre estes, questões referentes

Leia mais

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM Maria Elisa França Rocha A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da sexualidade, bem como conhecer suas fantasias e as teorias que

Leia mais

O toxicômano e sua inscrição na modernidade

O toxicômano e sua inscrição na modernidade Cogito v.1 Salvador 1996 O toxicômano e sua inscrição na modernidade Luiz Alberto Leite Tavares * RESUMO O autor trata da função da droga no contexto da modernidade como substituto do sintoma, no sentido

Leia mais

A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação. com a função paterna

A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação. com a função paterna www.franklingoldgrub.com Édipo 3 x 4 - franklin goldgrub 7º Capítulo - (texto parcial) A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação com a função paterna (Salvo menção expressa em contrário,

Leia mais

A importância teórica e prática do ensino de Jacques Lacan Palavras-chaves: Lacan, ensino, subversão, orientação. Zelma Abdala Galesi

A importância teórica e prática do ensino de Jacques Lacan Palavras-chaves: Lacan, ensino, subversão, orientação. Zelma Abdala Galesi A importância teórica e prática do ensino de Jacques Lacan Palavras-chaves: Lacan, ensino, subversão, orientação. Zelma Abdala Galesi As inúmeras homenagens prestadas durante o ano de 2001, ao centenário

Leia mais

Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1

Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1 Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1 Alfredo estava na casa dos 30 anos. Trabalhava com gesso. Era usuário de drogas: maconha e cocaína. Psicótico, contava casos persecutórios,

Leia mais

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da Introdução O interesse em abordar a complexidade da questão do pai para o sujeito surgiu em minha experiência no Núcleo de Atenção à Violência (NAV), instituição que oferece atendimento psicanalítico a

Leia mais

Desdobramentos: A mulher para além da mãe

Desdobramentos: A mulher para além da mãe Desdobramentos: A mulher para além da mãe Uma mulher que ama como mulher só pode se tornar mais profundamente mulher. Nietzsche Daniela Goulart Pestana Afirmar verdadeiramente eu sou homem ou eu sou mulher,

Leia mais

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Maria José Gontijo Salum Em suas Contribuições à Psicologia do Amor, Freud destacou alguns elementos que permitem

Leia mais

Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação

Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação Gresiela Nunes da Rosa Diante do enigma primeiro a respeito do desejo do

Leia mais

AFORISMOS DE JACQUES LACAN

AFORISMOS DE JACQUES LACAN AFORISMOS DE JACQUES LACAN Marco Antonio Coutinho Jorge (org.) O texto de Lacan, assim como o de Swedenborg, segundo Borges, é daqueles que expõe tudo com autoridade, com uma tranqüila autoridade. Ciente,

Leia mais

Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003

Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003 Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003 O forçamento da psicanálise * Ruth Helena Pinto Cohen ** A ciência moderna tende a excluir a poética de seu campo e a psicanálise, a despeito de ter nascido a

Leia mais

Rafael Saliba Regis Fundação de Assistência Especializada de Nova Lima - FAENOL

Rafael Saliba Regis Fundação de Assistência Especializada de Nova Lima - FAENOL QUANDO A CLÍNICA ENCONTRA A ESCOLA: O TRATAMENTO DO AUTISMO E AS SAÍDAS POSSÍVEIS DE UMA INCLUSÃO Rafael Saliba Regis Fundação de Assistência Especializada de Nova Lima - FAENOL Rua Divinópolis, 318/201,

Leia mais

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos?

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Luciana Silviano Brandão Lopes Quem já não teve a sensação de ter tido muitos

Leia mais

A Outra: o delírio da histérica

A Outra: o delírio da histérica Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 1 Ana Martha Maia e Maria Fátima Pinheiro Desde Freud, podemos dizer que a fantasia e o delírio são construções ficcionais

Leia mais

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 Arlete Mourão 2 Essa frase do título corresponde à expressão utilizada por um ex-analisando na época do final de sua análise.

Leia mais

Angústia e sexualidade masculina

Angústia e sexualidade masculina Angústia e sexualidade masculina Palavras-chave: angústia, falo, órgão real, virilidade Sérgio Laia * Em psicanálise, a associação entre angústia e sexualidade masculina é geralmente abordada a partir

Leia mais

A criança, a lei e o fora da lei

A criança, a lei e o fora da lei 1 A criança, a lei e o fora da lei Cristina Drummond Palavras-chave: criança, mãe, lei, fora da lei, gozo. A questão que nos toca na contemporaneidade é a do sujeito às voltas com suas dificuldades para

Leia mais

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010.

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. Os nomes dos modos de sofrimentos atuais, ou, Transtornos

Leia mais

CORPO FREUDIANO ESCOLA DE PSICANÁLISE SEÇÃO RIO DE JANEIRO PROGRAMAÇÃO 2012.2. INÍCIO: 07 de agosto FORMAÇÃO BÁSICA

CORPO FREUDIANO ESCOLA DE PSICANÁLISE SEÇÃO RIO DE JANEIRO PROGRAMAÇÃO 2012.2. INÍCIO: 07 de agosto FORMAÇÃO BÁSICA CORPO FREUDIANO ESCOLA DE PSICANÁLISE SEÇÃO RIO DE JANEIRO PROGRAMAÇÃO 2012.2 INÍCIO: 07 de agosto FORMAÇÃO BÁSICA MÓDULO: REAL, SIMBÓLICO E IMAGINÁRIO Quintas-feiras, horário: 9:30 às 11:30h, semanal

Leia mais

Reinaldo Pamponet 1 rpamponet@terra.com.br

Reinaldo Pamponet 1 rpamponet@terra.com.br * um encontro que não faz laço Reinaldo Pamponet 1 rpamponet@terra.com.br Resumo: Este artigo pretende demonstrar que, na experiência analítica, a felicidade reside no encontro transitório, marcado pelo

Leia mais

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO 2014 Matheus Henrique de Souza Silva Psicólogo pela Faculdade Pitágoras de Ipatinga-MG. Especializando em Clínica Psicanalítica na atualidade:

Leia mais

Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? nossos tempos não foge à regra. As mulheres, afetadas pela condição de não-todas,

Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? nossos tempos não foge à regra. As mulheres, afetadas pela condição de não-todas, Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? Fernanda Samico Küpper É notória a contribuição que as mulheres sempre deram à engrenagem da psicanálise enquanto campo teórico. Desde Anna O., passando

Leia mais

"Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica". 1

Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica. 1 V Congresso de Psicopatologia Fundamental "Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica". 1 Autora: Lorenna Figueiredo de Souza. Resumo: O trabalho apresenta

Leia mais

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 7 março 2012 ISSN 2177-2673

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 7 março 2012 ISSN 2177-2673 Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 7 março 2012 ISSN 2177-2673 O que pode a psicanálise diante do destino para o pior? Considerações sobre a direção de tratamento das toxicomanias no avesso

Leia mais

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 Miriam A. Nogueira Lima 2 1ª - O corpo para a psicanálise é o corpo afetado pela linguagem. Corpo das trocas, das negociações. Corpo

Leia mais

Uma introdução Chafia Américo Farah 1

Uma introdução Chafia Américo Farah 1 PASSAGEM AO ATO, ACTING OUT, ATO PSICANALÍTICO: Uma introdução Chafia Américo Farah 1 Palavras chaves: passagem ao ato, acting,psicose,gozo Manhãs de quartas-feiras. Caso clínico ou apresentação de pacientes?

Leia mais

8 Andréa M.C. Guerra

8 Andréa M.C. Guerra Introdução A loucura sempre suscitou curiosidade, temor, atração. Desde a época em que os loucos eram confinados em embarcações errantes, conforme retratado na famosa tela Nau dos loucos, de Hieronymus

Leia mais

Contexto cultural contemporâneo: o declínio da função paterna e a posição subjetiva da criança

Contexto cultural contemporâneo: o declínio da função paterna e a posição subjetiva da criança Contexto cultural contemporâneo: o declínio da função paterna e a posição subjetiva da criança Manuela Rossiter Infância - tempo de brincar, coisa séria. Sônia Pereira Pinto da Motta O atendimento de crianças

Leia mais

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 5 Julho 2011 ISSN 2177-2673 : uma máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues O que tem sido feito do silêncio no mundo atual? Acabou o silêncio? Se

Leia mais

Latusa Digital Ano 9 N. 49 Junho de 2012. Sobre a letra e o gozo na escrita de Clarice Lispector

Latusa Digital Ano 9 N. 49 Junho de 2012. Sobre a letra e o gozo na escrita de Clarice Lispector Clarisse Boechat 1 Marcia Mello de Lima 2 A obra de Clarice Lispector surpreende o psicanalista de orientação lacaniana, que trabalha com a prática da letra, pois é possível extrair dali alguns conceitos

Leia mais

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Sinthoma e fantasia fundamental no caso do homem dos ratos * Cleide Maschietto Doris Rangel Diogo ** O Homem dos ratos 1 é um caso de neurose muito comentado,

Leia mais

Toxicomanias e pós-modernidade: um s intoma s ocial?

Toxicomanias e pós-modernidade: um s intoma s ocial? Toxicomanias e pós-modernidade: um s intoma s ocial? 2001 Toxicomanias e pós-modernidade: um sintoma social? Márcio Peter de Souza Leite (Crônica do I Encontro Latino-Americano dos Estados Gerais da Psicanálise,

Leia mais

outrarte: estudos entre arte e psicanálise

outrarte: estudos entre arte e psicanálise outrarte: estudos entre arte e psicanálise Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, é quem nos diz que Fernando Pessoa não existe, propriamente falando. Também já foi dito que o Livro do

Leia mais

Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América

Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América Entrevistada: Elisa Alvarenga Diretora Geral do IPSM-MG e Presidente da FAPOL (Federação Americana de Psicanálise de Orientação Lacaniana). E-mail:

Leia mais

Considerações acerca da transferência em Lacan

Considerações acerca da transferência em Lacan Considerações acerca da transferência em Lacan Introdução Este trabalho é o resultado um projeto de iniciação científica iniciado em agosto de 2013, no Serviço de Psicologia Aplicada do Instituto de Psicologia

Leia mais

A dimensão aditiva do sintoma

A dimensão aditiva do sintoma Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 7 março 2012 ISSN 2177-2673 Glória Maron Introdução Vivemos um tempo posterior à queda dos ideais e das figuras clássicas de autoridade que encarnam a função

Leia mais

O SUJEITO SUPOSTO SABER E TRANSFERÊNCIA (The Subject Supposed to Know and Transference)

O SUJEITO SUPOSTO SABER E TRANSFERÊNCIA (The Subject Supposed to Know and Transference) O SUJEITO SUPOSTO SABER E TRANSFERÊNCIA (The Subject Supposed to Know and Transference) Maria Angélica Augusto de Mello Pisetta 1 Resumo: Palavras-chave: Abstract: Keywords: Neste artigo discutimos o conceito

Leia mais

Obesidade: um sintoma convertido no corpo. Os sentidos e os destinos do sintoma em indivíduos que se submeteram à cirurgia bariátrica.

Obesidade: um sintoma convertido no corpo. Os sentidos e os destinos do sintoma em indivíduos que se submeteram à cirurgia bariátrica. Obesidade: um sintoma convertido no corpo. Os sentidos e os destinos do sintoma em indivíduos que se submeteram à cirurgia bariátrica. REI, Vivian Anijar Fragoso [1] ; OLIVEIRA, Paula Batista Azêdo de

Leia mais

O trauma da poesia inconsciente

O trauma da poesia inconsciente O trauma da poesia inconsciente Marlise Eugenie D Icarahy Psicanalista, doutoranda do Programa de pós-graduação em Psicanálise da UERJ e psicóloga da Prefeitura do Rio de Janeiro. O complexo de Édipo,

Leia mais

Título: Entrevista com Luis Darío Salamone

Título: Entrevista com Luis Darío Salamone Título: Entrevista com Luis Darío Salamone Autor: Didier Velásquez Vargas Psicanalista em Medellín, Colômbia. Psychoanalyst at Medellín, Colômbia. E-mail: didiervelasquezv@une.net.co Resumo: Entrevista

Leia mais

CAPÍTULOS DE LIVROS AUTORES EBP. 1. Além do inconsciente, mais perto dos corpos

CAPÍTULOS DE LIVROS AUTORES EBP. 1. Além do inconsciente, mais perto dos corpos CAPÍTULOS DE LIVROS AUTORES EBP 1. Além do inconsciente, mais perto dos corpos ASSAD, S.; CALDAS, H.; GARCIA, C.; JIMENEZ, S.; MANDIL, R. A escrita dos afetos, em Felicidade e sintoma: ensaios para uma

Leia mais

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO Denise de Fátima Pinto Guedes Roberto Calazans Freud ousou dar importância àquilo que lhe acontecia, às antinomias da sua infância, às suas perturbações neuróticas, aos seus sonhos.

Leia mais

Um olhar psicanalítico sobre o Transtorno de Stress Pós-Traumático

Um olhar psicanalítico sobre o Transtorno de Stress Pós-Traumático Um olhar psicanalítico sobre o Transtorno de Stress Pós-Traumático Fernando Del Guerra Prota O presente trabalho surgiu das questões trabalhadas em cartel sobre pulsão e psicossomática. Não se trata de

Leia mais

Os princípios da prática analítica com crianças

Os princípios da prática analítica com crianças Os princípios da prática analítica com crianças Cristina Drummond Palavras-chave: indicação, tratamento, criança, princípios. As indicações de um tratamento para crianças Gostaria de partir de uma interrogação

Leia mais

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2 A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1 Selma Correia da Silva 2 Neste trabalho pretendemos discutir a articulação do discurso da Psicanálise com o discurso da Medicina, destacando

Leia mais

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Henrique Figueiredo Carneiro Liliany Loureiro Pontes INTRODUÇÃO Esse trabalho apresenta algumas considerações,

Leia mais

A violência na relação mãe-filha

A violência na relação mãe-filha 1 Mesa-redonda: VIOLÊNCIA E PODER: REPERCUSSÕES NO FEMININO Coordenação: Profa. Dra. Rita Maria Manso de Barros A violência na relação mãe-filha Marlise Eugenie D Icarahy 1 Rita Maria Manso de Barros 2

Leia mais

O sujeito e os gozos #08

O sujeito e os gozos #08 nova série @gente Digital nº 8 Ano 2 Abril de 2013 Revista de Psicanálise O sujeito e os gozos Pierre Skriabine Isso goza e não sabe, nota Lacan na página 104 do seu Seminário Encore, no capítulo intitulado

Leia mais

Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental

Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental Trabalho apresentado na IV Jornada de Saúde Mental e Psicanálise na PUCPR em 21/11/2009. A prática da psicanálise em ambulatório de saúde mental pode

Leia mais

Os usos que o psicótico faz da droga

Os usos que o psicótico faz da droga The uses a psychotic subject makes of drugs Los usos que el sujeto psicotico hace de las drogas * Helena Greco Lisita1 ** Márcia Maria Vieira Rosa2 Resumo O objeto de pesquisa deste trabalho é a interface

Leia mais

ADOLESCÊNCIA: PSICOPATOLOGIAS E CLÍNICA PSICANALÍTICA

ADOLESCÊNCIA: PSICOPATOLOGIAS E CLÍNICA PSICANALÍTICA ADOLESCÊNCIA: PSICOPATOLOGIAS E CLÍNICA PSICANALÍTICA MARIA DA GLORIA SCHWAB SADALA 1. BREVE CURRICULO PSICÓLOGA E PSICANALISTA DOUTORA, MESTRE E ESPECIALISTA PELA UFRJ COORDENADORA DO MESTRADO EM PSICANÁLISE

Leia mais

A sexualidade entre legados e interrogações. Palavras chave: psicanálise, sexualidade, ética, alteridade.

A sexualidade entre legados e interrogações. Palavras chave: psicanálise, sexualidade, ética, alteridade. A sexualidade entre legados e interrogações Bárbara de Souza Conte 1 Resumo O trabalho discute a sexualidade, entendida a partir do legado de Freud, como uma ruptura do modelo moral da cultura, dando origem

Leia mais

Comentários sobre o artigo Autismo e subjetividade materna

Comentários sobre o artigo Autismo e subjetividade materna Comentários sobre o artigo Autismo e subjetividade materna I Farei o comentário do texto Autismo e Subjetividade Materna do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Criança Carrossel do IPB-Bahia que tem como

Leia mais

Psicose e surto na adolescência: Por que os adolescentes surtam tanto?

Psicose e surto na adolescência: Por que os adolescentes surtam tanto? Psicose e surto na adolescência: Por que os adolescentes surtam tanto? Ana Lydia Santiago Palavras-chave: psicanálise, adolescência, clínica das psicoses, diagnóstico, desncadeamento, apresentação de pacientes..

Leia mais

Adolescência Márcio Peter de Souza Leite (Apresentação feita no Simpósio sobre Adolescência- Rave, EBP, abril de 1999, na Faculdade de Educação da

Adolescência Márcio Peter de Souza Leite (Apresentação feita no Simpósio sobre Adolescência- Rave, EBP, abril de 1999, na Faculdade de Educação da Adolescência 1999 Adolescência Márcio Peter de Souza Leite (Apresentação feita no Simpósio sobre Adolescência- Rave, EBP, abril de 1999, na Faculdade de Educação da USP) O que é um adolescente? O adolescente

Leia mais

Que Narciso é esse? (Henrique Figueiredo Carneiro henrique@unifor.br) Edição do Autor, 2007, 14 p. (DVD-book)

Que Narciso é esse? (Henrique Figueiredo Carneiro henrique@unifor.br) Edição do Autor, 2007, 14 p. (DVD-book) 251 Que Narciso é esse? (Henrique Figueiredo Carneiro henrique@unifor.br) Edição do Autor, 2007, 14 p. (DVD-book) Autor da resenha Thiago Costa Matos Carneiro da Cunha Psicanalista. Graduado em Psicologia

Leia mais

Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005

Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005 Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005 Dos novos sintomas ao sintoma analítico Elizabeth Karam Magalhães Na contemporaneidade, a prática clínica confronta o analista com novas formas do sintoma, que têm

Leia mais

Notas preliminares sobre escrita e estilo em Guimarães Rosa. 1

Notas preliminares sobre escrita e estilo em Guimarães Rosa. 1 Notas preliminares sobre escrita e estilo em Guimarães Rosa. 1 Palavras chave: Escrita; estilo; objeto; literatura Heloisa Caldas * A proposta neste trabalho é a de levantar algumas notas sobre a escrita

Leia mais

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 Celso Rennó Lima A topologia..., nenhum outro estofo a lhe dar que essa linguagem de puro matema, eu entendo por aí isso que é único a poder se ensinar: isso

Leia mais

O homem urso. Alexandre Costa Val Médico Residente em Psiquiatria do IRS e aluno do IPSM-MG

O homem urso. Alexandre Costa Val Médico Residente em Psiquiatria do IRS e aluno do IPSM-MG O homem urso Alexandre Costa Val Médico Residente em Psiquiatria do IRS e aluno do IPSM-MG Introdução O documentário O Homem Urso (Grizzly Man, 2005), dirigido pelo cineasta alemão Werner Herzog, é uma

Leia mais

A clínica da toxicomania: uma intoxicação transferencial. Amanda Teixeira Rizzo

A clínica da toxicomania: uma intoxicação transferencial. Amanda Teixeira Rizzo A clínica da toxicomania: uma intoxicação transferencial. Amanda Teixeira Rizzo Desde um recorte clínico grupal a pacientes internados em uma instituição hospitalar psiquiátrica para tratamento de dependência

Leia mais

Florbela Espanca nas figurações poéticas do feminino Lídia de Noronha Pessoa

Florbela Espanca nas figurações poéticas do feminino Lídia de Noronha Pessoa Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 14 julho 2014 ISSN 2177-2673 nas figurações poéticas do feminino Lídia de Noronha Pessoa Conheci Florbela, poetisa portuguesa do século XIX, através do livro

Leia mais

ADOLESCÊNCIA NORMAL Tamara Santos de Souza (fonte: http://psicologiaereflexao.wordpress.com/)

ADOLESCÊNCIA NORMAL Tamara Santos de Souza (fonte: http://psicologiaereflexao.wordpress.com/) ADOLESCÊNCIA NORMAL Tamara Santos de Souza (fonte: http://psicologiaereflexao.wordpress.com/) Arminda Aberastury foi pioneira no estudo da psicanálise de crianças e adolescentes na América Latina. A autora

Leia mais

Manifestações obsessivas em mulheres: uma nova demanda? 1 Obsessive manifestations in the female universe: a new request?

Manifestações obsessivas em mulheres: uma nova demanda? 1 Obsessive manifestations in the female universe: a new request? Manifestações obsessivas em mulheres: uma nova demanda? 1 Obsessive manifestations in the female universe: a new request? Sandra Regina Turke 2 Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná Resumo

Leia mais

Núcleo 2.6 Psicanálise: práticas clínicas e saúde

Núcleo 2.6 Psicanálise: práticas clínicas e saúde Núcleo 2.6 Psicanálise: práticas clínicas e saúde DEPARTAMENTOS ENVOLVIDOS: Psicodinâmica e Métodos e Técnicas COORDENADOR: Regina Fabbrini PROFESSORES: Paula Regina Peron Alexandre Chafran de Bellis Teresa

Leia mais

Integração social e Segregação real: uma questão para as medidas socioeducativas no Brasil

Integração social e Segregação real: uma questão para as medidas socioeducativas no Brasil Integração social e Segregação real: uma questão para as medidas socioeducativas no Brasil Fídias Gomes Siqueira 1 Andréa Maris Campos Guerra 2 [...] a gente carecia de querer pensar somente nas coisas

Leia mais

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE Maria Fernanda Guita Murad Pensando a responsabilidade do analista em psicanálise, pretendemos, neste trabalho, analisar

Leia mais

Da diferença sexual à diferença feminina

Da diferença sexual à diferença feminina Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 9 novembro 2012 ISSN 2177-2673 1 Romildo do Rêgo Barros Gostaria de tentar desdobrar nosso assunto tomando como eixo a palavra diferença. Para isso, proponho

Leia mais

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante Heloisa Caldas ** Minha contribuição para este número de Latusa visa pensar o amor como um semblante que propicia um tratamento

Leia mais

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003.

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. Prefácio Interessante pensar em um tempo de começo. Início do tempo de

Leia mais

Depressão não é sintoma, mas inibição

Depressão não é sintoma, mas inibição 4 (29/4/2015) Tristeza Atualmente denominada de depressão, por lhe dar por suporte o humor, a tristeza é uma covardia de dizer algo do real. Seu avesso, no sentido moebiano, a alegria, pode ir até a elacão.

Leia mais

O apelo contemporâneo por laços narcísicos

O apelo contemporâneo por laços narcísicos O apelo contemporâneo por laços narcísicos Ângela Buciano do Rosário Psicóloga, Doutoranda em Psicologia PUC-MG. Bolsista da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG. Mestre em

Leia mais

UM OLHAR PSICANALÍTICO SOBRE AS NOVAS BIOTECNOLOGIAS

UM OLHAR PSICANALÍTICO SOBRE AS NOVAS BIOTECNOLOGIAS 26 a 29 de outubro de 2010 ISBN 978-85-61091-69-9 UM OLHAR PSICANALÍTICO SOBRE AS NOVAS BIOTECNOLOGIAS Lorena Munhoz da Costa 1, Gilcinéia Rose da Silva Santos 2 RESUMO: Este trabalho buscou analisar,

Leia mais

A FORMAÇÃO DAS NEUROSES E SUA CONSTITUIÇÃO NA INFÂNCIA: IMPLICAÇÕES NA VIDA ESCOLAR

A FORMAÇÃO DAS NEUROSES E SUA CONSTITUIÇÃO NA INFÂNCIA: IMPLICAÇÕES NA VIDA ESCOLAR A FORMAÇÃO DAS NEUROSES E SUA CONSTITUIÇÃO NA INFÂNCIA: IMPLICAÇÕES NA VIDA ESCOLAR Jane Kelly de Freitas Santos (apresentador) 1 Maria Cecília Braz Ribeiro de Souza (orientador) 2 1 Curso de Pedagogia

Leia mais

O diagnóstico diferencial na clínica das toxicomanias Julia Reis

O diagnóstico diferencial na clínica das toxicomanias Julia Reis Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 5 Julho 2011 ISSN 2177-2673 na clínica das toxicomanias Julia Reis Os descompassos da psiquiatria O DSM Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais

Leia mais

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento Diagnóstico: um sintoma? Larissa de Figueiredo Rolemberg Mendonça e Manoel Tosta Berlinck (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP) O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal

Leia mais

O sujeito e o tempo das escolhas 1

O sujeito e o tempo das escolhas 1 O sujeito e o tempo das escolhas 1 Rita Bícego Vogelaar Trabalho apresentado na Jornada de Encerramento das FCFCL-SP- 2005 Estou chegando esse ano ao Fórum e fiquei pensando nesse espaço, nessa Jornada

Leia mais

THE BODY AND THE OTHER

THE BODY AND THE OTHER Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais Almanaque On-line nº 13 Julho a dezembro de 2013 Título: O corpo e o Outro Autora: Sandra Maria Espinha Oliveira Psicóloga, Analista praticante,

Leia mais

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Inovação em psicanálise: rumos e perspectivas na contemporaneidade Quarta-feira 10/6 10h30-12h Mesa-redonda Saúde mental e psicanálise

Leia mais

CENTRAL TELEFÔNICA SEM TELEFONE

CENTRAL TELEFÔNICA SEM TELEFONE 1 CENTRAL TELEFÔNICA SEM TELEFONE Samyra Assad INTRODUÇÃO O termo esquizofrenia não é utilizado por Lacan para definir essa categoria no campo das psicoses. Há o chamado Dito Esquizofrênico, em torno do

Leia mais

Falar, amar, gozar e escrever

Falar, amar, gozar e escrever Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 4 Março 2011 ISSN 2177-2673 1 Fernanda Hernani O objetivo desse trabalho é pensar, à luz da psicanálise lacaniana, a relação da escrita com o amor. Para isso

Leia mais

ABSTRACTS. Estratégias clínicas em uma instituição para toxicômanos

ABSTRACTS. Estratégias clínicas em uma instituição para toxicômanos Encontro Americano Os resultados terapêuticos da psicanálise Grupo de Estudos do Núcleo de Psicanálise e Toxicomanias Instituto Brasileiro de Psicanálise IPB/BA Centro de Estudos e Terapia do Abuso de

Leia mais

A angústia na psicose (Introdução ao tema e exemplos clínicos)

A angústia na psicose (Introdução ao tema e exemplos clínicos) Francisco Paes Barreto 1 A angústia na psicose (Introdução ao tema e exemplos clínicos) Palavras-chaves: Angústia, Psicose, Objeto a, Fragmentos clínicos. 1 A afirmação de que na psicose não existe angústia

Leia mais