O desenho e sua interpretação: quem sabe ler?

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "O desenho e sua interpretação: quem sabe ler?"

Transcrição

1 O desenho e sua interpretação: quem sabe ler? Sonia Campos Magalhães Em seu artigo Uma dificuldade da psicanálise de criança, Colette Soler 1 lança uma questão aos psicanalistas que se ocupam desta prática, ao afirmar que as crianças colocam à prova algo que diz respeito à ética da psicanálise. Ela vai levantar alguns pontos relativos à ética da interpretação, relacionados tanto aos desenhos infantis quanto à análise de não analfabetizados, não que pretendo trazer para discussão. Lembrando que a psicanálise opera sobre a letra do sintoma, tomado aí como escrita, traço, testemunho, condensador de gozo, Soler aponta que esta operação se faz pelo viés da decifração, o que supõe, portanto, associações transferenciais do sujeito. É um fato já consagrado a possibilidade de se estabelecer a transferência na criança desde a mais tenra idade o que nos permite afirmar que uma criança pode vir a ser um analisando. Portanto, a dificuldade apontada por Soler na clínica com crianças diz respeito não à transferência, mas à interpretação. Duas questões são levantadaspela autora: Pode-se tratar o encadeamento dos jogos, os comportamentos e, especialmente, os desenhos da criança, como uma cadeia associativa? 121

2 DESENHO: POR QUE NÃO? 122 O que é que a criança coloca sobre a folha? Não está excluído que seja, na ocasião, a própria cifra de seu gozo e que o desenho faça escrita. 2 Para a autora, a primeira das questões é uma suposição no mínimo necessária, sem a qual não haveria psicanálise de crianças pequenas, isto é, daquelas que, ainda que estejam presas, como todos os sujeitos, na estrutura da palavra, não estão em condições de associar, verbalmente, na transferência. A segunda questão prende-se especificamente à leitura dos desenhos e de seu uso. Minha proposta de trabalho vem situar-se em torno destas questões, sobretudo no que diz respeito ao desenho e sua interpretação. Antes, porém, gostaria de lembrar, de acordo com a própria Soler, que muito já se tem trabalhado sobre a decifração de um sintoma na articulação da palavra, porém, sem avançar em relação às palavras desenhadas. Para ela, será preciso classificar os desenhos em dois tipos: um deles é o desenho-escrita, escrita que é sintoma, que não demanda nada de ninguém, que nada quer saber, que é gozo; o outro, em oposição ao primeiro, é o desenhopalavra, um desenho que é sintoma, que demanda interpretação do Outro, oferecendo-se à leitura da psicanálise. A autora lembra que a interpretação visa o que se inscreve por meio dos equívocos da linguagem, aquilo que Lacan chamou de ao lado da enunciação. Os equívocos, homofônicos, gramaticais ou lógicos, não existem senão em função da escrita. Como, sem a escrita, jogar com a diferença entre cálice e cale-se, entre sem e cem, ou com a diferença entre aço e asso e entre possuir e posso ir? Freud faz coincidir o conceito de latência com a idade escolar, porque a escrita tem uma incidência sobre a palavra; por assim dizer, a escrita instala o recalque, o que Soler vai chamar de segundo tempo da efetuação da estrutura, fazendo-o coincidir com o conceito de castração. Devemos aqui lembrar que se há o segundo tempo, é porque há o primeiro, o que Freud aponta como fort/da. A partir daí, a questão que se coloca é como se elaborar respostas para o problema crucial da análise dos não

3 O DESENHO E SUA INTERPRETAÇÃO analfabetizados, daqueles que, como as crianças pequenas, ainda não tiveram acesso à escrita. Para trabalhar a primeira questão, proponho reformulá-la em outra pergunta: seria a fala iluminista? Se partirmos de Lacan, 3 que afirma ser a fala obscurantista, podemos responder a esta primeira questão de forma afirmativa, ou seja, dizendo que o desenho, tal como a fala, é um encadeamento associativo de alíngua que admite interpretação. A dificuldade apontada pela autora nesta primeira questão só se coloca na medida em que restringimos a cadeia significante à fala articulada. Assim como se pode propor uma fala-gozo em oposição à falasignificante, poder-se-ia, também, fazer uma oposição entre desenho-escrita e desenho-palavra. A segunda questão de Soler nos coloca diante do mesmo problema, e a resposta mais imediata é que a criança, ao desenhar, coloca sobre a folha de papel uma cifra, um signo, o que nos faria, talvez, pensar que o significante falado seria mais claro e que, de preferência ao significante desenhado, elucidaria o sentido. Mas não poderíamos dizer que é um vício mental supor que há sentido do sentido? Lacan já indicou que o máximo de sentido, ou seja, a dimensão mais extrema do sentido, é o enigma. Se, em vez de perseguirmos o sentido, perseguíssemos o signo, então o desenho, de preferência à fala, poderia ser considerado material significante encadeado. A estrutura se escreve melhor no desenho do que na fala é o que se poderia dizer, ou, melhor dizendo ela se escreve de modo tão obscuro quanto na fala. Não é difícil fazer a demonstração disto se partirmos de uma definição de Lacan segundo a qual a estrutura é de furo, de falta tomada como objeto, tal como encontramos no caso específico da histeria. Aí, o sujeito toma a falta como objeto que satisfaz o desejo, ou seja, toma o nada como objeto de satisfação e, na medida em que este não o satisfaz, mantém o desejo insatisfeito. 123

4 DESENHO: POR QUE NÃO? Podemos, no desenho, ler a falta? Quem, então, saberá lê-lo? Freud provou que sabia. Ele pôde ler um desenho como estrutura de linguagem. É o que ele fez, por exemplo, quando leu o traço que Hans quis acrescentar ao desenho da girafa como significante do falo Desenhei uma girafa para Hans, que mais tarde esteve em Schonbrunn diversas vezes. Ele me disse: Desenhe também o pipi dela. Desenhe você mesmo, respondi; ao que ele acrescentou essa linha à minha fi gura. 5 Sabemos hoje, a partir do conceito de significante assemântico, que, embora a cadeia significante prometa um sentido, este não passa de uma promessa. Podemos considerar a escrita de Joyce tão enigmática quanto o desenho. Pela definição de enigma não diríamos, no entanto, que é uma escrita sem sentido; ao contrário, é o cúmulo do sentido. Lacan, com Joyce, vai rearticular sua teoria do sintoma. 6 Ao situar o sintoma como função de uma letra, definindo-a pela identidade de si a si, Lacan vai falar não mais de uma função de metáfora que fixa o significado ao significante, mas de uma função da letra que fixa o gozo sem o Outro. Esta teoria, da foraclusão generalizada, é trazida por Colette Soler em seu artigo A experiência enigmática do psicótico De Schreber a Joyce, 7 dando margem a avanços nas colocações do seu artigo de 1991.

5 O DESENHO E SUA INTERPRETAÇÃO Desse modo, podemos dizer que o equívoco é determinado pelo fato de que a linguagem não pode nomear tudo, de que há coisas indizíveis. Há equívoco lá onde não pode haver relação biunívoca. 8 No que se refere propriamente à questão sobre os não analfabetizados e às suas possibilidades de ter acesso à análise, poderíamos dizer que eles têm condições de vir a se analisar. O analfabetismo não joga no mesmo nível da estrutura. Digamos que há um primeiro nível infraestrutural, primário, no qual se joga o equívoco, e que se poderia chamar analfabetismo generalizado, o que Lacan chamou debilidade mental de todo ser falante, na medida em que há, em cada falasser (parlêtre), alguma recusa de saber, algum não querer saber, o nível em que se situa o escrito. Há um outro nível, e este poderia ser chamado superestrutural, habitualmente chamado secundário, e que depende do fato da escrita, do acesso à escolaridade, mas que não impede o acesso à psicanálise. Se o não analfabetizado tem direito de acesso ao lapso, ao chiste, ao sonho e ao sintoma, isto quer dizer que ele tem direito de acesso à experiência analítica, do mesmo modo que as crianças pequenas não escolarizadas. Para tanto basta que o analista, face aos brinquedos, à fala e aos desenhos infantis, saiba como operar, mantendo-se no eixo da ética psicanalítica. Notas 1 C. Soler, Uma difi culdade da psicanálise de criança, em Artigos clínicos, pp Ibidem, p J. Lacan, Le moment de conclure, pp.1-6 (Seminário inédito, tradução de Jairo Gerbase, Campo Psicanalítico de Salvador Bahia). 125

6 DESENHO: POR QUE NÃO? 4 S. Freud, Análise de uma fobia em um menino de cinco anos, Obras completas, vol. X, pp Ibidem, p J. Lacan, O Seminário, Livro 23: O Sinthoma. 7 C. Soler, L Expérience énigmatique du psychotique, de Schreber à Joyce, em La cause freudienne revue de psychanalyse, fev. 1993, pp Segundo Gerbase, em Teoria generalizada do sintoma a eficácia da metáfora paterna (Imagem Rainha, EBP, p. 135), o que na teoria dos conjuntos se chama relação biunívoca é a relação na qual a todo ponto de uma figura corresponde um ponto na outra. O conceito de biunivocidade se aplica, por exemplo, quando uma criança conta em seus dedos as figurinhas de um álbum; esta operação lhe permite conhecer, reduplicativamente, que há do outro lado. Seus dedos não são as figurinhas, nem estas são os seus dedos, mas há algo que liga cada um ao outro e que os identifica. A experiência analítica incide sobre uma relação fundamental a relação sexual na qual não pode haver biunivocidade porque não existe o elemento significante nos dois conjuntos, do homem e da mulher, que entrem em relação. Há o significante do falo para representar o conjunto homem, mas o conjunto mulher não pode ser representado senão pelo conjunto vazio (N. da A.). Referências bibliográficas FREUD, Sigmund. Análise de uma fobia em um menino de cinco anos. Ed. standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud, vol. X. Rio de Janeiro: Imago, GERBASE, Jairo. Teoria generalizada do sintoma a eficácia da metáfora paterna. Imagem Rainha, EBP. Rio de Janeiro: Sette Letras,

7 O DESENHO E SUA INTERPRETAÇÃO LACAN, Jacques. O Seminário, Livro 23, O Sinthoma, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, A tagarelice (1 a aula, ). O Seminário, Livro 25: O momento de concluir. Inédito. Salvador: Campo Psicanalítico de Salvador, 2000, tradução de Jairo Gerbase. SOLER, Colette. Uma dificuldade da psicanálise de criança. Artigos clínicos. Salvador: Fator, p L Expérience énigmatique du psychotique, de Schreber à Joyce. La Cause freudienne Revue de psychanalyse. Paris: ECF, fevereiro de Le désir du psychanalyste. Où est la différence?. La lettre mensuelle, n Paris: ECF, julho de

AFORISMOS DE JACQUES LACAN

AFORISMOS DE JACQUES LACAN AFORISMOS DE JACQUES LACAN Marco Antonio Coutinho Jorge (org.) O texto de Lacan, assim como o de Swedenborg, segundo Borges, é daqueles que expõe tudo com autoridade, com uma tranqüila autoridade. Ciente,

Leia mais

Clínica psicanalítica com crianças

Clínica psicanalítica com crianças Clínica psicanalítica com crianças Ana Marta Meira* A reflexão sobre a clínica psicanalítica com crianças aponta para múltiplos eixos que se encontram em jogo no tratamento, entre estes, questões referentes

Leia mais

Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental

Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental Trabalho apresentado na IV Jornada de Saúde Mental e Psicanálise na PUCPR em 21/11/2009. A prática da psicanálise em ambulatório de saúde mental pode

Leia mais

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos?

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Luciana Silviano Brandão Lopes Quem já não teve a sensação de ter tido muitos

Leia mais

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 Celso Rennó Lima A topologia..., nenhum outro estofo a lhe dar que essa linguagem de puro matema, eu entendo por aí isso que é único a poder se ensinar: isso

Leia mais

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 Miriam A. Nogueira Lima 2 1ª - O corpo para a psicanálise é o corpo afetado pela linguagem. Corpo das trocas, das negociações. Corpo

Leia mais

2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania?

2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania? 2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania? Giselle Fleury(IP/UERJ), Heloisa Caldas(IP/UERJ) Para pensar, neste trabalho, a neurose e a psicose em relação

Leia mais

APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1

APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1 APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1 Elza Macedo Instituto da Psicanálise Lacaniana IPLA São Paulo, 2008 A angústia é um afeto Lacan (2005) dedica o Seminário de 1962-1963 à angústia. Toma a experiência

Leia mais

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 Arlete Mourão 2 Essa frase do título corresponde à expressão utilizada por um ex-analisando na época do final de sua análise.

Leia mais

HIPERATIVIDADE: NOVOS SINTOMAS DE ORDEM E DESORDEM HYPERACTIVITY: NEW SYMPTOMS TO ORDER AND DISORDER. Simone Bianchi. Introdução

HIPERATIVIDADE: NOVOS SINTOMAS DE ORDEM E DESORDEM HYPERACTIVITY: NEW SYMPTOMS TO ORDER AND DISORDER. Simone Bianchi. Introdução HIPERATIVIDADE: NOVOS SINTOMAS DE ORDEM E DESORDEM Simone Bianchi D.E.A. pelo Département de Psychanalyse de Paris VIII Especialista em Psicanálise - UFF Psicanalista, correspondente da EBP-Rio de Janeiro

Leia mais

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Clarice Gatto O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Trabalho a ser apresentado na Mesa-redonda Poder da palavra no III Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e IX

Leia mais

O discurso histérico. asexo(ualidade)

O discurso histérico. asexo(ualidade) O discurso histérico asexo(ualidade) Para desenvolver esse tema o discurso histérico devo partir do matema [S( Α )] que denominamos de estrutura de linguagem. Vou nomear esse matema com um neologismo que

Leia mais

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 5 Julho 2011 ISSN 2177-2673 : uma máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues O que tem sido feito do silêncio no mundo atual? Acabou o silêncio? Se

Leia mais

A fala freada Bernard Seynhaeve

A fala freada Bernard Seynhaeve Opção Lacaniana online nova série Ano 1 Número 2 Julho 2010 ISSN 2177-2673 Bernard Seynhaeve Uma análise é uma experiência de solidão subjetiva. Ela pode ser levada suficientemente longe para que o analisante

Leia mais

Notas preliminares sobre escrita e estilo em Guimarães Rosa. 1

Notas preliminares sobre escrita e estilo em Guimarães Rosa. 1 Notas preliminares sobre escrita e estilo em Guimarães Rosa. 1 Palavras chave: Escrita; estilo; objeto; literatura Heloisa Caldas * A proposta neste trabalho é a de levantar algumas notas sobre a escrita

Leia mais

A importância teórica e prática do ensino de Jacques Lacan Palavras-chaves: Lacan, ensino, subversão, orientação. Zelma Abdala Galesi

A importância teórica e prática do ensino de Jacques Lacan Palavras-chaves: Lacan, ensino, subversão, orientação. Zelma Abdala Galesi A importância teórica e prática do ensino de Jacques Lacan Palavras-chaves: Lacan, ensino, subversão, orientação. Zelma Abdala Galesi As inúmeras homenagens prestadas durante o ano de 2001, ao centenário

Leia mais

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento Diagnóstico: um sintoma? Larissa de Figueiredo Rolemberg Mendonça e Manoel Tosta Berlinck (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP) O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal

Leia mais

Angústia e sexualidade masculina

Angústia e sexualidade masculina Angústia e sexualidade masculina Palavras-chave: angústia, falo, órgão real, virilidade Sérgio Laia * Em psicanálise, a associação entre angústia e sexualidade masculina é geralmente abordada a partir

Leia mais

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM Maria Elisa França Rocha A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da sexualidade, bem como conhecer suas fantasias e as teorias que

Leia mais

A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE

A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE Autores: Gleici Kelly de LIMA, Mário Ferreira RESENDE. Identificação autores: Bolsista IN-IFC; Orientador IFC-Videira. Introdução Qual seria

Leia mais

Depressão não é sintoma, mas inibição

Depressão não é sintoma, mas inibição 4 (29/4/2015) Tristeza Atualmente denominada de depressão, por lhe dar por suporte o humor, a tristeza é uma covardia de dizer algo do real. Seu avesso, no sentido moebiano, a alegria, pode ir até a elacão.

Leia mais

A prova da devastação Daniela Goulart Pestana

A prova da devastação Daniela Goulart Pestana A prova da devastação Daniela Goulart Pestana A comunicação que segue procura pensar algumas especificidades constitucionais do feminino a partir do aforismo lacaniano: Não há relação sexual. Para dizer

Leia mais

Latusa Digital Ano 9 N. 49 Junho de 2012. Sobre a letra e o gozo na escrita de Clarice Lispector

Latusa Digital Ano 9 N. 49 Junho de 2012. Sobre a letra e o gozo na escrita de Clarice Lispector Clarisse Boechat 1 Marcia Mello de Lima 2 A obra de Clarice Lispector surpreende o psicanalista de orientação lacaniana, que trabalha com a prática da letra, pois é possível extrair dali alguns conceitos

Leia mais

Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos

Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos Este trabalho tem por intuito verificar quais as transformações sofridas pelos sintomas histéricos ao longo dos anos. Esta indagação se deve

Leia mais

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 Patrícia Guedes 2 Comemorar 150 anos de Freud nos remete ao exercício de revisão da nossa prática clínica. O legado deixado por ele norteia a

Leia mais

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n.6

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n.6 O delírio como desinserção da linguagem Hebe Tizio Resumo: O texto propõe ser o delírio psicótico uma desinserção da linguagem, por oposição ao que se poderia considerá-lo como uma inserção nela. Esclarece

Leia mais

Entrevista com Petra Costa por Tânia Abreu

Entrevista com Petra Costa por Tânia Abreu ADiretoria Boletim da Escola Brasileira de Psicanálise! na Rede Outubro 2013 Boletim eletrônico das Bibliotecas da EBP Maria Josefina Fuentes (Diretora Secretária da EBP) Tânia Abreu (Coordenadora da Comissão

Leia mais

THE BODY AND THE OTHER

THE BODY AND THE OTHER Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais Almanaque On-line nº 13 Julho a dezembro de 2013 Título: O corpo e o Outro Autora: Sandra Maria Espinha Oliveira Psicóloga, Analista praticante,

Leia mais

O sujeito e os gozos #08

O sujeito e os gozos #08 nova série @gente Digital nº 8 Ano 2 Abril de 2013 Revista de Psicanálise O sujeito e os gozos Pierre Skriabine Isso goza e não sabe, nota Lacan na página 104 do seu Seminário Encore, no capítulo intitulado

Leia mais

RESISTÊNCIA e DESEJO do ANALISTA: quem trabalha na psicanálise com crianças *

RESISTÊNCIA e DESEJO do ANALISTA: quem trabalha na psicanálise com crianças * RESISTÊNCIA e DESEJO do ANALISTA: quem trabalha na psicanálise com crianças * Maria Inês Lamy Palavras-chave: psicanálise com crianças / trabalho dos pais na psicanálise com crianças / resistência / resistência

Leia mais

EX-SISTO, LOGO SÔO. O modo como soa o título do presente trabalho já nos faz suspeitar de que se trata de

EX-SISTO, LOGO SÔO. O modo como soa o título do presente trabalho já nos faz suspeitar de que se trata de EX-SISTO, LOGO SÔO Eriton Araújo O modo como soa o título do presente trabalho já nos faz suspeitar de que se trata de um aforismo. Mas, para que mais um aforismo para o sujeito da psicanálise? Se considerarmos

Leia mais

Feminilidade e Angústia 1

Feminilidade e Angústia 1 Feminilidade e Angústia 1 Claudinéia da Cruz Bento 2 Freud, desde o início de seus trabalhos, declarou sua dificuldade em abordar o tema da feminilidade. Após um longo percurso de todo o desenvolvimento

Leia mais

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2 DAR CORPO AO SINTOMA NO LAÇO SOCIAL Maria do Rosário do Rêgo Barros * O sintoma implica necessariamente um corpo, pois ele é sempre uma forma de gozar, forma substitutiva, como Freud bem indicou em Inibição,

Leia mais

SUJEITOS DESNORTEADOS: EM BUSCA DA FELICIDADE? 1 Vera Lopes Besset 2

SUJEITOS DESNORTEADOS: EM BUSCA DA FELICIDADE? 1 Vera Lopes Besset 2 SUJEITOS DESNORTEADOS: EM BUSCA DA FELICIDADE? 1 Vera Lopes Besset 2 Introdução Nossa proposta de intervenção se relaciona às pesquisas em andamento no âmbito do Grupo de Pesquisa UFRJ/CNPq CLINP (Clínica

Leia mais

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante Heloisa Caldas ** Minha contribuição para este número de Latusa visa pensar o amor como um semblante que propicia um tratamento

Leia mais

Considerações acerca da transferência em Lacan

Considerações acerca da transferência em Lacan Considerações acerca da transferência em Lacan Introdução Este trabalho é o resultado um projeto de iniciação científica iniciado em agosto de 2013, no Serviço de Psicologia Aplicada do Instituto de Psicologia

Leia mais

Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1

Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1 Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1 Alfredo estava na casa dos 30 anos. Trabalhava com gesso. Era usuário de drogas: maconha e cocaína. Psicótico, contava casos persecutórios,

Leia mais

De onde vem a resistencia? 1

De onde vem a resistencia? 1 De onde vem a resistencia? 1 Maria Lia Avelar da Fonte 2 1 Trabalho apresentado na Jornada Freud-lacaniana. 2 M dica, psicanalista membro de Intersecção Psicanalítica do Brasil. De onde vem a resistência?

Leia mais

A dimensão aditiva do sintoma

A dimensão aditiva do sintoma Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 7 março 2012 ISSN 2177-2673 Glória Maron Introdução Vivemos um tempo posterior à queda dos ideais e das figuras clássicas de autoridade que encarnam a função

Leia mais

escrita como condicionante do sucesso escolar num enfoque psicanalítico

escrita como condicionante do sucesso escolar num enfoque psicanalítico escrita como condicionante do sucesso escolar num enfoque psicanalítico Meu objetivo aqui é estabelecer um ponto de convergência entre a apropriação da linguagem escrita, o fracasso escolar e os conceitos

Leia mais

Reinaldo Pamponet 1 rpamponet@terra.com.br

Reinaldo Pamponet 1 rpamponet@terra.com.br * um encontro que não faz laço Reinaldo Pamponet 1 rpamponet@terra.com.br Resumo: Este artigo pretende demonstrar que, na experiência analítica, a felicidade reside no encontro transitório, marcado pelo

Leia mais

A Sublimação e a Clínica em Lacan. Eliane Mendlowicz

A Sublimação e a Clínica em Lacan. Eliane Mendlowicz A Sublimação e a Clínica em Lacan Eliane Mendlowicz O conceito de sublimação aparece na obra freudiana em 1897, nas cartas a Fliess (manuscrito L), quando Freud se perguntando sobre a histérica, descobre

Leia mais

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset No início da experiência analítica, foi o amor, diz Lacan 1 parafraseando a fórmula no

Leia mais

Desdobramentos: A mulher para além da mãe

Desdobramentos: A mulher para além da mãe Desdobramentos: A mulher para além da mãe Uma mulher que ama como mulher só pode se tornar mais profundamente mulher. Nietzsche Daniela Goulart Pestana Afirmar verdadeiramente eu sou homem ou eu sou mulher,

Leia mais

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO 2014 Matheus Henrique de Souza Silva Psicólogo pela Faculdade Pitágoras de Ipatinga-MG. Especializando em Clínica Psicanalítica na atualidade:

Leia mais

AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO

AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO Lucia Serrano Pereira 1 Afirmo em nada mais ser entendido, senão nas questões do amor. Isso é o que está dito por Sócrates na obra de Platão O Banquete. O Banquete nos é indicado

Leia mais

Os princípios da prática analítica com crianças

Os princípios da prática analítica com crianças Os princípios da prática analítica com crianças Cristina Drummond Palavras-chave: indicação, tratamento, criança, princípios. As indicações de um tratamento para crianças Gostaria de partir de uma interrogação

Leia mais

NÃO HÁ RAPPORT, RAZÃO, RELAÇÃO SEXUAL

NÃO HÁ RAPPORT, RAZÃO, RELAÇÃO SEXUAL NÃO HÁ RAPPORT, RAZÃO, RELAÇÃO SEXUAL Ana Lúcia Bastos Falcão 1 Desde o início, em seus seminários, Lacan foi bordejando alguns conceitos que deram contorno à afirmação - Não há rapport, razão, relação

Leia mais

Rafael Saliba Regis Fundação de Assistência Especializada de Nova Lima - FAENOL

Rafael Saliba Regis Fundação de Assistência Especializada de Nova Lima - FAENOL QUANDO A CLÍNICA ENCONTRA A ESCOLA: O TRATAMENTO DO AUTISMO E AS SAÍDAS POSSÍVEIS DE UMA INCLUSÃO Rafael Saliba Regis Fundação de Assistência Especializada de Nova Lima - FAENOL Rua Divinópolis, 318/201,

Leia mais

Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003

Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003 Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003 O forçamento da psicanálise * Ruth Helena Pinto Cohen ** A ciência moderna tende a excluir a poética de seu campo e a psicanálise, a despeito de ter nascido a

Leia mais

Título da mesa: Questões teóricas para uma clínica nas conexões da psicanálise

Título da mesa: Questões teóricas para uma clínica nas conexões da psicanálise Título da mesa: Questões teóricas para uma clínica nas conexões da psicanálise Trabalho 2-: Elisabeth da Rocha Miranda Título: A Debilidade Mental: uma posição subjetiva diante do Outro Materno Este trabalho

Leia mais

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Sinthoma e fantasia fundamental no caso do homem dos ratos * Cleide Maschietto Doris Rangel Diogo ** O Homem dos ratos 1 é um caso de neurose muito comentado,

Leia mais

O lugar do corpo no nó borromeano: inibição, sintoma e angústia

O lugar do corpo no nó borromeano: inibição, sintoma e angústia Corpo Aline Nogueira e nó: inibição, Silva Coppus sintoma e angústia ISSN 0101-4838 15 O lugar do corpo no nó borromeano: inibição, sintoma e angústia Alinne Nogueira Silva Coppus* RESUMO O corpo é um

Leia mais

AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA A PARTIR DO DESENHO INFANTIL. Otília Damaris Psicopedagoga

AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA A PARTIR DO DESENHO INFANTIL. Otília Damaris Psicopedagoga AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA A PARTIR DO DESENHO INFANTIL Otília Damaris Psicopedagoga AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA A PARTIR DO DESENHO INFANTIL O desenho é uma das formas de expressão

Leia mais

A criança objetalizada

A criança objetalizada A criança objetalizada Cristina Drummond Psicanalista, Membro da Escola Brasileira de Psicanálise A posição de objeto da criança Para ler as evidências, em nosso mundo contemporâneo, de que os sujeitos

Leia mais

A Outra: o delírio da histérica

A Outra: o delírio da histérica Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 1 Ana Martha Maia e Maria Fátima Pinheiro Desde Freud, podemos dizer que a fantasia e o delírio são construções ficcionais

Leia mais

O trauma da poesia inconsciente

O trauma da poesia inconsciente O trauma da poesia inconsciente Marlise Eugenie D Icarahy Psicanalista, doutoranda do Programa de pós-graduação em Psicanálise da UERJ e psicóloga da Prefeitura do Rio de Janeiro. O complexo de Édipo,

Leia mais

Jacques Lacan, La Chose Freudienne

Jacques Lacan, La Chose Freudienne N O T A S Jacques Lacan, La Chose Freudienne JACQUES LABERGE Tivemos ocasião de apresentar nesta revista obras de Françoise Dolto e de Maud Mannoni. Como o nome de vários lacanianos são e serão comuns

Leia mais

PODERES DO PSICANALISTA

PODERES DO PSICANALISTA Estados Gerais da Psicanálise: Segundo Encontro Mundial, Rio de Janeiro 2003 PODERES DO PSICANALISTA Nelisa Guimarães O título tem o duplo sentido de discutir o que pode um psicanalista na clínica a partir

Leia mais

TÍTULO: A RESPOSTA DO PSICANALISTA UMA VIA DO AMOR E DA VERDADE. que esse trabalho se refere. Apesar do tema do trabalho não abordar esse conceito,

TÍTULO: A RESPOSTA DO PSICANALISTA UMA VIA DO AMOR E DA VERDADE. que esse trabalho se refere. Apesar do tema do trabalho não abordar esse conceito, 1 TÍTULO: A RESPOSTA DO PSICANALISTA UMA VIA DO AMOR E DA VERDADE Marisa De Costa Martinez i Tiago Ravanello ii Nem só a Arte e a Ciência servem; No trabalho há que mostrar paciência 1 São a fome e o amor

Leia mais

Resistência e dominação na relação psicanalítica 1

Resistência e dominação na relação psicanalítica 1 1 Estados Gerais da Psicanálise: Segundo Encontro Mundial, Rio de Janeiro 2003 Resistência e dominação na relação psicanalítica 1 Maria Izabel Oliveira Szpacenkopf izaszpa@uol.com.br Psicanalista, Membro

Leia mais

outrarte: estudos entre arte e psicanálise

outrarte: estudos entre arte e psicanálise outrarte: estudos entre arte e psicanálise Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, é quem nos diz que Fernando Pessoa não existe, propriamente falando. Também já foi dito que o Livro do

Leia mais

A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1

A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1 A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1 Este artigo trata da difícil relação entre a teoria psicanalítica, que tradicionalmente considerava os comportamentos eróticos entre pessoas

Leia mais

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Oscar Zack O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre as pessoas mediatizadas pelas imagens. Guy

Leia mais

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2 A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1 Selma Correia da Silva 2 Neste trabalho pretendemos discutir a articulação do discurso da Psicanálise com o discurso da Medicina, destacando

Leia mais

O lugar do psicanalista e o sintoma como fonte de mal-estar

O lugar do psicanalista e o sintoma como fonte de mal-estar O lugar do psicanalista e o sintoma como fonte de mal-estar Júlio Eduardo de Castro* Unitermos: psicanálise em intensão; sintoma; ética da psicanálise. Resumo Este artigo aborda a ética da psicanálise

Leia mais

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Analícea Calmon Seguindo os passos da construção teórico-clínica de Freud e de Lacan, vamos nos deparar com alguns momentos de

Leia mais

Contexto cultural contemporâneo: o declínio da função paterna e a posição subjetiva da criança

Contexto cultural contemporâneo: o declínio da função paterna e a posição subjetiva da criança Contexto cultural contemporâneo: o declínio da função paterna e a posição subjetiva da criança Manuela Rossiter Infância - tempo de brincar, coisa séria. Sônia Pereira Pinto da Motta O atendimento de crianças

Leia mais

Considerações sobre a elaboração de projeto de pesquisa em psicanálise

Considerações sobre a elaboração de projeto de pesquisa em psicanálise Considerações sobre a elaboração de projeto de pesquisa em psicanálise Manoel Tosta Berlinck Um projeto de pesquisa é um objeto escrito que resulta de um processo de elaboração, esclarecimento e precisão.

Leia mais

Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação

Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação Gresiela Nunes da Rosa Diante do enigma primeiro a respeito do desejo do

Leia mais

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Maria José Gontijo Salum Em suas Contribuições à Psicologia do Amor, Freud destacou alguns elementos que permitem

Leia mais

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da Introdução O interesse em abordar a complexidade da questão do pai para o sujeito surgiu em minha experiência no Núcleo de Atenção à Violência (NAV), instituição que oferece atendimento psicanalítico a

Leia mais

Construções lacanianas em torno da fantasia

Construções lacanianas em torno da fantasia Construções lacanianas em torno da fantasia Angela Vorcaro 1 Marcela Rêda Guimarães 2 1 Introdução: O texto freudiano Batem numa criança (Freud, 2010[1919]) estabelece a organização de uma massa de fantasias

Leia mais

Latusa Digital ano 3 Nº 24 setembro de 2006

Latusa Digital ano 3 Nº 24 setembro de 2006 Latusa Digital ano 3 Nº 24 setembro de 2006 Filho, não vês que estou queimando! Ondina Maria Rodrigues Machado * Fui a Salvador para o XV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, mas não só para isso. Fui

Leia mais

Apulsão, um dois quatro conceitos fundamentais colocados por Lacan, desenha

Apulsão, um dois quatro conceitos fundamentais colocados por Lacan, desenha Aríete Garcia Lopes Vera Vinheiro Apulsão, um dois quatro conceitos fundamentais colocados por Lacan, desenha o horizonte do discurso psicanalítico. Situada aquém do inconsciente e do recalque, ela escapa

Leia mais

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial.

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. Claudia Wunsch. Psicóloga. Pós-graduada em Psicanálise Clínica (Freud/Lacan) Unipar - Cascavel- PR. Docente do curso de Psicologia da Faculdade

Leia mais

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE Maria Fernanda Guita Murad Pensando a responsabilidade do analista em psicanálise, pretendemos, neste trabalho, analisar

Leia mais

A estrutura de linguagem: Era uma vez, um não

A estrutura de linguagem: Era uma vez, um não DESMENTIDO Jairo Gerbase A estrutura de linguagem: Era uma vez, um não Os axiomas Poderíamos nomear [S( Α )] de primeiro não. Em primeiro lugar, no sentido de era uma vez, no sentido mítico, histórico,

Leia mais

Florbela Espanca nas figurações poéticas do feminino Lídia de Noronha Pessoa

Florbela Espanca nas figurações poéticas do feminino Lídia de Noronha Pessoa Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 14 julho 2014 ISSN 2177-2673 nas figurações poéticas do feminino Lídia de Noronha Pessoa Conheci Florbela, poetisa portuguesa do século XIX, através do livro

Leia mais

Um Quarto de Volta. Maria Cristina Vecino de Vidal. Discursos

Um Quarto de Volta. Maria Cristina Vecino de Vidal. Discursos Um Quarto de Volta Maria Cristina Vecino de Vidal Este escrito versará em torno da estrutura dos quatro discursos e seu funcionamento na clínica psicanalítica. As questões se centrarão na problemática

Leia mais

O PSICANALISTA E A DITADURA DA IMAGEM. Ao ser indagado, em 1966, sobre o lugar que a psicanálise poderia ocupar junto

O PSICANALISTA E A DITADURA DA IMAGEM. Ao ser indagado, em 1966, sobre o lugar que a psicanálise poderia ocupar junto O PSICANALISTA E A DITADURA DA IMAGEM Vera Pollo Ao ser indagado, em 1966, sobre o lugar que a psicanálise poderia ocupar junto aos médicos, Lacan (1966/2011) responde o seguinte: pois o que está excluído

Leia mais

O QUE OS ALUNOS DIZEM SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: VOZES E VISÕES

O QUE OS ALUNOS DIZEM SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: VOZES E VISÕES O QUE OS ALUNOS DIZEM SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: VOZES E VISÕES Aline Patrícia da Silva (Departamento de Letras - UFRN) Camila Maria Gomes (Departamento de Letras - UFRN) Orientadora: Profª Dra.

Leia mais

ANTÔNIO E SEUS AMORES: UM CASO CLÍNICO. Antônio é um jovem de 21 anos que veio à análise a pedido de uma das três

ANTÔNIO E SEUS AMORES: UM CASO CLÍNICO. Antônio é um jovem de 21 anos que veio à análise a pedido de uma das três ANTÔNIO E SEUS AMORES: UM CASO CLÍNICO Sandra Chiabi Antônio é um jovem de 21 anos que veio à análise a pedido de uma das três namoradas. Contou que estava envolvido com as três, e uma delas pedira que

Leia mais

Piano e voz em Glenn Gould, ou do que transborda na interpretação musical 1 Renata Mattos de Azevedo

Piano e voz em Glenn Gould, ou do que transborda na interpretação musical 1 Renata Mattos de Azevedo Piano e voz em Glenn Gould, ou do que transborda na interpretação musical 1 Renata Mattos de Azevedo Ao se ouvir o pianista canadense Glenn Gould interpretando obras de compositores clássicos, o que salta

Leia mais

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n o 10. Janeiro a julho de 2012

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n o 10. Janeiro a julho de 2012 Título: A sintonia do eu com o sintoma: a problemática da angústia na neurose obsessiva Autora: Simone Souto Psicanalista, Membro da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP) e da Associação Mundial de Psicanálise

Leia mais

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010.

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. Os nomes dos modos de sofrimentos atuais, ou, Transtornos

Leia mais

Título: Entrevista com Fabián Naparstek

Título: Entrevista com Fabián Naparstek Título: Entrevista com Fabián Naparstek Autor: Didier Velásquez Vargas Psicanalista em Medellín, Colômbia. Psychoanalyst at Medellín, Colômbia. E-mail: didiervelasquezv@une.net.co Resumo: Entrevista com

Leia mais

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO E O CONSUMISMO

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO E O CONSUMISMO MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO E O CONSUMISMO 2012 Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário de Lavras UNILAVRAS (Brasil) E-mail: vivianecastrofreire@yahoo.com.br RESUMO Freud explica em seus textos

Leia mais

Escrita poética chinesa. interpretação no último Lacan Cleyton Andrade

Escrita poética chinesa. interpretação no último Lacan Cleyton Andrade Opção Lacaniana online nova série Ano 6 Número 18 novembro 2015 ISSN 2177-2673 e a interpretação no último Lacan Cleyton Andrade No início da lição de 20 de dezembro de 1977 do seminário O momento de concluir

Leia mais

GRUPO DE ESTUDOS: TRANSFERÊNCIA:- HISTÓRIAS DE (DES)AMOR SUELI SOUZA DOS SANTOS. 3º Encontro - 31 de agosto 2015. No começo era o amor (Cap.

GRUPO DE ESTUDOS: TRANSFERÊNCIA:- HISTÓRIAS DE (DES)AMOR SUELI SOUZA DOS SANTOS. 3º Encontro - 31 de agosto 2015. No começo era o amor (Cap. GRUPO DE ESTUDOS: TRANSFERÊNCIA:- HISTÓRIAS DE (DES)AMOR SUELI SOUZA DOS SANTOS 3º Encontro - 31 de agosto 2015 No começo era o amor (Cap.I) No primeiro capítulo do Livro 8, Lacan (1960-1961) inicia com

Leia mais

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO Denise de Fátima Pinto Guedes Roberto Calazans Freud ousou dar importância àquilo que lhe acontecia, às antinomias da sua infância, às suas perturbações neuróticas, aos seus sonhos.

Leia mais

Adolescência Márcio Peter de Souza Leite (Apresentação feita no Simpósio sobre Adolescência- Rave, EBP, abril de 1999, na Faculdade de Educação da

Adolescência Márcio Peter de Souza Leite (Apresentação feita no Simpósio sobre Adolescência- Rave, EBP, abril de 1999, na Faculdade de Educação da Adolescência 1999 Adolescência Márcio Peter de Souza Leite (Apresentação feita no Simpósio sobre Adolescência- Rave, EBP, abril de 1999, na Faculdade de Educação da USP) O que é um adolescente? O adolescente

Leia mais

Integração social e Segregação real: uma questão para as medidas socioeducativas no Brasil

Integração social e Segregação real: uma questão para as medidas socioeducativas no Brasil Integração social e Segregação real: uma questão para as medidas socioeducativas no Brasil Fídias Gomes Siqueira 1 Andréa Maris Campos Guerra 2 [...] a gente carecia de querer pensar somente nas coisas

Leia mais

A ILUSTRAÇÃO NO LIVRO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL: UM PROJETO EM ANDAMENTO

A ILUSTRAÇÃO NO LIVRO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL: UM PROJETO EM ANDAMENTO A ILUSTRAÇÃO NO LIVRO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL: UM PROJETO EM ANDAMENTO Maria da Graça Cassano 1 1 Dos fatores determinantes para a pesquisa O trabalho com a literatura infanto-juvenil desenvolvido

Leia mais

A Urgência Subjetiva na Saúde Mental 1 (Uma introdução)

A Urgência Subjetiva na Saúde Mental 1 (Uma introdução) A Urgência Subjetiva na Saúde Mental 1 (Uma introdução) Palavras-chave: Urgência; Saúde Mental; Fragmentos clínicos Francisco Paes Barreto Para introduzir a questão da urgência no campo da saúde mental

Leia mais

ANAIS DO XI ENCONTRO DA EPFCL AFCL - BRASIL

ANAIS DO XI ENCONTRO DA EPFCL AFCL - BRASIL ANAIS DO XI ENCONTRO DA EPFCL AFCL - BRASIL Fortaleza - 2011 1 ANAIS DO XI ENCONTRO DA EPFCL AFCL - BRASIL Coordenação Nacional: Sonia Alberti Georgina Cerquise Consuelo Pereira de Almeida Coordenação

Leia mais

A violência na relação mãe-filha

A violência na relação mãe-filha 1 Mesa-redonda: VIOLÊNCIA E PODER: REPERCUSSÕES NO FEMININO Coordenação: Profa. Dra. Rita Maria Manso de Barros A violência na relação mãe-filha Marlise Eugenie D Icarahy 1 Rita Maria Manso de Barros 2

Leia mais