UMA DEFESA DO NECESSÁRIO A POSTERIORI

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1 Maria Bouça UMA DEFESA DO NECESSÁRIO A POSTERIORI Dissertação de Mestrado em Filosofia da Linguagem e da Consciência apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa 1999

2 INTRODUÇÃO O tema desta dissertação é, como o seu título indica, a tese, inicialmente defendida por Kripke (1988; 1993: ), segundo a qual há verdades necessárias que só empiricamente podem ser conhecidas. O objectivo é argumentar a favor da plausibilidade da tese kripkeana e exibir a consequente refutação da tese tradicional, explicitamente defendida por Kant (1985; 1987), segundo a qual todas as verdades necessárias são conhecidas a priori. Dado que a inteligibilidade da tese kripkeana emerge de um determinado contexto teórico, começarei por abordar certas teses e noções chave que constituem aquele contexto, e que o aparato conceptual da teoria lógica da modalidade de Kripke permite clarificar e discutir. As noções em questão são a noção de necessidade metafísica, as noções metafísicas de identidade transmundial e de propriedade essencial (acidental) de objectos, e a noção semântica e modalmente orientada de designação rígida. Mostrarei, em seguida, a plausibilidade da argumentação que suporta a tese kripkeana e que contraria a tese tradicional, distinguindo entre uma versão fraca e uma versão forte daquela tese. Estas duas versões reflectem a distinção, nem sempre claramente reconhecida, entre o valor de verdade, o estatuto modal geral e o estatuto modal específico de uma proposição. A versão fraca defende que certas verdades necessárias, as quais podemos não saber que são necessárias, só empiricamente podem ser conhecidas, isto é, só empiricamente podemos conhecer o seu valor de verdade. A versão forte defende que certas verdades necessárias, as quais sabemos a priori que são necessárias, só empiricamente podem ser 1

3 conhecidas como tal (como necessárias), isto é, só empiricamente podemos conhecer o seu estatuto modal específico. A defesa do Necessário A Posteriori passará aqui pela análise e discussão das teses em questão (tese kripkeana e tese tradicional) e respectivas versões. (Ver listagem de teses e versões na parte final da dissertação) Na medida em que a tese do Necessário A Posteriori, como tese existencial, é inseparável dos casos que a verificam, torna-se imprescindível, tendo em vista o objectivo desta dissertação, a discussão de diversos tipos de casos do Necessário A Posteriori. Uma taxonomia simples de verdades necessárias a posteriori consiste em dividi-las em dois tipos: triviais e não triviais. Os primeiros são sobretudo casos de identidades verdadeiras formuladas à custa de nomes próprios; os segundos são casos que dizem respeito a categorias naturais e ainda à origem e composição material de objectos físícos. Os primeiros casos são triviais no sentido de resultarem da admissão da tese semântica da designação rígida, de alguma lógica modal elementar, e ainda de proposições empíricas incontroversas. Os casos não triviais exigem certas considerações essencialistas suplementares que, embora plausivelmente argumentadas, estão longe de ter o estatuto incontroverso que aquelas premissas de carácter lógico-semântico alegadamente têm. Depois destas considerações genéricas, passo a descrever, com maior detalhe, o conteúdo dos três capítulos que compõem esta dissertação. No Capítulo I analisarei as três principais teses envolvidas na discussão do Necessário A Posteriori: as teses da Identidade Transmundial, do Essencialismo e da Designação Rígida. A tese da Identidade Transmundial, a qual se opõe notoriamente à Teoria das Contrapartes de David Lewis, sustenta que um e o mesmo particular (e não uma sua contraparte) pode existir em mais do que um mundo possível. Kripke (1988) 2

4 argumenta contra a Teoria das Contrapartes, defendendo que ela deturpa a nossa compreensão intuitiva de certas afirmações modais, e que é o resultado de uma concepção incorrecta acerca de mundos possíveis e da identificação de particulares nesses mundos. Muitos dos casos kripkeanos de verdades necessárias a posteriori supõem que um objecto particular ou substância pode existir em mais do que um mundo. Assim, por exemplo, defender que (se sabe apenas empiricamente que) Cícero é necessariamente idêntico a Túlio, que o ouro é necessariamente o metal com o peso atómico 79, ou que a pessoa x é necessariamente oriunda dos gametas y e z, implica admitir, respectivamente, que Cícero, o ouro, ou a pessoa x, são existentes transmundiais. A tese da Identidade Transmundial, pressuposta em muitos casos de verdades necessárias a posteriori, não é incontroversa. No entanto, como mostrarei, as principais objecções à noção de identidade transmundial parecem poder ser coerentemente contra-argumentadas. O Essencialismo é também um pressuposto dos casos não triviais de verdades necessárias a posteriori. Os casos não triviais distinguem-se dos triviais pelo facto de os últimos não exigirem aquele pressuposto. Trata-se da doutrina segundo a qual certos particulares e substâncias têm certas propriedades acidentalmente (estas são as que eles podem deixar de ter noutros mundos possíveis em que existam) e outras essencialmente (estas são as que eles não podem deixar de ter noutros mundos possíveis em que existam). Esta doutrina corresponde à admissão da modalidade de re, isto é, da modalidade atribuída a uma coisa (res). Assim, por exemplo, afirmar que (se sabe apenas por meios empíricos que), em todos os mundos possíveis, a água, se existe, é H2O, implica atribuir à substância, rigidamente designada por água, uma determinada propriedade essencial não trivial, a de ter a composição química H2O; afirmar que (se sabe apenas por meios empíricos que), em todos os mundos possíveis, Édipo, se existe, 3

5 é filho de Jocasta, implica atribuir a uma pessoa, Édipo, uma propriedade essencial não trivial, a de ser filho de Jocasta. A teoria da modalidade de Kripke permite, não só clarificar a noção de identidade transmundial, como também tornar inteligível a noção de propriedade essencial: uma propriedade essencial de um particular ou de uma substância é uma propriedade que esse particular ou substância possui em todos os mundos possíveis em que existe. No entanto, a determinação de que propriedades são essenciais a um particular ou a uma substância exige a suplementação da teoria da modalidade com certos argumentos eminentemente metafísicos. O essencialismo pressuposto nos casos não triviais de necessidades a posteriori é nomologicamente orientado, na medida em que se apoia na ciência e nas leis da natureza: a necessidade natural é automaticamente elevada a necessidade metafísica. Assim, por exemplo, H2O é uma propriedade essencial da água porque, nomologicamente, a água não poderia deixar de ter a composição química que de facto tem; do mesmo modo, ser filho de Jocasta é uma propriedade essencial de Édipo porque, nomologicamente, Édipo não poderia ter um progenitor diferente do que de facto tem. Um mundo possível com leis físicas diferentes, em que, por exemplo, as moléculas de hidrogénio nunca se misturam com as de oxigénio, é um mundo possível onde a água não existe, mesmo que exista um líquido em tudo o resto semelhante à água; do mesmo modo, um mundo possível em que em vez de homens existem robots, é um mundo possível onde Édipo não existe, mesmo que exista um robot em tudo o resto semelhante a Édipo. A tese kripkeana da Designação Rígida é uma tese semântica modalmente orientada, segundo a qual certos designadores - nomes próprios, termos para categorias naturais e certas descrições definidas - são rígidos, designam o mesmo objecto em todos os mundos em que o objecto existe. O teste intuitivo de rigidez funda-se em intuições acerca de propriedades modais de particulares: pergunta-se se alguém ou alguma coisa diferente da pessoa ou coisa que se está a designar 4

6 poderia ter sido essa pessoa ou coisa; se a resposta intuitiva é negativa, então o designador utilizado designa rigidamente essa pessoa ou coisa. Apesar do teste de rigidez se apoiar, segundo Kripke, em intuições essencialistas, pode-se defender que é por estipulação que se estabelece a rigidez de nomes próprios e de termos para categorias naturais. Assim, como mostrarei, embora a tese kripkeana da Designação Rígida exija o Essencialismo, o Essencialismo não exige aquela tese semântica modalmente orientada. No Capítulo II discuto as duas versões e o suporte argumentativo da tese kripkeana de que há verdades necessárias que só empiricamente podem ser conhecidas, tese que contraria a tese tradicional de que todas as verdades necessárias são a priori. Começarei por mostrar que uma clarificação e demarcação das categorias de modalidade alética (que diz respeito ao modo de uma proposição ser verdadeira) e modalidade epistémica (que diz respeito ao modo de conhecer uma proposição) permite fragilizar a tese tradicional, ao evidenciar um erro bastante comum: o da confusão de domínios das modalidades envolvidas. Assumindo-se que da necessidade não se segue, por análise conceptual, a aprioridade, a coextensionalidade das duas noções exige argumentos substantivos para se poder manter. Tais argumentos não são detectáveis em Kant, cujas posições são representativas da tese tradicional, de uma forma clara e inequívoca, uma vez que o filósofo parece por vezes usar a noção de necessidade no sentido transcendental de condição de possibilidade da experiência. Mesmo admitindo que os defensores da tese tradicional usam a noção de necessidade no sentido tradicional, alético, a argumentação que a suporta parece não só confundir os domínios alético e epistemológico de uma proposição, como parece também confundir o conhecimento do valor de verdade de uma proposição necessária e o conhecimento do seu 5

7 estatuto modal geral. Ora, assim como devemos atender à distinção entre o domínio alético e o epistemológico de uma proposição, o mesmo deve ser feito relativamente ao valor de verdade e ao estatuto modal geral de uma proposição. O valor de verdade de uma proposição é o seu ser verdadeira ou falsa, e o estatuto modal geral de uma proposição é o seu ser necessária ou contingente, sem atender ao seu valor de verdade. Logo, o conhecimento do valor de verdade de uma proposição não equivale ao conhecimento do seu estatuto modal geral. Assim sendo, uma coisa é saber que uma proposição necessária é verdadeira (conhecimento do valor de verdade), outra coisa é saber que é necessária (conhecimento do seu estatuto modal geral), e só quando temos ambos os conhecimentos é que sabemos que aquela proposição é necessariamente verdadeira (conhecimento do estatuto modal específico). Centrando a discussão na tese kripkeana do Necessário A Posteriori, mostrarei que esta tese é susceptível de duas versões que designarei por versão fraca e forte. A versão fraca defende que há verdades necessárias que só empiricamente podem ser conhecidas, isto é, só empiricamente podemos conhecer o seu valor de verdade. A versão forte defende que há verdades necessárias que só empiricamente podem ser conhecidas como tal (como necessárias), isto é, só empiricamente podemos conhecer o seu estatuto modal específico. A tese tradicional, contrariada pela tese kripkeana, é também susceptível de três versões. Ao defender-se que tudo o que é necessário é a priori, pode-se querer dizer que é a priori que conhecemos o estatuto modal geral, ou o estatuto modal específico, ou ainda o valor de verdade, de uma proposição necessária. (Ver listagem de teses e versões na parte final da dissertação). A contra-argumentação de Kripke da tese tradicional, a qual está na base da versão fraca da sua tese, é a de que o facto de uma proposição ser necessária não implica que saibamos nem que é necessária nem que é verdadeira, e o conhecimento da necessidade de uma proposição (o conhecimento do seu estatuto 6

8 modal geral) não equivale ao conhecimento do seu valor de verdade. Assim é que podemos conhecer a priori o estatuto modal geral de uma proposição sem que conheçamos o seu valor de verdade (a conjectura de Goldbach, por exemplo), e podemos conhecer só empiricamente o valor de verdade de uma proposição necessária sem conhecermos o seu estatuto modal geral (versão fraca da tese kripkeana) A versão forte, contrariamente à versão fraca, exige que se conheça a priori o estatuto modal geral de proposições necessárias cujo valor de verdade só empiricamente pode ser conhecido. Sucintamente, a versão forte é argumentada por Kripke deste modo: (1) Sabemos a priori que certas proposições, se verdadeiras, são necessariamente verdadeiras. (2) Sabemos apenas empiricamente que aquelas proposições são verdadeiras (3) Sabemos apenas empiricamente que aquelas proposições são necessariamente verdadeiras. A versão forte da tese kripkeana pressupõe a distinção, assinalada acima e discutida por Casulo (1987: ), entre o estatuto modal geral e o estatuto modal específico de proposições. Conhecemos o estatuto modal geral de uma proposição quando sabemos que é necessária ou contingente sem atender ao seu valor de verdade; e conhecemos o seu estatuto modal específico quando conhecemos quer o seu estatuto modal geral quer o seu valor de verdade. Assim, em (3) conclui-se que só empiricamente podemos conhecer o estatuto modal específico de certas verdades necessárias, dado que conhecemos a priori o seu estatuto modal geral (1), e conhecemos apenas empiricamente o seu valor de verdade (2). 7

9 Destaco três casos típicos de verdades necessárias a posteriori, que serão constantemente exemplificados ao longo deste ensaio e, na sua parte final, separadamente discutidos: casos do tipo (*) de identidades formuladas à custa de nomes próprios; casos do tipo (**) que envolvem termos para categorias naturais; e casos do tipo (***) que dizem respeito à origem e composição material de objectos físicos. Eis o argumento supra aplicado a exemplos característicos de cada um dos três tipos de casos: (1*) Sei a priori que se Véspero ( se existe) é Fósforo, então necessariamente Véspero é Fósforo. (2*) Sei só a posteriori que Véspero é Fósforo (3*) Sei só a posteriori que necessariamente Véspero (se existe) é Fósforo. (1**)Sei a priori que se a água é H2O, então necessáriamente a água é H2O (2**) Sei só a posteriori que a água é H2O (3**) Sei só a posteriori que necessariamente a água é H2O (1***) Sei a priori que se Édipo é filho de Jocasta, então necessariamente Édipo é filho de Jocasta. (2***)Sei só a posteriori que Édipo é filho de Jocasta (3***) Sei só a posteriori que necessariamente Édipo é filho de Jocasta. A versão fraca da tese kripkeana não exige que conheçamos (a priori) o estatuto modal geral da proposição cujo valor de verdade só empiricamente pode ser conhecido. Na medida em que o conhecimento do valor de verdade de uma proposição não implica o conhecimento do seu estatuto modal geral, o facto de só empiricamente podermos conhecer o valor de verdade de uma proposição necessária torna imediatamente plausível aquela versão. Assim, e utilizando o 8

10 exemplo do argumento (**), mesmo que não saibamos que a proposição que a água é H20, se verdadeira, é necessariamente verdadeira, só empiricamente podemos saber que a água tem a composição química H20. No entanto, a versão fraca da tese exige que alguém estabeleça que a proposição cujo valor de verdade só empiricamente pode ser conhecido, é uma verdade necessária, nomeadamente que qualquer substância líquida é tal que não poderia deixar de ter a composição química que de facto tem. A versão forte exige que conheçamos a priori o estatuto modal geral da proposição cujo valor de verdade só empiricamente pode ser conhecido. O facto de só empiricamente podermos conhecer o valor de verdade de uma proposição que sabemos a priori ser necessária, se verdadeira, torna imediatamente plausível essa versão. Assim, se conhecemos a priori a proposição condicional de que se a água tem a composição química H2O, então tem necessariamente aquela composição química, e se só empiricamente podemos conhecer a antecedente da condicional, segue-se que só empiricamente podemos conhecer a sua consequente. A conclusão (3), a versão forte da tese kripkeana, depende da verdade da premissas (1) e (2). Embora a premissa (2) não pareça levantar grandes problemas, o mesmo não acontece com a premissa condicional (1) que diz podermos saber a priori que certas proposições sendo verdadeiras são necessariamente verdadeiras, que certas proposições relativas ao mundo físico, nas quais uma propriedade é atribuída a um indivíduo (como em (1***)) ou a uma categoria natural (como em (1**)) se comportam como as proposições matemáticas. Estas premissas pressupõem certas considerações essencialistas suportadas por argumentos postos à prova em experiências de pensamento. Tais argumentos, mesmo que plausíveis, estão longe de ser incontroversos, como mostro no último capítulo desta dissertação. 9

11 No capítulo III discutirei os três casos de verdades necessárias a posteriori ilustrados acima: (*), (**) e (***). A plausibilidade da versão forte da tese kripkeana depende, em grande parte, da plausibilidade da premissa condicional (1), a tese de que sabemos por mera análise filosófica que certas proposições, apesar de não serem proposições matemáticas, se comportam como estas, no sentido em que se são verdadeiras, são necessariamente verdadeiras. Aquela premissa condicional é, nos casos do tipo (**) e (***), uma premissa essencialista não trivial. Os casos kripkeanos do tipo do da conclusão (3*) exigem apenas, para além de alguma lógica modal elementar e de proposições empíricas incontroversas, a admissão da tese semântica da Designação Rígida de nomes. Os casos kripkeanos do tipo das conclusões (3**) e (3***) exigem a admissão do Essencialismo substantivo. A discussão mais detalhada daqueles três casos visa mostrar que, exceptuando os casos de identidades verdadeiras formuladas à custa de nomes próprios, exemplificados acima com (*), a conclusão essencialista (3) só pode ser tirada se se admitir o essencialismo substantivo subjacente à premissa condicional (1). Nos casos exemplificados acima com (**) e (***) as premissas condicionais exigem argumentos eminentemente metafísicos, não resultando apenas do aparato lógico-semântico da teoria da modalidade. Aquelas premissas condicionais veiculam um discurso novo e polémico acerca de essências: certas propriedades de particulares e substâncias, descobertas pela ciência, são propriedades essenciais desses objectos, propriedades que esses objectos não poderiam deixar de possuir existindo. Este discurso essencialista, apesar de plausivelmente argumentado, está longe de ser imune a contra-argumentações, pelo que algumas destas são consideradas no capítulo. 10

12 CAPÍTULO I - TESES ENVOLVIDAS NA DISCUSSÃO DO NECESSÁRIO A POSTERIORI Introdução Ao estabelecer que certas proposições empíricas, proposições acerca do mundo físico, à semelhança das proposições matemáticas, sendo verdadeiras, são necessariamente verdadeiras, Kripke (1988: 159) dá a chave para a caracterização geral do conhecimento a posteriori de verdades necessárias. Assim, se há proposições que, sendo verdadeiras, são necessariamente verdadeiras; e se o seu 11

13 valor de verdade só empiricamente pode ser conhecido; então há verdades necessárias que só empiricamente podem ser conhecidas. No capítulo II vou chamar a esta conclusão a versão fraca da tese kripkeana. Kripke acrescenta que é por análise filosófica, isto é, através de meios a priori, que se sabe que certas proposições são necessariamente verdadeiras, se verdadeiras; logo, se o seu valor de verdade só empiricamente pode ser conhecido, então só empiricamente podemos saber que são necessariamente verdadeiras. Vou chamar a esta conclusão a versão forte da tese kripkeana. Deixando a discussão destas duas versões da tese kripkeana para o próximo capítulo, limito-me, neste, a discutir o contexto argumentativo da premissa condicional de que certas proposições, sendo verdadeiras, são necessariamente verdadeiras. Esta premissa é, segundo Kripke, fundamental para a admissão de verdades necessárias que só empiricamente podem ser conhecidas. Exemplificando relativamente a três tipos de casos kripkeanos do Necessário A Posteriori, os quais irei discutir subsequentemente, temos as seguintes premissas condicionais: (i) Se Véspero é Fósforo, então necessariamente Véspero é Fósforo. (ii) Se a água é H2O, então necessariamente a água é H2O. (iii) Se uma determinada pessoa p é oriunda dos gametas G, então necessariamente p é oriunda dos gametas G. A verdade e inteligibilidade destas premissas e a argumentação em sua defesa faz apelo a certas teses semânticas e metafísicas que o aparato conceptual da teoria lógica da modalidade de Kripke permite clarificar e discutir. O núcleo intuitivo do aparato lógico-semântico da teoria da modalidade é a ideia leibniziana de que uma proposição é uma verdade necessária quando ela é verdadeira em todos os mundos possíveis (ou em todos os mundos possíveis acessíveis a partir do mundo actual). Se uma proposição não é verdadeira em todos os mundos possíveis, mas apenas em alguns, não é uma verdade necessária, mas 12

14 uma verdade possível e, portanto, contingente: uma proposição é uma verdade possível se, e só se, é verdadeira em alguns mundos; uma proposição é uma verdade contingente se, e só se, é possível mas não é necessária. Intuitivamente, um mundo possível é uma maneira completa como as coisas poderiam ter sido, sendo o mundo actual - a maneira como as coisas de facto são - um desses mundos, uma das maneiras como as coisas poderiam ter sido. O género de possibilidade aludido na expressão mundo possível é definido por Kripke como sendo a possibilidade metafísica. As consequentes das condicionais (i), (ii) e (iii) devem ser entendidas como proposições metafisicamente necessárias. A semântica dos mundos possíveis, introduzida por Kripke, é, fundamentalmente, um instrumento heurístico de clarificação dos conceitos de necessidade e de possibilidade metafísica, que se distinguem de outros géneros de necessidade e possibilidade: necessidade e possibilidade epistémica, lógica e natural. Como Kripke constantemente evidencia, aqueles conceitos não são do domínio epistémico, já que a necessidade ou possibilidade metafísica de uma proposição nada tem a ver com o modo como é conhecida. A necessidade epistémica não é mais do que a aprioridade. A necessidade metafísica também se distingue da necessidade lógica, já que a primeira é determinada pelo modo como as coisas são e a segunda por princípios lógicos ( leis da lógica): aproximadamente, uma proposição é logicamente necessária se, e só se, é uma verdade lógica ou é uma consequência de uma verdade lógica. A noção de necessidade metafísica é mais vasta que a de necessidade lógica (nem tudo o que é metafisicamente necessário é logicamente necessário), e, consequentemente, a noção de possibilidade metafísica é menos vasta que a de possibilidade lógica (nem tudo o que é logicamente possível é metafisicamente possível). Assim, por exemplo, que eu seja oriunda dos meus actuais progenitores parece ser uma verdade metafisicamente necessária embora não seja logicamente necessária, e, consequentemente, é logicamente possível mas 13

15 não metafisicamente possível que eu não seja oriunda dos meus actuais progenitores. Por último, a necessidade metafísica poderá ser distinguida da necessidade nómica ou natural. Esta é determinada pelas leis da natureza: uma proposição é nomologicamente necessária se, e só se, é uma verdade natural (física, química ou biológica) ou uma consequência de uma verdade natural. A necessidade metafísica, mesmo que nomologicamente orientada, é determinada por considerações relativas ao modo como as coisas podem ou têm de ser, não só no mundo actual com as suas leis, mas em outros mundos possíveis (regulados por leis naturais possivelmente diferentes). A verdade e inteligibilidade das premissas condicionais (i), (ii) e (iii) pressupõe a verdade e a inteligibilidade de determinadas teses metafísicas e semânticas, nomeadamente as teses da Identidade Transmundial, do Essencialismo e da Designação rígida. O aparato conceptual da teoria da modalidade permite tornar mais precisas as teses da Identidade Transmundial e da Designação Rígida. Permite ainda uma caracterização e clarificação da noção clássica de essência individual em termos do conceito de propriedade essencial: uma propriedade P é essencial a um objecto particular x quando, necessariamente, se x existe, x tem P. A noção de propriedade essencial distingue-se da de propriedade necessária: uma propriedade P é uma propriedade necessária de x quando, necessariamente, x tem P; uma propriedade P é uma propriedade essencial de x quando, necessariamente, se x existe, x tem P. Os meios conceptuais da teoria da modalidade são suficientes para mostrar que, por exemplo, o atributo da existência é uma propriedade essencial de qualquer objecto, embora não seja uma propriedade necessária de qualquer objecto. O atributo da existência é uma propriedade essencial de qualquer objecto porque, para qualquer objecto x e para qualquer mundo possível m, se x existe em m, então x exemplifica em m o atributo da existência. No entanto, se o objecto em questão for um existente contingente, isto é, um objecto particular que 14

16 não existe em todos os mundos possíveis, o atributo da existência não é uma propriedade necessária desse objecto. Uma questão que se põe é a de saber se o Essencialismo envolvido nos casos de necessidades a posteriori resulta directamente do aparato lógico-semântico da teoria da modalidade. Esta questão é analisada por Salmon (1982) que defende que a teoria lógico-semântica da modalidade exige ser suplementada por certos argumentos de carácter eminentemente metafísico para poder defender o Essencialismo substantivo patente nos casos tipo (ii) e (iii). Estes são casos exemplificativos de propriedades essenciais não triviais de objectos, isto é, de propriedades que não podem ser estabelecidas como exemplificadas pelos objectos apenas com base em princípios lógico-semânticos, exigindo pressupostos eminentemente metafísicos relativos ao modo de ser dos objectos em questão. Neste sentido, a contribuição essencial da teoria da modalidade para a metafísica deve ser vista, como refere Branquinho (1993; 1995), como consistindo na tarefa preliminar de tornar precisas certas teses, cuja confirmação ou refutação pertence à metafísica. Dada a sua importância na discussão do Necessário A Posteriori, deter-me-ei, neste capítulo, nas três teses referidas acima: Identidade Transmundial, Essencialismo e Designação Rígida. A tese da Identidade Transmundial é a tese segundo a qual um e o mesmo indivíduo ou particular pode existir em mais do que um mundo possível e ter propriedades possivelmente diferentes em diferentes mundos. Essa tese é uma consequência da tese da Designação Rígida para nomes próprios, segundo a qual o referente de um nome próprio é constante de mundo para mundo. Por exemplo, se Saul Kripke é um designador rígido de Kripke, isto é, se designa Kripke em todos os mundos em que Kripke existe, então Kripke é um existente transmundial, isto é, pode existir em mais do que um mundo. Esta transição é natural desde que a noção de designação rígida seja, como em Kripke, uma noção modalmente 15

17 orientada - uma noção formulada à custa do idioma dos mundos possíveis e existência em mundos possíveis. O Essencialismo, na sua aplicação a casos de modalidades de re 1, defende que há particulares que têm propriedades essenciais, propriedades que não poderiam deixar de possuir sem deixar de ser o que são. O Essencialismo pressupõe assim a Identidade Transmundial. Dito de outro modo, a especificação das condições de verdade de uma atribuição modal de re compromete-nos com a tese da Identidade Transmundial. Por exemplo, para avaliar, com respeito ao mundo actual, uma atribuição modal de re como a de que David Lewis é necessariamente humano, temos de avaliar a frase necessitada David Lewis é humano em todos os mundos possíveis, o que implica, dada a designação rígida, que identifiquemos David Lewis em cada um dos mundos. Por outro lado, a tese da Identidade Transmundial não implica logicamente o Essencialismo: admitindo que David Lewis é um existente transmundial, o máximo que parece que temos de admitir é a verdade da atribuição de re de que David Lewis possivelmente existe. A tese semântica da Designação Rígida, tal como é exposta por Kripke, apoiase em considerações metafísicas essencialistas. O teste de rigidez, ao introduzir, como condição necessária para um designador d designar rigidamente um objecto x, o facto de x não poder não ter sido d, é equivalente ao essencialismo, isto é, à atribuição de uma propriedade essencial ao objecto referido. Por exemplo, a descrição a pessoa oriunda dos gametas G é um designador rígido de Kripke se, e só se, a propriedade de ser oriundo dos gametas G é uma propriedade essencial de Kripke. Assim, dado que a noção kripkeana de rigidez é modalmente orientada, a tese da Designação Rígida implica o Essencialismo. No entanto, o Essencialismo não exige a tese da Designação Rígida (embora esta possa ter um papel auxiliar). 16

18 1. Identidade Transmundial A tese da Identidade Transmundial é a doutrina segundo a qual um e o mesmo indivíduo ou particular pode existir em mais do que um mundo possível e, portanto, pode ter, em mundos possíveis não actuais, propriedades diferentes das que tem no mundo actual. Esta tese é rejeitada por muitos filósofos que a consideram incoerente. Em sua substituição alguns propõem a tese de que os indivíduos estão limitados a um só mundo; esta tese constitui um dos postulados da Teoria das Contrapartes de David Lewis Objecções e contra-objecções à Identidade Transmundial Destaco aqui três dos principais argumentos que visam mostrar que a noção de identidade transmundial é problemática, o mesmo não acontecendo com a tese de que cada indivíduo existe apenas num só mundo; e discuto algumas das alegadas refutações de que esses argumentos são alvo. O primeiro argumento vai no sentido de mostrar que a noção de identidade transmundial viola o princípio da Indiscernibilidade de Idênticos (também conhecido como Lei de Leibniz); o segundo mostra que aquela noção é problemática pois conduz a situações que admitem a não transitividade da identidade; o terceiro argumento toma uma direcção diferente, apontando para a ininteligibilidade da noção de identidade transmundial dada a ausência de um critério preciso para formar concepções de identidade e diferença entre objectos ao longo de mundos. O princípio da Indiscernibilidade de Idênticos é um princípio da Lógica da Identidade segundo o qual objectos idênticos (no sentido de estrita ou numericamente idênticos) têm exactamente as mesmas propriedades: se x=y então toda a propriedade de x é uma propriedade de y e vice-versa; mais precisamente, 1 A modalidade de re, a qual é a modalidade atribuída a uma coisa (res), é rejeitada por alguns 17

19 para qualquer objecto x e para qualquer objecto y, se x=y então, para qualquer propriedade P, x tem P sss y tem P. Ora, se admitimos que um e o mesmo indivíduo pode existir em mais do que um mundo possível, então esse indivíduo pode (numa dada ocasião) não ter em outros mundos possíveis certas propriedades que tem no mundo actual, bem como ter em outros mundos possíveis propriedades que não tem no mundo actual. Daqui resulta, violando o princípio da Indiscernibilidade de Idênticos, que objectos numericamente idênticos não têm as mesmas propriedades (supondo que a identidade transmundial é estrita ou numérica). Usando o exemplo de Chisholm (1979:80-87), consideremos Adão no nosso mundo, m1, e alteremos ligeiramente a sua descrição de modo a permitir-lhe viver 931 anos em vez de 930; chegamos assim à descrição de um outro mundo possível m2 onde Adão (ele próprio) vive 931 anos. A questão é a seguinte: como pode Adão no nosso mundo, m1, ser a mesma pessoa que Adão em m2 sem violar o princípio da Indiscernibilidade de Idênticos? Adão em m1 e Adão em m2 não têm as mesmas propriedades, pois Adão em m1 tem a propriedade de viver 930 anos e Adão em m2 não tem essa propriedade pois tem a propriedade de viver 931 anos. Assim, parece que Adão em m1 e Adão em m2 são pessoas diferentes, contrariando a tese da Identidade Transmundial Este argumento contra a noção de identidade transmundial poderia também ser usado para estabelecer a impossibilidade da identidade através do tempo: como pode Adão com 930 anos ser a mesma pessoa do que a pessoa que comeu o fruto proibido se o primeiro é velho e o segundo novo?. O argumento poderá ser contrariado se as propriedades dos objectos em questão forem temporalmente indexadas ou relativizadas a tempos (no caso da identidade transtemporal) ou modalmente indexadas ou relativizadas a mundos (no caso da identidade transmundial) Assim, retomando o exemplo acima, podemos filósofos. Analisarei na secção 2 deste capítulo algumas objecções à modalidade de re. 18

20 dizer que Adão com a idade de 930 anos pode ser a mesma pessoa que o homem que comeu o fruto proibido, pois Adão-em-t (altura em que come o fruto proibido) tem a propriedade de ser novo em t, e Adão-em-t (com 930 anos) tem a propriedade de ser velho em t. Logo, não há aqui qualquer propriedade - e.g. ser novo - que Adão-em-t tenha e Adão-em-t não tenha. Adão-em-t tem a propriedade de ser novo em t, mas não é o caso que Adão-em-t não tenha essa propriedade (a propriedade que ele não tem é a de ser novo em t ). Do mesmo modo para os diferentes mundos possíveis: não há qualquer propriedade - e.g. viver 930 anos - que Adão-em-m1 tenha e Adão-em-m2 não tenha. Adão-em-m1 tem a propriedade de viver 930 anos em m1, e do facto de Adão-em-m2 ter a propriedade de viver 931 anos em m2, não se segue que ele não tenha a propriedade de viver 930 anos em m1. A refutação deste primeiro argumento contra a tese da Identidade Transmundial consiste assim em mostrar, através da indexação de propriedades a mundos, que esta tese é compatível com o princípio da Indiscernibilidade de Idênticos; e que um mesmo indivíduo pode ter, em diferentes mundos, diferentes propriedades acidentais. O segundo argumento contra a noção de identidade transmundial procura mostrar que, mesmo admitindo que esta noção não viola a Lei de Leibniz, ela é incompatível com a transitividade da identidade, isto é, conduz a situações que violam a transitividade da identidade. A transitividade da identidade poder-se-á formular deste modo: para quaisquer objectos x,y,z, se x é idêntico a y e y é idêntico a z, então x é idêntico a z. Suponhamos que existem dois indivíduos, x e y, em m1, no mundo actual; suponhamos que, em m2, x e y alteram ligeiramente algumas das suas propriedades, e esta alteração gradual vai-se processando de m2 até mn, de tal modo que em mn todas as propriedades de x são propriedades de y em m1 e todas as propriedades de y são propriedades de x em m1. Suponhamos que x-em-m1 é Jorge Sampaio e y-em-m1 é Guterres. Ora, nesta situação teríamos que: 19

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