O Futuro da Indústria: Educação Corporativa Reflexões e Práticas. Coletânea de Artigos

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1 O Futuro da Indústria: Educação Corporativa Reflexões e Práticas Coletânea de Artigos

2 Presidência da República Luiz Inácio Lula da silva Presidente Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan Ministro Secretaria de Tecnologia Industrial Jairo Klepacz Secretário André Marcos Favero Chefe de Gabinete Manuel Fernando Lousada Soares Diretor de Política Tecnológica José Rincon Ferreira Diretor de Articulção Tecnológica Secretaria de Desenvolvimento da Produção Antônio Sérgio Martins Mello Secretário Nilton Sacenco Kornijezuk Diretor de Setores Intensivos em Capital e Tecnologia Confederação Nacional da Indústria e Conselho Superior do IEL Armando Queiroz Monteiro Neto Presidente Instituto Euvaldo Lodi Carlos Roberto Rocha Cavalcante Superintendente Associação Brasileira de Educação Corporativa Ana Rosa Chopard Bonilauri Presidente

3 Confederação Nacional da Indústria Instituto Euvaldo Lodi Núcleo Central O Futuro da Indústria: Educação Corporativa Reflexões e Práticas Coletânea de Artigos Série Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior 13 Brasília, DF 2006

4 2006. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC Instituto Euvaldo Lodi IEL/Núcleo Central Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida, desde que citada a fonte. Série Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior 1 - O futuro da indústria de bens de capital: a perspectiva do Brasil 2 - O futuro da indústria de fármacos: a perspectiva do Brasil 3 - O futuro da indústria de semicondutores: a perspectiva do Brasil 4 - O futuro da indústria de software: a perspectiva do Brasil 5 - O futuro da indústria da construção civil: construção habitacional 6 - O futuro da indústria de transformados plásticos: embalagens plásticas para alimentos 7 - O futuro da indústria têxtil e de confecções: vestuário de malha 8 - O futuro da indústria: produtividade de capital 9 - O futuro da indústria: empreendedorismo 10 - O futuro da indústria: educação corporativa 11 - O futuro da indústria: tendências tecnológicas e a indústria brasileira 12 - O futuro da indústria: a importância da metrologia para o desenvolvimento industrial O futuro da indústria : educação corporativa reflexões e práticas : coletânea de artigos/ coordenadores José Rincon Ferreira, Gilberto Benetti [et al.]. Brasília: MDIC/STI : IEL, p. : il. (Série Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, 13). ISBN Educação. 2. Política industrial. 3. Educação corporativa. 4. Capacitação profissional. I. Título. II. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. III. Instituto Euvaldo Lodi. IV. Série CDU 378 A pesquisa objeto desta publicação foi apoiada pelo CNPq, por meio do Projeto Educação Corporativa no Contexto da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Secretaria de Tecnologia Industrial Departamento de Articulação Tecnológica Esplanada do Ministérios, bloco J, sobreloja Brasília-DF, Brasil Tel.: 55 (61) Fax: 55 (61) Instituto Euvaldo Lodi Núcleo Central SBN Quadra 1, bloco B, 9 o andar, Ed. CNC Brasília-DF, Brasil Tel.: 55 (61) Fax: 55 (61)

5 Agradecimentos Agradecemos a Amil Assistência Médica; Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica - Abipti; Associação Brasileira de Educação Corporativa - Abec; Banco do Brasil; Banco Itaú; Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES; Companhia Brasileira de Alumímio - Grupo Votorantin; Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - Confea; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq; Datasul Educação Corporativa; Empresa Brasileira de Aeronáutica; Embraer; Guanabara Química Industrial Getec; Isvor/Fiat; Motorola Brasil; Natura; Petrovina Sementes; Superintendência da Zona Franca de Manaus - Suframa, e, em especial, ao Grupo Gerdau, pela participação na edição das Coletâneas da Série Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior.

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7 Apresentação A busca da eficiência coletiva tem sido a principal razão da realização das Oficinas de Educação Corporativa, colocadas em prática a partir de Em sua quarta edição, o evento debate, sobretudo, a avaliação das atividades de educação corporativa no País e o processo de certificação. A Educação não é mais um tema restrito à academia. Na economia atual o sucesso das empresas está diretamente vinculado à capacidade de gestão do conhecimento, de inovação e de educação continuada. Criar vínculos e sinergias entre projetos de desenvolvimento empresarial e tecnológico otimiza esforços tanto dos órgãos públicos quanto das empresas. Essa deve ser a meta de todos aqueles que se comprometem com o desenvolvimento empresarial brasileiro. Assim torna-se imperativo para os Fóruns de Competitividade e para a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior incorporar o compromisso com a educação continuada dos agentes. Ela não pode estar restrita apenas às grandes empresas, precisa alcançar, sobretudo, as pequenas e médias. É preciso lembrar que as MPEs são responsáveis por mais de 56% dos empregos formais do País. Para cumprir esse desafio, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC tem procurado articular ação de Governo integrada. A educação corporativa no Brasil tem sido debatida com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e os Ministérios da Educação, da Ciência e Tecnologia e do Trabalho e Emprego, além da Associação Brasileira de Educação Corporativa e da Confederação Nacional da Indústria. Temos estimulado a elaboração de literatura na área, propiciando a multiplicação dessa exitosa iniciativa. Essas são contribuições que ocuparão um espaço maior na agenda de desenvolvimento, principalmente nos próximos anos, quando se intensificarem as políticas de crescimento sustentável. O setor empresarial é agente importante desse desenvolvimento. Somente assim poderemos construir um Brasil mais justo e competitivo. Luiz Fernando Furlan Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

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9 Sumário Notas dos coordenadores Parte I Educação corporativa e ações de Governo O lock in tecnológico e as ações de Governo Sérgio Figueiredo Mestre em Desenvolvimento Sustentável, Gestor Público do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/ Secretaria de Tecnologia Industrial Conceito de educação corporativa no âmbito dos Fóruns de Competitividade Ismar Ferreira da Costa Filho Assessor do Secretário do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Coordenador do Fórum de Competitividade de Biotecnologia Educação Corporativa no Contexto da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior: Situação em Afrânio Carvalho Aguiar Pesquisador Visitante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/ Secretaria de Tecnologia Industrial e professor da Universidade FUMEC Fundação Mineira de Educação e Cultura Um modelo de universidade corporativa para Micro e Pequenas Empresas Mauro Arruda Economista William Andreotti Jr. Administrador de Empresas Educação corporativa, educação setorial e Fóruns de Competitividade: questões conceituais André Fábio de Souza Analista de Comércio Exterior no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Parte II Reflexões e Competências Educação corporativa: reflexões sobre sua razão de ser e seus limites Ana Rosa Chopard Bonilauri Diretora de Recursos Humanos da Embratel

10 Certificação profissional uma tendência sem volta? Julio Cunha Gerente de Aprendizagem e Conhecimento da Datasul Educação Corporativa Parte III Educação corporativa e avaliação Breve panorama da educação corporativa no Brasil; apresentação de resultados de pesquisa Flavio Hourneaux Junior Doutorando em Administração de Empresas, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), professor e pesquisador Marisa Pereira Eboli Doutora em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Autora do livro Educação Corporativa no Brasil: Mitos e Verdades Sergio Mancini Doutorando em Ciência Ambiental PROCAM da Universidade de São Paulo (USP) Avaliação em educação corporativa Kira Tarapanoff Pesquisadora Visitante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/ Secretaria de Tecnologia Industrial, Universidade de Brasília Afrânio Carvalho Aguiar Pesquisador Visitante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/ Secretaria de Tecnologia Industrial, Universidade FUMEC Parte IV Experiência de avaliação em educação corporativa O sistema de desenvolvimento profissional e de gestão por competências do Banco do Brasil Pedro Paulo Carbone Gerente Executivo da Diretoria Gestão de Pessoas do Banco do Brasil Edgard Rufatto Junior Gerente de Divisão da Diretoria Gestão de Pessoas do Banco do Brasil Académie Accor: estímulo à educação sustentável Cristina Valiukenas Gerente de Educação Corporativa da Académie Accor Sistema de Avaliação de Treinamento SAT Maria Ednei da Silva Analista de RH Senior - MsC, Coordenadora do SAT/ GSE da Eletronorte

11 TAM: Academia de serviços Cmte. Rolim A. Amaro Kátia Carlini Gerente de Treinamento, Diretoria de Gestão de Pessoas da TAM Gleiva Rios de Araújo Félix Instrutora de Treinamento, Diretoria de Gestão de Pessoas da TAM A transformação pela educação corporativa provocando transformações internas, intensas e sistêmicas Cláudia Motta Rocha Neves Coordenadora de Educação Corporativa da Fundação Unimed e Professora no Curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) Educação corporativa: os custos dos cursos a distância oferecidos pela Marinha do Brasil Luiz Cláudio Biagiotti Capitão-de-Fragata (T), Chefe do Departamento de Ensino a Distância Parte V Resumos A experiência da Universidade Corporativa Amil Assistência Médica Ltda Cláudia Danienne Marchi, Bruno Pereira de Castro Amil Assistência Médica Ltda. Criado pela vó: o dilema da plataforma Marcelo Larroyed Senado Federal Desenvolvimento e inovação na era do capitalismo cognitivo: o cenário da educação corporativa Herbert Gomes Martins UniGranRio A integração do conhecimento com a produção Giancarlo Gerli Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (ABDIB)

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13 Notas dos Coordenadores A Coletânea que apresentamos reflete a contribuição do governo, da academia e da iniciativa privada em torno da temática educação corporativa. O escopo da coletânea dirige-se, em particular, à avaliação em educação corporativa, trazendo ainda, como complemento, contribuições focadas em competências e educação corporativa setorial. Todas as contribuições são inéditas, algumas delas resultado de levantamentos e pesquisa, outras, de reflexão e debate em torno dos eixos temáticos propostos. A obra estrutura-se em cinco Partes: I - Educação Corporativa e Ações do Governo; II - Reflexões e Competências; III - Educação Corporativa e Avaliação; IV - Experiências em Avaliação de Educação Corporativa; V - Resumos. A I Parte traz um conjunto de cinco artigos: o primeiro, de Sérgio Figueiredo, trata da questão tecnológica e a ação do governo em levá-la até o setor produtivo. Enfatiza que o fenômeno do desenvolvimento teve e tem, em todas as épocas, estreita ligação com a inovação tecnológica. Defende a tese de que o desenvolvimento tecnológico de um país ou de um setor depende da ruptura dos padrões tecnológicos vigentes. Coloca a educação corporativa como um importante elemento a ser considerado para preparar a ruptura. O segundo capítulo, de Ismar Ferreira da Costa Filho, analisa o conceito de educação corporativa sob o prisma das prioridades setoriais dos Fóruns de Competitividade. Contribui com uma reflexão sobre educação corporativa e desenvolvimento setorial, estendendo esse conceito à sua cadeia produtiva. O terceiro capítulo, assinado por Afrânio Carvalho Aguiar Educação Corporativa no Contexto da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, Situação em 2006 traz o resultado do levantamento liderado pela Secretaria de Tecnologia Industrial, junto a 80 organizações sediadas no Brasil, envolvidas em atividades de educação corporativa. Os dados analisados perfazem 51,25% das organizações-alvo, e trazem um retrato do que se entende e caracteriza por educação corporativa no Brasil. Destacando apenas o aspecto de expectativas em relação às políticas públicas voltadas para o setor, mais da metade anseia por uma orientação e ação integradas, em especial no que tange à certificação acadêmica e à criação de legislação e regulamentação específicas. O quarto capítulo Um Modelo de Universidade Corporativa para Micro e Pequenas Empresas, assinado por Mauro Arruda e William Andreotti Jr. focaliza a educação corporativa voltada para microempresas e empresas de pequeno porte que, na opinião dos autores, deve voltar-se para os arranjos produtivos locais (APLs). Destaca a importância dos APLs e redes de cooperação para o desenvolvimento econômico regional e social do Brasil, assim como a valorização das MPE s como agentes de desenvolvimento. Conclui que, na

14 14 O futuro da indústria: educação corporativa reflexões e práticas oferta da educação corporativa para as MPE s, será necessário formular uma visão estratégica comum às empresas do APL visando à construção de um planejamento de caráter estratégico para todo o Arranjo Produtivo. O quinto capítulo Educação Corporativa, Educação Setorial e Fóruns de Competitividade, assinado por André Fábio de Souza, retoma a discussão dos aspectos conceituais da educação corporativa setorial para os arranjos produtivos locais (APL s). Destaca a possibilidade de que seja assumido um novo papel de liderança para os Fóruns de Competitividade, no sentido de agirem como espaço de contato de agentes co-participantes do desenvolvimento setorial, constituindo-se em um ambiente para que o tema educação corporativa seja disseminado. Alternativamente, sugere a criação de um grupo de trabalho, cujos objetivos seriam: a) verificar as experiências de educação corporativa já em prática em cada cadeia; b) analisar a possibilidade de educação corporativa setorial para a cadeia específica; c) apontar instrumentos públicos e privados que facilitem o uso da educação corporativa como mecanismo de inclusão social. A II Parte traz dois artigos. O primeiro deles Educação Corporativa: reflexões sobre sua razão de ser e seus limites é assinado por Ana Rosa Chopard Bonilauri. A autora justifica a existência e a essencialidade da educação corporativa em função da formação das competências individuais e organizacionais, necessárias ao negócio da corporação. A atividade de aprendizado contínuo dentro da corporação também propicia o surgimento de uma cultura compartilhada, de acesso e troca de informações e conhecimentos, aumentando a capacidade de empreendimento, invenção, criação e aplicação no trabalho de novos métodos, soluções e ferramentas capazes de garantir maior produtividade e qualidade. O segundo artigo Certificação profissional - uma tendência sem volta, assinado por Júlio Cunha, analisa tendências de certificação em nível mundial. Descreve o modelo mais recorrente de certificação de competências e tece considerações sobre o impacto que pode ter no Brasil, em termos de competitividade. A III Parte traz dois artigos. O primeiro deles Breve Panorama da educação corporativa no Brasil é assinado por Marisa Pereira Éboli, Flávio Hourneau Jr e Sergio Mancini. Os autores defendem que um dos maiores desafios para as organizações com relação aos seus sistemas de educação corporativa é saber avaliar os resultados dos investimentos em educação, considerando seu impacto nos objetivos do negócio. Nos resultados da pesquisa é apontado que não há um posicionamento muito claro por parte dos respondentes (39 corporações) com relação ao processo de mensuração e avaliação do desempenho de suas atividades de Educação Corporativa. O modelo proposto por Kirkpatrick, continua representando o estado da arte quando o assunto é avaliação de programas de treinamento. Embora reconhecido por toda a atenção que tem recebido ao longo dos anos, a

15 O lock in tecnológico e as ações de Governo 15 utilização desse modelo é tímida, tendo em vista a dificuldade e custo de mensurar os níveis 3 e 4. O segundo artigo Avaliação em Educação Corporativa assinado por Kira Tarapanoff e Afrânio Carvalho Aguiar, foca especificamente a atividade de avaliação nas unidades de educação corporativa pesquisadas pelo levantamento realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por meio de sua Secretaria de Tecnologia Industrial. Os autores defendem a tese de que a educação corporativa deve estar a serviço da estratégia institucional, e que a avaliação de suas atividades também deve utilizar métricas que contemplem esse alinhamento. Nas conclusões do levantamento, de 41 instituições que responderam ao questionário, o modelo Kirpatrick e também o modelo ROI continuam sendo a regra para quase todas as corporações. Deduz-se que essa continuará a ser a prática por algum tempo ainda, em especial nas corporações onde há o entendimento de que a atividade educacional justifica-se como uma estratégia de aprimoramento institucional e não, principalmente, como uma estratégia de competitividade ou de alavancagem do negócio. Isso não exclui a possibilidade do aparecimento de outras abordagens, que estão começando a ser percebidas, desenvolvidas em instituições nacionais altamente competitivas como as do Banco do Brasil, Petrobrás, TAM, Natura, e outras, e que podem representar o futuro da avaliação corporativa no Brasil. A IV Parte traz seis artigos. O primeiro deles O sistema de desenvolvimento profissional e de gestão de competências do Banco do Brasil é assinado por Pedro Paulo Carbone e Edgard Ruffato Jr. Os autores apresentam a metodologia de gerenciamento das competências profissionais, como atividade indispensável e insumo fundamental para o adequado alinhamento dos sistemas de capacitação às estratégias organizacionais. Seus indicadores de mensuração incluem os conjuntos referentes à mensuração da eficiência, eficácia e efetividade. O segundo diz respeito à experiência da Academia Accor assinado por Cristina Valiukenas. Dentre outros questionamentos sobre mensuração dos resultados da educação corporativa, a autora foca a questão-chave do retorno financeiro para o acionista, proporcionado pela atividade de educação corporativa. O terceiro artigo referese ao Sistema de avaliação de treinamento da Eletronorte, assinado por Maria Ednei da Silva, que relata a implantação, em 2000, do sistema de avaliação de treinamento (SAT). Trata-se de um projeto que utiliza medidas de avaliação validadas cientificamente, tanto ao nível de reação (satisfação dos treinados com a qualidade do projeto instrucional e com o desempenho dos instrutores e auto-avaliação dos treinados), quanto ao nível de impacto do treinamento no trabalho (transferência das habilidades adquiridas para o trabalho, aumento do desempenho geral do treinado no trabalho e avaliação do suporte organizacional encontrado pelo treinado gerencial, social e material). No nível de reação, também é avaliado o Centro de Treinamento da Empresa, nos

16 seus aspectos logísticos e de atendimento ao cliente. Os resultados encontrados são encaminhados sistematicamente para as áreas-clientes da empresa (solicitantes dos treinamentos), instrutores internos e externos, treinados e empresas fornecedoras. O quarto capítulo, TAM: Academia de serviços, apresentado por Kátia Carlini e Gleiva Rios de Araújo Félix, descreve o treinamento em cascata da instituição. Nos aspectos de avaliação, o trabalho do gestor é avaliado pelo resultado de sua equipe. No segundo nível, são formados os multiplicadores que se tornam também responsáveis pela produtividade de suas equipes, sendo sua performance mensurada a partir desses resultados. Os indicadores de resultados incluem: avaliação de reação; avaliação de retenção; nível de eficiência operacional; turn-over de uma equipe. Com o cruzamento dos indicadores é medida a eficácia. O quinto capítulo A transformação pela educação corporativa da Unimed apresentada por Cláudia Motta Rocha Neves, lista, como indicadores de desempenho de sua educação corporativa, os seguintes itens: número de alunos a serem formados, índice médio de evasão admitido, produção científica, média de desempenho dos alunos, índice de satisfação média dos alunos, em relação aos cursos oferecidos por segmento, e outros. O sexto capítulo, referente à experiência da educação corporativa da Marinha, é assinado por Luiz Cláudio Biagiotti e foca a questão dos custos dos cursos a distância oferecidos pela instituição. Seu principal objetivo é verificar o custo x benefício dos programas, em comparação com os cursos presenciais. A V Parte traz resumos das contribuições da Amil, UniGranRio, Abdib e do Senado Federal, que estão disponíveis em sua íntegra no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

17 Parte I Educação Corporativa e Ações de Governo

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19 1 O lock in tecnológico e as ações de Governo Sergio Figueiredo Mestre em Desenvolvimento Sustentável, Gestor Público do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/ Secretaria de Tecnologia Industrial Resumo Os fenômenos analisados pela Economia, além de uma natureza complexa, apresentam variáveis que decorrem de outras esferas de conhecimento. Este artigo se baseia numa revisão bibliográfica para reunir e apresentar alguns elementos do fenômeno do desenvolvimento e da inovação tecnológica. Da mesma forma que nos países desenvolvidos o processo ocorreu em seguida a uma ruptura política, o desenvolvimento tecnológico das empresas depende de uma ruptura com os padrões tecnológicos nela praticados. Tais padrões tecnológicos conduzem a uma situação de lock in, ou seja, de aprisionamento da empresa a uma determinada rota tecnológica, situação indesejável para a promoção do desenvolvimento por intermédio da inovação. Neste sentido, são examinadas as condições de formulação e implementação das políticas públicas por intermédio dos Fóruns de Competitividade, em especial com base na experiência do Grupo de Trabalho de Tecnologia do Fórum de Competitividade da Siderurgia, do qual o autor é coordenador desde São feitas algumas considerações sobre o papel da educação corporativa na liberação do lock in e a importância de que ela seja aplicada com base em determinadas referências certificáveis com relação a um conteúdo reconhecido oficialmente. Introdução Na linha de pensamento de alguns autores, em especial Schumpeter, Soete e Viotti, o processo de desenvolvimento pelo qual passaram os países do primeiro mundo é fundamentalmente diferente do processo que mantém os países em desenvolvimento e subdesenvolvidos em seus atuais estágios. Esses autores atribuem ao fenômeno da inovação tecnológica a causa do desenvolvimento, por considerarem que a difusão de produtos inovadores no mercado oferece vantagens extraordinárias ao produtor, o que permite o surgimento de novos atores econômicos, alterando a distribuição de renda e gerando desenvolvimento sócio-econômico. De forma geral, uma ruptura política precedeu o processo de desenvolvimento dos atuais países desenvolvidos _ o que não ocorreu no Brasil. Essa ruptura política deve ser considerada tanto como referência para o desenvolvimento do processo de inovação nas empresas, quanto como elemento essencial ao desenvolvimento das nações, como o foi nos casos dos

20 20 O futuro da indústria: educação corporativa reflexões e práticas Estados Unidos e Inglaterra. Observar os principais fatos que antecederam o período de industrialização desses países ajuda a avaliar melhor o papel do governo para a promoção do desenvolvimento via inovação tecnológica. Ao mesmo tempo, auxilia na implementação de políticas públicas voltadas à educação corporativa. 1. Amarras políticas A constatação da importância de fatores sociais, políticos, econômicos, históricos e internacionais tem o sentido de avaliar se a inovação schumpeteriana é causa ou conseqüência de tais mudanças. A análise demonstrará a presença de fatos históricos nos casos de industrialização da Inglaterra e dos Estados Unidos, principais expoentes do processo de industrialização, embora fatos similares certamente também façam parte da história de outros países, como França, Alemanha, Japão, Coréia do Sul e Taiwan. 1.1 A ruptura política na Inglaterra A história que precede a Revolução Industrial inglesa apresenta uma seqüência de eventos que transformam a nação e o Estado. Difícil tarefa identificar aquelas mudanças estruturais ou institucionais mais importantes. Podemos começar, contudo, pela estatização da Igreja, em 1534, a qual, motivada por razões particulares do Rei - embora que sem efeito imediato sobre a questão religiosa, que se arrastaria por mais de dois séculos - significava a primeira hierarquização do poder religioso ao secular. A derrubada de Carlos I (1645) e a subseqüente ditadura de Cromwell (até 1658), ainda que encerrada com a restauração da monarquia em 1660, propiciaram uma crucial discussão sobre o papel do Estado, seja pela inversão na percepção das relações entre soberano e súditos, tal como apresenta Hobbes, em O Leviathan (1651), seja pela criação do Commonwealth (1649), que viria dar a identidade burguesa ao Estado britânico. Decisões políticas como os Enclosure Acts do final do século XVIII, permitiram a segregação de mais de 7 milhões de acres para a agricultura, deslocaram pequenos proprietários sem acesso a recursos antes comuns e obrigaram a construção de vias entre as propriedades para o transporte de mercadorias. Ao mesmo tempo, os ganhos de produtividade em setores tais como a construção naval, a indústria metalúrgicas e de armas permitiram o acesso a mercados distantes e a especialização do cultivo com ganhos de produção e produtividade.

21 O lock in tecnológico e as ações de Governo 21 Assim, às vésperas do salto de produtividade e de produção da Revolução Industrial inglesa, que se situa aproximadamente em 1780, a Inglaterra contava com um Estado legal burguês, no qual a soberania era exercida em benefício de sua classe burguesa, motivada e dirigida pelo comércio. Uma reforma agrária havia sido conduzida, ao contrário dos demais estados europeus, a qual aumentou a produtividade e a produção de alimentos, liberou mão-de-obra para a produção industrial e facilitou o acúmulo do capital necessário à empreitada industrial (HOBSBAWN, 1996, p.47). Além disso, dominava as tecnologias de guerra, essenciais à sua sobrevivência em constantes tempos de conflito. 1.2 A ruptura política nos Estados Unidos Dependente do capital dos bancos dos estados do nordeste americano e da escravidão, as elites sulinas somente poderiam manter seu status quo através de representativa participação política no governo da União. O jogo de forças entre escravocratas e abolicionistas se apresentava no tênue equilíbrio de acordos, como o Comprometimento de 1850 e a Lei de Escravos Fugidos, de A cultura de algodão no Sul, no entanto, representava 7/8 da produção mundial por volta de Mais importante do que a questão da escravidão era o distanciamento dos projetos nacionais. Os estados do nordeste defendiam o intervencionismo e o protecionismo da indústria nascente enquanto o Sul, exportador, defendia a abertura do mercado para a conversão de suas riquezas em consumo de luxo. Esses fatores levaram ao início da guerra da secessão em abril de A guerra terminou em 1864 e a escravidão foi abolida em A ruptura provocada pela eleição de Lincoln, não só provocou a guerra, como permitiu a remoção das lideranças políticas retrógradas sulistas do espaço do poder, abrindo caminho para o salto de industrialização e desenvolvimento que aconteceria a partir da segunda metade do século XIX, mesmo que o sul não o tenha acompanhado de imediato. Ao final da guerra, os Estados Unidos haviam consolidado a União e avançado sobre o território da América do Norte, constituindo uma potência continental e alcançando uma posição internacional com a Guerra Hispanoamericana de Ao mesmo tempo, se iniciou, em altíssima velocidade, um processo de produção e difusão de inovações encabeçado por Thomas Edson e Graham Bell, entre outros. 1.3 O Brasil: uma história sem rupturas Enquanto os Estados Unidos e a Inglaterra se tornaram países desenvolvidos, durante o século XIX, o Brasil amarga uma eterna condição de país em

22 22 O futuro da indústria: educação corporativa reflexões e práticas desenvolvimento, situação para a qual não se vislumbra solução. Para a manutenção desse estado de coisas, contribuem as questões políticas decorrentes da própria formação do Estado. Bonfim (1931) apresenta o processo de formação do Estado brasileiro, tal como Faoro (2000), como uma reprodução do estado bragantino 2. Em sua análise, todos os movimentos revolucionários da história brasileira _ a independência em 1822, a constituinte de 1823, a abdicação de 1831, o Ato Adicional de 1834 e a Proclamação da República de 1889 _ teriam sido sucedidos por um movimento de apaziguamento e de restauração das forças políticas, ainda que com roupagens mudadas, perpetrando um Estado oligárquico. Em 1931, segundo Bonfim (ibid, p.451), [S]e há um gênio nacional-brasileiro, esse ainda não teve realização, pois a nação continua abafada, escravizada, pela classe dirigente, como o era antes pelo governo da metrópole, de quem são, os mesmos dirigentes, herdeiros diretos e continuadores imediatos. Mais à frente (p.469), ele indaga: Pode o brasileiro sentir-se em sua pátria, quando a nação em que se inclui é, apenas, o apanágio dos dirigentes que dela vivem como o pastor vive do rebanho?. A não ser que acreditemos que a Revolução de 1930 ou o golpe de estado de 1964 produziram um deslocamento das forças políticas, o Brasil não teria ultrapassado a etapa de revolução no pensamento político, na qual se produziram as rupturas apontadas para os casos da Inglaterra e dos Estados Unidos. Sob esses aspectos e ponto de vista, o Brasil seria ainda um estado controlado pelos interesses de uma classe originalmente agrícola e vinculada à exploração colonial, classe cujos interesses viriam sendo adequadamente atendidos pelo estamento político durante toda a história brasileira (FAORO, 2000). O que se pergunta é o que pode o governo fazer para, apesar da falta de precedentes políticos, similares àqueles do desenvolvimento inglês e norte-americano, promover o desenvolvimento no Brasil, pela via da inovação tecnológica. Sem dúvida, a resposta a esta pergunta está na promoção da formação de trabalhadores voltados ao processo de inovação tecnológica, considerando as dificuldades que essa mão-de-obra carrega, por conta de um sistema de ensino fraco e desarticulado. 2. Evolução das necessidades de capacitação de trabalhadores A noção de que a maior produtividade do trabalho é fator para o aumento da mais valia e acumulação de capital se fundamenta em Smith e Marx, para falar apenas dos autores pilares. Smith (apud VIOTTI, 1997, p.10) já considerava que a divisão do trabalho promovia o aumento da produtividade por conta de três fatores: a maior destreza do operário como conseqüência da especialização, 2 O estado da aristocracia dos Orleans e Bragança, família de D. João VI e Pedro I e II.

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