Núcleo de Inovação e Empreendedorismo. CRI Nacional. Relatório de Evento 11 de Dezembro de 2013

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1 Data Núcleo de Inovação e Empreendedorismo CRI Nacional Relatório de Evento 11 de Dezembro de 2013

2 Encontro do CRI Nacional 11 de Dezembro de 2013 Cenários Econômicos e Impactos para a Inovação em 2014 Abertura: O encontro foi aberto pelo professor Hugo Tadeu, que começou explicando algumas novas propostas de mudanças e o novo modelo do CRI Nacional para o próximo ciclo, e terminou com uma breve introdução ao evento e ao tema proposto para o dia, perspectivas e cenário econômico para a Inovação em Perspectivas para a Inovação em 2014: O primeiro convidado do dia foi o Alexandre Schwartsman, Ex-Diretor do Banco Central do Brasil, e Ex-economista chefe do Unibanco e Santander. Schwartsman apresentou seu ponto de vista sobre o cenário atual de crescimento da economia brasileira, o que está ocorrendo no país, e o que levou a atual desaceleração no crescimento do Brasil. Para o economista, pistas do que está ocorrendo podem ser encontradas no mercado de trabalho: a ociosidade no mercado de trabalho e o crescimento efetivo acima do potencial. A produtividade vem perdendo fôlego e isso pode ser explicado pela queda do desemprego no país. O emprego agora é limitado pela população, e o desemprego baixo pressiona os salários para cima, superando em muito a produtividade. Isso causa impactos visíveis sobre a inflação (custo unitário do salário) e provoca perda de competitividade industrial pelo aumento dos preços. Dessa forma, para Schwartsman o atual baixo crescimento do país é explicado por um estrangulamento no mercado de trabalho e consequente queda da produtividade. O economista destacou que, a situação da produtividade reflete a falta de poupança e investimentos no país, principalmente em infraestrutura, assim como uma série de reformas internas que o Brasil já devia ter feito. O crescimento da indústria não 2

3 acompanha o desenvolvimento tecnológico externo pela falta de investimentos na área. Entretanto, isso não é indicativo de crise séria por conta do perfil positivo do passivo externo do país. Mesmo assim, Schwartsman não vê, para um futuro próximo, um cenário melhor do que o atual, já que faltam medidas expansivas mais eficientes. Num contexto mundial, o economista acredita num cenário um pouco melhor do que hoje, mas, no geral, com as mesmas condições. Isso pela falta de mudanças positivas e significativas num cenário econômico global. Desafios da Produtividade no Brasil e as Inovações: Em seguida foi a vez do Jorge Arbache, Assessor Econômico da Presidência do BNDES, apresentar para o grupo um pouco de suas reflexões e experiências sobre produtividade e indicadores de inovação no país. Arbache considera que a produtividade é atualmente um problema sério no país e merece maior atenção. Entretanto, o economista defende que ela deva ser analisada relativamente à produtividade dos competidores específicos de cada indústria. No Brasil a baixa participação da indústria no PIB, assim como a baixa densidade industrial, explicam em parte os problemas de produtividade. A demanda da indústria é o principal motor para a sofisticação, modernização e aumento da competitividade do setor de serviços, e o nível desses acaba, muitas vezes, sendo mais importante do que o tamanho da indústria para uma dada economia. 3

4 Para Arbache, há uma incompatibilidade estrutural no Brasil, e o setor de serviços é onde está o problema. A relação da indústria com o PIB ainda é pequena, o capital humano é pouco qualificado, e há baixo investimento em P&D, inovação e tecnologia no país, falta de produção científica (teórica e aplicada) e baixo número de pequenas empresas, e empresas inovadoras. Para finalizar, Arbache frisa que a produtividade é uma variável de resultado e não de causa, e resulta de um processo cumulativo. O seu aumento requer estratégia, planejamento e coordenação entre os níveis de governo e agente econômicos, e a produtividade precisa ser prioridade nacional. Estratégia de Inovação para Tempos Incertos: O próximo convidado do dia foi o Rodrigo Gomes, atual Gerente Corporativo de Inovação em Energia e Planejamento Estratégico da Votorantim Metais, apresentando uma visão empresarial sobre o cenário da inovação no Brasil a partir da experiência, estratégias e ações de Inovação da Votorantim Metais. Após breve introdução sobre o grupo Votorantim e seu histórico na empresa, Rodrigo traz aos participantes um contexto da empresa, apresentando em 2011 um cenário marcado por excesso de oferta mundial, perspectivas ruins para os preços do Alumínio, Níquel e Zinco (produtos da Votorantim Metais), previsão de aumento dos custos, produtos em grande parte de menor valor agregado. As análises mostravam que o grupo precisava traçar estratégias de médio-longo prazo e tomar ações para se proteger de um futuro provavelmente difícil. Era preciso buscar saltos tecnológicos com baixos recursos financeiros, implantar mais inovações transformadoras e enraizar sustentabilidade nas ações da empresa. Para isso, foi criada a Governança de Diretoria de Tecnologia. O órgão tinha como principais objetivos atingir resíduo zero e 100% de recirculação de água nas linhas de produção, estar na fronteira tecnológica, atingir o 1º quartil da curva de custos em todas as unidades da VM, flexibilizar o uso de matérias-primas, incluindo matriz 4

5 energética, e desenvolver novos produtos em Alumínio, Níquel, Zinco e metais correlatos. Entretanto, o objetivo primordial do projeto era o de manter o padrão da VM em relação à excelência operacional, qualidade nos produtos e melhoria contínua, incorporando a sustentabilidade e os saltos tecnológicos em suas ações. E o principal desafio para isso era o de como buscar os saltos tecnológicos com baixos recursos financeiros. Segundo Rodrigo, a estratégia da Diretoria de Tecnologia girava em torno de pessoas dinamizando os Processos para Inovação, Inteligência da indústria e Governo e gestão dos Resultados obtidos (econômicos, ambientais e sociais). Algumas ações implantadas com esse programa foram o planejamento de projetos para os próximos dez anos da empresa, a utilização de software, programação e metodologia avançada para o acompanhamento dos objetivos e metas traçados e transparência com as estratégias de inovação da Votorantim, com gastos com P&D, relacionamento com agentes externos, projetos, parcerias etc. A análise de resultados mostrou um EBITDA três vezes o investimento em P&D por ano, recuperação dos custos de inovação a partir da lei do bem, obtenção de financiamentos via Finep a juros de 3,5% ao ano e solicitação de verba a fundo perdido nas agências de fomento. O objetivo do projeto é que o custo da diretoria de tecnologia seja próximo de zero, como forma de mostrar os resultados e a viabilidade do projeto, e consequentemente da implantação da inovação, para toda empresa. Mesa Redonda: Após um rápido intervalo, o professor Hugo Tadeu mediou uma mesa redonda com os três convidados do evento. Foram respondidas algumas dúvidas e discutidos alguns pontos colocados pelos participantes. Os principais temas debatidos foram o problema nacional de tributação excessiva nesse contexto, a 5

6 reforma previdenciária como forma de mudança do cenário, como comprovar para a empresa a eficiência da inovação em tempos difíceis, e os financiamentos, incentivos e gastos do setor publico nesse contexto. Mapas de Contexto, Indicadores e Desdobramento em Projetos: Na parte da tarde as atividades foram retomadas com uma breve articulação das apresentações da parte da manhã, onde o professor Hugo liderou o grupo num levantamento das principais ideias discutidas, e como as falas de cada palestrante se relacionam. As principais conclusões do grupo foram em relação aos problemas de capacidade instalada e infraestrutura no Brasil, além dos consequentes problemas de produtividade. A inovação ainda sofre nesse contexto, e ainda não é tão valorizada pela maior parte das empresas quanto deveria ser. O aumento dos custos operacionais leva, muitas vezes, a um indevido corte dos gastos com investimento em inovação e P&D, cultura de inovação etc. É preciso correlacionar a inovação com uma série de outros fatores estruturais, para o sucesso e a eficiência produtiva dentro das empresas. Em seguida o professor conduziu o grupo na dinâmica de construção dos mapas de contexto das empresas, continuando o projeto do CRI Nacional para o atual ciclo. Os participantes se reuniram por empresa e, a partir de alguns arquivos sobre o tema, recebidos em um pendrive, tiveram conversas individuais com os professores Hugo Tadeu e Herica Righi, onde puderam mostrar a evolução dos seus projetos, discutir pontos importantes e sanar dúvidas principais, assim como discutir os próximos passos da dinâmica. 6

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