Disciplina de Odontologia em Saúde Coletiva I Aula O PROCESSO SAÚDE DOENÇA

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1 Disciplina de Odontologia em Saúde Coletiva I Aula O PROCESSO SAÚDE DOENÇA 1. Definições 1.1 Dicionário Saúde - Estado do que é são, está normal: poupar sua saúde. Estado habitual de equilíbrio do organismo: saúde delicada. Força, vigor, robustez. Doença - Alteração na saúde, no equilíbrio dos seres vivos; moléstia: doença epidêmica. 1.2 Organização Mundial da Saúde Um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades" 2. Introdução: Diferenças entre conceitos de saúde Tema recorrente Ser humano biopsicossocial (dimensões física, psicológica e social) Saúde apenas como ausência de doença O que faz alguém se sentir saudável? 2.1 Quais as condições necessárias para ter saúde? O conceito saúde-doença estuda os fatores biológicos, econômicos, sociais e culturais e, assimilando-os, pretende obter possíveis motivações para o surgimento de alguma enfermidade 2.2 Características do Processo Saúde-Doença Processo dinâmico não estático Ciclos contínuos Homem x meio x homem 3. Histórico 3.1 Nômades Baixa expectativa de vida A doença era considerada um castigo dos deuses ou uma ação dos demônios Cunho mágico, religioso e sobrenatural Curadores sacerdotes e bruxos rituais 3.2 Grécia Antiga Filhas do deus Asclépio: Panacéia e Higéia

2 Panacéia: padroeira da medicina curativa, prática terapêutica baseada em intervenções por intermédio de manobras físicas, encantamentos, preces e uso de medicamentos, sobre indivíduos doentes. Higéia: adorada por aqueles que consideravam a saúde como resultante da harmonia dos homens e dos ambientes e buscava promovê-la por meio de ações preventivas, mantenedoras do equilíbrio. 3.3 Idade Média Causas das doenças = humores Fé e religiosidade importantes para cura Concepção de contágio e causalidade das doenças Pré-disponibilidade individual 3.4 Idade Moderna Teoria Miasmática: origem nos miasmas **MALÁRIA MAL + AR ** A origem das doenças situava-se na má qualidade do ar, proveniente das emanações oriundas da decomposição de animais e plantas Ou seja... condições sanitárias ruins criavam um estado atmosférico local que vinha a causar doenças e os surtos epidêmicos 3.5 Idade Contemporânea Teoria social da medicina causas das doenças são buscadas nas condições de vida e de trabalho do homem Teoria miasmática torna-se obsoleta após descobertas bacteriológicas 4. Epidemiologia É o estudo da distribuição e dos determinantes de eventos relacionados à saúde em populações específicas e a aplicação desse estudo para o seu controle. O Objetivo Geral da Epidemiologia é conhecer e reduzir os problemas de saúde na população. 4.1 Os principais objetivos da Epidemiologia são: Descrever a distribuição e magnitude dos problemas de saúde na população; Proporcionar dados essenciais para o planejamento, execução e avaliação de ações de prevenção, controle e tratamento das doenças (prioridades); Identificar fatores etiológicos na gênese das enfermidades. 5. Contexto Atual

3 O país passa por uma TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA (transformações ocorridas na composição etária das populações ) Acompanhando a transição demográfica, ocorre a TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA - Mudança nas doenças prevalentes, sua distribuição e magnitude o Caracteriza-se pela evolução progressiva de um perfil de alta mortalidade por doenças infecciosas para um outro onde predominam os óbitos por doenças cardiovasculares, neoplasias, causas externas e outras doenças consideradas crônicodegenerativas. o doenças infecciosas o doenças crônico-degenerativas 6. Modelos Explicativos das Doenças: modelo monocausal modelo multicausal modelo da determinação social da doença modelo da história natural da doença ou modelo de leavell & clark 6.1 Modelo Monocausal Centra a explicação da doença num único fator: o agente etiológico Racionalista Prática médica curativa. Concepção da doença restrita ao biológico, sem qualquer relação com as condições de vida do doente. Causas sociais consideradas sem importância 6.2 Modelo Multicausal Perspectiva de prática médica biologicista e cientificista Biologicista tendência de interpretar todos os fenômenos por um ponto de vista estritamente biológico Cientificista acredita que o melhor método de investigação para tudo é o método científico Incorpora fatores socioeconômicos, culturais, físico-químicos, estabelecendo nexo entre os modos de adoecer. Considera o agente etiológico Considera o perfil psicológico do paciente, seus conflitos familiares, seus recursos financeiros, nível de instrução.

4 Considera o ambiente em que o hospedeiro vive Esses fatores podem variar com o passar dos anos, de uma região para outra, de uma etnia para outra. Ações para intervir no processo saúde doença: Quanto ao hospedeiro: Diagnóstico pré-natal Imunização ativa ou passiva Manutenção do peso corporal em níveis aceitáveis Não fumar Quanto ao meio ambiente Evitar promiscuidade sexual Saneamento das águas Saneamento do solo Controle biológico de vetores Provisão de empregos, transporte, habitação, escolas Melhor qualidade nos serviços de saúde 6.3 Modelo da Determinação Social da Doença Retomada da Epidemiologia Social em contraponto à Epidemiologia Clínica tradicional. Modo de adoecer como processo que tem como elemento modelador estrutura social

5 As oportunidades das pessoas não diferem de forma aleatória, nem devido a fatores ambientais, genéticos ou biológicos. São diferentes porque tem sua base na estrutura social. Coincide com: altos custos e baixa eficácia da medicina curativa e hospitalar com as limitações na explicação dos diferenciais de saúde-doença entre os grupos sociais pelos demais modelos. 6.4 Modelo da História Natural da Doença ou Modelo de Leavell & Clark Processo saúde-doença expresso na relação: homem-hospedeiro agente patogênico meio Demarca 2 momentos no processo de adoecimento: fase pré-patogênica (equilíbrio ainda não rompido) e fase patogênica (desequilíbrio estabelecido e manifestação da doença) PREVENÇÃO Definição Ato de se antecipar às consequências de uma ação, no intuito de prevenir seu resultado, corrigindo-o e redirecionando-o por segurança. Antecipar, preceder A interposição de barreiras em qualquer etapa do ciclo evolutivo da doença. Níveis de Prevenção em Odontologia (Modelo da História Natural da Doença)

6 Propões 3 níveis de ação ou intervenção: PREVENÇÃO PRIMÁRIA: através da promoção à saúde e da prevenção específica em relação a um agravo determinado a ser desencadeado ainda na fase pré-patogênica da doença; PREVENÇÃO SECUNDÁRIA: constante de diagnóstico e tratamento PREVENÇÃO TERCIÁRIA: supõe ações destinadas à recuperação do dano e à reabilitação Níveis de Prevenção em Odontologia - Prevenção Primária 1º PROMOÇÃO DE SAÚDE São medidas inespecíficas que visam colocar o indivíduo em condições de saúde. Exemplos: o educação sanitária o nutrição adequada o atenção ao desenvolvimento da personalidade o moradia adequada o recreação o condições agradáveis de trabalho o educação sexual o exames seletivos periódicos Níveis de Prevenção em Odontologia - Prevenção Primária 2º PROTEÇÃO ESPECÍFICA medidas preventivas adotadas em sentido restrito, que visam proteger o indivíduo ou a comunidade de determinadas moléstias. Exemplos: o imunizações específicas o atenção a higiene pessoal o proteção contra riscos ocupacionais o proteção contra acidentes

7 o alimentação específica Níveis de Prevenção em Odontologia Prevenção Secundária 3º DIAGNÓSTICO PRECOCE E TRATAMENTO IMEDIATO Tem o objetivo de evitar a contaminação de terceiro (se transmissível), curar ou estacionar o processo evolutivo da doença a fim de evitar complicações ou sequelas, e evitar a invalidez prolongada. Exemplos: o exames seletivos o tratamento adequado Níveis de Prevenção em Odontologia Prevenção Terciária - 4º LIMITAÇÃO DO DANO Prevenção ou retardamento das consequências de moléstias clinicamente avançadas (medidas terapêuticas) Exemplos: o Tratamento adequado para interromper o processo mórbido e evitar futuras complicações e sequelas o Uso de meios para limitar a invalidez e evitar a morte Níveis de Prevenção em Odontologia Prevenção Terciária - 5º REABILITAÇÃO prestação de serviços hospitalares e comunitários para reeducação e treinamento, para possibilitar a utilização máxima das capacidades restantes educação do público e indústria, no sentido de que empreguem o reabilitado Terapia ocupacional 7. Níveis de Aplicação 1 o NÍVEL: AÇÃO GOVERNAMENTAL AMPLA Ação impessoal, coletiva, de natureza ampla; melhorar a qualidade de vida da população deficiências nutricionais, tuberculose Exigem uma ação coordenada de todas as unidades governamentais. 2 o NÍVEL: AÇÃO GOVERNAMENTAL RESTRITA Ação impessoal, coletiva, de natureza restrita; Problemas de saúde pública que exigem ação governamental mais restrita: fluoretação da água Iodização do sal Dengue

8 3 º NÍVEL: PACIENTE-PROFISSIONAL Prestação de serviço profissional; Ação bilateral envolvendo paciente e profissional de nível superior 3º, 4º e 5º níveis de prevenção (diagnóstico precoce e tratamento imediato, limitação do dano e reabilitação) maiores custos 4 º NÍVEL: PACIENTE-AUXILIAR Simplificação do nível anterior Prestação de serviço auxiliar; Ação bilateral envolvendo paciente e uma segunda pessoa: o menores custos o aplicação em larga escala facilitada o ATF (aplicação tópica de flúor) em programas escolares. 5 º NÍVEL: AÇÃO INDIVIDUAL Método de prevenção definido pelo próprio paciente. Difícil aplicação Exige muitas vezes mudança de comportamento e de hábitos tradicionais da vida REFERÊNCIAS: PEREIRA, A.C. et al. Tratado de Saúde Coletiva em Odontologia, 1 ed São Paulo: editora Napoleão, PEREIRA, A.C. Odontologia em Saúde Coletiva: Planejando ações e promovendo saúde cap.11

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