Utilização do método Multicritério AHP, na aquisição de um sistema ERP

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1 MESTRADO EM ENGENHARIA INFORMÁTICA E SISTEMAS EMPRESARIAIS Utilização do método Multicritério AHP, na aquisição de um sistema ERP Autor José António N. FERNANDES

2 Resumo Actualmente, a escolha de uma aplicação como um sistema Enterprise Resource Planning (ERP), é um dos processos mais sensíveis e onde são direccionados muitos recursos. Sendo esta uma aplicação que irá apoiar e integrar todo o negócio, importa que se decida pela melhor solução de forma a contribuir para a competitividade da organização num mercado cada vez mais global. Assim sendo, é essencial garantir-se ferramentas que suportem a decisão, tornando o que é complexo e por vezes intangível, em cenários simples e quantificáveis. Este artigo, aborda adopção do método multicritério Analytical Hierarchy Process (AHP) como suporte à decisão na escolha desse aplicativo. Os resultados esperados, são dar a conhecer as especificidades e a forma de funcionar deste método e como deve ser aplicado no momento de escolha de uma aplicação ERP, para que, no futuro, se possa obter um conjunto de critérios óptimos de forma a aplicar com sucesso esse método. Abstract Currently, the choice of an Enterprise Resource Planning (ERP), is one of the most sensitive and where many resources are targeted, is a application that will support and integrate the entire business, it is decided that the best solution in order to contribute to the competitiveness of the organization in an increasingly global market. It is essential, to ensure the decision support tools, making what is complex and often intangible, in simple scenarios and measurable. The study proposed, discusses the method multicriteria Analytical Hierarchy Process (AHP) as adopted by decision support in the choice of this application. This article discusses the adoption of the multicriteria method Analytical Hierarchy Process (AHP) as decision support in the choice of this application. The expected results are to know and shape the specifics of this working method and how it should be applied at the time of choosing an ERP application, so that in the future, be possible to obtain an optimal set of criteria in order to successfully apply this method.

3 Palavras Chave: Enterprise Resource Planning ERP, Analytical Hierarchy Process AHP, critérios de decisão 1. Introdução A grande preocupação de quem adquire sistemas de grande valor, que podem pôr em causa a estabilidade e também a sustentabilidade das organizações, é certamente optar pela melhor solução. Nesse contexto, a selecção de uma aplicação como um Enterprise Resource Planning (ERP) é um bom exemplo do quanto é importante tomar a decisão correcta. Esta é certamente o maior motor para as organizações actuais, uma vez que é uma aplicação que irá gerir toda a organização, irá ser através de si que será inserida e organizada informação crucial para o funcionamento de uma empresa, os valores que estão em jogo neste processo, são muito elevados, não só no investimento mas também nas mais-valias competitivas para a organização, e para a sua competitividade no mercado onde a mesma se insere. Por isso, quem decide terá o ónus da responsabilidade de tomar a melhor decisão. Na altura da avaliação, os decisores investem e empregam vários recursos de forma a adquirir a maior informação possível, para tomar a melhor decisão, é um processo que poderá hipotecar a viabilidade da organização no futuro. Quanto maior o investimento, maior serão os recursos gastos e que por vezes não são correctamente aplicados. Todo o processo de escolha é sempre muito complexo, são organizadas várias demonstrações, incluídas várias horas de trabalho interno para auditorias e consultadoria, mas no final o trabalho e a decisão muitas vezes são retiradas de uma forma empírica, pela experiência de um determinado decisor ou por um conjunto de dados que foram considerados chave para a escolha de um fornecedor em detrimento de um outro. Assim, observa-se que muitas vezes não existe um plano estabelecido aquando o momento da escolha, quais deverão ser os critérios óptimos para se ter em consideração no momento de abrir um procedimento de investimento, para uma ferramenta que será crucial para o trabalho diário da organização. Será pela razão atrás apresentada que a adopção de um método de suporte de avaliação/decisão perfeitamente testado, tornando cenários complexos em ambientes simples e fáceis de analisar, irá permitir a qualquer responsável tomar a melhor decisão

4 para a sua organização, permitindo, de uma forma simples e sem gastar muitos recursos, escolher uma ferramenta de grande valor para o futuro da sua organização. Neste trabalho, será apresentado o método Analytical Hierarchy Process (AHP), como um dos métodos fiável e viável na avaliação de propostas na aquisição de um ERP. Neste âmbito, serão realizados levantamentos de critérios, estruturando em níveis e subníveis com pesos distribuídos, e que serão fundamentais para obter a melhor escolha. No final teremos um conjunto de critérios que serão testados para a escolha de uma solução, criando um estudo de caso de forma a avaliar a implementação deste método Enquadramento Quando as decisões se tornam cada vez mais complicadas e o seu resultado poderá levar a constrangimentos às organizações, ou mesmo mudar formas de trabalhar e de estar no mercado, é crucial para quem decide, ter uma ferramenta que lhe permita, de uma forma simples e eficaz, decidir pela melhor solução. Um sistema ERP mal escolhido poderá levar a custos elevados de implementação, estudos da Gartner Goup revelam que 40 % de projectos de implementação, no final, os seus custos deverão ascender em 50 % dos custos inicialmente previstos (Zrimesek, Phelan, Karamousiz e al, 2001). Nesse contexto, é essencial que a escolha para a melhor opção seja bem planeada e correctamente estruturada. O processo de decisão no investimento num aplicativo ERP é de tal forma critica que poderá comprometer a competitividade de uma organização e a sua sustentabilidade (Babak e Turan 2011). Nas secções seguintes serão apresentados as várias especificidades de uma aplicação ERP, definição, pontos fortes, factores de risco na sua implementação e, o método AHP e como se desenvolve. Estes pontos serão essenciais para se entender a aplicação deste método à avaliação num investimento de uma aplicação de extrema importância para o futuro de uma empresa.

5 2. Enterprise Resource Planning (ERP). Utilização Do Método Multicritério AHP, Na Aquisição De Um Sistema Erp A aplicação ERP, teve origem pela necessidade das organizações registar os dados necessários ao suporte e à actividade produtiva das empresas. No fundo, estas aplicações nasceram pela necessidade da consulta da informação armazenada centralmente, a informação gerada é monitorizada entre o início até ao final do ciclo de produção. Permite integrar toda a informação de uma organização (Davenport 1998). Os ERP s foram as primeiras bases de dados instaladas nas empresas, as primeiras ferramentas na filosofia de trabalho servidor-cliente, permitiam o trabalho em grupo e integrado em vários departamentos (trabalho colaborativo). Esta aplicação é vista como uma unidade que armazena dados e centraliza a informação necessária ao Core Business da organização, também produz várias tarefas automáticas. um fluxo de informações único, contínuo e consistente por toda a empresa sob uma única base de dados (Stamford2000). Inicialmente surgiu com as necessidades de gestão de stock s, mas rapidamente passou a abranger, ao longo do tempo, várias valências do funcionamento de qualquer organização tais como (Davenport 1998): Gestão de pedidos (Gestão Comercial); Gestão de facturação (Gestão Financeira); Gestão de Stocks; Gestão da planificação produtiva; Gestão do ciclo de vida produto; Gestão de património; Gestão Recursos Humanos; Gestão de projectos; Ao longo dos anos, foram adicionados vários módulos ao ERP, tornando-o hoje em dia um sistema abrangente, podemos afirmar que é a base da operação das organizações

6 empresariais. Neste momento, seria difícil de se produzir numa empresa se este sistema não estivesse acessível ou operacional. 3.1 Vantagens da implementação de um ERP Da implementação de um sistema ERP, decorrem normalmente as seguintes vantagens: Eliminar o uso de interfaces manuais, diminuir trabalhos manuais, que muitas vezes levam ao consumo de tempo e a erros. Para Nah e Lau (2001), Através de uma base de dados central e única, trabalha-se numa plataforma comum que interage com um conjunto integrado de aplicações, consolidando todas as operações do negócio em um simples ambiente computacional ; Reduzir custos segundo Buchout, Frey & Nemec JR (1999), o ERP pode melhorar claramente a vida corporativa, trazendo os benefícios de competitividade e redução de custos que promete. ; Optimizar o fluxo da informação e a qualidade da mesma dentro da organização (eficiência). Para stamford (2000) um fluxo de informações único, contínuo e consistente por toda a empresa sob uma única base de dados Optimizar o processo de tomada de decisão, segundo Chopra e Meindl (2003) Os sistemas ERP fornecem rastreamento e visibilidade global da informação de qualquer parte da empresa e de sua Cadeia de Fornecimento, o que possibilita decisões inteligentes.; Eliminar a redundância de actividades, com a integração de vários sectores da empresa numa mesma plataforma, Chopra e Meindl (2003) concluem, a partir da integração, o sistema permite visualizar por completo as transacções efetuadas pela empresa, desenhando um amplo cenário de seus negócios ; Reduzir os limites de tempo de resposta ao mercado, a partir de monitorização com alertas; Reduzir as incertezas do tempo de entrega; Incorporação de melhores práticas (codificadas no ERP) aos processos internos da empresa. Segundo Koch (2000) algumas empresas têm, com sucesso, utilizado a

7 implementação de sistemas ERP como uma ferramenta de apoio ao Processo de Reengenharia de Negócio (Business Process Reengineering BPR). 3.2 Desvantagens da implementação de ERP O ERP não é sinónimo da resolução de todos os problemas das organizações, a sua implementação também poderá vir acentuar alguns problemas às organizações. As desvantagens que teremos na implementação são as seguintes: Sendo um sistema com custos elevados e grande complexidade ao nível de implementação, quando escolhemos uma solução desta dimensão, as organizações são forçadas a mantê-la por muito tempo, mesmo não estando contentes com a empresa que a vendeu. (Davenport 1998). A implementação de uma solução aplicacional desta dimensão irá obrigar praticamente a que uma empresa esteja dependente da qualidade de serviços de quem lhe forneceu a solução. Neste cenário podemos ter um outro, também muito mais grave, que é a falha de suporte / actualização no caso da empresa fornecedora deixar de existir. A integração não será, por si, sinónimo de realidade, podemos ter um ERP com uma série de módulos mas que não garanta a integração com outros aplicativos. (Davenport 1998). A aquisição de uma solução standard irá obrigar as empresas a trabalharem com os processos adoptados por essa solução. No futuro, se uma determinada organização pretender alterar algum tipo de processo, poderá estar amarrada aos processos existentes, podendo perder competitividade. Segundo Filinovich (2010), observa-se que algumas vezes as empresas perdem sua vantagem competitiva após a implementação do ERP, uma vez que o ERP força alteração de vários processos para corresponder aos padrões da indústria ; Acontece muitas vezes que um determinado módulo de um ERP garante apenas funções mais gerais desse processo, não suportando a especificidade e o detalhe que por vezes são exigidos. Os custos de manutenção de uma aplicação que gere toda uma empresa, poderão levar a encargos incomportáveis, pelo peso e efeito desta na organização é necessário manter um contrato de evolução /manutenção da solução. Segundo Koch, Slater e Baatz (1999), existindo cenários sempre diferentes nas formas de

8 implementação e níveis de orçamentos para os projectos, de acordo com pesquisas realizadas, poderão existir custos que não foram bem calculados ou estimados, os quais se destacam : Custos de formação, integração, conversão de dados, consultadoria e pessoal. É importante estar por dentro dos factores anteriormente referidos uma vez que, ao tomar-se a decisão de implementação não será fácil voltar atrás, não evitando por isso os efeitos negativos para a organização ao nível financeiro e competitivo. 2.3 Factores críticos de um sistema ERP Ao implementar ou a decidir por uma aplicação ERP, devemos ter em consideração alguns pontos que se devem reflectir e onde deverão ser retirados os critérios de avaliação na altura da escolha. O crescente número de histórias de horror sobre projectos de implementação de ERP s que falharam e ou ficaram fora de controlo, deverão levar aos gestores a parar e pensar (Davenport 1998), os principais factores que poderão colocar em risco a implementação de um ERP são: a) Muitas das versões disponibilizadas no Mercado são standard se muitas delas já com maturidade na sua implementação ao nível de processos produtivos proveniente da sua experiência no mercado, apresentando soluções genéricas a vários modelos de negócio. Mesmo assim, poderá sempre existir alguma especificidade de um processo do cliente. (Davenport 1998) sustenta que Um sistema empresarial é, afinal, uma solução genérica. Seu projecto reflecte uma série de pressupostos sobre a maneira como as empresas operam em geral. Os Fornecedores a tentar estruturar os sistemas para melhor reflectir as melhores práticas, mas é o fornecedor, e não o cliente, a definir o que é melhor". b) A capacidade de parametrização / customização será fundamental numa aplicação deste género, pois será necessário prepara-la para a dimensão do perfil e da realidade da organização onde será instalada. Esta deverá ter a possibilidade de introduzir informação que seja adequada ao ambiente e funcionamento ao nível de processos de trabalho da organização (Martin e Mcclure1993). c) Os recursos Humanos são uma parte importante no sucesso do projecto de implementação. Assim sendo, a escolha deverá reflectir a resistência à mudança, sendo

9 que esse factor poderá ser importante para a tomada de decisão. (Gomes & Vanalle 2001) defendem que, algumas das causas para o não cumprimento de cronogramas podem ser: a resistência das pessoas da organização envolvidas no projecto, limitações inerentes ao próprio ERP escolhido e a dificuldade de integrar o ERP com diversos sistemas existentes dentro da empresa, entre outras. A complexidade da solução, o suporte, a formação e a competência da equipa de consultores que irão implementar a solução poderá criar uma grande resistência dos colaboradores à implementação de um ERP. d) A integração, é essencial para qualquer sistema de informação actual, se uma aplicação não tiver qualquer possibilidade de integração, ou se os custos, que muitas vezes são escondidos, forem muito elevados, depois tornam-se um problema ao nível do funcionamento da aplicação e de sustentabilidade da sua manutenção. Acarretando no futuro custos elevados devido ao esforço de integração, de perda, duplicação e tempo de aquisição de informação. (Themistocleous& Irani, Robert M. O Keefe & Paul 2001). e) Análise custo benefício das soluções que se adopta, não se faz um levantamento exaustivo dos benefícios que a solução apresenta e por outro lado comparar com as áreas funcionais e objectivos de negócio que a aplicação irá servir no futuro, assim sendo, objectivamente deverá abranger as necessidades da organização na sua globalidade. Também neste contexto será necessário fazer um estudo claro sobre o retorno do investimento, pois no final até teremos uma solução muito completa, muito cara, mas que não é sustentável. f) A referência aos custos é incontornável, assim devem-se reflectir os seguintes custos que deverão estar integrados num sistema ERP: - Hardware, que fará de suporte a toda a infra-estrutura aplicacional, servidores e equipamentos que deverão ser adquiridos para disponibilizar a aplicação a quem esta irá auxiliar. - Formação dos utilizadores; - Custo de licenciamento; - Consultadoria, suporte aos processos integrando-os com a aplicação; - Custos de manutenção, suporte pós garantia;

10 g) A actualização do sistema é fundamental para se encontrar sempre actualizado. Sem um sistema em constante evolução, teremos em pouco tempo uma ferramenta estática sem evolução, completamente depreciada, sem valor. No entanto, as actualizações deverão estar disponíveis de uma forma simples e realizadas sem constrangimentos. h) O comprometimento de quem governa será decisivo para o sucesso dum projecto de implementação ERP. É necessário definir um plano estratégico ao nível do que se pretende para a empresa no futuro. O planeamento será fundamental para o sucesso da implementação. É muito provável que a implementação não corra como planeado, assim conforme ( Bancroft, Seip e Sprengel 1998) afirmam, Tenham a certeza de que ocorrerão problemas: comprometam-se com a mudança, só assim se poderá garantir o sucesso. 2. Analitical Hierarchy Process (AHP) Analitical Hierarchy Process (AHP) é um método de decisão Multicritério que surgiu em 1980 desenvolvido pelo Prof. Thomas L. Saaty. AHP é um método bem conhecido para a resolução de problemas de tomada de decisão. AHP é um dos métodos de decisão mais utilizados, não só na área dos sistemas informáticos como em outras áreas perfeitamente distintas mas onde é essencial a tomada de decisão. No âmbito da decisão multicritério direccionada para os sistemas informáticos e mais propriamente na escolha de software, existem outros métodos conhecidos dos quais Matos (2010), destaca: Soma da média Ponderada - Este método consiste na atribuição de pesos para cada critério, de acordo com a relevância de cada um. Depois de se chegar ao vector de pesos, é calculada a soma ponderada que irá permitir encontrar a alternativa mais vantajosa para o decisor, ou seja, aquela que está de acordo com as suas expectativas. Análise de Requisitos / Funcionalidades Este método é baseado na abordagem da identificação de requisitos /necessidades que os utilizadores vão precisar para a execução de uma tarefa/actividade e mapeando-os para as características que uma determinada ferramenta (Aplicação) deverá apoiar a actividade a que se destina.

11 A avaliação poderá ser realizada com o nível de detalhe pretendido, recorrendo a estudos de caso, demonstrações e ou pesquisas. Fuzzy based approach - Consiste na utilização de termos linguísticos de forma a avaliar as alternativas apresentadas de uma forma simples e intuitiva. Este método melhora o processo de decisão eliminando a imprecisão e ambiguidade que acontece pela acção humana. Será o método que traz mais complexidade em termos de implementação Método de aplicação do AHP Este método é caracterizado da seguinte forma: Passo 1. Inicialmente são definidos os vários critérios que serão utilizados para a avaliação das soluções, podemos neste processo organizar a hierarquia em níveis e subníveis, aqueles que forem necessários para estruturar melhor o cenário de decisão, os critérios deverão ser conseguidos e estabelecidos tendo em conta critérios transversais à aquisição deste tipo de serviço, mas tendo em conta os objectivos da organização. Os critérios poderão ser tangíveis tais como medidas, peso e custos ou poderão ser intangíveis baseados por exemplo em preferências ou gostos pessoais. Deverão ser estabelecidos os pesos de cada subcritério e não deverão ser superiores na sua soma a 1. Figura 1: Hierarquia de critérios

12 Passo 2. Depois de organizada a hierarquia de decisão, serão organizadas as matrizes de comparação, onde são comparadas as alternativas tendo em consideração os critérios estabelecidos, usando uma escala pré estabelecida, por exemplo de 1 a 9, em que 1 é considerado igual e 9extremamente melhor. Tabela 1 : Comparação par a par, escala de preferências AHP (Saaty 2008) Nível Ranking Atribuições Verbais 1 Igualmente Preferido 2 Igual a moderado 3 Moderado preferido 4 Moderado para Fortemente 5 Fortemente Preferido 6 Fortemente para muito Fortemente 7 Muito Fortemente 8 Muito Fortemente para Extramente 9 Extramente Preferido Passo 3. Depois de construídas as matrizes de comparação, terá que se calculara matriz síntese dividindo cada elemento de cada coluna com o valor da soma dos elementos dessa coluna, também serão calculados os vectores de prioridade calculando a média de cada linha de cada matriz. Passo 4.Associada à matriz síntese, será calculado o Consistency Ratio (CR) que deverá permitir posteriormente ao decisor saber se os dados recolhidos são consistentes para tomada de decisão. Em caso negativo, se o CR apresentar valores maiores que 0,1 as classificações deverão ser revistas. Passo 5. No final, será calculada a classificação de cada alternativa que se obtém pela soma ponderada de cada alternativa, do conjunto de critérios, a melhor solução será a que tiver uma melhor pontuação Casos de aplicação do AHP Tal como já referido na apresentação do método, ele é utilizado em várias situações onde se pretende tomar uma decisão sobre um problema que se coloca. Na área dos sistemas de informação e no âmbito da sua utilização como ferramenta de apoio à decisão nesta área, tem vindo a crescer a sua utilização. Os investimentos e a preocupação por uma escolha

13 errada tendo como consequência o funcionamento de uma organização, são cada vez mais os factores que levam à utilização mais generalizada deste método. Nos pontos seguintes, serão apresentados dois casos de estudo onde este método foi usado na área das tecnologias de informação: O primeiro caso (José Maria Alves 2011). - A utilização do método AHP de forma a aferir a avaliação dos controlos de seguranças / riscos dos sistemas informáticos no âmbito da Auditoria Financeira. Este projecto decorreu no âmbito de um trabalho de mestrado em economia financeira na faculdade de Coimbra. O estudo teve a duração de dezanove semanas na Empresa especializada em consultadoria financeira Ernest Young, na área da Information Tecnhology Risk Assurance, e teve como alvo, um seu cliente na área da banca Tal como refere o autor desse estudo, a partir da adaptação do método AHP chegou-se a um método que permite quantificar a segurança dos sistemas informático de modo a fornecer ao cliente uma primeira impressão sucinta do estado de segurança dos seus sistemas. Este estudo permitiu também criar um padrão que deverá ser usado para posteriores trabalhos na área do risco de segurança dos sistemas Informáticos de suporte à área Financeira. Segundo Caso (Carlos Nakano e Denise Ceolin 2006) Este segundo cenário trata-se da utilização do Método AHP para a escolha de uma ferramenta aplicacional na área dos sistemas de informação geográfica numa empresa ligada à gestão ambiental ao nível da gestão do tratamento, drenagem de águas residuais e a gestão da entrega da água para consumo doméstico. Para a organização onde o estudo foi realizado, era essencial prestar o melhor serviço ao cliente, nesse sentido, seria crucial escolher uma aplicação que permitisse a essa empresa gerir de uma forma eficaz e com qualidade toda a infraestrutura que serve os clientes. Era uma decisão que se revestia de grande importância para os responsáveis da organização, não só pelos custos de investimento, mas pela preocupação de prestar o melhor serviço aos seus clientes e munícipes, seria crucial optar pela melhor software de Informação Geográfica. Os autores concluem que Este método fez com que todos os envolvidos no processo de decisão, ampliassem a sua compreensão a respeito do problema, aumentando a participação de todos na avaliação do modelo.

14 Nos dois casos apresentados, pode-se concluir que a importância de se estudar o problema que se quer resolver, é essencial para os autores, obrigando de facto a um esforço de envolver os vários intervenientes que estão no processo e, aferir de uma forma mais objectiva os critérios de avaliação e a sua respectiva importância para a tomada de decisão Exemplo Prático De forma a melhor entender o desenrolar de todo do processo de avaliação, será pertinente observar um exemplo de um processo de avaliação de aquisição de um ERP. Neste caso serão utilizados apenas quatro critérios de escolha. Este exemplo, será apenas demonstrativo do desenrolar de todo o processo de modo a melhor entender-se todo o processo do método. O Cenário apresentado, será uma situação muito simples, onde se propõe apenas quatro critérios de avaliação e onde os respectivos pesos são distribuídos de igual forma, conforme se pode observar na Tabela 2 e Figura 2. Tabela 2 : Critérios e Respectivos Pesos Critérios Pesos Custo da Solução 0.25 Facilidade de 0.25 Implementação Funcionalidades 0.25 Suporte Pós Venda 0.25 Figura 2: Diagrama do problema / Critérios / Pesos

15 Depois de se desenvolver a hierarquia de decisão, é necessário proceder a comparação par a par dos critérios apresentados, sobre cada fornecedor (alternativa). Serão criadas as matrizes de comparação em número igual aos critérios obtidos, a matriz terá a dimensão n x n em que n é o número de alternativas conforme Figura 3. As classificações serão obtidas tendo em conta a escala apresentada anteriormente, na tabela 1, assim na primeira linha temos que o Fornecedor A terá uma classificação de 6 (superior) à solução do Fornecedor B e de 3 à do Fornecedor C. Quando comparado consigo próprio, obviamente terá uma classificação de 1. Quando a classificação de um referida alternativa é inferior à outra alternativa, a classificação será apresentada no formato de 1/n. Na linha dois da matriz Custo, verificase que o valor apresentado na linha 2 coluna 1 será de 1/6 (0,17), uma vez que será o inverso da linha 1 coluna 2. Figura 3: Matriz de comparação M. Custo Forn A Forn B Forn C M. Facilidade Implementação Forn A Forn B Forn C Forn A 1,00 6,00 3,00 Forn A 1,00 5,00 2,00 Forn B 0,17 1,00 0,33 Forn B 0,20 1,00 0,33 Forn C 0,33 3,00 1,00 Forn C 0,50 3,00 1,00 M. Funcionalidades Forn A Forn B Forn C M. Suporte Forn A Forn B Forn C Forn A 1,00 0,25 0,13 Forn A 1,00 4,00 5,00 Forn B 4,00 1,00 0,25 Forn B 0,25 1,00 3,00 Forn C 8,00 4,00 1,00 Forn C 0,20 0,33 1,00 Depois de se ter procedido a elaboração das matrizes de comparação para os quatro critérios, será necessário chegar à matriz Síntese Figura 4,que irá permitir encontrar a melhor alternativa. Assim sendo, para a calcular deveremos seguir os seguintes processos: a) Será necessário dividir cada elemento da matriz pela soma de todos os elementos da sua coluna. Exemplo na Coluna 1 da matriz custo: 1/ (1+0,17+0,33) = 0,6667 0,17/(1+0,17+0,33) = 0,1111 0,33/ (1+0,17+0,33) = 0,2222

16 b) Calcular os vectores de prioridades de critérios, que se obtêm pelo cálculo da média de cada linha da matriz. Para a Matriz custo Fornecedor A, o vector será (0,6667+0,1111+0,2222)/3 = 0,6530. Coluna Prioridade na Matriz síntese Figura 4. c) Consystency Ratio (CR), este valor servirá para se obter a informação se as comparações realizadas serão consistentes ou não, se o valor obtido for inferior ou igual a 0,10, os resultados da avaliação são consistentes, se o valor for superior, então será necessário reformular as comparações dessa matriz. O CR é obtido a partir dos seguintes cálculos: ,982 Soma dos pesos = 0,6667 * 0,17 + 0,1111* 1 + 0,2222* 0,33 = 0,289 0, ,757 Estão apresentados os resultados na Figura 4 matriz síntese na coluna Soma de pesos. Deverá dividir-se a soma de pesos pelo vector prioridade, obtém-se a coluna Max da Matriz síntese (Tabela 4) Forn. A ->,, =3,035 Forn. B ->,, =3,005 Forn. C ->,, =3,015 Para calcular será necessário calcular a média da soma do valores Max da matriz

17 = ( 3,035+3,005+3,015) 3 =3,018 CI = =, =0,0091 Consistency Index Nesta fase apenas fica a faltar um valor para ter o CR, conforme tabela 3 e tendo em conta que a matriz tem uma dimensão de 3 o valor de Random Consystency Ratio (RI) será de 0,58. Tabela 3: Average Random Consystency (RI) (Saaty 1990) Dimensão Matriz Random Consystency 0,00 0,00 0,58 0,90 1,12 1,24 1,32 1,41 1,45 1,49 CR= =, =0,0158 Valor Consistente < 0,10, Podemos observar, através da figura 4 que apresenta a matriz síntese, que todos os valores calculados são consistentes. Figura4: Matriz síntese M. Custo Forn A Forn B Forn C Prioridad e Soma Pesos Max Facilidade Implementaçã o Forn A Forn B Forn C Prioridad e Soma Pesos Max Forn A 0,6667 0,6000 0,6923 0,6530 1,982 3,035 Forn A 0,5882 0,5556 0,6000 0,5813 1,747 3,006 Forn B 0,1111 0,1000 0,0769 0,0960 0,289 3,005 Forn B 0,1176 0,1111 0,1000 0,1096 0,329 3,001 Forn C 0,2222 0,3000 0,2308 0,2510 0,757 3,015 Fron C 0,2941 0,3333 0,3000 0,3092 0,929 3,004 0, CI : 0,0091 λmax : 3,018 CI : 0 λmax : 3,00 0,015 CR : 8 Ok CR : 0, OK Funcionalidad es Forn A Forn B Forn C Prioridad e Soma Pesos Max M. Suporte Forn A Forn B Forn C Prioridad e Soma Pesos Max Forn A 0,0769 0,0476 0,0909 0,0718 0,216 3,010 Forn A 0,6897 0,7500 0,5556 0,6651 2,109 3,171 Forn B 0,3077 0,1905 0,1818 0,2267 0,689 3,041 Forn B 0,1724 0,1875 0,3333 0,2311 0,709 3,068 Forn C 0,6154 0,7619 0,7273 0,7015 2,183 3,111 Forn C 0,1379 0,0625 0,1111 0,1038 0,314 3,023 CI : 0,027 λmax : 3,054 CI : 0, λmax : 3,08 0,046 CR : 7 OK CR: 0, OK

18 d) Finalmente, após o cálculo de todos os valores para cada matriz, respectivamente, será necessário multiplicar o peso de cada critério pelo Max de cada Fornecedor, que será somado no conjunto dos critérios, a melhor solução será a que obtiver melhor classificação, conforme tabela 4. Tabela 4: Classificações Finais Critérios Peso Forn A Forn B Forn C Custo 0,25 3,035 3,005 3,015 Facilidade de implementação 0,25 3,006 3,001 3,004 Funcionalidades 0,25 3,010 3,042 3,111 Suporte 0,25 3,171 3,068 3,023 3,056 3,029 3,038 Assim, conforme análise realizada, o Fornecedor A teria sido o escolhido para fornecer a aplicação ERP. 3. Resultados Esperados Obter um conjunto de informação de como se deve desenvolver todo o processo de implementação do método, definir uma espécie de guia que irá permitir no futuro, a quem pretenda usar o método, quais são as necessidades e especificidades das várias etapas do processo. Conhecer profundamente o que se espera para a organização com a implementação de um ERP, saber exactamente avaliar os factores críticos na sua implementação, estruturar perfeitamente os critérios de avaliação para que se estabeleça um plano sustentável de avaliação. Validar a viabilidade da implementação do método de decisão e a sua contribuição no sucesso na escolha da melhor solução.

19 4. Conclusão Actualmente, com a necessidade de maximizar recursos e melhorar a competitividade das organizações num mercado global, é fundamental para as organizações garantir as melhores ferramentas que lhes permitam ganhar vantagens relativamente aos seus concorrentes. A escolha de um ERP, uma aplicação que integra todos as valências das empresas, é um processo que engloba muito trabalho e responsabilidade, é um trabalho que deverá ser bem ponderado e estudado, pois uma escolha mal direccionada poderá ter consequências graves para a vida de uma empresa. Interessa por isso optar por ferramentas que permitam apoiar no momento da decisão. O método de decisão multicritério AHP que é abordado neste artigo é pois uma alternativa válida para servir de apoio a quem tem a responsabilidade de decidir a tomar a melhor opção. Conclui-se que para a implementação deste método a definição da estrutura hierárquica de decisão, a definição de critérios e respectivos pesos é essencial para o sucesso da implementação do método. É necessário pensar bem nos critérios de avaliação, para isso será necessário conhecer bem o que se vai avaliar, não será apenas com base na utilização do método que se irá optar pela melhor alternativa. O estudo proposto foi focado sobre a escolha de um ERP, e não pretende validar se a escolha realizada foi de facto a melhor escolha. O que se pretende, é obter um conjunto de critérios óptimos e transversais a todas as organizações de modo a implementar, através de uma plataforma, a elaboração do processo de avaliação, prático e simples. Em pesquisas futuras, propõe-se a realização de uma avaliação dos resultados da implementação dos critérios e do método em situações reais onde a plataforma desenvolvida tenha servido de suporte.

20 Referências Bibliográficas Jean.-Grégorie Bernard, SusaneRivard, Benoit (2004). L'exposition au Risqued'implantationd'ERP :éléments de mesure et d'atténuation. ABI/INFORM Global 9, 25, p - 4. Brian Zrimsek, Pat Phelan, Frances Karamouzis, Ned Frey (2001), Estimating the Time and Cost of ERP and ERP II Projects: A 10-Step Process. Davenport, T. H. (1998). Putting the Enterprise into the Enterprise System. Babak D. RouYENdegh, Turan E. Erkan. (2011). ERP System Selection by AHP Method: Case Study from Turkey. InternationalJournal Of Business And Management Studies3, 10. G., C. G. I. L. R. P. M. S. T. (2008). An AHP Approach to Evaluate Factors Affecting ERP Implementation Success. World Congress on Engineering and Computer Science. KardiTeknomo, P. (2006). Analytic Hierarchy Process (AHP) Tutorial. Marins, T. C. C. P. A. F. B. C. J. L. C. F. A. S. (2004). Tempo de implantação de sistemas ERP: Análise da Influência de Fatores e Aplicação de Técnicas de Gerenciamento de Projectos. Gestão e Produção 11, Mill, S. v. S. R. B. (2011). Validity of the AHP/ANP: Comparing Aplles and Oranges. International Journal of the Analytic Hierarchy Process 3, Kamal M., Al-Subhi, Al-Harb (2001). Application of the AHP in project management. International Journal of Project Management 9. Paul, M. T. Z. I. R. M. O. K. R. (2001). ERP Problems and Application Integration Issues: An Empirical Survey. Proceedings of the 34th Hawaii International Conference on System ScienceProceedings of the 34th Hawaii International Conference on System Science Pereira, M. T. R. (2003). Metodologia Multicritério para Avaliação e Selecção de Sistemas Informáticos ao Nível Industrial, Escola de Engenharia, Universidade do Minho, Braga. Vanalle, C. A. L. G. R. M. (2001). Aspectos Criticos Para a Implementação de Sistemas ERP. 8. Manuela Cunha,Varajão. (2011). Selecção de sistemas CRM utilizando AHP. VIAGI, (2009). Uso do Método AHP (ANALYTIC HIERARCHY PROCESS) para Otimizar a Cadeia de Suprimentos Durante o desenvolvimento Integrado de Produtos. Simpol 12. Aubert, J.-G. B. S. R. B. A. (2004). L'exposition au risqué d'implantationd'erp :éléments de mesure et d'atténuation. ABI/INFORM Global. VitaliyTsyganok;Kyiv, U. (2011). About One Approach to AHP/ANP Stability Measurement. International Journal of the Analytic Hierarchy Process 3, Saaty, T.L. (2008), Decision making with the analytic hierarchy process, Int. J. Services, Sciences, Vol. 1, No. 1, pp

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