Os Alimentos Transgênicos são Perigosos? Benefícios e Preocupações!

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1 Os defensores de culturas geneticamente modificadas alegam que a tecnologia é a única forma de alimentar um mundo cada vez mais quente e populoso. Os críticos dizem que estamos mexendo com a Natureza por nossa conta e risco. Quem está certo? Por David H. Freedman - Scientific American 2013! Robert Goldberg afunda em sua cadeira e gesticula no ar.frankensteins, monstros rastejando para fora do laboratório, diz ele. Essa é a coisa mais deprimente com que já lidei. Biólogo molecular de plantas na University of Califórnia em Los Angeles, Goldberg não está lutando contra uma psicose, mas expressando seu desespero diante da incessante necessidade de enfrentar o que considera temores falsos em relação aos riscos de culturas de organismos geneticamente modificados. O mais frustrante, diz ele, é que esse debate deveria ter terminado há décadas, quando as pesquisas produziram um fluxo de e v i d ê n c i a s t r a n q u i l i z a n t e s : H o j e enfrentamos as mesmas objeções que há 40 anos. Do outro lado do campus, David Williams, biólogo celular visionário, faz uma queixa contrária Muita ciência ingênua foi envolvida no desenvolvimento dessa tecnologia, afirma Há 30 anos não sabíamos que quando você insere qualquer gene em um genoma diferente, ele reage a isso; mas agora todo mundo que trabalha nesse campo sabe que o genoma não é um ambiente estático. Os genes inseridos são suscetíveis a alterações de várias maneiras e isso pode acontecer gerações mais tarde. O resultado, insiste ele, poderiam ser plantas potencialmente tóxicas que passam despercebidas pelos testes. Williams admite estar entre uma pequena minoria de biólogos que questiona fortemente a segurança dos transgênicos, mas afirma que isso só ocorre porque o campo da biologia molecular vegetal está protegendo seus interesses. O financiamento, proveniente em grande parte das empresas que vendem sementes transgênicas, favorece intensamente os pesquisadores que estão explorando métodos para promover ainda mais a aplicação da engenharia genética na agricultura. De acordo com Williams, os biólogos que apontam riscos de saúde ou outros perigos associados a culturas geneticamente modificadas e apenas informam ou defendem resultados e x p e r i m e n t a i s q u e i m p l i c a m a possibilidade de riscos são foco de violentos ataques à sua credibilidade, levando-os a ficarem quietos. Independentemente de Williams estar certo ou errado, uma coisa é i n e g á v e l : a p e s a r d a s e v i d ê n c i a s esmagadoras de que os transgênicos são seguros para o consumo, o debate sobre a sua utilização continua acirrado e, em algumas partes do mundo, está até se tomando mais truculento. Os céticos argumentariam que essa disputa é positiva, porque não podemos ser suficientemente cautelosos quando mexemos com a base genética do suprimento de alimentos do mundo. Mas para pesquisadores como Goldberg a persistência dos temores sobre os alimentos geneticamente modificados é apenas exasperante. Apesar das centenas de milhões de experimentos genéticos envolvendo todos os tipos de organismos da Terra e de pessoas comendo bilhões de refeições sem nenhum problema, voltamos a ser ignorantes, diz ele. Então, quem está certo: os defensores ou os críticos da modificação genética? Quando olhamos atentamente para as evidências dos dois lados e avaliamos os riscos e os benefícios, e n c o n t r a m o s u m c a m i n h o surpreendentemente claro para sair desse dilema Benefícios e Preocupações!! A maior parte da ciência envolvendo a s e g u r a n ç a d o s o r g a n i s m o s geneticamente modificados aponta em uma direção, David Zilberman, por exemplo, economista ambiental e agrícola

2 da University of California em Berkeley e u m d o s p o u c o s p e s q u i s a d o r e s considerados confiáveis pela indústria química agrícola e pelos críticos do setor, argumenta que os benefícios das culturas geneticamente modificadas superam em muito os riscos para a saúde, que até agora continuam teóricos. As culturas geneticamente modificadas baixaram os preços dos alimentos, afirma Zilberman. Elas melhoraram a segurança dos agricultores ao permitir que eles usem menos agrotóxicos; e aumentaram a produtividade do milho, do algodão e da soja de 20% a 30%, possibilitando a sobrevivência de pessoas. Se fossem adotadas mais amplamente ao redor do mundo, o preço [dos alimentos] cairia mais e menos pessoas morreriam de fome. No futuro essas vantagens se tornarão ainda mais significativas, prevê Zilberman. A Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) estima que o mundo tenha de cultivar 70% mais alimentos até 2050 só para acompanhar o crescimento populacional. Além disso, a mudança climática tornará grande parte das terras aráveis do mundo mais difíceis de cultivar. Os transgênicos, argumenta Zilberman, poderiam resultar em rendimentos maiores, crescer em terras secas e salinas, resistir a temperaturas baixas e elevadas, além de tolerar insetos, doenças e herbicidas. Apesar dessa promessa, grande parte do mundo tem proibido, restringido ou evitado os alimentos geneticamente modificados. Quase todo o milho e soja cultivados nos Estados Unidos são geneticamente modificados, mas apenas duas culturas transgênicas, o milho MON810 da Monsanto e a batata Amflora da BASF são aceitos na União Europeia, o n d e o i t o n a ç õ e s p r o i b i r a m o s transgênicos de vez. Na Ásia, inclusive na índia e na China, os governos ainda têm de aprovar a maioria das culturas geneticamente modificadas, inclusive um arroz resistente a insetos, que tem rendimento maior com menos pesticidas. Na África, onde milhões de pessoas passam fome, várias nações se recusaram a importar alimentos transgênicos, apesar de serem mais baratos (graças a rendimentos mais elevados e menor necessidade de água e pesticidas). O Quênia os proibiu completamente em meio a uma desnutrição generalizada. Nenhum país tem planos definidos para cultivar o a r r o z d o u r a d o, u m a v a r i e d a d e modificada para fornecer mais vitamina A que o espinafre (o arroz em geral não tem vitamina A), apesar de a deficiência dessa vitamina causar mais de 1 milhão de mortes por ano e meio milhão de casos de cegueira irreversível no mundo em desenvolvimento. Globalmente, apenas um décimo das lavouras do mundo inclui plantas geneticamente modificadas. Apenas quatro países - Estados Unidos, Canadá, Brasil e Argentina - cultivam 90% de todos os transgênicos do planeta. Outros países latino-americanos estão se afastando dessas plantas e até nos Estados Unidos as vozes que condenam os alimentos transgênicos estão se tomando mais fortes. Até o momento, pelo menos 20 estados estão considerando projetos de lei que obriguem produtores a informar a presença de organismos geneticamente modificados nos rótulos dos produtos. O temor que alimenta toda essa atividade tem uma longa história. O público tem estado preocupado com a segurança dos alimentos transgênicos desde que cientistas da University ofwashington desenvolveram as primeiras plantas de tabaco geneticamente modificadas nos anos 70. Em meados da década de 90, quando os primeiros produtos geneticamente modificados chegaram ao mercado, o Greenpeace, o Sierra Club, Ralph Nader, o príncipe C h a r l e s e v á r i o s c h e f s f a m o s o s assumiram posições que se destacaram contra eles. Na Europa, os consumidores ficaram particularmente alarmados: uma pesquisa realizada em 1997, por exemplo, determinou que 69% do público austríaco via sérios riscos em alimentos com organismos geneticamente modificados, em comparação com apenas 14% de

3 americanos. Na Europa, o ceticismo em relação aos transgênicos está vinculado há tempos a outras preocupações, como um ressentimento ao agronegócio americano. Não importa em que esteja baseada, a atitude europeia reverbera ao redor do mundo e influencia a política em países o n d e a s c u l t u r a s g e n e t i c a m e n t e modificadas poderiam trazer enormes benefícios. Na África, eles não se importam com o que nós, selvagens, estamos fazendo nos Estados Unidos ; declara Zilberman. Eles olham para a Europa e veem alguns países rejeitando os transgênicos, então também os rejeitam. As forças que combatem a modificação genética na Europa conseguiram apoio para o princípio da precaução, segundo o qual, dado o tipo de catástrofe resultante da liberação de uma cultura geneticamente modificada invasiva e tóxica no mundo, os esforços de desenvolvimento de transgênicos deveriam ser suspensos até que se prove que a tecnologia é absolutamente segura. Os pesquisadores médicos, no entanto, sabem que nada pode ser provado de modo realmente seguro. Só se pode descartar a possibilidade de risco significativo depois de muitos esforços infrutíferos para tentar encontrá-lo, como é o caso com as culturas de organismos geneticamente modificados. UMA FICHA LIMPA! A raça humana tem desenvolvido culturas seletivamente, alterando os genomas das plantas há milênios. Estritamente, o trigo comum é uma planta modificada pelo homem há muito tempo; ele não poderia existir fora das fazendas porque suas sementes não se dispersam. Há cerca de 60 anos os cientistas vêm utilizando técnicas mutagênicas para alterar o DNA de plantas com radiação e produtos químicos, criando linhagens de trigo, arroz, amendoim e pêras que se tornaram p r o d u t o s a g r í c o l a s d e p r i m e i r a necessidade. Essa prática suscitou pouca objeção de cientistas ou do público e não causou problemas de saúde conhecidos. A diferença é que a cultura seletiva ou técnicas mutagênicas tendem a resultar na troca ou alteração de grandes segmentos de genes. Comparativamente, a tecnologia para modificar geneticamente os organismos permite aos cientistas inserir no genoma de uma planta um único gene (ou alguns deles) de outra espécie de planta ou até de uma bactéria, de um vírus ou de um animal. Os defensores do método argumentam que essa precisão toma a tecnologia muito menos propensa a produzir surpresas. A maioria dos biólogos moleculares de plantas também alega que no caso altamente improvável de uma ameaça inesperada à saúde r e s u l t a r d e u m a n o v a p l a n t a geneticamente modificada, os cientistas a identificariam e a eliminariam rapidamente. Sabemos para onde o gene vai e podemos medir a atividade de cada gene isolado em torno dele, diz Goldberg. Podemos mostrar exatamente quais mudanças ocorrem e quais não. Além disso, embora possa parecer assustador acrescentar o DNA de um vírus a uma planta, na realidade isso não é grande coisa, afirmam os proponentes da técnica. Os vírus têm inserido seus DNAs em genomas de plantas, seres humanos e todos os outros organismos há milhões de anos e, enquanto fazem isso, eles muitas vezes também repassam os genes de outras espécies; razão pela qual o nosso próprio genoma está lotado de sequências genéticas que se originaram em vírus e espécies não humanas. Quando os críticos da modificação genética dizem que os genes não cruzam a barreira das espécies na natureza, isso é pura ignorância, diz Alan McHughen, geneticista molecular de plantas na University of Califórnia em Riverside. Pulgões de ervilhas, por exemplo, contêm genes de fungos. O triticale é um híbrido secular de trigo e centeio encontrado em algumas farinhas e cereais matinais. O próprio trigo é um híbrido entre espécies. ''A mãe Natureza faz isso o tempo todo, assim como os criadores convencionais de plantas, afirma McHughen. Será que o consumo de plantas

4 com genes modificados permitiria que um novo DNA penetrasse no nosso? Teoricamente é possível, mas altamente i m p r o v á v e l. O s c i e n t i s t a s n u n c a encontraram material genético capaz de sobreviver a uma viagem pelo intestino humano e penetrar em células. Além disso, estamos rotineiramente em contato, e até consumimos, os vírus e bactérias cujos genes acabam em alimentos com organismos geneticamente modificados. A bactéria B. thurinsiensis, por exemplo, que produz proteínas fatais para insetos, às vezes é empregada como um pesticida natural na agricultura orgânica. Temos comido essas coisas há milhares de anos, diz Goldberg. De qualquer modo, os defensores dos transgênicos dizem que as pessoas têm consumido trilhões de r e f e i ç õ e s c o n t e n d o i n g r e d i e n t e s geneticamente modificados nas últimas décadas e nem um único caso verificado de doença foi atribuído às alterações genéticas. Mark Lynas, um famoso ativista a n t i o r g a n i s m o s g e n e t i c a m e n t e modificados que em 2012 passou a apoiar publicamente a tecnologia, ressaltou que t o d o s o s d e s a s t r e s a l i m e n t a r e s conhecidos que fizeram manchetes foram atribuídos a culturas não modificadas, como os brotos de feijão orgânicos infectados por Escherichia coli que mataram 53 pessoas na Europa em O s c r í t i c o s f r e q u e n t e m e n t e menosprezam as pesquisas americanas sobre a segurança dos alimentos geneticamente modificados, muitas vezes financiadas ou até realizadas por empresas de produtos geneticamente modificados, como a Monsanto. Grande parte da pesquisa sobre esse assunto, no entanto, vem da Comissão Europeia, o órgão administrativo da União Europeia (DE), que não pode ser tão facilmente contestada como uma instituição ligada a qualquer indústria. A Comissão Europeia financiou 130 projetos de pesquisa realizados por mais de 500 equipes independentes sobre a segurança de organismos geneticamente modificados. Nenhum desses estudos encontrou quaisquer riscos específicos nas culturas transgênicas. Muitos outros grupos dignos de crédito chegaram à mesma conclusão. Gregory Jaffe, diretor de biotecnologia do Centro para a Ciência no Interesse Público, um grupo de vigilância do consumidor baseado na ciência, de Washington, D.C., tem o cuidado de frisar que o centro não tem uma posição oficial a favor ou contra no que diz respeito a m o d i fi c a r g e n e t i c a m e n t e p l a n t a s alimentícias. No entanto, ele insiste que o registro científico é claro: atuais culturas transgênicas são seguras para o consumo e podem ser cultivadas em segurança no ambiente. A Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Associação Médica Americana e a Academia Nacional de Ciências apoiaram, sem reservas, as culturas de organismos geneticamente modificados. Além disso, o FDA, o órgão americano regulador de alimentos e medicamentos, e seus correspondentes em vários outros países, revisaram repetidamente grandes volumes de material de pesquisas e concluíram que as culturas transgênicas não representam ameaças excepcionais à saúde. Dezenas de estudos de revisão realizados por pesquisadores acadêmicos apoiam essa opinião. O s o p o n e n t e s d e a l i m e n t o s geneticamente modificados apontam para um punhado de estudos que indicam possíveis problemas de segurança; mas revisores desacreditaram quase todos esses relatórios. Um deles foi o estudo do bioquímico vegetal Árpád Pusztaí, de 1998, então no Rowett Institute, na Escócia, que concluiu que ratos a l i m e n t a d o s c o m u m a b a t a t a geneticamente modificada sofriam de crescimento atrofiado e mudanças relacionadas ao sistema imune. No entanto, essa batata não era destinada ao consumo humano, mas desenvolvida geneticamente para ser tóxica para fins de pesquisa. Posteriormente, o instituto considerou o experimento tão desleixado que refutou suas conclusões e acusou Pusztaí de má conduta. Não faltam histórias semelhantes.

5 Mais recentemente, uma equipe liderada por Gilles- Éric Séralini, pesquisador da Universidade de Caen, na Baixa Normandia, na França, constatou em um estudo que ratos que comiam um tipo c o m u m d e m i l h o g e n e t i c a m e n t e modificado contraíram câncer a uma taxa alarmante. Mas Séralini é um antigo ativista antiorganismos geneticamente modificados, e os críticos o acusaram de se basear em uma linhagem de ratos que desenvolvem tumores com excessiva facilidade, de não utilizar ratos suficientes, não incluir grupos de controle adequados e não informar muitos detalhes do experimento, inclusive os procedimentos da análise. Após uma revisão, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar rejeitou as conclusões do estudo. Várias outras agências europeias chegaram à mesma conclusão. Se os milhos geneticamente modificados fossem tóxicos, alguém já teria notado, diz McHughen. Séraliní foi refutado por todos os que se deram ao trabalho de comentar. Alguns cientistas dizem que as objeções aos transgênicos resultam de políticas em vez de ciência; que elas são motivadas por uma oposição a que as grandes multinacionais tenham uma influência enorme sobre a oferta de alimentos, e que invocar os riscos da modificação genética apenas constitui um jeito conveniente de agitar o público contra a agroindústria. Isso nada tem a ver com ciência, diz Goldberg. Isso é sobre ideologia. O ex ativista Lynas concorda. Recentemente ele chegou a ponto de rotular a multidão antiorganismos geneticamente modificados de um movimento explicitamente anticientífico. Existe um terreno intermediário nesse debate. Muitas vozes moderadas defendem a continuação da distribuição de alimentos com organismos modificados e n q u a n t o s e m a n t ê m o u a t é s e intensificam os teste de segurança de novas culturas transgênicas. Esses defensores são a favor de uma vigilância mais severa do impacto sobre a saúde e o ambiente dos organismos geneticamente modificados já existentes, mas não definiram culturas para um escrutínio especial, frisa, Jaffe do Centro para a Ciência no Interesse Público. C o m o s g o v e r n o s e o s consumidores atacando cada vez mais as culturas transgênicas, testes adicionais podem ser o compromisso que permitirá à raça humana se beneficiar das vantagens significativas dessas culturas.

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