O Sr. CELSO RUSSOMANNO (PP-SP) pronuncia o. seguinte discurso: Senhor Presidente, Senhoras e Senhores

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1 O Sr. CELSO RUSSOMANNO (PP-SP) pronuncia o seguinte discurso: Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, transcorreram já mais de duas décadas desde que a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida começou a ser conhecida em escala global e foi identificado o primeiro caso ocorrido no Brasil. Contudo, apesar dos enormes recursos investidos em pesquisas, não existe ainda vacina ou cura definitiva para ela, o que torna indispensável sua prevenção por meio de cuidados pessoais, como se procura acentuar no Dia Mundial de Luta contra a Aids. Sem dúvida, a compreensão da doença avançou bastante nesse período. Descrita pela primeira vez em 1981, ainda sem o nome atual, ela foi logo cercada pelo medo e pelo preconceito, e teve sua expansão facilitada pela falta de informação. Hoje se sabe que transparência é um passo significativo para preveni-la, e que não existem grupos de risco, mas comportamentos de risco. Da mesma forma, se há alguns anos o diagnóstico da presença do vírus HIV equivalia quase a uma sentença de **

2 2 morte, hoje a doença pode ser considerada crônica: a pessoa infectada tem condições de viver por um longo período sem apresentar nenhum sintoma, e há tratamentos cada vez mais eficazes para prolongar e dar maior qualidade à sobrevida do paciente. Não devemos confundir tais progressos, porém, com a possibilidade de acomodação ou desleixo em relação a esse mal e aos cuidados para evitar o contágio. A vacina contra a Aids ainda demorará muitos anos, avisou, há dias, o cientista francês Luc Montagnier, um dos descobridores do vírus HIV. A pandemia da Aids permanecerá uma catástrofe global e se intensificará rapidamente em novas regiões, a não ser que líderes mundiais [...] se comprometam com objetivos claros para dominar a doença até 2015, alertou um ** documento das Nações Unidas.

3 3 Se essas advertências podem parecer alarmistas, infelizmente os números estão aí para comprová-las. É o que mostra o Boletim Epidemiológico Mundial de Aids 2005, divulgado no dia 21 de novembro. Esse trabalho indica que a soma de pessoas vivendo com o vírus atingiu seu nível mais elevado, 40,3 milhões no mundo todo, e que mais de 3 milhões morreram de doenças relacionadas com a Aids em 2005, sendo pelo menos 500 mil crianças. Por isso, embora reconhecendo as melhorias alcançadas em termos de tratamento e as evidências de que as taxas de infecção caíram em alguns países, as Nações Unidas afirmam que um rápido aumento na escala e no alcance dos programas de prevenção é uma necessidade urgente. **

4 4 No Brasil, cujo trabalho de combate à doença é destacado pelo Boletim Mundial, os números apontam uma tendência de estabilidade, mas não de controle. Desde a identificação do primeiro caso, ocorrido em 1980, até junho de 2004, foram notificados 360 mil; porém uma pesquisa nacional, realizada no ano passado, estimou que em nosso País vivem com HIV e Aids cerca de 600 mil pessoas na faixa de idade entre 15 e 49 anos. Conforme dados do Ministério da Saúde, de 1980 até dezembro de 2003 foram registradas 170 mil mortes pela doença. Com a introdução da política de acesso universal ao tratamento, houve queda na mortalidade, que desde 2000 está em torno de 6,3 óbitos por 100 mil habitantes. Fica evidente que, se alguns números representam um alento, de qualquer modo o problema continua muito grave, ** causando grande preocupação. Por isso, desde 1988, o

5 5 Brasil participa do Dia Mundial de Luta contra a Aids, assinalado em 1º de dezembro, buscando difundir conhecimentos sobre essa enfermidade e estimular os cuidados para impedir o contágio. Este ano, o tema central é Aids e racismo, escolhido a partir da constatação de que, embora representando 47,3% da população brasileira, os negros nunca foram alvo de campanhas específicas. Além disso, eles compõem 65% da população de baixa renda, justamente aquela em que o número de casos ainda apresenta tendência de crescimento. Parece oportuno, portanto, o slogan Aids e racismo. O Brasil tem que viver sem preconceitos, e seria ótimo se fosse compreendido e aceito por todos em seu amplo significado. Para concluir, Senhor Presidente, saliento que o Dia Mundial de Luta contra a Aids é um momento muito ** importante, porque coloca o assunto em debate. Não temos

6 ** 6 como erradicar a doença em curto prazo, mas temos como enfrentá-la e reduzir paulatinamente sua incidência. Isso exige, entretanto, um esforço conjunto, com a sociedade devidamente conscientizada, o governo garantindo os recursos e executando as ações necessárias, e a ciência aprofundando as pesquisas. Sem preconceito, e com muita solidariedade, vamos todos combater a Aids! Muito obrigado. ArquivoTempV.doc

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