INFLUÊNCIA DA HIPOCONVERGÊNCIA OCULAR NA POSTURA CRANIOCERVICAL E NO RECRUTAMENTO DOS FLEXORES PROFUNDOS CERVICAIS EM INDIVÍDUOS ASSINTOMÁTICOS

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1 INFLUÊNCIA DA HIPOCONVERGÊNCIA OCULAR NA POSTURA CRANIOCERVICAL E NO RECRUTAMENTO DOS FLEXORES PROFUNDOS CERVICAIS EM INDIVÍDUOS ASSINTOMÁTICOS Bruno Meloni de Moraes, Fisioterapeuta, Graduado pelo Centro Universitário Serra dos Órgãos - UNIFESO, Teresópolis, RJ, Brasil. Charles Cunha, Fisioterapeuta, Graduado pelo Centro Universitário Serra dos Órgãos - UNIFESO, Teresópolis, RJ, Brasil. Alba Barros Souza Fernandes, Fisioterapeuta Doutora, Docente do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário Serra dos Órgãos - UNIFESO, Teresópolis, RJ, Brasil. Glória Maria Moraes Vianna da Rosa, Fisioterapeuta Mestre, Docente do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário Serra dos Órgãos - UNIFESO, Teresópolis, RJ, Brasil. INTRODUÇÃO A postura pode ser entendida como a posição do corpo ou de uma parte dele ou, ainda, o modo de mantê-lo ou de compor movimentos. Uma postura inadequada pode levar à dor e à alteração funcional de vários sistemas (BIGATON et al., 2010). Vários são os músculos responsáveis pela manutenção da postura e dos movimentos da região cervical. Músculos profundos têm morfologia e composição apropriada para a estabilidade segmentar. Esses músculos estão devidamente posicionados para manter e controlar a lordose da região craniocervical e realizar os pequenos movimentos da cabeça sobre o pescoço necessários para as atividades diárias (JULL et al., 2008). Inúmeros trabalhos em neurociência mostram a importância do captor ocular no equilíbrio tônico dos músculos que controlam a postura corporal (BRICOT, 2010). A visão é uma fonte de captação de informação, influenciando no posicionamento da cabeça e no equilíbrio muscular. Um desequilíbrio tônico dos músculos extraoculares pode perturbar o equilíbrio dos músculos craniocervicais para manter a horizontalidade do olhar (LOPES et al., 2010). As insuficiências de convergência não se corrigem sozinhas; as mesmas provocam uma nova integração do esquema corporal que funcionará com a insuficiência e o desequilíbrio postural que o acompanha, desencadeando uma instabilidade no sistema tônico postural e tendo como resultado solicitações anormais que a curto ou longo prazo podem favorecer ao aparecimento de dores, enrijecimentos e contraturas (BRICOT, 2010). IV Jornada de Iniciação Científica do UNIFESO 171

2 OBJETIVOS OBJETIVO GERAL Analisar se o trabalho da convergência ocular alterará a postura craniocervical e o recrutamento dos músculos flexores profundos da região cervical de indivíduos assintomáticos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Realizar um levantamento bibliográfico sobre os estudos que abordam a provável influência da hipoconvergência ocular na postura craniocervical e no desempenho dos estabilizadores locais; Avaliar o desempenho dos músculos flexores profundos da região cervical de indivíduos assintomáticos antes e após o treinamento da convergência ocular; Avaliar a postura craniocervical de indivíduos assintomáticos antes e após o treinamento da convergência ocular. METODOLOGIA Foi realizado um estudo transversal, comparativo entre dois grupos de voluntários assintomáticos distribuídos aleatoriamente em G1 (grupo controle) e G2 (grupo tratamento). Todos os voluntários depois de esclarecidas as possíveis dúvidas que por ventura houvessem, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. No presente estudo, foram avaliados 31 indivíduos, porém doze foram excluídos do trabalho por apresentarem algum dos critérios de exclusão, permanecendo, 19 indivíduos portadores de hipoconvergência do olho não dominante, que foram alocados por sorteio no grupo controle (G1) ou no grupo tratamento (G2). Porém, nove destes participantes desistiram do estudo de forma que o G1 foi composto por três mulheres e um homem (média de idade 19,25 ± 1,5 anos) e o G2 por duas mulheres e quatro homens (média de idade 25,5 ± 6,47 anos). A análise postural foi realizada através da biofotogrametria, utilizando o programa ALCimagem. Foram coletadas duas fotos de cada indivíduo de ambos os grupos, sendo uma na primeira avaliação e a segunda trinta dias após do tratamento proposto, ambas com os participantesem posição ortostática e em perfil. Em cada uma das imagens, foram avaliados dois ângulos por um examinador cego. Os ângulos calculados foram A1, que mensura a anteriorização da cabeça através das marcações no processo espinhoso da última vertebra cervical, incisura jugular e mento; quanto maior o valor do ângulo, mais anteriorizada é a cabeça; e ângulo A2, através das marcações na protuberância occipital, processo espinhoso da quarta vértebra cervical e processo espinhoso da sétima vértebra cervical, para mensurar a lordose cervical em perfil; quanto menor o valor do ângulo, maior a lordose cervical. IV Jornada de Iniciação Científica do UNIFESO 172

3 O projeto de pesquisa foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa do UNIFESO, via Plataforma Brasil, em consonância com as Resoluões 196/96 e 466/12, sendo aprovado no dia 22/10/2013, sob o parecer de número Os critérios de inclusão foram voluntários de ambos os sexos, com idade acima de 18 anos, assintomáticos, com hipoconvergência do olho não dominante, e foram excluídos aqueles que não apresentaram arco de movimento craniocervical passivo preservado. Segundo Jull (2008)isso é essencial para o sucesso da análise do desempenho dos músculos flexores profundos da região craniocervical, pois deve ocorrer apenas o movimento da cervical alta. Além disso, ao avaliar a amplitude de movimento craniocervical do paciente, o mesmo se familiariza com o movimento do teste e permite ao avaliador obter uma apreciação da variedade de flexão craniocervical do paciente como uma linha de base para a análise do movimento no teste formal, os que apresentaram dores cervicais, doenças degenerativas ou doenças neurológicas, estrabismo, histórico de cirurgia ocular ou cirurgia na região cervical, deficiência visual, qualquer um que tenha relatado trauma ou dor cervical num período de seis meses e participantes que estavam se submetendo a qualquer atividade que promova correção postural, como Reeducação Postural Global (RPG), Pilates, entre outras. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO Para o exame objetivo, foram realizados diferentes procedimentos, todos realizados por um avaliador cego devidamente treinado para o estudo: 1) Análise postural através da biofotogrametria, que permite realizar a avaliação postural e quantificar as alterações encontradas. A fotogrametria, que é a aplicação da fotografia à métrica, consiste em um método de medida angular das assimetrias corporais, utilizando os princípios fotogramétricos a partir de imagens fotográficas corporais. Os dados fotográficos foram analisados em um computador através do programa Aplicativo ALCimagem-2000 Manipulando Imagens, versão 1,5 (LUNES, 2004). 2) Teste de convergência ocular: trata-se de um teste elementar de triagem; é um teste global, que analisa os três parâmetros da visão binocular: convergência tônica, convergência fusional e convergência acomodativa. Para o desenvolvimento do teste, a ponta de uma caneta é aproximada lentamente no plano dos olhos até a raiz do nariz (BRICOT, 2010). 3) Teste do olho dominante: sujeito com braços estendidos à frente do corpo, segura um cartão com um furo redondo central com diâmetro de aproximadamente 2,5 cm. Ele fixa um ponto na parede e aproxima o cartão do rosto sem perder o alvo dos olhos. O orifício se encontrará desta forma sobre o olho dominante (BRICOT, 2010). IV Jornada de Iniciação Científica do UNIFESO 173

4 4) Teste passivo para análise da preservação do arco de movimento fisiológico flexor da região craniocervical: Com o participante deitado em decúbito dorsal, o avaliador testou passivamente a flexão da região craniocervical (MAGEE, 2010). 5) Análise do desempenho dos músculos flexores profundos da região craniocervical: O participante foi posicionado em decúbito dorsal, em arqueamento, de modo que a testa e o mento ficassem paralelos ao leito (horizontal), colocando as regiões craniocervical e cervical na posição neutra. A cabeça foi sustentada por uma toalha dobrada e um sensor inflável de pressão foi posicionado atrás do pescoço e abaixo do occipício, e inflado a 20 mmhg. O participante foi solicitado a mover o mento lentamente em direção ao esterno a cada 2 mmhg até 30 mmhg, mantendo por 10 segundos em cada um desses níveis e repetindo 10 vezes esse procedimento. Quando o voluntario falhou no tempo ou no número de repetições o avaliador interrompeu o teste e anotou, em local seguro, o resultado, para confrontá-lo posteriormente com o resultado do teste que foi realizado após o término do estudo (JULL; OLEARY; FALLA, 2008; MAGEE, 2010). Os participantes dos grupos G1 e G2, após receberem o devido treinamento, foram orientados a realizarem, em casa, exercícios com os olhos, uma vez por dia, durante o período de um mês. Além dos exercícios, os participantes do G1 usaram uma miçanga na região lateral do olho hipoconvergente (placebo); já os participantes do G2 usaram um magneto na região lateral do olho hipoconvergente. Seu objetivo foi agir, por estimulação magnética, no músculo reto lateral do globo ocular do olho hipoconvergente para obter um relaxamento muscular. Tanto a miçanga quanto o magneto foram mantidos com a ajuda de um pequeno pedaço de esparadrapo (BRICOT, 2010). ANÁLISE DE DADOS A análise estatística dos resultados obtidos foi feita através de estatística descritiva, com média e desvio padrão e o valor de p < 0,05 foi considerado significativo. A normalidade dos dados foi verificada através do Teste de Normalidade Kolmogorov-Smirnov e os dados obtidos antes e após o tratamento em ambos os grupos foram comparados pelo Test T Student. RESULTADOS Cada um dos ângulos foi medido três vezes e foi calculada uma média, a fim de minimizar os erros de análise e medição. Observou-se que não houve alteração significativa tanto na postura craniocervical quanto na anteriorização da cabeça em ambos os grupos. A correlação entre os dados no grupo G2 foi realizada através da correlação de Pearson. Observouse uma correlação negativa entre a força dos flexores profundos e o A1 (r=-0,859; p=0,0286), indicando que quanto maior a força menor o ângulo e, portanto, menor a IV Jornada de Iniciação Científica do UNIFESO 174

5 anteriorização de cabeça. Entretanto, o presente estudo não mostrou uma melhora na anteriorização de cabeça com o tratamento proposto. Verificou-se, no grupo G2, um aumento significativo na força dos músculos flexores profundos cervicais após a realização do tratamento proposto (p = 0,021 * ). Entretanto, no grupo controle (G1), não foi observado diferença estatística após o tratamento proposto (p = 0,230), indicando que apenas o primeiro tratamento foi eficaz. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo observou que trabalhar a hipoconvergência ocular melhora o recrutamento dos músculos flexores profundos cervicais de indivíduos assintomáticos, mas com algum problema de hipoconvergência ocular. O fato da diminuição de força da musculatura flexora profunda cervical contribuir para o desenvolvimento de dor no pescoço, permite sugerir um trabalho preventivo para a região cervical naqueles indivíduos com hipoconvergência ocular sem dor no pescoço. O ineditismo deste estudo, associado ao número reduzido da amostra foram alguns dos fatores limitadores deste trabalho. Por isso, mais trabalhos devem ser desenvolvidos para melhor elucidar este tema tão relevante para atuar na prevenção dos distúrbios craniocervicais relacionados ao controle oculomotor e mesmo o seu tratamento. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIGATON, Delaine Rodrigues et al. Postura crânio-cervical em mulheres disfônicas. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, São Paulo, n., p , Trimestralment BRICOT, Bernard. Posturologia Clínica. São Paulo: Cies Brasil, p. JULL, Gwendolen A.; O'LEARY, Shaun P.; FALLA, Deborah L..CLINICAL ASSESSMENT OF THE DEEP CERVICAL FLEXOR MUSCLES: THE CRANIOCERVICAL FLEXION TEST. Journal Of Manipulative And Physiological Therapeutics. Arlington, p set JULL, Gwendolenet al. Whiplash, Headache, and Neck Pain.Philadelphia: Elsevier, p. LOPES, Attilio. Anatomia: Cabeça e Pescoço. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, LUNES, D. H.; Análise da confiabilidade Inter e Intra-Examinador na Avaliação Postural pela Fotogrametria Computadorizada f. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, MAGEE, David J..Avaliação Musculoesquelética. 5. ed. Barueri: Manole, p. OCULOMOTRICIDADE E SEUS FUNDAMENTOS. Ribeirão Preto, Sp: Arquivo Brasileiro de Oftalmologia, IV Jornada de Iniciação Científica do UNIFESO 175

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