Estudo comparativo entre duas täcnicas de avaliaåço da amplitude de movimento

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1 1 Estudo comparativo entre duas täcnicas de avaliaåço da amplitude de movimento Joyce Ribeiro Caetano 1 Orientador: Ademir Schmidt ** Resumo Trata-se de uma revisåo de literatura feita por um grupo de estudantes do curso de educaçåo fésica, sobre tñcnicas de avaliaçåo da amplitude articular do movimento. Foram analisados alguns artigos cientéficos que falam sobre a goniometria e a fleximetria em casos de avaliaçåo da amplitude de movimento de diversas articulaçöes, dentre elas o ombro, cotovelo, quadril e joelho acerca da flexibilidade, com o objetivo de verificar a confiabilidade dessas medidas, bem como, verificar as diferenças encontradas. Concluiu-se que ambos såo de confiabilidade elevada, porñm, sendo o goniümetro mais confiável e que nenhuma medida realizada com o goniümetro Ñ igual as medidas realizadas com o flexémetro, sendo assim, um nåo pode ser utilizado em substituiçåo do outro. Palavras chaves: Amplitude articular, avaliaçåo, fleximetria, goniometria. 1 INTRODUÉÑO A flexibilidade Ñ tåo inerente ao ser humano quanto ao pràprio movimento. Todos os meios de expressåo humana se dåo atravñs de movimentaçåo. A flexibilidade Ñ a capacidade motora responsável pela execuçåo voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulaçåo ou conjunto de articulaçöes, dentro dos limites morfolàgicos, sem o risco de provocar lesöes. A flexibilidade Ñ certamente a capacidade motora utilizada pelo maior nâmero de desportistas (DANTAS, 2003; PLATONOV, 2003; PITANGA, 2004). Ela Ñ importante tanto para um atleta como para um sedentário. Uma vez que a amplitude articular de determinada articulaçåo esteja comprometida, alguma limitaçåo se manifestará e poderá comprometer o desempenho esportivo, laboral ou de atividades diárias. A medida da mobilidade das articulaçöes apresenta influäncia direta sobre a amplitude dos movimentos (SILVA, 2010). A goniometria Ñ definida pela medida dos ãngulos, particularmente os que såo formados por articulaçöes e o instrumento de medida utilizado Ñ o goniümetro. å um 1 Discentes do Curso de EducaÇÅo FÉsica da Universidade Salgado de Oliveira. ** Docente do curso de EducaÇÅo FÉsica da Universidade Salgado de Oliveira.

2 2 mñtodo simples, de baixo custo e nåo invasivo para quantificar a amplitude de movimento (CIRIBELLI, MENDONçA e FERREIRA, 2005). Já o FlexÉmetro Ñ um aparelho que foi criado para medir a flexibilidade e na maioria das vezes Ñ utilizado para medir tambñm a amplitude de movimento (LUSTOSA, BRITO, CORDEITO ET AL, 2008). Dessa forma será feita a comparaçåo das duas tñcnicas com o objetivo de analisar a confiabilidade e aplicabilidade dos instrumentos utilizados, verificando se os resultados såo satisfatàrios e precisos nos casos de flexåo e extensåo das articulaçöes do ombro, cotovelo, quadril e joelho. 2 METODOLOGIA Este artigo se baseou numa revisåo de literatura, sendo caracterizado, como teàrico-conceitual. Foram analisados alguns artigos cientéficos que falam sobre a goniometria e a fleximetria em casos de avaliaçåo da amplitude de movimento de diversas articulaçöes, dentre elas o ombro, cotovelo, quadril e joelho a cerca da flexibilidade. Baseando nas informaçöes coletadas nos mesmos foi feito um comparativo das duas tñcnicas a fim de verificar qual nos traz maior confiabilidade. 3 REFERENCIAL TEÖRICO Segundo Queiroga (2005) apud Schmidt (2011); avaliar a flexibilidade tem por finalidade estabelecer a amplitude existente e compará-la a valores de referäncia, comparar a simetria entre membros direito e esquerdo, reavaliar o estado do aluno apàs um programa de exercécios e compará-lo é avaliaçåo inicial e fornecer informaçöes para decisöes relacionadas é prescriçåo de exercécios de alongamento ou de fortalecimento para grupos mâsculo-articulares desequilibrados. SÅo várias as tñcnicas utilizadas para a avaliaçåo da flexibilidade, sendo essas diretas e indiretas. As diretas såo sempre mais precisas, porñm requerem um custo muitas vezes elevado. Neste estudo será abordado sobre o goniümetro e o flexémetro, que såo instrumentos de certa forma baratos, podendo ser de metal ou plástico, utilizados para a coleta de dados da amplitude mâsculo-articular. De uma forma geral esses instrumentos tem como finalidade dar os resultados em graus das articulaçöes do corpo humano. Neste caso trata-se de um estudo que

3 3 compara suas confiabilidades em relaçåo a estudos realizados quanto aos movimentos de flexåo e extensåo das articulaçöes do ombro, cotovelo, quadril e joelho. Segundo Lustosa, Brito, Cordeiro et al (2008), para que haja uma boa confiabilidade das medidas, a padronizaçåo das tñcnicas de mensuraçåo, assim como dos mñtodos de registro utilizados em uma avaliaçåo, torna-se essencial para documentar progressos dos pacientes e propiciar evidäncias clénicas. Um dos mñtodos mais utilizados atualmente Ñ a goniometria, que utiliza um aparelho chamado goniümetro que mede em ãngulos os movimentos articulares do corpo (Lustosa, Brito, Cordeiro et al, 2008 apud Marques, 1997). Outro mñtodo conhecido, mas nåo muito utilizado Ñ a fleximetria. A fleximetria utiliza o flexémetro, que Ñ um aparelho gravitacional utilizado para avaliar a flexibilidade (Lustosa, Brito, Cordeiro et al, 2008 apud Abdallah,1997). Segundo Dantas (2004), existem algumas normas para aplicaçåo do teste de goniometria, tais como: fazer a mediçåo sempre na mesma hora do dia, o avaliado nåo pode ter praticado atividade pelo menos uma hora antes da aferiçåo e deve manter-se clamo durante todo o procedimento, cada movimento deve ser conduzido sem o auxilio ou resistäncia do avaliado atñ o limite que precede a dor. Seguem os movimentos executados e precauçöes tomadas durante a avaliaçåo de flexåo e extensåo das articulaçöes do ombro, cotovelo, quadril e joelho. Segundo Kisner e Colby (2005): Ombro FlexÇo O movimento ocorre na articulaçåo glenoumeral no plano sagital, sendo acompanhado por movimentos nas articulaçöes esternoclavicular, acromioclavicular e escapulotorácica. Segurar o braço do avaliado sob o cotovelo com sua måo inferior, cruzar por cima sua måo superior e segurar o punho e a palma da måo do paciente, erguer o braço por meio da amplitude de movimento disponével e retornar. Evitar a hiperextensåo da coluna lombar; evitar a abduçåo do ombro e a elevaçåo da escápula; permitir que a amplitude de movimento da articulaçåo do ombro ocorra em aproximadamente 90è de flexåo do ombro; permitir que o movimento escapular e da articulaçåo clavicular ocorra em aproximadamente 30è de flexåo do ombro e manter a articulaçåo do cotovelo em extensåo.

4 4 ExtensÇo O movimento representa o retorno da flexåo e ocorre no plano sagital. A extensåo alñm de zero Ñ possével se o ombro do avaliado estiver na beira da maca quando em decâbito dorsal ou se o avaliado posicionar-se em decâbito lateral, ventral ou sentado. Evitar a flexåo do tronco ou elevaçåo da escápula; evitar a abduçåo da articulaçåo do ombro e evitar a aduçåo escapular. Cotovelo FlexÇo e extensço å uma articulaçåo em dobradiça uniaxial. O movimento teste ocorre no plano sagital. O movimento de extensåo Ñ considerado o retorno da flexåo. O posicionamento das måos Ñ o mesmo usado para a flexåo de ombro, exceto que o movimento ocorre no cotovelo assim que esse Ñ flexionado e estendido. Evitar a flexåo da articulaçåo do ombro e observar a posiçåo do antebraço se nåo estiver na posiçåo anatümica. Quadril e Joelho FlexÇo Ocorre no plano sagital entre a cabeça do fämur e o acetábulo do iléaco. Apoiar e erguer a perna do avaliado com a palma e os dedos da måo superior colocados sob o joelho dele e a måo inferior sob o calcanhar, é medida que o joelho flexiona em toda sua amplitude, deslocar os dedos para o lado da coxa. Para obter amplitude completa de flexåo do quadril, o joelho tambñm precisa estar flexionado para liberar a tensåo no grupo muscular dos posteriores da coxa e para obter amplitude completa de flexåo do joelho o quadril precisa estar flexionado para liberar a tensåo no mâsculo reto femoral. Manter o membro oposto plano sobre a mesa para controlar a inclinaçåo pñlvica posterior e evitar a movimentaçåo lombossacra. ExtensÇo Ocorre no plano sagital. å preciso usar decâbito ventral ou lateral se o paciente apresentar mobilidade normal ou quase normal. Se o avaliado estiver em decâbito ventral, erguer a coxa com a måo inferior posicionada sob o joelho

5 5 dele; se necessário, dar suporte ao membro inferior com o braço/måo distal e estabilizar a pelve com a måo ou o braço superior. Se estiver em decâbito lateral, trazer a måo inferior por baixo da coxa e posicionando-a na superfécie anterior. Para a total amplitude de extensåo do quadril, nåo flexionar o joelho na amplitude completa ou o reto femoral, que Ñ biarticular; isso irá restringir a amplitude. O avaliado deverá se mantiver plano sobre a mesa para se ter certeza de que o movimento irá ocorrer nas articulaçöes do quadril e nåo nas vñrtebras lombares e evitar a inclinaçåo pñlvica anterior. Segundo Schmidt (2011), o flexémetro Ñ um instrumento de baixo custo, de fácil aplicaçåo e que avalia a amplitude de movimento de 9 articulaçöes e 32 açöes articulares, dentre elas: ombro, cotovelo, quadril e joelho. Para que o teste seja realizado o flexémetro deve ser posicionado na articulaçåo avaliada e fixado com um velcro, o que nåo compromete a amplitude do movimento. Seu ponteiro màvel deve iniciar na posiçåo neutra (0ê voltado para cima) e deve estar paralelo é articulaçåo avaliada. Apàs o movimento executado pelo avaliado, ele deve manter-se estático atñ a leitura do avaliador. Como precauçåo deve-se observar se o avaliado está posicionado corretamente e se outros grupos mâsculo articulares nåo eståo se movimentando para compensar a falta de amplitude do movimento testado. Visto que se trata de tñcnicas bem fundamentadas, artigos cientéficos foram analisados em busca de dados estatésticos que comprovem a confiabilidade dos mesmos. 4 RESULTADOS E DISCUSSÑO O presente estudo foi realizado para verificar a confiabilidade das medidas da goniometria e fleximetria obtidas atravñs dos diversos artigos estudados, tratando a correlaçåo entre essas medidas, bem como verificar as diferenças encontradas. Foram verificados néveis diversos de confiabilidade tanto do goniümetro quanto do flexémetro, desde pobre, a moderada e elevada sendo na maioria das vezes excelente. Levando-se em consideraçåo o fato do examinador possuir menor ou maior habilidade com o instrumento utilizado, familiarizaçåo efetiva com relaçåo ao procedimento a ser realizado, o treinamento prñvio e/ou re-treinamento dos

6 6 examinadores, poderia contribuir para elevar os néveis de confiabilidade da goniometria e diminuir a margem de erro. De uma forma geral, os artigos resultados demonstraram concordãncia na confiabilidade das medidas do goniümetro e do flexémetro. PorÑm em um deles, a conclusåo foi que o goniümetro mostrou ser mais confiável e mais fidedigno. Havendo justificativa atravñs do fato do goniümetro ser mais preciso e mais fácil de ser manipulado tecnicamente. No entanto, nåo pode-se afirmar que o flexémetro seja mais confiável que o goniümetro e mesmo apresentando boa confiabilidade, ambos quando comparados, demonstraram diferenças nas suas mensuraçöes. Sendo assim, nåo Ñ possével afirmar, diante dos resultados encontrados que os dois instrumentos realizam as mesmas medidas. Dessa forma, nåo pode ser usado um instrumento em substituiçåo do outro na prática fésica. 5 CONSIDERAÉáES FINAIS Neste estudo, foi encontrada uma correlaçåo pouco significativa entre as medidas de flexåo, extensåo das duas tñcnicas. Em todos os artigos estudados, houve uma demonstraçåo de boa confiabilidade nos dois instrumentos utilizados (goniümetro e flexémetro), porñm todos concordam com o fato de que o goniümetro Ñ mais confiável, levando em consideraçåo todos os fatores de avaliaçåo envolvidos concluindo que a goniometria, atñ o momento, Ñ a melhor tñcnica de avaliaçåo das diferenças discretas entre as medidas. Nenhuma medida realizada com o goniümetro Ñ igual as medidas realizadas com o flexémetro, sendo assim, um nåo pode ser utilizado em substituiçåo do outro. REFERàNCIAS CHAVES, T.C.; NAGAMINE, H.M.; BELLI J. F. C.; ET AL. Confiabilidade da fleximetria e goniometria na avaliaçåo da amplitude de movimento cervical em crianças. Rev Bras Fisioter, SÅo Carlos, v. 12, n. 4, p , jul./ago CIRIBELLI, I. R.; PAULA, J. E. A; MENDONçA, S. P. A; ET AL. Confiabilidade da medida goniomñtrica do ãngulo de extensåo do joelho. I SEMANA CIENTÄFICA FASEH, 2005.

7 7 DANTAS, E. H. M. A PrÇtica da PreparaÉÑo FÖsica. 4ë Ed. Rio de Janeiro: Shape,2003. AdaptaÉÑo, ValidaÉÑo e Estabelecimento de ParÜmetros de Normalidade para a PopulaÉÑo Adulta Brasileira de um Protocolo de Goniometria, Rio de janeiro, KISNER, C.; COLBY, L. A. ExercÖcios terapáuticos: fundamentos e tàcnicas. Barueri, SP: Manole, LUSTOSA, L. P., SILVA, C. W. A., BRITO, J. P., ET AL. Goniometria e Fleximetria: um estudo de confiabilidade e comparaçåo das medidas nas articulaçöes do cotovelo e joelho. E-scientia, v.1, n.1, Nov/ NOLASCO, C. S., REIS, F. A., FIGUEIREDO, A. M., ET AL. Confiabilidade e aplicabilidade de dois mñtodos de avaliaçåo da amplitude de movimento de dorsiflexåo do tornozelo. ConScientiae Saâde; v. 10, n. 1, p: 83-92, PITANGA, F. J. G. Testes, Medidas e AvaliaÉÑo em EducaÉÑo FÖsica - 3 ed. - SÅo Paulo: Phorte, PLATONOV, V. N. A preparaéño fösica. Rio de Janeiro: Sprint, SCHMIDT, A. Caderno de estudos de cineantropometria. Universidade Salgado de Oliveira, EducaÇÅo FÉsica, SILVA, L. A. Análise da flexåo e extensåo de punho e flexåo de cotovelo em um universitário. EFeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, ano 15, nê 150, Nov/2010. Acedido em: 09/05/11 és 15:22h. SIMíO, M., BARCELOS, R., FARIA, M. F., ET AL. Manual para elaboraéño de trabalhos acadámicos/ Universidade Salgado de Oliveira, Prä-Reitoria de PäsgraduaÉÑo e Pesquisa. Niterài, 2005.

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