UMC Cotas em desenho técnico (Módulo 2) Componentes gráficos de uma cota: Linha de cota Linha de chamada Setas de cota

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1 1 UMC Engenharia Mecânica Expressão Gráfica 2 Prof.: Jorge Luis Bazan. Desenho Básico Cotas em desenho técnico (Módulo 2) Em desenho técnico damos o nome de cota ao conjunto de elementos gráficos introduzidos no desenho para expressar o valor de um comprimento ou ângulo; a cota linear expressa a distância entre dois pontos, duas linhas ou dois planos, ou entre alguma combinação desses elementos. No caso de cota angular, dá-se a conhecer o ângulo de abertura (medido em graus) entre duas linhas, duas arestas ou duas faces da figura. No desenho seguinte podemos ver as cotas necessárias para definir a forma e o tamanho de uma figura simples: Cada cota expressa um comprimento ou ângulo e todas as cotas, em conjunto, definem completamente a forma gráfica de um objeto com todas as suas dimensões. Uma cota é composta por vários elementos gráficos: linhas, textos, setas e símbolos. Conhecer as regras e técnicas com que estes elementos devem ser introduzidos no desenho é importante para que a representação das cotas seja clara e para que os desenhos mantenham uniformidade e coerência. Componentes gráficos de uma cota: Os elementos gráficos básicos que compõem uma cota estão indicados na figura seguinte: Linha de cota: é uma linha contínua, de espessura fina, paralela à dimensão cotada, que suporta o texto de cota e as setas. A linha de cota fica sempre afastada do desenho de modo a não comprimir o texto de cota e a facilitar a leitura e interpretação do mesmo. Nas cotas angulares a linha de cota é desenhada em arco, como pode ser visto na figura acima. Linha de chamada (linhas auxiliares, ou também linhas de extensão): são linhas contínuas finas, que partem do objeto a ser cotado e se estendem um pouco além das setas de cota. Nas cotas lineares, as linhas de chamadas são sempre paralelas, não encostam no objeto desenhado (ficam afastadas em ±2mm) e vão além das setas de cota (aproximadamente 2mm), ver desenho acima. Em casos particulares pode ser conveniente que estas linhas de chamadas sejam desenhadas obliquamente e, de preferência, a 60 ou 75. Nas cotas angulares a linhas de chamada serão sempre colineares com as arestas cotadas. Setas de cota: são setas desenhadas (a mão livre) em ambos extremos das linhas de cota e encostando nas linhas de chamadas para mostrar a extensão do comprimento cotado. As setas têm forma de triângulo preenchido de preto com as proporções mostradas abaixo: 1

2 2 Texto de cota: é o texto que expressa o valor numérico da distância cotada. O texto de cota é posicionado sobre a linha de cota, mas pode também ser desenhado centralizado, interrompendo esta linha, ver figura acima. Em desenho técnico, o texto de cota pode estar acompanhado de símbolos convencionados para esclarecer ou ampliar a informação numérica (por exemplo.: R.25 (raio 25); 34 (diâmetro 34), 20 (seção quadrada 20mm de lado)... Observação: No caso de representações em escala, o texto de cota expressa a distância que corresponde ao objeto real, nunca as dimensões ampliadas ou reduzidas do desenho em escala. Observação: A unidade de medida padrão para os desenhos, segundo a norma ABNT, é o milímetro, portanto não há necessidade de incluir a unidade junto ao texto de cota. Se uma unidade diferente do milímetro for necessária, isto deve ficar bem esclarecido dentro do desenho. Tipos de cotas: Vários tipos de cotas são usados nos desenhos, a figura seguinte mostra os tipos principais e suas aplicações: Orientação e posicionamento das cotas no desenho: Para facilitar a leitura e interpretação dos desenhos, as cotas devem ser orientadas de forma que os textos possam ser lidos desde baixo e da direita da folha de desenho, mesmo nos casos em que as vistas representadas sejam giradas dentro do desenho. 2

3 3 O tipo de desenho (de construção, de detalhamento, de leiaute,...) e sua finalidade determina quais cotas deverão ser incluídas na representação. Para desenho de construção, por exemplo, todas as cotas que definem a forma e o tamanho dos objetos devem ser incluídas e há de se ter extremo cuidado para que as cotas não causem ambigüidades na interpretação. A disposição das cotas no desenho pode facilitar a interpretação ou tornar o desenho confuso, por isso, além de selecionar quais cotas serão incluídas no desenho é muito importante determinar a melhor disposição destas cotas dentro da representação. É bom sempre levar em conta as seguintes recomendações: Evitar cotas repetidas cote apenas uma vez cada grandeza. Evitar cotas que se atravessam, se isto for possível. Ver exemplos na figura abaixo. Usar traços finos para as linhas de cotas em contraste com os traços mais grossos das linhas de contorno usado nas figuras, isto facilita em muito a leitura do desenho. Evitar (tanto quanto possível) cotas dentro das figuras ou vistas. Evitar cotas com textos comprimidos contra as figuras ou contra outras cotas. Para obter um desenho esteticamente agradável, usar afastamento uniforme entre linhas de cotas, sem comprimir os textos. Evitar cotas muito afastadas do desenho, pois elas dificultam a leitura. Pense sempre que a disposição das cotas nunca deve dar lugar a ambigüidades ou interpretações erradas. Quem for ler o desenho não deve ficar com dúvidas a respeito de aquilo que o desenhista deseja expressar. A inclusão das cotas no desenho deve anular a necessidade de medir dimensões diretamente do papel. Evitar cotas supérfluas, aquelas medidas que são decorrentes de outras não precisam ser incluídas nos desenhos. 3

4 4 Cotas radiais e diametrais Os arcos de circunferência serão cotados indicando o valor de seus raios, a posição do centro será evidenciada, quando for necessário, pela indicação dos eixos de simetria que passam por ele (marcação de centro). A linha de cota radial deve sempre passar pelo ponto centro da curva. Forma esférica pode ser cotada como mostrado ao lado, com o símbolo antes do texto cota. Quando o ponto centro da curva não possa ser representado dentro do desenho, uma indicação especial de cota radial é permitida: Cotas diametrais expressam o valor do diâmetro das circunferências desenhadas. Se as circunferências não aparecem completas no desenho cotam-se os raios, não os diâmetros. A linha de cota diametral deve passar também pelo centro da circunferência. 4

5 Quando a forma circular fique evidente, a indicação de diâmetro usando o caractere pode ser omitida. 5 Quando corpos cilíndricos são representados em vistas ortogonais e a forma cilíndrica (seção redonda) não fica aparente em todas as vistas, é usado o caractere para indicar que a seção é redonda (diâmetro). O mesmo acontece no caso de prismas retos de seção quadrada, para indicar a forma da seção é usado o símbolo mostrado abaixo: Uso de linhas de centro: Linhas de centro são usadas para indicar a existência de simetria total ou parcial numa figura ou objeto. Para dar a posição do centro das curvas ou círculos são usados eixos de simetria na horizontal e vertical cruzando-se no ponto central. A linha de centro é desenhada com traços, espaços e pontos repetidos indefinidamente sobre uma reta suporte. Linhas de centro são desenhadas com traços finos. A proporção dos traços e pontos depende das dimensões dos objetos e da condição estética desejada para a representação. Linhas de centro (eixos de simetria) são sempre desenhadas ultrapassando levemente o contorno das figuras. Linhas de centro podem ser usadas como linhas de chamada (ou linhas de referência) de cotas. Eixos de simetria de furos sempre são representados com linhas de centros e são usados para cotar sua posição dentro das figuras. 5

6 6 Cotas de ângulos e cones: A cota angular expressa o valor do ângulo de abertura entre duas linhas ou arestas do desenho, o texto de cota é posicionado sobre uma linha curva cujo centro é o vértice do ângulo cotado. Os ângulos de peças cônicas podem ser indicados como cota angular ou pelo valor da conicidade, como mostrado abaixo: Cotas de curvas irregulares: Perfis curvos irregulares, não conseguidos através de arcos de circunferências, podem ser cotados por coordenadas, como mostrado abaixo: Perfis curvos ou figuras criadas com arcos de circunferências podem ser cotados pelos seus raios e arcos. Cotas em série e cotas com linha base: No desenho de figuras ou objetos surge com freqüência a necessidade de cotar vários comprimentos que têm a mesma orientação, nestes casos a forma de arranjar as cotas pode ajudar na leitura e interpretação e ainda respeitar a funcionalidade e o método de fabricação específico empregado. Para organizar estas cotas são usados dois métodos: a cota em série e a cota com linha base, cada um deles tem suas vantagens e desvantagens e sua aplicação depende de fatores de uso que vão além do escopo deste texto. 6

7 7 Outras recomendações: Quando furos ou outros destaques de figuras e peças ficam levemente fora da posição de simetria das formas do contorno, serão acrescentadas cotas para indicar, sem ambigüidade, qual é a posição exata do elemento. Peças com forma de revolução que possam ser representadas como meia peça serão cotadas como indicado ao lado: as cotas diametrais terão linhas de cotas parciais (com seta de um só lado) que irão alem do eixo de simetria da peça, ver desenho. Para facilitar a leitura das cotas nos desenhos é permitido utilizar uma inclinação de 15 ou 30 nas linhas de chamadas de modo a deixar os elementos gráficos da cota em condição mais favorável de localização. Também é permitido posicionar o texto de cota na horizontal nas cotas verticais, para garantir a clareza de interpretação, veja a figura seguinte. Quando o espaço para representação das cotas é reduzido e acrescentar setas e textos pode congestionar o desenho será possível recorrer a cotas simplificadas (desde que não fiquem dúvidas na interpretação). Outros casos de simplificação de cotagem. 7

8 8 Cotas lineares posicionadas em ângulo, como mostrado nas duas zonas delimitadas abaixo, devem ser sempre evitadas, nestas regiões os textos podem ser considerados invertidos respeito da condição de leitura normal (de abaixo e da direita do desenho) Cotas em projeções ortogonais: Nos desenhos de peças pelo método de projeções ortogonais, os objetos são representados por três ou mais vistas e sobre elas são posicionadas as cotas que determinam a forma e as dimensões destes objetos. Todas as recomendações já mencionadas podem ser aplicadas à cotagem deste tipo de desenho. E mais: A cota de uma determinada dimensão deve ser posicionada na vista que melhor represente essa dimensão. Cotas não devem ser repetidas em vistas diferentes, a menos que elas possam ser esclarecedoras, eliminando alguma possível ambigüidade. É recomendado não cotar sobre linhas tracejadas. 8

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