RODRIGO AMORIM MOTA. Portais de Informação e Comunidades de Conhecimento O Projeto Museu Virtual

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1 RODRIGO AMORIM MOTA Portais de Informação e Comunidades de Conhecimento O Projeto Museu Virtual ECO/ UFRJ Rio de Janeiro

2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS ESCOLA DE COMUNICAÇÃO Portais de Informação e Comunidades de Conhecimento O Projeto Museu Virtual Rodrigo Amorim Mota Monografia apresentada ao Curso e Graduação em Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para a obtenção do bacharelado em Comunicação Social. Orientador: Cristina Haguenauer TITULAÇÃO: Doutora em Ciências COPPE / UFRJ. Rio de Janeiro

3 Monografia: Portais de Informação e Comunidades de Conhecimento O Projeto Museu Virtual Rodrigo Amorim Mota Monografia submetida ao corpo docente da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel. Aprovada por: Prof.... Prof.... Prof.... Rio de Janeiro

4 AGRADECIMENTOS: Obrigado ao 50 o Encontro de Jovens com Cristo da Igreja Católica Nossa Sra da Paz, em Ipanema (Padre Jorjão e sua Equipe). Beijos à Jussara Medeiros, amiga de tempos, que me indicou ao encontro. Te odiei, Jussara, confesso. Mas valeu cada segundo e, se você me questionava se eu estava gostando, eis aqui a minha prova... Cláudio dos Santos Eiras, que sempre vinha com idéias mirabolantes para complicar ainda mais a realização deste. Ele estava na mesma situação, sofrendo comigo. Mas lembro: sofrimento todo, mantendo uma certa distância: são dois homens, aquela coisa que nossos pais bem nos ensinaram... À minha amiga Bhyanca Miranda Lelé. Você é Lelé só de nome. Sempre trazia a motivação certa na hora exata. Elevava minha auto-estima fazendo com que me sentisse melhor que muitos de nossos políticos brasileiros. Continuo achando: eles são bons, só não chegaram a essa conclusão. Dá uma passadinha em Brasília, Bhyanca... À minha orientadora, professora Cristina Haguenauer. Peço que ela me ajude em meu caminho acadêmico daqui por diante. A todos os professores e à instituição UFRJ, na qual sou formado em Produção Editorial e não pretendo parar tão cedo. Estudo é a base de tudo! Vou fazer algo que sempre achei ridículo e jurei não fazer igual. Agradeço a minha namorada Aristéia Adenísia Ribeiro pelas inúmeras mensagens de celular cobrando avanços na minha monografia. Agora entendo porque políticos juram e fazem justamente o contrário. Por último agradeço meu pai, minha avó a mais carioca de todos apesar de ser mineira - e a Jesus: sem ele nada disso seria possível! 4

5 Dedico este trabalho a todos amigos de copo e de riso, em vários cantos do Brasil. A toda minha família, mistura de baianos com mineiros, que terminou gerando um carioca. Isso se chama Globalização, que pretendo perpetuar na mesma filosofia. Ah se eu soubesse disso em meus tempos de segundo grau... Àqueles que utilizam o humor como estilo de vida para agüentar as agruras da vida. 5

6 RESUMO Este trabalho apresenta algumas mudanças decorrentes do atual sistema de comunicação proporcionadas pelo desenvolvimento da internet: os Portais de Informações. O exemplo utilizado foi o Projeto Museu Virtual, desenvolvido por alunos de graduação e pós-graduação, assim como professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em outras palavras: o que um webjornalista precisa saber para comunicar apropriadamente o conteúdo desejado. Verificou-se a importância da construção de hipertextos por um sistema gerenciador de conteúdo, Content Management System (CMS) chamado Joomla. Através deste software ocorre a construção do site e a publicação do conteúdo com maior facilidade e precisão, permitindo aos jornalistas a realização de tal tarefa sem o constante intermédio de programadores. A internet está determinando não só uma prática, mas também uma estética jornalística. 6

7 ABSTRACT This work presents some current changes of the current communications system provided by the development of the internet: the Portals of Information. The used example was the Project Virtual Museum, developed by graduation students and masters degree, as well as teachers of the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ). In other words: the one that a necessary webjornalist to know to communicate the wanted content adequately. The importance of the construction of hypertexts was verified by a system content manager, Content Management System (CM) called Joomla. Through this software it happens the construction of the site and the publication of the content with larger easiness and precision, allowing to the journalists the accomplishment of such task without the constant intermediate of programmers. In that way, the internet is determining not only a practice, but also a journalistic aesthetics. 7

8 SUMÁRIO: Portais de Informação e Comunidades de Conhecimento o projeto Museu Virtual APRESENTAÇÃO Introdução... 2 Cibercultura e Internet Web 2.0 e Comunidades Virtuais Webjornalismo: uma novidade no mercado de trabalho Os portais para a internet Tipos de Portais 5.2. Categorias de Portais 5.3. Joomla 5.4. Benefícios de um CMS 5.5. Exemplos 6. O portal museu virtual Descrição 6.2 Elementos do Portal 7. Considerações Finais Referências Bibliográficas... 8

9 APRESENTAÇÃO Certo da minha obrigação com o trabalho de final de curso, a primeira idéia que surgiu foi a de fazer algo relacionado ao tema humor. Quem sabe, algumas observações de programas humorísticos, por exemplo. Já que me chamam de figura, o engraçado, etc, achei que caberia fazer algo nesse sentido. A idéia era tratar sobre um assunto pertinente aos formandos de jornalismo para conseguirem empregos na sua área. E que isso pudesse ocorrer através do humor. Mas o humor não é bem visto no mercado, por incrível que pareça. Gostam. Acham graça, até investem no possível produto por um certo tempo. Cansam e passam a desrespeitá-lo. Os publicitários falariam que, se o produto continua dando lucro, algo dessa forma não ocorre. Pode ser, não estudei publicidade. Mas o fato é que conheço o assunto na prática. Tive um site que, por inúmeros fatores, não deu certo. Foi a minha primeira decepção. Não quero mais falar sobre isso. Pois bem, continuando nesse raciocínio e ao mesmo tempo mudando de assunto, falei de emprego. De jornalismo. Humor. Site. Vejo que é cedo, lembro que não tomei café da manhã e devo fazer uma vitamina. Fecho essa idéia toda pegando o liquidificador para misturar tudo: Portais de Informação e Comunidades de Conhecimento: o projeto Museu Virtual. Pronto! Tenho um título para a monografia que trata de tudo o que eu queria abordar. Quase um ano para fazer essa monografia e não saio da primeira linha. Foram muitas idéias, leituras, anotações. Mas escrever que é bom... logo eu, que anoto tudo para não esquecer na hora que for preciso. Nesse momento de dúvida, foi a Igreja que me ajudou. Coisa chata falar em igreja, né? Também achava. Juro que não é pregação. Fui num encontro jovem exatamente no final de semana que escrevo essa introdução. Pensei: louco? Perder mais um final de semana na igreja? Ficar o dia inteiro lá, cantando e batendo palmas... coisa de maluco. Vi certa vez do lado de fora do ambiente e achei o ó. Tanta gente bonita berrando Jeeeeeeeeeesus. Se eu nunca matei, roubei, rezo todos os dias, por que me prestar a esse papel? Mas foi nessa visita que ouvi a frase: Nada é por acaso! Para tudo existe um porquê, hoje podemos não compreendê-lo, mas um dia o entenderemos. Aceitei de bom grado essa dica e aproveitei para perceber que, apesar do meu objetivo maior na monografia ser o de apresentar uma possibilidade de emprego para os jornalistas recém-formados através da internet, também se tornou importante mostrar como a Teoria da Rede foi desenvolvida através do tempo. E o que o humor, que tratei inicialmente, tem a ver com o título da monografia? Creio que o profissional de Comunicação Social, mais especificamente o jornalista, tem que trabalhar com humor, sob todas as situações que encontrar. Digo o humor como estado de espírito. Um dia estará no jornalismo esportivo. É, sem dúvida, emoção e diversão. Noutro, no jornalismo econômico, que 9

10 certamente dará mais dinheiro e será menos rentável. Esse mesmo passa pelo científico, conhece o ambiental, e por aí vai. Se pudéssemos reduzir todos esses assuntos ao interesse comum dos jornalistas, diria que se tratam de informação. Procuro demonstrar a possibilidade destes, principalmente os recémformados e conhecedores das novas linguagens, ao suprir as necessidades do mercado com novos veículos de mensagens. Para isso, a ferramenta Joomla torna-se uma boa opção. Diferente dos grandes portais e dos Blogs, não fica preso às exigências editoriais dos grandes sites e permite que uma pessoa que não tenha conhecimentos de HTML e PHP coloque um site no ar em poucos minutos. E minha vitamina de banana com maçã - só não ponho chocolate porque acabou - está esperando eu terminar de escrever essa introdução. A tática é a seguinte: corro da cozinha para o meu quarto, em cima da cama. Escrevo um pouco, duas frases está bom. Lembro que estou com fome e volto para a cozinha porque o gelo está lá, derretendo. De certo será uma bananada com maçã em três colheres de açúcar. Só esse trabalho que certamente não vai terminar assim. 10

11 1- INTRODUÇÃO A proposta deste trabalho é apresentar algumas exigências para jornalistas que trabalham em Portais de Informação. Mostrar como ocorre o processo de construção e manutenção do portal Museu Virtual. Quais as estratégias seguidas pelo portal para manter e ampliar o número de visitantes na página. Uma característica significativa dos usuários é que, através da utilização da internet, se deparam com a possibilidade de colocar, eles próprios, informações à distância. Só que essa interação nem sempre é possível no caso de portais temáticos. Quando pensamos em internet, mais especificamente em Portais de Informação, logo imaginamos grandes Portais World Wide Web (www) como Aol, Uol, Ig, Globo.com, entre outros. Abrangem um conteúdo amplo, diversificado, com a possibilidade de segmentação para a escolha da preferência dos usuários. Porém, considerando a web o espaço democrático que é, vemos que existem chances no mercado para os pequenos Portais. Estudaremos no capítulo 5 os tipos de portais e suas possibilidades de negócios no mundo corporativo. Nesse sentido, têm destaque as comunidades que pretendem divulgar informações voltadas a um público específico, a exemplo do Portal Museu Virtual. Trata-se de um espaço virtual que funciona como uma central de informações sobre assuntos relacionados à paleontologia. É desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação (LATEC/UFRJ), em parceria com o grupo de paleovertebrados do Museu Nacional e o Grupo de Realidade Virtual Aplicada (GRVa) do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da COPPE/UFRJ. Portais como o Museu Virtual são espaços na Web que agregam informações, aplicações e serviços relevantes a um tema específico, por meio de uma única interface. Eles representam uma resposta direta à amplitude e complexidade das informações disponíveis no universo on-line. O exemplo descrito encontra-se entre os que contam com menores verbas para o desenvolvimento de projetos web. Seu objetivo é prestar informações sobre determinado assunto, agregando maior público ao segmento. A sobrevivência do site depende da quantidade de usuários cadastrados movimentando a empresa, além dos espaços publicitários, os chamados banners. O objetivo deste trabalho é verificar se o Portal Museu Virtual atende às exigências de gerar conhecimento sobre um assunto específico. (No exemplo citado, os fósseis e pesquisas com Paleovertebrados). Apresenta a hipótese de que ele possa ser usado como exemplo de opção profissional para webjornalistas. Procura demonstrar como os jornalistas devem lidar com os desafios informacionais na rede e também suas funções características no espaço físico. Quando atua como webjornalista, deve estar preparado para conciliar informação e entretenimento. A próxima preocupação consiste na fidelidade do público, divulgando eventos e garantindo informações adicionais. Seria quase o serviço de um assessor de imprensa, dada sua relação com o 11

12 contratante, não fosse a preocupação com textos e frases mais curtas e atualização constante na página. No capitulo 2 intitulado Cibercultura e Internet, veremos conceitos iniciais importantes para a questão que trataremos no capítulo 6, específico ao estudo de caso do Portal Museu Virtual. São levados em conta conceitos como Cibercultura, de Pierre Lévy; Sociedade em Rede, por Manuel Castells; Portais de Informação, por Marcello Póvoa. No capítulo 3, intitulado Web 2.0 e Comunidades Virtuais, há a definição do conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. Assim, oficializa a formação de nichos de conteúdo específicos na internet, por oferecer ao usuário ferramentas de fácil acesso e uso, por meio da conexão banda larga. O capítulo 4 trata sobre o webjornalismo, nova opção no mercado de trabalho. Apresenta uma possibilidade aos profissionais que estão saindo da faculdade já que, como se sabe, no jornal impresso, rádio e TV os empregos estão cada vez mais escassos. São características, obrigações e determinantes diferenciados de outros meios de comunicação. Inicio o capítulo 5 tendo como ponto de partida o específico, ou seja, os Portais de Informação, para o geral, como funcionam os portais, seus tipos ou categorias, Sistema Gerenciador de Conteúdo e seus benefícios, estruturando-o em cinco subcapítulos: Tipos de Portais, Categorias de Portais, Joomla, Benefícios de um CMS e alguns exemplos de portais. O Portal Museu Virtual é tratado no capítulo 6. Teve início quando a professora da UFRJ Cristina Haguenauer começou a dar aulas de Sistemas de Informação em Foi a primeira oportunidade dela conhecer o projeto do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) chamado Biblioteca Virtual, que ensinava aos interessados como se cria páginas na internet na área de biblioteconomia. O conhecimento e a metodologia para a realização dos trabalhos eram fornecidos gratuitamente. Esse projeto foi direcionado à área de comunicação pela professora Cristina, saindo do científico, mais voltado à catalogação de bibliotecas, para se transformar num site jornalístico, portais de informação. Ou seja, a solução encontrada foi criar portais temáticos desenvolvidos pelos alunos, no qual um deles é o Museu Virtual, contando com o trabalho do Museu Nacional/UFRJ. 12

13 2 CIBERCULTURA E INTERNET A história da internet tem um conteúdo histórico essencialmente com olhar estrangeiro, mais voltado para o desenvolvimento informacional e estratégias comerciais. São significativos os pensamentos de Manuel Castells, com sua teoria da Sociedade em Rede, e a transformação do próprio conhecimento em moeda; Pierre Lévy, quando faz previsões do futuro na era da informática e a do brasileiro Marcello Póvoa 1, que resume esse pensamento, para a utilização específica dos usuários dos Portais de Informação. Nos tempos da agricultura, a riqueza era a terra. Nos tempos da indústria, eram as fábricas. Recentemente, a informação tomou o lugar da capacidade industrial como meio primário de gerar riqueza (DAVIS & MEYER, 2000). Nos dias atuais, conceitos como Sociedade de Informação 2 e Sociedade em Rede 3 explicam a tendência da sociedade em procurar temas na internet pouco ou sequer abordados pela grande mídia, uma evolução acentuada de informações na web com grande agilidade e interatividade. Pierre Lévy, filósofo autor de Cibercultura (1999), foi um dos precursores no pensamento sobre as implicações culturais do desenvolvimento das tecnologias digitais de informação e comunicação. Segundo Lévy, no início das relações entre autores e consumidores de informação na internet, o espaço público de comunicação era controlado por intermediários institucionais que preenchiam uma função de filtragem da informação. Hoje, com a internet, quase todo mundo pode publicar um texto sem passar por uma editora nem pela redação de um jornal. Assim, surgem problemas, principalmente quanto à veracidade e até qualidade da informação. Lévy afirma ainda que a comunicação interativa e coletiva é a principal atração do ciberespaço (Lévy, 1999). Trata-se de uma definição dos agenciamentos sociais das comunidades no espaço eletrônico virtual. A respeito da nova relação com o saber, são interessantes seus apontamentos sobre os novos paradigmas da atualidade; as competências profissionais que se tornam obsoletas ao longo do tempo; a nova natureza do trabalho, que valoriza a transação dos conhecimentos aprender, transmitir, produzir; novas formas de acesso à informação e novos estilos de raciocínio e conhecimento. 1 Ele não fala especificamente em Portais de Informação, mas na utilização da internet de uma forma geral. De qualquer maneira, sua visão é muito significativa para a nossa abordagem. 2 O manual da Telefônica define Sociedade da Informação como um estágio de desenvolvimento social caracterizado pela capacidade de seus membros (cidadãos, empresas e administração pública) de obter e compartilhar qualquer informação, instantaneamente, de qualquer lugar e da maneira mais adequada. 3 Manuel Castells também definiu como era da informação ou era do conhecimento, caracterizada pela mudança na maneira de comunicar da sociedade e pela valorização crescente da informação nessa nova configuração da estrutura vigente, à medida que a circulação de informações flui a velocidades e em quantidades até então inimagináveis. 13

14 Para ele, tais paradigmas evidenciam a necessidade de duas reformas fundamentais nos sistemas de educação e formação: a utilização da EAD (Educação a Distância) e o reconhecimento das novas formas de aprendizagem através das experiências social e profissional, e não mais somente através das formas tradicionais escolares e acadêmicas. Lévy afirma ainda que a comunicação interativa e coletiva é a principal atração do ciberespaço. Isso ocorre porque a Internet é um instrumento de desenvolvimento social, que possibilita a partilha da memória, da percepção e da imaginação, resultando na aprendizagem coletiva e na troca de conhecimentos entre os grupos. Dois pontos importantes podem ser destacados em sua teoria: a universalização e totalização. O conceito de universalização aparece com a criação da escrita, sua principal característica é o rompimento com o tempo e espaço. Ou seja, as informações não se restringiram mais ao meio oral. Agora a escrita fixa a mensagem no papel e esta não fica presa a questões geográficas ou temporais, podendo chegar a qualquer lugar do planeta, universalizando a mensagem. Com a criação deste novo meio, surge uma nova forma de comunicação: com ela não há a necessidade do emissor e do receptor encontrarem-se no mesmo espaço físico ou temporal. Por outro lado, a escrita também criou um segundo conceito. Possibilitou que a interação que havia no meio oral deixasse de existir. Com isso em um texto escrito há uma totalização, na qual somente o emissor é quem fala, segundo o seu entendimento, sem a possibilidade de interação com seu receptor. Com a Internet, a universalização continua a existir. Por outro lado, a totalização some, pois neste meio a interatividade é contínua, ou seja, não há mais um saber autoritário, monolítico e centralizado. O espaço cibernético abre possibilidades de comunicação inteiramente diferentes da mídia clássica. Lévy propõe uma tipologia dos dispositivos de comunicação baseada nas relações entre emissores e receptores para a melhor compreensão das mudanças introduzidas pela Internet. São observações fundamentais na determinação das diretrizes de uma arquitetura da informação realmente eficaz em websites. Atualmente, os diários virtuais prestam relatos jornalísticos e, de certa forma, todos podem ser autores. Na rede, tudo se vê, mas pouco se crê. Esse é o motivo das instituições públicas e empresas de idoneidade procurarem contratar responsáveis pela criação visual na internet e webjornalistas para a geração de conteúdos. A comunidade é ampliada através dos Portais de Informação, graças a sua estrutura interativa e possibilidade de acesso a novas informações. Quando trata sobre os problemas gerados pela Era da Informação 4, Castells analisa a sociedade em rede de forma ampla, observando não apenas os benefícios, como também os 4 Denominação de vários pensadores sobre o século XX a respeito dos avanços tecnológicos em diversas áreas, como a Computação e as Telecomunicações. 14

15 possíveis desafios a serem enfrentados. Destaca-se o problema da perda de liberdade, da exclusão das redes, do processamento da informação e da geração de conhecimentos. São as transformações geradas devido aos avanços tecnológicos. Existe também um medo entre muitos cidadãos em relação ao que esta nova sociedade,..., poderá trazer em termos de emprego, educação, protecção social e formas de vida. Algumas destas críticas têm um fundamento objectivo na deterioração do ambiente natural, na insegurança laboral ou no crescimento da pobreza e na desigualdade em muitas áreas e não unicamente no mundo em vias de desenvolvimento.(castells, A Galáxia Internet, p.318). O sociólogo espanhol Manuel Castells é um dos principais responsáveis pela análise desse período, em que a revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a chamada sociedade em rede. Ou seja, Castells fala a respeito dos elementos da tecnologia da informação, como compõem e como estão sendo incorporados ao processo de trabalho. Alguns profissionais têm se adaptado a essas transformações, surgindo o que denominamos webjornalistas. Foi em 1988 que Oscar Sala, professor da Universidade de São Paulo (USP) e conselheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolveu a idéia de estabelecer contato com instituições de outros países para compartilhar dados por meio de uma rede de computadores. Assim, chegou ao Brasil a Bitnet (Because is Time to Network). A rede conectava a Fapesp ao Fermilab, laboratório de Física de Altas Energias de Chicago (EUA), por meio de retirada de arquivos e correio eletrônico. Em 1992, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) assinou um convênio com a Associação para o Progresso das Comunicações (APC) liberando o uso da Internet para ONGs. No mesmo ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia inaugurou a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) e organizou o acesso à rede por meio de um "backbone" (tronco principal da rede). Em 1993 ocorreu a primeira conexão de 64 kbps à longa distância, estabelecida entre São Paulo e Porto Alegre. Já o ano de 1995 foi um marco. Os ministérios das Comunicações e da Ciência e Tecnologia criaram a figura do provedor de acesso privado à Internet e liberaram a operação comercial no Brasil. No ano seguinte, muitos provedores começaram a vender assinaturas de acesso à rede, popularizando a conexão em rede no país. Essa questão se confunde com a popularização da internet no Brasil, as diversas fontes de conhecimento no setor público, privado e acadêmico. São portais desenhados para provimento de informações com objetos bastante específicos: conhecimentos para institutos de pesquisas, promoção de empresas locais a alcance global, intercâmbio entre o setor privado e fontes de 15

16 conhecimento no setor público e acadêmico, entre outros. Segundo Lévy, as redes de computadores carregam uma grande quantidade de tecnologias intelectuais que aumentam e modificam a maioria das nossas capacidades cognitivas, ou seja, o computador é um instrumento de troca, de produção e de estocagem de informações, tornando-se desta forma, um instrumento de colaboração. A televisão, ao contrário é um meio de comunicação passivo, pois não proporciona ao receptor nem troca de informação, nem interatividade, pois ao assistir uma programação na TV, o receptor apenas absorve as informações, mas não consegue interagir com o emissor. O filósofo afirma ainda que a comunicação interativa e coletiva é a principal atração do ciberespaço. Isso ocorre porque a Internet é um instrumento de desenvolvimento social. Ela possibilita a partilha da memória, da percepção, da imaginação, que resulta na aprendizagem coletiva e na troca de conhecimentos entre os grupos. Nesse contexto, a tecnologia da informação torna-se importante porque, se for bem aplicada, se transforma num instrumento valioso para se alcançar os objetivos da gestão do conhecimento organizacional. No entanto, é importante ressaltar que o papel da tecnologia é puramente habilitador, e será sempre da responsabilidade dos gestores definir e gerenciar as atividades de conhecimento. O uso efetivo de tecnologias para apoiar as atividades de conhecimento requer tanto interoperabilidade quanto fluidez no fluxo de informações. Portanto, torna-se evidente que uma boa estratégia tecnológica para apoiar a gestão do conhecimento precisa de sólida infraestrutura e arquitetura flexível e global, que se beneficie de um conjunto integrado de ferramentas e metodologias. Os portais de conhecimento, além de proverem uma visão unificada e um único ponto de acesso seguro às diversas fontes de informação são o centro de uma convergência de soluções de gestão dessa informação e do conhecimento. É importante ressaltar que derivam dos requisitos únicos de negócio de cada organização e do seu contexto de informação e práticas de gestão. 16

17 3 WEB 2.0 E COMUNIDADES VIRTUAIS Como define o wikipedia, o termo Web 2.0 foi criado por Tim O Reilly Media, editor norte-americano de livros de informática, com o seguinte conceito: Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva. (fonte: web2.0br.com.br) Resumindo, o termo Web 2.0 é utilizado para descrever a segunda geração da World Wide Web, tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. O nome é apenas um rótulo para uma web mais colaborativa. Dispõe serviços, mais do que softwares, que se utilizam da internet como plataforma para ambiente colaborativo, em que os usuários controlam e compartilham informações com uma atuação mais ativa e participativa. Um exemplo clássico dessa plataforma é o Wikipedia, cujas informações são disponibilizadas e editadas pelos próprios usuários. A história do surgimento encontra-se no fato do HTML ter sido criado para exibir documentos e não aplicações, forçando aos desenvolvedores um formato mais básico e diferente das aplicações até então desenvolvidas para sistemas informatizados. O impacto da web na vida das pessoas foi tão grande que de repente fazer aplicações do jeito web passou a ser a maneira certa, porém ainda limitada. Juntando-se a este cenário, a falta de padrão dos navegadores e as conexões ainda lentas, a web continuou a ser uma plataforma tecnológica limitada. Os desenvolvedores se justificaram, dizendo que todas aquelas interfaces leves e sem muitos recursos ao usuário final era uma coisa boa. Isso acabou proporcionando a criação de algo que realmente agradasse à maioria. Seu conceito oficializa a formação de nichos de conteúdo específicos na internet ao oferecer ao usuário ferramentas de fácil acesso e uso desde que por meio da conexão banda larga. Torna-se necessário apontar as características que despontam com a utilização da web 2.0. A primeira, diz respeito à crescente utilização da Memória como elemento constitutivo do Jornalismo Online. 17

18 A Memória no Jornalismo na Web pode ser recuperada tanto pelo Produtor da informação, quanto pelo Utente, através de arquivos online providos com motores de busca (search engines) que permitem múltiplos cruzamentos de palavras-chaves e datas (indexação). Sem limitações de espaço, numa situação de extrema rapidez de acesso e alimentação (Instantaneidade e Interactividade) e de grande flexibilidade combinatória (Hipertextualidade), o Jornalismo tem na Web a sua primeira forma de Memória Múltipla, Instantânea e Cumulativa. (Palácios, Jornalismo Online, Informação e Memória: apontamentos para debate, p.5). Para Palácios e Mielniczuc, o jornalismo online passou por duas gerações e está, atualmente, atravessando o terceiro estágio. Nos primórdios da internet, na primeira fase, seria caracterizado por sites quase puramente textuais e notícias simplesmente transpostas da versão impressa de jornais e revistas para o ambiente virtual. Posteriormente, na segunda fase, os sites jornalísticos tinham conteúdo próprio, preparado para a internet, mas a hierarquização das notícias e a disposição dos portais seguiam ainda o padrão de impressos. No terceiro e atual estágio, o que temos São sítios jornalísticos que extrapolam a idéia de uma versão para a web de um jornal impresso já existente. Nesse ponto, cabe apontar para as mudanças ocorridas. A Sociedade da Informação, também conhecida nos dias atuais como Tecnologia da Informação 5 ou TI, inicia um novo modo de produção. Teorias de pensadores clássicos como o valor do trabalho e mais valia a exemplo de Locke, Smith, Ricardo e Marx são substituídas pela informação e pelo conhecimento. Da mesma forma que a sociedade industrial tomou o lugar da sociedade agrária, a de informação a está substituindo. A TI está fundamentada nos seguintes componentes: Hardware e seus dispositivos periféricos. Software e seus recursos. Sistemas de telecomunicações. Gestão de dados e informações. A crescente competitividade que vem sendo requerida das organizações exigiu um processo de gestão ágil e inteligente, no qual a gestão da informação é crucial para a sobrevivência destas. A TI vem se mostrando uma ferramenta indispensável à sobrevivência organizacional, na medida em que imprime maior velocidade aos processos internos e permite aos gestores um conhecimento/relacionamento amplo com seu ambiente de influência. É importante observar que, no contexto geral, fatores sociotécnicos relacionados aos recursos humanos, como necessidade de treinamento, falta de suporte técnico e de políticas motivacionais, e a resistência cultural à mudança, são questões a serem resolvidas para uma melhor utilização das TIs disponíveis. 5 Conjunto de recursos tecnológicos e computacionais para a geração e uso da informação, abrangendo das redes de computadores às centrais telefônicas inteligentes, fibra óptica e comunicação por satélites. 18

19 Dessa forma, as comunidades virtuais prestam um serviço necessário a TI das empresas. Segundo define o Wikipedia, são comunidades que estabelecem relações num espaço virtual através de meios e comunicação a distância. Se caracterizam pela aglutinação de um grupo de indivíduos com interesses comuns que trocam experiências e informações no ambiente virtual. No entanto, o processo de informatização das organizações tem custo elevado, demanda tempo, provoca alterações na estrutura organizacional e sofre resistências de ordem cultural, além de apresentar resultados nem sempre satisfatórios, conforme tem sido amplamente descrito tanto no exterior como no Brasil. Essa também é a recomendação de Dias 6, para que seja feito um planejamento de medidas que gerenciem os impactos organizacionais buscando respeitar o momento da organização, sua história em relação à utilização de tecnologia, os recursos disponíveis para seu uso e os conflitos a serem resolvidos. É necessário, portanto, que as organizações tenham seus planejamentos empresariais e de TI integrados, coerentes e em sinergia com as estratégias empresariais e as da TIs plenamente alinhadas entre si. Esse alinhamento estratégico dos negócios e da TI é muito importante para a sobrevivência das organizações, principalmente quando é utilizado como uma ferramenta de gestão (Brancheau e Wetherbe, 1987, p. 33). A crescente facilidade de acesso à Internet vem permitindo que, cada vez mais, empresas e pessoas tenham acesso a esse veículo informacional, resultando em uma distribuição mais democrática dos conhecimentos da humanidade, oportunizando mercados e negócios a quem tiver competência. A fonte de vantagens competitivas advém de habilidades e recursos internos à empresa, que lhe conferem vantagens posicionais, por meio do reconhecimento de valor pelo cliente e/ou redução dos custos relativos. Isso se refletirá em um desempenho superior, resultando na satisfação e lealdade do cliente que assegurará uma fatia de mercado com lucros relativamente maiores. Isso significa uma maior taxa de retorno sobre os investimentos que, aliados à escolha de estratégias adequadas, permitem reinvestimentos para manutenção das fontes de vantagens, criando um ciclo capaz de sustentar a competitividade (Day e Wensley, 1988, p. 14). Para Porter (1986, p. 22), existem cinco forças competitivas atuantes: ameaça de novos entrantes; poder de negociação com os fornecedores; poder de negociação com os clientes; ameaças de produtos substitutos; e concorrência entre as empresas existentes. Na óptica desses autores, um elemento que está oculto é um Sistema de Informação (SI) que permita obter, processar, analisar, organizar e sintetizar o imenso fluxo informacional de dados brutos (e/ou informações) de forma a transformá - los em conhecimento útil à tomada de decisão. Segundo Freitas e Lesca (1992, p. 97), a informação é o processo pelo qual a empresa se informa sobre ela mesma e sobre seu ambiente, 6 DIAS, D. (1998, p. 4-7). 19

20 além de passar informações dela ao ambiente. Enfim, as organizações se relacionam com seu ambiente por meio de um fluxo de informações; posteriormente a informação é transformada em conhecimento e incorporada à organização (Cornella, 1994, p. 79). Nesse sentido, as tecnologias avançadas de informação, ou seja, os sistemas de informações computadorizados são elementos indispensáveis às organizações no atual ambiente competitivo global. Comunidade Virtual é o termo utilizado para os agrupamentos humanos que surgem no ciberespaço, através da comunicação mediada pelas redes de computadores (CMC). Um dos primeiros autores a utilizar esse termo foi Rheingold, definindo: As comunidades virtuais são agregados sociais que surgem da Rede [Internet], quando uma quantidade suficiente de gente leva adiante essas discussões públicas durante um tempo suficiente, com suficientes sentimento humanos, para formar redes de relações pessoais no espaço cibernético [ciberespaço]. (Recuero, Comunidades Virtuais - Uma abordagem teórica, p. 5) Rheingold aponta para esta ausência do sentimento de comunidade como uma das causas do surgimento das comunidades virtuais. A decadência do senso de comunidade, em nossa sociedade, foi também atribuída ao surgimento e consolidação do individualismo, ao culto à personalidade. Existem críticas à idéia de comunidades virtuais e alguns explicam suas posições contrárias dizendo que as comunidades virtuais não são nada mais do que comunidades tradicionais mantidas através da CMC (Wellman, citado por Hamman, 1998, online). Outros, no entanto, afirmam que a comunidade virtual não possui um território e, portanto, não seria uma comunidade stricto senso (Weinrech, citado por Jones, 1997 online). A comunidade virtual é um elemento do ciberespaço, mas é existente apenas enquanto as pessoas realizarem trocas e estabelecerem laços sociais. O seu estudo faz parte da compreensão de como as novas tecnologias de comunicação estão influenciando e modificando a sociabilização das pessoas. Os meios de comunicação modificam o espaço e o tempo através de sua ação, assim como as relações entre as várias partes da sociedade, transformando também a idéia de comunidade (McLuhan, 1964). Deste modo, também a Comunicação Mediada por Computador está afetando a sociedade e influenciando a vida das pessoas e a noção de comunidade. É por isso que muitos autores optaram por definir as novas comunidades, surgidas no seio da CMC por comunidades virtuais. 20

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