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1 ASAMBLEA PARLAMENTARIA EURO-LATINOAMERICANA EURO-LATIN AMERICAN PARLIAMENTARY ASSEMBLY ASSEMBLEIA PARLAMENTAR EURO-LATINO-AMERICANA ASSEMBLÉE PARLEMENTAIRE EURO-LATINO- AMÉRICAINE PARLAMENTARISCHE VERSAMMLUNG EUROPA-LATEINAMERIKA Comissão dos Assuntos Económicos, Financeiros e Comerciais DOCUMENTO DE TRABALHO As relações económico-financeiras entre a América Latina e as Caraíbas e a República Popular da China: situação atual e perspetivas futuras Correlator ALC: Rodrigo Cabezas Morales (Parlatino-Venezuela) DT\ doc AP v00-00 Unida na diversidade

2 O presente documento descreve as relações económico-financeiras entre a América Latina e as Caraíbas e a República Popular da China, centrando-se no decurso da primeira década e meia deste século. Apresenta-se uma síntese das potencialidades específicas da República Popular da China como motor de crescimento mundial, demonstrando-se, ao mesmo tempo, as oportunidades que esta oferece à América Latina e às Caraíbas para que diversifiquem a sua matriz tradicional de relações internacionais e de trocas comerciais. Neste último aspeto, as relações entre a China e a América Latina cresceram mais de dez vezes relativamente ao seu volume inicial. No ano 2000, a China ocupou o 16.º lugar entre os principais destinos das exportações latino-americanas e caribenhas, encontrando-se no 9.º lugar enquanto fonte de importações. Atualmente, é o segundo principal parceiro comercial da América Latina e a segunda maior fonte de investimento estrangeiro direto, apenas atrás dos Estados Unidos 1. Durante o século XXI, o número de países latino-americanos que mantém relações diplomáticas com a China aumentou. Vinte e um dos trinta e três países da região reconheceram o estatuto de economia de mercado da China e desenvolveram com esta uma cooperação científico-técnica, através da assinatura de acordos deste tipo com doze países latino-americanos com os quais foram estabelecidas comissões mistas intergovernamentais 2. Domínio: trocas comerciais No período de , o comércio de bens entre a China e esta região foi o mais dinâmico, tanto no que diz respeito a exportações como a importações. O comércio bilateral da China com a região superou a barreira dos milhões de dólares em 2007 e atingiu milhões de dólares em 2012, evidenciando um crescimento vinte vezes superior ao volume de comércio no início da década de 2000 (ver quadro n.º 1). Quadro n.º 1 Trocas comerciais entre a China e a América Latina e as Caraíbas Ano Exportações Importações Volume de (dólares) (dólares) comércio (dólares) Cesarín, Sergio (2013). China: restauração e capitalismo. Impactos na América do Sul. 2 Ibid, pp AP v /11 DT\ doc

3 Fonte: elaborado a partir de dados do Comtrade da ONU (2014). A participação da região no total das exportações e importações chinesas sofreu uma tendência crescente: em 2000 representou 2, 84 % e 2,40 %, respetivamente, aumentando para 6,52 % e 6,88 % em 2012 (ver quadro n.º 2). Quadro n.º 2 Participação da América Latina e das Caraíbas no total das importações e exportações da China (%) Ano Exportações (%) Importações (%) ,84 2, ,04 2, ,86 2, ,64 3, ,00 3, ,03 4, ,64 4, ,15 5, ,93 6, ,66 6, ,72 6, ,33 6, ,51 6,88 Fonte: elaborado a partir de dados do Comtrade da ONU (2014). Observando a estrutura do comércio externo da região por destino e origem, na primeira década do século XXI, entre 2000 e 2010, verifica-se que o valor das exportações da América Latina e das Caraíbas para a China ascendeu a milhões de dólares, o equivalente a 8,3 % das exportações totais da região, enquanto o valor das exportações para os Estados Unidos diminuiu para 41 %, embora mantendo o primeiro lugar, e para a União Europeia subiu ligeiramente para 13 % (ver quadro n.º 3). DT\ doc 3/11 AP v00-00

4 Quadro n.º 3 América Latina e Caraíbas - Destino e origem do comércio: (em percentagem) Exportações Destino América Latina e Caraíbas 19,0 18,9 China 1,1 8,3 Outros países da Ásia 3,9 8,3 Estados Unidos 61,0 41,0 União Europeia 11,8 13,1 Resto do mundo 3,2 10,5 Importações Origem América Latina e Caraíbas 15, China 1,8 13,3 Outros países da Ásia 9,1 13,6 Estados Unidos 55,0 30,8 União Europeia 12,1 14,3 Resto do mundo 6,9 8,3 Fonte: elaborado a partir do documento de Rosales e Kuwayama (2012). Comissão Económica para a América Latina e as Caraíbas (CEPAL), op.cit. Caso o atual ritmo de crescimento da procura de produtos provenientes da América Latina e das Caraíbas nos Estados Unidos, na União Europeia e no resto do mundo se mantenha e a procura por parte da China cresça a apenas metade do ritmo verificado na década de , o país asiático ultrapassará a União Europeia em 2014, tornando-se o segundo maior mercado para as exportações desta região. Em 2012, a China representa já o segundo parceiro comercial em termos de importações (14,5 %), superando a União Europeia, enquanto em matéria de exportações ocupa o quinto lugar, com uma participação inédita de 9 % (ver quadro n.º 4). AP v /11 DT\ doc

5 Quadro n.º 4 Participação de parceiros específicos no comércio da América Latina e das Caraíbas (em percentagem) Exportações Importações Parceiro Estados Unidos 59,7 39,8 União Europeia 11,6 12,2 China 1,1 9,0 Resto da Ásia 4,2 9,6 América Latina e Caraíbas 16,0 18,4 Resto do mundo 7,4 11,0 Estados Unidos 50,4 30,9 União Europeia 14,2 14,2 China 1,8 14,5 Resto da Ásia 8,8 12,4 América Latina e as Caraíbas 15,3 19,2 Resto do mundo 9,5 8,8 Fonte: Bárcenas, Alicia (2013). Relações de comércio e investimento entre a China e a América Latina e as Caraíbas. A importância da China como origem das importações também varia muito entre os países da região. Regista-se uma maior concentração do comércio com a China no Brasil, Chile, Venezuela, Perú, Argentina, Costa Rica e México, que correspondem a 93,43 % do total. Destacam-se o Brasil, o Chile e a Venezuela que compram à China 70 % das importações da região. O segundo grupo de principais importadores é constituído pela Argentina, Perú, Costa Rica e México, representando 24 % (ver quadro n.º 5). DT\ doc 5/11 AP v00-00

6 Quadro n.º 5 Evolução das Importações e Exportações da América Latina e das Caraíbas para a China entre os anos 2000 e 2012 (dólares) China Exportações Importações Argentina Bolívia Brasil Chile Colômbia Equador Paraguai Peru Uruguai Venezuela América do Sul Costa Rica El Salvador Guatemala Honduras México Nicarágua Panamá América Central Baamas Barbados Belize Cuba Domínica República Dominicana Granada Guiana Haiti Jamaica São Cristóvão e Nevis Santa Lúcia São Vicente e Granadinas Suriname Trindade e Tobago Caraíbas América Latina e Caraíbas Fonte: elaborado a partir de dados oficiais do Comtrade da ONU (2014). América do Sul América Central Caraíbas AP v /11 DT\ doc

7 Produtos primários A participação da China no consumo mundial de matérias-primas estratégicas aumentou entre 1990 e 2011, como indicado a seguir: alumínio de 4 % a 43 %, carvão de 22 % a 47 %, petróleo de 4 % a 11 %, cobre de 5 % a 41 %, zinco de 6 % a 43 %, respetivamente (ver gráfico n.º 1). Gráfico n.º 1 China: participação no consumo mundial de produtos específicos em 1990 e 2011, último ano disponível (em percentagem do total) Fonte: Bárcenas, Alicia (2013). Relações de comércio e investimento entre a China e a América Latina e as Caraíbas. A região da América Latina e das Caraíbas já constitui o principal fornecedor de alguns produtos importados pela China. Por exemplo, o país asiático adquiriu à região mais de 55 % das suas importações totais de mineral de cobre (30 % das quais provenientes do Chile) entre 2007 e 2009, período em que mais de 57 % das importações chinesas de sementes oleaginosas provieram da mesma região (36 % tendo origem no Brasil) e mais de 95 % do óleo de soja importado pela China procedeu igualmente da América Latina (73 % do mesmo pertencendo à Argentina) 3. Produtos industriais As importações provenientes da China para a América Latina e as Caraíbas correspondem sobretudo a produtos de alta tecnologia (41 %), seguindo-se percentagens semelhantes para os produtos de média e baixa tecnologia de 27 % e 23 %, respetivamente, e 8 % para os produtos 3 Ibid.,p.100 DT\ doc 7/11 AP v00-00

8 baseados em recursos naturais (ver gráfico n.º 2). Gráfico n.º 2 Composição das importações da América Latina e das Caraíbas 2011 A partir da China Fonte: Bárcenas, Alicia (2013). Relações de comércio e investimento entre a China e a América Latina e as Caraíbas. Domínio: investimento direto estrangeiro Em 2010, o investimento direto estrangeiro (IDE) da China concentra-se maioritariamente na Ásia, sendo a região da América Latina e das Caraíbas o segundo destino de IDE com 72 % e 14 %, respetivamente. No caso da América Latina e das Caraíbas, o IDE foi dirigido quase exclusivamente para os paraísos fiscais de domínio britânico no mar das Caraíbas: Ilhas Virgens e Ilhas Caimão. Ambas são destinatárias de mais de 90 % do total de IDE no ano em causa. Quadro n.º 6 Acervo de IDE da China por regiões, no final de 2010 (milhões de dólares) Região IDE Percentagem Ásia ,97 71,92 América Latina e Caraíbas ,64 13,83 Europa ,31 4,95 África ,12 4,11 Oceânia 8.607,29 2,71 América do Norte 7.829,26 2,47 TOTAL ,59 Fonte: elaborado e adaptado a partir do Boletim Estatístico (2010) do Ministério do Comércio da AP v /11 DT\ doc

9 China. Ao analisar os fluxos de IDE, convém observar o comportamento do IDE proveniente da América Latina e das Caraíbas para a China. A maioria dos investimentos latino-americanos e caribenhos na China têm igualmente origem nos paraísos fiscais. Embora a região da América Latina e das Caraíbas constitua o segundo maior fornecedor de IDE à China, a quase totalidade dos investimentos procedem de três países: as Ilhas Virgens Britânicas (80 %), as Ilhas Caimão (14 %) e as Barbados (5 %). O IDE proveniente de países como o Brasil, a Argentina, o Chile, o México e o Perú foi mínimo durante o período Domínio: cooperação económica Em termos de cooperação económica da China a nível mundial, a América Latina e as Caraíbas não se encontram entre os seus principais recetores. A região recebeu uma média de quase milhões de dólares durante o biénio de , o que representou apenas 7 % do total mundial, no valor de milhões de dólares. Quadro n.º 7 China: Distribuição da cooperação económica por região* (em milhões de dólares e em percentagem) Região Total (em milhões de dólares) Percentagem Ásia 31506,5 55,62 África 16396,8 28,94 Europa 3956,3 6,98 América Latina e Caraíbas 3160,6 5,58 América do Norte 862,9 1,52 Oceânia 766,8 1,35 TOTAL 56649,9 Fonte: elaborado a partir de dados do Anuário Estatístico de 2009 do Serviço Nacional de Estatística da China. (*Média de ). Oportunidade de associação ao líder do crescimento global Nos últimos anos, o peso da China na economia mundial aumentou consideravelmente. Em termos do PIB a preços correntes, a economia chinesa converteu-se na segunda do mundo em 2010, depois dos Estados Unidos, conseguindo superar o Japão, a Alemanha, o Reino Unido e a França (ver gráfico n.º 3). Tornou-se também o principal exportador de bens e serviços no comércio mundial no período de DT\ doc 9/11 AP v00-00

10 Gráfico n.º 3 PIB das principais economias do mundo em * Fonte: FMI, WEO de abril de *Valores projetados para AP v /11 DT\ doc

11 Conclusões A República Popular da China tem capacidade tanto para transmitir como para provocar choques reais no resto do mundo, visto que o país constitui atualmente o primeiro ou segundo parceiro comercial de 78 países que representam no seu conjunto 55 % do PIB mundial. As exportações chinesas quase quadruplicaram em 15 anos (duplicaram desde a sua adesão à OMC em finais de 2001), tendo assim passado de aproximadamente 3 % das exportações mundiais em 1995 para 12 % em 2009, enquanto em 2011 representavam já 16 % das exportações mundiais de bens e serviços. As relações entre duas das regiões com maiores oportunidades de crescimento do mundo projetam um espaço de trocas baseado na cooperação para o desenvolvimento. Para a China, a América Latina e as Caraíbas representam novos mercados e uma oferta de recursos estratégicos indispensável para o seu processo de crescimento, enquanto para os latino-americanos e caribenhos a China constitui uma das opções seguras para diversificar o comércio externo e diminuir a vulnerabilidade da sua balança comercial, a possibilidade de um aumento potencial da oferta exportável para um mercado em expansão, bem como o contributo para a formação do equilíbrio multipolar que garanta a paz. DT\ doc 11/11 AP v00-00

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