Nota de trabalho. Estado actual das negociações comerciais multilaterais sobre os produtos agrícolas REPRESENTAÇÃO COMERCIAL

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1 MISSÃO PERMANENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA JUNTO DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS REPRESENTAÇÃO COMERCIAL GENEBRA - SUÍÇA Estado actual das negociações comerciais multilaterais sobre os produtos agrícolas Nota de trabalho Genebra, 15 de Abril de 2013

2 As negociações sobre a agricultura, que começaram em 2000 e foram posteriormente incorporadas no Programa de Doha para o Desenvolvimento (PDD) em 2001, visam melhorar substancialmente o acesso aos mercados, reduzir todas as formas de subsídios à exportação (tendo em vista a sua eliminação progressiva) e os apoios domésticos que distorcem o comércio. Os trabalhos recentes visam a explorar as partes do projecto de modalidades de 2008 que poderiam ser objecto de um acordo na próxima Conferência Ministerial da OMC, prevista em Dezembro de 2013, em Bali, na Indonésia. Os trabalhos concentram-se em duas propostas: a) a administração de contingentes tarifários; b) os subsídios para a segurança alimentar. INTRODUÇÃO As negociações sobre o comércio dos produtos agrícolas em curso na Organização Mundial do Comércio começaram em Março de 2000 e foram posteriormente incorporadas no Programa de Doha para o Desenvolvimento (PDD). O mandato das negociações sobre os produtos agrícolas, tal como estabelecido em Doha: (i) confirma e esclarece os objectivos das negociações que é de estabelecer um sistema de comércio justo e orientado para o mercado através de um programa de reforma fundamental que inclui regras reforçadas e compromissos específicos, a fim de resolver as questões das restrições e evitar as distorções nos mercados agrícolas mundiais; (ii) os membros comprometem-se em participar nas negociações globais, destinadas a melhorar substancialmente o acesso aos mercados, reduzir todas as formas de subsídios à exportação (tendo em vista sua eliminação progressiva) e diminuir os apoios domésticos que distorcem o comércio; (iii) integra tratamento especial e diferenciado como parte das negociações globais; e (iv) toma nota das preocupações não comerciais (tais como a protecção ambiental, a segurança alimentar, o desenvolvimento rural) e confirma que essas considerações devem ser tidas em conta nas negociações. Os trabalhos recentes têm como objectivo de explorar as partes do projecto de modalidades de 2008 que poderiam ser objecto de um acordo na próxima Conferência Ministerial da OMC, prevista 1

3 em Dezembro de 2013, em Bali, na Indonésia 1. Os trabalhos nos últimos meses concentramse em duas propostas: a) A administração de contingentes tarifários: O G20 2 apresentou recentemente uma proposta em forma de projecto de "entendimento" sobre a administração de contingentes pautais. A proposta dispõe, entre outros elementos: Os Membros importadores garantiriam que os procedimentos administrativos ligados à administração de contigentes não sejam mais rigorosos do que o exigido para o critério de "necessidade absoluta". b) Os subsídios para a segurança alimentar: A proposta do G-33 3 permitiria aos governos dos países em desenvolvimento de comprarem aos agricultores pobres a preços subsidiados, e que estes programas seriam excluídos dos cálculos dos subsídios domésticos limitados, considerados distorcivos ao comércio. ANÁLISE DA PROPOSTA SOBRE A SEGURANÇA ALIMENTAR O G-33 é de opinião que as regras comerciais multilaterais em relação aos subsídios impedem os países em desenvolvimento de garantir a segurança alimentar adequada para as suas populações. O grupo acredita que a reserva pública para fins de segurança alimentar é a melhor medida à sua disposição para lidar com o problema da segurança alimentar. Os proponentes acreditam que os preços administrados são necessários para: (i) garantir que o governo possa comprar em concorrência com o sector privado; (ii) aumentar a produção para garantir a disponibilidade adequada de alimentos; (iii) compensar de forma adequada determinadas categorias de agricultores; 1 Em Dezembro de 2008, o Presidente da Sessão Especial do Comité da Agricultura - onde decorrem as negociações sobre o comércio multilateral dos produtos agrícolas - circulou o seu projecto de "modalidades" que contém definições para as novas concessões e os novos compromissos dos membros em relação ao acesso aos mercados, o apoio interno e subsídios à exportação. 2 G-20 é uma coligação de países em desenvolvimento membros da OMC que defende reformas ambiciosas no sector agrícola dos países desenvolvidos com alguma flexibilidade para os países em desenvolvimento. Os membros são (23): Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, China, Cuba, Equador, Egipto, Guatemala, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Peru, Filipinas, África do Sul, Tanzânia, Tailândia, Uruguai, Venezuela e Zimbabwe. 3 G-33 é uma coligação de países em desenvolvimento membros da OMC que defende um certo grau de flexibilidade para os países em desenvolvimento em relação à liberalização do seus mercados de produtos agrícolas. Os membros são (46): Antígua e Barbuda, Benin, Barbados, Belize, Bolívia, Botswana, Costa do Marfim, China, Congo, Cuba, Dominica, El Salvador, Granada, Guatemala, Guiana, Haiti Honduras, Índia, Indonésia, Jamaica, Quénia, Madagascar, Ilhas Maurícias, Mongólia, Moçambique, Nicarágua, Nigéria, Peru, Paquistão, Panamá, Filipinas, República da Coreia, República Dominicana, São Vicente e Granadinas, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, Sri Lanka, Suriname, Senegal, Tanzânia, Trinidad e Tobago, Turquia, Venezuela, Zâmbia e Zimbabwe. 2

4 (iv) proteger os agricultores contra os efeitos da volatilidade dos preços. Quando a ajuda é concedida aos agricultores por estas razões acima, o consumidores seriam os beneficiários finais. Assim, esta acção pode abordar dois aspectos da segurança alimentar, ou seja, a disponibilidade e acesso aos alimentos. Com base nas informações e apresentações das políticas e mecanismos de reservas alimentares de alguns países, certos membros da OMC levantam várias questões e preocupações. Em primeiro lugar, preocupações foram levantadas sobre a ausência de restrições explícitas e adequadas visando a mitigar os efeitos potenciais das medidas de distorção. Em particular, levantou-se a questão de limite da aquisição de produtos quando as reservas são suficientes para alcançar os objectivos políticos de segurança alimentar. Em segundo lugar, levantou-se a questão de saber se as regras existentes permitiriam alcançar os objectivos de segurança alimentar. Foi igualmente levantada a questão do impacto sistémico de um relaxamento das disciplinas sobre os subsídios. CONCLUSÃO A proposta do G-33 visa derrogar às regras de subsídios para a aquisição de produtos alimentares a preços subsidiados. Os produtos seriam comprados aos produtores de baixa renda com o objectivo de lutar contra a fome e a pobreza rural. Esta medida de compra permitiria a certos países em desenvolvimento de fornecer alimentos a preços subsidiados para satisfazer as necessidades alimentares das populações urbanas e rurais pobres. Os alimentos seriam fornecidos numa base regular a preços razoáveis e os subsídios aferentes não seriam contabilizado na Medida Agregada de Apoio. Os argumentos em favor da proposta é que ela lida com a segurança alimentar e a redução da pobreza e que preenche uma certa lacuna dos mecanismos actuais. No entanto, a proposta levanta algumas interrogações, entre outras: (i) a possibilidade que os produtos sejam exportados; (ii) o impacto sobre os preços e a produção internacionais que resultaria de constituição de grandes reservas alimentares; (iii) os efeitos negativos possíveis sobre o equilíbrio da produção no mercado interno; (iv) os possíveis efeitos que resultaria do apoio à ineficiência e o envio de sinais "falsos" para os produtores (os produtores seriam incentivados a produzir onde existe apoio); 3

5 (v) o impacto negativo da produção global de outros produtos; (vi) a existência de mecanismos de mercado menos distorcivos para tratar da segurança alimentar e da redução da pobreza. O sistema de apoio de preços só é possível se os países têm recursos orçamentais significativos, o que não é o caso dos países africanos. Por outro lado, o apoio aos preços para as quantidades não limitadas representaria um obstáculo potencial para as exportações dos países africanos. Em relação a proposta do G-20 que visa a questão da realocação de contingentes pautais existentes, ela isenta todos os países em desenvolvimento na implementação desta proposta. Apenas um país africano (a África do Sul) têm inscrito contingentes pautais nos seus compromissos de acesso aos mercados no âmbito do Acordo da OMC sobre a Agricultura. Em termos de interesse ofensivos, as quotas concedidas ao abrigo dos acordos bilaterais e regionais não estão afectados pela proposta do G20. Como quase todas as exportações dos países africanos no âmbito do contingente são feitas sob a forma de acordos bilaterais ou regionais, as exportações africanas seriam pouco afectadas pela proposta do G-20. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL DA MISSÃO PERMANENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA JUNTO DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, EM GENEBRA, AOS 15 DE ABRIL DE 2013 O Representante Comercial Dr. Lukonde LUANSI (PhD) 4

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