Cimeira Empresarial UE-CELAC eucelac-bizsummit2015.eu. Quarta-feira, 10 de junho de 2015, 14h30-16h30 Documento de síntese para o Workshop 3

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1 Cimeira Empresarial UE-CELAC eucelac-bizsummit2015.eu Quarta-feira, 10 de junho de 2015, 14h30-16h30 Documento de síntese para o Workshop 3 Acesso ao financiamento e aos instrumentos financeiros O importante papel das pequenas e médias empresas (PME) na economia e os métodos que permitem melhorar o acesso destas empresas ao financiamento têm sido temas centrais no diálogo mundial sobre o desenvolvimento, nomeadamente no âmbito da Declaração de Nuevo León da Cimeira Extraordinária das Américas, no México, em 2004, e das últimas cimeiras do G-20. As cimeiras UE-CELAC também têm sublinhado a importância das PME, mais recentemente na IV Cimeira Empresarial UE- CELAC, em Santiago, no Chile, em À luz desse diálogo, apresentam-se de seguida algumas questões a debater sobre o acesso das PME ao financiamento, durante a V Cimeira Empresarial UE-CELAC, a realizar em 2015, em Bruxelas, na Bélgica. 1. Contexto do workshop: justificação As PME produtivas são uma componente importante das economias de todo o mundo, e a América Latina e as Caraíbas não constituem uma exceção. No entanto, a predominância nesta região de elevados níveis de informalidade, baixos níveis de inovação e pouca profundidade dos mercados financeiros são verdadeiros travões ao crescimento das PME e limitam o seu contributo para uma maior produtividade. Um dos principais obstáculos é o défice de financiamento das PME formais, estimado em mil milhões de USD por ano (IFC, 2013). A investigação mostra que o bom funcionamento dos mercados financeiros está associado a uma maior produtividade. A capacidade de investimento e crescimento das empresas depende, simultaneamente, da existência de oportunidades de negócio viáveis e do acesso ao financiamento para criar e expandir o negócio, o comércio e o capital de exploração. Designadamente, a profundidade dos mercados financeiros nesta região é menor do que na Ásia Oriental e noutras economias de mercado desenvolvidas. Os mercados financeiros subdesenvolvidos são menos eficazes na canalização de capital para os investimentos produtivos; implicam custos de capital mais elevados e menor disponibilidade do crédito. As PME também desempenham um papel importante nas cadeias de produção nacionais e internacionais, quer diretamente através da exportação, quer indiretamente através de cadeias de abastecimento. As empresas que podem concorrer a nível internacional são mais eficientes e produtivas. No entanto, as PME enfrentam obstáculos estruturais que limitam o acesso aos mercados estrangeiros e que resultam da sua dimensão, da falta de competências, da necessidade de modernizarem os produtos e processos e das dificuldades de acesso ao financiamento. Para superar estes obstáculos, é necessário melhorar o quadro institucional, criar mais instrumentos financeiros e alargar as oportunidades de comércio e investimento.

2 Não é fácil explorar soluções dirigidas às PME. Uma das práticas de financiamento que pode melhorar as opções de financiamento das PME é a concessão de linhas de crédito por intermediários financeiros de maior dimensão, interessados em alcançar o mercado das PME, e que podem financiar o comércio, o capital de exploração, os empréstimos ao investimento e outros instrumentos financeiros. Por sua vez, os grandes clientes empresariais podem ajudar a desenvolver as PME através das suas cadeias de valor, financiando a modernização das linhas de produção e melhorando as oportunidades de mercado oferecidas às empresas de menor dimensão. Neste contexto, a União Europeia assume um importante papel enquanto fonte principal de investimento direto estrangeiro (IDE) na região e segundo maior parceiro comercial. O acesso ao financiamento a longo prazo constitui um elemento essencial para reforçar a cooperação e o investimento das empresas da UE nos países latino-americanos e caribenhos (LAC), e vice-versa, em especial no que se refere às PME. Melhorar o acesso ao financiamento pelas PME é um desafio. O alargamento do financiamento exige não só um quadro normativo adequado incluindo em matéria de falência, propriedade, segurança das transações e informação sobre o crédito, como uma série de instrumentos financeiros que permitam às empresas repartir eficientemente os riscos. Além disso, existem fatores complementares como a tecnologia, os serviços prestados às empresas e as novas abordagens para chegar às PME, que tanto podem estimular a oferta de capital e crédito, como aumentar a procura de financiamento por parte do setor empresarial. Esta sessão procurará encontrar soluções para o financiamento das PME na atual economia cada vez mais globalizada. Os trabalhos incidirão em três tópicos principais que ajudarão a explorar o potencial produtivo das PME na América Latina e nas Caraíbas. 2. Âmbito do workshop: tópicos Como integrar as PME na economia mundial: as PME que operam nos mercados mundiais tornam-se mais produtivas devido aos benefícios gerados pela dimensão do mercado, a uma maior capacidade para inovar e um maior acesso ao conhecimento e tecnologia. No entanto, na maior parte dos casos, as empresas mais pequenas enfrentam importantes obstáculos estruturais à sua participação na economia mundial. Ao contrário das empresas de maior dimensão, muitas vezes não dispõem dos meios necessários para desenvolver novos negócios nos mercados estrangeiros. Estabelecer uma presença operacional num novo país exige recursos e um nível de investimento que muitas empresas não podem suportar. Para aceder aos mercados mundiais, as empresas mais pequenas podem nomeadamente integrar as cadeias de valor das empresas de maior dimensão. Nesse caso, as PME podem tirar partido da relação com grandes empresas ditas «âncora» que já se encontram estabelecidas nos mercados mundiais, ao passo que as grandes empresas podem beneficiar com o desenvolvimento de parceiros locais que forneçam produtos e serviços específicos. Estas empresas «âncora» podem prestar-lhes formação, transferir os seus conhecimentos e financiar os fornecedores. A integração em cadeias de valor mundiais ajudará as PME a modernizarem-se, a inovarem e a acederem a novos mercados. Por sua vez, ao criarem mecanismos de financiamento inovadores para ajudarem as grandes empresas a desenvolver as suas cadeias de valor, os intermediários financeiros podem promover o desenvolvimento de PME produtivas. O financiamento do comércio e dos fornecedores pode ajudar as PME a expandirem a sua produção para novos mercados, mas exige parceiros bancários e comerciais que estejam dispostos a financiar as empresas ao longo de todo o ciclo económico. As despesas de capital e o crescimento também exigem que o investimento seja financiado a mais longo prazo nas regiões da UE e da América Latina e das Caraíbas. Por essa razão, o BEI e o Banco Interamericano de Desenvolvimento associaram-se para criar um mecanismo de financiamento que incentivará um investimento direto estrangeiro inter-regional pelas PME. Este mecanismo apoiará as

3 PME europeias a conquistar os mercados latino-americanos e caribenhos. Esta iniciativa constitui uma oportunidade para aprofundar os laços económicos existentes e melhorar o fluxo de tecnologia e ideias entre estas regiões. Do mesmo modo, o financiamento das grandes empresas pode oferecer novas oportunidades comerciais às PME, quando os projetos visem criar novos canais de abastecimento e distribuição nas economias locais. Como impulsionar as soluções digitais para o financiamento das PME: na era digital, as plataformas eletrónicas são um instrumento essencial para expandir os fluxos financeiros além fronteiras e dentro de cada economia. Certas inovações têm permitido aumentar o acesso ao financiamento e desenvolver o intercâmbio de informações, as relações entre empresas e novas ferramentas de aprendizagem para as PME. Por exemplo, o surgimento dos empréstimos interpares em muitos países oferece aos mutuários novas fontes de financiamento, com processos mais simples e taxas de juro mais baixas, do que as possibilidades oferecidas pelos bancos e outros prestamistas tradicionais 1. A utilização de técnicas de extração de dados para avaliar os riscos do crédito reduz os custos de monitorização dos empréstimos para fornecedores 2. Igualmente, as novas ferramentas de avaliação do crédito através da Web reduzem os custos e os riscos suportados pelos intermediários financeiros que procuram chegar às pequenas empresas utilizando técnicas psicométricas de avaliação do crédito 3. Para desenvolver as redes empresariais, algumas plataformas como a ConnectAmericas põem as PME em contacto com os distribuidores e oportunidades de venda, a fim de reduzir os custos e a incerteza associados à expansão internacional 4. Estas plataformas Internet também podem obter capital destinado às empresas, através de parcerias com as instituições financeiras locais, sociedades de investimento e outros investidores. A InvestAmericas é um instrumento deste tipo, que põe as empresas da região que necessitam de financiamento em contacto com os investidores locais e internacionais. O sítio Internet permite aos investidores encontrar empresas promissoras, adequadas aos seus critérios de investimento. Além disso, permite às empresas aceder a capital não disponibilizado pelas fontes tradicionais. Estas novas tecnologias permitem alargar os empréstimos e serviços, alcançando um segmento mais vasto de empresas nos países latino-americanos e caribenhos (LAC), e promover a realização de parcerias com empresas estrangeiras. Como desenvolver e implantar serviços empresariais de valor acrescentado para as PME: além de novas fontes de financiamento, são necessárias medidas complementares para reforçar a solvabilidade das empresas. Estes serviços empresariais de valor acrescentado permitem colmatar a discrepância entre as necessidades de financiamento das empresas e a sua capacidade para estabelecer um plano de negócios e oferecer garantias. Os serviços prestados às empresas incluem formação, otimização da gestão e transparência, a certificação de produtos de acordo com as normas internacionais, a identificação de empresas inovadoras que apresentem um potencial significativo de crescimento e apoio técnico para a análise e entrada em novos mercados. Este tipo de serviços está associado à procura de crédito: as empresas que receberam um empréstimo ou que recentemente pediram um empréstimo são mais suscetíveis de solicitar estes serviços às empresas para melhorar a sua produtividade. Nesta perspetiva, é importante criar serviços empresariais com valor acrescentado para as PME que também melhorem o seu acesso ao financiamento. 1 Existem várias plataformas de empréstimo interpares (P2P) nos países latino-americanos e caribenhos, que estão em rápido crescimento, como a Cumplo no Chile, que já canalizou mais de 40 milhões de USD para o financiamento de PME. 2 Certos programas como o Trefi, que está a ser testado no Peru, oferecem descontos aos fornecedores que tenham valores a receber de PME e utilizam o historial creditício das empresas para aferir os riscos. 3 O laboratório Entrepreneurial Finance Lab, um dos pioneiros neste domínio, foi distinguido pelo G-20, que testou este modelo a nível mundial e na América Latina, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Fundo Multilateral de Investimentos. 4 O Banco Interamericano de Desenvolvimento impulsionou a criação da ConnectAmerica, uma rede social para as empresas da América Latina e das Caraíbas. Este sítio Internet liga as empresas de toda a região. Além disso, põe as empresas em contacto com instituições financeiras que concedem financiamento para as suas atividades de expansão e comércio internacional. Atualmente, mais de empresas participam nesta comunidade.

4 Para garantir o máximo impacto, estes serviços devem visar mercados em que a melhoria da solvabilidade possa aumentar a procura efetiva de crédito e a produtividade. Cabe destacar três destes segmentos de mercado: As empresas dirigidas por mulheres enfrentam taxas de juro mais elevadas e requisitos mais estritos em matéria de garantias do que as outras empresas, por razões culturais e legais. Atualmente, as empresas dirigidas por mulheres representam menos de um quarto de todas as pequenas empresas nos países da América Latina e das Caraíbas e quaisquer medidas adotadas para aumentar esta percentagem estimularão o crescimento da produtividade na região. As novas abordagens incluem a formação dos responsáveis pela concessão de crédito para chegar a este mercado insuficientemente explorado e a criação de linhas de financiamento específicas, duplamente vantajosas para os bancos e as empresas. A transição para uma economia de baixo teor de carbono oferece oportunidades promissoras para as pequenas empresas inovarem nos setores das novas tecnologias, da eficiência energética e da preservação de outros recursos naturais escassos. O investimento na transformação destas empresas em empresas mais «verdes» pode ter efeitos positivos tanto no ambiente como a nível dos resultados. O recurso a auditorias energéticas e outros meios de diagnóstico permite identificar novos investimentos para empresas com períodos de recuperação relativamente rápidos e melhorar a sua eficiência operacional. Estas medidas são particularmente importantes para as economias dependentes de combustíveis voláteis e onerosos, que tornam as PME menos competitivas. O segmento mais dinâmico entre as PME são as empresas «mais jovens». Estas empresas apresentam maior potencial de crescimento e de criação de emprego do que as empresas de maior dimensão já estabelecidas. Para chegar a este segmento são necessários diferentes instrumentos de financiamento, incluindo fundos de capital de risco e fundos de investimento, que exigem ambos uma forte utilização de serviços de aconselhamento. No entanto, na América Latina e nas Caraíbas, estes fundos estão pouco disponíveis, tanto na fase de arranque como de na de abertura de capital. Os esforços para colmatar este défice incluem programas destinados a identificar as PME com elevado potencial de crescimento, já utilizados na Coreia e agora transferidos para a América Latina e as Caraíbas pela Corporação Interamericana de Investimentos 5. Estes esforços facultam serviços de aconselhamento para ajudar as PME com forte potencial de crescimento a ganhar dinâmica no mercado. Chegar às PME mais jovens e dinâmicas exige numerosos serviços financeiros e de aconselhamento adaptados a este segmento. 3. Resultados do workshop: recomendações esperadas O apoio às empresas dinâmicas e formais é crucial para melhorar o crescimento e o capital próprio. Nomeadamente, as PME, especialmente nas suas fases iniciais, criam mais emprego e aumentam as vendas a um ritmo mais rápido do que as outras empresas. Os instrumentos financeiros são determinantes para o sucesso, sobretudo quando focalizados na ligação aos mercados internacionais, na adoção de soluções digitais para obter e conceder financiamento e na orientação para segmentos de mercado específicos. Por estas razões, os participantes apoiam: Os esforços renovados envidados pelas instituições financeiras mundiais para inovar no apoio ao acesso das PME aos mercados internacionais e às cadeias de abastecimento mundiais. Um maior 5 A Corporação Interamericana de Investimentos, com o apoio do Banco de Importações e Exportações da Coreia, lançou o programa «Hidden Champions» em Trindade e Tobago.

5 acesso aos mercados externos ajudará a estimular a produtividade à medida que as empresas expandem a sua produção e competem a nível mundial. Deve ser dada uma atenção especial ao papel das cadeias de valor e dos mecanismos destinados a aumentar o financiamento do comércio, o financiamento de fornecedores e os fundos de investimento a longo prazo para as PME que investem no estrangeiro. A utilização crescente das tecnologias digitais para prestar serviços financeiros, através de plataformas na Internet, para superar os obstáculos ao acesso enfrentados pelas empresas. As empresas devem participar ativamente nestas novas plataformas digitais para procurarem financiamento, estabelecerem parcerias, estudarem os mercados, obterem e partilharem conhecimentos, alargarem as suas redes e adquirirem mais valor junto das PME. Orientação de instrumentos financeiros para chegar a segmentos específicos do mercado das PME. Foram debatidos três domínios importantes onde podem ser alcançados ganhos de produtividade através de uma melhor orientação das medidas. Em primeiro lugar, a necessidade de alargar o acesso ao crédito às empresas dirigidas por mulheres, que constituem um mercado atualmente mal explorado. Em segundo lugar, desenvolver e implantar instrumentos financeiros para transformar as PME em empresas mais «verdes», através de auditorias energéticas e de financiamento no domínio da eficiência energética e das energias renováveis, de modo a reduzir os custos operacionais, com períodos de recuperação viável e impactos ambientais positivos. Em terceiro lugar, desenvolver instrumentos para apoiar as PME em rápido crescimento, através de capital próprio e de serviços de aconselhamento, a fim de estimular o crescimento do emprego e ganhos de produtividade nas economias das regiões. 4. Contactos Para o conteúdo do presente documento de síntese, queira contactar os autores: - em Washington: Martin Chrisney, Consultor Principal da Vice-Presidência para o Setor Privado e Operações sem Garantia Soberana, Banco Interamericano de Desenvolvimento: - em Madrid: Pilar Morán, Para mais informações sobre o Workshop 3, queira contactar: - em Bruxelas: DG GROW/A/2 - - em Santiago do Chile: Luis Cuervo, representante da DG GROW para a América Latina, Delegação da UE em Santiago do Chile -

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