PROJECTO DE RELATÓRIO

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1 ASSEMBLEIA PARLAMENTAR PARITÁRIA ACP- UE Comissão de Desenvolvimento Económico, Finanças e Comércio PROJECTO DE RELATÓRIO sobre o impacto do investimento directo estrangeiro (IDE) nos Estados de África, das Caraíbas e do Pacífico Co-relatores: Astrid Lulling e Timothy Harris (Saint Kitts e Nevis) PARTE A: PROPOSTA DE RESOLUÇÃO PR\ doc APP/ Av02-00

2 Í N D I C E Página PÁGINA REGULAMENTAR... 3 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO... 4 APP/ Av /8 PR\ doc

3 PÁGINA REGULAMENTAR Na sua reunião de 19 de Novembro de 2006, a Mesa da Assembleia Parlamentar Paritária ACP-UE autorizou a sua Comissão de Desenvolvimento Económico, Finanças e Comércio a elaborar um relatório, nos termos do nº 8 do artigo 2º do seu Regimento, sobre o impacto do investimento directo estrangeiro (IDE) nos Estados de África, das Caraíbas e do Pacífico. Na sua reunião de 18 de Novembro de 2006, a Comissão de Desenvolvimento Económico, Finanças e Comércio designou o Sr. Thimothy Harris (Saint Kitts e Nevis) e a Sra. Astrid Lulling co-relatores. A comissão procedeu à apreciação do projecto de relatório nas suas reuniões de 22 de Março de 2007, 23 de Junho de 2007 e. Na última reunião, aprovou o projecto de proposta de resolução... Encontravam-se presentes no momento da votação: O relatório foi entregue em... PR\ doc 3/8 APP/ Av02-00

4 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO sobre o impacto do investimento directo estrangeiro (IDE) nos Estados de África, das Caraíbas e do Pacífico A Assembleia Parlamentar Paritária ACP-UE, Reunida em Kigali (Ruanda) de 19 a 22 de Novembro de 2007, Tendo em conta os objectivos do Acordo de Parceria ACP-EU, assinado em Cotonu em 23 de Junho de 2000, no domínio do apoio ao investimento e do desenvolvimento do sector privado, e do comércio, Tendo em conta os Relatórios relativos ao investimento mundial (2005/2006), da CNUCED, e o seu Relatório sobre o desenvolvimento económico em África: Repensar o papel do Investimento (2006), Tendo em conta o relatório da ONUDI Análise relativa ao investidor estrangeiro em África (2005/2006), Tendo em conta a sua declaração da Cidade do Cabo, de Março de 2002, sobre as negociações futuras de um novo regime de comércio, Tendo em conta a Declaração da ONU (2000) sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) e o compromisso de eliminar a pobreza, Tendo em conta os compromissos assumidos pela comunidade internacional na Conferência das Nações Unidas sobre o Financiamento para o Desenvolvimento (Monterrey 2002), em particular no que se refere a mobilizar os recursos internacionais e a aumentar o fluxo líquido de recursos financeiros e a cooperação técnica para o desenvolvimento tendo em vista, nomeadamente, realizar os ODM, Tendo em conta o relatório da Comissão de Desenvolvimento Económico, Finanças e Comércio (ACP-UE /07/fin.), Importância do IDE A. Considerando que o IDE desempenha um papel importante no processo de desenvolvimento dos países de acolhimento, em particular pelo facto de fornecer tanto o capital como a tecnologia, e de trazer assim competências, know-how e o acesso ao mercado que contribuem para uma utilização de recursos mais eficiente e uma produtividade mais elevada, B. Considerando que o fluxo de capital privado para os países em desenvolvimento tem aumentado nestes últimos anos, assumindo uma importância crescente como fonte de financiamento, que é comparável à ajuda pública ao desenvolvimento (APD), C. Considerando que o IDE, pelo facto de incorporar novos factores de produção e APP/ Av /8 PR\ doc

5 tecnologias no processo de produção do país de acolhimento, reforça o crescimento, que o IDE pode reforçar as capacidades da oferta dos Estados ACP e contribuir para construir um nexo dinâmico entre as exportações e o investimento que pode ajudar estes países a realizarem os seus objectivos de crescimento económico e de desenvolvimento, incluindo os ODM, Ambiente para as empresas D. Está consciente dos obstáculos aos fluxos de IDE que variam consideravelmente entre as regiões ACP e no interior destas incluindo, entre outros, as questões básicas em matéria de governação, o quadro jurídico e o clima para as empresas, a força das instituições, o grau de intermediação financeira e os factores de localização, tais como transportes e infraestruturas, educação, disponibilidade de trabalhadores qualificados e saúde, E. Considerando que a maioria das economias ACP adoptaram legislação que oferece um vasto conjunto de garantias e de oportunidades aos investidores estrangeiros, incluindo a redução das restrições à propriedade de terra e imóveis e das restrições cambiais, garantindo assim aos investidores estrangeiros o direito de repatriar o capital e os lucros, F. Considerando que muitas economias ACP promulgaram legislação que autoriza os investidores estrangeiros a participarem nos programas de privatização e oferecem incentivos fiscais generosos, G. Considerando que os países ACP concluíram 210 tratados bilaterais de investimento com os Estados-Membros da UE e cada vez mais também com os outros países em desenvolvimento, H. Considerando que as sociedades transnacionais da Ásia mostraram um vivo interesse em investir nos Estados ACP, I. Considerando que o IDE proveniente da China através de empresas estatais tem aumentado nos últimos anos e foi acompanhado de esforços diplomáticos importantes, nomeadamente, as cimeiras China-África, J. Considerando que o IDE chinês está apenas concentrado nas indústrias extractivas, no intuito de garantir um abastecimento suficiente de matérias-primas à indústria chinesa em expansão, e que frequentemente está a apoiar orientações políticas dos governos ACP que não servem os interesses da democracia, do Estado de direito e da redução da pobreza nos seus países, K. Considerando que especialmente o IDE asiático se concentra igualmente no investimento em sucursais de sociedades transnacionais que inundam os mercados africanos com produtos de baixa qualidade, em especial, têxteis, L. Considerando que a disponibilidade de recursos financeiros suplementares, incluindo um maior afluxo de IDE, e as possibilidades de comércio são de grande importância para a estabilidade económica e social e o desenvolvimento sustentável dos países ACP, 1. Considera que, face a recursos insuficientes para financiar o desenvolvimento a longo PR\ doc 5/8 APP/ Av02-00

6 prazo e parecendo cada vez mais difícil realizar os ODM até 2015, a atracção de IDE tem assumido um lugar proeminente entre as estratégias de renovação económica; 2. Sublinha a necessidade de apoiar os países ACP na atracção de maiores fluxos de investimentos directos estrangeiros (IDE) e na transferência de tecnologia apropriada, a fim de reforçar o seu desenvolvimento e competitividade; 3. Está preocupado com o crescimento do IDE das sociedades transnacionais, em particular da China, que inundam os mercados africanos com produtos de baixa qualidade, em especial, têxteis; Ambiente para as empresas 4. Reafirma a responsabilidade primária dos países ACP pelo seu desenvolvimento e a importância crucial da apropriação nacional do esforço de desenvolvimento, incluindo a sua estabilidade macroeconómica sustentada e o ambiente para as empresas; 5. Sublinha a importância crítica dos factores de localização, tais como infra-estrutura económica e social, clima para as empresas, condições do mercado local, disponibilidade de recursos, iniciativas pró-activas de promoção do investimento e disponibilidade de activos, no tocante a influenciar as decisões de investimento num país de acolhimento; 6. Congratula-se com a atenção dada mais recentemente ao reforço da governação e da transparência, com o objectivo de garantir que os benefícios cheguem até aos pobres, à atenuação dos riscos ambientais e sociais e à protecção dos direitos das pessoas afectadas negativamente pelo IDE; 7. Sublinha que muitos países ACP ainda necessitam de um grande impulso do investimento público que lhes permita vencer os elevados custos de transporte da região, a geralmente pequena dimensão dos mercados, a baixa produtividade da agricultura, as condições agroclimáticas adversas, o peso das doenças e a difusão lenta de tecnologia vinda do estrangeiro; Promoção do IDE europeu 8. Reconhece que os determinantes associados ao país de acolhimento - os factores de atracção - e a cooperação regional podem trazer uma maior estabilidade financeira, uma melhor coordenação política, um melhor planeamento de infra-estruturas e um padrão mais dinâmico de desenvolvimento industrial, que podem contribuir para um clima de investimento mais favorável tanto para as empresas domésticas como para as estrangeiras; 9. Convida os países ACP a aprofundarem progressivamente a sua iniciativa respectiva de integração regional e a divisão do trabalho; 10. Sublinha além disso a importância crítica dos determinantes associados ao país de origem - os factores de incitação - que incluem, entre outros, as condições de mercado e de comércio, as condições de actividade das empresas e as políticas do governo nacional; 11. Convida os Estados da UE e a Comissão Europeia a manterem, particularmente nos APP/ Av /8 PR\ doc

7 sectores sensíveis, um elevado nível de controlo e auditoria sobre as sociedades transnacionais europeias, exigindo elevados níveis de responsabilidade destas empresas, partilhando a informação recolhida com os decisores do país de acolhimento e concebendo medidas disciplinares e mecanismos de compensação sempre que há provas claras de danos à economia do país de acolhimento; 12. Convida os Estados-Membros da UE a acordarem um quadro colectivo destinado a comercializar as oportunidades de investimento nos países ACP, além de incentivarem um alargamento dos tratados de investimento bilaterais, actualmente concentrados na Alemanha, Reino Unido, Bélgica, França e Países Baixos; 13. Convida ainda os Estados-Membros da UE a acordarem urgentemente um quadro colectivo de medidas inovadoras de promoção do investimento, incluindo, designadamente, incentivos financeiros e outros incentivos tangíveis às suas empresas e instituições com vista à transferência de tecnologia para os países ACP e créditos de imposto às empresas que invistam nos países ACP; 14. Solicita à Comissão Europeia que informe a APP uma vez por ano sobre a percentagem do IDE oriundo da UE em comparação com o IDE de outras origens; Utilização dos instrumentos do Acordo de Cotonu para promover o IDE 15. Solicita ao Banco Europeu de Investimento que reforce e melhore o desempenho da facilidade de investimento, de modo a tornar este instrumento num recurso viável para o sector privado dos países ACP; 16. Solicita igualmente às partes no Acordo de Cotonu que atribuam à facilidade de investimento um mandato no domínio da promoção do investimento, em particular, tornando esta facilidade, para além do seu mandato actual, num instrumento destinado a promover as joint-ventures ; 17. Solicita à Comissão Europeia e às partes no Acordo de Cotonu que instituam, no âmbito do 10º FED, uma facilidade/agência ACP de garantia de investimentos dotada de um financiamento adequado, como estipulado no nº 4 do artigo 77º do Acordo de Parceria de Cotonu; 18. Sublinha a necessidade urgente de redefinir o papel e o mandato das instituições paritárias ACP-UE - Centro para o Desenvolvimento de Empresas e Centro Técnico para a Agricultura e a Cooperação Rural tendo em vista dotá-las de mandatos específicos de promoção do investimento com um financiamento adicional proporcional; 19. Convida a Comissão Europeia e os Estados-Membros da UE a aumentarem o nível do apoio financeiro e técnico às agências nacionais e regionais dos ACP de promoção do investimento (API), incluindo a atribuição às mesmas de um mandato explícito no domínio do "investimento externo"; 20. Sublinha a necessidade, nomeadamente no âmbito da cooperação ACP-UE, de ter em conta os défices estruturais com que os países ACP se defrontam no que respeita à atracção e retenção dos fluxos de IDE; solicita a todas as partes no Acordo de Cotonu a PR\ doc 7/8 APP/ Av02-00

8 sua especial atenção para a mobilização de recursos em favor do desenvolvimento das suas infra-estruturas, os investimentos sociais e económicos e a boa governação; 21. Sublinha ainda a necessidade de assegurar que o aumento esperado do afluxo de IDE aos Estados ACP, particularmente no domínio dos recursos naturais, produza um impacto de desenvolvimento equilibrado, através de políticas e instituições apropriadas; e convida os Estados ACP a cumprirem, a este respeito, os seus compromissos em matéria de desenvolvimento e a comunidade internacional a apoiar este processo. APP/ Av /8 PR\ doc

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