OAB 1ª FASE RETA FINAL CESPE DISCIPLINA: DIREITO TRIBUTÁRIO Prof.: Alexandre Mazza Material de Apoio

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1 1. Conceito de direito tributário = estuda as atividades estatais de criação, cobrança e fiscalização de tributos. A destinação do dinheiro arrecadado pelo fisco, não é objeto do direito tributário, mas do financeiro. 2. Competência para legislar = é concorrente, ou seja, a União, Estados Membros e DF, tem competência para legislar. O Município legislam sobre interesse tributário a partir do interesse local. Cabe a União editar as normas gerais Lei 5.172/66 (CTN) O CTN é formalmente lei ordinária e materialmente lei complementar. 3. Princípios do direito tributário a) legalidade = estrita legalidade = tipicidade cerrada Conceito = significa: criação, aumento, redução e extinção de tributos, sempre dependem de lei. Em regra é uma lei ordinária chutar nela Só 4 tributos são instituídos por lei complementar, são eles: empréstimos compulsórios, imposto sobre grandes fortunas, impostos residuais, novas fontes de custeio da seguridade. Esses temas não admitem Medida Provisória. Medida Provisória pode criar tributos, mas se a MP criar ou aumentar IMPOSTO este só poderá ser exigido no exercício seguinte ao da conversão da MP em Lei. Exceções: Seis tributos podem ter ALÍQUOTAS modificadas por Decreto: (base de cálculo não). A competência do decreto é só para modificar a alíquota. A instituição da alíquota exige Lei. Às vezes cai na prova como tributos aduaneiros e não como é mostrado a seguir IOF,IPI,II, IE,CIDE COMBUSTÍVEL, ICMS COMBUSTÍVEL b) anterioridade = não surpresa. Tributo criado ou majorado em um exercício só poderá ser exigido no ano seguinte,(anterioridade anual) respeitado o intervalo mínimo de 90 dias (anterioridade nonagesimal). O princípio da anterioridade foi modificado pela EC 42/03. Exceções: 1. Tributos de cobrança imediata (cobrados no dia seguinte): IOF, II, IE, IEG, empréstimo compulsório de calamidade pública ou guerra externa. 2. Tributos que respeitam somente os 90 dias (cobrados no mesmo ano): IPI, Contribuições do artigo 195, CF, ICMS COMBUSTÍVEIS E CIDE COMBUSTÍVEIS. 3. Tributos cobrados no ano seguinte (sem os 90 dias): IR, alterações na base de cálculo do IPTU E IPVA. c) anualidade = não existe mais no Brasil d) vedação do confisco = proíbe que o tributo seja usado para retirar todos os bens do contribuinte ou impedir atividade econômica. JURISPRUDÊNCIAS: STF1) A vedação do confisco também vale para multas tributárias. - 1

2 STF2) A vedação do confisco não vale para tributos extrafiscais, ou seja, são aqueles criados com finalidade social ou política. e) irretroatividade = a Lei tributária não se aplica à fatos geradores anteriores à data de sua publicação. Exceções: A lei tributária pode retroagir em 2 casos: - quando a lei for interpretativa: explica o conteúdo de lei anterior - lei tributária mais benéfica em matéria de infração, desde que o ato não tenha sido definitivamente julgado. Ex.: lei que reduz multa; lei que deixa de considerar ato como infracional. f) isonomia tributária = a lei não pode dar tratamento desigual à contribuintes em situação equivalente. Por isso a incapacidade civil é irrelevante para o direito tributário. g) non olet = sem cheiro. Para o direito tributário não importa a origem do dinheiro do contribuinte e nem se a atividade tributada é lícita. Ex.: traficante deve IR h) seletividade = as alíquotas do ICMS (faculdade, porque a CF diz que o imposto poderá ser seletivo) e do IPI (dever = será seletivo) serão graduadas conforme a essencialidade do produto ou do serviço. i)não cumulatividade = só vale para ICMS, IPI, COFINS (MONOFÁSICA, PLURIFÁSICA CUMULATIVA, PLURIFÁSICA NÃO CUMULATIVA), IMPOSTOS RESIDUAIS. Esse princípio serve para evitar tributação em cascata. Tais tributos são pagos compensando-se em cada operação o montante recolhido na etapa anterior. j) uniformidade geográfica = os impostos da União devem ter a mesma alíquota em todo território nacional. Ex.: é inconstitucional o decreto que aumenta o IPI somente sobre calçados no Mato Grosso do Sul. Exceção = é permitida a exceção de incentivos fiscais para estimular certa região. k) não limitação = impede a utilização de tributos para restringir o transito de pessoas e bens no território nacional. Ex.: é inconstitucional a taxa cobrada para impedir o acesso de turistas populares na praia. l) capacidade contributiva = sempre que possível os impostos terão caráter pessoal, segundo a capacidade econômica do contribuinte. Na CF de 88 só 3 impostos são progressivos: IR, ITR, IPTU (progressividade no tempo, em razão do valor, do uso e localização). O IPVA não é progressivo. 4. Conceito de tributo a) é obrigação legal (nunca nasce de contrato, as convenções particulares não podem ser opostas a Fazenda Pública). b) Prestação pecuniária = é sempre uma obrigação de dar quantia em dinheiro ao Estado. c) Não constitui sanção por ato ilícito = significa que o tributo é diferente de multa, porque o tributo nasce com o fato gerador. - 2

3 d)obrigação compulsória = o pagamento não é facultativo e) ato vinculado lançamento, ato privativo do fisco, declaratório do fato gerador e constitutivo do crédito tributário. 5.Prazo Fato gerador lançamento execução fiscal = 5 anos (decadência e prescrição) 6. Modalidades de lançamento a) lançamento direto ou de ofício = é aquele feito pelo fisco sem a participação do contribuinte. b) Misto ou por declaração = é aquele realizado com base em informações prestadas pelo devedor. c) auto lançamento ou por homologação = é feito pagamento sempre com antecipação. 7. Espécies tributárias a) impostos = são tributos desvinculados, porque independem de atuação estatal. A lei que rege é a ordinária. São classificados como: - Estaduais: ICMS (somente 3 serviços pagam esse tributo: comunicação, transporte interestadual, transporte intermunicipal), IPVA (não incide sobre barcos e aeronaves), ITCMD (qualquer doação, inclusive imobiliária) - Federais: IOF, IPI, II, IE, IR, ITR, IGF (tem que respeitar as duas anterioridades (anual e nonagesimal, a União tem prazo para criação deste imposto) - Municipais: IPTU, ISS (é devido em regra no Município da sede da empresa prestadora; exceção: construção civil paga no local da prestação, locação não paga), ITBI doação com encargo. - Distrito Federal: Estaduais e Municipais A competência de impostos residuais é da União. É através de lei complementar; não podem ter base de cálculo e fato gerador de outros impostos. Quem cobra impostos no território = União Imposto extraordinário de guerra IEG: são cobrados em caso de guerra externa ou sua iminência, a competência é da União, por lei ordinária. Podem ter base de cálculo e fato gerador de outros impostos. b) taxas = são tributos vinculados (porque dependem de atuação estatal), lei ordinária, a competência é de todos os entes federativos. As taxas não terão base de cálculo própria de impostos. Existem 2 tipos - taxas de polícia: cobrada quando o Estado exerce fiscalização sobre o particular. Ex.: tx de fiscalização ambiental, tx de licenciamento - taxas de serviço: é aquela cobrada quando o Estado presta serviço público específico e divisível ( uti singuli ). Ex.: tx de água, tx judiciária, tx de telefonia fixa. A taxa pode ser cobrada pelo uso efetivo ou potencial serviço estava à disposição. Se o serviço for indivisível ( uti universi ), a taxa será inconstitucional. Ex. tx de lixo, tx de limpeza pública c) contribuições de melhoria: são tributos vinculados, por lei ordinária, cuja competência são de todos os entes federativos (competência comum). É cobrada quando realiza obra pública que valoriza imóvel. O CTN prevê dois limites ao valor da contribuição de melhoria: - 3

4 - limite global = custo da obra, leva em conta toda área de influência da obra. - limite individual = valorização do imóvel, leva em conta a valorização. d) empréstimos compulsórios = são tributos restituíveis, a competência é da União, lei complementar, pode ser cobrado em 2 hipóteses: - calamidade pública ou guerra externa (cobrança imediata) - investimento público de caráter relevante (anterioridade) Atenção!!!! O valor arrecadado fica vinculado a situação que ensejou sua cobrança. Não existe mais empréstimo compulsório para situação que exija absorção temporária do poder aquisitivo. e) contribuições especiais = são tributos qualificados pela destinação ou finalidade; lei ordinária, são de competência privativa da União, pois existem duas contribuições que não são federais: - Estados, DF e Município podem instituir contribuição de seus servidores para regime previdenciário próprio; - DF e Municípios podem cobrar contribuição de iluminação pública (CIP ou COSIP), facultada à arrecadação na fatura de energia residencial. Pode ser cobrada com a conta de luz. A competência não é do Estado e sim do DF e Municípios Nada impede que contribuições tenham base de cálculo e fato gerador de impostos. Contribuições incidem nas importações? E nas exportações? quando importo 1 produto pago tudo que é tributo, mas na exportação só incide o IE A natureza jurídica é definida pelo fato gerador (vale somente para as 3 primeiras), sendo irrelevantes a denominação e a destinação. As contribuições são de 3 tipos: a) intervenção do domínio econômico CIDES: ex.: CIDE COMBUSTÍVEIS b) interesse das categorias profissionais e econômicas. Ex.: OAB, CRM c) contribuições sócias ou previdenciárias Art. 195, CF. PIS, COFINS Seguridade Social Previdência, Assistência, Saúde Quatro fontes de custeio: - empregado - empregador - importador - concursos de prognóstico (loterias) - 4

5 8. Imunidades tributárias - imunidade (está na CF) é diferente de isenção (mora na lei). A imunidade limita a competência, já a isenção não, ela dispensa o pagamento. Existe uma semelhança entre imunidade e isenção, ambas afastam apenas a obrigação principal (não atingem obrigação acessória) CUIDADO!!!! Imunidade só afasta IMPOSTOS. 9. Imunidades em espécie Art. 150, CF a) imunidade recíproca: entes federativos não pagam impostos. Também vale para Autarquias e Fundações Públicas. b) imunidade dos templos de qualquer culto: todas as instituições religiosas não pagam nenhum imposto. Também vale para áreas contíguas ao templo, são áreas coladas, mesmo número de matrícula, por exemplo, estacionamento, creches e casas sacerdotais) c) não pagam impostos: partidos políticos e suas fundações, sindicatos de trabalhadores, entidades de assistência social* (também são imunes a contribuições sociais), entidades de educação sem fins lucrativos* *** Artigo 14, CTN, estabeleceu 3 condições para que essas entidades sejam imunes: - regularidade contábil - não remeter dinheiro ao exterior - não pode distribuir bens e receitas entre os dirigentes d) livros, jornais, periódicos (revista) e papel = é uma imunidade objetiva dos produtos. Por isso editora paga todos os impostos pessoais (IR, IPVA, IPTU), também vale para livros no formato CD-ROM 10. Características da competência tributária a) indelegabilidade b) privatividade c) facultatividade d) irrenunciabilidade e) incaducabilidade f) inampliabilidade - 5

6 11. Interferência da União em alíquotas Estaduais e Municipais Resolução do Senado - alíquota mínima alíquota máxima IPVA SIM ITCMD SIM ICMS SIM SIM Lei complementar da União alíquotas mínima e máxima do ISS 12. Repartição de receitas (Art. 157 e 158, CF) - pertencem aos Estados e Distrito Federal a) 100% de impostos retidos na fonte IR sobre a remuneração de servidores estaduais e distritais b) 20% de impostos residuais - pertencem aos Municípios a) 100% de impostos retidos na fonte IR sobre a remuneração de servidores Municipais b) 50% do ITR, facultado ao Município ficar com a totalidade do imposto se celebrar convênio com a União c) 50% do IPVA d) 25% do ICMS Lembrar que também se sujeitam a repartição de receitas o IPI,a CIDE COMBUSTÍVEIS e o ICMS COMBUSTÍVEIS 13. CTN - Art. 96: trata do conceito de legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares) - Art. 100: normas complementares, são atos normativos, decisões de órgãos do fisco, convênios, as práticas reiteradas da autoridade. - Art. 103: atos normativos entram em vigor na data de sua publicação. As decisões entram em vigor 30 dias após a publicação e os convênios entram em vigor na data neles prevista. 14. Integração da lei tributária Art. 108, CTN É o preenchimento de lacunas se sendo caso de lacuna, a autoridade usará: - 6

7 - analogia: não pode resultar na cobrança de tributo não previsto em Lei. - princípios gerais do direito tributário - princípios gerais do direito público - equidade: não pode resultar na dispensa do pagamento de tributo 15. Interpretação da lei tributária Deve ser interpretada de modo literal de obrigação acessória, sobre exclusão e suspensão do crédito e outorga de isenção. Deve ser interpretada de modo mais favorável ao acusado em matéria de infração. 16. Revogação de isenção Se a isenção for temporária e também condicionada quem preenche a condição não pode perder a isenção, no prazo prometido. Atenção!!!! 1. sócios, gerentes e administradores só podem ser acionados por dívida da empresa, nos casos de fraude ou infração = desconsideração da personalidade jurídica. 2. O devedor pode escolher seu domicílio tributário, mas se atrapalhar o fisco pode recusar. 3. Imputação em pagamento acontece quando o devedor tem um monte de dívida e paga quanto quer. Art. 163, CTN: se o devedor paga o credor menor do que deve e não diz o que está pagando, o fisco recebe o pagamento conforme as seguintes regras: a) em primeiro contribuições de melhoria, taxas e impostos b) primeiro débitos por obrigação própria, e depois débito por responsabilidade 17. Causas de exclusão, suspensão e extinção do crédito Exclusão do crédito: anistia e isenção Suspensâo: moratória / depòsito integral / recursos e reclamações administrativas / concessao de medida liminar e concessâo de tutela antecipada / parcelamento TODAS AS OUTRAS FORA DO (AI E MODERECOPA) SÃO CAUSAS DE EXTINÇÂO - 7

8 QUESTÕES DE REVISÃO 1. (OAB.CESPE/2008.1)Não constitui matéria tributária exclusiva de lei a a) definição do fato gerador da obrigação tributária principal. b) cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a dispositivos de lei. c) atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. d) hipótese de exclusão tributária. 2. (OAB.CESPE.SP/ ) As normas que regem a repartição das receitas tributárias determinam que pertencem aos municípios 50% do produto da arrecadação do imposto A) de renda retido na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles ou por suas autarquias. B) sobre a propriedade territorial rural, relativamente aos imóveis neles situados. C) sobre a propriedade predial e territorial urbana, relativamente aos imóveis neles situados. D) sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. 3. (OAB.CESPE/2008.1) As hipóteses previstas no CTN para suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não incluem a) a medida liminar em ação judicial. b) o parcelamento. c) o pagamento parcial do tributo. d) o depósito do seu montante integral. 4. (OAB.CESPE/2008.1)Assinale a opção correta quanto ao imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF). a) Constitui uma das hipóteses de incidência do IOF a posse de um título mobiliário. b) As alíquotas do IOF somente podem ser modificadas por lei em sentido estrito. c) O lançamento do IOF deve ser sempre executado de ofício pela autoridade administrativa. d) O IOF tem função predominantemente extrafiscal. 5. (OAB.CESPE/2008.1) Considere que Pedro e Tiago sejam, por lei, considerados sujeitos passivos solidários em relação a determinada dívida tributária. Nessa situação, a) se a lei conceder remissão pessoal a Tiago, o saldo da dívida passa todo para Pedro. b) se a lei conceder a interrupção da prescrição em prejuízo de Tiago, não será afetada a prescrição para Pedro. c) se Pedro pagar a metade da dívida, somente Tiago permanecerá devedor. d) se Pedro foi quem deu razão à dívida, o fisco deve primeiramente cobrar dele e, somente após esgotados os esforços, deve cobrar de Tiago. GABARITO: 1. C; 2. B; 3. C; 4. D; 5. A. - 8

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