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1 Dando prosseguimento à aula anterior, neste encontro, encerraremos o art.195, CF, comentando os seus principais parágrafos, para fins de concurso público! Alberto Alves 1º As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à seguridade social constarão dos respectivos orçamentos, não integrando o orçamento da União. 2º A proposta de orçamento da seguridade social será elaborada de forma integrada pelos órgãos responsáveis pela saúde, previdência social e assistência social, tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias, assegurada a cada área a gestão de seus recursos. 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Daí a necessidade de obter a certidão negativa de débito (CND) para participar de licitações, para contratar com o Poder Público. Ressalta se que mesmo em débito, há situações, conforme estabelecido em lei, em que as empresas poderão contratar com o Poder Público (ex.. dívidas em parcelamento). 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido ao disposto no art. 154, I. Este parágrafo trata da chamada competência residual da União para a instituição de contribuições novas para a seguridade social, destinadas a garantir a sua manutenção ou expansão. Destaca se que a lei à qual menciona o parágrafo deve ser lei complementar, de acordo com o art.154, I, primeira parte. Outro ponto a merecer destaque neste parágrafo refere se à necessidade de inovação da base de cálculo e fato gerador perante as contribuições já existentes, isto é, diferente das já 1 Alberto Alves

2 previstas no art.195 e seus incisos. Assim, o STF já pacificou que as novas contribuições até podem ter fato gerador e/ou bases de cálculo semelhantes aos impostos já existentes, o que não podem é serem semelhantes as das contribuições já existentes, isto é, não poderão eleger como bases de cálculo o lucro, a receita ou o faturamento etc. Quanto a não cumulatividade poderá ser exigível desde que a nova contribuição tenha natureza polifásica, como o ICMS ou IPI. 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. Como bem aborda Wagner Balera, este parágrafo trata da regra da contrapartida, pois se não pode haver benefício ou serviço sem fonte de custeio, in contrário sensu, não pode haver fonte de custeio sem específica destinação aos benefícios e serviços. 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b"; O princípio da anterioridade genérica (art.150, III, b ), aplicável inclusive às contribuições em geral, conforme rezam os arts.149 e 149 A, CF, veda a cobrança de tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os houver instituído ou aumentado. Por seu turno, o princípio da anterioridade nonagesimal ou mitigada (art. 195, 6º) de que aqui estamos tratando exige o interstício de noventa dias quanto à exigibilidade das contribuições sociais para a seguridade social, quando forem instituídas ou aumentadas. Cabe destacar que a partir da EC nº 42/2003, todas as contribuições (art.149 e art.149 A) passaram a estar sujeitas à regra dos 90 dias ou noventena, conforme art. 150, III, c, CF. 2 Alberto Alves

3 Na prática, esta nova exigência da Constituição é idêntica à estabelecida pelo art.195, 6º. Entretanto, não podemos deixar de ressaltar que as contribuições para a seguridade social sujeitamse exclusivamente ao princípio da anterioridade nonagesimal, ao passo que as outras contribuições, além dos 90 dias, há de observar também a anterioridade genérica, ou seja, a lei para ser eficaz num determinado exercício tem de ter sido publicada no exercício anterior. Portanto, para reforçar, temos que todas as contribuições respeitam a não surpresa do sujeito passivo, observando se: as contribuições para a seguridade social descritas no art. 195 seguem a anterioridade nonagesimal o que significa só poderem ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou majorado. todas as demais contribuições (outras sociais que não se destinem ao custeio da seguridade social, as contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas, as contribuições de intervenção no domínio econômico, a contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública) estão submetidas ao princípio da anterioridade da publicação da lei que as institua ou majore ao exercício da produção de seus efeitos enunciado no art. 150, III, "b" da CF/1988, bem como a noventena do art. 150,III, c. 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A isenção prevista neste parágrafo na realidade é uma imunidade, já que se trata de uma limitação constitucional ao poder de tributar. É um dos casos de imunidade previsto fora do capítulo do Sistema Tributário Nacional, e que não se refere a impostos. Entendemos que a lei deverá ser lei complementar, por força do inciso II do art. 146,CF. 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma 3 Alberto Alves

4 alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. Tal dispositivo da Carta Magna trata do pequeno produtor rural pessoa física e do pescador artesanal, que contribuirão para a seguridade social de forma diferenciada, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. 9 As contribuições sociais previstas no inciso I deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. As contribuições sociais da empresa (exceto a do trabalhador, a do concurso de prognósticos e a do importador) poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a respectiva contrapartida de recursos. 11. É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições sociais de que tratam os incisos I, a, e II deste artigo, para débitos em montante superior ao fixado em lei complementar. Trata o dispositivo de vedação da concessão de remissão (perdão do crédito) ou anistia (perdão da penalidade) das contribuições sociais da empresa relativas à folha de salários e do trabalhador, conhecidas como contribuições previdenciárias, para débitos em montante superior ao fixado em lei complementar, a qual ainda não foi instituída. 4 Alberto Alves

5 Ressalta se que esta limitação constitucional refere se somente às contribuições previdenciárias e, mesmo assim, para débitos superiores aos fixados em lei complementar, assim, podemos dizer que para débitos inferiores à lei poderá haver a remissão e anistia. 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I,b; e IV do caput, serão não cumulativos. Este dispositivo trata da COFINS e da contribuição social do importador. Pretende o Constituinte evitar a incidência em cascata dessas contribuições, de modo que o custo do produto final não seja tão exacerbado. 13. Aplica se o disposto no 12 inclusive na hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente da forma do inciso I, a, pela incidente sobre a receita ou o faturamento. Prevê este parágrafo a autorização para a substituição gradual, de forma total ou parcial, da contribuição sobre a folha de salários (cota patronal) pela contribuição incidente sobre a receita ou o faturamento. Questões de Prova: 1 (CESPE/PROCURADOR/INSS/97): 01 Contribuições novas, não previstas na Constituição Federal, poderão ser criadas somente mediante lei complementar e desde que se destinem à expansão do sistema de seguridade e não simplesmente à sua manutenção. ( ) 02 As taxas e as contribuições sociais não podem ser instituídas com base de cálculo idêntica à de impostos já existentes. ( ) 03 A participação dos trabalhadores no custeio da seguridade social deve vir disciplinada em lei complementar, haja vista a Constituição ter recepcionado a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). ( ) 5 Alberto Alves

6 04 A contribuição para o PIS e a contribuição social incidente sobre os valores pagos, a título de pro labore, aos diretores das empresas têm idêntica base de cálculo razão pela qual esta última exação é disciplinada em lei complementar. ( ) 2 (CESPE/PROCURADOR/INSS/99) Considere a seguinte situação hipotética: Determinada lei modificou a sistemática da contribuição para a seguridade social devida pelas empresas, cobrada sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, estabelecendo alíquotas e bases de cálculo diferenciadas em função da atividade das empresas. Em tal caso, a lei seria necessariamente inconstitucional, por estabelecer diferenciações para mesmas categorias de contribuintes em face de sua atividade econômica, o que é constitucionalmente inadmissível. ( ) 03 (CESPE/CONSULTOR LEG SENADO/2002): 1 As contribuições parafiscais destinadas à seguridade social podem ser exigidas no mesmo exercício fiscal em que instituídas, desde que obedecido o prazo de noventa dias da data de publicação da lei que as instituiu. ( ) 2 O princípio da anterioridade, por assegurar a integridade do próprio Estado Federativo, aplica se a todas as espécies tributárias, impedindo a Constituição da República que haja qualquer exceção à incidência de seu comando normativo. ( ) 04 (ESAF/AFRF/2005) Com relação às contribuições sociais, no âmbito da seguridade social, é correto afirmar: a) As contribuições sociais, de que trata o art. 195 da CF/88, só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art.150, III, b, da Carta Magna. b) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser exigidas após decorridos cento e oitenta dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art.150, III, b, da Carta Magna. 6 Alberto Alves

7 c) São isentas de contribuição para a seguridade social todas as entidades de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei complementar. d) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da assinatura da lei que as houver instituído ou modificado,não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna. e) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser criadas e exigidas após decorridos noventa dias da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art.150, III, b, da Carta Magna. Gabarito: 01 E, E, E, E 02 E 03 C, E 04 A 7 Alberto Alves

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