OFICINA DE MEMÓRIA: UMA INTERVENÇÃO DE QUALIDADE DE VIDA

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1 OFICINA DE MEMÓRIA: UMA INTERVENÇÃO DE QUALIDADE DE VIDA Rita de Cássia Mendonça Psicóloga TRT 21ª Região Natal/RN A memória vincula-se às experiências e não a meros acontecimentos, tomando experiências no sentido de algo que nos acontece e nos marca. (LARROSA, 2002).

2 Tecendo a rede de memorias 1.Memória individual, memória histórica e memória coletiva 2. Histórias de vida, narrativas e autobiografia no trabalho 3. Socialização de experiências: Oficina de memória (autobiografia profissional) com Analista Judiciário Executante de Mandados - Oficial de Justiça Avaliador Federal. 3.2 Projeto Conte sua História - Portal de Memórias - videobiografia com servidoras aposentadas. 4. Perspectivas e desafios da intervenção para qualidade de vida: criar elos entre saúde, educação e trabalho com magistrados e servidores

3 1.Memória individual, memória coletiva e memória histórica - a arte de lembrar... Memória histórica Memória coletiva Memória individual A memória é sempre uma construção feita no presente a partir de vivências/experiências ocorridas no passado, para emergir o sujeito no futuro. É um dispositivo de descobertas de sentido para a vida.

4 PESQUISA FORMAÇÃO AÇÃO - HISTÓRIA DE VIDA - EXPERIENCIAS FORMADORAS - AUTOBIOGRAFIA E HETEROBIOGRAFIA - BIOGRAFIZAÇÃO - ESCRITAS DE SI - NARRATIVAS DE VIDA - MEMORIAIS - HISTORICIDADE DOS SUJEITOS INTERVENÇÃO BEM-ESTAR QUALIDADE DE VIDA

5 O projeto de memória tem como objetivo a preservação das experiências de vida e dos conhecimentos construídos ao longo da vida. As narrativas orais e escritas podem revelar resultados significativos de formação e aprendizado, transformando em elementos de comunicação e dispositivos de bem estar para melhorar as relações consigo mesmo e os vínculos entre as pessoas.

6 A narrativa está presente no mito, lenda, fábula, conto, novela, história, tragédia, drama, comédia, mímica, pintura [...] ela começa com a própria história da humanidade e nunca existiu em nenhum lugar e em tempo nenhum, um povo sem narrativa. (Roland Barthes, 1993, citado por Jovchelovich; Bauer, 2003 p.91) Quem somos nós, o que é cada um de nós, senão uma combinatória de experiências, de informações, de leitura, de imaginações. Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser continuadamente remexido, e reordenado de todas as maneiras possíveis. (Ítalo Galdino)

7 Memoriais (auto)biográficos Conceição Passeggi (2008) refere-se ao memorial (auto)biográfico como a arte profissional de tecer uma figura pública de si, onde o sujeito está inserido, visto que ao narrarmos, não apenas descrevemos, seguindo uma ordem cronológica, factual, mas sim narramos o que a memória seleciona entre as experiências e as lembranças significativas, sendo a memória uma construção social.

8 É por meio da interpretação dos discursos narrativos que o funcionamento psíquico humano se expande, se enriquece e se reestrutura perpetuamente. Jean-Paul Bronckart (1999, p.62)

9 2. MEMÓRIA E HISTÓRIA DE VIDA NO TRABALHO QUAL O PAPEL DO TRABALHO NA VIDA DAS PESSOAS? O trabalho ocupa a maior parte da vida na maioria das pessoas. O trabalho cumpre muitas funções na vida de uma pessoa: É meio de sobrevivência, de realização, de adoecimento e de construção de identidade.

10 NO INÍCIO, UM PROJETO DE VIDA: SER SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL ESTABILIDADE DESEJOS REALIZAÇÃO ENTUSIASMO SONHOS COMPROMISSO

11 A história de uma vida não cessa de ser refigurada por todas as histórias verídicas ou fictícias que um sujeito conta sobre si mesmo. Essa refiguração faz da própria vida um tecido de histórias narradas.

12 3.1 OFICINA DE MEMÓRIA: AUTOBIOGRAFIA E FORMAÇÃO PROFISSIONAL Objetivo: Desenvolver uma ação reflexiva sobre si mesmo e o outro, resgatando os vínculos afetivos, familiares e profissionais, identificando pessoas e fatos que marcaram suas escolhas na vida e buscando a elaboração do sujeito-projeto. Metodologia: Formação de grupos reflexivos com 10 a 12 participantes. As atividades são constituídas de cenários lúdicos, criativos, sensíveis, vivenciais... Desenvolvimento de práticas autobiográficas, possibilitando as narrativas orais e escritas sobre uma memória que tem significado, relação e tessituras entre os arquivos, fatos e sentimentos. Período: É flexível com encontros mensais semanais.

13 Momentos de construção das narrativas O momento inicial : Rememoração Que acontecimentos, que pessoas, que lugares marcaram a minha vida (pessoal, profissional, intelectual,...)? O segundo momento: A reflexão. O que esses fatos, pessoas, lugares fizeram comigo? O terceiro momento: A interpretação. O que faço agora com o que esses fatos, pessoas, lugares fizeram comigo?

14 A ARTE DE CONTAR E ESCUTAR HISTÓRIAS DE VIDA (Auto)biografia do sujeito social: a história continua... 7.Projetos de vida: o sujeito em projeto. 6.Narrativas de si: compartilhando histórias, vidas, sentimentos e saberes 5.Formação continuada: a busca de saberes ao longo da vida. 4.Ser profissional: os sonhos são para sempre. 3.A Trajetoria profissional: revelando caminhos e descobrindo emoções. 2. O autoretrato: os desafios, a superação e o prazer de ser o que é. 1. Vamos aventurar na narrativa (auto) biográfica de formação profissional?

15

16 As vidas são textos sujeitos a revisão. (Bruner, 1995)

17 PERFIL DOS PARTICIPANTES DA PESQUISA Faixa etária < 45 33% % > 51-23% Naturalidade Natal/RN 44% Interior RN 23% Outro estado - 33% Ano de aprovação no concurso % % % % Formação continuada Pós-graduação 66% Sem pós-graduação - 34% Cursos Escola Judicial - 100% Eventos ASSOJAFERN -100% Atividade biopsicossocial Sim - 77% Não 23% Estado Civil Casado 90% Viúvo 10% Sexo Feminino 44% Masculino - 56% Experiência anterior Serviço público 66% Iniciativa privada 22% Não trabalhava - 12% Religião Cristão 11% Católico 44% Evangélico - 34 Não informado - 11%

18 Movimento de subjetivização identificação (de fora para dentro) Movimento de Socialização explicitação (de dentro para fora)

19 A voz do profissional: histórias de vida e memórias... [...] Ao refletir sobre a minha prática profissional, verifico o período que passo fora da instituição entregando mandados nas residências e estabelecimentos comerciais, identificando endereços, mapeando as áreas que devo ir... Muitos consideram que temos liberdade de horários e nosso trabalho é fácil, mas somente quem passa a correr riscos diário nas ruas e no trânsito, procurando localizar e encontrar o outro, é quem sabe o quanto é difícil e árduo o nosso trabalho. (L.M.)

20 A voz do profissional: histórias de vida e memorias... Quando cumprimos o mandado, não devemos interagir com as partes, saber se é justo ou se não é justo... estamos alí para cumprir o mandado, não temos nenhum poder discricionário... O meu marido costuma me dizer: Você ficou muito mais fria, quando assumiu a Justiça. Porque quando a gente está conversando eu digo para ele: O que está no papel, o que está escrito? Mas, hoje, eu vejo que eu perdi muito a sensibilidade, pois quem dera eu pudesse resgatar isto na minha atividade. Eu acho que não nos é permitido... O dinamismo, a celeridade e o senso de justiça eu acho tudo isto muito bonito, mas a nossa profissão retira o sentimento para manter o senso de justiça. (M.A.,2009)

21 A voz do profissional: histórias de vida e memorias... Adorei estes encontros, aprendemos a nos conhecermos melhor e ter consciência de nossas fragilidades. Ao mesmo tempo, descobrimos a necessidade de cuidar de si e do outro. Acho que o nosso grupo está mais unido. Depois de conhecer melhor cada um na sua individualidade, passamos a respeitar mais o nosso colega e compreendê-lo (L.S.R., 2009). Neste Ateliê, eu espero resgatar as memórias do meu passado, que ficaram esquecidas ao longo dos anos. Também espero usar estas memórias para contribuir no restante do percurso da minha vida.

22 COMPORTAMENTO 73% Avaliam a atuação individual no trabalho como boa 61% sentem-se reconhecidos no trabalho 100% consideram que tem bom relacionamento com os colegas de trabalho 66% relacionam bem com os magistrados 72% relacionam bem com os diretores de Varas

23 MOTIVOS DE INSATISFAÇÃO NO TRABALHO 23% RISCOS DE TRÂNSITO 21% RISCOS DE VIDA 19% TRÂNSITO 11% FALTA DE RECONHECIMENTO 8% COBRANÇAS DIÁRIAS 7% VOLUME DE TRABALHO 7% FALTA DE TREINAMENTOS 4% FALTA ESCLARECIMENTOS

24 Fotos Diógenes Almeida (84)

25 3.2 Experiência piloto TRT 21ª Região: PORTAL DE MEMORIAS VIDEOBIOGRAFIA (Março, 2011) Integrar pessoas e distintos grupos de trabalho para tornar a história de cada pessoa valorizada pela sociedade, como possibilidades de refletir sobre as experiências vivenciadas e expectativas futuras por meio das narrativas.

26 Metodologia Qualquer pessoa pode contar sua história de vida, A captação de narrativas orais e/ou escritas poderá ocorrer em diferentes ambientes, acompanhadas por um roteiro; A edição do material é realizada com apoio do narrador, de forma a tornar o vídeo atrativo; Cadastrado e arquivo do material, seguido da publicação no site institucional. (Portal em construção)

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28 Perspectivas e desafios da intervenção para qualidade de vida: criar elos entre saúde, educação e trabalho com magistrados e servidores As narrativas orais e escritas revelam o ser humano em sua inteireza, como sujeito social, ator e autor de sua própria história. outro eu ambiente

29 A reinvenção de si Narrar a própria vida é saber-poder conceber-se, reconhecer-se e renascer de outras maneiras, numa permanente invenção de si. Frida Kahlo ( )

30 Conte sua história... OBRIGADA! (84)

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