SOFTWARES LIVRES: UMA REDE PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA NA REGIÃO CARBONÍFERA

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1 SOFTWARES LIVRES: UMA REDE PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA NA REGIÃO CARBONÍFERA Ms. Jeferson Fernando de Souza Wolff RESUMO O computador, como ferramenta pedagógica para ensino e aprendizagem de Matemática, possui um grande potencial. Mas o uso deste instrumento na sala de aula depende tanto da metodologia de ensino utilizada, quanto da escolha de software pelo professor. Diante disso, o projeto, que já está em execução desde março de 2008, na Universidade Luterana do Brasil, Campus São Jerônimo, tem como objetivo a pesquisa softwares livres para ensino-aprendizagem de Matemática e das áreas correlatas, classificando-os de acordo com as características técnicas e pedagógicas, bem como a elaboração de material didática para a utilização destes softwares. A escolha pela pesquisa da qualidade dos softwares livres para ensino de Matemática, se dá principalmente pelas características sociais e econômicas da maioria das escolas da região, pois, em sua maioria são escolas públicas em que os investimentos são muitos escassos, restando praticamente nada para a aquisição de licenças de softwares educativos, sendo desta forma, a opção por software livres uma boa opção. A metodologia que vem sendo utilizada pelo grupo de pesquisa consiste na divisão das atividades em três etapas: a primeira consiste na pesquisa, principalmente na internet, seleção e classificação dos softwares livres; a segunda consiste na elaboração de material didático instrucional para a utilização dos softwares; e finalmente como última etapa, a realização de oficinas para professores e acadêmicos do curso de Matemática. Ainda cabe ressaltar que este projeto esta alicerçado na teoria de Aprendizagem Significativa de Ausubel. Palavras chaves: Matemática, Softwares Livres e Ensino. Docente do curso e Matemática da Universidade Luterana do Brasil Campus São Jerônimo.

2 2 INTRODUÇÃO O uso de computadores no trabalho e o crescimento cada vez mais rápido das funções relacionadas ao uso desta tecnologia fazem com que a alfabetização Científica e Tecnológica se torne uma necessidade para o cidadão contemporâneo. Desta forma, Educar em uma Sociedade da Informação é muito mais do que preparar indivíduos para o uso de novas tecnologias, trata-se de formá-los para que possam acompanhar a contínua e acelerada transformação do conhecimento tecnológico. Dentro dessa visão de formarmos cidadãos alfabetizados científica e tecnologicamente, é necessário que os professores tenham a habilidade e conhecimento para trabalhar as novas tecnologias em seu fazer pedagógico. Para a implantação do computador na educação são necessários basicamente quatro ingredientes: o computador, o software educativo, o professor capacitado para usar o computador como meio educacional e o aluno. Logo, não há um processo de educação se estes quatro ingredientes não estiverem alinhados. Os Pcns apresentam que há necessidade da incorporação de estudos nessa área, tanto na formação inicial como na formação continuada do professor do ensino Fundamental e Médio, seja para poder usar amplamente suas possibilidades ou para conhecer e analisar softwares educacionais. Mais adiante os Pcns de Matemática refere-se que quanto aos softwares educacionais é fundamental que o professor aprenda a escolhê-los em função dos objetivos que pretende atingir e de sua própria concepção de conhecimento e de aprendizagem, distinguindo os que se prestam mais a um trabalho dirigido para testar conhecimentos dos que procuram levar o aluno a interagir com o programa de forma a construir conhecimento. Cabe então, aos professores da área de Matemática proporcionar contextos favoráveis para que o processo educativo tome uma outra dimensão, uma dimensão atual, mais inovadora compatível com os avanços da Ciência e da Tecnologia. Decorre daí a importância da pesquisa que estamos desenvolvendo no presente projeto, pois estamos investigando e catalogando os diferentes softwares livres para o ensino de Matemática e buscando da formação aos professores e acadêmicos da Matemática. O que esta sendo desenvolvido neste projeto é exatamente proporcionar, em especial aos acadêmicos da graduação do curso de Matemática do Campus São Jerônimo e demais professores de Matemática da Região, que tenham acesso e

3 3 capacitação para a utilização de softwares livres para o ensino e aprendizado de Matemática. Estamos buscando formar um banco com diversos softwares livres existentes para o ensino e aprendizagem de Matemática, bem como Material Didático para a utilização destes. Mas para que um software seja selecionado, antes ele deve ser analisado pelo grupo de pesquisa. Para isso, é feita uma avaliação, em que buscamos identificar as características técnicas e pedagógicas. Porém essa avaliação para que seja minuciosa, ela necessita de um tempo considerável. Somente após a realização da análise do software é que se inicia a elaboração do Material Didático para o mesmo e a realização de oficinas para estudo dos softwares. METODOLOGIA A investigação tem como ponto central os softwares educativos para ensinoaprendizagem de Matemática. Os diversos softwares livres de ensino de Matemática que estão sendo analisados são levados em consideração as suas características técnica e pedagógica. A análise segue a perspectiva brasileira, da inclusão digital, pois o objetivo principal é pesquisa com software livres os quais possam ser de acesso universal. Para isso foi desenvolvida, uma ficha para avaliação das características dos softwares. A metodologia da pesquisa está dividida em quatro etapas, iniciando com a pesquisa de softwares livres que possam ser utilizados para o ensino de Matemática. Após estes softwares serão analisados e classificados conforme a ficha de avaliação de software, desenvolvida pelo grupo de pesquisa. A terceira etapa é a da elaboração de Material Didático que possa vir a auxiliar os professores que forem utilizar estes softwares. E finalmente a última etapa e a realização de oficinas para a capacitação de professores para a utilização dos referidos dos softwares. PESQUISA DE SOFTWARE Inicialmente pesquisamos principalmente na internet, sites que contenham softwares livres para ensino e aprendizagem de Matemática, tanto no âmbito nacional quanto internacionalmente.

4 4 Nesta etapa busca-se fazer um levantamento e seleção dos principais softwares educacionais de Matemática, bem como artigos e publicações referente a experiências da utilização destes softwares. Os softwares selecionados serão analisados de maneira mais criteriosa na segunda etapa da pesquisa, a sua classificação tanto quanto ao potencial pedagógico, bem como o nível de conteúdo que pode ser abordado. ANÁLISE DOS SOFTWARES Como segunda etapa, passaremos a analisar os softwares e a classificá-los quanto a sua utilização, valendo-nos de alguns critérios, como qual conteúdo abordar, que tipo de software (tutorial, jogos, exercícios, etc..). Nesta etapa a análise é bem mais criteriosa, onde utilizamos uma Ficha de Avaliação desenvolvida pelo grupo. Em relação à avaliação de um software, verifica-se na literatura que existem tantos sistemas de classificação como critérios voltados para este fim (Valente, 1999; Vieira, 1999; Campos, 1993). Durante esta etapa utilizamos uma metodologia alternativa para a avaliação da adequação e qualidade de softwares educativos. Após esta análise prévia, foram realizadas análises que buscaram mapear: conteúdos matemáticos (conceitos, procedimentos, propriedades, etc.), representações e situações utilizadas pelo software. Além disto, as articulações entre representações e o papel das representações no software também foram considerados. Nestas considerações, pode-se também traçar uma análise a priori das possíveis estratégias do aluno para resolução dos problemas, discutindo-se as competências e habilidades trabalhadas. Esta segunda parte da análise busca um mapeamento nominal. A forma como esta sendo realiza a análise, segue os passos da ficha de avaliação, a qual em sua elaboração foi levado em consideração os aspectos mencionados anteriormente. Com a Ficha de Avaliação, por abordar 35 pontos durante a avaliação, consideramos que ela é muito criteriosa e detalhada e adequada a uma avaliação técnica/pedagógica. Ela esta dividida em três áreas de abrangência para análise. A primeira é a identificação detalhada do software. A segunda são as características técnicas, onde são analisados desde os hardwares essenciais para o seu perfeito funcionamento, help, classificação (freeware, livre, shareware...), sistema operacional exigido, facilidade de utilização e instalação, etc... A terceira etapa da análise, passamos para a abordagem pedagógica, em que analisamos quais são conteúdos que podem ser

5 5 abordados utilizando o software, qual o nível cognitivo a que se dedica o programa, quais são os subsunçores fundamentais que o aluno deve possuir para ter um bom rendimento, o nível de interação, etc... Então para análise completa o pesquisador deve possuir plenos conhecimentos do software, ou seja, não basta apenas saber usar programa, tem que conhecer todas as suas características. E para isso, dependendo da complexidade do software, o tempo necessário para análise pode chegar próximo a um mês. ELABORAÇÃO DO MATERIAL DE DIDÁTICO Para a elaboração desse material, cada um dos softwares é analisado de forma detalhada, buscando explorar os seus recursos gráficos e didáticos. Para isso, foram realizadas simulações verificando os seus resultados. Se os resultados ao realizarmos as simulações foram satisfatórios, tanto conceitual quanto didático (clareza de idéias), estas simulações passam a ser descritas passo a passo para que possam ser utilizados em sala de aula. A etapa da elaboração do Material Didático, consideramos a mais complexa e consequentemente a mais demorada, pois não é apenas a redação de uma manual de utilização do programa, é também a elaboração de sugestões atividades didáticas que possam ser utilizadas em sala de aula. REALIZAÇÃO DAS OFICINAS E como última etapa estamos oferecendo oficinas no laboratório de informática do Campus de São Jerônimo para os acadêmicos do curso de Matemática e demais professores da Região que tenham interesse na utilização de softwares educativos de Matemática. Nessas oficinas apresentamos os recursos de cada um dos softwares, e uma metodologia para transposição didática. Além disso, distribuímos o Material Didático, bem como os locais onde estão disponíveis os software utilizado. RESULTADOS OBTIDOS Os resultados obtidos até o momento foram: Elaboração da ficha para a avaliação dos softwares com abordagem educacional;

6 6 Seleção de aproximadamente 20 softwares livres para ensino de Matemática, que estão disponíveis na internet; Conclusão do material didático para a utilização do software WinPlot e Modellus 2.5. Realização de oficinas para software Modellus 2.5; Realização de oficinas para software WinPlot. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise de softwares é muito demorada, pois para que seja realizada uma análise criteriosa e detalhada o avaliador deve ter plenos conhecimentos dos potenciais do software, tornando a pesquisa mais lenta que o esperado. Após a análise do software, passamos para a segunda etapa, que é a elaboração do Material Didático para a utilização do mesmo em sala de aula. A constituição do Material Didático é ainda mais demorada que a avaliação, pois para isso temos que levar em consideração todas as possibilidades de dificuldade que o aluno poderá ter ao utilizar o software. Mas apesar disto, podemos concluir que o número de softwares livres para ensino de Matemática é muito elevado. Porém, cabe destacar que em sua maioria os software livres para ensino de Matemática estão relacionados ao conteúdo de funções, em segundo vem os relacionado com geometria. Podemos verificar que há uma precariedade de softwares livres para ensino de Matemática para as séries iniciais. Estes em sua maioria possuem a ideia de jogos. Em fim, muito ainda há na evolução na implantação da informática como ferramenta que possa auxiliar os professores de Matemática em seu fazer pedagógico, sendo dessa forma a capacitação, formação dos professores fundamental tanto na escolha quanto na utilização do software escolhido.

7 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica.Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília, MEC/SEMT, BRASIL. Lei n. 9394, de 20 de dezembro de Lei de diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, MEC, CAMPOS, G.H.B. de & Rocha, A.R. (1993). Avaliação da qualidade de Software Educacional. Em Aberto, 12 (57). CRISTOVÃO, H.M. (1997) Um Modelo para Avaliação de Softwares Educativos. In: VIII SIMPÓSIO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO, São José dos Campos, SP. Anais. GLADCHEFF, A. P., Zuffi, E.M. & Silva, M.da (2001) Um Instrumento para Avaliação da Qualidade de Softwares Educacionais de Matemática para o Ensino Fundamental, Anais do XXI Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, GRAVINA, M. A. Aprendizagem da Matemática em Ambientes Informatizados. IV Congresso RIBIE, Brasilia 1998 HÖLZL, R. (1996) How Does Dragging Affect The Learning Of Geometry, International Journal of Computers for Mathematical Learning 1: MILANI, E. (2001). A informática e a comunicação matemática. Em K. S. Smole & M. I. Diniz (Orgs.); Ler, escrever e resolver problemas: Habilidades básicas para aprender matemática (pp ). Porto Alegre: Artmed. VIEIRA, Fábia Magali Santos (1999) Avaliação de Software Educativo: Reflexões para uma Análise Critérios Internet: [www.edutecnet.com.br/edmagali2.htm] MOREIRA, M. A. Aprendizagem significativa. Brasília: Editora Universidade de Brasília, p. OLIVEIRA, Silvia Sales de; Avaliação de Software Educativo para o Ensino de Matemática - O caso das Estruturas Aditivas <http://www.cin.ufpe.br/~asg/producao/wie2002.pdf > acesso em: 12 maio de 2009.

8 8 SILVA, B.H.A.M. (1995). Avaliação de Softwares Educacionais. Atas do VII Congresso Internacional Logo, Porto Alegre, pp PIETROCOLA, M. Ensino de física conteúdo, metodologia e epistemologia numa concepção integradora. Florianópolis: Ed. da UFSC, p. Valente, J.A. (1999). O computador na sociedade do conhecimento. Campinas: Unicamp/NIED.

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