INDICADORES ECONÔMICOS PARA ANÁLISE DE CONJUNTURA. Fernando J. Ribeiro Grupo de Estudos de Conjuntura (GECON) - DIMAC

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1 INDICADORES ECONÔMICOS PARA ANÁLISE DE CONJUNTURA Fernando J. Ribeiro Grupo de Estudos de Conjuntura (GECON) - DIMAC FORTALEZA, Agosto de 2013

2 SUMÁRIO 1. Fundamentos da Análise de Conjuntura. 2. Tipos de indicadores e formas de análise. 3. Áreas temáticas e indicadores selecionados. 4. Apresentação da Carta de Conjuntura de junho de 2013

3 1. FUNDAMENTOS DA ANÁLISE DE CONJUNTURA Objetivo: Elaborar diagnóstico da situação econômica corrente. Análise e interpretação de indicadores macroeconômicos. Identificação de movimento de curto prazo das variáveis econômicas (comportamento recente). Análise de tendências da variáveis (comportamento em períodos mais longos de tempo). Análises de correlação e impacto entre diversas variáveis. Avaliação de impacto de medidas de política econômica (por exemplo, mudanças das taxas de juros, redução de IPI etc.). Identificar necessidades e pertinência de aplicação de determinadas medidas de política econômica.

4 Pontos fundamentais: Em geral, variáveis macroeconômicas não são observáveis diretamente, precisam ser medidas ou estimadas. Uma mesma variável macroeconômica pode ser medida ou estimada por diferentes indicadores. Trabalha-se quase sempre com séries temporais (valor de uma variável econômica em diferentes momentos no tempo). É preciso trabalhar os dados básicos de diferentes formas (como se verá na próxima seção) para extrair informações relevantes. Separar sinal e ruído.

5 Pontos fundamentais: Não se deve limitar a uma análise de elevador (indicador subiu, indicador desceu) mas deve contemplar três aspectos: (i) Explicar o porquê do comportamento recente, relacionando com o que ocorreu em outros indicadores e acontecimentos. (ii) Qual a tendência que prevalece (continuar subindo, continuar descendo...). (iii) Avaliar as implicações sobre o comportamento esperado de outros indicadores. (iv) Avaliar as implicações sobre as estratégias e ações de política econômica.

6 Considerar o contexto: Situação econômica mundial. Expectativas dos agentes econômicos (empresários, consumidores). Medidas de política econômica. Conhecer e considerar a interrelação entre as diversas variáveis econômicas. Correlações. Causalidades. Intensidade e direção do impacto de uma variável sobre outra. Ex: Impacto da taxa de juros básica (Selic) sobre a atividade econômica e sobre a inflação.

7 2. TIPOS DE INDICADORES E FORMAS DE ANÁLISE Unidade de medida dos indicadores: Valores monetários (em R$, US$). Ex: PIB, déficit público, exportações, importações, taxa de câmbio. Índices => possuem base 100 em algum momento do tempo. Não têm unidade de medida, o que interessa são as variações ao longo do tempo. Ex: Produção física industrial do IBGE, vendas no varejo do IBGE, índices de preço, PIB trimestral. Percentagens Ex: Taxa de juros, taxa de desemprego.

8 Percentual do PIB: é uma forma de medir os indicadores em relação ao tamanho da economia. Ex: Déficit público, Saldo em transações correntes do balanço de pagamentos e, a rigor, todo indicador que puder ser medido em valores monetários. Periodicidade dos indicadores: Mensais. Trimestrais. Anuais. Médias móveis/valores acumulados: quando temos séries mensais e trimestrais, é muito comum considerarmos não apenas o valor do indicador em um determinado momento, mas também uma soma (ou média) dos diversos valores do indicador em um período.

9 Saldo em transações correntes e principais componentes Valores acumulados em 12 meses (US$ milhões) Fonte: BCB. Elaboração: Ipea/Dimac/GECON.

10 IPCA Total e Componentes (variação em 12 meses, em %) Jan-10 Mar-10 May-10 Jul-10 Sep-10 Nov-10 Jan-11 Mar-11 May-11 Jul-11 Sep-11 Nov-11 Jan-12 Mar-12 May-12 Jul-12 Sep-12 Nov-12 Jan-13 Mar-13 May-13* Total Bens Serviços Administrados Fontes: IBGE e IPEA: IPEA/DIMAC/GECON.

11 Valores reais e nominais: Valores reais descontam o efeito da inflação nos indicadores (chama-se deflacionamento ). Na maioria dos casos, estamos interessados em variações reais, e não nominais. Valores reais também podem dizer respeito a variações das quantidades transacionadas (produção, consumo,exportação, importação).

12 PIB real e PIB nominal taxas de crescimento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (em %) Fonte: IBGE: IPEA/DIMAC/GECON.

13 Séries temporais dos indicadores são decompostas em três componentes: Tendência => é o movimento que o indicador descreve quando se observam períodos relativamente longo de tempo. Sazonalidade => são efeitos que se observam em períodos específicos dentro de um ano (meses, trimestres) de maneira regular. É comum utilizarmos procedimentos estatísticos para remover os efeitos sazonais da série. Neste caso, teremos uma série dessazonalizada. Ex: As vendas no varejo sempre crescem muito no mês de dezembro e caem muito em janeiro-fevereiro. Componente irregular => comportamento de um indicador em um determinado momento no tempo que não pode ser explicado nem pela tendência, nem pela sazonalidade. => Devemos ficar atentos á presença de outliers, ou seja, valores muito fora do padrão histórico da série.

14 Exportações série normal e tendência (US$ milhões) Fonte: Secex/MDIC: IPEA/DIMAC/GECON.

15 Exportações série normal e dessazonalizada (US$ milhões) Fonte: Secex/MDIC: IPEA/DIMAC/GECON.

16 Previsão da evolução das variáveis no futuro Importância da ECONOMETRIA. Modelos de previsão baseiam-se em dois elementos: Comportamento da série no passado (modelos de séries temporais) => A evolução da série pode ser previsto com base no comportamento passado da própria série. Correlação com o comportamento de outras variáveis, com base na teoria econômica e em testes estatísticos que buscam captar correlação, causalidade e intensidade do impacto de uma variável sobre outra. Qualquer tipo de modelagem envolve elevado grau de incerteza.

17 Formas de análise dos indicadores: Cada forma de análise provê uma informação diferente. É necessário saber que tipo de informação se deseja extrair do indicador. Variação de um ano contra o ano anterior (ou contra qualquer ano anterior da série) - utiliza-se em indicadores que só têm periodicidade anual ou quando se deseja analisar a tendência de uma série. Soma móvel de 12 meses (ou média móvel de 12 meses) - utiliza-se em indicadores que têm periodicidade mensal, facilitando a análise da tendência de uma série. Soma móvel de 4 trimestres (ou média móvel de 4 trimestres) - utiliza-se em indicadores que têm periodicidade trimestral, facilitando a análise da tendência de uma série.

18 Acumulado de X meses (ou X trimestres) - compara-se o resultado com o mesmo período do ano anterior. É uma forma de avaliar como está o comportamento da variável durante o ano corrente. Mês (trimestre) contra mesmo mês (trimestre) do ano anterior. Mês (trimestre) contra mês (trimestre) imediatamente anterior Esta comparação só pode ser feita quando o indicador é dessazonalizado ou quando, sabidamente, o indicador não possui componente sazonal. É a melhor forma de avaliar o comportamento do indicador na margem.

19 3. ÁREAS TEMÁTICAS E PRINCIPAIS INDICADORES Atividade econômica. Mercado de trabalho. Inflação. Setor Externo. Moeda e crédito. Finanças Públicas. Economia Mundial. Esta divisão é feita apenas para facilitar a estruturação da análise. Análise deve ser feita de forma integrada => Na macroeconomia, tudo depende de tudo. Atividade econômica é o elemento central da análise.

20 Atividade econômica Em geral, é a área que tem maior destaque, pois permite avaliar como está o crescimento econômico e o nível de produção e de renda da economia. Produto Interno Bruto (PIB) => soma de todos os bens e serviços produzidos no país em um determinado período de tempo. Equivale ao nível de renda gerado no mesmo período. Periodicidade: anual e trimestral (o Banco Central e alguns especialistas estimam o PIB mensal). Unidades: valores nominais (em reais); valores reais (a preços constantes); índice real. Produção física da indústria => Pesquisa Industrial Mensal da Produção Física (PIM-PF). IBGE, mensal, índice real. Vendas do comércio varejista => Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). IBGE, mensal, vendas nominais e reais. Índice de Atividade Econômica do Banco Central IBC-Br Índice mensal real que tenta antecipar o comportamento da atividade econômica, como medida aproximada do PIB.

21 Atividade econômica Índices de confiança Tentam medir as expectativas, o estado de ânimo dos consumidores e dos produtores para consumir/produzir no futuro próximo. Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI). Unidade: índice real que varia de zero a 100, com uma particularidade: valores acima de 50 significam expectativas otimistas e abaixo de 50, pessimistas. Utilização de capacidade instalada na indústria Mede o grau de ociosidade das fábricas. Fontes: Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) Unidade: percentual, indica quanto da capacidade total de produção está sendo efetivamente utilizada pela indústria, com abertura setorial. Níveis de estoques na indústria Fonte: CNI e FGV. Na análise dos indicadores das demais áreas temáticas, quase sempre fazemos menção ao que está ocorrendo com a atividade econômica e seus impactos.

22 Atividade econômica Evolução das taxas de crescimento do PIB Série dessazonalizada (%) Fonte: IBGE. Elaboração: Ipea/Dimac/GECON.

23 Atividade econômica Evolução das taxas de crescimento do PIB Série dessazonalizada (%) Fonte: IBGE. Elaboração: Ipea/Dimac/GECON.

24 Mercado de trabalho Taxa de desemprego (PME/IBGE, mensal, em %). Número de pessoas ocupadas (IBGE), População Economicamente Ativa. Emprego formal e informal (IBGE). Rendimentos nominais e reais do trabalho (PIMES/IBGE, CNI para indústria). Criação/destruição de postos de trabalho formais (CAGED). Afeta: Consumo. Inflação. É afetado por: PIB. Produção industrial. Crédito. Inflação.

25 Inflação Preços ao consumidor versus ao produtor (atacado). IPCA, INPC (IBGE). IGP-M, IGP-DI e IGP-10 (FGV) Preços no atacado: IPA/FGV, IPP/IBGE. Preços de commodities, cesta básica. Afeta: Rendimentos reais. Política monetária (juros). É afetado por: PIB e Produção industrial. Crédito. Consumo. Preços de matérias-primas (inclusive no mercado internacional). Taxa de câmbio. Política monetária.

26 Setor externo Balanço de pagamentos: transações do Brasil com o exterior. Balança comercial (US$) => exportações e importações de bens (Secex/MDIC, mensal e semanal). Índices de preços e de quantum de exportação e de importação (Funcex, mensal) Balanço de serviços: transportes, viagens internacionais, aluguel de equipamentos etc. (Banco Central, mensal). Balanço de rendas: juros, remessas de lucros e dividendos, salários (Banco Central, mensal). Conta Capital e financeira: investimentos diretos, inv. em carteira, empréstimos e financiamentos (Banco Central, mensal). Afeta: Atividade econômica. Taxa de câmbio. É afetado por: Atividade econômica. Taxa de câmbio. Preços de commodities no mercado internacional. Situação da economia mundial.

27 Moeda e Crédito Taxas de juros = Taxa básica SELIC, taxas de médio e longo prazos, taxas de captação e empréstimo do sistema bancário. Concessão de crédito. Inadimplência. Afeta: Atividade econômica. Inflação. É afetado por: Atividade econômica. Inflação. Mercado de trabalho. Política monetária.

28 Finanças Públicas Gastos e arrecadação da Administração Pública. União, estados, municípios e empresas estatais. Déficit público nominal e primário (exclui juros da dívida). Dívida pública. Afeta: Atividade econômica. Inflação. Taxa de juros. Credibilidade e solvência do setor público. É afetado por: Atividade econômica. Inflação. Taxa de juros. Taxa de câmbio. Política fiscal.

29 Economia Mundial Integração crescente do país á economia mundial. Necessidade de preservar o equilíbrio das contas externas no médio e longo prazos, para não voltar a sofrer crises cambiais. Situação dos principais parceiros comerciais => condiciona desempenho das exportações. Preços de commodities => elemento fundamental para o equilíbrio atual da balança comercial brasileira. Comportamento das taxas de câmbio. Política monetária e juros nos países centrais => disponibilidade de crédito externo. Competição com outros países nos mercados de exportação. Competição de produtos importados no mercado doméstico.

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