ANÁLISE MATEMÁTICA IV

Documentos relacionados
Equações Diferenciais Ordinárias de Ordem Superior a Um

ANÁLISE MATEMÁTICA IV FICHA SUPLEMENTAR 1. (1) Descreva as regiões do plano complexo definidas por z i c z, onde c é um número real não negativo.

ANÁLISE MATEMÁTICA IV LEEC SÉRIES, SINGULARIDADES, RESÍDUOS E PRIMEIRAS EDO S. disponível em

d [xy] = x arcsin x. dx + 4x

Polinómio e série de Taylor

Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Departamento de Ciências Exatas

UNIFEI - UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ PROVA DE CÁLCULO 1

Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro

d [xy] = x cos x. dx y = sin x + cos x + C, x

Corda Elástica Presa Somente em uma das Extremidades

COMPLEMENTOS DE MATEMÁTICA MÓDULO 1. Equações Diferenciais com Derivadas Parciais

Equações Diferenciais com Derivadas Parciais

Definição (6.1): Definimos equação diferencial como uma qualquer relação entre uma função e as suas derivadas.

1 A Equação Fundamental Áreas Primeiras definições Uma questão importante... 7

carga do fio: Q. r = r p r q figura 1

depende apenas da variável y então a função ṽ(y) = e R R(y) dy

Equações diferenciais com derivadas parciais

O poço de potencial finito

SEGUNDA PROVA DE EDB - TURMA M

Instituto Politécnico de Tomar Escola Superior de Tecnologia de Tomar Área Interdepartamental de Matemática

FOLHAS DE PROBLEMAS DE MATEMÁTICA II CURSO DE ERGONOMIA PEDRO FREITAS

sica- Matemática tica e a equação diferencial parcial que descreve o fluxo de calor

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. Resumo. Nesta aula, apresentaremos a noção de integral indefinidada. Também discutiremos

CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL I LMAC, MEBIOM, MEFT 1 o SEM. 2014/15 1 a FICHA DE EXERCÍCIOS 1 [

CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL I LMAC, MEBIOM, MEFT 1 o SEM. 2010/11 2 a FICHA DE EXERCÍCIOS - PARTE 2

Derivadas. Derivadas. ( e )

Complementos de Análise Matemática

y (n) (x) = dn y dx n(x) y (0) (x) = y(x).

Nesta seção começamos o estudo das equações diferenciais a derivadas parciais, abreviadamente. da onda da onda ocorre é no problema da corda vibrante.

1 Definição de uma equação diferencial linear de ordem n

Exercícios de MATEMÁTICA COMPUTACIONAL. 1 0 Semestre de 2009/2010 Resolução Numérica de Equações Não-Lineares

Sobre Desenvolvimentos em Séries de Potências, Séries de Taylor e Fórmula de Taylor

Esmeralda Sousa Dias. (a) (b) (c) Figura 1: Ajuste de curvas a um conjunto de pontos

= 2 sen(x) (cos(x) (b) (7 pontos) Pelo item anterior, temos as k desigualdades. sen 2 (2x) sen(4x) ( 3/2) 3

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS

FEUP - MIEEC - Análise Matemática 1

5.3 Comparação dos métodos de integ. simples. 5.4 Integ. dupla pelas fórmulas de Newton-Cotes. 5.5 Integ. dupla via fórmulas de Gauss-Legendre.

Equação algébrica Equação polinomial ou algébrica é toda equação na forma anxn + an 1 xn 1 + an 2 xn a 2 x 2 + a 1 x + a 0, sendo x

MÉTODOS MATEMÁTICOS. Prof. Dr. Paulo H. D. Santos.

Fórmulas de Taylor - Notas Complementares ao Curso de Cálculo I

ANÁLISE MATEMÁTICA IV FICHA SUPLEMENTAR 3. Determine a solução geral da seguinte equação diferencial: dy. dt + et y = 0 ẏ

3. Alguns conceitos de cálculo

RESOLUÇÕES LISTA 02. b) FALSA, pois para termos a equação de uma reta em um certo ponto a função deve ser derivável naquele ponto.

ANÁLISE MATEMÁTICA III CURSOS: LEAB, LEB, LEMG, LEMAT, LEN, LEQ, LQ. disponível em acannas/amiii

f (x) dx = 2 cos (xξ) f (x) dx R.

Aula n o 29:Técnicas de Integração: Integrais Trigonométricas - Substituição Trigonométrica

A. Equações não lineares

Resolução 2 o Trabalho de Análise Matemática I ETI/LEI (02 de Dezembro de 2010)

Integrais. ( e 12/ )

UNIFEI - UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ PROVA DE CÁLCULO 1

SÉRIES DE FOURIER. Fabio Cardoso D Araujo Martins, Fernando Sergio Cardoso Cunha, Paula Rodrigues. Ferreira Alves, Rafael Caveari Gomes

Conceitos Básicos. Capítulo 1 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS. Uma equação diferencial é uma equação que envolve uma função incógnita e suas derivadas.

Denominamos equação polinomial ou equação algébrica de grau n a toda equação da forma:

Lista 1 - Cálculo III

3 Equacões de Bernoulli e Riccati Equação de Bernoulli Equação de Riccati Exercícios... 24

PROGRAMA DO CURSO USO DO SOFTWARE GEOGEBRA COMO AUXÍLIO NA CONSTRUÇÃO DE GRÁFICOS EM DUAS E TRÊS DIMENSÕES

Exercícios Resolvidos Teorema da Divêrgencia. Teorema de Stokes

Álgebra. Polinômios.

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES SEGUNDA ORDEM

de Potências e Produtos de Funções Trigonométricas

Cálculo Diferencial e Integral C. Me. Aline Brum Seibel

xy + y = 0. (1) Portanto a solução geral de (1) é a família de hipérboles y = C x,

MÉTODOS NUMÉRICOS. ENGENHARIA e GESTÃO INDUSTRIAL

UNIFEI - UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ

Derivadas direcionais Definição (Derivadas segundo um vector): f : Dom(f) R n R e P 0 int(dom(f)) então

Aula: Equações diferenciais lineares de ordem superior


Definição. A expressão M(x,y) dx + N(x,y)dy é chamada de diferencial exata se existe uma função f(x,y) tal que f x (x,y)=m(x,y) e f y (x,y)=n(x,y).

Derivada de algumas funções elementares

ANÁLISE COMPLEXA E EQUAÇÕES DIFERENCIAIS AULA TEÓRICA DE NOVEMBRO DE dt + a 0(t)y = 0

1. Determine o valor do integral curvilíneo do campo F (x, y, z) = xzî + xĵ + y k ao longo da linha (L), definida por: { x 2 /4 + y 2 /25 = 1 z = 2

Escola Naval Gabarito Comentado PSAEN PROVA ROSA Elaborado por alunos do ITA: Caio Guimarães, Ishai Elarrat, Felipe Moraes

Colectânea de Exercícios, Testes e Exames de Matemática, para Economia e Gestão

Total Escolha 5 (cinco) questões. Justifique todas as passagens. Boa Sorte!

Exercícios propostos para as aulas práticas

Como, neste caso, temos f(x) = 1, obviamente a primitiva é F(x) = x, pois F (x) = x = 1 = f(x).

EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS - Lista I

Sistemas de Equações Lineares e Matrizes

Método dos Mínimos Quadrados

CÁLCULO I. 1 A Função Logarítmica Natural. Objetivos da Aula. Aula n o 22: A Função Logaritmo Natural. Denir a função f(x) = ln x;

Derivadas. Incremento e taxa média de variação

Matemática para a Economia II - 7 a lista de exercícios Prof. Juliana Coelho

Técnicas de Desenho de Filtros Digitais

Análise Matemática III. Textos de Apoio. Cristina Caldeira

CDI-II. Resumo das Aulas Teóricas (Semana 5) 1 Extremos de Funções Escalares. Exemplos

4 Cálculo Diferencial

Aplicações de. Integração

A Derivada. Derivadas Aula 16. Alexandre Nolasco de Carvalho Universidade de São Paulo São Carlos SP, Brazil

Encontre um valor aproximado para 3 25 com precisão de 10 5 utilizando o método da bissecção.

Projecto Delfos: Escola de Matemática Para Jovens 1 FICHA DE TRABALHO

PROBLEMAS PROPOSTOS Parte C Análise de Fourier. Equações Diferenciais Parciais (EDPs)

Aula 26 Separação de Variáveis e a Equação da Onda.

Funções reais de variável real

OFICINA DE MATEMÁTICA BÁSICA - MÓDULO II Lista 3

RESOLUÇÃO MATEMÁTICA 2ª FASE

Transcrição:

Instituto Superior Técnico Departamento de Matemática Secção de Álgebra e Análise ANÁLISE MATEMÁTICA IV FICHA 6 SÉRIES DE FOURIER E MÉTODO DE SEPARAÇÃO DAS VARIÁVEIS 1 Determine o desenvolvimento em série de Fourier das seguintes funções: a fx = x para x [ 1, 1]; b fx = x + 1 para x [ 1, 1]; c fx = cos 3 x para x [ π, π]. Resolução: a A série de Fourier de f é da forma fx = a + a k cosx + b k sinx Como fx é ímpar, todos os a k s são. Quanto aos b k s, são dados pela fórmula b k = 1 = = = 1k = 1k+1 x sinxdx x sinxdx x cosx + 1 porque x sinx é par 1 cosx + dx Conclui-se que o desenvolvimento de Fourier de f para x [ 1, 1] é 1 k+1 fx = sinx b A função x já foi desenvolvida em série pelo que nos resta desenvolver a função constante igual a 1 no intervalo [ 1, 1]. Por unicidade do desenvolvimento de Fourier, há uma única escolha possível para a k s e b k s tais que 1 = a + a k cosx + b k sinx Claramente uma escolha possível é a = e a k = b k = para k 1. Por unicidade conclui-se então que o desenvolvimento de Fourier da função constante igual a 1 é 1 = e portanto o desenvolvimento de Fourier de f é fx = + 1 k+1 sinx

AMIV FICHA RESOLVIDA 6 c O desenvolvimento de Fourier de f é da forma fx = a + a k coskx + b k sinkx Por unicidade do desenvolvimento de Fourier, qualquer desenvolvimento desta forma que se obtenha será o desenvolvimento de Fourier. Pela fórmula de DeMoivre tem-se: cos x + i sin x 3 = cos3x + i sin3x cos 3 x 3 cos x sin x + i3 cos x sin x sin 3 x = cos3x + i sin3x donde, igualando as partes reais, cos 3 x 3 cos x1 cos x = cos3x 4 cos 3 x = 3 cos x + cos3x cos 3 x = 3 4 cos x + 1 4 cos3x Uma vez que este é um desenvolvimento da forma pretendida, conclui-se que é este o desenvolvimento de Fourier. Isto é tem-se b k = para todo o k 1, a k = para k 1, 3 e a 1 = 3 4, a 3 = 1 4. Comentário: Nas aĺıneas b e c do exercício anterior poder-se-ia também ter utilizado as fórmulas integrais para calcular os coeficientes a k e b k mas esse processo seria muito mais trabalhoso, principalmente na aĺınea c. Determine o desenvolvimento em série de senos das seguintes funções: x se x 1 a fx = 1 se 1 < x ; b fx = cos x para x [, π]. Resolução: a O desenvolvimento de f em série de senos no intervalo [, ] é da forma x fx = b k sin. Os coeficientes b k são dados pela fórmula x b k = fx sin dx x x = x sin dx + sin dx 1 = x 1 x cos x + cos = cos + 4 k π sin = 4 sin 1 k k π. dx x cos 1

AMIV FICHA RESOLVIDA 6 3 Conclui-se que o desenvolvimento de f em série de senos é dado pela expressão 4 sin 1 k x fx = k π sin. b O desenvolvimento de f em série de senos no intervalo [, π] é da forma kx fx = b k sin. Os coeficientes b k são dados pela fórmula b k = π kx fx sin dx π = 1 π kx cos x sin dx. π Para calcular a primitiva anterior pode integrar-se duas vezes por partes e obtém-se 1 k kx kx cos x sin dx = sin x sin + k kx 4 cos x cos. Assim, para k, tem-se b k = 1 π 4 4 k = 1k 1k π4 k e, para k =, tem-se b = 1 π π kx sin x sin + k kx cos x cos cos x sin x dx = 1 π,k π sinx dx =. π Conclui-se que o desenvolvimento de f em série de senos é dado pela expressão k 1 k 1 kx fx = π4 k sin. 3 Determine o desenvolvimento em série de cosenos das seguintes funções: a fx = x para x [, 1]; b fx = e x para x [, π]. Resolução: a O desenvolvimento de f em série de cosenos no intervalo [, 1] é da forma fx = a + a k cosx. Os coeficientes a k são dados pela fórmula Donde a k = 1 a = fx cosx dx. x dx = 3,

4 AMIV FICHA RESOLVIDA 6 e, para k 1, a k = x cosx dx = x sinx 1 = 4 = 4 x sinx dx x cosx 1 x sinx dx cosx + = 4 1k π k. Conclui-se que o desenvolvimento de f em série de cosenos no intervalo [, 1] é dado por fx = 1 3 + 4 1 k π k cosx. b O desenvolvimento de f em série de cosenos no intervalo [, π] é da forma fx = a + kx a k cos. Os coeficientes a k são dados pela fórmula Donde e, para k 1, a k = π a = 1 π π π fx cos kx dx. e x dx = e4π 1 π, a k = 1 π kx e x cos dx π = 1 π π Re e x+i kx dx = 1 π Re e+ k ix π + k i = 1 π Re e 4π+i 1 + k i = 8 1 k e 4π 1 π16 + k. Conclui-se que o desenvolvimento de f em série de cosenos é dado pela expressão fx = e4π 1 8 1 k e 4π 1 kx + 4π π16 + k cos. dx

AMIV FICHA RESOLVIDA 6 5 4 Recorrendo ao método de separação de variáveis determine uma solução do seguinte problema de valor na fronteira para a equação do calor: para x π e t. u = u t x u, x = sin3x 1 sin8x ut, = ut, π = Resolução: Começa-se por procurar soluções da equação diferencial parcial da forma ut, x = T txx. Substituindo na equação tem-se Tendo em conta as condições na fronteira T txx = T txx t x T txx = T tx x T t T t = X x para T t, Xx Xx T t T t = k = X x para algum k R Xx T t = kt t X para algum k R. x = kxx ut, = ut, π = T tx = T txπ = T t = t ou X = Xπ =, conclui-se que para obter soluções não identicamente nulas tem de ser X = Xπ =. Por sua vez isto implica que a constante k acima tem de ser negativa se k a única solução da equação X x kxx = que verifica X = Xπ = é a solução identicamente nula. Portanto Xx = c 1 cos kx + c sin kx, e substituindo nas condições fronteira obtém-se X = c1 = Xπ = c sin = c1 = c = ou sin =. Obtêm-se assim soluções não nulas para a equação diferencial para X e para a condição fronteira quando = k = n para n = 1,,... e para cada um destes valores de k obtêm-se como soluções do sistema acima múltiplos reais de Xx = sinnx e T t = e nt. Isto é, para cada n = 1,,... obtém-se a seguinte solução da equação diferencial parcial satisfazendo a condição na fronteira: u n t, x = sinnxe nt. Finalmente, determina-se coeficientes d n R tais que a condição inicial seja satisfeita por ut, x = d n u n t, x.

6 AMIV FICHA RESOLVIDA 6 Tem-se u, x = sin3x 1 sin8x d n u n, x = sin3x 1 sin8x d n sinnx 1 = sin3x 1 sin8x portanto d 3 = 1, d 8 = 1 e d n = para n 3, 8. Conclui-se que a solução do problema do enunciado é ut, x = sin3xe 9t 1 sin8xe 64t. 5 Seja c um parâmetro real positivo. Recorrendo ao método de separação de variáveis determine uma solução do seguinte problema para a equação das ondas: u = c u t x u, x = cos x u, x = t ut, = ut, π = 1 para x π e t verificando a equação diferencial para < x < π. Sugestão: Comece por determinar uma solução estacionária isto é da forma ut, x = vx da equação diferencial que satisfaça as condições na fronteira para x = e x = π. Pode também aproveitar o resultado da aĺınea b. Resolução: Começa-se por determinar uma solução estacionária da equação diferencial parcial que satisfaz a condição na fronteira. Substituindo ut, x = vx em u t = c u x ut, = ut, π = 1 obtém-se vx = c vx t x v = vπ = 1 vx = ax + b v = v1 = 1 vx = 1. Voltando ao problema inicial e escrevendo ut, x = vx + u h t, x = 1 + u h t, x, tem-se que u h t, x é uma solução do seguinte problema com condições na fronteira homogéneas: u h t = c u h x u h, x = cos x 1 u h t, x = u h t, = u h t, π =

AMIV FICHA RESOLVIDA 6 7 Para resolver este problema, começa-se por procurar soluções da equação diferencial parcial e das condições fronteira da forma u h t, x = T txx. Substituindo na equação tem-se Tendo em conta as condições na fronteira T txx = c T txx t x T txx = c T tx x T t T t = c X x para T t, Xx Xx T t T t = k = c X x para algum k R Xx T t = kt t X x = k para algum k R. Xx c u h t, = u h t, π = T tx = T txπ = T t = t ou X = Xπ =. conclui-se que para obter soluções não identicamente nulas tem de ser X = Xπ =. Por sua vez isto implica que a constante k acima tem de ser negativa se k a única solução da equação X x k Xx = que verifica X = Xπ = é a solução c identicamente nula. Portanto k k Xx = c 1 cos x + c sin x, c c e substituindo nas condições fronteira obtém-se X = c1 = Xπ = c sin c1 = c = ou sin k c k c π =. π =. Obtêm-se assim soluções não nulas para a equação diferencial para X e para a condição fronteira quando = ncπ k = n c 4 para n = 1,,... e para cada um destes valores de k obtêm-se como soluções da equação para Xx nx Xx = c sin. Quanto à equação para T t T t = n c nct nct 4 T t T t = c 3 cos + c 4 sin No entanto, a condição inicial u h t, x = T Xx = implica, para soluções não identicamente nulas, que seja T =, ou seja, c 4 =. Assim nct T t = c 3 cos

8 AMIV FICHA RESOLVIDA 6 Isto é, para cada n = 1,,... obtém-se a seguinte solução da equação diferencial parcial satisfazendo a condição na fronteira e a condição inicial respeitante à derivada em ordem a t: u n t, x = sin nx cos nct Finalmente, determina-se coeficientes d n R tais que a condição inicial não homogénea seja satisfeita por u h t, x = d n u n t, x. Tem-se. u h, x = cos x 1 d n u n, x = cos x 1 nx d n sin 1 = cos x 1. Portanto os d n s são os coeficientes do desenvolvimento da função cos x 1 em série de senos no intervalo [, π]. Na aĺınea b foi já calculado o desenvolvimento de cos x em série de senos neste intervalo pelo que resta fazer o mesmo para a função constante igual a 1: π π donde se conclui 1 sin nx 1 =,n ímpar dx = nx cos π = 1n 1 1 n 1 sin nx e portanto, tendo em conta que para n par os coeficientes das séries de senos das funções cos x e 1 se anulam, tem-se 4n cos x 1 = π4 n + 4 nx sin isto é, Conclui-se que u h t, x = d n =,n ímpar 4n π4 n 4 se n ímpar se n par. 4n π4 n + 4 e que a solução do problema do enunciado é ut, x = 1 +,n ímpar 4n π4 n + 4 sin sin nx cos nx cos nct nct.

AMIV FICHA RESOLVIDA 6 9 6 Recorrendo ao método de separação de variáveis determine uma solução para o seguinte problema de valor na fronteira: u + u = u x y ux, = ux, 1 = u, y = u1, y = y para x 1 e y 1 verificando a equação diferencial para < x < 1 e < y < 1. Resolução: Começa-se por procurar soluções da equação diferencial parcial da forma ux, y = XxY y. Substituindo na equação tem-se XxY y + XxY y = XxY y x y X xy y + XxY y = XxY y X x Xx 1 = Y y para Y y, Xx Y y X x Xx 1 = k = Y y para algum k R Y y X x = k + 1Xx Y para algum k R. y = ky y Tendo em conta as condições na fronteira ux, = ux, 1 = XxY = XxY 1 = Xx = x ou Y = Y 1 = conclui-se que para obter soluções não identicamente nulas tem de ser Y = Y 1 =. Por sua vez isto implica que a constante k acima tem de ser positiva se k a única solução da equação Y x + ky y = que verifica Y = Y 1 = é a solução identicamente nula. Portanto Y y = c 1 cos ky + c sin ky e substituindo nas condições fronteira obtém-se Y = c1 = Y 1 = c sin k = c1 = c = ou sin k = Obtêm-se assim soluções não nulas para a equação diferencial para X e para a condição fronteira quando k = k = n π para n = 1,,... e para cada um destes valores de k obtêm-se como soluções da equação para Y y Y y = c siny Quanto à equação para Xx X x = 1 + n π Xx Xx = c 3 cosh 1 + n π x + c 4 sinh 1 + n π x No entanto, a condição u, y = XY y = implica, para soluções não identicamente nulas, que seja X =, ou seja, c 3 =. Assim Xx = c 4 sinh 1 + n π x.

1 AMIV FICHA RESOLVIDA 6 Isto é, para cada n = 1,,... obtém-se a seguinte solução da equação diferencial parcial satisfazendo as condições na fronteira homogéneas: u n x, y = sinh 1 + n π x siny Finalmente, determina-se coeficientes d n R tais que a condição na fronteira não homogénea seja satisfeita por ux, y = d n u n x, y. Tem-se u1, y = y d n u n 1, y = y d n sinh 1 + n π siny = y. Portanto d n sinh 1 + n π são os coeficientes do desenvolvimento de y em série de senos no intervalo [, 1]. Donde, d n sinh 1 + n π = y siny dy = 1n+1 1 e portanto 1 n+1 d n = sinh 1 + n π. Conclui-se que a solução do problema do enunciado é ux, y = 1 n+1 sinh 1 + n π sinh 1 + n π x siny.