Álgebra Linear II Apostila 2

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Transcrição:

Álgebra Linear II Apostila 2 1 SISTEMAS LINEARES Um sistema linear é um conjunto de equações de primeiro grau, que se escrevem em função de certas variáveis. A resolução do sistema visa encontrar justamente os valores corretos (ou melhores possíveis) para essas variáveis. 2 APLICAÇÕES Sistemas lineares são úteis quando nós temos uma série de informações e nós queremos observar um padrão, um comportamento, que relacione essas informações. EXEMPLO 1 - Um aluno realizou um experimento no laboratório de física, no qual ele marcava a distância percorrida por um carrinho em cima de um trilho horizontal em intervalos de tempo conhecidos. Ele mediu a distância de cada ponto até a origem, relacionando-as ao instante de tempo em que o carrinho passou por cada ponto. Ele montou a seguinte tabela: Distância com relação à origem (cm) Instante de tempo (s) 10 0 15 0,2 20 0,4 Qual foi a velocidade desse carrinho ao longo do trajeto? Para resolver esse problema, podemos montar um sistema linear: A partir daí, existem vários métodos para resolver sistemas. Como estamos no curso de Álgebra Linear, que tal interpretarmos o sistema como combinação linear dos vetores (0 ; 0,2 ; 0,4) e (1 ; 1 ; 1)? Será útil para quando você for trabalhar com sistemas com muitas variáveis. Perceba:

Obviamente não é a forma mais inteligente de se resolver esse problema especificamente, poderíamos ter simplesmente resolvido o sistema. Porém, é interessante praticar resolução de matrizes pelos métodos aprendidos neste curso. Percebe-se que as duas formas de escrever o problema dão no mesmo. O que eu quero dizer com isso? Ao fazer a multiplicação das matrizes, o sistema linear será igual ao da primeira figura. Resumindo... Quando você se deparar com um sistema, basta colocar os vetores do sistema como linha da matriz que multiplicará com as incógnitas. 3 INTERPRETAÇÃO DE SISTEMAS Entramos agora num tema recorrente em provas de Alg Lin: Saber interpretar os sistemas lineares. Apenas para pensarmos, o sistema mais simples existente é uma equação simples: Quando essa equação tem solução única? Quando tem solução infinitas soluções? E quando não tem solução? Nesse exemplo fica fácil pensar, mas é importante para entender o conceito. 1. Solução única: Se, e somente se, for diferente de 0. Repare que se é diferente de 0, só há um valor de x para que a igualdade seja verdadeira. 2. Infinitas soluções: Se e b forem iguais a 0. Repare que, nesse caso, para qualquer valor de x a equação vai ser verdadeira. sempre vale. 3. Não existe solução: Se e não existe solução para o sistema. Fácil né? Se é 0 e não é zero, nunca nenhum valor de x vai ser solução da equação.

O importante é entender o conceito. Vou ensinar um jeito simples de resolver isso no caso se um sistema maior. 4 ESCALONAMENTO O escalonamento é uma coisa que vai ter que estar no sangue em Álgebra Linear. Grande parte das questões podem ser raciocinadas utilizando-se dessa técnica. O que eu consigo tirar do escalonamento? Você consegue descobrir se o sistema é linearmente dependente ou linearmente independente. Você consegue interpretar se a solução do sistema é única, se o sistema tem infinitas soluções ou se não existe solução. Uma matriz está na forma escalonada quando está na forma triangular superior, ou seja: Se o número de zero no início de cada linha aumenta de uma linha para outra, exceto se a linha é toda nula. Se as linhas nulas, caso existam, são as últimas da matriz. EXEMPLO 1 - Matriz Escalonada A matriz acima está na forma escalonada, porque o número de zeros cresce do início da primeira linha para segunda linha, e posteriormente, para a terceira linha. EXEMPLO 2 - Matriz não Escalonada A matriz acima não está escalonada, porque abaixo do 4 da primeira linha, está o 3 e não o 0. Ou seja, o número de 0 do início da linha não aumentou da primeira para segunda. Como escalonar uma matriz? A primeira coisa é encontrar o pivô da primeira linha. Mas o que é o pivô? São denominados pivôs os primeiros elementos não nulos de cada linha (não nula) de uma matriz escalonada.

Ou seja, no exemplo 2. O pivô da primeira linha é o 4, o da segunda 4 também, e o da terceira -13. Para deixar na forma escalonada, você precisa deixar todos números abaixo do pivô igual a zero, certo? Então, a forma mais fácil de fazer isso é multiplicar os números abaixo da linha do pivô e somá-lo com o pivô, de forma que a soma desse número com o pivô acima seja igual a 0. EXEMPLO 3 - O pivô da primeira linha é 2. Abaixo dele, está o número 1. E o 1 precisa virar 0, de acordo com a definição de forma escalonada. Logo, eu faço o cálculo e somo com o pivô da primeira linha, que é o 2. Mas, eu não posso fazer isso somente com o pivô, pois aí a matriz nova não seria equivalente a primeira. Então, eu preciso fazer isso com todos os números dessa linha e somá-los com a linha acima. No caso a nova matriz seria: Eu multipliquei 2 por -2 e 4 por -2, e somei com a primeira linha. Dessa forma, podemos resumir o cálculo todo feito como: Posteriormente, a mesma conta seria feita com a linha 3 e com os outros pivôs da nova matriz. Falei grego? Hehe, calma, vamos ver um exemplo. EXEMPLO 4 - Escalone a matriz abaixo: Tente fazer primeiro...

Resolução: Nova matriz: Nova matriz²: Matriz Escalonada: 5 LI S OU LD S A primeira coisa que você pode descobrir é se o sistema é linearmente dependente ou linearmente independente. Lembram das definições da outra apostila? Um conjunto de vetores é linearmente independente quando nenhum dos vetores é igual a uma combinação linear dos demais vetores do conjunto. Caso seja possível representar qualquer vetor como combinação linear de outros vetores ele é linearmente dependente.

Podemos definir um vetor como combinação linear dos vetores se existirem tais que, que é uma soma de múltiplos desses vetores. Se ao escalonarmos uma matriz, uma das linhas torna-se nula, por meio apenas de soma de múltiplos, significa que uma das linhas foi escrita como combinação linear das outras. Repare nos cálculos que foram utilizados no exercício acima: todos seguiram essa lógica de soma de múltiplos! E aí, vem a grande sacada! Se colocarmos, nesse caso, os vetores como linhas, o escalonamento da matriz mostrará se esse conjunto de vetores são LD s ou LI s. Se nenhuma linha tornar-se nula, nenhum dos vetores do sistema é igual a uma combinação linear dos demais vetores do conjunto e o sistema, por definição, é linearmente independente. Agora, se uma das linhas tornar-se nula, o sistema, por definição, é linearmente dependente. EXEMPLO 1 - Questão do Teste 1 de 2014.2 Determine quantos vetores são linearmente independentes (LI) no conjunto abaixo: Então, sem resolução dessa vez... Mas vai uma dica: 1- Coloque os vetores como linha 2- Escalone, da mesma forma que foi feito no Ex1 3- Análise a matriz na forma escalonada. EXEMPLO 2 - Questão de Prova 1 de 2014.1 Afirmativa A- O conjunto foi apenas multiplicado por uma constante k. Que não altera a definição do conjunto. Se k fosse 0, alteraria, pois os dois vetores se tornariam nulo.

Afirmativa B- Não necessariamente. Eu posso ter dois conjuntos LI s diferentes entre si e de 0. Por exemplo: Afirmativa C- Não necessariamente. Eu posso ter dois conjuntos LD s diferentes entre si e de 0. Por exemplo: Afirmativa D- É o contrário. Se um conjunto é formado por apenas um vetor e diferente de 0, então ele será sempre LI. 6 SOLUÇÃO DO SISTEMA Outra análise que podemos fazer é em relação a solução do sistema. O escalonamento é um método que nos permite descobrir várias informações sobre sistemas. Mas para isso, precisamos ver como escrever um sistema em forma de matriz estendida. Pegando o exemplo de sistema que usamos lá na primeira página da apostila, do experimento de física: Temos uma matriz A, na qual estão os coeficientes que multiplicam as variáveis x e y do sistema. A coluna à direita do sinal de igualdade é o resultado dessa combinação linear. Para formar a matriz estendida, vamos acrescentar esta coluna à matriz original (separada por uma barra vertical no exemplo abaixo). Essa é a matriz estendida que representa o sistema. Ela vai ser muito útil pra gente conseguir escalonar o sistema linear e obter informações sobre a sua solução. Pra escalonar essa matriz, você faz do mesmo jeito de sempre, tomando cuidado para aplicar cada operação de soma de linhas ou de multiplicação por escalar na linha inteira, incluindo o elemento da última coluna. Temos três casos de solução para sistemas lineares: 6.1 SISTEMA SEM SOLUÇÃO Ao escalonarmos uma matriz estendida e nos depararmos com algo na forma: Sendo e, percebe-se que trata-se de algo absurdo, pois ao multiplicarmos nossas variáveis pela linha de zeros teremos:

Essa equação nunca pode ter uma resposta diferente de 0, e, logo, o sistema é impossível. 6.2 SISTEMA COM SOLUÇÃO ÚNICA Ao escalonarmos uma matriz estendida e nos depararmos com algo na forma: Sendo, percebe- se que trata-se de um sistema único. Cada variável de {x1, x2,..., xn}, terá um único valor como solução. Isso pode ser percebido de forma simples. A solução de xn- variável associada a última linha- é dada de cara. E nas linhas de cima, basta aplicar a substituição. Resumindo... Um sistema escalonado apresenta solução única, se e somente se, o número de linhas não nulas for igual ao número de variáveis. 6.3 SISTEMA COM INFINITAS SOLUÇÕES No caso da matriz escalonada ser diferente dos casos acima, assume-se que trata-se de um sistema com infinitas soluções. Para explicarmos esse caso, é necessário entendermos o conceito de variável dependente e independente. A cada coluna, exceto a última, de uma matriz escalonada, corresponde uma variável do sistema linear. Variável dependente = Aquela associada a coluna com pivô. Variável independente ou livre = Aquela cujo valor pode variar livremente sem que isso altere os valores das outras variáveis do sistema. Se o sistema está em sua forma de matriz escalonada, e não é da forma apresentada no sistema com solução única, nem da forma apresentada como sistema sem solução, ele é um sistema com infinitas soluções. Logo, ele possui uma ou mais variável livre. Isso significa que a solução será dada por parâmetros, e assim, terá infinitas soluções.

Basta mudar o valor do parâmetro da resposta e teremos infinitas soluções. EXEMPLO 1-2.29- Livro do Marco Cabral Considere o sistema, e determine o conjunto solução. Percebe-se, de cara, que se trata de um sistema já escalonado. Aí podemos pensar. Esse sistema se parece com o caso de sem solução? Não... Não tem nenhuma linha em que (0*x1 + 0*x2 + 0*x3... 0*xn) seja igual a um número diferente de 0. Esse sistema se parece com o caso do sistema de solução única? Não... Pra começar, o número de variáveis é maior do que o número de linhas não nulas. Após essa análise, chegamos a conclusão que se trata de um sistema de infinitas soluções. E qual o conjunto solução? Primeiramente, vamos buscar as variáveis livres, que serão os parâmetros. Percebe-se que a colunas 2 e 4 são as colunas com pivô e, dessa forma, são as variáveis dependentes. Já as variáveis associadas às colunas 1 e 3 são as variáveis livres. Introduzimos parâmetros r e s e chamamos as variáveis livres com esses parâmetros:. Da primeira linha tiramos: Da segunda: Portanto, podemos escrever a resposta em função dos parâmetros: Ou ainda, As duas respostas querem dizer a mesma coisa. Teste substituir quaisquer valores no sistema: E verá que o que você fez, faz sentido. E o sistema tem infinitas soluções. Resumindo n = número total de variáveis

p = número de equações efetivas= número de linhas não-nulas= número de pivôs= número de variáveis dependentes n p = q = número de variáveis livres ou independentes = número de parâmetros. 7 SISTEMA HOMOGÊNEO O último caso importante de se sistemas lineares é o sistema homogêneo. É um sistema cujo lado direito é todo igual a zero, ou seja, o vetor nulo (0,0,..., 0) é sempre solução do sistema homogêneo. Esta solução, também, pode ser chamada de solução trivial. Na hora de classificar um sistema homogêneo, é só seguir a mesma lógica dos demais: Ele nunca vai ser um sistema sem solução. Nunca vai possuir linha da forma [0, 0, 0 ]. Se o número de pivôs for igual ao número de variáveis na forma escalonada, o sistema tem solução única. Se o número de pivôs for menor que o número de variáveis na forma escalonada, ele terá infinitas soluções e (n-p) variáveis livres. Considere o sistema Ax=b: Chamamos de solução geral seu conjunto-solução S. Foi tudo o que a gente fez até aqui. Por exemplo, a resposta dada com os parâmetros no caso do sistema com infinitas soluções. Chamamos de solução particular um elemento S qualquer. Seria uma solução substituindo os parâmetros r e s por números, por exemplo. Chamamos de solução do sistema homogêneo associado o conjunto-solução do sistema. E agora, vemos uma definição importante e que vai ser usada até o final do curso: O núcleo de uma matriz é o conjunto solução do sistema. 8 EXERCÍCIOS FINAIS Os exercícios abaixo são exercícios de prova e são muito bons para treinar essa matéria. Além disso, temos as provas antigas à disposição. Tentem fazer ao máximo. As provas de álgebra seguem esse modelo, e sempre caem questões parecidas. Qualquer dúvida, podem mandar no solucionador.

9 BIBLIOGRAFIA: Curso de álgebra linear - Fundamentos e Aplicações 3ed. Anotações das aulas do professor Bruno Costa