COMPORTAMENTOS LEITORES E COMPORTAMENTOS ESCRITORES

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Transcrição:

COMPORTAMENTOS LEITORES E COMPORTAMENTOS ESCRITORES Aula 4 META Apresentar os comportamentos leitores e escritores como conteúdos das aulas sobre gêneros textuais. OBJETIVOS Ao fi nal desta aula, o aluno deverá: ser capaz de listar comportamentos leitores e comportamentos escritores, verifi cados na prática discente. PRÉ-REQUISITOS Haver concluído a disciplina Introdução aos Estudos Linguísticos ou disciplina equivalente. (Fonte: www.blogdiariodepernambuco.com.br (charge)).

Laboratório para o Ensino de Gêneros Textuais INTRODUÇÃO Caro aluno, Nesta aula, será expandido o conceito de comportamentos leitores e comportamentos escritores, os quais têm sido considerados os verdadeiros conteúdos nas aulas sobre gêneros textuais. Você será incentivado a conhecer mais da obra da pesquisadora argentina Delia Lerner, responsável pela veiculação de tais conceitos, e poderá articulá-los à sua prática diária como docente de Língua Portuguesa. (Fonte: http://1.bp.blogspot.com). 28

Comportamentos leitores e comportamentos escritores OS COMPORTAMENTOS LEITORES E ESCRITORES Aula 4 Já vimos nas lições anteriores que os gêneros não são um conteúdo em si. Antes, o trabalho com os variados gêneros textuais em sala de aula e o que se tem considerado uma condição didática para trabalhar com os comportamentos leitores e escritores. São esses comportamentos os verdadeiros conteúdos nas aulas de línguas. E em que consistiria, de fato, tais comportamentos leitores e escritores? De onde saiu este conceito e como defini-lo de modo operacional? É da pesquisadora argentina Delia Lerner as definições mais precisas de tais termos e a defesa de que se deve considerar os seus conteúdos no ensino de língua materna. Alguns dos comportamentos leitores, segundo sua pesquisa, implicam em interações com outras pessoas acerca dos textos lidos, tais como: - comentar ou recomendar o que se leu; - compartilhar a leitura; - confrontar com outros leitores as interpretações geradas por um livro ou uma notícia; - discutir sobre as intenções implícitas nas manchetes de certo jornal; dentre outros. Já outros comportamentos se dão no domínio privado, mas nem por isso deixam de demonstrar habilidades e competências de leitura, a sobar: - antecipar o que segue no texto; - reler um fragmento anterior para se verificar o que se compreendeu, quando se detecta uma incongruência; - saltar o que não se entende ou não interessa e avançar para compreender melhor; - identificar-se com o autor ou distanciar-se dele assumindo uma posição crítica; - adequar a modalidade de leitura - exploratória ou exaustiva, pausada ou rápida, cuidadosa ou descompromissada - aos propósitos que se perseguem e ao texto que se está lendo; dentre outros. Possibilitar que os alunos pratiquem esses comportamentos, utilizando textos de diferentes gêneros é atribuição do professor. E, deste modo, estará fazendo os alunos transitarem entre as diferentes estruturas e funções dos textos, como leitores e escritores. É o que defendem professores e linguistas de várias instituições de pesquisa e ensino. Já entre os comportamentos do escritor, a distinção entre o que é (Fonte: http://www.helo-isa.blogger.com.br). 29

Laboratório para o Ensino de Gêneros Textuais compartilhado e o que é privado é menos nítida. Talvez devido ao fato de a prática da escrita se dar de modo mais reservado, individualizante. Mas, por outro lado, é um exercício que impõe ao escritor uma preocupação constante com o ponto de vista de quem vai ler, com o momento de socializar de sua produção: quem vai ler e de que modo vai receber. Planejar, textualizar, revisar mais de uma vez... são os grandes comportamentos do escritor, segundo Lerner, mas a dificuldade de analisá-los vem do fato de não serem observáveis exteriormente e acontecerem, em geral, de modo particular. Na fase de planejamento do texto, decidir os aspectos do tema que serão tratados no texto é um comportamento verificável na escrita e que supõe a capacidade de o escritor determinar que informação deveria dar aos leitores e qual delas poderia omitir. Este comportamento mostrou também que o escritor conseguiu pensar em termos do destinatário de seu texto, seu acervo, suas expectativas em relação ao texto que planejava. Na fase da textualização e revisão, uma atividade desenvolvida é a de evitar ambiguidades ou mal-entendidos que envolve, além de uma luta solitária com o texto, esta mesma tentativa constante de imaginar o que sabe ou pensa o leitor potencial... em outras palavras, os comportamentos escritores acabam levando a escrita a perder um pouco esta feição solitária e tornar-se uma espécie de diálogo interno do escritor consigo mesmo (como leitor) e com seu leitor futuro, potencial. Tal desdobramento do escritor/leitor desencadeia outras operações nas quais a dimensão interpessoal fica mais clara: discutir com os outros qual é o efeito que se aspira produzir nos destinatários através do texto e quais são os recursos para consegui-lo; submeter à consideração de alguns leitores o que se escreveu ou se está escrevendo... nos ensina Lerner. Ler e escrever bem são, portanto, o verdadeiro alvo de nossa prática pedagógica, ao explorar os gêneros textuais. Qualificar tais processos, tendo os alunos como sujeitos, é o grande desafio ao se escolher trabalhar a relação entre o uso eficaz dos gêneros textuais e a inserção nas práticas sociais mediadas pela leitura e escrita. ATIVIDADES Selecione um livro didático de uma disciplina a sua escolha (não res tringir ao ensino de Língua Portuguesa). Escolha uma atividade proposta e, a seguir, faça uma lista de todos os comportamentos leitores e escritores envolvidos na realização de um único exercício. Perceba se está indicada, no enunciado do exercício, a orientação que deverá ser dada ao aluno pelo professor (da respectiva disciplina), relacionada a tais comportamentos. 30

Comportamentos leitores e comportamentos escritores COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES Aula 4 É interessante que sejam explorados livros didáticos de diversas disciplinas. O enunciado, em geral, não trará os comportamentos leitores e escritores envolvidos nas ações de relacionar, identificar, distinguir, solicitadas por esses exercícios. Mas tais comportamentos serão implicitamente exigidos. Esta atividade quer verificar até que ponto o aluno de Letras, futuro docente de Línguas, percebe os comportamentos de leitura e escrita envolvidos em todos os outros exercícios de diferentes disciplinas. CONCLUSÃO Os gêneros não são, portanto, um conteúdo em si. Antes, o trabalho com os variados gêneros textuais em sala de aula são o que se tem considerado uma condição didática para trabalhar com os comportamentos leitores e escritores. São esses comportamentos os verdadeiros conteúdos nas aulas de língua. Cabe ao professor possibilitar que os alunos pratiquem esses comportamentos, utilizando textos de diferentes gêneros. Deste modo, estará fazendocom que transitem entre as diferentes estruturas e funções dos textos, como leitores e escritores competentes. RESUMO Esta aula enfatizou os verdadeiros conteúdos das aulas de língua, a saber, os comportamentos leitores e escritores. Destacou o estudo dos gêneros como condição didática para o desenvolvimento de tais comportamentos, bem como as várias operações envolvidas nas práticas de leitura e escrita do aluno, observáveis pelo docente. AUTOAVALIAÇÃO Ao final desta aula, consigo listar alguns comportamentos leitores e escritores envolvidos na realização de um único exercício proposto por determinado livro didático? Em caso negativo, reler o conteúdo desta aula, consultar a bibliografia sugerida e/ou pedir orientações ao tutor da disciplina. 31

Laboratório para o Ensino de Gêneros Textuais PRÓXIMA AULA Na próxima aula, abordaremos o desafio que se apresenta ao professor de Língua Portuguesa de trabalhar com gêneros, ao mesmo tempo em que necessita propiciar aos alunos um aprendizado da língua padrão, da variante linguística trazida na gramática normativa. REFERÊNCIAS LERNER, Delia. Ler e Escrever na Escola: o Real, o Possível e o Necessário, Délia Lerner, Editora. Artmed, 2002. Nova Escola. São Paulo: Editora. Abril, agosto de 2009. 32